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quinta-feira, 23 de maio de 2013

A Verdade a Ver Navios - por Gio

Hoje é segunda-feira. E eu nunca agradeci tanto por uma segunda-feira (bom, talvez já tenha feito... mas não nos últimos tempos). E o motivo é simples: é a minha primeira segunda de férias \o/. Bom, não exatamente “férias”, já que eu tenho dois exames pela frente. E a verdade é: eu estou em exame por vagabundagem, porque não estudei o que deveria durante o ano e, em alguns momentos, não estudei realmente nada.
A verdade... Ultimamente eu estou tendo muitos problemas com “a verdade”.
Amigos brigando, gente se acusando, e todos atrás de um culpado. E eu, no meio do tiroteio, tentando amenizar todos os lados... e, mesmo assim, sem saber quem realmente está falando a verdade.
Einstein esqueceu de avisar que verdade também é relativa... Depende da pessoa, da situação, dos interesses. E então você se pergunta... A culpa foi minha? Eu fiz algo errado? Então você vê que não, quando outra pessoa, fazendo a mesma coisa, na mesma situação, tem um resultado bem diferente do seu...
A sinceridade é a arte de dizer a verdade, sem enfeites ou disfarces. Mas, ao contrário do que seria certo, ser sincero traz mais incomodações que benefícios. ♪ Na hora h, no dia d, na hora de pagar pra ver... Ninguém diz o que disse, não era bem assim... ♪. No fim das contas, quem é punido é a única pessoa que tem coragem de dizer o que todo mundo pensa, mas ninguém se atreve a dizer.
A verdade... como uma coisa tão simples pode ser tão complicada?
A verdade a ver navios... Onde já se viu?



Visitem GioHumberto Gessinger

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Humor em Queda-livre - por Gio

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Segunda-feira passada, pela manhã, eu vi uma notícia que me chocou muito. Estou falando do desaparecimento do avião do voo 447 da Air France, que fazia o trajeto Rio-Paris. Não há como não saber de que se trata: virou “a notícia do momento”, aquele assunto que passa em todos os meios de comunicação, todos os dias e em todos os horários.

Deixando o sensacionalismo de lado, é realmente preocupante um incidente desses, e mais preocupante notar que, de algum tempo pra cá, os acidentes aéreos têm ocorrido com mais frequência. Aviões se chocando em pleno ar, aterrissagens frustradas em pistas sem a mínima condição de pouso, e agora um avião sumido em plena rota, cujos corpos dos passageiros só foram encontrados uma semana depois do desaparecimento. Onde está toda a segurança aérea que pensávamos ter antes?

O fato é que, mesmo com o número de acidentes aéreos aumentando, eles ainda são raríssimos, se comparados a acidentes navais, ferroviários ou de trânsito. Os aviões continuam sendo alguns dos meios mais seguros de transporte do mundo, se não estiverem no primeiro lugar. Agora, quando o acidente acontece, a história é outra: se for de moto, carro ou trem, há boas chances de escapar, muitas vezes ileso; se o acidente for aéreo, pode reservar um alojamento no Céu (ou no Inferno, nunca se sabe...) - quando o assunto é acidente de avião, a morte é praticamente inevitável.

Finalmente está se conseguindo dar um pouco de luz a esse mistério: acharam-se os corpos, viu-se uma fogueira em alto-mar onde podem estar destroços do avião, e as famílias estão sendo amparadas na medida do possível. Nunca é fácil.


Porém, ao mesmo tempo em que me chocou, imediatamente me veio um comentário na cabeça naquela segunda-feira: na sexta temporada de Lost, conheceremos os passageiros do voo 447 da Air France.

Piada de mau gosto? Insensível? Não, foi apenas inevitável. E garanto que 90% das pessoas que possam me criticar pelo comentário estão rindo dele. E certamente eu não fui o único: esse foi o tipo de acidente que proporcionou abertura para diversos comentários de humor negro. Quando acharam os falsos restos do avião, que descobriu-se ser de um navio, já sobrou pro Roberto Justus ser chamado de o “Charles Widmore da vez”.

O ser humano tem diversas maneiras para lidar com a dor, e uma delas é o humor. Sim, não é comum ver pessoas que, em vez de chorar ou discutir sobre o assunto, preferem fazer piadas. E nessas horas o humor negro tem sua maior fonte de criatividade:

Por que o parente pão-duro morreu afogado? Ele não abriu a mão nem pra nadar. Onde foi parar o padre voador (e seus balões)? Ele literalmente subiu aos Céus. Por que o PC da Isabella Nardoni é um Mac? Porque ela tem medo de Windows. Onde foi parar o avião da Air France? Descubra na próxima temporada de Lost.

Sentimentos fortes estimulam mais a criatividade. Eu, por exemplo, escrevo muito mais em períodos difíceis do que em tempos mais amenos. É uma forma de extravasar, de mostrar o que se está sentindo. E com episódios trágicos é a mesma coisa: para muitos, é mais fácil fazer uma piada do que lidar com isso.

Só o fato de a pessoa fazer uma piada mostra que, para ela, o fato não é comum, e mereceu alguma atenção. Não fazemos piadas sobre dias comuns, a menos que cruzemos com um português, um papagaio ou um gênio que sai de uma lâmpada que acabamos de tropeçar. É uma maneira disfarçada de protesto, que agride mais alguns por tentar ser menos agressiva para outros.

Por isso, da próxima vez que vir alguém fazendo uma piada de humor negro sobre algo, não pense que é algo triste: é sinal que ele se importa.
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.Postado, originalmente, em 07/06/2009.
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domingo, 17 de junho de 2012

Adaptações - por Gio

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Acabei de ver “Anjos e Demônios” no cinema, e a constatação que eu fiz foi: é outra história. Não, aquilo não é o Anjos e Demônios que eu li há uns dois anos. Digo, tem o mesmo storyline principal, o Langdon tá lá e tal, mas... Mudaram muita coisa. Não houve só adaptações para diminuir o tempo; houve alterações totalmente sem necessidade, por puro capricho ou vontade de inovar do diretor.
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.[Os parágrafos a seguir são um desabafo, e portanto contém spoilers. Quem não viu o filme ou leu o livro, pode pulá-los.]

O filme já começou mal: Leonardo Vetra ganhou um nome novo, e deixou de ser pai da Vittoria. O fax que mandaram ao Vaticano não tinha o corpo dele com a estampa a ferro escrita “Iluminatti”, somente o símbolo impresso. Ridículo.

O diretor do CERN... Cara, o diretor do CERN! O velhinho da cadeira de rodas! Ele nem aparece no filme! É ele que tem a conversa com o carmelengo, e obtém a confissão (e não o chefe da guarda suíça, que a essas alturas já tinha ido pro espaço!). E o que o Langdon consegue com ele é uma câmera, e não uma chave para um monitor high tec.

Falando da cena da confissão... O que fizeram com o Diamante Iluminatti? Transformaram o negócio em duas chaves cruzadas, que nem formam um ambigrama. O segundo ambigrama mais legal do livro (“Water” ainda ganha, pra mim) foi desprezado. Triste, triste, triste...

E esqueceram de mencionar que o Robert sobe no helicóptero também, e salta usando seu casaco para amenizar a queda. Pelo amor de deus, a cena em que o Langdon se estabaca no rio é prenunciada desde o início do livro. E me cortam ela do filme.

A Vittoria não foi sequestrada, isso até dá menos agonia. Mas o último dos preferiti não sobrevive - quem é eleito é o Eleitor do conclave, como quase aconteceu no filme. E o carmelengo não era pra pegar fogo no interior da igreja: deveria pegar fogo em cima do telhado, pra todo o povaréu ver.

E, que moleza, hein Tom Hanks? Receber a localização do covil pelo cardeal quase inconsciente. O Langdon do livro pena sozinho, desvendando mais e mais pistas, e quebrando a cabeça, para descobrir onde os preferiti estavam presos.

Só houve uma alteração que eu acredito ter algum motivo maior: a de omitirem o fato de o Papa antigo ser pai biológico do carmelengo, concebido por proveta com uma freira. Digamos que isso poderia (arranjar confusão com) ferir a Igreja.

[Fim do spoiler.]
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Toda vez que se adapta um livro para o cinema, é sempre a mesma coisa: felicidade de quem nunca viu, choradeira e decepção de quem leu o livro. Foi assim com Harry Potter, O Código da Vinci (do próprio Dan Brown) e, mais recentemente, O Caçador de Pipas. Diria até que o Código da Vinci desapontou os dois, pois eu vi antes de ler o livro e achei muito meia-boca.

Adaptações são feitas, na maioria das vezes, porque transcrever integralmente o conteúdo de um livro deixaria o filme com 8 horas de duração. Então, em vez de fazerem uma série de 8 capítulos fiel e com qualidade, os diretores preferem picotar o roteiro, e modificar cenas fundamentais, para poder caber em 3 horas.

Em outros casos, diretores adaptam o filme para dar a sua visão à estória, e para torná-la algo diferente, desprendido da estória original. Mudam os personagens, mudam partes do enredo, mudam o final. Muitas vezes, o resultado é muito bom - como esse -, só que...

Os fãs do livro não esperam isso. Eles não querem uma nova visão. Eles querem a encarnação do enredo e dos personagens que eles conhecem. A cada elemento mudado no filme, tem-se mais um protesto indignado, mais um comentário desapontado de um fã que não recebeu o que queria. E é assim que eu me senti, desapontado em certos aspectos, embora em outros eu tenha sido satisfeito.


Meu veredicto? O filme é bom, muito bom mesmo. Bem feito, o storyline manteve-se coerente mesmo com as adaptações, e não houve cortes ou “podas”. É um ótimo filme de ação e suspense pra quem não leu; agora, quem leu vai sofrer...
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.Postado, originalmente, em 09/06/2009.
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Não Deu Tempo... - por Gio

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Avenida Rio Grande, por volta de 2h30min da manhã. Era mais uma daquelas noites de verão, onde se pode esperar de tudo. Mesmo assim, por essa nem eu esperava. Estávamos eu e mais três ou quatro amigos, sentados no muro baixo da pracinha das crianças. Era um ano onde três de nós tínhamos entrado na faculdade, fazendo com que a conversa girasse em torno desse assunto eventualmente.

Foi quando ele chegou. Um cara de boné pedalando uma bicicleta meio velha e surrada. O mais interessante é que ele conseguia estar com uma aparência mais velha e surrada que a própria condução: braços arranhados, roupas maltrapilhas, ares de quem tinha levado algumas surras e saltado sobre algumas cercas. Eu observei, meio incrédulo, aquela figura que, do nada, resolveu parar à nossa frente. Essa “roupagem” do sujeito acabou, inicialmente, nos assustando, e o fato de não haver policiamento àquela hora não ajudava em nada. Ironicamente, esse sujeito acabava por ser fascinante, de um modo que, por alguns segundos, esqueci que ele poderia falar.

– Vocês sabem me dizer o que é isso?

Foquei minha atenção novamente para a bicicleta, e notei uma cestinha na parte traseira, carregando... Um scanner. Quem é que carrega um scanner em uma bicicleta no meio da madrugada? De qualquer forma, nós confabulamos um pouco, e alguém acabou explicando o funcionamento do aparato. É de usar no computador... Funciona que nem máquina de xerox... Copia fotos para o PC...

– Tá, e quanto vocês acham que custa uma coisa dessas?
– Olha, não sei – disse o mais velho de nós –. Esse aparelho deve estar ultrapassado, mas novo devia custar uns 100 reais. Usado assim, deve valer uns 50.
– Sessentinha e a gente conversa!

Em um instante, o homem ignorante da bicicleta se tornou um candidato a vendedor da Polishop. O aparelho (que ele até então desconhecia) passou a se tornar a sua especialidade de venda. Ele apertava todos os botões, abria e fechava a tampa, e descrevia as mil qualidades que o aparelho que tinha em mãos oferecia:

– Vocês vejam que o aparelho está em perfeito funcionamento.
– Mas nós não temos dinheiro – disse alguém.
– Não tem problema, façam uma vaquinha entre vocês.
– Não, não, obrigado.
– Olha, o aparelho está em ótimo estado.
– Senhor, a gente realmente não tem dinheiro...
– Mas vejam que o aparelho é bom para toda a família e...

O cara era realmente insistente. “Desistir” não era parte de seu vocabulário, e nós já estávamos incomodados com aquele ser ameaçador na nossa frente, no meio da avenida. Foi preciso mentir um pouco, para ver se ele se mandava:

– Nós não temos nem computador.
– Vocês podem dar de presente para alguém!
– É sério, nós nem temos dinheiro.
– O aparelho está em perfeitas condições, inteiraço. Só não peguei o plugzinho porque não deu tempo...

É, depois dessa, eu podia parar por aqui. Mas calma, sempre tem o arremate para fechar com chave de ouro:

– Olha, eu acho que se o senhor sair por aí, consegue vender esse scanner fácil, fácil. Tá cheio de turista com dinheiro, e tal.
– Ah, é que eu tô muito cansado. Acordei cedo hoje, sabe...
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Três - por Gio

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Carlos estava na parada de ônibus, esperando o velho Mercedes-Benz – provavelmente o único Mercedes em que andaria, ao menos nos próximos 50 anos – chegar, e o levar para casa. Era um daqueles dias (noites, na verdade) em que todas as linhas parecem estar funcionando, menos a sua: a chance de o ônibus chegar é inversamente proporcional à sua pressa. Mais que com pressa, estava cansado, já que aquele sábado no balneário foi mais cansativo do que proveitoso.

– Ei, Carlitos!

Demorou a reconhecer a figura que vinha da penumbra, mas, ao fazê-lo, quase deu um pulo. Era João Pedro, amigo de colégio desde os tempos do ensino médio, o qual não via há uns dois anos. João foi fazer curso técnico em uma cidade interiorana, e eles acabaram perdendo contato. Foi inevitável a mais clichê das perguntas-exclamação:

– Joãozinho, há quanto tempo a gente não se vê!?
– O tempo suficiente para você criar barba na cara.
– É verdade. E eu que disse que nunca usaria barba?
– E eu que disse que nunca sentiria saudades daqui?
– Disso eu já não tinha dúvidas. Diga, faz quanto tempo que você voltou?
– Uns três meses. Mas não se preocupe, não avisei ninguém – queria tempo para me reorganizar, me readaptar. Mais tempo pra respirar, eu diria.
– Pelo jeito, tiraram o teu couro lá naquela cidade...

E esqueceram-se da vida, colocando a conversa em dia, comparando as cidades, relembrando os velhos tempos, com o assunto caindo periodicamente em futebol, dinheiro e mulher – não necessariamente nessa mesma ordem. Ficaram lá uns 35, 40 minutos, durante os quais nenhum ônibus passou, obviamente.

Quando o velho Mercedes chegou, a impressão que se tinha é que era Mercedes só no nome: em vez do visual polido, uma carcaça deteriorada pelo uso e pelo tempo; em vez de bancos de couro e ar condicionado, assentos de um estofado de quinta e passageiros com o desodorante vencido; em vez do espaço e conforto característicos, pessoas espremidas nos corredores, portas e janelas.

– Tem espaço pra gente aí dentro? – perguntou João ao motorista.

O motorista olhou para trás, como que perguntando ao cobrador. As pessoas dentro do ônibus gemeram – já estava difícil respirar do jeito que a coisa estava, e colocar dois passageiros a mais não iria melhorar a situação. Ouviu-se um grito lá de dentro.

– Se o pessoal do fundo apertar, cabe mais uns cinco!

Ao entrarem, em vez de um chofer, quem os recebia era um motorista mal-humorado fumando um dos cigarros mais fedorentos dos quais eles poderiam lembrar. Seu humor só não era pior que o do cobrador que, na última viagem de seu turno, atendia com resmungos. Humor que não melhorou ao receber uma nota de vinte de Carlos.

– Senta aí, e espera. Vou ver se tenho troco.

E assim os dois ficaram ali, quase do lado da roleta, espantados tanto com a grosseria do cobrador, quanto com o fato de ele os ter mandado sentar. Deve ser o sono, comentaram. Enquanto o próximo pobre passageiro que daria o que faltava ao troco de Carlos (antes de ser espremido feito uma laranja) não chegava, retomaram a conversa. Foi quando Carlos avistou algo na janela.

– Tá vendo aquele cara passeando com a garota no início da avenida?
– Sim, por quê?
– É o meu herói.
– Como?
– É como ele é conhecido. “Meu herói”. De herói não tem nada, mas é chamado assim devido às suas façanhas.
– E quais seriam essas façanhas?
– Atualmente, ele está com três namoradas ao mesmo tempo. E eu, que já tenho dificuldades para lidar com uma só...
– Três namoradas? E quanto ele gasta de avião para manter isso?
– Nada.
– Ônibus?
– Não.
– Ele tem carro?
– Nem perto.
– Não vá me dizer que...
– Exatamente. As três são aqui da cidade.
– O que esse cara tem na cabeça? Isso é suicídio!
– Ele diz que gosta de viver perigosamente.
– Mas como alguém consegue administrar três garotas na mesma cidade, sem elas nunca se encontrarem?
– Entende porque o chamam de “meu herói”?

O cobrador finalmente tinha arrumado troco. Carlos esticou o braço, e os dois se moveram para um lugar menos desconfortável no fundo do ônibus. João Pedro retomou:

– Mas... Três? Não seria mais fácil com duas?
– Ele diz que não. Com três, se uma das mulheres o descobre com outra, ainda sobra a terceira. Ei, se a Renata me escuta falando isso...
– Renata?
– É, minha namorada. Não te comentei na parada?
– Comentou, mas não tinha dito o nome dela. Estão juntos há quanto tempo?
– Quase dois anos. Conheci ela pouco tempo depois que você partiu.

O ônibus deu um solavanco ao passar por um quebra-molas na estrada, arremessando desavisados alguns metros para trás. Um rapaz que estava atendendo o celular caiu sentado no chão.

– Conheceu ela na faculdade? – divagou João.
– Não, ela faz faculdade particular. Foi em uma dessas festas da vida, regada a tequila liberada.
– Não sabia que dava para se conhecer namoradas nessas condições...
– Nem eu, Joãozinho, nem eu... Mas sabe, até que ela anda bem acomodada. Nem quis vir comigo hoje para cá!
– Ah, que pena. Acho que perdi de conhecê-la esse final de semana.
– Ah, qualquer dia essa semana eu te levo no trabalho dela, quando for buscá-la. Ela trabalha no posto de saúde ali no centro. Podemos sair para comer alguma coisa!

Que estranho, pensou João Pedro, mas guardou isso para si.

– Hmm... Pode ser. Ela faz o que no posto mesmo?
– Estagiária. Ajuda com as vacinações, e confere as carteirinhas.
– Sei.
– Só espero que ela queira sair. Como eu disse, ela nem para a praia quis vir hoje. Foi visitar a...
– ...Dinda doente?
– Exatamente. Como adivinhou?

O ônibus dobrou rápido demais em uma curva, jogando uma senhora de idade, cuja bengala acertou em cheio na coxa de um homem que, ao menos até ali, estava dormindo.

– Carlitos, eu também estou vendo alguém.
– Nossa, que bom! Finalmente você pretende tomar jeito. Desde quando?
– Desde que eu cheguei aqui, quase.
– Onde a conheceu?
– Num posto de saúde. Fui checar se havia alguma dose de vacina que eu tinha esquecido.
– Num posto? Não diga! Vai ver ela conh...
– Carlos, ela é loira, tem aproximadamente 1,75m, trabalha no turno da tarde, tem um sotaque meio...
– Carioca. Vive de rabo-de-cavalo, usa um perfume que já saiu de linha, e não suporta cheiro de...
– Fritura. Especialmente batata frita. Passou a semana inteira em função...
– De provas, e agora esse fim-de-semana não pode sair do centro, pois tinha de cuidar de sua dinda...
– Helena. E o nome dela é...
– Renata! – Ambos exclamaram. Várias pessoas se viraram, espantadas. O cobrador olhou com cara de reprovação. A senhora que sentava no banco ao lado deles também os olhou com cara de reprovação, mas não era por causa do grito.

Em um outro canto da cidade, Renata rolava em abraços calorosos dentro de um quarto. É, a essa altura eles já se encontraram. Se fossem só dois...
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quinta-feira, 4 de março de 2010

O Quase-Show - por Gio

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Computador ativo e operante, agora. Enquanto eu me reorganizo, e dou um jeito na bagunça e o atraso que a TPM da máquina me deixaram, vou postar algo que eu escrevi sobre o fim de semana que eu voltei da viagem.
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Voltando da viagem, eu dormia
Foi quando “Thugz Mansion” berrava
De um celular no bolso, que tremia
O vocalista que telefonava

Me avisando em cima do laço
De um show - e com essa, eu tonteio -
Mas, da tontura, logo me desfaço
Sou bom gaúcho, não me aperreio

Canja marcada dali a dois dias
Num pub no coração da cidade
E agora, como sair dessa fria?
Sem ensaio, só na força de vontade!

Desde então, a mente maquinava
E com meus botões, já raciocinava
O que fazer pra sair do sufoco

O cruzamento eu matei no peito
Se é pra fazer, é pra fazer direito
Tenho coragem, mas eu não sou louco!

Com só um dia para ensaiar
Tinha que ser tudo na correria
Não dava tempo nem de respirar
Mas que outra escolha eu teria?

O show e o dinheiro eram curtos
Mas se, ao dono, a gente agradasse
Daquela noite nasceriam frutos
Contrato feito, olha só que classe!

E quem não quer tocar com dia certo?
É sempre bom ser a banda da casa
Por isso, então, eu já fiquei esperto
Pra ver se, nessa canja, a gente arrasa

O ensaio foi feito, carregado
De humor, e o corpo esquentado
Pelo quentão e chocolate quente

Já vi que levo jeito pra cigarra
De novo, peguei músicas na marra
Que, mais surpresas, ele não me invente!

E chega o dia, chego cedo lá
Chegada a hora, fico impaciente
Ligo pro cara, que vem me falar
Era mais tarde ainda o show da gente

Só me restava mesmo esperar
E, já que estava cedo por ali
As minhas coisinhas fui arrumar
E fiquei pasmo com o que descobri

Não bastavam os cubos e os cabos
Que trazíamos tranquilos, de humor bom
Humor que se desfez, ficamos brabos
Ao ver que não tinha mesa de som

Reunião, a banda em conversa
Quase que toda a formação dispersa
Mas logo chegamos a um consenso:

A apresentação do dia, cancelada
A nossa canja já foi remarcada
Vou me esquentar? É só usar bom senso.
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Classificando... - por Gio

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Baseado em fatos reais... Ou não..
.- Como são diferentes?
- Claro! Ao contrário das mulheres, que preferem dizer que nós somos todos iguais, os homens devem conhecer os tipos diferentes de mulher, e saber lidar com eles...
- Interessante... Prossiga.
- Existem 3 tipos diferentes de m...
- Ah, tá! Classificação de filos, agora?
- Como eu dizia... Existem 3 tipos diferentes de mulheres...
- De uma maneira bem geral, você quer dizer?
- Quer parar de me interromper!?
- Ok, desculpe.
- Sim, de uma maneira bem geral, mas funciona pra maioria. A primeira delas é a SPC.
- SPC?
- Só pra c...
- Tá, tá, já entendi. Mais cuidado, Gustavo, a gente tá em local público!
- E desde quando se tem pudor em bar, Alberto?
- É verdade...
- Então, voltando às SPC. São aquele tipo que, do nada, pergunta se você está sozinho em casa. Aparece, faz o serviço sujo, e some – talvez volte a falar com você dali a 6 meses...
- São aquelas que “se mantém o número do celular, em caso de emergência”. Acho grotesco isso!
- Grotesco, se elas fossem inocentes. Elas fazem de propósito: e é por essas e outras que a gente deve evitar se apegar a uma delas...
- ...porque, assim como elas te procuram, procuram toda a lista de contatos do telefone. Faz sentido.
- Isso. Depois temos o segundo grupo, o dos “rostinhos bonitos”.
- Aquelas que só ligam para a aparência? Só se aproveita o rosto...
- ...ou o corpo, e nada mais.
- E devemos evitar se apegar a essas?
- Bem, se você conseguir se apegar a alguém com quem não consegue manter mais que 2 minutos de conversa racional...
- Hehe. Garçom, traz mais uma! E o terceiro grupo?
- Ah, filho, essas são o sonho de qualquer um: as pra casar.
- E essas seriam...?
- Aquelas que talvez não sejam tão bonitas, mas se cuidam – tanto por dentro, quanto por fora, e isso é o importante. São inteligentes, tem algum plano de vida, e talvez gostos parecidos com os seus. Às vezes dão mais trabalho, mas quando são suas, são de verdade: são carinhosas, estão para o que der e vier, e ligam mais para você do que para a opinião das amigas ou os fundos do seu cartão de crédito.
- Caramba, e onde eu acho uma mulher assim?
- Ah, elas andam sumidas, mas ainda existem. O difícil é achar alguma que encaixe com você.
- Aquela história brega de “química”?
- Brega, mas válida sempre. Não basta ser bom na teoria, tem que acontecer!
- Escuta...
- Diga!
- Esse papo todo... De classificação e tal... Não parece meio machista?
- Pff.. E você acha que elas não nos classificam também?
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Controle Universal - por Gio

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Quero um controle universal! De TV? Não, da vida.

Quero um controle para poder desligar aquela versão forró chata de “Cobertor” que toca nos alto-falantes da praça, quando eu passo por ela de manhã cedo. Quero um controle para trocar o letreiro eletrônico do destino dos ônibus, para não chegar mais atrasado. Quero usar os botões de volume para aumentar aquela conversa em sussurros que me despertou curiosidade – principalmente se estiverem apontando para mim.

Quero, com o aperto de um botão, trocar o narrador do jogo do meu time para alguém mais suportável. Quero um controle que possa trocar somente o apresentador, em vez do programa inteiro. Quero um botão de Menu onde eu possa determinar a programação, e tirar da grade de uma vez por todas certos “testes de DNA”. Oloco, meu!

Já consigo trocar a faixa de um DVD... Quero fazer isso em um show ao vivo! Ou, no mínimo, acelerar aquela música que não empolga para chegar logo à que eu quero! Falando em acelerar, queria um botão de FF para passar rapidamente pelas discussões, e chegar logo na parte de fazer as pazes. Ah, quero uma função de Rec, para evitar os “Eu nunca disse isso!”, “Não fui avisado” e “Não foi bem assim...”.

Quero usar o mesmo Rec para esfregar na cara dos políticos as promessas não cumpridas, os discursos demagógicos e (quem sabe) alguns exemplos de bons governos. Quero um controle onde eu possa trocar não os canais, mas os políticos nas urnas eletrônicas, pra ver se eu fujo da mesma panelinha de sempre. E, se ainda assim eu me decepcionar, apertar o Eject é bem mais fácil que fazer um impeachment...
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Visitem Gio
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vertigem - por Gio

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Gi, fica com as coisas na mão, que a mãe nem vai parar o carro aqui na frente. Eram 19:15, e eu tinha show às 20h. De case e mochila de pedais em punho, esperei a carona passar voando, dando sorte de a minha mãe estar trabalhando no mesmo evento onde eu iria tocar. O carro chega, e lá embarcamos nós três – eu, meu irmão e minha cunhada – rumo à FEARG.

A feira estava lotada, como de costume, ainda mais no fim de semana. E o alienígena aqui com uma guitarra em uma mão, e uma mochilinha ridícula na outra. Voando, meu irmão me mostrou onde era o palco onde eu iria tocar, e aterrissando lá eu vi que fui o último da banda a chegar. Sem problemas, ainda tinha meia hora antes de subir no palco. Eu disse sem problemas? A meia hora, que serviria para escutar as músicas próprias da banda, só serviu para aumentar o nervosismo: não conseguiram trazer as músicas, e eu ia ter que, parafraseando um amigo meu, “ir no sentimento”.

E assim eu fui: primeira vez na FEARG, primeiro show com banda na vida, e ainda por cima num domingo, em um dia de bandas conhecidas, e com um único ensaio feito. Pouco ensaio por pouco ensaio, já me apresentei no auditório da escola de Belas Artes sem ensaio nenhum. Mas aquilo não parecia nem um pouco com o auditório da Escola de Belas Artes. O povo vendo o show antes do nosso era grande – se eles seguissem, ia ser a maior plateia para qual eu iria ter tocado. O show termina, a banda desce – já cercada por tietes –, e a gente sobe no palco. E o povo desaparece.

Não sabia se ficava feliz, aliviado, ou intrigado. Escolhi a indiferença, e comecei a arrumar a aparelhagem. Desenrola fio, conecta cabo, afina guitarra... Giovanni gostosão! Parece que alguma amiga minha chegou pra me sacanear – deve ser a Alexandra. De repente, o povo que havia sumido reaparece: eles só foram “tietar” a banda que saiu. O Andrade tá te esperando, hein? É, definitivamente é a Alexandra tirando com a minha cara. Vejo que tem um half-pipe na frente do palco, e essa falsa sensação de segundo plano quase me ajudou a me acalmar.

O show começa e as pessoas vão chegando. Quanto mais gente chega, menos eu olho pra frente. Olho pra cima, olho pra baixo, olho fechado, repete. E assim eu fui, até que... eu erro em uma música própria. Tirando um ex-integrante (meu amigo, por sinal), ninguém parece ter notado: acharam que a banda estava delirando em um jam no meio da música. Mas eu notei, e isso pra mim foi o suficiente para quase petrificar. Quase nem me movi mais no palco depois daquilo. Quem chegou na segunda metade do show deveria pensar que eu era músico de apoio contratado.

De resto, o show correu bem. O coral que cantou as 3 últimas músicas com a gente se saiu melhor na apresentação do que no ensaio; a única pessoa que não ouviu a minha guitarra direito fui eu mesmo; e aparentemente quaisquer possíveis erros meus passaram desapercebidos pelo pessoal. E... Como apareceu gente conhecida pra falar comigo depois do show! Eu não sabia onde me esconder: parece que até eu ganhei meu dia de fama...

No outro dia, falo pro vocalista que fiquei nervoso por ser minha primeira apresentação, e ele ri da minha cara, pois não tinha notado. Já tem convite novo pra tocar essa semana. E eu? Vou dar a cara a bater de novo!
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Visitem Gio
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estudo de Caso - por Gio

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Lei de Murphy Aplicada a Trabalhos Acadêmicos.
.Depois de tentar fazer um trabalho durante mais de uma semana, e a coisa não andar muito, chega uma hora em que medidas drásticas têm que ser tomadas, e é necessário entrar de cabeça na situação – essa hora é a véspera da entrega. Se a coisa chega nesse ponto, é melhor preparar seu kit CQC (Café Quente e Computador) e se acomodar em uma cadeira bem confortável, pois a noite vai ser longa.

O trabalho começa às 16h. Quando bate 21h, o céu já está tão preto quanto a sua nota vai ficar se o trabalho não for entregue, e seu único avanço foi descobrir que o método que vem sendo usado há uma semana para tentar resolver o problema não vai funcionar de jeito nenhum. Chegou a hora! De mudar de tática? Não, hora da janta mesmo... E depois, pausa para o jogo. Os trabalhos recomeçam à meia-noite.

Atordoado – não se sabe se de sono, ou de ver seu time levar uma surra fora de casa –, você arruma suas coisas, pega um táxi, e se manda para a casa do amigo para continuar a loucura. Agora sim vem a mudança de tática (essa solução não pode falhar!), e o trabalho é recomeçado. A noite se passa assim: pesquisa, vamos tentar usar isso, reestruturação, essa droga não funciona, mais pesquisa, essa droga continua não funcionando, torradas, eu não aguento mais, prazo acabando, eu quero morrer.

Depois de 14h do início das atividades do dia, seu cérebro funciona tão bem quanto o Ronaldinho Gaúcho na Seleção, ou seja, é melhor parar porque não vai sair mais nada produtivo. Depois de dormir as mais ansiadas (duas) horas de sono da sua vida, chega a hora da verdade. No ônibus, você pensa em maneiras de explicar como tentou de tudo para fazer o trabalho funcionar, enquanto o seu amigo... ronca. Chega em aula, dorme durante a explicação da matéria, e descobre que não vai haver tempo de algumas duplas apresentarem o trabalho. Inclusive a sua.

Com o prazo estendido até a meia-noite para enviar o programa funcionando, uma luz de esperança se acende. Depois de almoçar às 15:30 da tarde, e recuperar as horas de sono que faltavam na semana, chega a hora do “tudo ou nada”. Você resolve começar do zero, tenta uma maneira completamente diferente de fazer as coisas, e em tempo recorde termina o trabalho. Tudo funcionando perfeitamente, sem nenhum bug, sem nada faltando. Mal dá para acreditar! Só falta enviar o trabalho, agora...

E não é que a porcaria da internet cai?
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Rei da Terra do Nunca - por Gio

Alguém disse em algum programa hoje que ninguém vai esquecer o que estava fazendo quando recebeu a notícia da morte do Rei do Pop. Eu certamente vou lembrar: estava entrado no MSN, para falar com meu colega sobre um trabalho (cuja epopeia vocês vão saber semana que vem), e quando abriu o MSN Hoje, apareceu a notícia “Astro do Pop: Michael Jackson morre aos 50 anos”. Pensei que era pegadinha, e cliquei para ver se era algum tipo de piada. Tive que ler a notícia, entrar em alguns dos links, e perceber a inundação no meu Twitter para finalmente acreditar.

Ignorem então a minha teoria sobre acordar cedo: pelo jeito, ultimamente as notícias ruins vêm sem precisar de desculpa. Notícia ruim, sim! Perdemos mais que um ídolo: perdemos um gênio da música e da dança, um inovador, alguém tão bom que conseguia fazer com que mesmo pessoas que não gostassem de seu estilo voltassem os olhos para ele e sua música. Johnny Cash nos deixou em 2003, e ainda há pessoas que não sabem que ele morreu; mal faz um dia que Michael Jackson faleceu, e não há quem não saiba – o mundo parou.

Uma bomba que pegou de surpresa para muitos, uma simples consequência de seu histórico para outros (ou mesmo uma jogada estratégica para escapar das dívidas, para os conspiracionistas de plantão), a morte de Michael Joseph Jackson causou efeitos curiosos. A imprensa que, há pouco mais de um ano atrás, decretava o fim de sua integridade moral e carreira, agora o exalta como um deus (isso me lembra o Brizola). Seus CDs duplicaram de preço no Amazon... e esgotam. Sua esposa, que tinha cedido a guarda dos filhos magicamente aparece, querendo novamente a guarda. Comparado com os últimos falecimentos, esse é disparado o que rendeu menos piadas.


O artista Michael Jackson é algo indiscutível, as opiniões a respeito são como um dogma, quase unânimes. O ponto que gera polêmica e divergência é a pessoa Michael Jackson, esse ser enigmático que era negro, se tornou branco, e hoje é cinza (Desculpem, não pude evitar!).

Aliás, esse ponto de mudança de cor da pele é um dos mais criticados: é considerado renegar a própria raça. Excluindo as vertentes que dizem que o clareamento veio de um vitiligo extremamente uniforme, eu pergunto: ele não tinha motivos para renegar a raça? O pai, a maior referência de um homem, era um ser rígido e enérgico. Muitos falam que os ensaios do Jackson 5 eram vigiados pelo pai e seu chicote. É verdade? Não sei, mas isso explicaria muito de seu comportamento.


Outro foco são as acusações de pedofilia. Muitas feitas, nenhuma provada, e um acerto milionário com uma família para alimentar a discussão. Sinceramente, eu tenho as minhas dúvidas quanto a ele realmente ter feito alguma coisa. Sim, podem me chamar de louco. Hoje em dia o mundo está deturpado a tal ponto, que é tão difícil acreditar que um adulto goste de crianças sem nenhuma intenção sexual? Se ele dizia que dormia, e só dormia com as crianças, é tão absurdo acreditar nisso?

Michael era uma criança grande, isso era notado frequentemente em seus atos muitas vezes imprudentes (como a clássica cena do filho na sacada). Quando as acusações chegaram, ele era um artista em seu auge, com uma reputação a zelar. As crianças supostamente abusadas mudaram seus depoimentos algumas vezes, não tinham nada a perder, e calaram-se quando um acerto financeiro foi feito. Quem tem mais chances de estar mentindo?

Eu vejo Michael como um Peter Pan da vida real: uma criança que não cresceu, e por isso sofreu duras críticas no “mundo dos adultos”. E esse mundo duro e implacável foi o que trouxe uma infância triste, e também invejosos e aproveitadores na mesma proporção de seus fãs. Com sua imagem na lama, a criança que não sabe controlar as finanças gastou mais do que devia. No final, teve até que abrir mão de sua Terra do Nunca.


Mesmo com tudo contra, o Rei saiu por cima. Foi o maior artista pop, teve o álbum mais vendido de todos os tempos. Inseriu o conceito de videoclipe, e mudou a nossa maneira de ver a música. Tem mais admiradores, fãs e covers que qualquer um já sonhou. Não adianta: rei que é rei, nunca perde a majestade.
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.Postado, originalmente, em 26/06/2009.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Tá Tudo Liberado! - por Gio

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Essa semana que passou, estava tomando café e vendo o jorn... Pausa.

Acordar cedo e levantar a tempo de tomar café vendo o jornal de manhã tem sido um evento raro para mim, já que faz um mês que eu chego atrasado à faculdade por conta do sono. Então, uma situação de uma raridade como essa merece um pouco mais de destaque. Vamos recomeçar:

Numa das raras vezes que consegui levantar cedo esse mês – coincidentemente, semana passada –, eu estava vendo o jornal e vi uma notícia q... Mais uma pausa.

É a segunda vez que eu levanto cedo no mês, e é a segunda vez que eu acordo com uma notícia catastrófica. Se continuar nesse ritmo, até o fim do ano acordo com repórteres decretando o início do Apocalipse. Melhor continuar dormindo meia hora a mais... Erm, o show tem que continuar, então meu relato prossegue:

Numa das raras vezes que consegui levantar cedo esse mês, eu estava vendo o jornal e me deparei com uma notícia que me deixou... A minha reação eu expresso depois, o fato é que tiraram a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão. Bom, para justificar uma decisão estapafúrdia, só mesmo uma desculpa mais estapafúrdia ainda: a exigência do diploma feria a liberdade de expressão.


Han?


É, é isso mesmo. Infelizmente para mim (e para todos nós), isso não era o Saturday Night Live – por motivos óbvios – e nem eu estava delirando de sono. Acho que o nosso Judiciário precisa dar uma checada no Aurélio, para rever seus conceitos sobre algumas palavras. “Liberdade” certamente é uma delas; no meu tempo tinha outro significado.

Uma vez, em uma aula de Ensino Religioso (que, de religião, não se aprendia nada), aprendi a sutil diferença entre “liberdade” e “libertinagem”. A partir do momento que um ato livre passa a causar dano a outra pessoa, ou mesmo privar parte da liberdade dessa, a liberdade vira libertinagem. A diferença entre “graffiti” e “pixação” segue a mesma linha.

Para mim, essa decisão foi exatamente isso: transformar a liberdade em libertinagem de expressão. Permitir que pessoas sem a mínima formação tenham direito a serem chamadas de “jornalistas” estende o alcance deles, mas fere a minha liberdade, o meu direito de receber material de qualidade.

A faculdade de Jornalismo não existe à toa. Nos meios de comunicação, precisamos de pessoas que saibam falar ou escrever corretamente, que saibam expressar suas ideias, e que saibam ser imparciais. Precisamos de pessoas com o mínimo preparo, que tenham um nível técnico o suficiente para gerar e apresentar reportagens de qualidade. Perdemos toda essa garantia com a “liberdade”...

Para não-jornalistas já existem os comentários, cartas do leitor, colunas, blogs, Twitter e tantos outros meios de comunicação. Um selo custa 10 centavos, contas de e-mail são na maioria gratuitas, e uma hora na lan house custa menos que uma passagem de ônibus. Ninguém é privado de se expressar: hoje em dia, só não fala quem não quer.
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Postado, originalmente, em 21/06/2009.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ser Homem Não é Fácil... - por Gio

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Quando falei em “mundo feminista”, recebi muitos contra-argumentos (fico contente de não ter recebido xingamentos, só argumentações) de mulheres que discordavam, sendo que quase todos eles se baseavam em 3 pilares: salto alto, menstruação e arrumação. Em resumo, a mensagem que tentaram me passar foi “Conseguimos esses direitos, porque a vida de mulher é mais difícil. Nós merecemos mais!”. Permitam-me discordar.

Ninguém sabe ao certo a origem do salto alto, mas os primeiros a usar foram homens de baixa estatura, que queriam demonstrar imponência e poder. O salto foi adotado pelas mulheres por vontade própria, para realçar suas formas. Mulher que usa salto, é por vontade própria – ou determinação de uma chefe mulher. Gostamos? Sim, mas isso é consequência, e não causa.

Menstruação, gravidez e derivados são atributos da natureza característicos das mulheres. Elas passam por coisas que não passamos, mas nós também temos desvantagens biológicas (muitas derivadas de vantagens). Mulheres merecem crédito por isso... Mas os homens não? O homem moderno tem que saber lidar com a TPM da mãe, da esposa, da irmã e da filha. O homem moderno faz as vontades da gestante que tem o ritmo de vida diminuído, e acompanha a mãe que está de folga, enquanto ele volta ao batente depois de uma semana – e divide as tarefas de cuidar do bebê.

Quanto à arrumação, faz muito tempo que homem não pode ser desleixado. Homem tem que ter barba feita ou aparada, unhas feitas, ser perfumado, bem arrumado, pontual, inteligente, bom de papo-beijo-cama, sem barriga e de preferência sarado. As exigências aumentaram tanto que o antes tão importante romantismo acabou ficando para escanteio. O homem tem que se arrumar, se preparar, estar perfeito, ser um cavalheiro, e ir buscar a dama – tudo isso em dez minutos. Tudo isso para esperar os 50 minutos restantes da arrumação feminina.


O meu ponto principal – que talvez eu não tenha salientado como deveria – é que as mulheres lutaram não por uma transformação total, mas por uma agregação de direitos. O que se vê em muitos casos não é uma mulher que quis passar da antiga dona-de-casa para a mulher moderna, mas sim uma mulher que quis conquistar direitos novos, evitar os deveres que deveriam vir acompanhando, e ainda manter os direitos que a mulher antiga tinha.

Mulheres lutaram tanto para trabalhar, mais ainda acham irracionalmente que o homem é que tem que pagar as contas; mulheres lutaram pela independência, mas elas mesmas difamam as poucas que tentam tomar a iniciativa nas relações; mulheres lutaram pela igualdade no mercado de trabalho, mas ainda se utilizam de técnicas de sedução para conseguir facilidades; mulheres lutaram tanto para retirar o estigma de “sexo frágil”, mas recorrem a ele sempre que julgam necessário ou oportuno.


Mas o que mais me impressiona é ter que ouvir que, apesar de tudo isso, a vida da mulher não é nada fácil. Ser homem é moleza. Queria ver um homem ficar na pele de uma mulher durante uma semana. Pois bem, eu dou dois... quem sabe três dias para uma mulher ficar na pele de um homem.

Os homens naturalmente têm uma estrutura corporal mais forte, então o trabalho pesado sobra para nós. Trabalho braçal, cansativo, resistência: é nessa hora que o “sexo frágil” é reativado. Nós furamos, carregamos, subimos no telhado, pintamos debaixo do sol. Desculpem o sarcasmo, mas é realmente muito difícil ser uma mulher quando se tem que usar um salto alto para subir na mesa e pular enquanto corremos atrás do rato. E as poucas mulheres que fazem o trabalho pesado não falam que vida de homem é fácil.

O tempo passou, as coisas mudaram, mas ainda temos que ser o suporte emocional da família. A base sólida. A rocha. Devemos ser sensíveis, mas só no sentido de sermos compreensivos e ouvintes. Não podemos sacudir, não podemos estremecer, não podemos chorar. Nosso dever é estar sempre ali, inabaláveis, para que a mulher possa cair e ter onde se apoiar. Instintivamente, é o que toda mulher quer.

Há um concorrente bem forte para a gravidez: o serviço militar. Troque o exame acompanhado do marido pelo exame médico de admissão: digamos que ficar de roupas íntimas no inverno, junto com alguns desconhecidos e na frente de 5 militares e um médico, para falar (e provar o que se falou) sobre doenças pubianas não é uma festa. Troque os 9 meses de cólicas e contrações por 10 meses de reclusão: em vez do apoio da família, tem-se a pressão psicológica e humilhação pelos superiores; em vez do repouso, tem-se trabalho árduo e remuneração baixa; em vez de dores ocasionais, tem-se 12 horas por dia de sacrifício; e nem se pode pedir para o sargento sair no meio da madrugada buscar aquele doce que deu vontade de comer.

A exigência dos homens é virtualmente maior, isso é fato. Mulheres têm mais liberdade para serem, estarem, sentirem e demonstrarem. Homens têm a postura, os atos, o comportamento e todo o resto julgado, tanto por outros homens, quanto pelas mulheres. “Andar na linha” é uma expressão de uso exclusivamente direcionado ao público masculino.


Não somos melhores ou piores – somos apenas diferentes. E temos que respeitar essas diferenças, e parar de forçar a barra para anulá-las (principalmente se for de um lado só). Homens e mulheres são assim: opostos, únicos, mas seres que se necessitam, se completam. E todos nós nascemos dessa união, não é mesmo?
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Mundo é das Mulheres! - por Gio

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Desde que o mundo foi controlado pelos homens, as mulheres vêm tentando conquistar seu direito à igualdade. Desde o primeiro “8 de março”, onde trabalhadoras femininas lutaram por direitos e foram mortas em uma câmara de gás, as lutas se intensificaram. Desde que surgiu o feminismo, a igualdade de direito entre homens e mulheres tem sido uma disputa travada a ferro e fogo. Elas só não se deram conta de que agora quem está em desvantagem somos nós.

Como assim? “Que absurdo”? Pensem bem. Vamos começar exatamente de onde eu parei – o feminismo. Feminismo é ponto de vista, luta por ideais, prova de bravura; machismo é ignorância, prepotência, prova de retardo mental. Isso é só um exemplo de como as coisas estão, e aqui eu sigo com outro exemplo básico:

Imaginem a cena. No meio da rua, uma mulher dá um tapa na cara de um homem. Pergunta: quem vocês acham que é culpado, o homem ou a mulher? O homem, é óbvio... “Certamente ele fez por merecer”. Agora, imaginem a situação contrária: o homem bate na mulher – quem é o culpado? Culpado... ninguém vai pensar em culpado. Todos estão muito ocupados xingando o brutamontes que abusou da força contra uma mulher indefesa.

Se um homem trai, ele é cafajeste; se a mulher trai, “o cara deve ter merecido”. Mulheres podem se abraçar, deitar no colo de amigas, e fazer o que quiserem; os homens já são vistos com maus olhos. Mulheres podem fazer coisas de homens sem se complicar; se um homem faz coisas tipicamente femininas, se vê numa bela enrascada. Falando nisso, o homossexualismo feminino é mais bem aceito (e bem menos repudiado) que o masculino.

Mulheres às vezes recebem menos, mas sempre se aposentam mais cedo. Mulheres entram de graça de 80% dos lugares, e pagam menos nos outros 20%. Mulheres têm prioridade em filas, atendimento e salvamento (ou você já ouviu alguém gritar “Homens e crianças primeiro”?). A licença-maternidade é de longe maior que a licença-paternidade: não amamentamos, mas trocamos fraldas, damos banho e queremos ver a criança tanto quanto as mães. No momento que derem cota para as mulheres nas universidades, eu troco de planeta.

Admito, por muito tempo a vida era muito injusta com elas. Mulheres não podiam trabalhar, estudar, escrever ou mesmo se manifestar. A maioria dos gênios da humanidade é homem, porque as mulheres não tinham liberdade de expressão, e nem acesso ao conhecimento. Só que agora as coisas mudaram, e nem isso adiantou para que a reclamação parasse. Na verdade, essa história de “mundo machista” serve como desculpa e chantagem para conseguir facilidades (lembra do “jeitinho”?). Homens, em pleno século XXI, temos que admitir: o mundo é feminista.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ex-orcismo - por Gio

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Ele vem de noite, quando você está prestes a dormir. Quando você acha que vai ganhar o que sempre sonhou, ele vem e relembra o passado, apontando o que de pior você já fez. Leva você para uma viagem do tempo, que te faz repensar sobre tudo. No fim, você acaba se convencendo que não merece o que estava prestes a receber, e larga de mão. O Fantasma do Natal Passado? Tirando a parte do Natal, ele é sim um fantasma do passado. Mas você o conhece por outro nome: o Ex.

Todo mundo tem um (ou uma) Ex. Eu já tive o meu caminho atrapalhado diversas vezes por estes seres, e certamente eu sou o Ex de alguém. Se eu der sorte (ou eu deveria dizer “azar”?), acabo sendo o Ex de mais de uma. Não ria. (Ou você acha que escapa?) E isso é certeiro: ex-namoros, ex-casos, ex-ficantes, e “amigos de micareta” todos podem ter bastante; agora, Ex, com sorte, você só vai ter um.

Pode ter sido um namoro de dois anos, um caso de duas semanas, ou uma rapidinha de dois minutos. Em casos mais graves, não chegou a ocorrer nem mesmo um envolvimento efetivo entre as partes. Pois, no caso do Ex, não depende o tempo de contato, mas sim o seu envolvimento afetivo com ele. De alguma forma, você gostou dele. Depois, por algum motivo, a história termina de um jeito muito estranho. Deixem eu me retratar: a história não termina, é claro que não – aquele momento é que termina. Ele foi seu namoro que terminou por causa dos pais, um primo de quem você não se esqueceu, uma paixão que surgiu durante um namoro. Poderia ter dado certo, não fossem outros fatores.

E é esse o segredo do Ex: poderia ter dado certo. Culpa sua, culpa dele, ou culpa de ninguém, não interessa: em outras condições, poderia ter dado certo. E isso parece dar um aspecto mágico (e certo poder) a essa figura notável na sua vida. O Ex pode acabar com namoros e romances promissores, deixar sua cabeça confusa, virar seus planos de cabeça para baixo, e provocar fortes recaídas, além de crises de ciúmes irracionais. Às vezes, não tem jeito, o problema é terminal: termina em casamento. Ou termina com um.

Apesar de toda essa confusão, nem sempre o Ex é uma entidade má. Muitas vezes, ele nem sabe que é de fato um Ex (e, de fato, muitas vezes você não percebe que ele é). Tudo vai depender do contexto: se é proposital, qual foi o motivo do término, e quais são as intenções de cada um. Atrás da figura de um Ex, pode estar o que você sempre sonhou... Ou pode estar o pior dos cafajestes. Se bem que um não exclui o outro – é tudo uma questão de ponto de vista.

O maior perigo aqui é ser levado não pela paixão, mas pela obsessão. Querer sem bem saber porque, ou não querer e continuar sendo afetado por isso. Dar uma nova chance pode servir de ultimato, e esclarecer as coisas... Desde que seja uma, e não uma compulsão frequente.

E você, já encontrou o seu Ex hoje?
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Humildemente... Pra Que Modéstia? - por Gio

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Pessoas, de todas as minhas qualidades, a que eu mais prezo é a modéstia! Piada velha, desgastada, mas que leva a uma reflexão: quem diabos disse que modéstia é uma qualidade? Sério, até hoje não descobri quem foi o gênio que disse que negar até a morte todos os seus pontos positivos faz de alguém uma pessoa melhor.

Se formos analisar friamente, a modéstia é isso: fingir não sabermos que somos melhores que os outros em algum aspecto. E, antes que argumentem, não existe falsa modéstia: todo modesto tem consciência de suas virtudes; se não tem, não é modesto – é desligado, e precisa urgentemente se tocar de suas capacidades.

Se alguém sabe que é bonito, por que dizer que não? Se alguém tem dom para alguma coisa, por que ter vergonha de demonstrá-lo?


A modéstia é tida por uma virtude, mas, na verdade, muitas vezes ela acaba sendo um empecilho no nosso desenvolvimento. Excesso de modéstia trava, é fato! Muitas vezes a modéstia faz pensar que algo que fazemos não é nada demais e, portanto, não deve ser valorizado. Pode não ser nada demais para nós, mas é para os outros: o mundo se move através de troca de favores de pessoas com qualidades distintas. Quantas vezes perdemos oportunidades porque subestimamos a importância e o valor do que sabemos fazer? Quantas vezes deixamos de subir na vida por não explorar algo que é banal, mas só para nós?

O mundo não para, o sistema não perdoa, e ninguém vai te dar nada de graça. Muito menos vai negar que é melhor que você, só para que você se sinta melhor. É um pensamento meio “olho por olho, dente por dente”, eu sei. Entretanto, há no mínimo um fundo de verdade nisso tudo: excesso de modéstia é nocivo, pois deixamos de nos valorizar – é uma forma de ferir o amor-próprio.


Agora, não confundam não ser modesto com ser convencido. Uma coisa é ter consciência de que se faz algo bem e não ter medo de admitir quando se é elogiado. A outra é se gabar disso e querer rebaixar os outros. Uma coisa é ser realista; a outra é se supervalorizar. O mundo precisa de pessoas conscientes de suas aptidões e não de uma nova frota de pés-no-saco!

É preciso um equilíbrio entre o sonso e o boçal. Sem tender demais para um lado, nem para o outro. Desse jeito, seremos apenas... verdadeiros!
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Jeitinho - por Gio

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Lá na minha longínqua 7ª série, nas velhas aulas de Português (como eu sinto falta delas!), na idade onde ainda se usava livro fornecido pelo governo, caiu um texto bem interessante durante uma das aulas. Falava sobre um tal de “jeitinho brasileiro”. Crianças bobas, ainda não entendiam a profundidade do texto, acharam a emoção da professora ao falar daquilo exacerbada, e passaram a apelidá-la de “Jeitinho”. Bom, acho que não demorou muito tempo para essas mesmas crianças se tornarem adultos e começarem a entender do que se trata esse tal jeitinho.

“Jeitinho” deveria estar no dicionário, com a definição de “capacidade e/ou necessidade de constantemente tirar vantagem de pessoas/situações”. Acho que essa é a melhor definição dessa – vamos ser irônicos – qualidade que é inata nos brasileiros. Parece uma febre, uma doença contagiosa, daquelas coisas que se espalham rapidamente (como o RBD e a estória de que o Acre não existe). É só você olhar para o lado, e tem alguém se usando do jeitinho.

O fato é que o brasileiro parece estar sempre querendo tirar vantagem, não importa de que ou de quem. Se recebe o troco errado para mais, não diz; se vir um jeito de burlar a segurança, entra de furão. Mente a renda para ganhar benefícios, usa a ajuda de influências para conseguir coisas mais facilmente e/ou ter vantagem sobre os outros em disputas. Devo, não pago, nego enquanto puder. Dívida pra mim é sagrada: Deus lhe pague!

Eu sou do tipo honesto até demais. Posso até esquecer às vezes, mas geralmente costumo lembrar (e pagar) dívidas que meus “credores” nem lembravam mais. Sabe quando falta troco, e o dono da venda diz “Tu fica me devendo 20 centavos”? Pois é, no outro dia eu vou lá e pago os 20 centavos. A minha honestidade, na maioria das vezes, não é nem questão de escolha, é irracional: eu não penso antes de responder que o troco está errado, eu só reajo.

Claro, tenho umas recaídas ocasionais. Uma vez, fui comprar cerveja em um bar, durante o carnaval. Pedi uma Bohemia 600ml, e dei 10 reais. A Bohemia veio prontamente... com R$16,50 de troco. Admito, eu fui fraco. Final das férias, dinheiro acabando, e 10 reais vindo assim de graça? Peguei e saí bem quietinho. O bar fechou em março.

Vamos voar para a Europa. Você está na Inglaterra, e decide comprar um jornal matinal – vamos dizer que é o The Sun. Chega no mercado, e vê um armário com porta de vidro cheio de exemplares, com um orifício para colocar uma moeda. Você pega uma libra, insere no orifício, e tchan: não cai jornal por nenhuma boca mágica, a porta de vidro simplesmente abre. Sim, dando acesso a todos os jornais! Você poderia levar 3, 4, 5 jornais... Mas, como bom cidadão de Primeiro Mundo, civilizado e honesto, vai pegar um só e fechar a portinha. Uma coisa dessas nunca daria certo no Brasil: é aí que vemos que “primeiro mundo” não se trata só de dinheiro, mas de mentalidade.

Pegando o exemplo anterior, nós vemos bem o problema: o brasileiro só pensa a curto prazo. Pegaria um jornal para si, para a mãe, para o irmão, uns 2 para as necessidades do cachorro, uns 5 para ajudar a fazer o fogo do churrasco da noite, e mais uns 3 só porque pode pegar mesmo. Na hora é vantagem. A longo prazo, os jornais e as bancas sentiriam o desfalque, e o preço do jornal subiria. O consumidor, revoltado (sim, o pior de tudo é que o brasileiro pensa que ainda é vítima), pegaria mais jornais que o de costume, formando um ciclo vicioso.

É pelo pensamento a curto prazo que é dado o vale-gás, bolsa-esmola e ticket-xis em vez de oportunidades de emprego; que não se investe em educação para não deixar o senso crítico ser desenvolvido; que empresas milionárias sonegam impostos que não iam fazer a mínina falta no seu orçamento, e após serem pegas entram em falência. Desse jeito, para o Brasil melhorar, só se a gente der um jeitinho...
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

(Des)reforma - por Gio

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O povo brasileiro é criativo, tenho que admitir. E também adora dar seu jeitinho para certas coisas. Agora, combine os dois e temos a criatividade em nome da preguiça. E a última do brasileiro é inventar cláusulas novas para a Reforma Ortográfica (que, pra começar, não começa com “h”).

Tudo bem (1), eu sou pedante, chato até, quando se trata de Língua Portuguesa. Mas a gente percebe claramente quando a pessoa não sabe, e quando a pessoa não quer saber. E agora as pessoas esperam que esse acordo tenha tornado certo o que antes elas escreviam errado – ou ao menos querem convencer os outros disso.

Tudo bem (2), é o segundo texto a respeito da reforma que eu escrevo, sem contar o conto (“contar o conto”, gostei dessa). Mas esse é interessante, e sua intenção é justamente a oposta do outro: pessoas, estou aqui para informar solenemente o que não mudou na nossa amada Língua Portuguesa.

Em primeiro lugar, a crase não sumiu. Não, ela não é um acento diferencial. Acento diferencial é “pôr”, “pólo”, “pêra”, “péra”... E não, ela não é chata. A crase é que te poupa de escrever coisas bizarras como “Vou aa praia hoje”, já que o feminino de “ao” é a construção mais grotesca que um ser humano poderia fazer. Então, parem de complicar com o pobre do acento grave (sim, ele tem nome próprio, não se chama “crase”), já que ele nos poupa do ridículo.

Depois, a regra dos “r” e “s” dobrados são válidas só para palavras com prefixos, e não pra juntar palavras antigamente separadas. Não existe “derrepente”, e muito menos “dessopetão”. Ah, e certamente não existe “concerteza”. Também não vi nenhum caso de palavra se separar: “com tigo” e “por tanto” não existem, pelo menos até segunda ordem.

Não houve nenhuma alteração quanto ao uso do “x” e do “ch”. “Xingar” é com “x”, “chamar de veado*” é com “ch”. “Mexer” e “chave” ainda não dá tanto problema (exceto quando são usados na construção “mexer na chave do carro do seu pai”), já que a palavra do jeito errado não existe. Já pra “bicho” e “bixo”, a coisa complica... Ok, a intenção é essa mesma, só estou tentando ser politicamente correto!

Infelizmente, para os fãs da pressa, o internetês ainda não é dialeto oficial. Ainda não se pode usar “vc”, “tb” “vdd” e “bjs” na redação do vestibular – e muito menos “vtnc” pra reclamar disso. Emoticons continuam não sendo palavras, e também não deveriam constar nos finais de frase. Finalmente, o tiopês está mais longe ainda de ser válido: “comofas” não é junto, e muito menos com “s”; e construções como “dexcülpah” estão mais longe ainda da realidade, já que o trema – esse sim – foi abolido.

E é melhor eu parar por aqui, antes que eu acabe aprendendo a escrever errado – e pior, achando isso a coisa mais certa do mundo...

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*“Viado” com “i” é neologismo pra diferenciar do animal. Entretanto, ainda não foi dessa vez que entrou pro dicionário. Se bem que, depois que “almário” e “cu” entraram pro Aurélio, eu tô esperando qualquer coisa...
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Quando as Coisas Conspiram... - por Gio

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Você está tentando dormir. É fim de tarde, início de noite, mas você passou acordado até altas horas fazendo trabalho e quer compensar o sono perdido do dia anterior antes da janta. Uma hora de paz e bom sono, até que...

Seu irmão entra no quarto. Discretamente, sem fazer (muito) barulho, só o suficiente pra te acordar. Então, ele tem a brilhante ideia de ligar o computador para jogar, e decide ficar por lá. Entre cliques, tiros e teclas, você pensa em relevar, afinal o som está baixo e a luz do abajur está virada pra ele, só que...

A porta do quarto fica aberta. A luz da sala ao lado, bem na sua cara. E as pessoas na sala ao lado, com TV, computador ligado e falando pelos cotovelos. A essas alturas, você já está xingando todas as divindades que conseguiu lembrar o nome, mesmo que não acredite em metade delas. Resolve pedir para alguém encostar a porta. Seu irmão atende ao pedido, porém...

Sua cachorra entra antes que a porta seja fechada. Sobe em sua cama, sem tomar o menor cuidado onde está pisando. Você escapa ileso – dessa vez – e não corre com a pobrezinha da cama. Ela se acomoda do seu lado pra dormir. Depois de um tempo, inquieta, resolve sair. Nada demais, não fosse...

O fato de seu irmão ter fechado a porta em vez de encostar. Você se levanta – praguejando mentalmente palavrões em línguas que nem sabia que existia até então – para abrir a porta para o bichinho. Você se recolhe, e pensa que vai dormir. Agora é a vez de o seu irmão sair do quarto (pelo menos esse sabe abrir a porta sozinho). Mais um flash de luz na cara, e a paz tão desejada. E então...

Quinze minutos depois, é hora da janta, e sua mãe vem te acordar. Parece que a soneca antes da janta foi pro espaço.

Não adianta lutar: quando as coisas conspiram, é melhor ficar de acordo com elas.


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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entre Hífens e Tremas - por Gio

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A reforma está aí. Sim, obviamente estou falando da reforma ortográfica. E ela chegou de vez: não mais como uma novidade distante, mas uma alteração que está gradativamente fazendo parte da vida de todos. E, por mais que se crie resistência, não há como evitar: a moda vai pegar!

Não diga que isso não o afeta: a mudança já começou no dia-a-dia. Você passou a usar o forno de micro-ondas e a andar de micro-ônibus. Por causa dos micro-organismos à sua volta, terá algumas doenças, e ocasionalmente tomará anti-inflamatórios. Mas não se preocupe: se isso o consola, tudo isso está acontecendo com seu arqui-inimigo também.

Não adianta resistir e se achar o mandachuva do pedaço. Seu carro vai passar a ter parachoques, parabrisa e paralamas. Quem cair de paraquedas nesse meio, vai ficar confuso. Mas, pelo menos, ainda temos anos-luz para nos acostumarmos com isso. Ainda usamos guarda-chuva; ainda odiamos as segundas-feiras; ainda teremos algum beija-flor ou bem-te-vi no nosso quintal, couve-flor na mesa e erva-doce para o chá; e para a sorte das mulheres, elas continuarão enxergando azul-claro, azul-ciano e azul-bebê, bem como a diferença entre eles.

Uma hora ou outra, você vai tomar uma vacina antirrábica (talvez o “rr” seja para lembrar um cão rosnando). O teatro agora precisa de contrarregras, ironicamente sem contrariar a regra. Tiraremos autorretratos para os novos documentos, não sem antes passar um bom creme antirrugas. Temos um novo velho órgão no corpo, as glândulas suprarrenais. Novamente, seu arquirrival passará por tudo isso também. Se este for mulher, e ficar grávida, vai precisar fazer alguns ultrassons.

Não fique confuso e nem sequelado com essas mudanças, você vai se adaptar. Tudo bem que podemos ser sequestrados, e não temos mais nem o trema para negociação... Porém, a fauna agradece: ficou mais fácil se referir aos nossos amigos equinos e pinguins na escrita. Frequentemente, seremos perguntados sobre nosso tipo sanguineo, só para ter certeza de que não mudou. Aguente firme, pois as consequências da reforma são mais benéficas do que maléficas. (Falar do trema pode até parecer “enxer linguiça”, mas acho que é a principal mudança que sofre(re)mos.)

A ideia é boa: padronizar a escrita de todos os países da Língua Portuguesa. Por isso eu apoio, e assino embaixo. Não adianta ficar paranoico - se até as duas Coreias vão ter que se acostumar (um pouco) com a mudança, por que nós não? Vamos usar tipoias, encontrar mocreias, ser mordidos por jiboias, e picados por colmeias inteiras de abelhas! E não adianta tentar dar uma de herói para a plateia.

Alce voo (só tome cuidado para não sentir muito enjoo) na nova Reforma, que tudo começa a fazer sentido, tudo tem um porquê. Muitos creem que foi desnecessária, pois não veem que ela já facilitou, e muito, a nossa vida na hora de escrever. Mais fácil de se acostumar para aqueles que leem, então é bom começar.

Quando você para para pensar, a mudança mexe até nas raízes de nossa cultura. Coitado do Leoni, que agora se agarra pelos pelos...


P.S. - Proponho um desafio: peguem a primeira parte do conto que eu estou postando no outro blog e tentem encontrar todas as palavras alteradas para se adequar à nova regra. Uma dica: “pela pela” não foi erro de digitação.



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