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terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Saxofonista da Av. Angélica - por Ninguém Envolvente

Por volta de meio dia, um saxofonista mudou a atmosfera de uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo.
Poucos paravam para apreciar aquele senhor vestido de Papai Noel com um olhar de esperança e sua música que clamava para ser ouvida, e eram raras as pessoas que simbolicamente depositavam seus trocados em uma caixinha tão singela e pequenina.
O tempo custou a passar naquele cruzamento e as árvores estavam balançando-se vagamente, pareciam estar apreciando cada nota musical que saía daquela valsa tão linda e envolvente.
Nem as buzinas conseguiram estragar aquele momento tão mágico que aquele homem nos propiciou com uma música tão docemente ensaiada e tocada com tamanho zelo. Até o mais bruto dos seres humanos que por ali passasse ficaria emocionado com a cena.
Com certeza o Noel saxofonista estava feliz com a alegria contagiante passada às pessoas vendo-o tocar e nada que depositassem em sua caixinha teria mais valor que o sorriso daquela senhora tão adoentada em sua cadeira de rodas ou daquela criança chorona que ficara calma.
Estamos tão sensíveis, precisando de algo maior do que esta realidade nos permite ter e tão saturados de nossa vida insatisfatória, que o mais simples dos atos nos atormenta a ponto de merecer ser escrito e compartilhado para desconhecidos que também precisam se sentir assim... Acolhidos.

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Meu Trem das Cores - por Alba Vieira

Ao ouvir esta música com seus versos de tão linda inspiração, não posso deixar de me transportar para este trem também.
Agora eu me sinto como este compositor que passa num trem. E está vivo, tão vivo como tudo que apreende com os olhos e com o coração. Do trem ele observa a natureza, as pessoas, o movimento do dia acordando, as pessoas na estrada. Ele próprio vai sendo acordado pelo que vê e o toca de forma tão profunda. E as cores são o portal que permite que ele, de repente, mergulhe naquela outra realidade do que observa. Ele se deixa impregnar pelo que vê. É atravessado pelas imagens e cada uma consegue deflagrar no seu âmago uma explosão de belezas que ele decodifica em versos tão lindos.
Porque os versos estão vivos. Eu mesma sinto o cheiro da manhã, o frio da névoa úmida e o calor do seu peito que, certamente, ama aqueles lábios cor de açaí. Porque aquele homem que observa é tão vivo que só pode mesmo amar a vida e alguém em especial.
O trem passa. As cores vivem. Ele observa e é observado. Nós também, ao passarmos pela vida, olhamos e somos vistos por ela, os dois lados da janela. O aqui agora é assim mesmo. É calmo e é dependente de total atenção, para que não se perca nada. E, não mais que de repente, algum pequeno detalhe, um certo tom de azul inexistente, traz um déjà vu, uma memória qualquer é acessada e entramos em outra realidade que já vivemos anteriormente. E isto é um bálsamo. Adoro esta música porque, para mim, viajar é meditar. É olhar pela janela do trem ou do ônibus, atravessar a porta do tempo e banhar a minha alma em águas já antes visitadas.
E esta música é tão incrível que mostra como uns instantes de desprendimento podem ser tão revigorantes para nós. Assim, no final da música ele fala em sábios projetos, tocar na Central. Ou seja, ele captou a grande delicadeza das coisas simples e pensou em levar sua arte para um lugar que nos dias comuns convive com a dureza, a insipidez da rotina, mas que, ao mesmo tempo, examinada por alguém que transborda sensibilidade, pode oferecer frutos tão doces e suculentos (vide a seda azul do papel que envolve a maçã).
E ele é transformado pelo que vê com os olhos do coração e insere esse quantum de amor nos seus projetos que agora são projetos para o outro, o semelhante.
Eu penso que melhorar o mundo é conectar com o interior, receber o amor que transborda e então dirigir esse amor para o outro, para o mundo.



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quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Meditação da Água - por Alba Vieira

Lentamente escorrego para fora da cama, meio trôpega ainda, meio cega, um tanto atônita, com o peito carregado ainda pelas emoções da noite que passou e me dirijo ao banheiro.
Ainda sem enxergar, molho as mãos na água fria e banho o rosto num movimento de acariciar a pele, acordando-a devagarzinho. Encho a boca de água, banho o nariz, os olhos e vou percebendo melhor o início do dia. Seco o rosto, as mãos e ando até a cozinha onde escancaro a janela e páro ao lado do filtro de barro.
É aqui que se inicia o ritual de uma meditação. Nesse momento, eu me confundo com a manhã e vou acordando como ela. Eu com a água, ela com o sol.
Olho para fora da janela e me deslumbro com o dia que ainda não é de todo. O céu ainda é chumbo. A cidade dorme. Olho por cima dos prédios. Estou bem no alto. Vejo a copa das árvores, os edifícios ao longe, a rua ainda deserta.
A janela aberta me permite ouvir o som de fora. Ainda não há os sons de costume, aqueles que ouvimos diariamente, a partir de certa hora: sons de buzinas, de motores de carros, ônibus, sons de correria, de loucura, de gritos que libertam por momentos curtos, almas imprensadas numa cidade já quase desumana.
Agora os sons são tranquilizadores. Escuto o vento, o farfalhar das folhas das árvores, algum tímido passarinho que já acordou, um cachorro sonolento que tenta dizer aos donos que já está de pé. E ouço os galos cantarem. Não sei bem onde ainda existem galos nessa cidade. Mas o fato é que eles me acompanham. Onde quer que eu vá sempre escuto um galo cantar na manhã, me trazendo a infância de volta todos os dias, a me lembrar que ainda sou quem sempre fui, que minha pureza e espontaneidade, minha emotividade estão guardadas em mim e, a qualquer instante, podem ser acordadas por esses galos do alvorecer.
Encho o primeiro copo de água, limpinha, fresca, do filtro de barro. Olho a água como se olhasse o mar. Chego a sentir o cheiro de maresia e o frescor da brisa que sopra perto do mar. É o primeiro copo dos seis que vou bebendo devagar todas as manhãs, inaugurando meu dia com esse contato silencioso com o mundo, um contato sem palavras, só de sensações, de captar com todos os cinco sentidos a vida que está em volta. Assim, vou me acordando e despertando outros sentidos. A água enche minha boca e escorre para dentro. Isso mexe com a respiração. Respiro o dia, resgato todos os dias o bebê que respira pela primeira vez, a descoberta do mundo. Escuto um passarinho, o som limpo. Vejo uma janela se abrindo, alguém se levanta e começa a viver o hoje.
Bebo outro copo e o fluxo das águas em mim me faz perceber um movimento do meu tubo digestivo, que vai acordando. Percebo barulhos internos enquanto olho o céu que agora já está sendo rasgado pelo sol. Já não é chumbo, já há claridade. Um sino soa ao longe. Bebo mais água. Alguns músculos se soltam nas costas. Os olhos estão mais abertos, já vejo com nitidez o mundo lá fora. Penso na noite de ontem. Sinto a felicidade de estar viva, de amar, de ter vindo até a janela com minhas próprias pernas. A água que molha meus tecidos e abastece meus órgãos, limpa as vísceras, traz renovação, me acorda, me purifica. Os pensamentos são claros. A cada copo que bebo sinto que me abro pra vida como a noite que vai-se afastando aos poucos, permitindo que o dia chegue com o sol. E o céu vai-se abrindo. Os passarinhos voam. Escuto o barulho do meu intestino espreguiçando lá dentro. Já estou no quinto copo. E quero mais água. Sinto as ondas chegando para mim, por dentro, mas é como se estivesse no mar. As ondas me cobrem, a água traz o fluxo da vida.
A cidade vai acordando, eu recebo mais esse dia, feliz por estar comigo, por me perceber inteira, por sentir que amo, que sou amada, que dormi bem, que continuei o sonho do fim da noite e vou levá-lo comigo no coração, nesse dia que já nasceu.
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Mulher - por Kbçapoeta

Deus quando brincava no barro
resolveu fabricar os ossos de Adão.
Retirou a melhor parte deste
e, após longas horas de deleite, fez a mulher.
Sua obra ficou perfeita!
Inspirado na mulher,
criou a sensibilidade.
Desde então:
A sensibilidade
é feminina.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sensibilidade

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sensibilidade - por Raquel Aiuendi

A luz brilha pra quem
Tem visão ou sensibilidade
À flor da pele e da vida
Até para o uso do bem
Temos toda a liberdade
Mas vê o que diz a bula
Pois nesse mundo toda lida
Te promove ou encabula
A poesia nordestina
Tem destaque nacional
E a cultura brasileira
Tem um valor especial
Em nações estrangeiras
Tudo que é quente, ferve
Ninguém segura
O jogo de cintura
E a nossa verve.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sensibilidade - por Érica Amorim

Silêncio.
Eu o amo.
Amo o silêncio.
Ouço o tique-taque do relógio, as pessoas no hall de uns dois andares acima, cochichando, berrando ou brigando, rindo, chorando…
O barulho dos carros. Da minha respiração. Do vento. Da batida do meu sapato, quando o motivo do silêncio é a irritação.
Se ouve tudo no silêncio.
No silêncio que acalma, que organiza pensamentos. Que não faz sentir raiva ou dor.
O silêncio neutro, mudo e calmo.
O silêncio espião dos mais profundos sentimentos.
É no meu silêncio que escuto tudo o que é realmente essencial.
A voz de Deus ou Ele e sua voz… em silêncio.
É nessa hora que os sentidos concordam entre si.
Sinto, vejo, cheiro, ouço, gosto. Vivo!
Silêncio.

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Contacto - por Léo...

Esplêndido estado falso
Afago meigo:
Macio, leve, suave - Estouvado senso
Deslizando a extensão das costas (a espinha esfria, vomita)
Os dedos embotados, Tesos
Buscam tanger o inabordável tempo
Pérfido elo
Engana que liga-me a Adágios paralelos
Enquanto esparsa verdades gastas
Inúteis, Saudosas
Percebo

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Sensibilidade - por Leo Santos

Sensibilidade é alma viva
Tatuando contornos do corpo
Fazendo quedar absorto
Aquela que o tem e cativa

É um sexto sentido qualquer
Que a ambos os sexos consome
Não é propriedade do homem,
Nem o que dizem habitar na mulher

É chapéu pra cabeça que cria
Nas tintas da arte, pincel
Nos arroubos do poeta, pena e papel
Nos versos da vida, poesia

O esperanto em que versam
Aborígenes da terra do sonho
Ao fazerem como eu, que componho
Fluentes, no idioma conversam

É alma plasmada que identifica
O que cria e o que admira
Notas da mesma lira
Causa e efeito de almas ricas

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Meditação - por Alba Vieira

Li coisas interessantes por não ter o que fazer. Refleti sobre o lido por não ter o que fazer. Compreender o que seria… Não fazer nada é a chance de compreender. Fazer é compulsivo, é automático. Pelo menos o fazer sem consciência. Assim, não fazendo, temos a oportunidade da reflexão.
Não pensar. Pensar é dar explicações para si mesmo. Pensar é tentar explicar o que, por si só, é.
Quando apreendemos alguma coisa com os sentidos não justificamos nada, simplesmente captamos o que a coisa é. Valorizar os sentidos, ter a medida de suas possibilidades, ter atenção, é expansão da consciência.
Sair pelo mundo olhando, perceber a enormidade de cada coisa, dissecar as suas partes… Observar particularizando o olhar, mas sem deixar de ver o todo.
A minha proposta de agora é sair pelo mundo olhando mais detalhadamente, discernindo sons que me invadem, captando os odores, criando imagens a partir dos cheiros que sentir, provar os gostos do mundo como fazem as crianças, que levam tudo à boca. Mas levar à boca para sentir o gosto como um verdadeiro degustador. E tatear o mundo, sentir os contornos de cada coisa, me esfregar no mundo, em cada pedaço dele, tatear não só com as mãos, mas com todo o corpo, captando a textura, a temperatura e tudo mais. Ser através de todos os cinco sentidos e desenvolver outros que são potenciais. Intuir, saber sem saber, prever, estar acima das coisas, pairando sobre elas como a entendê-las, compreendendo seus motivos.
Potencializar o cérebro direito, permitindo que ele saia da clausura, podendo observar com maior abrangência.
Como transmitir para alguém, através da fala ou da escrita ou até da imagem, um passeio pelo campo num dia de chuva? Como passar a sensação do cheiro da terra molhada? Como fazer alguém compreender o que é ter as folhas secas das árvores estalando debaixo dos pés antes da chuva cair? É impossível transmitir a sensação do vento soprando, trazendo os perfumes e a frescura antes dos primeiros pingos de chuva. Como definir em palavras ou com traços num papel ou até mesmo com imagens de uma câmera sofisticada a simplicidade de um buquê de margaridas? Mesmo que a imagem tenha movimento, que haja som, ainda vai faltar muito, porque as margaridas são por inteiro, não se pode dissociar a imagem da leveza dos seus movimentos ao sabor do vento, do perfume que exalam e da frescura das suas pétalas se o orvalho já caiu ou não. A flor é tudo ao mesmo tempo e é interação com o que está à volta. Ela só compõe uma parte do quadro que a natureza forma.
Os pensamentos, as preocupações, as inquietações com o futuro, as prisões ao passado nos tiram do momento presente, da possibilidade de vivenciar cada coisa por inteiro. Nos tiram da vida.
Meditar é, em cada momento, estar presente realmente, com todos os sentidos.
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