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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Amargas Rosas - por Vicenzo Raphaello

Mulher agradável
O tempo havia passado por ela
Mas ainda um frescor de juventude
Corava seu rosto

Desce mais cedo numa manhã
Para o café

Amargo café

Seu marido bonachão
Médico afável
Abraçava a empregada
Dando às mãos todo uso
Que delas podia fazer

Em prantos ela se desmancha

Próximo
Um vaso com rosas
Levanta-o
Ele se abaixa
De um projétil que não vem

Trêmula
O vaso escorrega-lhe
Nas mãos ficam-lhe as rosas

Mastiga-as
Mastiga-as
Mastiga-as

As rosas
Que dele ganhara
No aniversário de casamento.
.

sábado, 14 de março de 2009

Roda de Vida - por Alba Vieira

Cantiga de roda já saiu de moda
Contudo, na roda, persiste em voga
Tanta coisa jocosa
Porque roda é roda,
Roda e só roda.
.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Roda da Vida

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Que Disse o Velho Cabide - por Jorge Queiroz da Silva

Triste sina a minha vida…
de viver pendurado
aqui e ali, e sufocado
pelos guarda-roupas do mundo!

Estou perplexo ora…
diante de pintar
uma roupa nova!
que estou prestes
a vestir agora…

Já fui um assíduo hóspede
de diferentes tipos de armários
e desde o início da minha vida
suportei sempre,
otimista e esperançoso,
e também muito orgulhoso,
a minha forma de ser!

Com os enormes sobretudos
e os cintos com fivelas pesadas
e o charme das gravatas
de todas as grifes famosas…
guarda-chuvas, capas, calcinhas
e roupas de lantejoulas enfeitadas.

Até morei em guarda-roupas
de uma a seis portas
e onde sempre estive
só, isolado e abandonado,
mas nunca mal humorado…
mesmo que, às vezes, cercado,
de muitas traças, baratas e cupins…

Mas hoje, por força do destino,
eu me alojo num canto,
de um maravilhoso modulado
bem projetado,
espaçoso, inteligente,
brilhantemente construído,
num projeto bem bolado…
onde eu me sinto feliz.

E que, talvez, por obra
da minha simples história,
que me obrigou a levar sempre
uma vida tão inglória…

Me fazia viver, como sempre vivi,
esmagado contra uma parede
interna e fria,
e também muito isolado,
e na espera ansiosa
de que alguém um dia pudesse
olhar pra mim…

E viesse a me avaliar
por toda a minha trajetória
de um trabalho penoso
e que pudesse, ainda,
vir a modificar
a minha longa vida
de um esperançoso cabide
que já não tinha onde morar…

E mudando assim,
com certeza,
o seu sentido,
apoiado na minha experiente
e persistente vontade,
a minha clareza
de mudar todas as histórias
e colocar nos meus ombros
toda a leveza das roupas
macias, suaves, cheirosas…

Mas hoje, felizmente,
eu já sou propriedade
de alguém muito bondoso
e inteligente…
que me ama de verdade!

Que, com certeza,
me fará viajar
por um mundo diferente,
para viver, certamente,
um outro tipo de vida
que me tornará
um cabide de um suporte
de vidas experientes…

E pelas mãos
desta minha nova proprietária,
vou, com certeza,
conhecer lugares de elite
e enfartando, assim,
toda a minha velha experiência
de uma vida de ausências.

E eu sempre lembrarei
que entrei e morei
em armários de colégios,
passei por quartéis,
e me hospedei em hotéis
de uma a cinco estrelas,
e até dormi
em hospitais,
em vestiários de clubes
e também pernoitei,
algumas vezes,
em pensões vagabundas,
e em algumas malas de viagens
fiquei às vezes esquecido,
junto de um terno velho
e já puído pelo tempo…

Completando, assim,
meu curso perene
da vida de um cabide
muito experiente e sofrido,
do pendura aqui e pendura ali,
sem nenhum luxo
e sem nenhuma vaidade.

E, por todos estes motivos,
eu me considero, hoje,
um velho cabide
ciente e muito trabalhador…
conhecedor, sem dúvida,
das principais facetas
da vida, da dureza e do amor…

Mas nunca me achei
ser um cabide vaidoso
que já abrigou em seus ombros
fraques, cartolas,
vestidos longos,
e fardões importantes,
tudo lindo e maravilhoso,
que só fornecem à vida
um mundo de elite,
um mundo de ilusões
e um mundo enganoso…

.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Roda da Vida - por Alba Vieira

Ando por terreno íngreme, ladeando um horrível abismo.
Sei o que me aguarda caso perca a atenção um só instante.
E resisto e avanço.
Embora, muitas vezes, as intempéries se abatam sobre mim.
Ignoro o perigo que corro, contribuindo para que seja ainda mais difícil meu caminhar.
E à medida que ando não me deixando sugar pelo abismo que seria a única certeza
fortaleço as pernas que não vergam pelo cansaço e mais ainda os nervos que se fazem de aço
para suportar todas as mudanças, todos os sustos, todas as agruras que fazem parte deste meu destino.
Um dia, quando ultrapassar este trecho mais puxado, tão cheio de armadilhas
que ameaçam endurecer meu coração e turvar minha mente lúcida,
poderei ora caminhar com passos firmes,
às vezes em passadas leves quase esvoaçantes
ou ainda saltar pela alegria de poder perceber a paisagem então tranqüila, bela e idílica
ou até mesmo parar, descansando à beira de um lago de águas profundas onde, certamente,
repousarão as dores, as mágoas, e incertezas do que já passou.
Sonho com esse dia de poder dormir, repousando sobre minha história,
tecendo os fios de uma nova trama,
uma outra rede de intrigas
em que me perderei num futuro próximo.

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