Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




Mostrando postagens com marcador Sonhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sonhos. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sonhar - por Alba Vieira



Sonhar tempera os dias e dá sentido às noites.
Prepara o palco para tantas fantasias
E faz o coração se fartar com mil amores.
É o que confere alegria à alma
Colorindo paisagens para viagens inesquecíveis
Mas tudo se desvanece quando chega  aurora.
Acordamos sem saber o quanto fomos felizes.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

João - por Marília Abduani

João sonha acordado.
Sonhos pintados,
alucinações.
João, que sonha ser piloto,
alegre, livre e maroto
no maior dos aviões.
João também quer ser do mar.
Quer, como quer, navegar
num navio cor do céu.
E também quer ser poeta,
o mais poderoso atleta,
o general do quartel.
João sonha acordado.
Sonhos jogados:
destruição.
E desperta toda hora
em que olha a vida lá fora,
Tão grande pra sua mão.
.
.
.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Não Mates os Teus e os Meus Sonhos - por Esther Rogessi

.
.

.
.
Os sonhos que deixamos para trás... foram sonhos e nada mais!... Tudo quanto possamos conquistar na vida, nasce de um sonho... de um projeto gerado no imaginário e que tomou dimensões concretas. A princípio, em forma de rabiscos, rascunhos, interação, até a ação de fato!

Planos bem ou malsucedidos... Geridos de um sonho que acalentamos como se pode acalentar um filho...! Sim, um filho... Pois ‘projetos’ são tais quais os que geramos no ventre – filhos. E o quanto cuidamos e nos dedicamos a eles...! Porém, por mais cuidados que possamos ter, desde o ventre até sempre... – para uma mãe, filhos serão sempre filhos; mesmo que estes venham a falecer, a mãe dirá em recordação: meu filho...! – corremos o risco de vê-los trilhar caminhos que não traçamos e viver o que não planejamos. Mesmo que assim suceda, jamais devemos desistir dos nossos filhos, seria desistir de nós mesmos... Não importa em qual situação estejam e/ou cheguem, desde o sucesso, a ascensão, até a escória, prisões... Serão sempre os nossos filhos! A verdadeira mãe o é na gestação, no nascimento, no crescimento, na ascensão e na apostasia do seu filho por suas raízes e/ou ensinamentos.

Como desistir do que geramos...? Como desistir dos nossos sonhos?
Para quem está fora da situação é fácil dizer: Desista! Não vale a pena...! Pois não sonhou os nossos sonhos; nem ninou os nossos filhos...

Devemos zelar por um ‘projeto’ tanto quanto por um filho... Termos a responsabilidade de perseverar, acreditarmos nele antes de todos... é nosso! Façamos a nossa parte. Independendo de nós, havendo rejeição natural - aborto -, sofreremos, porém com a sã consciência do dever cumprido. A negligência será tal qual o veneno tomado para matar o que ainda estar no no ventre. Há mães que não conseguem suster o filho no útero – e isso, independe do querer próprio –, em muitos casos, o desejo de tornar real a maternidade leva mulheres à procura da medicina, para obtenção de meios que as capacitem a gestação, por muitas das vezes alcançando o sucesso desejado.

A essa busca podemos chamar perspicácia, perseverança... Imprescindível no caráter idealizador. Antes de tudo temos que crer, acreditar no nosso sonho, defendê-lo! É o nosso filho! Está sendo e/ou foi gerado em nós... Não o abortaremos!

Pessoas transformam suas vidas em uma ‘colcha de retalhos’... Mostruário de todos os sonhos que de sonhos não passaram... E que terão diante de si, ao longo de suas vidas, sem que os tenha vivido. Outras... anunciam projetos precoces, conduzem outros a sonhar, a acreditar no que era desacreditado, e, bruscamente, sem aviso prévio, os aborta de forma irresponsável. Sendo e fabricando perdedores... Começam algo acreditando no sucesso, porém, diante das dificuldades primeiras, esmorecem, calam, desistem...

Os nossos planos têm que ir ao encontro e jamais de encontro aos nossos propósitos. “A desistência é o combustível para a incapacitação, e esta, é o veículo que conduz o homem ao fracasso”.
.
.
.
.
.
.
.
.

sábado, 10 de março de 2012

De Inação, Desejos e Sonhos - por Ana

Fernando Pessoa diz que a inação sonhadora consola de tudo aquilo que não podemos ter. Será? Será que apenas o imaginar aquilo que desejamos é capaz de nos preencher, alegrar e satisfazer? Será que isto é verdade para todas os quereres? Não creio... Há vontades que incluem o viver, o experimentar de fato, a presença real, o contato verdadeiro. Penso que a satisfação pelo sonhar está reservada àquelas situações em que a esperança da possibilidade não existe mais; isto se a frustração e/ou a objetividade não lhe tomarem o lugar.
Ele afirma, ainda, que todos queremos ser reis do mundo. Também não sei... Há os que nasceram com vontade de eminenciar pardamente (seriam reis disfarçados, diriam alguns, tá certo...), os que desejam apenas ser andarilhos anônimos, os que anseiam por uma vida ermitã e tantos outros que não chegam nem perto da megalomania do sangue azul.
Porém concordo totalmente com ele quando diz que podemos ter, em sonhos felizes, aquilo de que abdicamos. Mas, então, me pergunto: para que sonhar com o desejo abdicado?
Daí penso que eu e Fernando Pessoa fomos feitos de matérias diferentes.



Resposta a Fernando Pessoa e a Inação, de Penélope Charmosa.
.

domingo, 30 de janeiro de 2011

(Sem Título) - por Adir Vieira

.
.
.
A segunda-feira ensolarada me chamou para a vida. Vida externa, longe do meu perímetro. Ainda na cama, refrescada com o ar condicionado no ponto mais alto, quase sentindo um frio de inverno, comecei a viajar além da porta do quarto.
Como num sonho, vesti-me com roupas leves e calcei as sandálias brancas preferidas. Rapidamente, para aquele momento não me fugir, lavei o rosto, escovei dentes, prendi meus cabelos, passei pela cozinha, tomei meio copo de leite gelado.
Saí porta afora, carregando uma bolsa de palha e entrei no primeiro táxi que passou por mim.
Ao perguntar-me sobre o local de destino disse simplesmente praia!
Necessitando de mais detalhes sobre o local, o motorista perguntou se eu preferia à praia da Barra. Aquiesci e, em quarenta minutos, eu estava frente a frente com aquele mar maravilhoso, há tanto tempo não mais visitado àquela hora da manhã.
A praia, quase deserta, parecia me esperar.
Descalcei as sandálias e caminhei pela areia ainda fria, rumo as primeiras bolsas d’água. Afundei meus pés até a altura dos joelhos e saboreei aquela energia, tão minha conhecida.
Coisas simples, só nossas e que tão bem nos fazem!
Pena que foi só um sonho...
.
.
Visitem Adir Vieira
.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Pousada dos Sonhadores - por ZzipperR

Na recepção, um sorriso de felicidade ao vê-la chegar. Ela estava deslumbrante e linda se aproximando passo a passo para perto de mim. Em cada passo eu sentia o seu calor e ela se tornava mais bela, temperando o meu olhar com um toque especial de mulher faminta de curiosidade.

- Seu vestido é lindo e combina com o seu batom, que deve ter um sabor especial de morango e esse pingente vermelho entre seus seios deixam-nos mais corados. Um H detalhado e esculpido à mão por algum artesão hábil num trabalho especialmente feito para você, pois formam uma parceria perfeita de beleza se acomodando carinhosamente nos relevos dos seus seios.

Ela atravessou a porta, se aproximou e penetrou no meu coração, me deixando sem ação e eu fiquei sem palavras olhando penetrantemente em seus olhos escutando-a perguntar:

- Como você pode estar aqui, se eu te deixei para trás?

- Eu sou o cavaleiro dos sonhos e te guiei para cá, invadindo seu sonho, te buscando em seu mundo fechado e distante para conhecer o meu. Agora que está aqui em minha frente, ao alcance dos meus braços, não tenho coragem de tocá-la.

- Que lugar é esse?

- Seja bem-vinda à pousada dos sonhadores, onde os amantes dos sonhos caminham livres em seus devaneios, livres em suas ilusões e fantasias sem serem importunados pelo mundo real.

- Você é real ou está apenas no meu sonho?

- Depende de você. Qual é o seu sonho?

- Ainda não sei, estou vagando nele há tempos e não consigo defini-lo, porém toda vez que sonho encontro você. Qual é a chave para entrar nessa pousada, pois estou aqui e não sei como entrei?

- A chave é sonhar e nesse momento você está sonhando. Você foi sequestrada pelo cavaleiro dos sonhos e trazida para cá por sua livre e espontânea vontade, pois inconscientemente seguia aquele cavaleiro galopando com sua camisa aberta em seu cavalo branco e atravessando as barreiras da realidade para alcançá-lo e sonhar com ele.

- Será que você faz parte mesmo do meu sonho?

- Os sentimentos dos sonhos estão nas palavras, no olhar e no desejo envolvente da vida e se eu estou no seu sonho é porque você me deseja, nem que seja apenas para ficar ao seu lado um pouquinho e enquanto você sonhar comigo estarei galopando ao seu lado nos seus sonhos. Porém, se isso deixar de acontecer, estarei impossibilitado e descartado dos seus sonhos, seria impossível encontrá-la na pousada dos sonhadores.

- Então vamos sonhar. Vem comigo!

Tocamos-nos e tudo foi se transformando aos poucos, como se os seus olhos estivessem fechando e penetrando num sono profundo, se entregando e abandonando o mundo real. Onde era pousada, agora é um mundo secreto. Para entrar tem que ter a chave e a chave é o sonho onde poucos conseguem caminhar.

Corremos para o sonho e o mundo real não consegue mais nos enxergar. Como é triste não conseguir sonhar e sem o sonho é impossível abrir a porta da pousada dos sonhadores.

Sonhar é gostoso e faz bem à saúde. Tente!

Paulo
Zip...Zip...Zip...ZzipperR

Beijosss minha rainha linda...
.
.
.Resposta a Uma Viagem Fantástica, de vestivermelho.
.
.
.Visitem ZzipperR
.
.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sonhos - por madruga

felizes os que escutam
felizes os que querem
felizes os que tem
felizes os que gostam
felizes os que sonham
felizes os que acordam
felizes os que nascem
felizes os que namoram
felizes os que falam
felizes os que Beijam
felizes os que amam
felizes todos sejam

tento deixar verter o que por mim escorre
não impedirei o seu curso natural
extravasar de sentimentos que sejamos todos felizes
num plural redondo e abrangente

amemos-nos uns aos outros
já dizia há dois milênios
esse pregador do amor
sinto-me (sem cera)
pois de coração o digo
já mais haverá castigo para quem fizer o que digo

mais pesado, é o castigo de quem não ama!
porque amar não é singular
multiplica no plural e verás o quanto receberás
mas esquece o que dás, lembra-te apenas do que recebes
.
.

.
.
.
Visitem madruga
.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Agenda Cheia... - por Adir Vieira

Esta semana está cheia de compromissos - compras do mês, compras dos doces do Dia das Crianças - idas prolongadas ao dentista - ida ao laboratório para exames de rotina...
Ao olhar a agenda da semana neste início de dia, fico com a mente meio tumultuada. Não gosto de distribuir vários compromissos numa semana apenas. Sou daquelas que a cada dia, o seu tributo. Mas o que fazer?
Com certeza, não fui eu que os marquei... Apenas se encontraram aqui, nesta semana.
No entanto, o compromisso mais feliz será a compra dos doces do Dia das Crianças. Já cedo, recorro à agenda do ano passado para checar como foram os preparativos e a qualidade dos doces. Decido que, apesar de terem sido muito bons, quero outro local para a compra.
De imediato vou para a internet e saboreio, em cada site, aquelas preciosidades embrulhadas em papel celofane colorido. Imagino os vários tipos de doces dentro do saco de tamanho maior e acomodo-os, em pensamento, da forma mais especial, com o pirulito multicor parecendo uma rosa brotando do saco. Robusto, ele deve abrigar umas onze espécies de tamanho grande. Incluo na lista de compras caixas grandes de papelão para colocá-los, visto que não poderão ser amassados, senão perderão a graça e a beleza.
Já me vejo depois do jantar, separando e enchendo os sacos. Vou nesse ritual, antecipando minha emoção e minha grande alegria nessa tarefa. Aí, sinto-me de novo criança. Aí, vou repondo em meu íntimo essa festa, como eu queria que tivesse sido no meu tempo de criança e que, por força das impossibilidades, não aconteceu.



Visitem Adir Vieira
.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Angústia - por Alba Vieira

Busco uma solução para a angústia que me toma
Quando penso sobre a Vida que aos homens abandona,
Que caminham cegos, tropeçando, sem tentarem entender
O porquê dos acontecimentos, o que devem compreender...

Seguem cometendo injúrias, conspurcando o próprio ser,
Parecendo não notarem que fazem por merecer
Quando logo ali adiante, esbarram numa conduta igual
De outro semelhante insano, fazendo sua vida banal.

Então vem a vontade de imaginar como seria
Dormir nesse lugar e acordar num lugar de fantasia,
Onde fosse a consciência que ditasse o padrão
De comportamento do homem, em cada importante ação.

Entenderiam, finalmente, que não existe lugar
Para seres egoístas que só pensam em lucrar.
Já que somos todos iguais e estamos ligados em rede,
Compaixão seria a regra e não só matar a própria sede.

E os homens de poder teriam a retidão de administrar
O dinheiro da nação com respeito e inteligência,
Cuidando e provendo a todos com o que é básico dar:
Educação e trabalho, o resto o povo alcança com diligência.

Não custa sonhar com um lugar assim, tudo parte da imaginação.
Cada um enxergando no outro um semelhante, é pedir demais?
Sentindo-se parte da natureza, integrado a ela e por ela responsável,
O homem expressaria assim o Amor e meu peito não apertaria mais...



Visitem Alba Vieira
.
.

Eu e Você, Amém - por Passa-Tempo

Sonho bom foi te ter ali comigo
Curtindo o momento em que não sabíamos mais o significado da palavra roupa,
Muito menos para que servia tal objeto.
E pra que se importar com roupas feitas por mãos de homens,
Se tínhamos ali dois corpos feitos pelas mãos de Deus?

E eu estava ali, com você,
Foi quando te vi abrindo, pela primeira vez,
E era pra mim,
As portas de um túnel, onde não se via luz em seu fim,
Mas era um lugar seguro,
Quentinho, apertadinho, aconchegante,
Onde eu mais queria estar naquele momento.

E lendo minha mente, seus olhos ardentes
Me convidavam para entrar,
E assim eu fiz, entrei!
De imediato pude sentir
O enrijecer dos músculos de cada membro seu,
fazendo assim enrijecer o meu.

Enquanto unhas penetravam minha carne,
Mais fundo eu chegava nesse limitado túnel,
E as gotas de suor faziam queimar as feridas.
E nessa loucura dançávamos em movimentos sincronizados, de direções opostas,
Ao som da melodia mais gostosa e harmônica que o chocar dos corpos e seu gemido incontrolável de prazer poderiam formar.

E assim eu ficaria ali,
Montando e desmontando esse quebra-cabeça de duas peças,
Onde a minha encaixa na sua.
Passaria o dia todo
Dançando a mesma música, jogando o mesmo jogo,
Até chegar a Senhora Fadiga,
Juntamente com o Senhor Cansaço,
Me levar para os braços de Morfeu.

Mas acordo feliz e animado,
Pois sei que a Lua vai tomar a noite,
Seja tarde ou seja cedo,
Para que eu seja seu morcego,
E você, minha Dama da Noite.
.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Professora - por Adir Vieira

Essa noite sinto que sonhei. O estranho é que me lembrei do sonho, o que normalmente não acontece.
Não foi um sonho agradável e buscando razões para tê-lo sonhado, não as encontro.
Imaginem vocês que eu era ainda uma menina, de mais ou menos uns oito anos e me encontrava na sala de aula de uma escola pobre, daquelas que ficam em centro de terreno e todo o pátio ao redor é de terra batida.
Árvores imensas rodeiam o local e vejo que não são árvores frutíferas nem, tampouco, floridas. Galhos, muitos galhos verdes, muito verdes e firmes. Os troncos são da largura de um homem alto e forte e de um marrom que seria difícil qualquer pintor chegar ao tom.
Dentro da sala de aula, carteiras antigas, como no meu tempo de escola - aquelas que têm um fundo para a guarda dos objetos e têm acopladas em si a cadeira. São carteiras novas, sem sequer um arranhão e brilham como se tivessem sido há pouco enceradas.
Ocupo a terceira fileira e lá na frente uma mesa imensa, cujos pés são troncos de árvores, dispõe em cima uma pilha de livros igualmente grossos. São dicionários e livros de história geral.
A professora, uma senhorinha miúda, de óculos e cabelos amarrados em coque, é austera, como para convencer a todos os alunos que ali não estamos para brincadeiras.
Traz nas mãos uma régua comprida e a cada virada que os alunos dão na carteira, a agita na sua direção pedindo silêncio.
Ninguém ousa um movimento enquanto ela fala com sua voz rouca e seca.
Uma das meninas do meu lado se inquieta e começa a rir, não sei porquê. A professora que estava escrevendo no quadro-negro se volta para a turma e severamente atribui a mim a desordem, me fazendo levantar e ir ao seu encontro sob o olhar piedoso dos demais. Obriga-me a ficar de pé, com o rosto voltado para a parede, até a aula terminar.
Enquanto ali estou, fico ruminando uma raiva crescente e, num dado momento, saio correndo e fico no pátio, dando voltas e mais voltas em torno de uma das árvores.
Não sei o que isso significa, mais acordei ainda com aquela sensação de dissabor e bastante ofegante. Não foi à toa que lembrei do sonho. UFA!
.
.
Visitem Adir Vieira
.

domingo, 23 de agosto de 2009

A Loja de Artigos para Bebês - por Adir Vieira

Não sei se foi o tempo já clamando pelo verão ou sei lá o quê, mas hoje acordei tão bem disposta que decidi dar um passeio a pé.
Como é um hábito meu, meus olhos captam qualquer sinal e varrem tudo o que veem.
Passava eu pela avenida já por demais conhecida, pois moro no local há mais de vinte anos. De repente vejo uma loja de artigos de bebê encurralada na garagem de uma casa.
A loja é pequena, mas bem colocada e bem decorada, utilizando-se de bonecos como manequins.
Travesseiros em formas de bichinhos e outros inúmeros artefatos para um quarto de criança enchem o local de beleza e candura.
Pode-se dizer que um profissional do ramo deixou ali seu aprendizado digno de prêmios e mais prêmios. Mas será que foi mesmo um profissional?
Começo a matutar o porquê de numa rua como aquela, onde só existem residências, alguém se arriscar a inaugurar um negócio daquele porte. Penso que eu não teria tanta coragem.
Penso que motivo levaria alguém a fazê-lo e relaciono algumas hipóteses em mente, uma delas o fato da dona ser sacoleira e devido a algum recente impedimento, ter que fixar o negócio na própria casa. Renego essa hipótese, pois o investimento para transformar a garagem em loja deve ter sido grande e sugere alguma coisa estrategicamente planejada.
Vou adiante no meu pensamento e imagino que a dona devia trabalhar numa loja dessas, ter sua própria carteira de clientes e agora, aposentada, desejado fazer sua própria loja. Escolheu sua residência para fugir de um aluguel polpudo.
Sei lá, são tantas as hipóteses...
Mas de uma coisa estou certa. Ali, naquele local, um comércio jamais irá prosperar.
Não sei como uma pessoa pode ser tão otimista a ponto de investir tanto para depois perder...
Mas assim é a vida. Vale enquanto sonhamos, enquanto esperamos ter sucesso, enquanto estamos felizes arquitetando novos projetos...



Visitem Adir Vieira
.
.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um Sonho - por Alba Vieira

Desperta ofegante, com um gosto bom de beijo na boca, a pele aveludada, a cabeça nas nuvens, o corpo leve, renovado, com uma umidade doce no sexo, que a encanta e desconcerta.
Ao seu lado, dorme ainda a mulher, aconchegada entre as cobertas com o rosto calmo e a respiração tranquila, sua face emoldurada pelos cabelos curtos.
Senta-se com um sorriso nos lábios ainda molhados, o coração galopando e surpresa, recorda-se do sonho que tivera aquela noite. “Nele, era outra que estava com ela, que a olhava com os olhos penetrantes, puxando-a com doçura para si, envolvendo todo o seu corpo num abraço que a fazia estremecer. Sentia seu perfume, o toque das suas mãos ávidas procurando relembrar suas curvas, o seu calor a acordando de um sono profundo, inundando-a de um carinho que jamais esquecera. Foi tomada de um sentimento tão absoluto que soltou suas amarras e navegou no seu corpo, receptiva, experimentando novamente o mesmo amor que tinham vivido antes, se encharcando de doçura, com um prazer extasiante.”
Um prazer que ficou com ela. Seus dias eram felizes. Ela vivia um relacionamento estável com alguém de Terra e com uma Lua em Aquário que sendo generosa, toda meiguice e espontaneidade, guardava entretanto seu coração, que ainda inseguro do amor que lhe devotava, mesmo após tantos anos juntas, não se permitia uma entrega total.
Seu primeiro e grande amor, no fundo ela sabia que era a outra e que, soterrada no fundo de sua alma, havia ainda a esperança de tê-la novamente. Não era possível aceitar que um amor daquele, tivesse terminado sem explicação, que ela amasse outra pessoa e tivesse reconstruído a sua vida.
Não, ela sentia que ainda era seu e só seu o coração dela. E num cotidiano esquizofrênico, ela se dividia entre o amor que sentia e vivia na realidade daquele momento com a mulher amiga, carinhosa, descomplicada que estava com ela e o amor primeiro, vivido somente no íntimo, em segredo, pela mulher de longos cabelos, profunda, enigmática, com quem conversava em pensamentos e enviava sentimentos ardentes olhando o céu, mirando as estrelas e a lua cheia, ouvindo as suas músicas que, diariamente, insistiam em chegar aos seus ouvidos para que jamais a esquecesse.
Aceitava esta realidade que para ela era absolutamente normal, porque de fato, amava as duas pessoas, cada uma delas de uma forma, num universo diferente, as duas habitando o seu ser, inspirando-a e fazendo feliz.
Levantou-se então da cama, ainda imersa naquele universo paralelo, vibrante e apaziguada, trazendo aquela vivência só dela.
No banho, enquanto a água quente escorria pelas suas costas, relembrava cada instante, ainda incrédula, porque lhe parecia ter sido tudo tão real, como se a outra tivesse estado ali mesmo e houvessem se amado profundamente. Ela ainda podia sentir as impressões dos seus carinhos em sua pele, seu perfume no seu corpo, inconfundível, misto de presença e abandono, despedida e recordação.
Enfim, enquanto ensaboava as pernas, seus dedos trouxeram até seus olhos atônitos, neles enrolado, um fio de cabelo longo, um cabelo da outra, sem dúvida alguma, fininho e castanho-claro, testemunhando de forma inequívoca, a sua visita.
E, da mesma maneira como narrado no mito de Coleridge, ela se fazia a mesma pergunta.

“E se você dormisse, tivesse um sonho durante o sono, e nesse sonho você fosse ao céu, colhendo lá uma flor bonita e exótica e, depois, ao acordar, visse que a flor estava em sua mão? O que faria?”

O que faria agora?

E você, leitor, como agiria numa situação desta?



Visitem Alba Vieira
.
.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Meu Sonho de Consumo II - por Adir Vieira

Tomei um banho rápido com o intuito de não desistir da compra. Sempre acontece isso com meus desejos frugais – acabo deixando-os de lado.
Com a ideia fixa na cafeteira, saí em direção ao shopping próximo, pois lá, com certeza, escolheria, nas diversas lojas de eletrodomésticos e nas lojas de departamentos, aquela ideal para a minha cozinha.
Não gosto de café, mas prepará-lo ali seria tudo de bom. Antes de comprá-la, garanti num reforço para a não-desistência: os grãos adequados, escolhidos logo na entrada, no supermercado.
Percorri duas ou três lojas, inclusive a que distribuiu o folheto de propaganda e, para minha tristeza, todas demonstravam estoque zero e os vendedores informavam aquele extenso prazo de entrega. O preço nunca condizia com o divulgado porque isso, porque aquilo.
Meu desejo de comprá-la ia definhando e até questionei se era tão forte assim. Mas já tinha os grãos, o que fazer senão ir em busca da preciosidade?
Andei por mais algumas lojas, mas, sabem, nenhuma das que eu via correspondia àquela dos meus sonhos – ou eram grandes demais ou a diversidade de preparo não condizia com a utilidade que eu dela iria fazer.
Desalentada e culpando minha ferrenha compulsão em certas horas, voltei para casa com o pacote de grãos de café para cafeteira expresso.
.
.
Visitem Adir Vieira
.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Meu Sonho de Consumo - por Adir Vieira

Meu sonho de consumo nunca foi o carro do ano nem um apartamento de luxo à beira-mar.
Desde que me entendo por gente, meu sonho de consumo foi ter em casa uma cafeteira especial.
Nos cafés públicos, nas grandes confeitarias, nas grandes lojas e até mesmo nos laboratórios de exames, ou seja, onde quer que eu ia e existia uma, ficava fascinada.
Chamava minha atenção a forma rápida e exata dessas grandes máquinas de café, ao preparar a xícara, num pequeno toque. E quanta diversidade de tipos - expresso, capuccino e outros!
Desde anos atrás, quando as fábricas de eletrodomésticos lançaram no mercado as grandes cafeteiras de café expresso, empolguei-me. Desde então venho buscando ter uma - especial.
Como para aguçar meu forte desejo, sempre outras prioridades de consumo deixam para trás essa ideia fixa.
Hoje, lendo um desses folhetos de propaganda de grandes lojas de departamento, deparei-me com uma delas. Linda, no tamanho exato dos meus sonhos. Com recipiente para duas xícaras. Ideal para a minha bancada de cozinha.
Tomei uma decisão. Vou comprá-la.
Depois eu conto.



Visitem Adir Vieira
.

Quero Só Mais um Pouquinho... - por Duanny

.
.
.

Esses dias estava visitando uns blogs e encontrei alguns com o seguinte tema de post : “Jovens que se destacam na profissão”. Achei bem interessante, pois atualmente para se destacar demora um pouquinho, porque você tem que se preparar bastante para o tal sucesso.
Então comecei a pensar (sim eu penso ¬¬): será que um dia serei uma jovem de sucesso? Bom, minha mãe sempre me fala que primeiro eu tenho que decidir o que eu quero. Pra mim essa parte é a mais fácil de todas.
Quero fazer técnico. Sim, dizem que hoje em dia técnico é tudo. Quero me formar em publicidade e... só???
Bom, antes do meu tão esperado “sucesso”, eu queria mesmo era experimentar a vida sem medo de me atrasar sabe?!
Quero conhecer Londres e Roma, me apaixonar por um francês e, quem sabe, finalmente falar um inglês fluente.
Quero fazer técnico em Designer Gráfico e depois em Publicidade, isso antes do meu intercâmbio.
Quero gritar de raiva com alguém e depois me arrepender.
Quero conhecer o Brasil de cabo a rabo.
Quero que todos sejam gentis comigo, odeio gente chata.
Quero ser atriz nas horas vagas.
Quero conhecer Daniel Radcliffe e namorar o Tom Felton.
Quero viver por instinto e com emoções fortes.
Quero conquistar amigos pra vida toda
Quero ser escritora, embora me falte um pouquinho só de talento.
Quero aprender a surfar e a andar de skate.
Quero poder estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Quero me casar numa festa anos 80 e com um padre vestido de Elvis.
Já sei o que você deve estar pensando: “Você não pode querer abraçar o mundo”. Mas que DROGA!!!
Minha mãe já me fala isso e eu nem quero abraçar o mundo, só quero ver todas as culturas, ouvir todas as músicas, saborear todos os tipos de felicidade, quero sentir saudade, me apaixonar, quero ser a culpada, sabe? cometer loucuras. Ahh!... eu só quero viver um porquinho antes do meu “Sucesso”.
.
.
.

Visitem Duanny
.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Meio Sonho - por Yuri

Eu nunca pensei que por outra vez eu sentiria falta de sua ausência.
Mas acho que todas as suas palavras secarão, e já passou da hora de eu ir embora daqui.
Me deixe ir chorar minha infância perdida sem paternidade.
E te juro e acredito que ainda você possa dormir em paz.
Foi como um adeus sem despedidas, sem abraços. E tudo se secou! E eu jurava que você era importante.
Eu fui pra você a consequência de um ato de diversão deixado para trás. O amor que eu sentia por você se cansou de mim, mas ainda sinto a ligação de que não sairei desse labirinto que sempre me faz recordar seu olhar disfarçado.
Heim? Em nenhum de seus pesadelos você chorou sua ausência por mim? Acalme-se!
Vá e tome um belo copo d’água com açúcar que logo depois verás que tudo era uma bela chuva obscura, e que você me ama e que se arrepende de tudo que não fez, sabendo que já é tarde demais. E que este sim é um meio sonho. E tente não chorar tanto nele, pois lamento dizer: não estarei mais aqui pra secar suas lágrimas com aquele cuidado, afeto e carinho.
Pois tudo secou. E se foi. Igual a você. E se não acreditar olhe em meus olhos e verás.
Não quer mais lágrimas? Tente não se afogar no mesmo mar novamente e cometer o mesmo erro com o próximo.Me lembro daquele antigo dia... minha vontade era de ter te jogado da sacada com todas aquelas suas tonteiras de falsidade. Mas sei que ainda tenho um coração bom e iria chorar pelo ato em seus aposentos. Mesmo hoje, sem amor dentro de mim. E a vida é curta pra eu ficar aqui nesse capítulo perdendo tempo com você. Não pensava que a simples falta do ato poderia me despertar tanta dor. Aquele último abraço amargo e um bando de palavras falsas bastaram para despertar minha atenção. Preferia que tivesse me ofendido com más palavras, não sombrias, a ter cometido este ato tão congelado. Mas quando você vai entender que eu não preferia um carrinho azul? Dei meu amor inocente juvenil e você o preferiu enfeitá-lo com bombons e roupas de seda, tentando me fazer entender que essas coisas irão combater sua ausência. Mas você roubou minha felicidade, rasgou todas as roupas de seda, cuspiu o vinho caro em seu próprio copo de plástico.
Eu?
Me perco nas ruas, vou à beira do mar quando há chuva e desabafo com as frisas, fico lá até o dia seguinte amanhecer, as lembranças vão embora, anoitece e elas criam bolhas de ar e vão embora, durmo e em meus pesadelos elas se estouram, me despertando para a realidade outra vez.
.
.
Visitem Yuri
.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Solteira Inveterada por Água Abaixo - por Alba Vieira

Sonho com vagas longas que calmamente chegam e vão outra vez, num movimento cadenciado de renovação. Há, ainda, no meu sonho, um caminhão, daqueles com escadinhas na parte traseira, onde os moleques se penduram para pegar carona de bicicleta, que entra nas águas verde-claras e é seguido alegremente por uma pessoa conhecida minha, a mais sonhadora e fora da realidade que eu já vi. Os dois, caminhão e mulher, entram nas águas. Essa visão me diz algo que ainda não consegui captar totalmente. Entretanto, sei que essa imagem vai me acompanhar por todo esse dia. Não apenas o quadro, mas, sobretudo, o significado mais profundo, o que me faz sentir ao trazê-lo à mente. É uma sensação de conforto, de alívio, de impulso, de amplidão, de fim de filme quando então está tudo bem. Percebo que simboliza aceitar o destino, caminhar em direção à felicidade sem as amarras, os impedimentos que sempre tentam justificar a nossa habitual recusa em evoluir. Assim eu sei que é chegado o momento de ir mais rápido, de crescer e dar frutos nessa existência. Sei que, finalmente, me rendi aos desígnios do destino. Agora, braços dados, casamento ideal,seguem juntos livre-arbítrio e predestinação. Não como dois namorados imaturos que se batem continuamente para, em seguida, trocarem beijos apaixonados de quem pensa que acertou; mas como adultos que caminham de forma segura e integrada, sabendo que o papel que ambos desempenham não é desvinculado um do outro, não se expressam isoladamente, fazem parte de um todo indivisível, absoluto. Essa fusão que não diminui as partes, que expandem num nível além da visão dos sentidos: é o sentido da própria vida, é o poder real que todos almejam.
Como expresso nesse sonho, estou casada, por destino e escolha consciente, demorada, eu bem sei, mas certa. E experimento, agora, um poder bem maior do que sempre tive. Não o poder de andar solta, de ter iniciativas e concretizá-las sozinha, trilhando o caminho que bem escolhesse. Mas o poder de compartilhar que só traz expansão, novas possibilidades e ampliação da área de atuação. E ainda, a maior recompensa: a paz, o tao do amor.
A imagem é bem clara: ir de encontro a algo mais amplo, ao aceitar-se a carona que a Vida nos propõe.
.
.
Visitem Alba Vieira
.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sonho Bom - por Poty

Nestes tempos nublados, tempos irritados, tempos nebulosos, tempos da indiferença, da ausência, tempos impunes, tempo de avareza com certeza, tempos da incerteza, tempo de animosidade, tempo rudes, tempos de intolerância, tempos da ganância, tempos do só meu!... Nada melhor que um sonho bom!... Não só meu, mas meu e seu! Sonhemos porque não perdemos a guerra... A batalha pode ser, mas a guerra não! Sonhemos, que faz bem! Destes tempos há de vir um novo amanhecer, um novo tempo, uma nova aurora, está chegando a hora! Depende de nós, sonhadores, lunáticos amantes da vida! Sejamos este sonho bom!
.