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sábado, 16 de janeiro de 2010

Caixinha de Costura - por Ana

Minha caixa de costura
auxilia muita gente:
o roto, o esfarrapado,
o mendigo, o indigente.

Sou notória costureira
na ONG da minha favela,
no bloco lá do meu bairro
e na escola da cancela.

Um dia vou ser famosa,
estar no Programa do Jô,
ir à Ana Maria Braga
e até conversar com o Clô.

Neste dia, meu amigo,
eu nem vou acreditar,
vou falar de tudo um pouco,
se não começar a chorar.

Mas o mais importante de tudo,
mais que a fama, que o glamour,
foi, com certeza, a obra
desenvolvida em Bangu.

Ensinando os pequeninos
a coserem com cuidado
artesanato lindinho
pr’eu vender no Corcovado.

Com o dinheiro arrecadado
foi construído um abrigo
para garotos de rua
que foram morar comigo.

Então eu posso dizer,
com toda satisfação,
que minha caixa de costura
não é só meu ganha-pão.

Ela é minha alegria
e de tanta gente também
que vive, feliz da vida,
no Lar de Dona Neném.
.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Caixinha de Costura - por Raquel Aiuendi

Caixinha de costura
e colcha de retalhos
têm pequenos pedaços
de coisas que faço.

Agulha, linha e botão
uso e uso de montão
em bolsa e bolsão
mesmo em biju, cordão.

Melhor de tudo é
que caixinha pode ser…
parece mágico, né?
Que costura pode fazer.
.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Caixinha de Costura - por Raquel Aiuendi

Caixinha de costura
sempre me lembra, só
a infância segura
bem perto da vovó.

Ela tinha uma linda
de palha trançada
dentro acolchoada
cheia de agulha, linha…

Um dia ela me deu
de presente a caixinha
o tempo a perdeu
ficou uma lembrancinha

que é toda revelação
do que a vida costura
ponto-a-ponto no coração
uma profunda candura.
.

Caixinha de Costura - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Fiquei pensando no que teria dentro de minha caixa de costura...

Sempre imaginei a vida como uma colcha de retalhos. Pedaços da vida sendo costurados, ligados e interligados, alguns bastante coloridos e alguns cinzentos.
Na minha caixa de costura, teria uma tesoura que serviria para os cortes que são necessários e que a vida nos faz, as lembranças que ela deixa cortadas, rasgadas e desfiadas.
A agulha serviria para remendar paixões, amores, saudades, corações partidos...
O dedal seria o ombro amigo que nos protege dos furos nos dedos da alma.
A fita métrica serviria para medir o tanto que caminhamos para frente, avaliarmos como crescemos, como amadurecemos, o tanto que já vivemos e amamos e fomos amados.
Os alfinetes seriam as pessoas que entram na nossa vida e ficam conosco para sempre, são feitas de metal resistente, com cabeças frias e coloridas que não esquentam e, muito pelo contrário, preparam o terreno para a agulha caminhar…
Ah! e os botões?... Nunca faltam seriam as boas lembranças que servem para colorir o nosso dia, a nossa vida, e tapar os buracos do coração.
Teriam também, na minha caixa de costura, fitinhas coloridas que são os amores infantis, filhos, netos, sobrinhos, as crianças que crescem pertinho de nós.
Ah! e as linhas seriam tantas, de todas as cores! Pretas, brancas, azuis, amarelas, laranjas e de cores variadas e que, de acordo com o que ela vai costurar, transforma a vida num arco-íris… Ela seguiria a agulha silenciosamente pelos caminhos do coração.
Para terminar, pedaços de pano que seriam as fases da minha vida. Com esses eu faria a minha colcha de retalhos e cobriria de carinho todos os que amo...
.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Caixinha de Costura - por Ana

Agulhas, linhas, dedal,
fitas, botões, tesourinha,
cores, texturas, formatos,
cabem todos na caixinha.

Caixinha na qual não cabem
meus sonhos de criancinha
nem meus desejos de adulta
nem meus medos de velhinha.
.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Caixinha de Costura - por Ana

Eu vivo de costurar
pra fora e dentro também.
Com o dinheiro que ganho
só faltou comprar um trem.

Construí a minha casa,
mobiliei, aparatei;
casei todos os meus filhos,
que viviam como reis.

Mas as costuras que faço
da forma mais preferida
são as atitudes que traço
no tecido de minha vida.

Com a régua marco o caminho,
com a fita meço a distância
entre o possível e o sonho
e corrijo a discrepância.

Com a linha costuro amor,
finalizando cada veste
que protege as relações
que um dia, vida, me deste.

Com bordados variados
realço, de cada pessoa,
as principais qualidades,
claro que, sempre, as boas.

E assim coso meus dias,
um a um, tranqüilamente,
guiando o tecido na agulha
devagar, pacientemente.

.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Caixinha de Costura - por Alba Vieira

Rolinho de linha barbante
agulha curva também
costura couro de velho
e até barriga de neném.

A poesia está em tudo,
fique atento, seu doutor,
são os olhos que nos dizem
onde se vê o horror.

.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Caixinha de Costura - por Adir Vieira

Não sei costurar, mas não consigo me desvencilhar de uma antiga caixinha de costura, presente delicado de uma amiga bem mais velha, como mimo de Natal. Pergunto-me o porquê de, a cada final de ano, quando os armários da casa são colocados de pernas para o ar na busca incessante do que transformar em lixo para a renovação das energias do local, não conseguir abrir mão de uma coisa que, sem sombra de dúvidas, passa o ano todo ali, fixada naquela prateleira, fechada e à mercê da dona que sequer a abre. Ela é equipada com tudo de necessário, como botões coloridos, linhas de cores diversas, agulhas de várias espessuras, presilhas, carretéis, elásticos, tesouras, tesourinhas e até mesmo uma fita métrica acoplada a um dedal. Não a utilizo, mas tê-la faz-me sentir segura. Parece-me que estarei livre de ficar desnudada por aberturas que mostram o corpo, por decotes invadidos por botões que podem se quebrar, por costuras desfeitas ao movimento do corpo. Parece apenas, não é real. Continuo investigando e buscando causas para a sua utilidade, a sua permanência e chego à conclusão de que o que me prende a ela é a lembrança efetiva do carinho de quem me presenteou e, assim, a faço ali permanecer.
.