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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Aquele Beijo - por Alba Vieira

Teu beijo de novo…
Aquele mesmo beijo
Que me tirava o chão.
Teu beijo de volta…
O mesmo estremecer,
E a cabeça atordoada.
Teu beijo me acende,
Faz querer morar no fundo dos teus olhos.
E aqui estou eu, sentindo a vida
Outra vez colorida.
Teu beijo foi injeção de adrenalina,
Tirou meu sono, deixou-me pronta para a briga
Do coração que quer ficar
Com a alma que se eleva em direção ao paraíso.

Teu beijo foi como antes:
Tirou-me de mim
E por um instante fui tudo.
E foi o bastante para saber
O quanto ainda somos amantes.
.

domingo, 18 de novembro de 2012

Antonio Cícero, “Esse Amante” - Enviado por Penélope Charmosa

 


Não é exatamente que esse amante
pretenda confundir-se com a amada;
o que acontece é que, no mesmo instante
em que, lúcido e lúbrico, prepara,
com circunspecto engenho e arte, a entrega
da mulher, ele saboreia o gesto,
gemido ou tremor que observa, e interpreta
cada sinal de volúpia nos termos
da sua própria carne. Discernir-se
dela, ao olhá-la, e achá-la em si são lados
reversos da mesma moeda. Ei-lo
que, com o fim de seus anseios nos seios
das suas mãos, vê-se compenetrado
e entregue a um gozo que quiçá se finge.


In “A Cidade e os Livros”, p. 25.
 

domingo, 10 de outubro de 2010

Affonso Romano de Sant’Anna, “Quando os Amantes Dormem” - Citado por Penélope Charmosa

Quando as pessoas se amam e querem se amar, selam um pacto: dormir juntas.
E quando se fala “dormir juntos”, o sentido é duplo: significa primeiro amar acordado em plena vigília da carne, mas, depois, na lassidão do pós-gozo, deixar os corpos lado a lado, à deriva, dormindo, talvez.
Na verdade, os amantes, quando são amantes mesmo, mesmo enquanto dormem se amam.
Agora ouço esses versos de Aragón cantados por Ferat: “Durante o tempo que você quiser Nós dormiremos juntos”.
E penso. É um projeto de vida, dormir juntos, continuamente.
A mesma ambiguidade: dormir/amar juntos, dormir/acordar juntos, ou então, dormir/morrer de amor juntos.
Deve ser por causa disto que os franceses chamam o orgasmo de “pequena morte”.
Deve ser por isto que os amantes julgam poder continuar amando mesmo através da morte, como Inês de Castro e D. Pedro, que foram sepultados um diante do outro, para que no dia do reencontro um seja o primeiro que o outro veja.
Amor: um projeto de vida, um projeto de morte.
Se numa noite dessas o vento da insônia soprar em suas frestas, repare no corpo dormindo despojado ao seu lado.
Ver o outro dormir é negócio de muita responsabilidade. Mais que ver as águas de um rio represado gerando uma usina de sonhos, é ver uma semente na noite pedindo um guardião. Pode ser banal, mas é isto: amar é ser o guardião do sonho alheio.
Os surrealistas diziam: o poeta enquanto dorme trabalha. Pois os amantes enquanto dormem, se amam.
Se amam inconscientemente, quando seus desejos enlaçam raízes e seivas. O pé de um toca o pé do outro, a mão espalmada corre sobre o lençol e toca o corpo alheio e, dormindo, se abraçam animados. Quando isso ocorre, pode ter vários significados.
Talvez um tenha lançado um apelo silencioso ao outro: “Ajude-me a atravessar esse sonho”, ou: “Venha, sonhe esse sonho comigo, é bonito demais”. E o outro, às vezes, sem se mexer, parte em seu socorro.
É que certos sonhos, sobretudo os de quem ama, não cabem num só corpo. Transbordam os poros da noite e pedem cumplicidade.
E se há um pesadelo, aí um se agarra ao tronco do outro na crispação do instante, e o corpo do parceiro é boia na escuridão.
Por isto, no ritual do casamento, quando o sacerdote indaga se os que se amam sabem que terão que se socorrer na saúde e na doença, na opulência e na miséria etc. deveria se inserir um tópico a mais e advertir: ...Amar é ser cúmplice do sonho alheio.
Sim, porque passamos a metade da vida dormindo ao lado do outro. Há pessoas que vivem 25 anos - bodas de prata, 50 anos - bodas de ouro, 75 anos - bodas de diamante - ao lado do outro, e não sabem com que o outro sonha. E há quem passe uma tarde, uma noite ou uma temporada ao lado de um corpo e sabe seus sonhos para sempre.
Engana-se quem escuta o silêncio no quarto dos que amam.
Estranhos rumores percorrem o sonho alheio. Não é o rugir do tigre pelas brenhas. Não é o bater das ondas na enseada. Nem os pássaros perfurando a madrugada... São os sonhos dos amantes em plena elaboração. E se numa noite dessas o vento da insônia de novo soprar em suas frestas, olhe pela janela os muitos apartamentos onde pulsam dormindo os amorosos.
Quando se compra um apartamento novo, nas alturas, alguns compram lunetas e ficam vasculhando a vida alheia. Mas para ouvir o ruído dos sonhos basta abrir os ouvidos na escuridão. Os sonhos pulsam na madrugada.
Era uma vez um chinês que toda vez que sonhava com sua amada acordava perfumado. Deve ser por isso que, ainda hoje, o quarto dos amantes amanhece com um perfume de almíscar, lavanda e alfazema. E é comum achar troféus dos sonhos ao pé da cama de quem ama. Quando se abre a pálpebra do dia, aí pode-se ver um unicórnio de ouro e uma coroa de rubis.
À noite os sonhos dos amantes se cristalizam e de dia se liquefazem em beijos e lágrimas. Quem ama diz boa noite como quem abre/fecha a porta de um jardim.
Não apenas como quem viaja, mas como quem vai para a colheita.
Quando se ama, acontece de um habitar o sonho do outro, e fecundá-lo.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Eu e Você, Amém - por Passa-Tempo

Sonho bom foi te ter ali comigo
Curtindo o momento em que não sabíamos mais o significado da palavra roupa,
Muito menos para que servia tal objeto.
E pra que se importar com roupas feitas por mãos de homens,
Se tínhamos ali dois corpos feitos pelas mãos de Deus?

E eu estava ali, com você,
Foi quando te vi abrindo, pela primeira vez,
E era pra mim,
As portas de um túnel, onde não se via luz em seu fim,
Mas era um lugar seguro,
Quentinho, apertadinho, aconchegante,
Onde eu mais queria estar naquele momento.

E lendo minha mente, seus olhos ardentes
Me convidavam para entrar,
E assim eu fiz, entrei!
De imediato pude sentir
O enrijecer dos músculos de cada membro seu,
fazendo assim enrijecer o meu.

Enquanto unhas penetravam minha carne,
Mais fundo eu chegava nesse limitado túnel,
E as gotas de suor faziam queimar as feridas.
E nessa loucura dançávamos em movimentos sincronizados, de direções opostas,
Ao som da melodia mais gostosa e harmônica que o chocar dos corpos e seu gemido incontrolável de prazer poderiam formar.

E assim eu ficaria ali,
Montando e desmontando esse quebra-cabeça de duas peças,
Onde a minha encaixa na sua.
Passaria o dia todo
Dançando a mesma música, jogando o mesmo jogo,
Até chegar a Senhora Fadiga,
Juntamente com o Senhor Cansaço,
Me levar para os braços de Morfeu.

Mas acordo feliz e animado,
Pois sei que a Lua vai tomar a noite,
Seja tarde ou seja cedo,
Para que eu seja seu morcego,
E você, minha Dama da Noite.
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domingo, 6 de setembro de 2009

Para Belinha - por Daisy

Será que ela intuiu
a palavra que faltava?
Sei que certamente viu
quão nervoso eu estava.

Por bem mais que toda a vida,
esperar foi meu viver.
Foi de fato minha sina
e me fez sobreviver.

Esperaria bem mais,
uns cinquenta anos mais
não fosse tão curta vida.

Mas sei que ficou contente
ao me ver, sorridente,
perceber a palavra falta.
.
.
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Visitem Daisy
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Nós Dois - por Daisy

O tempo leva tudo.
O tempo também trás tudo de volta
Na memória, na saudade.
Vamos fazer de conta
Que estamos em nossa ilha.
Aqueça-me ao luar,
Prove-me com seus beijos,
Toque-me até que eu trema.
Mostre-me como amá-lo,
Ensine-me como agradá-lo,
Perca-se dentro de mim.
E que nunca se acabe,
Que dure para sempre,
Como se não houvesse amanhã.
Aprendendo um com o outro,
Explorando um ao outro,
Envolva-me com seus braços.
Deixe-me saber que você me ama,
Você foi feito para amar-me,
Eu fui feita para amá-lo.




Visitem Daisy
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Amor de Amantes - por Ana

Como a água à rocha,
é desta forma que te amo, toco, faço amor.

A água chega e envolve sua companhia.
Somos nós: um contato belo, delicado, modificador e fértil.
Neste momento me torno água
porque é assim que te percebo e sinto;
é assim que me aproximo, reajo e vivo.
Porque sou seu carinho constante em palavras, gestos, olhares e toques,
porque sua presença em minha vida é um aconchego, doçura e satisfação.

A carícia da água na pedra, doce e abundante, envolvente;
a quietude da pedra, sentindo, recebendo umidade e gerando vida;
e a beleza significativa do encontro:
o branco luminoso da espuma sobre o verde claro do musgo,
a consequência do contato brando como uma explosão de delícias para os sentidos.

Eu, água, me aproximo,
explodo como em espumas lindas que coroam um encontro,
e (a sensação mais profunda) deslizo sobre você, cobrindo seu corpo com meu toque,
você num envolvimento completo do que sou, daquilo que lhe dou,
umedecendo sob mim,
não mais com asperezas (que seriam da natureza da pedra), com arestas,
mas com o enfeite de um tapete verde macio,
um musgo fresco, gelado e carinhoso sob o sol quente.
Trazendo a fertilidade e a cor viva à pedra negra, naturalmente seca.

E você, pela presença, modificando o meu caminho,
tornando-me, de massa anônima, um movimento de leveza e sedução,
fazendo-me brilhar iluminada em arrebentação de espumas
no encontro único, pleno, independente,
parnasianamente feliz.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Amante

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Fêmea - por Jorge Queiroz da Silva

Nunca tive o prazer acentuado,
nunca senti uma fêmea tão esperta,
que me tirou de um mundo
tão trancado
e me jogou numa conquista
tão certa…

Que doce é você, amorzinho,
que loucura de mulher e que é todo
o meu charminho…

Quero gozar em teu corpo,
o maior amor indiscreto,
quero saber de você,
se sou o teu homem
tão certo…
Não responda com palavras,
mas me responda com beijos,
assim que eu esteja por perto…

Quanta força num corpo só,
quanta força exibimos juntos…
Quanto carinho e deslumbramento,
quantos afagos e desprendimentos…

O amor louco, somamos…
o gozo forte, transplantamos…
o sorriso certo, trocamos…
e por tudo isto, vibramos…
que coisa linda!

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Amante - por Ana

Mergulhar no mar de sua boca;
minha vida,
enfim,
abandonada entre as ondas
que me afastam do mundo terreno de dor
e me embalam para dentro de seu universo
cujo portal se fecha após minha entrega,
última vontade do corpo,
primeiro desejo da alma,
que se concretizam
após vidas que passei em branco
antes de,
finalmente,
me afogar em você
para sempre.

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