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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bruna Lombardi no “Supermercado” - Citada por Penélope Charmosa

Ainda ficou um pouco
de teu cabelo no travesseiro
de teu corpo no meu corpo
de teu cheiro
um pouco da tua colônia
em alguns vestidos meus
ficou no meu cotidiano
um gosto bobo de adeus.
Ficou um resto de shampoo
no teu frasco no banheiro
de tudo ficou um pouco
de teu jeito, de teu cheiro.
Ficaram umas coisas tuas
espalhadas pelo quarto.
Ficou teu riso marcado
na moldura no retrato.
Em tudo ficou um pouco.
Ficou nosso jogo de damas
(eu branco, você preto)
intacto no sofá-cama.
Alguns discos teus, alguns livros
na parede atrás da porta
a gravura de Dalí
e tua natureza morta.
Um pouco de teu silêncio
se espalhou pela casa
tua xícara de porcelana
verde e branca, sem a asa.
De você ficou um pouco
do trem daquela viagem
do nosso jantar chinês
da nossa camaradagem.
Ainda ficou tua letra
em alguns papéis amassados.
Em tudo ficou um pouco
na rua, no supermencado.
Ficou um pouco de você
no mar, no rio, na serra
na estrada da casa de campo
na pedra, no gato, na terra.
Ficou um pouco do teu rosto
no rosto dos meus amigos
ficaram palavras tuas
em tudo aquilo que digo.
Eu fiquei com o teu jeito
de querer falar primeiro
teu corpo no meu corpo
cabelo no travesseiro.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sua Ausência, sua Essência - por Blank

E ninguém conhece suas manias de gostar… ninguém para pra olhar.
Tempo gasto, tempo desperdiçado, tempo… pouco tempo.
Ninguém completa suas frases,
E que frases? Pra quem vai dizer? O que vai dizer?
E seus jogos preferidos, brincar de estar escondido, isso nunca serviu!
Explicar coisas absurdas, mas não há dúvidas, que esforço inútil!

Para pra olhar por que não pode falar, observa por que não tem o que questionar.
Se reserva, por que ninguém pode romper o lacre.
E mesmo que não marque, está aberto, mas é incerto (sem visitação)
-Até logo… não tem reclamação;
-Não volto pro jantar, posso me atrasar… tanto faz ninguém ouviu, falava sozinho; a loucura já assumiu.
Se afasta lentamente e porque vai já se esqueceu.
Ora, mas que besteira! Vai logo, ninguém percebeu

A sua falta faz falta, a sua ausência é sua essência, já parece normal e essencial.
E essa história só ele lê. E um final sem glória parece conhecer
E isso lhe causa calafrio, que sobe pela nuca
E embora peça ajuda “me leve daqui” (está sem chão)
Ninguém parece ouvir quando (segure em minha mão)
Aceitas o que te faz mal querer por que recusar só vai te fazer sofrer…

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domingo, 16 de setembro de 2012

Hoje Sou Ausência - por Poty


Não adianta nem me contar
Nem quero saber
E daí o problema é teu

Deixa-me no meu canto quieto
Não quero ouvir

Hoje sou vazio

Hoje sou silêncio...
Silêncio que acalma minha podridão
Acalma minha insatisfação
Não quero falar...
Falar pra quê?!

Hoje é meu dia de fúria

Desconverso
Dizendo
Nem sei por que,
Mas cá no meu oculto desejo
Quero ser rude

Hoje quero ser selvagem

Quero a solidão
Quero sofrer nem que seja por um dia

Seja hoje o dia de cão

Poty_ 2009

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Amigo - por ZzipperR

Hoje, uma recordação me deixou aflito e com sensação de injustiça de Deus.
Por quê?! Estes pensamentos resolveram rodar a minha cabeça. Não caí num baixo astral porque éramos muito amigos e só recordações boas rodavam o meu coração. Tudo aquilo me deixou agoniado e depois de muita reflexão resolvi falar com Deus. Cheguei sem marcar hora, pois ainda não era a minha vez.
Não sei como, mas cheguei lá! Um tapete de nuvens só transmitia paz, nele passei por um ambiente vazio onde não havia ninguém para me receber. Tudo ali parecia tão vazio que pensei não existir, até escutar uma voz, muito calma, que parecia tão distante.

- Por que não se conforma? Tantos anos se passaram. Você não poderia estar aqui!

- Senhor! Por que separou nossos destinos tão cedo? Nós éramos tão jovens e eu tenho muita saudade dele.
- Hoje eu estou triste! Sentindo que ele está precisando de mim.
- Eu queria vê-lo de novo. Nem sei o que eu falaria, mas eu tenho certeza que seriam momentos felizes e inesquecíveis. Talvez falássemos da escola, dos jogos de futebol na USP e talvez não falássemos nada e deixássemos os corações conversarem.
- Desde sua partida, ainda sinto um vazio no peito e ouço canções marcantes em nossa vida, confesso que elas não me deixam triste e sim confortam o meu sofrimento.
- Senhor! Por quê? Ajude-me a entender.
- Dizer que as pessoas são substituíveis é uma grande mentira. Ninguém substitui um grande amigo. Quando se vai, ele leva um pedaço de nós que jamais será reposto.
- Hoje eu sinto que ele está precisando de mim. Como eu posso ajudá-lo?

- Vá embora! Você já fez a sua parte.

- Senhor! Deixa-me vê-lo só mais uma vez?

- Não pode! Todos têm sua vez e a sua não chegou.

Tentei insistir novamente, mas a voz não saía.
Com um sentimento de ter fracassado comecei a sair. Enquanto saía, senti que alguém estava do meu lado, me consolando e aliviando minha dor.
Acho que era ele. Aquilo me deu a certeza de que a verdadeira amizade é eterna.
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Homenagem ao meu grande amigo “Osmar” do qual eu tenho muita saudade.

Zip...Zip...zip...ZzipperR

Coisa de amigo pra amigo, talvez seja até difícil de entender.
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Visitem ZziperR
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ausência - por Ana

Minha saliva está doce,
a língua sente tua falta.

Gostaria de te beijar agora.

Antes de meu mundo ceder
sob o peso concreto de tua ausência.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Falta da Internet em Nossas Vidas - por Adir Vieira

Ontem parei para pensar sobre a falta da Internet em nossas vidas. Vou cair no lugar comum, mas vou repetir o que a maioria das pessoas diz. Não sei como vivíamos antes da existência dessa mola que nos conecta, em segundos, com o mundo todo.
Ontem, ao ligar o computador, me vi desconectada e mesmo após realizar todos os testes necessários, por instrução da empresa telefônica, não consegui entrar no meu mundo diário através do PC.
Fui instruída de que teria que aguardar vinte e quatro horas pelo técnico da operadora. Nunca as horas foram tão longas num dia.
De repente, uma imensa lista de afazeres ligados à Internet povoou minha mente e confesso que me preocupei. Não temos ideia de como o computador faz parte da nossa rotina e com isso vai nos afastando do mundo físico, do contato com as pessoas, olho no olho, das descobertas que, sem ele, sem suas facilidades, poderíamos tentar descobrir por nós mesmos e com isso aprender cada vez mais.
A facilidade e a certeza de que o computador é nosso instrutor, nos coloca assim... totalmente dependente. Fiquei superpreocupada, mas ansiei para que a minha linha fosse logo restabelecida e eu pudesse voltar aos meus trabalhos junto ao computador.
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Visitem Adir Vieira
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domingo, 17 de outubro de 2010

Separação - por Marília Abduani

O corte na esperança
rompeu o dia.
Devagar os olhos fecham-se
estáticos.

A névoa da ausência desfez os laços
lassos que se divergem,
isolam- se
no exílio do pranto.

O grito na noite
acorda a saudade.
Insônia.
Mais nada.
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Cascatas Incandescentes - por Ana

Quantos passos dados sem você!…
Quantas lágrimas choraram saudade solitária, voltadas para a parede que testemunhava meu entristecer se transformando em dor e angústia.
Quanto me culpei por ter errado, por ter deixado ir, por ter calado, por não ter fechado as mãos nas suas dizendo fique porque de você preciso.
Quantas palavras imaginei que explicavam, amavam, acariciavam, pediam, acompanhadas da reafirmação de meu amor.
Quantos abraços em sua lembrança tão viva.
Quantos beijos senti novamente em meio a um enorme vazio que antes era preenchido por seus carinhos.
Quantos anos chamei seu nome baixinho, com o olhar voltado para a direção de seus dias.
Quantas noites sonhei você a meu lado, buscando a paz que havia perdido.
Quanto minha alma se estranhou, partida, solitária, muda, dissociada, aleatória, infeliz, opaca, aprendendo que viver somente é cumprir o tempo se está distante de você.


Inspirado na pintura Cascatas Incandescentes, de Alba Vieira.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Crise de Abstinência - por Fatinha

Querido Brógui:

Dez dias de abstinência. É muito tempo, muita privação.
No primeiro dia, o impulso de fazer uso. Coisa mecânica. Usa porque está lá, à mão e, já que está ali mesmo, dando sopa, porque não?
A partir do segundo dia, já caiu a ficha de que não vai ser possível contar com aquela companhia fiel, muleta total, fonte de prazer. Começa a dar saudades.
Depois, o inevitável: você percebe que rola uma relação de dependência. Você acreditava estar no controle da situação, mas não estava. Você é mero joguete nas mãos do hábito. Daí vem a sudorese, a insônia, os tremores nas mãos.
E aí, Querido Brógui? Ficou tenso? Tá nervoso achando que eu sou uma drogadita em fase de reabilitação e que você, logo você, nunca percebeu? Tá quase pegando o telefone pra me ligar e dar uma força? Já sei: vai mandar uma oração e uma receitinha infalível para aliviar o bode?
Relax, Brógui, relax. Eu estou me referindo aos dez dias em que meu computador ficou no estaleiro. Nada grave, a não ser a constatação de que tenho mais vícios (Ops! Agora o politicamente correto é falar “hábitos”) do que supunha. E você?



Postado, originalmente, em 02/08/2008.
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Visitem Fatinha
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta de Amor - por Adhemar

Amada.

Porque e pra quê são as únicas perguntas. Lembrar de você, pensar e desesperar num nó: esquecido por ti me pergunto por quê. Por que tua obsessiva presença nos meus sonhos? E nos meus pensamentos? A razão da procura está em cada canto onde passo.

Músicas sensíveis me retiram da realidade e me fazem procurar-te no mais alto onde tu possas estar. Depois, o pensamento se desvia, eu fico triste, registro no bloco os pensamentos opressivos - nesse calor que tua lembrança me traz... Mais uma vez estás aqui, tão viva que já nem posso ver a tua flor.

Sinto vontade de escrever, chorar, escrevo e choro numa esperança insana de te comover; choro pela tua flor morta nessa minha inépcia de te amar desesperadamente...

E é só o que posso fazer.

P/BSF
Visitem Adhemar
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Carta ao Amigo Distante - por Mari S

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Querido amigo

Que saudades de você, como sinto a sua falta. Há dois anos que não o vejo. Guardo grandes lembranças dos momentos em que passamos juntos, dos abraços apertados e das crises de risos intermináveis. Lembro-me das festas de aniversários. Você sempre esteve lá, comigo, para me abraçar, apagar a velas e segurar-me pela mão na hora de desejar um grande pedido.
Às vezes, quando fecho os olhos, ainda posso ouvir-te. Posso escutar aquela risada cativante que fazia qualquer pessoa sorrir contigo... Lembro-me das suas palavras e da imensa satisfação ao saber que havia conseguido realizar um dos meus grandes sonhos. Como seus olhos brilhavam... Comemoramos juntos a minha pequena vitória.

Naquela mesma noite, o telefone tocou. Para a minha alegria, era você. Estava feliz, radiante. Dizia-me palavras de ânimo, de motivação. Dizia-me que sempre acreditou em mim, em meu potencial. Como eram doces aquelas palavras.

Naquela madrugada, o telefone tocou. Como eu queria que fosse você... Era alguém que me dizia que você havia partido. Partido para sempre... Meu mundo havia desabado. E agora? Quem iria segurar a minha mão? Quem iria pegar-me no colo e me chamar de princesa? Não pude desperdi-me e minhas lágrimas sufocaram o meu grito de adeus. Dois dias depois, fui concluir mais uma etapa do meu sonho. Não sabia se me concentrava ou se fazia o meu melhor para cumprir a promessa que lhe fiz. Era o meu presente. Meu presente de despedida.
Infelizmente, eu não consegui. O tempo passou e a promessa ainda arde e urge vivamente dentro do meu peito. Sei que não poderemos comemorar juntos. Mas tenho fé e força de vontade para lutar. O corpo, às vezes, sucumbe de cansaço, mas a alma renasce todos os dias. Quando eu conseguir, em meios aos gritos e pulos de felicidade não pintarei meu rosto de tinta com dizeres APROVADA. Pintarei de verde e em letras garrafais: MANO, EU CONSEGUI...

Com amor,

Mari



Visitem Mari S
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Você Foi Embora... - por Renata Zonatto

Você foi embora e eu não tive a chance de dizer-lhe adeus. Não tive um minuto, não tive nenhum momento. Você foi embora, sem eu lhe dizer que o quanto o amava.
Não fui forte o bastante, estava confusa... com medo dos meus sentimentos.
A essa hora você deve estar muito longe, e eu não sei onde lhe procurar.
Você foi embora, eu pensei que não sentiria a sua falta.
Eu não queria que isso tivesse acontecido, eu não queria que acabasse assim.
Eu não tive coragem de lutar pelo meu amor, mas meu egoísmo não queria que você deixasse de lutar por mim.
Eu queria voltar no passado... Voltar o tempo.
Me sentir a dona do mundo... ao menos por um segundo!



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Meu Rei - por vestivermelho

Querido amor

Que saudades! Estas letrinhas saem direto do meu coração que está melancólico com sua ausência.
Leia e depois venha correndo, estou te esperando.
Na nossa pedra, vendo nosso lago, ele está brilhando com os raios do sol.
Me enche os olhos de água disfarço e deixo as lágrimas correr...
Venha logo, senão morrerei...

Obs. Quem está te entregando essa carta é a nossa querida coruja.

Sua rainha



Visitem vestivermelho
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sábado, 29 de agosto de 2009

Amor Intangível - por Passa-Tempo

Sinto a brisa noturna bater em meu corpo,
E sei que não é apenas mais um dos meus sentidos,
E quando o vento bate em meu peito,
Suas mãos me tocam, e você me abraça,
Um abraço forte da ventania da saudade.
E nessa turbulenta ventania que é sua falta,
Meu corpo fica cada vez mais quente,
Com calor ardente de um sentimento sempre presente,
Nesse calor, nesse ardor, simplesmente puramente és meu amor.

Princesa minha, sei que a distância é grande,
E a luta é constante.
Estaremos sempre juntos,
Para assim nos completar,
E quando a saudade apertar,
Olhe para o céu, e saiba que a lua é a menor distância entre nós,
E esse chão que ela ilumina,
É nossa casa, Nossa cama de amar.
E o vento gélido, a coberta pra nos esquentar.
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terça-feira, 30 de junho de 2009

Contradição - por Alba Vieira

Quando você se foi, de tão grande a dor, pensei que fosse arrebentar. Meu peito doeu quando seu espírito deixou o corpo e me senti completamente esvaziada e perdida. Estava em choque. Não conseguia acreditar.
Desde a semana anterior à sua morte, eu sabia que ia acontecer e imaginava como seria. Mas, na hora, foi algo totalmente novo e inesperado. Precisei então tomar as providências cabíveis e ao mesmo tempo queria estar ao seu lado, ao lado daquele corpo de quem eu já cuidava há tanto tempo e com tanto zelo. Seguiu-se uma espera de incalculável tempo, arrumei sua roupa, seu corpo foi guardado e enfeitado de flores coloridas que eu dispus misturando com outras de pétalas brancas, como que pintando um quadro, como tantas vezes eu fiz com as tintas pra depois mostrá-lo e você me dizer que gostava que fosse bem colorido, usando muito vermelho, amarelo, azul, verde, rosa etc. etc. No dia seguinte, lhe fiz todas as homenagens que consegui fazer, algumas secretamente, que só eu poderia entender e me amparei como pude, para suportar a dura realidade, a sua falta.
Seguiram-se outros acontecimentos dolorosos na família que tentavam ocupar minha mente e minhas horas, talvez na tentativa da Vida de me desviar da minha própria dor. Cuidados necessários a outras pessoas me impediram de assistir à sua missa de sétimo dia, algo totalmente inusitado e extremamente doloroso para mim, mas que me ensinou na prática a me desdobrar, estando ao mesmo tempo em dois lugares: naquele onde eu era necessária em corpo e no outro, mentalmente, onde meu coração desejava. Assim, fiz tudo que devia fazer, embora emocionalmente estivesse paralisada pela dor da sua morte.
Chorei o quanto pude, sozinha. A pior dor foi a da primeira noite sem você, uma dor visceral que me causou frio extremo e me corroeu por dentro.
Então percebi que devia sobreviver, que tinha que desarrumar a casa e tratei para que não houvesse uma desestruturação maior da família. Agi como você agiria, fiz da melhor forma que consegui. Tudo se harmonizou na medida do possível considerando-se que era a perda da matriarca, em torno da qual tudo e todos giravam.
Aí, aos poucos, eu fui podendo entrar em contato com a minha própria dor: eu precisava tê-la de volta, não me acostumava à sua ausência nos meus dias e noites. Sofri e chorei e me senti perdida e sozinha, mesmo no meio dos outros que eu amava. Ninguém seria capaz de preencher o seu lugar na minha vida que, entretanto, devia continuar.
Encontrei como saída para enfrentar o sofrimento, escrever para você o quanto fosse necessário. Eu lhe contaria toda falta que você me faz, tudo que fosse acontecendo em minha vida, pediria seus conselhos e orientações como sempre fiz.
O tempo passou, eu melhorei, ainda sofro, choro, meu peito ainda dói, minha garganta aperta quando sinto a vida agora tão diferente e vazia.
Nesse momento, eu me pergunto quem sou se sempre só fui aquela que a seguia e amava com veneração.
E a cada dia tomo contato com uma parte de mim que ainda não conhecia, como se, aos poucos, fosse nascendo, podendo sem você, ser inteiramente. Ser infeliz por tanto amor, por não tê-la junto e porque a vida continua.
Até que fique apenas a saudade que faz companhia na ausência e acalma a dor da perda, trazendo quem se ama para perto outra vez com as lembranças felizes quando for necessário.



Visitem Alba Vieira
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sábado, 13 de junho de 2009

Ter Você ao Sol - por Yuri

Um dia de sol, um dia de chuva, um dia tanto faz para quem está triste, um dia no qual reclamo de sua ausência. Um dia no qual o lindo calor dos raios do sol toca a minha pele e que sinceramente não conseguem chegar aos pés do calor do seu corpo colado ao meu.
Uma noite em que respirei bem, você. E que de verdade me senti bem. Desde a infância talvez... me senti acompanhado, protegido, desejado e guardado por seus braços.
E hoje suas recordações choram sua ausência, meu fôlego se desfaz em meus prantos. E minha almofada é a inundação de Noé...
E eu ainda lembro da linda noite de maio, ouvindo sua respiração e seus últimos suspiros antes de dormir falando que me ama.
Seu sorriso, apenas ele alegra meu dia, a fonte de felicidade para mim.
E sua doce voz, aquele perfeito perfume... apenas você.
E eu aqui, esperando no porto a bagagem e um lindo navio “para sempre” chegar. Ao te acariciar dormir, ao te beijar amanhecer.
Apenas ter você.



Visitem Yuri
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Hace Frio en Mi Corazón - por Yuri

Sempre me procuro em você. Mas nada em você é notável. Infelizmente.
Só encontro ventos e ventos que giram por um só caminho e você pensa que vai viver disso pra sempre...
E meu último suspiro foi... uma parte de meu coração dizendo que apenas sente sua falta.
Desde que levou toda minha alma, corpo e minha vida. Como vês.
E ainda me falta a voz… Apenas tentei ir em minha almofada outra vez para lembrar de sua ausência com o odor de minhas lágrimas, para tentar te ver nem que seja por mais uma vez.
E as feridas não cicatrizam tão rápido, muito menos as de dentro do coração. Falta ar pra respirar, te perdoaria por qualquer coisa em prantos, e faz frio em meu coração... =/
Nem que seja pelo mínimo de seu fôlego, pois só ele combaterá o frio.
Mas é aquilo, né... tudo tem um fim. Mesmo que demore, sei que um dia estarei bem. E chorar quando é preciso, cantar para espantar os males e seguir para continuar respirando por quem nos dá oxigênio.




Visitem Yuri
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ausência

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cuidados Cacos… - por Adhemar

Uma cacofonia sinfônica reverbera no lugar dos pensamentos;
uma sinfonia sem cautela,
uma sucessão de acontecimentos -
sem sucesso, sem tutela.

Ruídos intermináveis confundindo a cachimônia
numa tal sem-cerimônia
que irrita e embevece.
Emociona-se na balbúrdia que tortura e envelhece.

Uma súbita vontade de partir para o silêncio e a sombra.
Uma viagem sem retorno
para além de onde se assombra,
para onde não há extremos de frio, de quente ou morno.

Um extremo bem no centro
sem média, sem mídia, sem fama.
Um lado externo por dentro,
um pântano sem lama.

A barulheira arrepia no lugar dos pensamentos.
Um dia após outro dia
na crista dos acontecimentos;
tranquilidade arredia…



Visitem Adhemar
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Su - por Vicenzo Raphaello

Su
como passou o tempo

Ainda é fresca a imagem da mulher
ainda menina
do tempo de escola

Ainda são presentes
nossos melhores dias no Rio

Presença consciente são minhas lembranças
dos bons momentos que junto vivemos
assim como aqueles difíceis

As imagens dos caminhos que percorremos
o tempo não apaga

Esse tempo mostrou
que
um pequeno tempo da tua ausência
machuca
e como machuca.
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