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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Clarice Lispector e a Solidão - Citada por Penélope Charmosa

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Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
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quinta-feira, 18 de março de 2010

domingo, 29 de novembro de 2009

Sozinho... - por Poty

Sozinho...
Na escuridão
Do meu silêncio
Continuo a varar a noite

Fico a testar-me
Perante o silêncio
Que me faz calar

Sou o silêncio
Que não quer falar

Deixa-me quieto
Quero estar sozinho

Serei a calma
Que lavará a alma

A retidão
Com exatidão

O afastamento
Do dia
Que permeia em mim

O alongamento
Da noite
Que me toma conta

Na escuridão
Permaneço
E não quero mais nada



Visitem Poty
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escuro - por Kbçapoeta

Apesar do escuro
De toda a solidão,
Aplacável peça
Do teatro psicodélico
Da vida que vez ou outra
Entra em cartaz.
Saio às ruas
Ruminando meu pensar.
Deliciando-me com o gosto
Já conhecido, querendo mais do mesmo.
Sim!
Sempre o mesmo, nunca distinto.
Preciso pensar com a massa,
Imiscuir-me de qualquer responsabilidade
Pela provável catástrofe que se tornou
A convenção dos homens.
Convenções em nome de Deus.
Convenções em nome da terra.
Nada me interessa mais.
Quero apenas os instintos
Comer, beber, divertir e alienar-me.
Gritarei heroicamente em nome
Da suprema vontade de não existir.
Desaparecerei no meio dos comuns,
Apenas mais um rosto.
Serei todos e não serei nenhum
O tudo e o nada.
No limiar do escuro
De toda solidão.



Visitem Kbçapoeta
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Poço Fundo - por Marília Abduani

Se o sol nos afaga com a luz,
com o perfume nos fala a flor.
Com as nuvens nos fala o tempo,
com a chuva, nos fala o amor.

Viagem definitiva,
mistério a nos envolver,
no cumprimento da vida
tão linda no alvorecer.

Não sopra mais nenhum vento
na plenitude do mundo.
Fresco abismo de cimento,
a cal desse poço fundo.

Inda há mais um inverno,
inda em mim mais um verão.
Encardido do que é terno,
rangendo essa solidão.


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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dia de Greta Garbo - por Fatinha

Querido Brógui:

Não sei se acontece com todo mundo, mas sei que acontece com muita gente: aquele dia, ou aqueles dias em que a gente tem uma vontade enorme de curtir uma reclusão (ou exclusão mesmo). Sabe como? É não querer nenhuma espécie de interação social, nenhum contato com o mundo e seus habitantes.
“O ser humano é um ser gregário”, já dizia o antropólogo. Verdade inegável, posto que desde os primórdios os hominídeos procuraram juntar-se e com isso garantir a sobrevivência da espécie.
Sou normal, sou humana: gosto de falar (ando até numa fase exageradamente falastrona), gosto de ouvir, mas hoje acordei com o meu lado eremita em flor.
Acordei um tanto quanto quebrada. Fisicamente, quero dizer. Essa batida que venho vivendo há algumas semanas, de ficar cuidado de um pequeno e nada pesado rotweiller, já vem trazendo suas consequências.
Acordei também um tanto quebrada emocionalmente. Tenho sido muito demandada ultimamente, coisa normal para uma pessoa normal que assuma responsabilidades.
Divagação nº 1: Há quem desenvolva uma capacidade (para mim estranha) de “andar” para qualquer assunto que não lhe diga respeito diretamente. E com o passar do tempo, a gama de assuntos que não lhe dizem respeito diretamente aumenta em proporções geométricas, a ponto de quase nada ser considerado de seu interesse ou da sua conta. Obviamente, aquilo que não é de sua conta certamente há de ser da conta de alguém. Conclusão: na medida em que alguém retira de si comprometimentos, alguém os toma para si, gerando uma distribuição injusta de aporrinhações. Obviamente também é que, o omisso, como bom omisso que é, também “anda” para a distribuição injusta de aporrinhações, porque afinal de contas, isso não é de sua conta.
Então, voltando à vaca fria, já acordei hoje meio cansada e fiquei muito feliz em ver que apenas eu estava de pé. Fiz meu cafezinho, comi minha torradinha, li uns trechos da Veja (só pedacinhos, pra não cansar muito a cabeça), tudo no maior silêncio para poder curtir esse delicioso momento solitário, fazê-lo estender-se o mais possível.
São mais ou menos dez horas da manhã e eu ainda não precisei falar com ninguém, nem ouvir, nem sorrir, nem trocar o curativo da Ala, nem decidir o que vamos almoçar, nadinha. Estou só, maravilhosamente só no meu cafofinho. Como não posso me transportar para uma dimensão paralela, nem congelar todo o mundo, vou ficar aqui, em silêncio, escondidinha, com a esperança (vã) de que hoje, pelo menos por hoje, esqueçam que eu existo.



Visitem Fatinha
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Solidão - por Ana

Sou um planeta errante neste universo sem fim. Sob atração de uma força maior que eu (por uma destas leis insondáveis que regem nossas jornadas), vim parar num céu de parcas estrelas que me olham com estranheza ameaçadora, mantendo um distanciamento de desprezo mal contido.
Ao longe, percebo um asteróide desgovernado que, por vezes, se aproxima, imantado por esta mesma força que me trouxe até aqui. Há momentos em que sua trajetória é tão próxima que me preparo para a iminente colisão.
O que pode ser, além de existir, um planeta suspenso entre o nada e o absurdo? Que vida visível pode permitir em si, posto que flutua só e mal visto? Seu despautério e perseverança é manter suas constantes criações enclausuradas em suas entranhas, para sua própria alegria e satisfação, tentando, inutilmente, ignorar a escuridão mórbida que o cerca, enquanto aguarda o momento em que, por inconformação, implodirá, assombrando os céus com os fantásticos tesouros que pacientemente forja em segredo, ocultos de olhos áridos que não os merecem ver.
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domingo, 6 de setembro de 2009

Solidão a Dois - por Duanny

Um único copo vazio em cima da mesa, um único prato sujo, um único som.
Você chegou tão de repente, esbanjado charme e me fazendo falar alto, me fazendo sorrir mais uma vez. Sujamos alguns pratos e outros copos, ouvia o som da sua voz que me ensurdecia, te olhava em estado hipnótico e falava com você em silêncio.
Não demorou muito tempo até meu castelo de porcelana desmoronar, minha atenção se desviar e você me faz falar nitidamente baixo, em uma noite quente e comprometedora.
Gostaria de naquele momento ter dito tudo o que não foi pronunciado, ver além do que não é visto, te fazer me amar cegamente.
Mesmo sentindo o toque das suas mãos, mesmo ouvindo você dizer elogios sedutores, mesmo vendo você se revirar todo, eu continuava ali, parada, estática, com os olhos vidrados, como se a morte estivesse preste a me beijar, como se meu tempo com você fosse se esgotar, como se você fosse o mais belo quadro. Mas somente um quadro.
Deitei-me ao seu lado, podia sentir dali mesmo seu perfume, sua pele, suas palavras impronunciáveis, seus segredos mais obscuros, suas manias mais perversas, suas vontades incontidas. Mas eu continuava ali, louca por atenção, sedenta por carinhos, faminta por paixão, e extremamente sozinha.



Visitem Duanny
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domingo, 14 de junho de 2009

Solidão - por Ana

Solidão da falta?
Aquele vazio dentro de você que te define, te envolve, te massacra?
Aquela dor com a qual você luta segundo a segundo, imerso num desespero cego?
Aquela revolta de não ser mais dono de seus dias e noites sofridos, de seus pensamentos agora insistentemente fixos?
Aquele debater convulso e irracional na areia movediça da paixão?
Aquele peso de infindáveis lágrimas que não te deixa caminhar e te apavora?
Aquilo que te arranca de você completamente e te leva à “Inanição”?
Não dá pra rever nada, pensar nada, concluir nada...
Só depois que todo o esforço se transforma em cansaço, em desistência...
depois que o corpo e a mente capitulam por absoluta falta de energia...
que tudo se acalma pelo poder hegemônico da tristeza...
é que então se consegue olhar de novo o que está à volta, retornar ao mundo real, às exigências, aos compromissos e sentir que existe um você para além do vazio, da dor, da revolta, das lágrimas, da inanição.
Daí, então, talvez possa lembrar que possui vida, conceitos e valores próprios, além de expectativas frustradas.
E faz isso lambendo os próprios difíceis machucados, enquanto gane baixinho... e só.



Resposta a “Solidão”, de Gio.
Referência a “Inanição”, de Leo Santos.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Solidão - por Gio

Solidão machuca. É um tempo bom pra rever nossa vida, nossos conceitos, nossos valores e o que esperamos de alguém. Mas nunca é fácil...



Resposta a “Inanição”, de Leo Santos.
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domingo, 31 de maio de 2009

Estou me Sentindo Só... - por Manhosa

Estou me sentindo só...
O meu mundo esta demais silencioso...
Não consigo conversar nem com meu coração...
Ele também não quer falar comigo...
É noite escura... nem estrelas...
Tenho medo de mim...
O vento faz barulho... sopra forte
Sem controle... minhas lágrimas rolam
Não quero mais me iludir...
Vou parar de perseguir sonhos...
O dia a dia esta muito pesado...
Estou cansada de lutar...
Meus desejos continuam a me perseguir...
Tenho que deles também me libertar...
Única maneira de eliminar a amargura
Dos restos que ficaram no meu coração...
Não quero mais amar...
Fica quieto coração...
Até agora só soubeste me cobrar...
Sempre fui culpada por seres rejeitado...
Vamos nos unir... ficar quietinhos... escondidos da dor...
Se um dia... nossas feridas cicatrizarem...
E se... ainda tivermos tempo...
Quem sabe... poderemos até ensaiar um recomeçar...
Voltar a sorrir de mansinho...
Vamos ter que ser quer muito amigos...
Teremos que ser muito unidos...
Nunca mais... nunca mais mesmo...
Vou te entregar... Meu Coração...



Visitem Manhosa
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Canto Solitário - por Gio

Sentindo um aperto ao coração
Pedindo p’ra do peito extravazar
Aos poucos, vai tomando seu lugar
Um tormento chamado solidão

É dor que dilacera sem doer
Vazio que enche o corpo sem demora
E a alma, entorpecida, perde a hora
Vê o pôr do sol até no amanhecer

É ingênuo quem fala em liberdade
Pois se vê que não tem intimidade
Com essa dor e suas sensações

Quem conhece de fato esse pesar
Sabe que a solidão pode virar
A pior e mais cruel das prisões



Visitem Gio
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Crônica das 3 Horas - por Mellon

É curioso comentar um sentimento que muitas pessoas têm em seu íntimo. Muitas vezes estamos em meio a uma multidão e sentimos solidão, sentimos falta de simplesmente uma pessoa.
Tantas pessoas, prédios, carros ao redor e homens e mulheres mal se olham. Sendo que o verdadeiro gosto destes é da voz, do toque e mesmo do olhar. Tantos medos em comum, morte, desprezo e até uma noite vazia assombra os corações sozinhos em meio à multidão.
Muitos crimes e injustiças são cometidos, e o que realmente toca uma pessoa são paixões. O universo é tão infinito e imóvel para ser compreendido desta forma, pois quem faz a realidade individualista do mesmo são os próprios seres humanos.
São três horas da manhã nesse momento. Às vezes as pessoas pensam em recomeçar tudo. Tudo de novo. E aquela conversa que nunca tiveram com alguém, às vezes parece tão necessária. Está silêncio, e não tem ninguém por perto. Apenas o estrondo e a explosão dentro das pessoas, como se um anjo viesse em direção ao chão. Apenas o estrondo e a explosão, como se um anjo batesse no chão.
Quatro minutos passam, e parece ter passado uma década. As pessoas só influenciam umas as outras, elas só machucam um ao outro ainda mais. Onde nós estamos? Hoje a gente apenas ouve dizer de alguém que uma outra pessoa viu em algum lugar no centro da cidade. E na maioria das vezes nem nos lembramos de quem é. Não nos conhecemos mais na rua. Então aqui estamos nós, no mesmo mundo, mas sem notarmos um a presença do outro.

Talvez algum dia as pessoas se perguntem: “Algo não está faltando?”.



Visitem Mellon
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Eu, Te Amo - por Ana

Estou só. Irremediavelmente só. E esta solidão me condensa... as tragédias, a resultante de meus dias até aqui, tudo o que foi - além do inevitável - escolhido ou equivocado.
Não é necessário que me volte para dentro com a intenção de perceber e compreender onde cheguei e como: eu, sendo, evidencio a conclusão inacabada do todo vivido.
Nao é necessário o olhar no espelho ou refletir incessantemente sobre tudo: estou só. E esta condição me traz paz e silêncio, independência de ser, de estar não estando no mundo, isolada de obrigações, quanticamente existindo.
Solta, absoluta, densa imperatriz de meus dias, sigo confiante e mansamente feliz, única em mim, casa vazia, janelas abertas, claridade deslumbrante, portas trancadas, cachorros tranquilos, gestos delicados em pulsos fortes, olhar firme... Suspiro imensamente satisfeita por não mais refletir ou espelhar nada ou ninguém. Apenas eu.
Sou original e cópia, senhora e domínio, epicentro do tao, exato instante do nascer da estrela na sua máxima gravidade e infinita explosão.
E tudo isto só é possível porque estou irremediavelmente só.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Solidão - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Até a solidão precisa de aconchego e carinho. Falar com pessoas, conhecer pessoas, mesmo que pela net, é importante sim, faz um bem à alma e é um alívio para o coração.
E quem sabe se o sonho não vira verdadeiro? Mas às vezes devemos ter cuidado para que o sonho alimentado pela net não se transforme em pesadelo. Mas enquanto vivemos, enquanto estamos vivos estamos tentando.
“TUDO VALE A PENA SE A VIDA NÃO É PEQUENA.”
UM ABRAÇÃO




Resposta a “Carências e Solidão (Divagações Sentimentais)”, de José Ivo.
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Visitem Ana Maria Guimarães Ferreira
Fernando Pessoa

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Carências e Solidão (Divagações Sentimentais) - por José Ivo

Qualquer que seja a situação que temos, casado, separado, viuvo ou solteiro, muita gente sofre de solidão, sózinho ou acompanhado. A solidão acompanhada até é mais dolorosa e dificil de suportar que a isolada.
Alem da solidão, o problema da carência de carinho, ternura e amor, é outra situação muito grave que afecta descontroladamente o funcionamento normal de uma pessoa.
Mesmo que a solidão não exista essa carência muitas vezes está presente, continuando a haver problemas.
Como podemos defender-nos destas lacunas na vida???
Não elimina totalmente o problema, mas consegue-se estabilizar e até minimizar o sofrimento, através de se tomar uma atitude de SONHADOR ACORDADO COM AFECTIVO ROMANTISMO, exteriorizando sentimentos de sonhos, desejos e fantasias, para ilusoriamente alcançar o que se não tem e que se queria ter.
Como o pensamento não tem limites na distancia, percorre qualquer ponto do universo, e alcança quem quer que seja o receptador desses nossos sentimentos românticos e sentimentais que nos faltam.
Presentemente, comunicação virtual na Net, é o veículo mais eficiente para usar dessa estratégia.

PERGUNTA - Haverá sinceridade, honestidade, possivel realidade, na transmissão de sentimentos entre dois seres vivos, virtualmente na Net???

RESPOSTA - SIM!!!

Nos momentos que há comunicação verbal à distancia, mesmo sem contacto pessoal, a escrita, o som e a imagem conseguem transmitir o pensamento desses sentimentos romanticos de um sonhador acordado.
Esses momentos mesmo que sejam breves e limitados, conseguem alimentar a chama da paixão de um amor idealizado e irreal, e fortalecer a esperança que um dia esse sonho seja realizável.
Há sonhos que se materializam, mas só há uma maneira de o sabermos. É TER SONHOS!!!
Mesmo que alguns sonhos não se realizem, só o prazer e o estímulo de sentir bem-estar espiritual mesmo temporáriamente, esses momentos são insubstituíveis e sem outras alternativas.
VAMOS SONHAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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quinta-feira, 19 de março de 2009

Solidão na Metrópole - por Mellon

A cidade se reflete no gramado com as estrelas cadentes, respira o amor há muito esquecido e emana uma dança de sapatos altos numa neve que nunca existiu. As pessoas hoje parecem não se entender. Agora a solidão parece mais forte em cada canto das cidades.
Talvez porque hoje as pessoas tenham medo ou esquecem mesmo de pedir desculpas. Elas têm medo de pegar no telefone e dizer algumas palavras de conforto para um familiar que mora longe.
As pessoas não se surpreendem mais com a violência ou com a falta de cuidado. O que eu posso fazer? Tudo parece fazer sentido e de repente as pessoas levaram embora tudo aquilo que elas mesmas precisam. A cidade não pode ser mais solitária do que já é, eu espero. É uma pena que o ser humano não possa recomeçar... ou pode? Talvez não esteja acabado. Porque uma parte da cidade e da vida comunitária está morta e no chão. A correria diária está matando o que a gente antes podia chamar de sociedade. Quem somos nós? A individualidade do ser humano está suportando tudo que pode suportar e não pode esperar mais. Nós perdemos tanto tempo e isso não pode nos derrubar. Vamos pensar que essa solidão seja apenas um mal entendido. Estamos presos em nós mesmos. Eu acredito que nada vai mudar o mundo, nada. Mas as pessoas podem mudar, sem afundar na noite, permanecendo sozinhas embaixo do céu. Eu sinto o frio gelado no rosto e observo as horas passarem. As pessoas hoje dormem em uma cama segura, enroladas e protegidas.
Protegendo a visão, sob um teto seguro, um abismo em suas casas, inconscientes das mudanças da noite. À noite é possível ouvir a escuridão respirar, sentir o desespero quieto como uma entidade viva, ouvir o silêncio. Alguém tem que estar lá. Alguém deve estar lá. As pessoas sentem falta umas das outras. Talvez elas consigam se encontrar, sob um céu vermelho sangue.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Solidão

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mulher - por Vicenzo Raphaello

Nasceu infeliz
bonita mulher

Teve
na época errada
uma filha bastarda

Mais tarde
dois filhos gerados
com homem apaixonado

Família se fez
o tempo passa
a beleza o tempo consome
em outras mulheres
se consola o homem

A mulher se desgasta
com a filha bastarda
com a mãe agregada
família esgarçada

Alcoólatra
escreve
escreve

Doença implacável
mutilada
pulmão corroído
perfurado
o ar não lhe alcança

Reencontra na dor
por breve tempo
o homem que um dia
seu amigo foi

Breve tempo
o homem se vai

Resta a mulher
no quarto azul
do triste hospital
sua última morada

Com a filha bastarda
filhos ausentes
morre
deixando tristes imagens
em tristes escritos
da vida sofrida.
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