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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Espera - por Ana

Eu te toco trêmula, incerta e amedrontada.
Sem permissão, ousei.
Recuei o tempo, busquei atalho.

Deparei-me com um fruto mal formado, incompleto,
desejando sementes.
Não sei se existem, se um dia existirão.

Não colho, esse fruto:
percebo o aroma prometido, acaricio o contorno inacabado,
esticando o corpo para tocá-lo.

Gostaria de aguardar tranqüila, sob a sombra fresca, o amadurecer.
Mas desconheço seu tempo e sei do meu.
Amadurecerei também, pela força dos dias;
envelhecerei em espera;
morrerei talvez sem alcançá-lo pleno.

Por isso não consigo afastar os olhos de minha alma desse fruto,
acreditando que o calor de meu carinho possa trazê-lo até mim
em um verão mais próximo do que aquele que não consigo imaginar.
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domingo, 22 de setembro de 2013

Tempo de Esperar - por Alba Vieira

Tormento de uma espera infindável...
Ruminação, na mente, de inesgotáveis pensamentos.
Atalho que mais parece acréscimo no itinerário.
Norte não existe, é melhor soltar-se ao vento.
Sina triste que acompanha as mudanças.
Irritação por já não ser mais e ainda não ser o novo.
Cata-vento que só gira e na velocidade que deve ter,
Anunciando um outro tempo que ainda não chegou.
O melhor é relaxar, deixar acontecer. É doce a espera para quem confiou...



Visitem Alba Vieira
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

As Nossas Palavras XXVI - por Kbçapoeta

Outra vez o nada!
Chama que acende
Toda vez que a luz
Se perde.
Luz do sol apagada
Como a última vela da procissão
Esperar, esperar, esperar...



Visitem Kbçapoeta
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Espera - por Alba Vieira

Estou à deriva. Pensamentos invadem a minha mente e não se fixam. Não há obsessão que, pelo menos, direciona. Há um céu escuro e o mar bravio que joga a embarcação para onde quer. Não há bússola, não há farol, somente imensidão e vazio.
Quero ficar quieta, como quando temos medo de altura e ao atravessarmos uma ponte e nos darmos conta da altitude, nos abaixamos de cócoras no meio do seu trajeto e não há quem consiga nos arrastar dali. O encolhimento e a inércia parecem nos colocar a salvo. Mas, na verdade, é a morte prematura não experienciar o perigo.
Sei o que vem a caminho. Sei o que terei de enfrentar e a angústia da espera faz o fantasma ainda mais aterrorizante. Queria poder abreviar os dias e transpor essa dificuldade que toma grandes proporções por causa da expectativa.
Enquanto aguardo, parece que não consigo fazer nada direito. Os dias parecem nublados, o sol não consegue penetrar na minha alma, nem vem a chuva incessante para lavar de pranto as minhas dores e saudade. Estou alheia à vida. E afasto de minha mente o meu objeto de saudade. É como se relutasse em aceitar a dor da perda definitiva, pois que ultrapassado o tempo do luto, instala-se a ausência definitiva onde as lembranças rareiam e é como se a pessoa amada não mais nos acompanhasse no cotidiano, mesmo em recordação. É isso o que temo, é o que rejeito em aceitar e é o que será marcado com a exumação do corpo de minha mãe, quando se completar o terceiro ano de sua morte. Então terei que olhar para os seus ossos, os restos dos cabelos (que tantas vezes eu penteei e afaguei ao longo da minha vida), a ausência de carne, o reencontro com os despojos e também com a bonequinha que levou nas mãos quando partiu para a eternidade e que tem um significado simbólico tão importante para a família.
E ao olhar a morte de perto, o fim, bem diferente da simples saída do sopro do corpo que cedeu à doença, será impossível deixar de aceitar que ela se foi definitivamente como o ego que me acompanhou nessa vida e que tanto amei e agora é, paradoxalmente, só um espírito.
E assim, para quem a ama, sobreviverá como consciência apenas e lembranças.



Visitem Alba Vieira
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta de Amor - por Mellon

Cair de costas na cama depois de passar o dia todo fora, trabalhando. Coca-cola numa praça de alimentação num dia à tarde. O cheiro do meu perfume em dias muito, muito quentes. Você encostando a boca na minha mão de leve, como se fosse dar um beijo. Robert Smith dizendo “inspire me the desire in me to never go home”. Falar com o Leite. Lembrar do sorriso do meu pai, sentado na poltrona enquanto me olhava brincando. Minha caixa de e-mails vazia. Livros novos. Livros antigos. Meu tênis sem cadarço. O sol batendo no rosto. A chuva batendo no rosto. Suco de maracujá. Ouvir um cd antigo, mesmo que seja Legião ou Paralamas. Cantar no banho. Um abraço de quem sabe abraçar. Trem apertado e eu sem conseguir controlar o riso, sozinha. Uma estrada vazia num dia azul como esse. Sair de casa sem rumo. Thom Yorke cantando. O computador travado. Crise. Crise. Quando você acorda e sente que não vai conseguir levantar.

O olhar que eu te dei quando você soube que eu poderia ser. Nós somos acidentes, esperando. Esperando acontecer.



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sábado, 29 de agosto de 2009

Fico a Te Esperar - por Poty

Fico a te esperar
Entre olhares
Mil...
O tempo passa
E você
Não vem.

O que faço
Sem você?!

Espero
Ou
Parto pra outra?

A resposta

O tempo dirá!

Não sou
De
Esperar,
Mas
Não quero
Deixar você!

Naquele
Instante,
Fico
Com outra,
Mas
Não deixo
De
Pensar
No
Esperar
Em você.

Não faça
Mais isto,
Não
Sou
De ferro...
Sou
Tentação,
Paixão
Sem
Razão.

Quero
Amar
Você,
Se não vem,
Amo outro alguém.



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domingo, 23 de agosto de 2009

Espera - por Ana

Hoje acordei meio sem jeito, meio desvinculada desta vida, meio desencaixada. Não estava com sono, nem ainda na terra dos sonhos, mas não estava totalmente por aqui. É como se meu espírito não tivesse voltado ainda de suas andanças noturnas.
Então me sento diante deste céu negro e começo a ver surgindo a primeira estrela cadente. Talvez isso acenda uma luz que diga à minha alma: Já é dia!
Enquanto isso permaneço pela metade (ou melhor, sem a maior parte), aguardando sua decisão de voltar a mim.
Como chegará ela, me pergunto, que humor trará de seus caminhos, que sonhos, que experiências, que sorriso, que melancolia? Só me resta esperar, meio oca, por aquilo que irá me preencher e fazer de mim a pessoa deste dia.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Na Sala de Espera - por Fatinha

Querido Brógui:

Juro que hoje eu não estava preparada psicologicamente. Você sabe que quando eu saio pra encarar algum serviço de corno, já vou cantando um mantra desde o portão de casa. Saio com todo o equipamento de sobrevivência na selva: mp3, livrinho, barrinha de chocolate, uma revistinha de palavras cruzadas e um tercinho. Mas hoje foi demais.
Eu sabia que ir ao médico, nesse país da CPMF, mesmo tendo plano de saúde, é um exercício de resistência física e emocional. Ou você se cura, ou vai logo comer capim pela raiz. O fato de você ter marcado hora é absolutamente irrelevante. Você vai esperar. Rindo pra secretária senão ela lhe sacaneia e diz que seu plano não cobre aquela consulta. Mas hoje foi demais. Minha façanha valia uma linha no Guiness Book. Foram sete horas de agonia.
Primeira parada, cardiologista. Nessa primeira parada, aproximadamente uma hora de espera. Penso que a consulta começa na própria ante-sala entupida de velhinhos. Os velhinhos e eu. O sofazinho é tão baixinho que é preciso fazer um esforço hercúleo para se sentar e outro dobrado para se levantar. Se o velhinho conseguir isso, meio caminho andado. Pra que prova de esforço na esteira? A dificuldade para se pôr de pé é semelhante a dar partida em um carro a álcool, modelo equipado com carburador, num dia de frio. Sabe aquele nhemnhemnhemnhemnhem quando a gente vira a chave na ignição? É igualzinho. Na terceira tentativa, o coitado se põe de pé, pisa no acelerador para permanecer de pé, puxa o afogador pra não deixar o motor morrer e os outros velhinhos aplaudem emocionados. O segundo teste para o coração é o tempo de espera. Se estiver bichado, parada cardíaca garantida ou seu dinheiro de volta. Passou nos dois primeiros testes? Nenhuma sequela? Seu coraçãozinho está bacana, nenhum problema.
Segunda parada, perícia médica, pra abonar as minhas faltas da semana passada. Tempo de espera: três horas. Nessa parada só não surtei e quebrei tudo porque encontrei a amiga de uma amiga e ficamos conversando. Graças a Deus ela é uma pessoa muito legal, senão eu teria dado um soco na cara dela, depois quebrado as cadeiras da sala na cabeça dos funcionários, depois metralhado os médicos. Nesse exato momento, ao invés de estar aqui escrevendo, estaria trajando uma camisa de força e babando como uma samambaia de plástico. O lado bom é que além de conseguir o abono das minhas faltas teria conseguido um afastamento bem longo pela psiquiatria, quiçá uma aposentadoria por invalidez com proventos integrais.
Terceira parada, ginecologista: três horas de espera. Como a essa altura do campeonato meu estômago já havia entrado em autofagia, devorei todo o pote de balinhas da ante-sala do inferno. A secretária estava tentando descolar uns convites para o baile do CRM. Fiquei três horas ouvindo o telefone, que estava no viva-voz, fazer: tu–tu–tu. Ocupado. Três horas ouvindo o barulhinho da discagem e depois o tu–tu–tu. Nessa última parada quase me descontrolei, mas depois lembrei que a médica vai estar dentro de poucos dias apontando seu bisturi para minha barriga e que eu estarei dormindo, indefesa. Vai que ela resolve se vingar largando um tufo de gaze dentro do meu abdômen? Ou um telefone? Ou um saquinho de balas?
Ok, sobrevivi, resolvi tudo direitinho, cheguei em casa, tomei um banho com caco de telha, comi duas empadinhas, dois croissants, uma fatia de bolo, três mini-risoles, um brigadeiro, fiz uma prece ao deus do colesterol e fui dormir.



Visitem Fatinha
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aflição - por Ana

É tarde em meu quintal. O sol queima as roseiras secas que desesperam por chuvas. Dia imóvel, claridade insuportável. Quero frescor, água gelada, inverno antes do tempo. Quero um banho simples que me retire o sol dos poros, filetes d’água que relembrem mobilidade, gotas discretas na penumbra solitária do banheiro. Quero me jogar em algum canto escuro e cochilar os pensamentos insistentes; deixar o tempo passar sem minha presença para que eu possa viver num futuro perfeito. Quero a noite e a manhã amenas e amigas, mais próximas dos dias frios. Não quero queimar, desesperar, conviver com o insuportável sem poder me mover. Quero mudanças, acertos, meu mundo de novo, organizado como sempre foi. Há uma promessa distante, quando ele voltará e estará tudo no lugar. Mas seu retorno só no inverno... Até lá terei que ruminar esta necessidade dependente... da maldita escada para retirar estas infames rabiolas do coqueiro!



Inspirado em Rabiolas, de Raquel Aiuendi.
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sábado, 23 de maio de 2009

Clarice Lispector, Apesar de - Citada por Penélope Charmosa

...uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
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sábado, 18 de abril de 2009

Meditando para que Serve um Plano de Saúde, na Sala de Espera de um Consultório Médico - por Adir Vieira

Um grande e comprido corredor nos levava à sala de espera.
Era uma sala retangular e nas paredes entrecortadas pelas portas de cinco especialidades – ginecologia, cardiologia, clínica médica, oftalmologia e endocrinologia – duas fileiras de cadeiras de couro sintético preto, conjuntas em oito, dispunham-se de frente umas para as outras, o que, de certa forma, obrigava os pacientes que aguardavam os médicos a se olharem, mesmo sem querer.
Um revisteiro contendo mais folhetos informativos do que, propriamente, revistas, visava entreter os que ali estavam aguardando o chamado, mas de tão velhas, sujas e rasgadas, as poucas revistas, de tanto serem manuseadas, mostravam-se desagradáveis ao toque.
Um decalque grande, fixado acima do revisteiro, mostrava um celular e solicitava o seu desligamento no local.
Devido às poucas cadeiras, mais da metade dos pacientes aguardava de pé, como nós.
De quando em vez, ouvia-se a troca de pernas de alguns que procuravam, naquele desconforto, uma forma melhor de posição.
Todos que ali estavam pareciam preocupados e na expectativa da consulta e era difícil distinguir os pacientes para cada sala, embora a diversidade dos consultórios pudesse ajudar nessa adivinhação.
Apenas um dos médicos se utilizava da ajuda da enfermagem para anunciar os pacientes. Considerando que a sala dos enfermeiros ficava em outro corredor, após a saída do paciente atendido tínhamos que aguardar a vinda da enfermeira que anunciava um novo paciente. Isto sem dúvida gerava uma morosidade e impedia a desocupação das cadeiras de forma mais rápida.
Pelas conversas quase em sussurro notava-se que a maioria tinha marcado seus horários, o que não justificava tantas pessoas esperando há tanto tempo.
Se em algumas salas as consultas eram menos demoradas, não ultrapassando mais do que quinze minutos, o consultório da endocrinologia não fazia chamados senão de hora em hora. Estávamos ali há pelo menos duas horas e meia, já havíamos sido atendidos na cardiologia, sendo o próximo passo a endocrinologia. Faltavam ainda quatro pacientes para essa especialidade, segundo nossa dedução, e estimamos pelo menos, mais três horas ali, de pé.
A faixa etária que ali aguardava regulava entre 65 e 80 anos. Várias eram as bengalas de apoio entre as cadeiras e ouvia-se o ressonar de alguns já há algum tempo, o que fazia com que os chamados fossem repetidos por várias vezes. Apesar disso, incapazes fisicamente ou não, ali estavam sozinhos, o que estranhamos sobremaneira.
Nessa altura, ansiávamos por uma cadeira vazia e torcíamos para que as portas se abrissem, devolvendo à rua pacientes já atendidos.
De repente, dois lugares vagaram e quando num salto só corríamos para elas, uma das portas se abriu e um menino de quatorze anos, acompanhante de sua tia-avó, clamou pelos lugares, visto que a senhora tinha sido medicada e ali deveria aguardar o efeito do remédio, sob a proteção do garoto que lhe segurava as mãos, acalmando-a todo o tempo.
Continuamos ali, de pé, por mais meia hora, até que fôssemos chamados.
E aí perguntamos – adianta hoje, nesse país, termos planos de saúde e consultas devidamente marcadas?



Visitem Adir Vieira
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domingo, 12 de abril de 2009

Espera - por Vicenzo Raphaello

Num tranco a ninja me acertou.
Em seguida a desalmada samurai
minha cabeça cortou.
Perdido sem eira nem beira
Numa caverna agora estou.
Sangrando entre estalactites e
estalagmites,
Esperando uma nova cabeça ganhar
Para novos trancos levar.
E poder aí dizer que bonita ficou esta história.



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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Espera

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em comentários, que nós postaremos.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Wanderley Mendes Gomes em “Meia Lua” - Citado por Elyana Cordeiro

Meia Lua é a fase,
meia noite é a hora,
meio tarde é o momento,
meio triste estou agora.
Meio só, você não veio,
meio morto agora estou,
meio desgosto que me abate,
meia fé… você ligou!!!
Meio crente de sua chegada,
meio lento o tempo a passar,
meio sono estou ficando,
meio olho a te esperar.
Meio Sol já tá surgindo,
meio dia já chegou,
meia vida te esperando,
para declamar-te meu amor.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Sonhador - por Vicenzo Raphaello

Parado ficava
na porta da casa
esperando por ela
que sempre passava

De tanto esperar
Ela o olhou
com sorriso nos olhos

Uma promessa

Na porta da casa
esperando por ela
o sonho acabou

Passando num carro
de véu e grinalda
olhando pra ele
com sorriso nos olhos
a promessa se foi
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tesouro da Infância - por Ana

Meu coração está órfão. De amor compartilhado.
Uma menininha tranqüila, cabelos compridos, bem penteados, saia pregueada impecável, blusa perfeitamente costurada para ela, sapatos limpos que cobrem meias três quartos muito alvas, senta-se de pernas cruzadas, cotovelos sobre os joelhos, mãos entrelaçadas que apóiam o queixo, cabeça baixa olhando o chão, acompanhando a sombra que se move diante e após si, ponteiro exato dos dias que se escoam, aguardando, neste lugar isolado, seguro, agora na penumbra, o retorno que virá em breve.
Então, enquanto se levanta para receber sua companhia, que inunda de claridade tudo à volta ao abrir a porta, modifica-se lentamente e, já de pé, é uma mulher que abraça e recebe de volta, feliz.


Inspirado na pintura Tesouro da Infância, de Alba Vieira.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Espera - por Raquel Aiuendi

Ficar quieta esperando...
É escuro esperar sempre
É conflitiva a espera eterna
Queria encontrar em alguém
A alegria, a confiança
E a lágrima, a sensibilidade
Queria não querer tanto
Busco pensar e realizar
É tão difícil
Vou parar um pouco pra ver se encontro um porto
Onde eu possa sentar
Admirar a paisagem
Onde eu possa pescar
E assar minha comida
Onde os convivas
Possam comigo desfrutar
Dos frutos do mar, da terra
E também do ar.

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Espera - por Alba Vieira

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Um dia meu sol irá brilhar, vou emergir de dentro de mim, rasgando meu peito talvez em dor. Sei que vou chorar, mas será igual ao choro de nascer, a primeira vez que vou respirar o meu ar. Será lindo, já sinto meus olhos úmidos desse momento. Tenho comigo, às vezes, a sensação de liberdade da borboleta deixando o casulo, voando, percebendo a beleza das flores, sentindo de cada uma o perfume, extasiada por tantas impressões aos sentidos. Agora, quando quiser, posso ter comigo esta sensação, exercitando esta expansão de consciência. Um dia ela estará totalmente alargada, meus canais abertos, integrada naquilo que sou realmente. Por enquanto, continuo alçando meus vôos tímidos.
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