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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Onde fui amarrar meu bode... - por Márcio Matos e Leo Santos

Rabo de saia, de saia curta que vento rodopiou
Me chamou de amigo no rodopio,
E a inocência acreditou
Inocência??? Ei, psiu!
Então porque desejou?

O aroma contido na doce brisa
Mais doce ao desejo se fez
Perfume apimentado que queima, escraviza
Fazendo o bronco posar de Cortez

Olhares que se cruzam, mútuo desejo
Fez-se a confluência dos caminhos
Promessas de carícias e beijos,
Levaram à pressa de estarmos sozinhos.

Chegados então à zona da mata
Se desfez a ilusão do incauto
Sonhou com Vênus, acordou em Marte
Findou a promessa do banquete lauto

Como Hermes se travestiu de Afrodite?
Em fêmea beleza, como pode?
E eu Acreditei. Acredite!
Onde fui amarrar meu bode!!!

.

Não sei por onde começar... - por Márcio Matos e Leo Santos

Não sei por onde começar,
dilema que meu ser atinge
Édipo sem a coroa,
perplexo ante a esfinge.

A sombra da lua
que cobriu o destino
com seu manto
desnudando possibilidades

qual a sombra da dúvida
no olhar do menino
que em meio a mentira
procura verdades.

Agora acho que sei,
a mentira já não mais atrai
sobra por onde não começar
por caminhos que afastam do Pai.

Por eliminação busco o rumo
nego-me a ser onda que a rocha desfaz
darei pra minha parede um prumo
num leito para as águas da paz.

Não sei por onde começar
mas nem sempre a dúvida atrapalha
manterei os pés no mesmo lugar
sem Deus, não moverei uma palha.

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