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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ser Mãe - por Maria Carolina Nogueira Cobra Vitali

Você me tornou Mãe!
Palavra tão doce, quando de sua boca sai.

Você me tornou alguém melhor!
Sou mais completa graças a você.

Você me tornou sensível!
Hoje me sinto mãe de todas as crianças do Universo.

Você me tornou atenta!
Vejo cada criança que existe dentro de cada ser humano.

Você me tornou mais feliz!
Seu sorriso e seu aprendizado me encantam a cada dia!

Você me tornou desprendida!
Sei que você não é meu.
Você é o maior e melhor empréstimo de Deus para mim.

Filho, que a vida permita que eu sempre esteja à altura
Dessa magnífica missão que é ser SUA mãe!

Teamobezotchau!!!!
.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Silêncio - por Maria Carolina Nogueira Cobra Vitali

No meu silêncio,
Te digo tudo o que tenho vontade.

No meu falar,
Debocho de verdades mudas.

Adoro ouvir você falar,
Mas o que cala a tua voz,
Eu sei e me dói.
.

Cuida de Mim - por Maria Carolina Nogueira Cobra Vitali

Um segredo guardado…
Um desejo calado;
Um anseio disfarçado!

Cuida! Cuida de mim…
Que minha alma está cansada.

Cuida! Cuida de mim…
Que não encontro forças para cuidar.

A pele arde,
Os músculos estão retraídos…
Os olhos arregalados…
Pés colados ao chão.

Uma tremenda dificuldade de gritar.
Berrar esse grito guardado, segredado.

Dói.
Uma dor antiga, latente.
Sempre emudecida
Por não achar-se no direito
De doer.

Cuida! Cuida de mim…
Que cansei de lutar.

Cuida! Cuida de mim…
Que cansei de cuidar.

Perdi meu lugar… antigo, velho.
Mas não sei qual é meu lugar agora.

Cuida! Cuida de mim…
Que estou perdida.

Cuida! Cuida de mim…
Que preciso retornar.
.

Solidão - por Maria Carolina Nogueira Cobra Vitali

Preciso de um colo de puta
Que não questione,
Que não fale.

Preciso de um colo de puta
Que afague
Que cuide
Que saiba sem dizer.

Preciso de um colo de puta
Da mulher sem pudor
Que não se finge
Que sofre
Que mostra,

Toda dor;
Todo amor,
Da mãe que sente
Que acalenta
Que consome
Que é Continente.

Preciso de um colo de puta
Que sabe,
Só ela sabe,
Ser mulher
Por inteiro.

E carrega
No seio
O dom de ser.
.

Comendo Camisetas - por Maria Carolina Nogueira Cobra Vitali

Foi mais ou menos assim…

A família vivia um momento, digamos, de aperto financeiro.
O casal procurava sempre deixar o pequeno, de 5 anos, a par da situação. Claro que dentro de uma linguagem que ele pudesse compreender.
Mas talvez, papai e mamãe não percebessem o quanto ele estava “ligado”!!!!
Então, deu-se o episódio…
As camisetas do uniforme escolar estavam em petição de miséria. Terra vermelha, restos de lanche deliciosamente escorridos, sujeira do “playground” etc.
O vovô ensinou:
- Passe sabão em pedra azul!!! Vai clarear o tecido.
A vovó disparou:
- Ferva as camisetas!!! Elas ficarão clarinhas, clarinhas.
Assim, a mamãe atacou as camisetas, esfregou-as com afinco e tchummm, panela a dentro!
O Pequeno olhou, olhou… Estava absolutamente desconfiado daquela façanha. E largou:
- Mamãe, eu sabia que a situação estava difícil… mas não sabia que era tanto!!!!
- Como assim? – disse a mamãe.
- EU NÃO QUERO COMER CAMISETAS!!!
A mãe olhou-o sem poder compreender aquela observação.
- Filho do que você está falando?
- Mãe, você está COZINHANDO minhas camisetas!!!!! Eu não quero comer camisetas.
A mamãe não agüentou aquilo e entre risos e lágrimas compreendeu a preocupação da criança.
Não bastasse o que já havia concluído, ele diz:
- Mãe, eu tenho R$ 20,00 na minha carteira. Pode pegar e ir ao supermercado…
A mamãe deu um enorme abraço no filhote e agradecendo explicou que a situação já não estava tão difícil. E ele, claro, compreendeu e riu muito. E eles partiram para o supermercado.

E essa foi apenas mais uma história eternizada por aquela família tão apaixonada.
.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Decisão de Vida - por Maria Carolina Nogueira Cobra Vitali

Estava andando na praia, com o pensamento a voar, a tristeza me rondava. Parecia que o mundo queria me devorar.
Quando, sem querer, encontrei seu olhar tão perdido quanto o meu, tão sem rumo que quem chega perto sente a solidão e a dor.
O reflexo na água parece uma nuvem branca e cinza, como se nossa alma se encontrasse num equilíbrio pleno da ansiedade e da calma.
Junto percebemos que somos um só, que o mundo na verdade está sendo devorado pela gente. Com o pensamento a voar, buscamos o equilíbrio. Mas como chegar ao equilíbrio se, verdade dentro de nós, só falta ele para nos tornarmos realmente realizados.
Nisso, percebemos que formamos uma grande confusão de ventos e sentimentos, e tudo parece tão fora de ordem que o desespero começa.
Até a hora em que você grita e me desespero, para uma realidade de uma vida humana na qual não estava sabendo conviver.
A realidade não nos torna menos ou mais. A realidade apenas nos mostra que podemos ter visões diferentes do mundo e dos verdadeiros sentimentos.
Num piscar de olhos acordo, deitada numa rede, numa praia isolada de todos e fiquei pensando com quem estava conversando.
Consigo escutar uma voz que me diz para nunca pensar que sou menos e que não tenho força para aguentar os trancos e barrancos. Será que era meu grande amor, será que era meu anjo? Não sei dizer.
Me levanto e vou em direção ao mar; me vejo novamente me encontrando com tua alma, mas agora a água está turva como se o tempo estivesse se fechando para uma grande chuva.
Ando. Procuro me encontrar. Teu reflexo não aparece. Por que você não está aqui?
Você me completa e eu te completo.
Ele surge e me pede para pensar, pois não é quem eu imagino. Ele é alguém que me quer bem, muito bem. E que está tentando me mostrar o mundo, sem ter que me destruir para perceber que tudo pode ser de uma maneira mais bonita e mais simples.
Então caio na real: é realmente meu espírito lutador que não aguenta me ver mais jogada. Me levanta e me diz:
- Agora você sabe o caminho. Vou voltar ao meu lugar. Espero que tenha feito o meu trabalho. Daqui para frente a minha existência depende de você. Só você pode saber se mereço ou não estar assim, tão evidente em seu dia-a-dia.
Fui então para minha casa. Voltei para a minha vida e tudo parecia bem diferente: as pessoas me olhavam e me observavam, como se estivesse evidente em meu olhar que eu estava em uma grande evolução espiritual.
Saí na rua. Fui ao médico decidida a me curar. Queria realmente minha vida de volta.
Enfrentei cada sessão de quimioterapia e renascimento; cada enjôo, cada calafrio, queda de cabelo…
Queria viver.
E venci. Isso foi há, mais ou menos 12 anos.
Hoje sou uma mulher inteira, comum, trabalhadora, mãe, amiga, psicóloga, escritora, filha, irmã etc.
Estou viva e isso é que importa.
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