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terça-feira, 8 de julho de 2014

Agonia - por Ana

Em meu coração de papel,
Desenho origamis sem cor,
Escrevo com tinta invisível,
Aquarelo em triste furor.

Em meu coração de seda,
Alinhavo palavras vazias,
Bordo remotos beijos,
Pesponto antigas carícias.

O meu coração, menestrel,
Serenata o nosso encontro,
Melodia o sentimento,
Dedilha o nosso confronto.

O meu coração, labareda,
Ardeu minha vida inteira,
Aqueceu os nossos dias,
Queimou na sua fogueira.

Meu coração, amassado
Pelas dobras das vestes da vida,
Entoa seu canto de cisne
No calor da despedida.
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Goodbye - por Zuzza

... eu posso tocar o mundo e nele fazer girar sonhos coloridos para um pouco lhe alegrar; eu posso, do teto de um quarto, contar estrelas até o sono chegar; eu posso, da cabeceira de minha cama, tocar a lua e com ela brincar; eu posso fazer, de simples instantes, momentos para sempre serem guardados ao lado esquerdo do peito... mas dentre tudo isso eu não mais posso lhe ter ao meu lado
... eu posso andar por entre estradas antes nunca conhecidas; eu posso ter respostas para perguntas que antes não sabíamos; eu posso conversar com a solidão de meu quarto, posso jogar cartas com a amiga saudade, posso abraçar a amiga tristeza e com sentimentos brincar com o destino por entre madrugas afora... mas não posso mais te ter aqui comigo lado a lado
... eu posso cantarolar, horas e horas sem fim, canções de ninar para o sono chegar; posso brincar como criança, posso me queimar em fogo de amantes, posso colocar o amor em uma simples página em branco, posso do tudo fazer a alma tocar ao coração, posso da lágrima contornar esperanças em um coração cheio de amor para se dar e receber... mas não posso fazer que você para mim volte
... eu posso fazer dias virarem noites e simples noites nunca mais acabarem, posso tocar desejos ao toque de dedos, posso de esperanças ao vento pedir um desejo de natal, posso ir e vir a todo momento, ser o tudo que a vida reserva a alguém, posso de simples instantes fazer mágicas, posso queimar em beijos, naufragar em abraços... mas não posso te ter ao meu lado
... posso conversar com DEUS... mas não posso pedir a Ele que você para mim volte...


Da Página do Diário de Alguém
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Minha Princesa - por Adir Vieira

Acordo mais cedo do que de costume.
Teimo em ficar na cama, mas não consigo.
Sei que é a saudade que vou sentir que, como a me lembrar que vou sofrer, veio me acordar.
Levanto e olho ao redor. Vejo seu ursinho na mesinha de cabeceira e um sorriso surge em meu rosto, misto de alegria e tristeza, quando lembro do ritual que, com ela, fazemos todas as noites. Com as mãos postas, pergunta: - Estão preparados? À nossa afirmação, só então aperta a barriguinha do urso que começa a rezar o Pai Nosso. Todas as noites, com sono ou sem sono, seguimos com grande prazer essa sua vontade de nos fazer participar das suas orações antes de dormir.
Caminhando pela casa, vejo por todos os lados vestígios de sua presença - se abro uma gaveta, encontro desenhos ou anotações suas com aquela letrinha arredondada que, já tão cedo, identifica sua personalidade sensível. No banheiro, o rolo de papel higiênico desenrolado até o chão aponta que por ali ela passou há poucos minutos. Até a posição das cadeiras, na sala, identifica que numa de suas corridas para nos pegar de surpresa esbarrou em uma delas.
Sua garrafinha de água sempre em cima da pia da cozinha, com água filtrada e quente, me faz vê-la, nos seus gestos delicados, com toda a calma dizendo que preciso enchê-la de novo.
Olho três adesivos colados em minha geladeira e sorrio sozinha da minha permissividade com ela. Eu, que cheia de manias de limpeza, não gosto de nada fora dos seus lugares, vou ter que conviver com o Bob Esponja e com a Isa TKM olhando para mim, pois se tirar ela vai dizer, com aquela voz única, que eu não tive consideração com ela.
De repente, vejo um cartaz colado mais acima, escrito por ela mesma, que diz eu amo vocês! Foi colado semana passada, talvez porque, também ela, já sentia saudades antecipadas.
Amanhã vem o reinício das aulas e ela precisa retornar para casa, para sua vidinha.
E eu preciso fazer sua mala e me dar conta de que não esqueci de nada. Preciso também retornar a minha vida, aos meus interesses, ao meu amor, aos meus amigos...
Sei que apesar de todo o trabalho que uma criança requer, parte do meu coração vai com ela e, como sempre, até as próximas férias, nossa saudade vai estar clamando por sua volta.



Visitem Adir Vieira
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Despedida - por Duanny

Cheguei a pensar que essa, sem dúvida, seria a última vez. Me sentei naquela poltrona confortável de couro preto, que entregava a mim todas as suas más intenções, olhei pela janela e pude ver que a noite tinha finalmente domado o dia, que se rebelava querendo me mostrar seus raios de amargura.
Você me fitava o tempo todo, e isso me incomodava. Seu silêncio me envergonhava de tal modo que me deixava inquieta, queria levantar te dar um beijo e dizer “Eu amo você”, mas me diga, de que adiantaria? Você iria continuar com suas más intenções e eu com as minhas ilusões de uma católica virgem, porque era isso mesmo que você queria, e eu sempre soube.
Eu me revirava, me contorcia, gritava por dentro enquanto observava seus olhos caçadores, procurando dentro de mim aquela presa que você deixou fugir, aquela presa que um dia você pensou estar morta.
Daria qualquer coisa para gritar, para afastar você de mim em uma tentativa inútil de acabar com aqueles olhares. Por que você não fazia nada além de me olhar? Por que não parava com isso? Era como se estivesse preparando para se imortalizar em minha pele, em meus sentimentos.
Inútil. Ridículo.
Me levantei, pousei delicadamente meus lábios sobre os seus, olhei firme em seus olhos. Você continuava me procurando, investigando cada parte de minha alma em silêncio. Não me importei muito, já estava ficando absorta por essa tortura, deixei um riso escapar pateticamente do canto dos lábios, agora separados dos seus, e disse “Não sou o que você espera, e dou graças a Deus por isso”.
Pela primeira vez você me olhou como alguém, não como objeto, tentou dizer algo, mas já era tarde, já havia malícia suficiente em meu coração para saber que agora tudo seria mais uma perda de tempo.
Fui embora à procura de mais um amor pra poder me fantasiar de coisas que sempre sonhei em ouvir, mas nunca me disseram.



Visitem Duanny
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Despedida - por Cacá


Vai em paz, ó pai dos inquietos
Tu que me absorvestes tantos anos, me absolve agora
que te concedo ao seu José
Um catador que se alimenta de sobras fétidas,
cacos de consumo insensível
Ele que também tem na palavra um prato feito
enquanto espera quem lhe compre sucata
colhidas nas manhãs que independem de meteorologia
para levar arroz feijão e letras aos filhos
na idade das bolsas de comer e estudar.
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(Meu aurélio que me acompanhava desde 1986 e agora se tornou irrecuperável.)
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Visitem Cacá
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Refazendo (Final) - por Duanny

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Acordei como se tivesse sido atropelada, na verdade eu queria mesmo era ter sido atropelada e ter sido levada pra longe de você, onde seus olhos não iriam poder mais me arruinar ou me humilhar como fizeram da última vez.

Mal tive tempo de constatar que estava mesmo viva quando meus olhos se encontraram com os seus. Você estava na cama, me olhando em tom de desaprovação, como se eu fosse uma estranha invadindo seu apartamento, eu ainda estava naquela poltrona de vinil, em que eu tanto tinha chorado. Sem cerimônias me levantei, me sentindo envergonhada por toda aquela situação, queria te pedir desculpas e dizer que eu faria o que fosse pra ter você comigo outra vez, mas aqueles olhos me maltratavam, chegavam a ser cruéis.

Sem palavras ou gestos, peguei minha mala e saí daquele apartamento, queria que tivesse vindo atrás de mim, me impedido de entrar naquele carro; eu estava descabelada, com olhos inchados e uma tremenda ressaca que não me deixava esquecer de você. Fiquei um tempo na rua esperando você vir até mim e pedir pra ficar, mas você não veio, e aquilo me destruiu por dentro de uma forma que ninguém entenderia, só eu.

Cheguei no meu apartamento e deixei que todos aqueles dias se tornassem noites. Queria deitar e sonhar, me fantasiar e depois acordar e ver que tudo não passou de um engano, mas meu sono não vinha, no lugar dele vinha você, me enlouquecendo, me obrigando a me humilhar pedindo seu perdão. Sim, me humilhei diversas vezes, ligava todos os dias querendo você, mas você nem atendia mais as minhas ligações. Até que uma dessas noites uma mulher atendeu o telefone. Eu não entendia como você poderia ter feito aquilo, desliguei sem ter pronunciado uma palavra sequer e chorei, continuei chorando.

Eu precisava dormir, me desligar dessa realidade. Achei alguns calmantes. Por ansiedade tomei todos, todos aqueles comprimidos pra tentar me desconectar de você, de suas lembranças pelo menos temporariamente, mas parecia que o sono não vinha, não importava quantos comprimidos eu havia tomado, o sono não vinha. Peguei mais uma daquelas bebidas baratas e não deixei nenhuma gota, fiquei lá, embriagada, dopada e abandonada.

Finalmente consegui dormir, mas, para sua infelicidade, nunca mais acordei.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Despedida e Inscrição - por Tércio Sthal

Mensagem pré laje tumular:
Dos amigos de fulano de tal,
Saudades; descanse em paz.

Terra fria, lápide, epitáfio:
Só saudades de fulano de tal,
Dia, mês e ano; aqui jaz.



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sábado, 5 de setembro de 2009

Para Uma Amiga - por Daisy

Teu coração generoso
nos abrigava.
Todas nós.
Teus conselhos pertinentes
nos dirigiam.
Todas nós.
Tuas palavras carinhosas
nos confortavam.
Todas nós.
Tua alegria autêntica
nos contagiava.
Todas nós.
Tua fortaleza constante
nos inspirava.
Todas nós.
Vais fazer muita falta, amiga,
nem imaginas quanta!
Sabemos que estarás enfeitando
tua nova morada,
tão bela flor que és!
Amaryllis.

Adeus,
Daisy




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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pra Terra do Nunca... - por Ana

Puxa!... Agora tô triste...
Triste que nem um gambá
Que usou desodorante
E não pode mais atacar...

Tô leoa desdentada,
Galo velho sem espora,
Dragoa que chupou Halls,
Samurai com catapora...

Depois que sumiu a Aiuendi,
Eu fiquei aqui sozinha
Num ringue vazio, escuro,
Sem ola, sem bandeirinha...

Era legal a implicância,
Fenomenal a torcida,
Rounds maravilhosos,
Telequete, velório, mordida...

Eu queria outro duelo,
Mas vamos ficar no sarau...
Pra mim tá certo, concordo,
Tá bom, ok, não faz mal...

Só quero deixar bem claro
Que naquela terça-feira,
Nada que escrevi foi sério,
Era tudo brincadeira.

Eu não quero te bater,
Só queria duelar...
E quanto à sua ironia,
Cara, eu ri de rolar!...

Te deixei com hematoma?!
Eu nem levantei a mão...
Fiz uns leves comentários...
Nem ameacei pescoção...

Até porque, caro Gio,
Vou te dizer a verdade:
Te ler é sempre um prazer,
Falo com sinceridade.

Também gosto de elogio,
E também MORRO DE VERGONHA!!!
Me escondo que nem tatuí
No fundo da areia... Bisonha...

Mas, Gio, tu é ardiloso:
Em pleno tratado de paz
Me acusa de hipocrisia!
Menino, isso não se faz!

Esta facada doeu!
Acertou bem na barriga!
Se eu não te admirasse
Já seria arqui-inimiga.

Mas como você afirmou
Que agora só fala sério,
Talvez eu deixe pra lá
Este teu vil impropério.

Aqui vou me despedindo,
Dou beijos em meus iguais.
E Samurai parte, saudosa,
Pra Terra do Nunca Mais...



Resposta a Da Terra do Vinho, de Gio..........................................................
Referências: In Vero Míssil, de Ana;.........................................................
duelo A Ninja x A Samurai..........................................................
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terça-feira, 14 de julho de 2009

O Último Adeus - por Fatinha

Querido Brógui:

Nada como voltar à vida para eu recomeçar a falar besteira.
Vou começar pela mais recente, que é a morte da minha caixinha de som. Tô arrasada! Minha caixinha, contando apenas sete anos de uso, foi ao chão. Não, não foi de propósito não. Foi um acidente. Não costumo dirigir minha ira a coisas, prefiro fazê-lo contra os seres humanos, pelo menos eles podem se defender. Ela escorregou de seu pedestal quando eu tentava alcançar o telefone, que também foi ao chão. Esse último sobreviveu. Mais jovem, mais resistente…
Foi praga daquele Um, que cismou que eu tenho que comprar uma mais moderna, mais potente, mais isso e mais aquilo, inclusive mais cara. O cara adora gastar o meu dinheiro, ainda bem que não pede pra comprar nada pra ele, senão eu estava lascada.
Com muita dor no coração e no abdômen, me espremi entre a escrivaninha e a parede para pegar a pobre da caixinha, que jazia morta, de bandinha, fazendo um ruído esquisito (acho que caixas de som têm um jeito todo especial de dar o último suspiro). Fiz o resgate, mas ela não sobreviveu à queda. Seu botãozinho de liga e desliga ficou torto, qual um olho saltando da órbita e quando dei uma sacudida nela, percebi que algo havia quebrado. Danos internos, disse-me Bão.
Fui chorar no ombro do Carlo, que disse, todo sensível: “Joga essa merda fora!”, engrossando o coro do rogador de praga.
Ainda não comprei outra, vou ficar um tempo em silêncio, prestando minha última homenagem à minha companheira de tantos anos, a única parte do meu computador ainda não trocada por uma mais moderna.
É. A vida é assim mesmo: cheia de despedidas, cheia de saudades, cheia de sentimentos tolos por objetos inanimados.




Visitem Fatinha
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quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Sal da Vida - por Leandro M. de Oliveira

Escuta que quero te falar em segredo
Escuta bem, quero falar baixo,
Porque o sussurro é tão mais belo que o grito
E a palavra dita com cuidado mais esmerada.
Ouve e guarda como um selo o que te digo.
Guarda em teu lembrar somente,
Porque o que direi não mudará nada,
Sequer a mim.
Escuta meu silêncio de planície,
Minhas mãos desertas, meu sonho perdido...
Nunca se muda aquilo que não se permitiu mudar.
Escravo caí de joelhos ante a rocha silenciosa
O oráculo hediondo se me afigurou,
E eu me vi moço e eu me vi desesperado.
Tempo tem seu próprio tempo,
E o tempo do tempo foi veloz demais
Para nosso passo vacilante.

Escuta as rugas de minha alma
Elas são vales e rios, montanhas e planícies.
Quero teu amor suicida!
Amor que se mata e torna a viver
E torna a sofrer e a morrer d’enganos.
Porque sob minhas asas
Não houve acomodação à tua dor,
E agora em meus olhos não há espaço
Senão para o teu vulto sorrateiro.

*********

Ignora minhas palavras, o verbo confunde.
Eu falo do que não foi vivido ou do que tenha sido há tanto,
Que não foi possível nenhuma sinapse de lembrança.
Aguarda no silêncio das colinas sombrias,
No oco das cavernas que somos nós.
Quero escavar a terra com os dentes,
Tragar o mar com minha boca e estômago,
Quero estuprar o útero da terra
Pra que eu a veja renascer dele.
Minha memória é uma nau perdida
A navegar oceanos de tempo e espaço.

Minhas velas desfraldadas
Buscam a esmo teu norte,
Minha boca de pasmo e exaustão
Já não sabe dizer o teu nome.

*********

Agora que tudo se perdeu em nós
O mundo soa remoto,
O ar soa espesso.
Se eu fosse um cão
Talvez teria mais afeições com a vida.
Mas sou homem
E dessa deficiência estou fadado.
Minha eterna amiga,
Meu corpo sem vida,
Minha vida sem termo.
Embora o mundo seja desfigurado
Ante o espelho, comigo sempre estás...

Escuta minhas palavras que não querem eco
Além do silêncio de tua ausência.
Escuta como a canção mais elevada
Como a dor de homem que homem não quer ser,
Como um beijo de fúria em teu peito
Resoluto.
Que essas palavras não valem nada,
Que essas palavras valem tudo.
Elas são o sal da língua
A semente da vida nova.



Dedicado à minha grande amiga, dizem que partiu no dia 27 do último mês. Mas como pode estar ausente,
se está dentro de mim? Não sei se posso crer na morte quando ainda existe tanta vida. Penélope,
foi rápido demais... A você os meus carinhos e as minhas alegrias perdidas. Te encontro breve,
te encontro sempre...
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terça-feira, 30 de junho de 2009

Quarto 22 B - por Duanny

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O teto era de madeira, somente madeira; aparentemente dispensaram, mesmo que temporariamente, o uso do verniz. E nesse teto só há uma lâmpada, simples e sozinha, empoeirada e ignorável.

No quarto também havia um único guarda-roupa, mogno, de casal, trancado misteriosamente à chave, deixando minha curiosidade elétrica, capaz de ultrapassar o mogno e vasculhar seu interior em busca de um amante perdido. Aqui há também duas camas, de solteiro, obviamente ignorando a presença de um guarda-roupa para casal e se desfazendo em dois, um de cada lado, em mogno, propriamente dizendo.

Da janela, mediana, de madeira, pintada a verniz, eu vejo a rua, vejo a vida. É assim que ela entra, com o vento, mas o meu ventilador a captura antes que eu possa saboreá-la e a transforma em tédio. A cortina, azul, balança... ora com a vida ora com o tédio, o que faz o sono despencar sobre minhas pupilas e me querer fazer lutar contra tudo isso.

Posso ouvir o portão se abrindo, se fechando, e mesmo que você não esteja aqui, como o sol para iluminar minha vida, consigo sentir o mormaço da sua voz, a temperatura da sua pele, e então começo a soar saudade misturada com rancor e deixo tudo pingando no assoalho de madeira.

A vida lá fora, a que eu consigo ver, continua sem mim, ela se faz sem mim, como se pudessem me trocar por um programa ridículo da TV de domingo, como se a minha presença solitária nesse quarto pudesse ser apagada em segundos, e ninguém se lembrará de mim.

E eu continuo aqui, esparramada e confortavelmente extasiada em uma das camas, observando a vida, sentindo o tédio e o seu mormaço, pingando a saudade, e mesmo que tudo nunca volte ao normal, e mesmo que eu seja apagada de sua vida, continuarei aqui, no quarto, lutando bravamente contra minha própria coragem.



Visitem Duanny
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nem Tudo é o que Parece - por Gio

Eu, que desaprendi a te esperar
Só de saudade não penso viver
Queria com meus versos pelo ar
Dizer o que não posso mais conter

Que agora é tarde para um recomeço
Ainda que passes por essa porta
Te quis... Sofrer eu sei que não mereço
Amo! Mas sei que já não mais importa...

Não é fácil ver algo tão bonito
Se transformar em pó, eu admito
Esqueça: o abandono convenceu

Nunca pensei que fosse ser assim
Te digo: agora é mesmo o nosso fim
Esquecerei de cada passo teu



(Um doce pra quem achar a mensagem escondida no poema hauhauuahaau)
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Indo Embora - por Alba Vieira

Há momentos que são tristes. ‘Eu me sinto presa’. São tantas coisas densas, tantos problemas pequenos que não me permitem voar...
Quero alçar um vôo leve e levar comigo aquele que almeja a liberdade.

Há momentos que são cheios de alegria. Estou solta e leve, para fugir de tantas coisas que me impedem, que me mantém numa caminhada tão medíocre...
Quero correr, pular, sumir deste mundo grotesco, alma livre que sou. Sou presa somente pela emoção, pelos contatos de amor.

Sinto-me amarrada, atolada, cansada e sem ânimo de me libertar. Busco aquilo que sei que posso e não consigo. Não sei andar nesse caminho de pedras quando sei que vim de um lugar onde caminhava sobre as nuvens.
Quero voltar, quero me reencontrar. Vou-me embora. Vou voar. Vou ser. Longe daqui...



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segunda-feira, 2 de março de 2009

As Fases da Separação - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Decidi. Não consigo mais contigo conviver
Mas fico pensando que as coisas
Não estavam tão ruins assim
Apenas não conseguia mais viver
Com você tão perto de mim…

Decidi. Não quero mais te ver
Não quero mais o teu rosto junto ao meu
quando acordo
Tua barba roçando em meu queixo
Teus lábios beijando meus lábios
com gosto de mentira
A sensação estranha e inquieta
de fracasso…
De quem é a culpa? Me pergunto.
Fico pensando nos projetos de vida
que fizemos juntos
e que não deram certo…
Onde errei? Onde erraste?
Por que eu?
Onde errei, meu Deus?

Sinto-me perdida, rejeitada
Sinto-me feia, desinteressada.
Tenho medo de tentar e não saber mais ser feliz
Tenho medo de te ver e te saber infeliz.

Tem dias que acordo assim feliz,
sorridente, alegre, confiante.
Mas tem dias em que meu céu fica nublado
como se vivesse num sobe e desce.
Como se a vida fosse uma montanha russa.
E eu me sinto um judeu errante
a caminhar na mesma estrada,
todos os monótonos dias
E aí vem a vontade cigana
de parar, mudar o rumo,
bater em retirada…

Conheço-te tão bem, tão profundamente
Que me é difícil fazer de ti um estranho
quebrar nossos vínculos me parece tão demente,
unir nossos corpos me dá a certeza de ser tão insana.

Não quero sentir ódio e nem fazer revanche.
Quero pensar em mim, na decisão que tomei.
Nada de brigas, de revoltas, de vingança.
O que passou, passou e eu sei que te amei.
Amei-te homem, amei-te menino, amei-te criança.

Mas cansei e decidi. Quero cair no mundo
Voltar a ser sozinha, buscar de novo a paz
Que você tirou de mim há muito tempo atrás
e que só agora percebo a falta que me faz…

Devagar começo a me acostumar
A ver estrelas sozinha
A ver o mundo de novo cor-de-rosa
A ver a lua inquieta em polvorosa
A me ver faxinando nua, os sentimentos teus.
Velhos e gastos e empurrando para baixo
Do nosso usado e estragado tapete da vida.

Decidi enfim agir, sair da inércia
decidi enfim tomar as rédeas da ação
Quando nada mais resta de um amor tão grande,
Resta a dignidade de uma separação.

Não sintas raiva de mim assim como eu
Não quero sentir pena de ti
Quero que apenas me entendas
Quero apenas poder ter a chance
De começar de novo
de ser novamente feliz

Como na música que tanto ouvi:
“Sem o teu carinho
sem os teus abraços
sem tuas mentiras
sem os teus fracassos”

Permita-me começar de novo
permita-me ser uma nova mulher
quero ter um novo amigo
quero ficar de bem comigo
por isso e para isso te digo:
Vai, pois de ti nada mais preciso!
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domingo, 1 de março de 2009

Tu, Baby, Sin Brillo - por Yuri

Desculpe, baby, mas tudo um dia tem um fim. E não há culpa e há sofrimento.
Agora eu sei de onde eu herdei tanta atenção! Vem simplesmente de uma magia materna. E só posso agradecer. Um brilho diferente que talvez toque a todos... Mais uma luz, magia diferente que toque seu interior e desperte algo sério.

Amor... nem tudo é pra sempre.
E já pensei que não devo sofrimento a ninguém mais.
E tudo tem seu tempo. E desta vez não há volta.
Por isso toque sua vida como se nunca algum dia a tivesse preenchido de brilho.
E não é que eu seja mau, é apenas o seu modo de interpretação. Posso ser de 100 formas, 100%... é apenas você imaginar. Só não te garanto que conseguirei realizar todas...

Sorry, baby!
Não há culpa desta vez.
Desta vez não há volta.
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Teu Ciúme - por Casé Uchôa

E por ouvires o que não te digo
E escutares o que não te mostro
É que não posso mais ficar contigo
É que não quero mais saber de ti

E por achares o que não escondo
E por pensares que sabes de tudo
É que prefiro estar calado, mudo
É que preciso me afastar daqui

E assim, talvez, depois que eu me afastar
Percebas a desconfiança vã
Que te comeu por dentro, devagar
Feito a lagarta dentro da maçã

Quem sabe ainda dê pra consertar
Eu nada sei do dia de amanhã
Que outras voltas meu mundo dará
Se minha vida vai ser plena e sã
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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Despedida

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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sábado, 31 de janeiro de 2009

Lograré Sin Ti (Parte 2) - por Yuri

De uma coisa sei, que não pode se queixar: que eu não te amei. É... você me amou mais, mas depois tudo se inverteu e, no final, de você não restou nenhuma gota. Às vezes penso que era uma piscininha de plástico o seu amor. Não sei, sabe, muito pequena e havia poucas gotas... mas você preferiu pular de uma vez só com todo o peso de seu corpo e jogar fora todas as gotas, não preferiu isso ao meu mar que te esperava... E hoje estou aqui... ainda fraco, frágil e sem forças, claro, mas com uma linha de esperança em meus batimentos, pois nenhum dia sequer esquecerei de você. Sei que deveria... mas será totalmente impossível, você é inesquecível!
Quero que meu amor voe por aí e você o encontre para fazê-lo feliz com outra pessoa, já que você não me deu oportunidade...
Te convidei para meu oceano, mas você preferiu a sua piscina de plástico vazia e a busca do segundo mar... E eu preferi deixar você ir, vendo você feliz. Meu amor perdido me avisará e estarei vibrando de qualquer forma pela sua felicidade. Mesmo longe ainda ouço... Mesmo longe ainda posso te tocar por mais uma vez? E depois deixo você ir... por favor, não te enfeitiçarei novamente... Adios amor...
Meu coração talvez esteja te esperando em alguma ilha em nosso oceano. Corra! Talvez consiga abraçá-lo antes do desencontro... É... É melhor eu ver a realidade... e dói.
Me pedia e me cansava de se afogar no imenso azul de seus olhos, mas hoje vejo que era tudo de plástico, e esse plástico resistente hoje se quebrou. A única coisa que desejo daqui pra frente, se não houver mais volta, é que você seja totalmente feliz, porque sim, eu te amo! E quero que seja feliz e que encontre a pessoa certa que você merece… Total culpa, desavenças e uma noite de sono... Às vezes queria ter aquela doença, dormir e tudo acabar...Mas um ser humano sem dias, experiências, amores, não é um ser humano... Te amar não foi um erro e sim uma bela pegadinha da vida, mas sei que quando você parar de rir não estarei mais aqui para aplaudi-la.



Visitem Yuri
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Despedida - por Raquel Aiuendi

O raio cai
E não vou dizer...
Direi então: vai!!!!
Não quero te ver
Tão cedo
Ou mesmo tarde
Sem medo
Fico pela metade
Assim mais inteira
Ficarei
Minh’alma-sementeira
De amor
Serei
Mais livre pra andar
Pra viajar
De ti sairei...
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