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segunda-feira, 8 de março de 2010

Conflito - por Marília Abduani

Estou perto e longe de mim.
Vejo formas e cores
bordando as linhas do meu destino
em minhas mãos.
Nem triste nem feliz,
vou me descobrindo ainda
e ainda me surpreendo menina,
mulher.
Há nuvens que persigo.
Há prantos que adormeço.
Há medos que atravesso,
mares onde me afogo,
ventos que levam
para qualquer direção.
Estou dentro e fora de mim.
E quando me olho,
vejo outra que não eu.
Meus olhos me enganam,
meus passos me distanciam de mim,
me levam
para onde, eu não sei.
Ampliar-me é preciso
para que eu me encontre.
e me veja, livre,
e seja eu mesma
a que mais amei.
.
.
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domingo, 24 de maio de 2009

Conflitos Internos - por DAS

Sinto-me perdida, confusa
Meus pensamentos se confundem
Em tantos sentimentos
Todos sem direção exata
Sem alvos certos

Procuro por uma luz
Uma direção
E só encontro indecisão...
Nada parece certo ou errado
Apenas inadequado

Sinto saudades, medo, raiva, amor, ciúme, desejos...
Na verdade, nem sei o que sinto
A única coisa certa é o vazio
Algo pesado dentro de mim

Queria estar em outro lugar
Queria que fosse outra hora...
Ou então que este momento passasse logo... rápido!
Amanhã sentirei outra coisa
Melhor?
Não importa agora
Será outro dia e hoje passado, finalmente.
Minha mente estará mais aberta e poderei refletir, definir, decidir...



Visitem DAS
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domingo, 8 de março de 2009

Ressurreição - As Nossas Histórias III

Frio vento cortante naquela praia deserta, sem estrelas, onde o barulho das ondas violentas trazia o cheiro de maresia. O que mais desejava era um casaco para me esquentar. Procurei um abrigo onde seria possível aquecer meus ossos enregelados e descansar um pouco até que amanhecesse.
Tinha fugido de tudo, deixando para trás família, casa, emprego e amigos, na tentativa de buscar a mim mesmo. Porque eu achava que meu eu verdadeiro era nômade, sem compromissos, sem emprego, sem amarras, sem projetos possíveis ou irreais.
E agora, me protegendo do vento gelado atrás de uma caçamba de lixo fedida e imunda, com fome e sem roupas adequadas, percebo que esta história de eu verdadeiro solto de tudo define-se numa só palavra: mendicância.
Queria ser um artista e me tornei um pedinte; queria o palco e ganhei uma calçada; queria reconhecimento e me tornei uma estatística. Como plateia, os ratos e baratas do beco escuro; como aplausos, as batidas irritantes do anúncio pendurado na parede; como inspiração, as minhas decisões frustrantes.
“Ser ou não ser? Eis a questão.”
E minha questão agora era esta: realmente abandonar tudo ou voltar atrás e encarar a vergonha de minha atitude intempestiva diante de mim mesmo e de todos que abandonei sem uma palavra sequer? Decidi, naquele momento, que ia voltar para casa de meus pais.
Levantei e, vagarosa e pesarosamente, comecei a caminhar contra o vento... em direção à total desistência de meus sonhos rebeldes.
Ao chegar em casa, de cabeça baixa, recebi um abraço, ao invés de sermões; comida, ao invés de desprezo; mais do que isso, recebi apoio para fazer justamente o que desejava: costurar as nuvens de algodão dos meus sonhos numa caminhada concreta.
E foi unindo as inconformações do passado à crença no futuro que se deu a minha ressurreição.



William Shakespeare.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Conflito

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mente Inquieta Indisciplinada - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Minha mente inquieta
Indisciplinada
Só quer você

Minha mente sem controle
Parece festa de magos

E no meio dessa estrada
Me vejo tonta perdida
Fazendo grandes estragos

Minha mente quieta
Disciplinada

Sabe que não pode ter você

E toma o controle exagerado
De fingir não sentir nada
Quando me abraço a você
.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Guerra Continua… - por Alba Vieira

Tudo continua desmoronando…
Religião encobre a real motivação.
É certo que embates jamais deixarão de existir.
Ganância econômica é a causa da guerra.
Urge que as mentes iluminadas se posicionem.
Amai-vos uns aos outros deve vencer.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Olhar - por Vicenzo Raphaello

Bastou um olhar
Rompeu o frágil tecido
de uma barreira indefesa
Então
revela-se ruidosamente
num surdo desejo
indesejado
.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ruanda - por Rosa Cancian

“Parecido com Gaza
Aconteceu em Ruanda
Tempos recentes
Genocídio indecente.

Olhos vendados
Braços cruzados
Ações travadas
Ruandeses acabados.

Falta comida
Imprensa tímida (intimidada?)
ONU ‘omitida’
Nação destruída.”



Inspirado em “Em Gaza ou Alhures”, de Alba Vieira.
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Em Gaza ou Alhures - por Alba Vieira

Dor insana, cruel e desalmada,
Dor imposta, injusta e que, sempre deflagrada,
Afeta aqueles indefesos entre loucos desvairados
Que, em sua ira, matam e ferem
Tantos, mesmo sendo tão poucos,
E o mundo, de tantos que assistem
Impassíveis, deixando acontecer,
Por motivos impensáveis, tantos crimes
Que fazem qualquer sanidade enlouquecer…

Pois que usem o poder que possuem
Da lucidez, do amor e da compaixão
E influenciem, aos poucos, o Poder que hoje nada faz,
Para conter ignóbil situação
Que perdura por séculos e séculos…

Mas só compreende e pode aceitar
Aquele que apenas observa e confia,
Não tentando buscar a razão,
Pois, no Espírito, para tudo encontra a explicação.

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sábado, 17 de janeiro de 2009

Cessar-fogo - por Alba Vieira

Cessar-fogo. Cessa a guerra?
Decerto que não vai cessar,
Pois corre nas veias lodo:
Eles não vão cooperar.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Loucuras em Gaza - por Alba Vieira

Caminha entre os destroços
Com expressão de terror
Um clarão, estrondo forte
Paredes que foram ao chão
Perto dele a família morta
Foge da insanidade que se diz libertadora

Queria poder tirá-lo de lá para sempre
Mas quem, um dia, poderá
Arrancar-lhe da mente
As lembranças deste dia?

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Eu Não Sou Assim! Mas Sou... - por Luiz de Almeida Neto

Há algo de diferente de mim mesmo
dentro de mim
Tal qual um estranho
rebelde e insubordinado
que nunca obedece aos meus apelos

Fico sério, quieto, sossegado
e não quero mais que isso
Então eis que o estranho se aproxima
com desejos e vontades
intromissões e arrepios

Não quero fazer nada
muito menos escrever
Mas a mão começa a tremer
dirigindo-se irremediavelmente
à folha de um branco sem fim

Sussurro, rogo pelo amor de Deus
que se acabe este impulso
que segure este anseio
que não posso mais me expor
Não tem jeito
e quando me dou conta
há folhas cheias pela sala

O estranho se esvai
e eu respiro aliviado
não preciso mais escrever
tenho controle dos meus impulsos

Vejo de soslaio
no canto da sala
o raio de uma garrafa de rum
Restante da noite de ontem

Ah, mão maldita!
Que entra pela minha boca
e devora todo o meu ser
Acho que sou mais verdadeiro
quando deixo minha mão guiar meu corpo…

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domingo, 14 de dezembro de 2008

Conflito - por Raquel Aiuendi

Quanto mais penso, mais me distancio…
Há o que observar e condenar até.
Portanto há o que lutar e resistir
Bem como persistir.
Não sei como nem onde encontrá-lo
Mas luto por algo mais que minha incapacidade humana
Ascender em vão é atormentar a Deus.
Ascender em espírito e corpo é conflitivo.
As lutas só se esvaem quando não têm sentido real
As lutas se compensam quando desempenhadas altruisticamente
Minha capacidade humana
Não permite que seja mais, além:
Essa virtude reserva-se para as limitações
Que, na oposta, trago.
Pergunto-me se sou vã
Descubro que sim: embora não me leve
A um suicídio, me traz a morte.
Insatisfação do viver doativo, entregante.
Às, reis, rainhas...
Mãos apressadas, mentes ágeis (malabaristas)
E, tão bastante, comprometidas.
Com o quê?
Ora, porá (ou porás) tudo a perder
Tamanha ingenuidade que trazes,
Grande destato na vigente situação
É disso que corro, decorro e sobre isso discorro!
O Grande, que não Deus, me perdoe
Busco o pequeno dentro do labirinto
Cuja saída difícil existe.

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