Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




Mostrando postagens com marcador O Homem no Lixo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Homem no Lixo. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de julho de 2009

Disse Alguém: O Homem no Lixo é Lixo! - por Esther Rogessi

Epígrafe forte em meio a uma narrativa complexa!...
A princípio, digo que: o lixo é lixo e o homem é homem...
Em sequência: o homem no lixo é homem; o lixo no homem é lixo! O homem pode estar no lixo, sem ser; no lixo há recicláveis: matéria-prima para obras belas; no lixo, se pode encontrar pérolas!
“A Garça, a ave de plumagem mais branca, se alimenta do mangue e não se suja” – desta frase desconheço o autor. Enfim, complexidade!...
Filha de puta, nasce dela... Porém, pode não ser!
Filho de pastor... nem sempre é santo o pastor, menos ainda o filho!...
Discordo com a tese de que o homem é produto do meio...
O meio está no homem! Chegará a hora, o momento, em que ele sairá da aparente neutralidade e se posicionará naquilo que lhe aprouver. Amizades, influências... É só a agulha a romper o tecido para o costurar reto, quebrado, bordado com linhas diversas... Até mesmo com fios d’ouro!
O bom nasce feito e o mal urge!
Urgindo o mal, não prevalecerá contra a luz!



Inspirado em O Homem no Lixo é Lixo, de Alba Vieira.
.
.
.
.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sonha, Dor... - por Ana

- Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

- Já vô, pai, eu já tô indo...
Deixa eu sonhar mais um pouco...
No sonho eu compro sorvete
E ainda fico com o troco.

No sonho não tem urubu,
Não tem lixo, tem chuveiro,
Eu sei ler e vou às aulas,
Tenho cama e travesseiro.

No sonho não brigo com cães
Pelos restos de comida,
Não sinto este cheiro ruim
Que domina minha vida.

No meu sonho, pai, me ouve,
Você era um cara bacana:
A gente ia passear
Todo final de semana.

Não me tratava a pedrada,
Não me dava pescoção,
Não judiava de mim
Me afogando no lixão.

Eu tinha mãe e irmãos,
Ria, corria, brincava,
Quando fazia a lição
Todo mundo me ajudava!

Eu era o filho menor,
Todo limpo, arrumadinho,
Tinha bola, tinha pipa
E um monte de carrinhos.

Ouve, pai, mais um pouquinho
O que eu quero te dizer:
No sonho eu te dizia
Que gostava de você.

E no sonho a gente era
Gente mesmo, não era bicho,
A gente tinha uma casa
E não dormia no lixo.

Não sei como tô falando
Tanta coisa pra você...
A gente nunca conversa...
Não tem nada pra dizer...

Você não me faz um carinho,
Nunca olha para mim,
Eu também nunca te olho
E vamos vivendo assim...

Mas falar e te contar
Meu sonho é muito bom.
Quero dizer outra coisa,
É importante...
.....................- ACORDA TOM!


Inspiração e primeira estrofe de..................................................
Escravos Urbanos”, de Casé Uchôa...................................................
.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Escravos Urbanos - por Casé Uchôa

Acorda Tom, que já raiou o dia
Urubu já pousou lá no lixão
Vamos lá catar papel, renovar nossa agonia
Que eu até desistiria de viver, humilhação

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

Quem sabe a gente encontre
Nas sobras de um banquete
Algo que se aproveite
Pra matar a nossa fome

Quem sabe a gente conte
Com um pouco de sorte
Pra escapar da morte
Mas escapar pra quê?

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

Vem ver que essa cidade
Por falta de caridade
Desde a tua tenra idade
Te largou, te abandonou

Vê que a rotina é dura
Não há espaço pra candura
No menino que atura
Do lixo ser catador

Vê que não há beleza
Na criança que peleja
Na dor que tudo caleja
Na falta do cobertor

Vê que não há poesia
No lixo de todo dia
Desespero que judia
Da alma do sofredor

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador


Inspirado em O Homem no Lixo, de Ana.
.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Uma de Menos - por Vicenzo Raphaello

Sofrida
Maltratada
em dores
nas sombras das árvores
numa escura rua
ponto fazia

Carros passavam
carros paravam
esquálida figura
ninguém queria

Bando de jovens
já chapados
num carro bacana
oba!!!
que sarro legal

Num lugar deserto
deu a um
deu a dois
a todos

Porra!!!
que merda
quanto sangue
da figura inerte

E agora???

Joga fora
é uma de menos.
.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O Homem no Lixo - por Ana

Ontem, andando na rua,
Vi um homem adormecido
No meio de sacos plásticos.
A sua cama era o lixo.

Parei ao olhar praquilo,
Olhei e tudo parou…
Sequestrou-me o inusitado,
Minha cabeça pirou.

É o cimento da calçada?
O lixo é mais confortável?
Os sacos são travesseiros?
Mas… e o cheiro insuportável?

Eu não entendia niente,
Os neurônios não agiam,
Não enxergava mais nada,
Os meus pés não se moviam.

Não havia mais trabalho,
Ponto a bater, o horário,
Chefia, clientes, agenda,
Desconto no meu salário.

Éramos eles e eu:
Homem, lixo, catatonia,
Sono, sujeira, susto,
Cansaço, imundície, agonia.

Um esbarrão me acordou
Do estado de letargia,
Consegui dar alguns passos
Em direção ao meu dia

Que agora não era meu,
Era deles totalmente:
Mais que imagem, uma verdade
Paralisando a minha mente.

Fui zumbi até a noite
Na hora em que fui dormir.
Fui arrumando a cama,
Mas parei pra refletir.

Sentei no chão contra a parede,
Relembrando aquela cena:
O sono profundo e calmo
Numa face tão serena…

Ele teria bebido,
Tanto que nem percebeu
Onde descansava o corpo
Em uma noite de breu?

Pensei: só pode ser isso…
Ele estava sem noção,
Dormiu sem ter consciência,
Não agiu por opção.

Então eu dormi tranqüila…
Não foi algo voluntário…
Ninguém agiria assim
De modo tão temerário…

Então, na manhã seguinte,
Me arrumei, comi, saí,
Me dirigi ao trabalho,
Nem pensava no que vi.

Até que, no mesmo local,
Não cri no que o olhar via:
No mesmo lixo de ontem
Uma família dormia.


Inspirado em O Homem no Lixo é Lixo, de Alba Vieira;
Escuro, de Luiz de Almeida Neto.
.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Homem no Lixo é Lixo - por Alba Vieira

Numa manhã fria de um inverno mais rigoroso na Cidade Maravilhosa minha visão é atraída por uma cena patética enquanto passo de ônibus por uma área residencial pobre que retrata perfeitamente este momento no Rio de Janeiro, no mundo e dentro de cada um de nós.
O negro do homem contrasta com as sacolas plásticas brancas “indestrutíveis”: é um morador de rua que se deitou sobre um monte de lixo deixado ao lado de uma caçamba da Comlurb. Aquilo me choca e, aos poucos, a outros passageiros - que ousam enxergar fora, além da sua realidade incômoda: um coletivo lotado, em que pessoas semi-acordadas se espremem para ocupar um espaço que não existe para todos.
Não há espaço para todos e este homem sabe disso.
Sua consciência o conduziu para onde de fato estava: no lixo. Ele é o lixo da sociedade que reduz o homem.
Quantos de nós, em momentos subseqüentes, em dias que se repetem, em semanas intermináveis, em meses e anos que não nos levam além da certeza de que, a cada dia, a luta para sobreviver será maior e a possibilidade de exclusão aumentará, já tiveram estes insights... Quantas vezes já nos sentimos no lixo? Nós somos o lixo a cada vez que permitimos que o homem seja visto assim, feito assim, degradado.
Ah! Como incomoda ver pelas ruas, em número cada vez maior, meninos que saem de casa expulsos pelos maus tratos e abusos e passam a viver ao relento, dormindo no chão sujo, protegidos apenas na parte superior do corpo pelas camisas ralas, imundas, que esticam e prendem até os joelhos para proteger o sexo, num frio de desproteção emocional muito maior do que o do inverno! Como nos causa repugnância quando sobem pela porta de trás dos ônibus moradores de rua drogados, sujos, fedidos, tuberculosos, tossindo sua dor na nossa cara, poluindo o já rarefeito ar dos veículos cheios de gente que volta do trabalho exausta e consome o resto de energia agarrando-se como podem aos apoios dos microônibus que solavancam sem amortecedores e com molas gastas, guiados por condutores explorados, insanos, que extravasam a raiva dos donos das empresas em demonstrações irresponsáveis de direção perigosa!
O que somos senão lixos quando, todos os dias, nos permitimos ser tratados desta forma? Que menos-valia é esta que faz com que permaneçamos impassíveis, sentados em nossos carros, quando crianças molambentas ou deficientes tentam nos vender balas ou fazem acrobacias diante de uma platéia que finge não ver, em troca de trocados que geralmente não vêm? E, nas lanchonetes, quando você, por não ter dinheiro para almoçar, pede um sanduíche barato com refresco e, na primeira dentada, tem seu braço puxado pelo moleque que, com expressão de choro e abandono, pede que lhe pague um lanche porque ainda não tomou café? Você pode ter uma boa refeição ou tem seu estômago revirado numa ânsia de vomitar toda a sua indignação com este estado de coisas, sobretudo porque é extorquido, sem opção, por impostos abusivos que equiparam, nas alíquotas cobradas, seu minguado salário aos ganhos estratosféricos de privilegiados funcionários públicos de alto escalão?
E então, refletindo sobre tantos absurdos que cada um de nós enxerga em sua área de atuação nesta sociedade todos os dias, de tantos anos que já aconteceram e na expectativa de tantos outros que virão, eu me pergunto: a atitude deste homem que se deitou hoje no lixo não foi mesmo um alerta formidável? Porque, simplesmente estando onde estava, sendo o que de fato era, nos jogou, a todos nós que o vimos de súbito, na consciência de que cada um de nós também é ele, a despeito das artimanhas que inventamos e dos disfarces que assumimos para nós mesmos quando negamos, em nossa vida, a sujeira, a dor, a pobreza, a velhice, a nossa sombra, a própria morte. Quando aceitamos a corrupção, os desmandos, a impunidade, as contradições, as safadezas, os descaramentos do poder reinante, somos o lixo que precisa urgentemente ser reciclado. É necessário conscientizar que não é possível deixar fazer aos outros, nossos semelhantes, o que não admitimos para nós.
.