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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

NO CAFÉ DO DUELOS - por - KBÇAPOETA








       Estou no cafezinho do Duelos , Piazzola ao fundo, na mesa a qual me sento encontro um manuscrito de Ana Conrado ao lado de um livro cujo  título  é “Verônica decide morrer”.
       Enquanto aguardava Fininho, o garçom apreciador de cânhamo trazer-me um absinto, dei para ficar imaginando o que Ana escrevera em tal resenha.
       Não tenho dimensão do que abarca o coração literário de Ana, mas,não dei uma "espiadinha" no manuscrito,porem, sei que ela não aprecia Paulo Coelho.
       Minha relação com o mago abrange mais a parcela musical e atitude artística do que literária, mas, reconheço que o senhor  Coelho é um vencedor em seu ofício. Venceu em um terreno onde nunca fora bem vindo. Sempre fora tratado como um intruso.
       Devido a bela obra musical que o escritor teve com Raul Seixas , li alguns de seus livros.
       Acredito que tenha lido uns dez devido a seu ritmo fácil, eis aí um dos segredos do mestre do R.A.M.
       O que é possível apontar nos livros de Paulo Coelho é a ausência do fator surpresa, mas ele consegue questionar alguns problemas prosaicos e  existenciais com uma simplicidade que o faz ser carismático aos olhos de quem o lê. 
       O livro em questão, “Verônica decide morrer”, eu  li em 1998. Depois me afastei de "Dom Paulete".
       A impressão que tive do livro foi de estar relendo um resumo dos outros livros de Paulo Coelho, pareceu-me repetitivo, uma mistura de “ As margem do rio piedra eu sentei e chorei ” com Brida, “ O Diário de um mago” entre outros, segundo alguns, dizem que foi um dos “menos piores” do autor.
       Eu lembro que na data da leitura do livro, eu achei que o senhor Coelho não tinha mais nada a me oferecer de novidade. Como costumo ler de quatro a cinco livros ao mesmo tempo, dou muita preferencia para os clássicos. Eles sempre me acompanharam, é o meu parâmetro para analisar outras obras.Foi o que me fez não ser um fã de Paulo Coelho.
       Umberto Eco dizia que Paulo Coelho fala à alma das pessoas, meu lado brasileiro e patriótico faz reverência ao senhor Mago quando um cidadão não leitor, muito comum aqui no Brasil, ao deparar-se com um livro de Paulo Coelho, poderá tornar-se um leitor devido a simplicidade e os temas de sua obra. Antes ler um livro simplório do que não ler.
       Acredito que um escritor que tenha alcançado tanta notoriedade no Brasil e no mundo deve ter sua parcela de mérito.
       Nesse momento fininho chega com meu absinto, acredito que Ana chegará logo.
       Deixarei pago para ela um quindim com café,o favorito de Mario Quintana.




                                                              Visitem Kbçapoeta




terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Resposta - por Kbçapoeta

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Olá Ana!
O cafézinho fica por minha conta.
Concordo com você que coisa tão certa nessa vida quanto o acaso é o ocaso por não ter descaso de acontecer todos os dias.
Beijão Ana e Alba!



Resposta a Recado, de Ana e Certeza, de Alba Vieira.
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.Visitem Kbçapoeta
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Recado - por Ana

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Caríssimo Poeta, vamos sentar rapidamente nestas cadeirinhas do Duelos Café pra eu te dizer uma coisinha rápida: adorei o seu poema Vingança da Pena, e achei fantástico o final: “Coisa mais certa nessa vida, / É o acaso.” (pretendo, assim que puder, escrever algo sobre isto). Mas o que eu queria mesmo comentar, se me permite, foi o que me ocorreu, de forma inevitável: “Coisa mais certa nesta vida, mesmo... é o ocaso”. rsrsrsrs
Beijos, Poeta!
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Exorcismo - por Ana

No Ritmo Dessa Festa - Bruna Lombardi



“Penélope:
Vamos sentar aqui nas cadeirinhas do Duelocafé pra eu te contar uma coisa?

Adoro este livro! Eu tenho. Ele é muito bom! Foi uma surpresa ler a Bruna e descobri-la tão inspirada!
Quando eu o estava lendo, minha avó, uma beata de tercinho secular e muito enxerida, pegou o livro e começou a folheá-lo. Logo no início há a seguinte estrofe:

‘Dentro de mim existem
um deus e um demônio
que são tão amigos
mas tão terrivelmente amigos
que ficam juntos
tomando porre
e dizendo besteira.’

Quando ela estava lendo isto eu cheguei. Ela me olhou, entre apavorada e preocupada, e me disse, categórica:
- ‘Você não devia ler este livro! Esta moça está possuída! Deveria procurar um exorcista!’
Eu rolei de rir! Ela deve ter pensado em me exorcizar também...

Pois é, Penélope! Obrigada por me fazer lembrar deste livro e desta passagem da minha vida que achei hilária!
Eu pago o lanche.
Beijos, que tenho que dar um olá pros outros autores.”
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Comentário em Estou Lendo..., de Penélope Charmosa.
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terça-feira, 28 de julho de 2009

Recado - por S. Ribeiro

Ana, somente hoje li seu comentário, e como de costume, estou satisfeito e feliz por sua opinião. Você chegou no ponto que pretendo: ser inesperado. Mas com já iminentes 8 anos de experiência poética, descobri que a linguagem só se adequará à verdade do mundo (que é a que parece ser a do escritor) se você for um ser de atitudes não-convencionais ou no mínimo originais. Obrigado mais uma vez, feliz dia do amigo sempre pra nós dois, pois é o que você é para mim (mesmo virtualmente): uma amiga, pois é gentil com meus trabalhos, o que é muito importante pra mim. Abraço apertado.



Resposta a comentário de Ana em “Amigos”, de S. Ribeiro.
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Visitem S. Ribeiro
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ah, o Vislumbre da Aurora... - por Ana

Adir, vamos sentar aqui nas cadeirinhas do litercafé para falarmos sobre este tema tão interessante?

De vez em quando eu penso nisso. As coisas todas estão muito mais rápidas. Às vezes percebemos que isto é positivo, mas por vezes acontece de constatarmos que a velocidade pode ser algo negativo, como no caso que você cita.
O vínculo é algo tão importante! O gostar de algo de forma especial, a ligação com o que é nosso, como o disse muito bem a Fatinha em relação às caixinhas de som. Mas, atualmente, o vínculo é com o novo, ou seja, com algo abstrato, distante, não-meu (que pode vir a sê-lo ou não). E aí, inevitavelmente, me pergunto: qual será a consequência disto no comportamento da espécie daqui pra diante? Gerará mais insegurança do que já vimos na nossa adolescência ou uma liberdade maior no que se refere ao sentimento de perda?
Viveremos e veremos...

Eu pago a quiche de palmito, a torta de limão e o chocolate quente, tá bom?
Beijos e até a próxima conversa.



Resposta a “Ai, que Saudade de Outrora!”, de Adir Vieira.
Referência: “O Último Adeus”, de Fatinha.
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Tropa de Elite - por Ana

Bruno:

Vamos sentar nas mesinhas e tomar um chá quente com torta de avelã?

Acho que as críticas ao Capitão Nascimento se inserem numa polêmica importante sobre como abordar a violência (suas causas e consequências). Claro que ninguém chegou ainda a lugar nenhum em termos de solução efetiva, mas pensar sobre o assunto pode, pelo menos, fazer ver que a situação não é simples.
Mas acho que uma das principais questões colocadas pelo filme diz respeito à incoerência da classe média: as mesmas pessoas que reclamam da violência são as que a alimentam com seus hábitos ilegais. Para mim, este foi o ponto alto das denúncias embutidas no roteiro.

Mais teria a dizer, mas tenho que conversar com os outros também, neste domingo carioca frio e chuvoso.
Eu pago a conta... Afinal, o convite foi meu.
Um abraço.



Resposta a Tropa de Elite, de Bruno D’Almeida.
José Padilha

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Duelando Manchetes II: Eutanásia - por Ana

Minha querida Ninguém:
Vamos sentar aqui nas cadeirinhas no Litercafé para uma conversa mais longa sobre a questão da eutanásia?
Vou pedir um chá de camomila com bolo de chocolate pra nós enquanto ouvimos Gracias a la Vida, o que acha?

Bem, para falar sobre a eutanásia você nomeou o texto como “Médicos que Matam”. Devo discordar de você: neste caso específico, em que há a certeza da morte devido a um estado patológico, o que mata é a doença, não o médico.
Sobre “até onde nos cabe o direito de decidir pela vida de outro, quando o outro (...) não pode dizer suas vontades”, acho que não nos cabe, em hipótese nenhuma. Este direito cabe apenas à própria pessoa. Não é decisão do médico, dos familiares ou do Estado. Se a pessoa, antes de se encontrar nesta situação, não se posicionou, não expôs a quem de direito sua vontade, vacilou legal.
Sobre o nosso poder de escolher morrer ou não, creio que temos este poder (à margem das questões metafísicas) e que ele é só nosso.
Então você pergunta: “Temos o direito de ter eutanásia?” Eu respondo: sim, nós temos.
Você diz que “eutanásia seria um suicídio e um assassinato”. Bem... voltamos à questão da causa mortis e surge um outro ponto importante a considerar. Sobre a causa mortis, quem está matando a criatura é a doença, não o médico, então não é assassinato. A outra questão é: qual o problema do suicídio? Quando eu ouço “Deus dá o frio conforme o cobertor”, costumo dizer que, se fosse assim, não existiriam suicidas. Muitas vezes o sofrimento é tão intenso que as pessoas não aguentam, preferem não viver mais; e esta é decisão que só cabe a elas, a mais ninguém por elas. O quanto cada um suporta de sofrimento é absolutamente particular e não passível de julgamento ou imposição de crenças de outrem. Se eu estiver numa situação destas: irremediavelmente crônica, vegetando num leito (de hospital ou não), comatosa ou sofrendo desesperadamente e tendo por únicas possibilidades a morte (breve ou tardia) ou alguma descoberta fantástica da ciência (sei lá quando), pode ter certeza absoluta de que vou querer a morte breve com o mínimo de sofrimento. E vou ser muito grata à vida se ela permitir que eu encontre um profissional que respeite meu desejo. Eu jamais vou querer ser (nem por meses, que dirá anos!) um vegetal dependente, fedido, inútil, cheio de secreções nojentas, tubos, escaras e dor. Aos 12 anos, quando tomei conhecimento de um caso polêmico envolvendo a questão da eutanásia, determinei para a minha família que esta era a minha vontade, mantenho-a até hoje e manterei sempre.
Quanto ao médico, pode-se esperar que ele preserve a vida, faça-a melhor, prolongue uma sobrevida mais confortável, mas, acima de tudo, respeite o desejo de seu paciente. Acredito que a maior parte dos médicos não lide bem com a eutanásia porque foram instruídos na crença (falsa) de que tudo podem e que só devem capitular diante da morte depois de fazerem tudo para evitá-la. Na realidade, quando falamos em eutanásia, não estamos tratando, prioritariamente, de médico x morte, mas de paciente, sofrimento e morte (o médico é apenas o profissional envolvido responsavelmente (ou não, dependendo da legislação)).
Quanto às leis, penso que elas devem ser capazes de contemplar todas as vontades e crenças. Se há pessoas que privilegiam a vida, mesmo com intenso sofrimento, a legislação deve garantir que esta escolha seja cumprida; e se há pessoas que preferem abrir mão de viver nesta condição, esta escolha também deve estar protegida pelas normas legais.
Devo esclarecer, antes de me despedir, que todas as minhas observações dizem respeito à eutanásia passiva ou ortotanásia (em que são interrompidas todas as ações para o prolongamento da vida) e não à ativa (quando a morte é planejada por paciente e profissional). No que se refere ao segundo caso, a minha posição é que: sim, trata-se de assassinato e suicídio. Mas não julgo. Porque, como disse, acho que todas as pessoas têm o direito de cometer suicídio (como têm o direito de se manterem em estado terminal ou comatoso pelo tempo que desejarem) e, em relação ao médico, é uma decisão muito particular e cada caso é único. Quem sou eu para afirmar alguma coisa em relação a alguém que agiu movido pela compaixão diante do sofrimento e do desejo de seu paciente? Eu poderia ser este paciente que pediria ajuda para dar cabo da própria vida e seria ótimo se houvesse alguém que se dispusesse a fazer isso e pudesse fazê-lo sem bloqueios de ordem legal.
Mas não sinta desprazer ou vergonha de querer ou ser médica. Exatamente sua sensibilidade e sua humanidade são coisas que andam faltando nesta classe.

Acho que é tudo o que penso sobre o assunto. Só me resta dizer, ainda, que trabalhei por 15 anos na rede pública de saúde, estive internada algumas vezes por períodos de tempo consideráveis (inclusive já estive em CTI), acompanhei de perto pacientes terminais (familiares ou não). Desta forma, meu posicionamento tem por base não só o que acredito ser melhor para mim, mas a convicção de que não cabe julgamento em situações como esta, já que existe uma enorme diversidade de pontos de vista, crenças, medos e outros sentimentos envolvidos no processo de morte.

Apesar do tema de nossa conversa, espero que tenha apreciado nosso lanche.
Um beijo grande.




Resposta a Duelando Manchetes II: Eutanásia, de Ninguém Envolvente.
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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pegou Geral... - por Ana

Bem, Fatinha, vamos sentar aqui nas mesinhas do Litercafé, pra você não cair dura pra trás, tá?

EU VI Tropa de Elite mais de uma vez e vou comprar.
Porque: o Wagner Moura dá um bigultrasupermegashow de interpretação. O cara é O CARA!!!
E é um filme brasileiro de primeiríssima categoria (por exemplo, só uma figurante foi horrível e geralmente a relação é inversa).
Adorei o roteiro, achei o tema muito bem desenvolvido.
Quando eu assisti a Central do Brasil, esperei alguma coisa muito boa e vi uma direção ruim, que transformou a Fernanda Montenegro naquilo que se viu, e um roteiro fraquíssimo quando poderia ser estupendamente bem abordado. Então, assisti a Tropa de Elite pela primeira vez sem nenhuma expectativa positiva (muito pelo contrário) e fiquei pasma.
Dou os parabéns convictos a todos que tornaram real a antiga utopia de que brasileiro pode fazer filme de ótima qualidade.
Só uma pequena ressalva: a abertura poderia ser melhor...

E agora vou conversar com os outros que estão aqui hoje, tá?
Beijo, amiga!



Resposta a Eu Não Vi Tropa de Elite, de Fatinha.
José Padilha

domingo, 28 de junho de 2009

Taquilafila - por Ana

Pô, Duanny, não brinca! Fila é horrível! Detesto fila!

Vamos sentar aqui nas mesinhas do Litercafé para conversar sobre isso e veja se não tenho razão...

Paciência para esperar eu tenho de sobra, mas não para ficar sendo intimada a comentar sobre o tempo de espera, o clima, as tragédias do mundo, a política do país, ou a ouvir relatos de acontecimentos familiares, conflitos, dúvidas existenciais, tudo isso daquele jeito exclusivo de fila: tô falando já indo embora.
As pessoas falam por falar, provavelmente porque não aguentam o próprio silêncio. E falam olhando para todos os lados, não se fixam no coitado que escolheram pra pinico, parece que estes faladores de fila compulsivos (FFC’s) são todos médiuns: vivem acompanhados de espíritos e ficam falando com os encostos que estão por todos os lados enquanto fingem que falam com você.
E quando estão na fila do banco para pagar contas atrasadas e resolvem justificar pra VOCÊ o não pagamento (e eu com isso...)? Os FFC’s são malucos! Você tá no seu canto, tranquilo, na boa, tentando ler um livro ou pensando na sua vida, e os doidos te chamam pra dizer que as contas deles estão atrasadas, te mostram os boletos (!!!!) e começam a desfiar um monte de histórias familiares mirabolantes ou contar sobre a falta de pagamento dos seus salários para justificar o atraso das contas. (Como assim?!!!) Daí para começarem a falar sobre o emprego, o patrão, os filhos, todas as grandes e pequenas desgraças vividas desde a primeira encarnação, é um passo (se a fila andar).
Desconfio que existam FFC’s profissionais. Sabe aquelas pessoas que ficam no início da fila deixando todo mundo passar enquanto, na maior animação e sem pressa nenhuma, falam alto conversando com o banco inteiro, como se estivessem num palco? Pois é, são estes.
Há, também, os FFC’s emocionais. São aquelas donas de casa que sorriem, felizes, quando dão aquela paradinha para entrar numa das filas do supermercado. Ato contínuo, começam a falar sobre preços, descontos, supermercados concorrentes, filhos, netos, cunhados, sogras, noras, cachorros, papagaios e tartarugas até serem atendidas. Quando isto acontece, pode notar que elas desabam, murcham, perdem o brilho e saem da fila cabisbaixas, deprimidas mesmo...
E esta última categoria se divide em dois tipos distintos: os conformados e os totalmente inconvenientes. Os primeiros são estes que falam com você apenas enquanto estão na fila e ficam tristes quando saem dela. Os segundos são os inconformados: puxam assunto com a pessoa de trás porque depois de atendidos continuam conversando com o infeliz, esperam ele sair da fila e o acompanham pelo supermercado, falando pelos cotovelos, como se fossem amigos de longa data. Fazem perguntas pessoais, tipo: onde você mora, é casado, quantos filhos tem, onde trabalha, pedem seu telefone, ficam na fila do caixa com você, te ajudam a embalar as suas compras e, se você não conseguir se livrar deles num momento em que parem para respirar, corre o risco de irem com você até sua casa “porque moram pertinho”...
Ou seja, a fila é multifuncional: pode ser divã, pinico, palco, local para fazer amizades, além de muitas outras coisas... Porque não falei dos que entram na fila para azarar, dos que ficam quietos durante horas e vão embora de repente sem serem atendidos e dos possíveis ouvintes de fila compulsivos (OFC’s). Mas estes ficam para outra vez...
E agora vou indo, pois tenho que ir ao banco enfrentar uma fila.
Beijo!



Resposta a “A Fila”, de Duanny.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Hair - por Ana

Fatinha, vamos sentar aqui nas cadeirinhas do litercafé para conversar sobre Hair, com bolo, cookies, chá e chocolate?

Eu vi Hair quando, por aqui, ainda estávamos sob os efeitos da ditadura. Fiquei maravilhada, assustada mesmo! Nunca havia entrado em contato com algo tão subversivo. Entrei em choque. Havia pessoas que questionavam tudo, como eu! O mundo não era formado por uma única massa cinzenta que possuía uma célula geneticamente modificada (eu)! Fiquei dias em êxtase e passei a ver o mundo de outra forma: ele era plural (talvez não tanto quanto deveria, mas era). Eu não estava sozinha nos meus questionamentos! Percebi, também, que brotava uma nova mentalidade entre os homens e que eu fazia parte daquilo, daquelas mudanças, pois nasci acreditando em coisas muito distintas de tudo o que via à minha volta. Porque o filme não fala apenas de hippies e guerra, ele trata da humanidade como um todo, de todas as crenças, as formas de relação, os conceitos enraizados, o modelo de estruturação social, a maneira de lidar com os próprios sentimentos e dos demais, a noção de que somos inevitavelmente interligados (humanos e planeta) etc. etc. etc. É um filme completo, amplamente questionador, corajoso, além de ser uma obra de arte. A trilha sonora é tão sensacional que comprei os discos logo após ver o filme e decorei todas as letras, na sequência, de tanto ouvir. A filmagem é espetacular, as cenas são inesquecíveis, mantendo o clima teatral, remetendo todo o tempo à peça. Milos Forman... Precisa dizer mais alguma coisa?
Até hoje, todas as vezes que entro em contato com algo que me lembre este filme, lá vou eu para frente da televisão, tão apaixonada por ele quanto sempre, tão revolucionária e rebelde quanto na adolescência, porque, passados já mais de 30 anos de lançamento do filme e 40 anos da primeira montagem da peça, ainda há temas abordados no roteiro que continuam sendo tabu e vêm rolando pelas gerações sem que haja novas formas de abordagem.
Talvez porque seja tão easy to be hard e, mesmo em plena era de Aquário, ainda não aprendemos a cumprimentar alegremente e sem temores o raiar dos novos dias.

E agora bye, companheira, que vou assistir ao filme pela zilionésima vez, como tu, acompanhada de um big pote de pipoca com nescau e leite condensado. Mas, se quiser assistir comigo, tá convidada!
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Sinopse: Interfilmes
Trailer: Turner Classics Movies
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Resposta a Eu Vi Hair de Novo, de Fatinha.
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Referências a Easy to be hard, Age of Aquarius e Good morning starshine, músicas da peça e do filme Hair.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Paulo Coelho e Fernando Gabeira - por Kbçapoeta

Crepúsculo do Macho - Fernando Gabeira
O Diário de um Mago - Paulo Coelho
Veronica Decide Morrer - Paulo Coelho



“Oi, Ana!
A relação na verdade seria entre o livro ‘O Diário de um Mago’ e ‘Crepúsculo do Macho’ que são depoimentos.
Paulo Coelho, gosto muito como letrista, como escritor não acompanho sua obra, li alguns livros, e ‘O Diário de um Mago’ eu gostei.
O último que eu li dele foi ‘Veronica Decide Morrer’, em 1998 (faz tempo) e achei puro clichê.
Mas o ‘diário’ achei legal, acredito que eu seja o único aqui no Duelos que fala bem de algum livro dele.
O café fica por minha conta.
Beijão!!!”
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sábado, 9 de maio de 2009

Chá das 15 - por Ana

Vamos sentar aqui nestas cadeirinhas tão confortáveis para conversar?

Puxa, Mellon... Você me fez mergulhar profundamente nesta solidão que vivenciamos em meio às multidões. Se falta alguma coisa? Faltam muitas! E sobram umas tantas outras, também!
Um dia fui a Niterói e lá precisei perguntar a respeito da localização de uma rua aos moradores. Dirigi-me à moça que estava a meu lado esperando para atravessar a rua, pedi a informação, que prontamente recebi. Agradeci e segui ao lugar desejado. Algo me ficou soando como estranho e fiquei matutando o que seria. Então me dei conta: a moça não havia se assustado quando me aproximei dela; não havia em seus olhos medo ou desespero; ela conseguiu ouvir o que eu dizia, normalmente, compreender as minhas palavras todas sem precisar reprocessá-las mentalmente e me deu a informação com tranquilidade e clareza; ao meu agradecimento, ela sorriu!
Foi tudo isto que estranhei... Por quê? Porque na cidade do Rio de Janeiro (separada de Niterói apenas por uma longa ponte), isto não acontece há muito tempo. As pessoas não só estão absolutamente sozinhas, como consideram que QUALQUER pessoa é um assaltante, sequestrador ou assassino em potencial. Nas calçadas e nos sinais (quando dá), as pessoas guardam uma distância enorme uma das outras, agarradas às suas bolsas, mochilas, pastas, pochetes, e quase pulam, em pânico, se esta distância é menor que a normal. Se alguém se aproxima para pedir uma informação, o desespero é total, o cérebro não funciona, os olhos ficam medindo o perguntante de cima a baixo, procurando o revólver, a faca, a escopeta, o caco de vidro ou similar.
Se falta alguma coisa? Falta paz, falta a noção de que somos inocentes até prova em contrário, falta segurança.
Sobram pavor, desespero, violência, indiferença etc.
E as pessoas fizeram o que descreveu muito bem o Bruno no domingo: trocaram os amigos (e os contatos humanos) por um mp3. São pessoas isoladas, robotizadas, apavoradas, literalmente correndo pelas ruas da cidade, fugindo de todos, esbarrando em muitos, atropelando tantos, enclausuradas em seus sons berrados nos ouvidos, de preferência com óculos escuros para não verem também.
E assim caminha a desumanidade...

Ainda bem que existem lugares como o litercafé do Duelos onde a gente pode se aproximar uns dos outros, conversar, brincar e se divertir...

Gostoso este cookie, né?
A conta é por minha conta.
Até mais.
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Resposta a Crônica das 3 Horas, de Mellon.
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No Chá das 15 - por Mellon

Ana!

Acabei de me sentar do seu lado aqui na cadeirinha do Duelos. Me identifiquei com a pequena história que você me contou porque uma coisa similar aconteceu comigo também esses dias. Foi numa estação de metrô quando uma garota me pediu informação para saber em que sentido ia para uma certa estação. Eu a senti tão pouco à vontade que fiquei até penalizada, porque estava evidente que ela não queria ter que pedir informação para ninguém. Eu não sei se por medo, ou por querer ser auto-suficiente, mas, enfim, eu fiquei ali sentindo que tinha alguma coisa faltando. Aí eu escrevi aquele post. E até mesmo os amigos vêm e vão, hoje em dia é difícil você encontrar alguém que tenha um amigo de anos, porque as pessoas se separam e nem se dão conta disso.

Fico com medo de pensar que a tendência seja piorar. Mas, enfim, estou aqui e divido a conta do café com você!

Um beijo, Ana!
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Resposta a Chá das 15, de Ana.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Que é Isso, Companheiro?! Pau no Coelho! - por Ana

Crepúsculo do Macho - Fernando Gabeira
O Código Da Vinci - Dan Brown
O Diário de um Mago - Paulo Coelho
O Que é Isso, Companheiro? - Fernando Gabeira
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“Bem, Kbça, que tal sentarmos numa das mesinhas para uma conversa mais minuciosa?

Li ‘Crepúsculo do Macho’ também. É muito bom mesmo!
Mas ‘O Que é Isso, Companheiro?’ me marcou muito mais. Especialmente a passagem em que ele descreve o tiro que levou no pulmão quando estava tentando escalar o muro da casa-aparelho para fugir dos home. Muito bem narrado! Eu me senti lá com ele, ou melhor: lá, ele! Parecia que o tiro tinha sido em mim. E a passagem que dá título à obra é muito legal! O livro é demais! Além de ser um belo registro histórico.

Pô, Kbça! Fez de novo? Comparar Paulo Coelho e Fernando Gabeira? Cara! Agora doeu! O Gabeira se expressa de forma quase impecável, senão totalmente impecável! O cara sabe o que as palavras significam e as utiliza com propriedade! Adoro as entrevistas dele com aquela fala arrastada sonolenta e decidida. O cérebro dele é algo assim demais! O Paulo Coelho é triste! Olha só, aqui no Duelos a gente teve, há alguns dias, uma pequena amostra da irresponsabilidade linguística desta criatura inominável: ‘Não há tragédia na vida, mas o inevitável.’ Como assim???!!!! Tragédia É o inevitável!!!!!!! Vai abusar de nivelar por baixo o senso comum e a ignorância, assim, lá em Santiago de la Descompostella!!!!! Dá pra aguentar um troço desse? Vomitável!!!!
(Bem, agora relendo sua explanação, devo confessar que não compreendi muito bem a relação entre o Gabeira e o Coelho... Mas vou deixar o dito como dito mesmo... Depois, se quiser, me corrige...)

Quanto ao ‘Código Da Vinci’, concordo em tudo. Gostei exatamente por causa da simbologia e, também, da questão que é levantada. A história de mocinho e mocinha é pra lá de secundária.

Quanto à forca... não... enforcar não, que tu é um dos colaboradores mais fiéis e criativos do Duelos... Seria um baita desperdício! rsrs

O café, eu pago, desta vez.”
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Resposta a “Fernando Gabeira, Paulo Coelho e Dan Brown”, de Kbçapoeta.
Referências: “Paulo Coelho”, de Kbçapoeta e
“Paulo Coelho e o Inevitável”, citado por Therezinha.
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sábado, 25 de abril de 2009

Fernando Gabeira, Paulo Coelho e Dan Brown - por Kbçapoeta

Crepúsculo do Macho - Fernando Gabeira
O Código Da Vinci - Dan Brown
O Diário de um Mago - Paulo Coelho
O Que é Isso, Companheiro? - Fernando Gabeira


“Primeiro quero indicar ‘Crepúsculo do Macho’, de Fernando Gabeira. Excelente!

Farei um mea culpa sobre Paulo Coelho. ‘O Diário de um Mago’ é um livro bacana, Paulo Coelho relata sua experiência esotérica em Santiago de Compostella, terra de peregrinações de várias vertentes religiosas.
O livro revela alguns experimentos que o RAM, ordem esotérica a que Paulo Coelho pertencia na época, exceto o ritual da morte, que ele trocou por um exercício teatral.

‘Crepúsculo do Macho’, de Fernando Gabeira é, nitidamente, uma continuação de ‘O Que é Isso, Companheiro?’, onde Gabeira conta suas experiências em vários países durante o exílio.
Ex-guerrilheiro / jornalista / escritor / fotógrafo / deputado federal / defensor da maconha e agora candidato derrotado à prefeitura do Rio de Janeiro, apresenta ‘Crepúsculo do Macho’, onde ele percebe a derrocada da luta armada no Brasil, o ‘racha’ no MR8 que, após a morte de Lamarca, definhou e hoje é uma ala, não oficial, do PMDB.

Quando terminei esse livro, que é tão bom quanto ‘O Que é Isso, Companheiro?’, passei a respeitar o livro de Paulo Coelho. Claro que ‘O Diário de um Mago’ não deixa de ter uma linguagem simples e sem surpresas, o que ocorre na maioria de suas obras. O oposto de Gabeira.

‘O Código Da Vinci’, de Dan Brown, com a saga do melhor professor de simbologia e a mocinha bela, independente e predestinada pelo avô que fogem de vilões malvados, masoquistas e exímios estrategistas; a polícia francesa manipulada por integrantes da Opus Dei, achei muito clichê, mas a parte das artes, simbologias e rituais religiosos é perfeito e, na minha opinião, o que salva o livro.
Achei muito raso o enredo, como acontece em muitos livros do mago.

Mas na verdade eu não deveria ter comparado os dois, o estilo de um é bem diferente do outro. ‘O Diário de um Mago’ é uma autobiografia e ‘O Código Da Vinci’ é romance.
Pronto!
Mea culpa feito.


(Ana vai querer me enforcar. rsrsrsrs)

Abraço para a todos do Duelos.”
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Resposta a “Paulo Coelho e Dan Brown”, de Ana.
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E você? Que autores gostaria de comentar aqui?
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

José Ângelo Gaiarsa e Dráuzio Varella - por Ana

O Gaiarsa é muito bom mesmo, Clarice. Ele tem uma importância fundamental neste processo pelo qual estamos passando de tornar inteligíveis os meandros das ciências da saúde. Ele trouxe para os leigos a compreensão de problemas de saúde, abordando-os de forma simples e direta, como você diz. Algo que o Dráuzio Varella também faz atualmente.
Beijo.



Resposta a “José Ângelo Gaiarsa”, de Clarice A.
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E você? De que autor você gosta?
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Duelando Manchetes I: Aborto - por Kbçapoeta

Olá Clarice!
Respeito sua opinião.
Acho enriquecedor ponto de vista distinto, e o seu está bem alicerçado.
Por isso digo amiúde, o aborto não sendo mais crime, teremos liberdade de escolha. Ninguém em sã consciência quer uma banalização do aborto, e pelo contrário; nenhuma mulher queria passar por tal experiência.
Por isso o senhor presidente, Luiz Inácio Lula da Silva disse:
“Eu como cidadão cristão, sou contra o aborto. Mas o chefe de Estado tem que ser a favor por questões de saúde pública.”
Dessa forma quem for contra o aborto nunca irá fazer e quem achar que essa é a única alternativa, poderá fazer sem nenhum pecador jogar pedras, como queriam fazer com Madalena.
Agradeço pelo debate de alto nível.
Abração!



Resposta a “Duelando Manchetes I: Aborto”, de Clarice A..
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Duelando Manchetes I: Aborto - por Clarice A.

Kbçapoeta:
Estamos falando sobre o mesmo tema mas sob pontos de vista diferentes. Eu, sobre o princípio, e você sobre as circunstâncias. Quero que saiba que admiro sua posição de defesa das mulheres que realmente sofrem todas as consequências psicológicas e físicas, correndo risco de vida muitas vezes.
O meu ponto de vista pressupõe uma sociedade evoluída e protetora na qual o princípio da vida tenha a importância moral que deva ter. É o nosso objetivo, a minha crença. Tenho dois filhos que não foram programados e em função deles mudei muita coisa na minha vida. Não quero dizer com isto que sou exemplo de nada, apenas quero dar minha contribuição, de que deu certo para mim.
Acho sua posição mais realista, acho que toda mulher com o intuito de abortar, nos casos descritos por você, deveria ter todo o apoio psicológico e orientação médica possível e, desde que decida por isso, a ninguém cabe julgá-la.
Apesar de entender a sua posição e ver que é principalmente na mulher que reside sua defesa, gostaria que entendesse também a minha, que é proteger a vida.
Você vive o real e eu o ideal, mas é assim que somos e certamente é isso que nos enriquece, aceitar a diversidade e aprender com ela, respeitando-nos mutuamente. Bom o duelo com você.
Um grande abraço
Clarice



Resposta a Duelando Manchetes I: Aborto, de Kbçapoeta.
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