Eu recebi um convite
Pro Duelos’ Arraiá.
Eu fiquei maravilhada!
Mal conseguia esperar!
Seria a maior festança
Repleta de barraquinhas
(121, ao todo),
Concurso de Sinhazinha
(Ou então de Delegado),
Cadeia, música ao vivo,
Capela, litercafé,
Fogueira e desafios.
Chegado o grande dia,
Me arrumei, toda apressada,
Coloquei foi qualquer roupa,
De tanto que estava animada.
Nem pensei em me pintar,
Me esmerar no visual,
Só pensava em diversão
E encontrar com o pessoal.
A festa estava linda!
Diversidade sem par!
Barracas de todo Brasil
E também de Além-mar!
Havia trem colorido
Com maçãs em seda azul,
Guloseimas do Amapá
Ao Rio Grande do Sul.
Bolo inglês, de cogumelo,
Bolo-pudim e café,
Cookies, tortas, pão de queijo,
Pra família, picolé.
Vinha, da Terra do Nunca,
Chá quente com pedra de gelo.
Trouxeram garrafa de rum
(Bebiam pra ter argumento).
Barraquinha dos mais velhos:
Comida pastosa, sopinha,
Água mineral, café com leite,
Só dieta bem levinha.
Délicatesse: chá, biscoito,
Bala de coco, sorvete de limão...
Cheguei a ver pires finíssimos
Com flores pintadas à mão.
Na barraca natureba:
Berinjela refogada,
Alface, chuchu e vagem,
Várias frutas em cascata,
Muitas saladas cruas,
Macaxeira, água de coco,
Arroz branco ou com tomate,
Coisas pra quem come pouco.
Do Nordeste: feijoada,
Muita carne de fumeiro,
Tinha pirão de aipim
E até feijão tropeiro...
E cenoura com dendê,
Angu com lauta rabada,
Ensopado de jiló...
Gente... Sobrou foi nada!
Do Sudeste:
strogonoff,
Suflê e carne ensopada,
Frango à parmegiana,
Linguiça frita, cachaça,
Farofa com ameixas secas,
Muito alho, sal, pimenta
Nos galetos temperados
Que nem todo mundo aguenta.
Maionese com presunto,
Mocotó, macarronada,
Camarão na moranga, rosbife,
Deliciosas empadas,
Três espécies de salsichas:
De frango, peru e porco,
Batata frita à vontade...
O povo aqui ficou louco!
Do Sul: almoços, jantares,
Churrasco ao ar livre, mesinhas,
Cerveja, salada russa,
Barris de
chopp, farinha
E pão com alho na brasa,
Tinha coisa de montão!
Muito arroz de carreteiro,
Alguém tomando chimarrão...
Ainda havia a barraca
Que era só de sanduíche:
Mostarda, pimenta,
ketchup,
Queijo, presunto e aliche;
Patês, os mais variados,
Na carne, no frango ou no peixe,
Muita maionese
Hellman’s
No hambúrguer ou cachorro-quente.
Eram baitas sanduíches!
Deliciosos!
Very good!
Pães altos, fofos, clarinhos...
Pros adeptos do
fast food.
O
buffet tinha refrescos,
Refrigerantes de cola,
Diversos
fondants ornados
Com florezinhas cor-de-rosa,
Champagne, lindos pães doces
Recheados com aneizinhos,
Bacalhau e bacafá,
Chocolate bem quentinho.
Numa barraca extravagante
Peixe inédito-gororoba,
Lacraia e escorpião no palito,
Locusta para quem gosta.
Tinha gente vomitando,
Com marmita quem não é bobo,
Gente a viver de luz,
Gente com biscoito Globo.
Menino a mascar chiclé,
Um outro roía madeira...
Gente com
sushi na bolsa...
Pedinte na maior choradeira...
De repente anunciaram
O resultado da votação.
Vencedora: Sinhazinha!
Não foi Delegado, não!
Daí então me toquei
Que eu estava concorrendo,
Mas nem me lembrava disso...
Só conversando e comendo...
Comentei com o pessoal
Que estava decepcionada
Com meu imenso descuido:
Não fiz propaganda nem nada...
Então apareceu, de repente,
Um moleque tri-abusado,
Chegou para mim e falou:
“Tô sabendo do babado!
Também, presta só atenção:
Sinhazinha é pra quem pode!
Você vem com este vestido
Cor de burro quando foge...”
Ouvindo estas palavras
Dei coquinho no fedelho,
Mas tinha razão, o pestinha:
Por que não vestivermelho?
todas as citações gastronômicas e relacionadas a festa junina no Duelos (posts, comentários e chat);
resultado da votação do melhor autor da 1ª quinzena de maio.
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