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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Virtuosidade - por Dália Negra


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Minha vingança é ser outra na rede
Te rastrear até te trazer pra mim
E rastejar até te matar de sede
Me fingir tua do início ao fim.
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Após te prender em laços primorosos
Ver-te buscar-me por todo lado em vão.
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Se regozijam, meus olhos criminosos,
Sabendo-te triste, com o coração na mão.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Última Forma - por Dália Negra

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São tantas obras, tantas sobras,
Orelhas, capachos, mãos,
Palavras, sujeiras, vãos.

Tanta fuligem, tantos sons,
Goteiras, maldades, pés,
Soluções, saudades, fés.

São tantas dores, tantas vidas,
Misérias, saudades, pães,
Tristezas, amores, mães.

Tantos barcos, tantos mares,
Viagens, naufrágios, naus,
Cruzeiros, tormentas, caos.

São tantas almas, procissões...
Pedidos, rosários, lamentos...
Véus, novenas, orações...
Esperança? Re-nascimento.
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Dália Negra

Profundo. Sensível. Verídico. Inesquecível.
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EPITAFIANDO NO UMBRAL
(KBÇAPOETA)

Aqui jaz um menino,
Que nunca ficou velho.
Um cérebro que talvez fique a maquinar;
estratégias,
para explorar esse lugar.
Tenho terra, flores e vermes.
O que mais posso querer?
Quando em pé comia o alimento,
Que a terra dizia merecer.
Nada mais justo!
Doar-me às larvas.
Voltar para terra,
com esses olhos;
que ela há de comer.
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Visitem Kbçapoeta
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Mortal - por Dália Negra


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Longos desertos. Rios de lava.
Tornados e furacões.
Maremotos e tsunamis.
Tempestades. Raios. Inundações.
Terremotos e avalanches.
Natureza em mim.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ciúme - por Dália Negra

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Anjos caídos do céu
Ninfas jogadas ao mar
Tantas bruxas em fogueiras
E guilhotinas a cortar
Madalenas apedrejadas
Os rebeldes fuzilados
Tantas vítimas da AIDS
E pedestres atropelados.
Ela ceifa, aleatória,
Tão certeiro é o seu corte.
E eu, por ela, esquecida,
Sentindo ciúme... da Morte...
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domingo, 31 de outubro de 2010

Meu Outono - por Dália Negra

Entrego a mim minha dor,
Minha alma dilacerada.
Das flores, não restou uma...
Primavera despedaçada.

A solidão reside em mim,
Outono, bronze desbotado.
Árvore nua, sem cor.
O ar pesado, parado,
Que condiz com minha alma,
Definitivo, eternizado.
Sem sementes, obscuro,
Por nada fertilizado.

Outono sem folhas, seco,
Isolado, vazio, cruel,
Ilhado de outras estações
Por espesso e negro véu.

Outono em minha alma,
Outono é minha dor,
Outono, meu fardo pesado.
Outono, vazio de amor.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Constatação - por Dália Negra

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Os amores são velas vãs
Adornando, apagadas, o mar.
Solidão e ferida, irmãs,
Filhas de um mesmo penar:
Aquele que resta do fim
Do que eu quis acreditar
Existir, algum dia, pra mim,
Conjugando o verbo amar.

Os amores de minha vida
Não sei se um dia existiram...
Eu tive a alma vendida
A carinhos que possuíram
Meu corpo, desejos, sonhos,
Sorrisos, ações, ardor...
Hoje, meus olhos tristonhos
Relembram... e não veem amor.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carnaval? - por Dália Negra

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Afastem de mim esta alegria,
Afastem de mim o Carnaval.
Máscaras disfarçam agonias,
Os olhares, as intenções, o ilegal.
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Escondem vontades reprimidas
No dia a dia de regras sociais
Que impedem agressões, estupros, mortes...
Ações inconsequentes, irracionais.
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Prefiro despir todas as faces,
Torná-las sóbrias, cotidianas,
A conviver com seus simulacros -
Ou suas verdades assustadoras e insanas.
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Véus - por Dália Negra

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Invisível véu dos meus sonhos
.Que transforma o mundo em algo bom.
..Estranho véu, a minha vida,
...Que me foi dada como dom.
...Parco véu, a esperança,
..Que não me cobre o necessário.
..Véus que uso como fronteiras
.Neste mundo temerário.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Nau Perdida - por Dália Negra

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Carrego comigo memórias
Como âncoras que me mantêm
No mar revolto da dor
Sozinha, sem mais ninguém.

Sem horizonte à vista
Que me faça acreditar
Num navio sem amarras
Com ânsia de aportar
Em continente aprazível
Para, enfim, descansar
De ondas descomunais,
De tormenta secular.

E nesta minha prisão,
Aguardo o que vai chegar:
A lembrança definitiva
Que me fará naufragar.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Aquele Livro - por Dália Negra

Aquele livro... viagem
Profunda pra dentro de mim.
A cada linha uma dor,
Desde o início até o fim.
Tristezas insuportáveis...
O mal do mundo, enfim...
Não poderia ser pior
História assim tão ruim.
É um relato doído,
Tragédia de folhetim.
Escrito com sangue inocente,
Vívido, jovem, carmim.
Aquele livro... minha vida
Que apenas foi lida por mim.
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sábado, 31 de outubro de 2009

Reverso - por Dália Negra

Retiro do meu flanco pedaços
Para alimentar a flor da morte.
Postas vivas de uma agonia infinda
Porque, em meu cais, não há ilusão que aporte.
Dispo-me da vida, pouco a pouco,
Como um chamado desesperado à sorte.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Abandono - por Dália Negra


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Eu te abandonei três vezes.
Tirei de mim, joguei, vivo, aos cães.
Eu te arranquei de mim. Peito aberto.
Rasguei o coração com os dedos.
Escavei com as unhas.
Até não haver nada de ti.
Revirei a alma, aflita, buscando tua presença.
Onde a encontrei, apaguei com a indiferença.
Nas profundezas sombrias de fogo e dor queimei as lembranças.
Em meu pensamento maldisse tuas cinzas e as arremessei no mar do esquecimento.
Limpei-me de ti. Peito fechado.
Mas junto contigo foram minha alma e coração.
E me ficaram as cicatrizes.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta ao Amor - por Dália Negra

Eu amei muito.
Eu amei muito
E sofri

Sofri reveses
Perdas, decepções
Agressões, injustiças, dores

Sangrei sozinha
Perdida, tonta
Inexplicavelmente sangrei

Chorei calada
Lágrimas negras que mancharam meu rosto
Para sempre

Gritei revoltas
Pela vida, por não ter saída
Inutilmente gritei.

Eu amei muito.
Não sinto mais nada
E ainda estou aqui.
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sábado, 6 de junho de 2009

A Hegemonia da Mentira - por Dália Negra

Somos ensinados a mentir. As crianças são treinadas para omitir, camuflar ou mentir aquilo que pensam; e, muitas vezes, sofrem castigos por dizerem a verdade. Isto, quando se trata da verdade dita sobre os outros, porque quando diz respeito a elas (suas atitudes fora do esperado, suas bagunças, seus erros e desobediências) devem sempre dizer a verdade. Ou seja: sofrem reprimenda por falar a verdade e também por não falar. Esta é a educação recebida.
Dentro deste descompasso as personalidades se formam: escorregadias, dissimuladas, tangenciais...
As pessoas não vão direto ao ponto, não dizem o que pensam, olham o outro com desconfiança porque o outro é capaz de tudo, já que (muito provavelmente) foi programado da mesma forma para a inverdade. É difícil o olhos nos olhos, a palavra franca, dizer o que realmente aconteceu (que, quando dito, causa desconfiança). Tudo pode ser ou não ser. Vivemos, diariamente, este dilema secular. Pensamos no que está por trás, no que foi omitido, no que realmente a pessoa quis dizer. Surgem sombras de intenções malignas e/ou indiretas embutidas e, muitas vezes, para algumas pessoas, não são sombras, e sim já o fato em si e tudo se torna uma grande confusão que inclui os que estão à sua volta.
Vivemos nos protegendo da mentira e jurando a verdade (mesmo falseada ou mentirosa).
Concordo com você, Gio: nada é tão simples quanto a verdade. Mas nos ensinam o contrário e a maior parte das pessoas percebe as vantagens da mentira e a coloca na lista das necessidades básicas. Então aqueles que mantêm a tendência natural à verdade, obviamente, serão, em muitos momentos, penalizados e até mesmo recriminados (!), pois remam contra a maré turbulenta das palavras não ditas, mal ditas e desditas.



Resposta a “A Verdade a Ver Navios”, de Gio.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Hegemonia da Verdade - por Dália Negra

Gio:
Li seu post “A Verdade a Ver Navios” e o que li me fez lembrar de uma entrevista que vi há muito tempo com a Baby Consuelo. Ela estava com as filhas adolescentes e o repórter fez uma pergunta que deixou as meninas constrangidas. A Baby falou:
- “Digam a verdade.”
As meninas não falaram nada, se entreolharam, incomodadas, procurando outra saída.
Baby insistiu:
- “A verdade sempre.”
Uma delas, então, falou, nas mínimas palavras que encontrou, o que o repórter queria saber, enquanto as outras praticamente se escondiam, de tanto incômodo.
Quando terminou a resposta, Baby sentenciou:
- “Elas são criadas assim: para dizerem sempre a verdade, por mais que seja difícil. Só se deve dizer a verdade.”
Não me lembro qual foi a pergunta... mas da situação não esqueci porque me fez pensar.
Sou adepta de se dizer a verdade sempre que possível, mas as pessoas são tão preconceituosas, tão críticas, tão invasivas, tão donas da verdade, tão mesquinhas no pensamento, rotulam com tanta facilidade e são tão cruéis nos julgamentos e nas sentenças, que nem todo mundo está preparado para lidar apenas com a verdade. Muitos não seguem as regras vigentes (já que as possibilidades do comportamento humano vão muito além destas normas tacanhas), fazem escolhas diferentes e, para evitar a rejeição ou a crítica social, mentem. Pode-se culpá-las? Não sei... Uns suportam as sentenças muito bem e/ou as ignoram, mas, para outros, elas são extremamente dolorosas... E, independentemente de críticas, muitas pessoas não gostam de dividir aquilo que consideram intimidade.
É uma questão complicada, que nos faz pensar em tantos possíveis motivos, situações e seus desdobramentos...
Só sei que, naquele momento, vendo a posição da Baby Consuelo e o imenso desconforto público das filhas, a obrigação da verdade (sem deixar nenhuma outra opção, nem a de se absterem), me pareceu uma prisão que incluía tortura.
(Continua)



Resposta a “A Verdade a Ver Navios”, de Gio.
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sábado, 16 de maio de 2009

As Nossas Palavras X - por Dália Negra

Se fores embora, meu bem, não escaparás das nossas lembranças. Serei paciente, te esperarei voltar por dias seguidos, sem raiva ou tristeza, até que chegue o momento do reencontro, mesmo que tenham se passado cem anos.
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