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domingo, 10 de agosto de 2014

Homenagem aos Pais - por Jair Antônio Pauletto

Quando percebemos, é novamente dia dos pais. Uma data feliz e de extrema importância para todos, afinal, sem o nosso pai não estaríamos lendo este texto. Essa é uma data, assim como a do dia das mães, para reconhecemos a importância dessa pessoa na vida de cada um de nós. É impossível descrever seu significado, pois tem um valor pessoal único em cada filho e qualquer tentativa de dimensionar a importância do pai será sempre insuficiente, enfim, sem ele não existiríamos. Até mesmo se fôssemos fruto de alguma técnica de clonagem, a figura do pai é fundamental. Pergunte aos especialistas e eles irão enumerar a importância do pai na formação de um ser humano. Deste modo, não me atrevo a continuar descrevendo o seu valor e influência em nossas vidas, até porque muita gente mais qualificada que eu, como renomados poetas, filósofos e intelectuais já tentaram e apenas conseguiram se aproximar um pouco do verdadeiro valor de ser pai.
Nós, filhos, e principalmente filhos pais, temos que render todas as homenagens que nossa sensibilidade, criatividade e humanismo podem prestar a ele nesta data. Refiro-me, especialmente, aos filhos que já são pais, pois estes já experimentaram a maravilhosa sensação de ser pai e certamente passaram a reconhecer e principalmente compreender melhor a importância desta pessoa em sua vida. Não existe presente ou outra forma que possa recompensar, reconhecer a importância de um pai, a não ser abrir o coração e cobri-lo de amor agradecendo sua presença em nossas vidas. Neste dia, a relação deve ser intensificada e o amor prevalecer como um elo de renovação da vida de pai e filho.
Muito já se falou sobre esse homem, sua importância e seu papel, porém pouco se faz para reconhecê-lo. Uma data como esta não consegue retratar todo o seu significado, por isso temos que diariamente agradecer sua presença em nossas vidas e a melhor forma de fazê-lo é amá-lo, mas amar verdadeiramente, reconhecendo suas imperfeições e seus limites, assim como ele faz com os filhos; devemos respeitá-lo, não pelo seu conhecimento, mas pela sabedoria que o exercício da “função” lhe conferiu; sabedoria que lhe impõe deveres, que exige sacrifícios e lutas internas para melhorar-se, tudo para tornar-se ainda melhor e nos presentear com momentos gratificantes em nossa companhia.
Ser pai exige esforço, renúncia, dedicação e tantos outros sacrifícios e qualidades que não lhe permitem vacilar em nenhum momento, pois luta incessantemente para oferecer segurança e bem-estar a seus filhos e familiares. As atribuições de um pai vão além do limite da responsabilidade comum, por serem fornecidas pela consciência e orientadas pelo amor, portanto, podemos medir o valor de um ser humano pela sua consideração, seu carinho e sua relação com o pai, por mais que eventualmente esse relacionamento possa passar por atribulações, o reconhecimento de sua importância deve permanecer como o alicerce que edifica um templo de bons sentimentos.
Este é um domingo de alegria, de confraternização e de reconhecimento, no qual devemos deixar nossos corações falarem mais alto, expressar sem receio todo o carinho que temos por essa pessoa que nos proporcionou a oportunidade de experimentarmos a maravilhosa experiência de viver. As condições materiais não têm importância alguma por serem passageiras; não traduzem a verdadeira felicidade, mas o que realmente importa é a natureza do sentimento que nos une e, quanto se trata de pai, este sentimento é sempre o amor. A melhor forma que conheço para retribuir esse amor é com amor, aliás, amor é a melhor forma de retribuir qualquer sentimento, é a melhor e mais poderosa energia que podemos emitir.
Independente do sentimento que possas estar sentindo neste momento, saiba que num coração de pai sempre predomina um amor gigante; exigente; generoso, que embora, às vezes ou momentaneamente, possa parecer incompreensível, posteriormente mostra-se exato, preciso e fundamental para nossas vidas. É claro que ser pai exige equilíbrio, responsabilidade e disposição para melhorar-se. Não podemos ser bons pais sem disposição para aprender e crescer, assim como não seremos bons filhos com intolerâncias e prepotências.
A relação com o pai deve ser preservada por tudo o que ele significa, independente da personalidade. Ele desempenha um papel importante que precisa ser resgatado para a construção de uma nova sociedade, mas para que isso possa acontecer, cabe aos filhos reconhecer sua importância e homenageá-lo como realmente merece, não através de um par de meias ou um cinto novo, mas de um afetuoso abraço, de um beijo e principalmente por um gesto e uma palavra de amor. Neste domingo, tente quebrar qualquer barreira que possa estar lhe impedindo de abraçar seu pai e expressar todo o seu agradecimento, admiração e carinho, pois não existe nada melhor que libertar esse sentimento intrínseco entre pai e filho, pois, uma vez liberto, a vida começará a vibrar com mais intensidade e o amor irá unificá-los pra sempre. Feliz Dia dos Pais!



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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Respeitar a Liberdade do Outro - por Jair Antônio Pauletto

Uma das coisas mais preciosas para o ser humano é sua liberdade, tanto que uma das formas mais comuns de punição é sua restrição. Desde criança aprendemos o valor da liberdade, logo aprendemos que agradar os pais nos dá créditos para usufruir certas liberdades; da mesma forma, se nós os desagradamos ao infringir alguma regra, acabamos sendo castigados e lá se vai a nossa liberdade.
O Estado condena o cidadão que infringe a lei com a restrição da liberdade até o limite da prisão. Porém, uma pena de reclusão a um regime fechado que impede de circular livremente não priva o livre pensamento, mesmo que nem sempre seja possível expressá-lo. Pensar é uma atividade que, mesmo privados da livre circulação, podemos realizar livremente, pois esta é uma faculdade divina.

Restringir a liberdade é uma prática punitiva tão antiga quanto ampla e sua utilização no ambiente familiar ou social vai além de manter a ordem e a disciplina. Ela expressa o domínio de alguém sobre outro alguém, seja o pai sobre o filho ou o Estado em relação ao cidadão. O exercício desse domínio é um poder que fascina quem o detém na mesma proporção que fere sua vítima. Um processo que ultrapassa a complexa relação de liberdade e castigo ou, se preferirem, direito e punição, pois existe a interferência do desejo pessoal ou, às vezes, coletivo, de exercer o poder de dominar.

Nas relações cotidianas, ao interagirmos com familiares, colegas e amigos, essa situação aparece com muita frequência, aliás, quanto mais frequente ou íntima a relação, mais estaremos propensos a sofrer interferências, especialmente no sentido de querer fazer prevalecer o desejo pessoal, isto é, de exercer o poder de dominar. Infelizmente essa é uma realidade pouco percebida, mesmo em relacionamentos nos quais uma pessoa jura amar profundamente a outra, porém não suporta e não admite certas preferências, pensamentos ou atitudes. Não me refiro a fatos que possam causar prejuízos, que afetem a própria imagem ou liberdade, mas de situações em que a livre escolha, a liberdade individual é questionada, censurada e até mesmo punida pela necessidade pessoal de exercer seu domínio. Nesse caminho podemos enquadrar o ciúme, a inveja e a prepotência, que são sentimentos frequentemente presentes nas relações e que agem sem serem percebidos pela maioria das pessoas. Esses e outros vilões do relacionamento saudável causam imensa dor e sofrimento às suas vítimas. Os “opressores da liberdade individual” dificilmente percebem o mal que estão causando, hoje, algo tão comum que muitos juram amor eterno a uma pessoa pela qual não conseguem dar-lhe o simples direito da liberdade de escolha. Fazem isso sem perceber que o que realmente os satisfazem é ver prevalecer seu desejo pessoal, seu ponto de vista, seu querer sobre determinado assunto ou situação. Não há nada de errado em querer satisfazer um desejo pessoal, que é algo muito poderoso e valioso no ser humano, porém não pode ser utilizado para restringir a liberdade do outro, tampouco para fazer prevalecer a própria vontade. O desejo pessoal é um forte instrumento para o progresso pessoal e material, assim como também pode ser uma arma fatal quando direcionada a modificar a livre escolha, interferir na liberdade alheia.
A liberdade de conduzir os rumos da própria vida é um direito intocável, assim como expressar seus pensamentos e crenças; obviamente existem limites, que é a própria liberdade do outro, que deverá servir como limitador de direitos e deveres. Tenho convicção de que nenhum relacionamento saudável pode restringir a liberdade ou sequer tentar impor condições, punições e castigos, seja simples ou extremamente intenso, pois, como já escrevi num texto anterior, todos têm o direito de escolher.
É preciso assimilar que o desejo pessoal de restringir a liberdade do outro é um inimigo interno muito traiçoeiro que deve ser combatido; ter a capacidade de colocar-se no lugar do outro, compreendendo e respeitando sua liberdade é a melhor forma de vencê-lo. Convivemos com limites de liberdade e punições desde criança, desenvolvendo um sentimento de rejeição ao sofrermos com um castigo e ao mesmo tempo de fascinação e satisfação ao ver o próprio desejo atendido. Esse desejo de ver as próprias vontades satisfeitas raramente leva em consideração a liberdade do outro, ou seja, é um sentimento de egoísmo tão natural que não percebemos que não temos o direito de interferir nas escolhas alheias; isso serve para o amor, a política, a religião ou qualquer outra relação. A liberdade é intrínseca à vida saudável, pois delimita o direito pessoal e alheio, e ninguém tem o direito de utilizar o outro para satisfazer seus desejos.

Nosso desafio é crescer respeitando as liberdades individuais, reconhecer e entender nossos desejos, de forma que não sirvam para punir outrem, mas para nos levar a transcender para a humildade, a liberdade e o verdadeiro amor. Boa semana.



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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Indelegável Poder de Escolher - por Jair Antônio Pauletto

Quando a emoção toma conta, a praticidade se perde. Essa é uma percepção comum para muitas pessoas, especialmente quando estão vivendo algum conflito emocional. Parece impossível conseguir manter a racionalidade diante de conflitos de ordem emocional. É como se essas duas realidades não pudessem conviver simultaneamente. Fazer escolhas sensatas e práticas não é fácil, nem mesmo quando não há envolvimento sentimental, mas é extremante mais difícil decidir corretamente sob efeito emocional. O ideal é que haja um equilíbrio entre razão e emoção para escolhermos, com maior praticidade, diante de situações complicadas que exigem muito do emocional, mesmo que pareça impossível.
Essa pode ser uma tarefa difícil, porém necessária, para que se possa chegar a uma solução adequada, uma vez que a carga química despejada em nosso organismo afeta diretamente nossas atitudes; no entanto, quando todos os distúrbios emocionais serenarem, devido ao término de tantos processos químicos, a razão retoma o seu espaço. No entanto, a razão, que costuma cobrar-nos por atitudes precipitadas ou indevidas, geralmente tomadas no momento de domínio do estresse emocional, se transforma num carrasco acusador, já que decisões tomadas na total ausência da razão e da racionalidade, geralmente, resultam em prejuízos ou arrependimentos que ficam nos pressionando negativamente e comprometendo a nossa tranquilidade.

A difícil tarefa de manter a racionalidade diante das questões emocionais é uma habilidade que precisa ser adquirida. Não se trata de ser “frio” ou alheio aos sentimentos, mas sim, de um fator importante para adquirir equilíbrio e maturidade. Frente a atitudes bem tomadas, conscientes, não existe a autocobrança, a punição interna ou a culpa que muitas vezes estão por trás da própria infelicidade. Atitudes precipitadas ou mal resolvidas geram um trauma difícil de superar que normalmente se arrastam por toda a vida, visto que também se mascaram com outras situações do cotidiano e acabam por reforçar deficiências, ou até mesmo agregam outras. Porém, a protelação de uma decisão pode ter um efeito muito mais devastador que o de decidir erradamente, mesmo não estando sob efeito emocional. Prolongar uma decisão gera muito desgaste, consome energia e rouba o sossego, enfim, tranca o fluxo da vida.

Toda escolha deve ser feita com base no próprio interior de forma que represente o todo e seja fruto do equilíbrio emocional, racional e orgânico. Decidir é um processo pessoal que precisa ser aprendido, pois o caminho resultará dessas escolhas. Não é fácil escolher quando se trata de nossas intimidades, nossos afetos, diferentemente que escolher uma roupa nova ou uma comida. As decisões que dizem respeito a causas importantes na vida são uma tarefa indelegável e imprescindível para o aprendizado. Ter consciência disso é o primeiro passo parar evitar a postergação. Saber que temos o direito, o poder e o dever de decidir o que queremos, bem como perceber que é impossível não assumir a responsabilidade pela própria vida, uma vez que não decidir também é uma decisão, são argumentos fundamentais e devem ser levados em conta para fazer escolhas serenas.

Abdicar de optar por aquilo que queremos é escolher que outros escolham por nós, mas sempre será uma escolha, já que a vida é feita de escolhas e é através delas que crescemos, nos experimentamos e aprendemos, portanto não devemos deixar de fazê-las. Abandonar algo que desejamos, mesmo sabendo ser infrutífero ou sem valor, por exemplo, é um tipo de escolha frequente e que causa grande sofrimento, porém trata-se de algo simplesmente necessário e muito frequente na vida, não por ser algo além do nosso merecimento, mas por tratar-se de uma provação que precisamos passar para amadurecermos e nos tornarmos mais fortes e confiantes.
Poucas vezes a vida nos coloca diante de decisões fáceis, até mesmo as que a princípio julgamos fáceis, como ao escolher o time do coração pela influência dos pais, mais tarde trará situações difíceis e até algum sofrimento ao nos defrontarmos com sucessivas derrotas. Digo isso para evidenciar que até mesmo escolhas que parecem inconsequentes podem gerar desdobramentos futuros imprevisíveis.

Diante disso, pode-se concluir que é inevitável não escolher e, mesmo sob estresse emocional ou em pleno equilíbrio, ao decidirmos, qualquer coisa que seja, estamos plantando fruto iremos colher e provar posteriormente, portanto, nada melhor que utilizar conscientemente este maravilhoso poder de poder escolher e crescer com este aprendizado. Boa semana.



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quarta-feira, 1 de julho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mergulhos de Inverno - por Jair Antônio Pauletto

Com a chegada do frio, também retornam velhas alternativas de lazer. Algumas, inclusive, muito simples, como a de comer bergamota na praça lagarteando ao sol. E para os que preferem opções um pouco mais elaboradas, uma visita aos campos de cima da serra é uma boa alternativa, já que as tradicionais cidades da serra são bastante conhecidas. Essas são apenas algumas sugestões para que o inverno possa ser saboreado com muito prazer e alegria. Mas, independente do lugar que escolhemos estar, o inverno pode ser desfrutado com todas suas vantagens e implicações, o importante é perceber que a vida é bela e as estações são únicas, que o momento de aproveitar é agora.
Numa dessas visitas à serra, um fato interessante me inspirou o tema de hoje. Trata-se de uma brincadeira das crianças que, diante do mirante de um lindo vale, começaram a brincar de eco, ou seja, gritavam a toda a goela para, em alguns segundos, ouvir novamente o som mais ou menos claro da palavra gritada: o tal eco. Bom! Isso me fez lembrar que a natureza, constantemente, através de suas leis, nos dá demonstrações claras de como ela funciona, que o mundo em que vivemos é um lugar que faz eco.
Se emitirmos sentimentos de raiva, volta raiva, se espalhamos amor, volta amor, uma lei perfeitamente natural e facilmente comprovada. É bem possível que muitos de nós já tenhamos experimentado essa lei em relação a algum acontecimento na vida. Uma lei que é infalível, ou seja, tudo o que se faz volta, tudo o que se planta se colhe e assim por diante, essas são as diferentes interpretações da mesma lei.
Então, assim como o inverno é agora, temos que aproveitar esse momento para curtimos todas as suas delícias e especialmente aproveitar para nos aproximar dos amigos, familiares e de todos os que nos fazem bem. O inverno é uma estação de aconchego e parece chamar para essa ação. Nada mais apropriado que seguir esse chamado, estreitar laços, aquecer as relações com as pessoas, espalhando amor, alegria e fraternidade. Mas não espere que outros tomem a iniciativa, seja pró-ativo e faça o primeiro gesto de aproximação, mesmo que algum sentimento inadequado ainda esteja um pouco enraizado. Faça um gesto de aproximação e espalhe calor humano, solidariedade, afinal, o amor não é exigente, ele simplesmente existe para voar, para se libertar, para crescer entre as pessoas.
Aliás, nessas questões de reaproximação, de reconstrução de laços, um grande inimigo interno é o ego: ele nos induz a uma falsa sabedoria, nos oferece inúmeros argumentos e sólidas razões para evitarmos a aproximação e um dos seus truques preferidos é nos fazer perceber que o brigar, o resmungar e ser desagradável não tem o menor sentido, mas justifica-se pelo alterado estado emocional do momento. Tudo isso para nos fazer parecer sábios e nos eximir da responsabilidade, que é um grande engano, pois todos se tornam sábios quando o momento se foi, porém, isso de nada vale, pois ser sábio é ter consciência dos atos no exato momento que ocorrem. Não tem o mesmo valor entender o que aconteceu após o ocorrido, muito menos é sabedoria. Uma vez que sabedoria é ter a consciência presente o tempo todo, para que quando o fato estiver acontecendo se possa perceber que o que estamos fazendo é inútil.
Desta forma, com a consciência presente, podemos perceber claramente que o outro nunca é o responsável por coisa alguma. O problema sempre é algo que está fervendo dentro de nós, que não conseguimos identificar, apenas não temos consciência. Quando temos consciência não agimos com raiva, ressentimento ou mágoa, pois isso vai contra a própria consciência.
É claro que jogamos nossos disparates contra as pessoas que amamos, até porque elas estão mais próximas e não dá para fazer isso com um estranho, um alguém que está passando pela rua, seríamos tratados como tolos quando, na verdade, estamos sendo insanos ou no mínimo incoerentes em maltratar quem nos ama. Uma das formas de tomar consciência deste tipo de atitude e principalmente de culpar os outros pelos nossos problemas é mantermo-nos conscientes permanentemente, de modo que sempre que encontrarmos algo de errado no outro nos lembremos do nosso próprio estado de consciência.
É, o inverno é uma estação que exige posicionamento, aliás, não conheço ninguém que goste mais ou menos do inverno. Todos têm posição: ou gostam ou não gostam, assim como o verão, são estações bem definidas na cabeça das pessoas. O inverno tem uma característica peculiar que é o chamado ao recolhimento, à intimidade, ao aconchego, ao mergulho interno e à introspecção. Talvez não seja somente a brincadeira das crianças, mas também os dias frios que me fazem trazer toda essa reflexão. Seja como for, o certo é que não podemos esquecer que o outro nunca é o responsável por nossos problemas; que um gesto de aproximação faz bem em qualquer estação e que o mundo é um lugar que faz eco. No entanto, não há nada que não possa ser superado com amor este sentimento poderoso, porém frágil. Boa semana.



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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aprender com a Perda - por Jair Antônio Pauletto

Na semana passada, recebi um e-mail de uma amiga, perguntando se eu tinha um livro chamado Perdas Necessárias da autora Judith Viorst. Infelizmente não tinha o livro para emprestar e lamentei não tê-lo lido, pois já havia recebido várias recomendações. No entanto, o título ficou marcado na minha mente e comecei a pensar na grandeza destas palavras: Perdas Necessárias.
Parece contraditório, especialmente para nós ocidentais, acostumados a querer ganhar e ganhar sempre mais, todavia mergulhei nos meus pensamentos e percebi o extraordinário aprendizado que podemos extrair diante de uma perda. Obviamente que não aceitamos perder e sequer gostamos de ver alguém que amamos perdendo algo, nem mesmo o nosso time de futebol.
Porém, a perda é uma experiência necessária ao desenvolvimento do ser humano e importante para que possamos adquirir experiência e maturidade. Tudo começa quando nascemos e perdemos a tranqüilidade, o bem-estar que o ventre materno nos proporciona, quando aprendemos a lutar pela vida sem a constante presença da mãe e assim sucessivamente a vida nos impõe perda e desafios que nos impulsionam para seguirmos em frente. Algumas vezes não percebemos a perda, pelo simples fato de temermos a mudança, como no caso da passagem da fase de criança para a adolescência. A busca pela independência nos fascina tanto que esquecemos que não podemos mais exigir, ou melhor, que perdemos aqueles benefícios do tratamento de criança, sem grandes responsabilidades e obrigações.
Geralmente percebemos a perda de alguém apenas com a morte. Nesta hora pensamos nas pessoas que amamos e nosso íntimo imediatamente manifesta um desconforto. Mas a perda vai além, ela abrange muitos outros aspectos na nossa vida. O simples fato de mudar, por exemplo, causa perdas, uma vez que deixamos coisas para trás, sejam materiais ou sentimentais. Perdemos os objetivos, os sonhos e as expectativas, seja de forma consciente ou inconsciente, mas em algum momento essas perdas ocorrem, mesmo quando estes são substituídos ou modificados existe uma perda, que é necessária ao crescimento, ao aperfeiçoamento.
Outra perda importante é a das ilusões, que se vão conforme amadurecemos; uma das mais importantes para o nosso desenvolvimento, uma vez que a ilusão é um grande obstáculo ao desenvolvimento da própria consciência; que nos faz perceber que o amor que nossas mães nos dedicam não é só nosso, que um dia vamos perder quem amamos e que existem muitas dores que já não passam com um simples beijo.
Com o passar dos dias, também percebemos que a juventude deu lugar às rugas e que definitivamente somos mortais; que estamos no mundo numa caminhada individual; que descobrimos que somos limitados essencialmente pelo próprio pensamento, pela culpa e autonomia. Observamos que existem falhas em qualquer relacionamento humano, que por mais sábios e encantadores que possamos ser nunca vamos agradar a todos e que nossa passagem por este planeta é apenas transitória. Todas essas percepções e muitos outros aprendizados estão relacionados à perda e, consequentemente, ao autodesenvolvimento.
Muitas vezes precisamos desistir, deixar de lado, perder algo para poder crescer, pois é através da renúncia que podemos nos tornar mais fortes e melhores. O rompimento de um laço afetivo causa uma dor mortal, mas pode ser o aprendizado que necessitamos para cultivarmos o verdadeiro amor. O afastamento de um amigo, que considerávamos essencialmente bom, devido a uma grande maldade nos mostra que temos que aceitar que as pessoas e nós mesmos somos um misto de amor e ódio, de bem e mal. A perda inesperada de uma pessoa amada nos coloca frente a frete com uma realidade da qual não podemos fugir, que é o nosso limitado poder de evitar a dor do outro, que somos completamente incapazes de proteger as pessoas e a nós mesmos do sofrimento, da velhice e da morte.
Perder sempre é difícil e doloroso, não importa a idade ou o desenvolvimento pessoal de cada um, mas é através das perdas que crescemos. É preciso compreender as perdas para entender a vida, para ter forma, coragem e determinação para seguir em frente e tornar-se um ser humano melhor. É através deste aprendizado que determinamos o que somos e a vida que vivemos, ou seja, é o que vai nos transformar para melhor ou para pior. Não estou dizendo que perder é bom, simplesmente mostra que a perda faz parte da vida e através dela podemos aprender e crescer. Obviamente que ganhar é melhor, mas percebam que a perda está definitivamente ligada ao crescimento; embora muitas vezes dolorosa, é fundamental para nos tornarmos pessoas melhores.
Dessa forma, espero que as perdas em sua vida sejam leves e cheias de aprendizado, e assim possam minimizar o sofrimento sem prejuízo ao seu crescimento. Que o saldo final seja positivo, no qual as perdas tenham se transformado em lucrativo aprendizado. Boa semana.



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domingo, 10 de maio de 2009

Mãe, Instrumento Divino - por Jair Antônio Pauletto

Quando os antigos gregos tiveram a idéia de homenagear Rhea, a mãe dos deuses, sabiamente escolheram o início da primavera como a data mais propícia. Nada mais justo que associar esta maravilhosa estação com o papel de mãe. Desde aquela época, passando pela criação de uma data oficial e sua exploração comercial, tudo o que se fez visa tentar reconhecer a importância da mãe no desenvolvimento da humanidade, porém, por mais criativas e calorosas que sejam as homenagens é impossível retribuir a dedicação e o amor que as mães dedicam a seus filhos.
Dotada de um sentimento proveniente do fundo da alma, ela é a responsável pelo abrandamento das tensões entre os homens e, consequentemente, do progresso da civilização humana. Foi através das atitudes e gestos maternos que o homem se afastou da selvageria e brutalidade do desejo de guerrear. A delicadeza e suavidade da mãe permitiram ao homem descobrir a força do amor que, com o passar dos tempos, floresceu em cada nova geração, frutificando-se nos dias atuais, como o alicerce dos mais elevados princípios da humanidade.
Foram as mães as responsáveis pela sobrevivência da humanidade, não somente por reproduzirem em seu ventre a vida e assim garantirem a multiplicação da espécie, mas principalmente por elevar-nos como seres diferenciados, afastando-nos do domínio dos instintos animalescos, humanizando-nos. Sem este gesto, possivelmente não evoluiríamos como seres humanos e certamente os sentimentos de afeto, aconchego e proteção não seriam experimentados.
O desenvolvimento da força da maternidade foi fundamental para frear a brutalidade masculina que, embora importante em épocas mais remotas, teria colocado em risco ou até extinguido a própria espécie, já que a experiência do aconchego materno experimentado logo nos primeiros momentos de vida foi e é fundamental para o desenvolvimento da personalidade, fato hoje comprovado cientificamente. No entanto, é o sentimento, o afeto que a mãe transmite ao filho, que marca e os liga para a vida toda; esse amor materno é tão importante quanto o alimento que todos necessitamos para viver; nele encontra-se o DNA de todas as formas de amor e alegria que a vida nos oferece. É, também, através da pureza e intensidade da energia amorosa que liga mãe e filho que o ser humano encontra forças para trilhar seus caminhos pelo resto da vida.
A mãe é o instrumento utilizado pelo Alto para promover o crescimento humano, despertando-o como ser espiritual, uma vez que ela é o elo entre o corpo e a alma, ou seja, ela nos abriga e molda fisicamente em seu ventre, enquanto Deus nos atribui a alma. Dotada de uma alma especial, a mãe consegue estabelecer uma conexão permanente com o filho, isto faz com que a dor ou a alegria do filho se tornem extensão da própria alma. Acordar em plena madrugada, cansada pela exaustiva dupla jornada de trabalho e atender ao filho sem reclamar é um ato de amor que somente as mães são capazes de cultivar em seus corações.
Todo o trabalho dos grandes mestres da humanidade, especialmente dos lideres espirituais, não teria alcançado e prosperado no coração do homem se não fosse o papel da mãe. É ela que dá as primeiras direções na vida; é ela que introduz os princípios e valores que nortearão os passos do filho, que o incentiva a aperfeiçoar-se e a buscar novos ensinamentos. Por mais distantes que possam estar fisicamente, jamais perderão o vínculo, assim como os ensinamentos maternos sempre servirão de base para a orientação dos próprios filhos ou simplesmente para efetuar as escolhas da vida.
A multiplicação dos valores e ensinamentos dos grandes mestres deve-se muito mais ao papel das mães em plantar, no coração dos filhos, as primeiras sementes que o papel dos diferentes missionários contemporâneos ou da leitura de livros sagrados. É a mãe, que nem sempre é reconhecida e insuficientemente valorizada, a primeira a semear os principais valores humanos que posteriormente constituem no caráter do homem. Portanto, homenagear as mães é tarefa impossível, mas mesmo sendo impossível expressar o que ela significa na vida de cada um nós, devemos manifestar constantemente todo o nosso amor, de forma que ela possa sentir um pouco da nossa imensa gratidão. Beijos, abraços e todas as manifestações de carinho possíveis estão liberadas e devem ser usadas em abundância neste domingo.
Desde criança, sempre desconfiei que a mãe tivesse uma ligação divina para poder desempenhar um papel tão importante: na família, na sociedade e em toda a história da civilização humana. Mas, somente agora, percebo isso com mais clareza o que me permite dizer de todo o coração: Mães, Obrigado! Sem sua presença nossa existência não teria o mesmo sentido. Feliz Dia das Mães.



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sexta-feira, 27 de março de 2009

Onde Está a Felicidade - por Jair Antônio Pauletto

Na televisão, um comercial, insistentemente tentando promover um filme, diz que a “felicidade está sob sol da Toscana”. Além de chato, isto me lembrou o tempo em que eu vivia me queixando que não era feliz, que a felicidade era algo impossível.
Quando era criança a felicidade vinha embrulhada em um papel colorido, mas pouco tempo depois os brinquedos deixaram de fazer efeito, pois comecei a desejar embrulhos que meus pais não podiam comprar. Apesar disso, a vida era boa, obviamente que concluí isso somente quando os brinquedos já não me despertaram mais interesse algum. No início da adolescência, tudo que precisava para ser feliz podia ser encontrado na pequena loja ao lado da praça. Nossa! Aquela loja tinha tudo para fazer alguém feliz: vendia tênis, revistas, relógios, eletrônicos, camisetas e qualquer outra coisa que estivesse na moda.
Mais tarde, a danada da felicidade mudou-se para as festas, baladas, namorada, conclusão dos estudos, independência financeira, enfim, estava sempre um passo à frente. Também passou pela ilusão de ganhar na loteria, de comprar um carro novo, de ficar famoso por um talento qualquer. No entanto, sempre que a felicidade parecia estar ao meu alcance, ela dava um jeito de mudar-se para alguma outra coisa que eu precisava alcançar. Assim, passei a acreditar que “só seria feliz no dia em que...”.
Felizmente, após muito tempo e muita pancada na cabeça, descobri que estava me impondo condições para ser feliz, e que cada uma dessas condições se tornava uma promessa para mim mesmo ou desculpas para a insatisfação. Aliás, promessas e desculpas são armadilhas perfeitas para adiarmos a ação, para jogar tudo para o futuro e continuar na ilusão de encontrar a felicidade lá adiante. Isto me fez perceber que estamos aqui para aprender com a vida sobre nós e não para ensinar à vida o que queremos. Então, compreendi que a felicidade se conquista através do desenvolvimento da consciência e que, após alcançarmos determinado patamar, ela nos introduz ao fluido amoroso da vida. Essas leis da vida são fundamentais para nos conectarmos com a sintonia da felicidade.
Mas, afinal, o que é essa felicidade que tantos almejamos? Será que todos podem alcançá-la? Se não soubermos o que ela é, dificilmente saberemos o que fazer, até mesmo, porque, ser bem-sucedido parece não dar garantia alguma, pois a maioria das pessoas consideradas pela sociedade como bem-sucedidas admitem não serem felizes.
A felicidade não pode ser adquirida, perdida ou dada, uma vez que não se pode tê-la, apenas senti-la. Todos nós possuímos uma seta interna que nos indica o verdadeiro caminho para alcançá-la, mas para isso precisamos ter a sensibilidade de sentir e compreender a linguagem da vida. Encontraremos a resposta para todos os questionamentos se tivermos coragem de seguir as sinalizações interiores e melhorarmos a percepção sobre o sentir.
O filósofo Epicuro pregava que a felicidade advém das coisas simples; Confúcio disse que “A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros”. Para Nietzsche: “Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade”. E, por sua vez, Thomas Hardy nos diz que: “A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos”. No entanto, individualmente compreendemos a felicidade conforme o grau de desenvolvimento, o entendimento que temos das leis da vida e a maneira de senti-la.
Portanto, a felicidade não pode ser encontrada no shopping, naquela loja ao lado da praça, como eu pensava, ou na ilusão do “se...”. É preciso entrar na vibração amorosa para que esta atraia o que for melhor para nossas vidas, que isso nos levará à felicidade. Ser feliz é perceber o que é a vida, reconhecer as maravilhas que a natureza nos disponibiliza e enxergar a grandeza de ser humano. Porém, assim mesmo os problemas, a tristeza e a raiva não deixarão de existir, mas quando alcançarmos esse estágio de consciência, esses momentos serão acolhidos com serenidade; o que nos ajudará a perceber as lições preciosas que esses “aborrecimentos da vida” contêm.
Na minha longa jornada, essas foram algumas premissas que me ajudaram a superar bloqueios e falsas percepções, que me impediam de entrar em contato com o meu íntimo e seguir as setas indicativas para a felicidade. O grande segredo foi ter acreditado que todos os recursos e respostas, indispensáveis para alcançar a felicidade, podiam ser encontrados no próprio interior.
É natural resistirmos a tudo com que não estamos familiarizados, mas pelo menos espero que meus erros evitem que caias nas mesmas e infrutíferas ilusões e que consideres a possibilidade de explorar profundamente o imenso e surpreendente território que habita o seu ser; certamente encontrarás o porquê de ser, a felicidade, um bem precioso possível a todos. Nunca fui a Toscana, mas assim mesmo tenho certeza que não é preciso ir até lá para encontrar a felicidade. Boa semana.


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Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Farmácia Interna - por Jair Antônio Pauletto

Em busca de um corpo mais saudável, as pessoas se submetem cada vez mais a dietas no mínimo esquisitas. Um amigo, percebendo seu corpo ficar cada vez mais arredondado, resolveu se submeter a uma nova dieta. Passado alguns dias, falou-me dos resultados com tanta convicção, que apesar de não observar nenhum resultado em sua aparência, dizia estar muito satisfeito. Acreditava ter encontrado a solução ideal, pelo fato de estar produzindo o próprio alimento de forma natural e orgânica. Fiquei surpreso e imediatamente perguntei como era possível produzir alimentos num apartamento, onde o espaço é tão reduzido. A resposta foi surpreendente ao dizer que apenas necessitava de sementes e água para produzi-los.
Perplexo, não imaginei nada que pudesse germinar ou crescer tão rápido a ponto de em duas semanas já estar apto para ser consumido, pois havia me esquecido que é possível cultivar brotos em apenas alguns dias através da hidroponia - técnica de cultivar plantas sem solo - pela qual as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta. Era justamente isso que ele vinha fazendo, estava cultivando brotos de alfafa, feijão, rabanete, brócolis e uma infinidade de outras espécies que eu jamais havia imaginado ser possível. Afirmava que o consumo in natura ou em forma de suco estava lhe trazendo ótimos resultados, principalmente quanto a sua excessiva ansiedade, fator principal de boa parte de todos os seus problemas. A começar pela obesidade, fruto de uma excessiva ansiedade que o dominava desde pequeno. Os fatores eram tantos que psiquiatras e outros especialistas consultados, não tinham qualquer dúvida em diagnosticar a ansiedade generalizada, evidentemente associada a inúmeros outros transtornos.
Quinze dias após termos tido esta conversa, ele me disse que já estava testando uma nova dieta à base de fibras. Logo pensei no sofrimento que esta incessante procura deve proporcionar, bem como da surpreendente força de vontade que este meu amigo demonstra para encontrar uma solução para sua obesidade, ansiedade, enfim.
Hoje, ao ler uma reportagem que falava dos estudos da doutora Canadence Pert, uma respeitável pesquisadora americana, sobre a imensa farmácia que existe em nosso cérebro, lembrei deste meu amigo. A doutora Pert, que chefiou por treze anos estudos sobre a bioquímica do cérebro, descobriu que na região chamada de hipotálamo, o cérebro produz químicos denominados peptídeos, que alimentam nossas células, penetrando por receptores específicos. Assim, o que podíamos sentir na prática quando uma determinada emoção produzia uma reação passou a ser compreendida cientificamente, ou seja, cada emoção produz um determinado peptídeo que é lançado na corrente sangüínea e vai ao encontro das células. Para cada peptídeo existe na célula um receptor compatível, assim como uma fechadura e sua chave. Deste modo, por exemplo, um peptídeo produzido por um sentimento de amor, tem uma determinada forma, só pode ser absorvido se a célula possuir um receptor de forma compatível. Encontrando o receptor compatível ele penetra na célula alimentando-a, podendo modificar-lhe todo o núcleo. Talvez esteja aqui a explicação para as criações mentais, pois se tivermos continuadamente as mesmas emoções produziremos o mesmo tipo de peptídeos, com a ocorrência três conseqüências importantes:
A primeira é que as células vão se acostumando com aquelas emoções, isto é, com aqueles peptídeos que as alimentam, que por sua vez, terão cada vez mais fome, mais necessidade deles, exigindo-os em quantidade cada vez maior. Em outras palavras, assim como as células mandam mensagem exigindo mais comida, também enviam pedidos de mais amor ou qualquer outro sentimento que estejam acostumadas a se alimentarem. Está aí uma explicação que pode justificar a dificuldade que temos em abandonar um vício.
A segunda conseqüência é o constante bombardeio pelo mesmo peptídeo, ou seja, o mesmo estado emocional faz com que a célula comece a transformar receptores – fechaduras - para outros tipos de peptídeos, em receptores para os peptídeos provenientes das emoções mais intensas e mais freqüentes, iniciando assim um circulo vicioso. Simplificando, podemos dizer que a repetição faz o hábito.
A terceira é quando as células já viciadas, adulteradas, se reproduzem, gerando novas células com mais receptores, mais fechaduras para aquela determinada emoção. Assim, as novas células já nascem com uma necessidade maior daqueles peptídeos, fortalecendo a dependência. Isto vem confirmar as citações “a mente constrói o corpo” e “somos o que pensamos” entre outras.Dessa forma, podemos concluir que estas descobertas podem trazer uma importante contribuição para melhor compreendermos muitos transtornos emocionais, tais como: a raiva, depressão, ansiedade e a até mesmo a obesidade daquele meu amigo. Portanto, cuidado com as repetições, pois podem se tornar um obstáculo muito difícil de superar, uma vez que podem modificar o nosso próprio organismo.
Boa semana.



terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dias Nublados - por Jair Antônio Pauletto

Existem dias em que a vida parece ganhar um impulso extra, exclusivamente pelo espetáculo que a luminosidade do sol, sob o imenso céu azul, nos proporciona. Tudo parece mais colorido, bonito, perfumado, mais vivo, e repleto de energia. Logo, esses dias nos empurram pra frente, mesmo que estejamos um pouco desanimados. Parece que algo nos contamina e, conforme vai adentrando em nosso interior, nos transformamos para encarar os desafios da vida bem mais dispostos. Tudo parece dar certo. A esperança volta a brotar em nossos corações trazendo a certeza de que dias mais felizes nos aguardam. Já o medo e a dúvida interior parecem se desintegrar com a chegada destes raios de sol, dando lugar ao entusiasmo e a motivação, transformando os problemas que antes, considerados grandes, em interessantes desafios.
A vida passa a ser sentida de forma mais plena e parece que nada mais poderá ameaçar nossa felicidade. Essa “contaminação” do cenário externo para o ambiente interno ocorre com freqüência, tanto nos dias ensolarados como nos dias nublados, frios ou chuvosos, em que tudo parece ficar ainda mais difícil. No entanto, também existem dias em que nada parece dar certo, mesmo que a natureza nos presenteie com um espetáculo maravilhoso. Por mais ensolarado e luminoso que seja o dia, nada consegue nos fortalecer para acabarmos com a treva interior. Esta é uma situação oposta à anterior, e tudo que conseguimos fazer é fechar a cara, reclamar de tudo e de todos. Mesmo que se tente utilizar a fórmula de deixar-se “contaminar” pela beleza do dia, não se obtém resultados significativos. Lutar para uma vida melhor parece ser a coisa mais idiota a se fazer, mesmo que todos ao nosso redor nos incentivem e jurem que valerá a pena; que são esses os dias em que a vida nos prova, dá as oportunidades de crescermos e evoluirmos como humanos.
Revoltar-se ou entregar-se ao desânimo e à desesperança é dar um passo para trás no caminho evolutivo. Superar esses momentos exige um esforço gigantesco, muitas vezes impossível de ser conseguido sem orientação e ajuda. Por isso, quando o interior está nublado, devemos procurar as causas, identificar os motivos que trouxeram tantas nuvens. Geralmente são pequenas frustrações, problemas que ficaram para trás e que por alguma razão agora exigem atenção. Muitas vezes fruto da correria da vida moderna, na qual estamos sempre priorizando algo externo em detrimento aos nossos sentimentos. Vasculhar o interior em busca de causas exige coragem e disposição para enfrentar embates internos, freqüentemente difíceis de superar. Fazer uma análise interna é importante para o autoconhecimento e conseqüentemente para enfrentar dias nublados.
Quando acreditamos na força do invisível, significa que temos fé, e o esforço exigido torna-se menor e encontra uma razão para continuar a lutar. Assim, renasce a esperança de dias mais felizes, com sonhos realizados e a certeza de que outros podem ser sonhados. Ter fé é confiar, acreditar sem temor, ainda que pela frente nada pareça existir. É preciso ter a mesma certeza que o sol existe, embora que o dia esteja chuvoso. Acreditar pode não ser o suficiente para resolvermos o problema, mas é o primeiro passo a ser dado, conseqüentemente tudo se desencadeará com maior facilidade.
Não conheço ninguém que não tenha passado por dias nublados de desânimo e frustrações. É natural do ser humano, é parte do nosso aprendizado. Portanto, não temos como fugir é um processo necessário para alcançarmos dias melhores. Um fracasso, um dia de desânimo é perfeitamente aceitável e deve ser encarado com naturalidade, jamais com acomodação. Pode ser um momento necessário para colocar a casa em ordem. Pode ser aquele dia da faxina geral, do qual tudo é retirado do lugar, avaliado e depois descartado ou recolocado no devido lugar. Revoltar-se em nada contribui, pois o momento pode até passar, mas logo voltará com maior intensidade. É preciso encontrar o equilíbrio para que sejamos capazes de nos levantarmos e caminharmos, mesmo diante das dificuldades da mesma forma que devemos manter os pés no chão quando conquistamos uma vitória. O importante é manter-se no caminho, melhorar-se e acreditar sempre.
Assim, como as estações se sucedem e nelas encontramos razões para vivermos dias de prazer e felicidade, seja frio ou calor, o momento de dor e felicidade também se sucede para que possamos nos conhecer e, através disso, aprender a superar os obstáculos necessários para ingressar em estágios superiores da evolução humana. O segredo para dias mais luminosos não está em deixar-se “contaminar” pelo externo, mas sim, em contaminar o ambiente externo com o que temos internamente, e assim podermos transformar todos os dias cinzentos em ensolarados e brilhantes. A transformação sempre será de dentro para fora, a qualidade do amanhã está guardada no nosso interior. Boa semana.



sábado, 20 de dezembro de 2008

Recomeçar - por Jair Antônio Pauletto

Recomeçar é começar de novo. Não é nada mais do que o óbvio, no entanto é uma palavra ligada tanto ao medo, quanto à esperança. O medo de um novo fracasso, no qual estaremos novamente expostos ao erro e outros fatores, que por alguma razão, anteriormente, não alcançamos os resultados desejados. A esperança, por sua vez, está ligada à expectativa de iniciar uma nova caminhada em busca do que se deseja, com a certeza de que estamos mais experientes e conhecedores de certos obstáculos que impediram o sucesso anterior. Recomeçar com esperança é fundamental para obtermos sucesso em qualquer objetivo, pois é o combustível que nos faz andar atropelando o medo e a insegurança, que eventualmente pode surgir no caminho. É preciso coragem para recomeçar, seja reconstruindo algo que não deu certo, ou mesmo para lançar-se a um novo desafio.
A ambigüidade, entre o medo e a esperança que acompanham a palavra recomeçar, no cotidiano popular devem ser esquecidos e substituídos pela palavra chance. A chance de fazer melhor, de fazer diferente, de ser mais feliz. Recomeçar é: dar uma nova chance à vida; é acreditar que as oportunidades se renovam; que cada dia é um novo tempo nunca antes vivido por ninguém. Começar de novo é: permitir-se acessar outras formas de aprendizado; consertar erros; evoluir; é a chance de acessar novas páginas branquinhas e prontas para receber os registros de nossos aprendizados e conquistas daqui pra frente.
A vida nos proporciona uma infinidade de momentos favoráveis, para que possamos exercitar nossas potencialidades e evoluirmos como seres humanos, sejam elas no individual ou na coletividade. Entretanto, desperdiçar estas oportunidades, paralisados pelo medo é muito mais que falta de confiança, é não acreditar que podemos ser felizes, é não acreditar em Deus. É claro que devemos ser prudentes, e avaliar com atenção todas as possibilidades, mas permanecer paralisado com medo de recomeçar, é prejudicar o próprio crescimento. Quando se está diante deste medo é preciso ter serenidade para pensar, avaliar à situação isentos de preocupações, cheios de confiança e com a certeza de que o amanhã reúne todas as condições para desfrutarmos da felicidade.
Quando um ciclo chega ao fim, é sinal que se concluiu um aprendizado, embora que em muitos casos relutemos para aceitar o encerramento de um ciclo, de um relacionamento ou uma fase qualquer que só correu porque a lição que tínhamos de aprender foi assimilada. É uma verdade difícil de aceitar, mas basta um pouco de atenção para perceberemos quantas destas situações já vivenciamos. O recomeçar é o fim de um destes ciclos de aprendizado, ou seja, significa que já estamos aptos a novas lições e experiências. Permanecer no ciclo anterior é o mesmo que querer repetir de ano, no colégio, por várias vezes. Se um ciclo parece ter terminado, não resista, encerre-o e permita-se recomeçar. Jogue fora o que te prende ao passado, guarde somente a lição e estabeleça novos objetivos. Iniciar uma nova etapa é acreditar em si novamente, é permitir que a luz penetre no seu interior iluminando a esperança, aquecendo o coração. É como a primavera que vem e faz brotar o verde, o colorido das flores, dando continuidade à vida que parecia estar morrendo pelo frio do inverno.
Quem tem força e coragem para recomeçar vive mais e melhor, joga a tristeza fora e espalha alegria. Quantos jovens de mais de oitenta anos recomeçam todos os dias novos desafios, cheios de vitalidade, e quantos velhos de quarenta anos choram as perdas por terem se fixado no passado, tristes e cheios de medo com o amanhã. O que os diferencia é a atitude que os impulsiona para a felicidade, uma vez que a energia gasta com as lamentações e o medo de recomeçar é muito maior do que aquela que precisamos para iniciar uma nova etapa. Ao estabelecermos novos objetivos desencadeamos uma onda de energia mais leve, proporcionando as realizações, capazes de alimentar novos sonhos e conseqüentemente nos elevará a um novo patamar.
Às vezes não conseguimos fazer essa transição com tanta facilidade quanto gostaríamos, mas permanecer na indecisão é prolongar desnecessariamente uma dor que muitas vezes nos faz chorar. Se for preciso chorar, chore, pois chorar é lavar a alma, e então, com a alma limpa recomece sem medo, confiante que sempre é possível melhorar. Dar-se uma nova chance é permitir que os desejos divinos se manifestem e principalmente se concretizem através de nossas atitudes.
Espero que o seu recomeçar seja uma oportunidade em sua vida, uma renovação para novos aprendizados, crescimento e realização pessoal, mas sobretudo, que espalhe amor e esperança ao seu redor. Recomeçar é muito mais do que foi dito neste texto, pois tem um significado particular em cada um de nós, mas não permita que o negativismo se instale pela ação do medo. Independente do ponto de parada, até mesmo se tudo parece perdido, sempre temos a oportunidade de fazer de novo, e o que é melhor, com grandes chances de nos sairmos vitoriosos. Portanto, sempre que tiveres a chance de recomeçar, perceba que é uma nova oportunidade para ser mais feliz.