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sexta-feira, 8 de abril de 2011

As Nossas Palavras IV - por Ana

- Levante-se, Aderbal!
- O que foi? Tá passando mal?
- Tive contração várias vezes!
- Mas ainda não tem nove meses...
- Tô desde as sete em agonia!
- Mas ainda é meio-dia...
- Vai esperar eu cair de dor?
- Cruz! Tu adora tocar terror!
- Quer que chame só à noite, às oito?...
- Mas antes me traz chá com biscoito?
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quarta-feira, 16 de março de 2011

As Nossas Palavras II - por Ana

SEMPRE HAVERÁ UM CHINELO DOIDO PARA UM PÉ ALUCINADO


Jacinto:
Escrevo esta carta para lhe dizer que há muito tempo amo você. Quando você passa, meu olhar te segue buscando a explicação pra você não ter me percebido até hoje.
Por que você não me olha? Por que não retribui os olhares carinhosos que mando a você como promessas de afagos e momentos quentes de paixão?
Por que não se aproxima quando acompanho com os olhos, de longe, seus passos, desde que surge no início da rua até dobrar lá na pracinha?
Por que não dá pelo menos um bom dia quando sorrio para você com estes lábios que te desejam, que sonham te cobrir de beijos, te pintar com o carmim da minha paixão, roçar os seus devagar, sentindo a textura, o sabor e o calor?
Por que sempre segue pela outra calçada, passando longe de mim? Não quer sentir meu perfume, aquele que uso todos os dias de manhã depois do banho, antes de ir trabalhar, pensando que vai te agradar e seduzir?
Por que finge que não me vê todos os dias, ali, de pé, na porta da Farmácia Diamante, no meu uniforme limpíssimo e impecavelmente passado, do qual eu cuido tão bem só para você ver o quanto sou higiênica e arrumada?
Por quê? Por quê? Eu vivo me perguntando tudo isto...
Mas quero deixar uma coisa bem clara aqui: com esta carta eu não quero seu amor, tampouco sua paixão, só quero saber se você compreende, agora, porque fiquei trêmula e sem voz na festa da minha avó, no ano passado, lá na Anunciação. Se ainda não entendeu, eu te digo, pois não paro de pensar que você deve estar me achando uma idiota: eu não aguentei! De repente lá estava você, diante de mim, tão perto, me sendo apresentado pelo Homero. Foi ali que soube seu nome: Jacinto... Mas não consegui ter reação nenhuma, fiquei em choque! Há anos eu te via passar, com este amor todo explodindo dentro de mim e acho que foi a surpresa de te encontrar em lugar tão inesperado que me deixou muda...
Agora, depois de mais de um ano, tomei coragem e escrevo para lhe dizer tudo que sinto.
Gostaria que você me respondesse e, se quiser conversar depois, você compreenderá ainda muitas outras coisas que tenho para lhe explicar, como o dia em que você tropeçou naquela pedra enorme que estava no meio da calçada, bem no seu caminho (não era para você tropeçar, e sim me olhar quando desviasse); aquela vez em que você ouviu um berro horrível vindo de dentro da farmácia (nem foi ver o que era...); ou aquele Dia dos Namorados em que estava tocando aquela música lindíssima do Kenny G., altíssima, capaz de deixar todo mundo da rua apaixonado.
Será que você está achando esta carta longa?... Por via das dúvidas, vou parar por aqui. Só quero esclarecer, antes de me despedir, que seu endereço eu consegui com o Homero e enviei a carta pelo correio, ao invés de entregar pessoalmente, porque fiquei com vergonha. O envelope florido e perfumado simboliza uma pequena parte do imenso amor que sinto por você, meu querido Jacinto. Pode mandar sua resposta para o meu endereço, que está no envelope ou, se preferir, pode falar comigo, pessoalmente, na farmácia; não precisa se preocupar porque agora estou preparada, não vou dar vexame de novo, pode deixar.
Um beijo úmido nos seus lábios que são, ainda, um sonho, mas sei que, em breve, podem trazer, para mim, beijos reais.
Da sua, sempre sua,
Maria da Paixão.
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.Algum tempo depois, ao abrir da farmácia, um bilhete foi encontrado pelo funcionário Serafim:.
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Paixão:
Não sei quem é você, tampouco lembro da festa ou dos outros fatos. Nunca reparei em ninguém a olhar para mim e esta é a explicação para não ter te percebido. Não sei se você compreende ou compreenderá. E sua carta foi longa, sim.
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Classificando... - por Gio

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Baseado em fatos reais... Ou não..
.- Como são diferentes?
- Claro! Ao contrário das mulheres, que preferem dizer que nós somos todos iguais, os homens devem conhecer os tipos diferentes de mulher, e saber lidar com eles...
- Interessante... Prossiga.
- Existem 3 tipos diferentes de m...
- Ah, tá! Classificação de filos, agora?
- Como eu dizia... Existem 3 tipos diferentes de mulheres...
- De uma maneira bem geral, você quer dizer?
- Quer parar de me interromper!?
- Ok, desculpe.
- Sim, de uma maneira bem geral, mas funciona pra maioria. A primeira delas é a SPC.
- SPC?
- Só pra c...
- Tá, tá, já entendi. Mais cuidado, Gustavo, a gente tá em local público!
- E desde quando se tem pudor em bar, Alberto?
- É verdade...
- Então, voltando às SPC. São aquele tipo que, do nada, pergunta se você está sozinho em casa. Aparece, faz o serviço sujo, e some – talvez volte a falar com você dali a 6 meses...
- São aquelas que “se mantém o número do celular, em caso de emergência”. Acho grotesco isso!
- Grotesco, se elas fossem inocentes. Elas fazem de propósito: e é por essas e outras que a gente deve evitar se apegar a uma delas...
- ...porque, assim como elas te procuram, procuram toda a lista de contatos do telefone. Faz sentido.
- Isso. Depois temos o segundo grupo, o dos “rostinhos bonitos”.
- Aquelas que só ligam para a aparência? Só se aproveita o rosto...
- ...ou o corpo, e nada mais.
- E devemos evitar se apegar a essas?
- Bem, se você conseguir se apegar a alguém com quem não consegue manter mais que 2 minutos de conversa racional...
- Hehe. Garçom, traz mais uma! E o terceiro grupo?
- Ah, filho, essas são o sonho de qualquer um: as pra casar.
- E essas seriam...?
- Aquelas que talvez não sejam tão bonitas, mas se cuidam – tanto por dentro, quanto por fora, e isso é o importante. São inteligentes, tem algum plano de vida, e talvez gostos parecidos com os seus. Às vezes dão mais trabalho, mas quando são suas, são de verdade: são carinhosas, estão para o que der e vier, e ligam mais para você do que para a opinião das amigas ou os fundos do seu cartão de crédito.
- Caramba, e onde eu acho uma mulher assim?
- Ah, elas andam sumidas, mas ainda existem. O difícil é achar alguma que encaixe com você.
- Aquela história brega de “química”?
- Brega, mas válida sempre. Não basta ser bom na teoria, tem que acontecer!
- Escuta...
- Diga!
- Esse papo todo... De classificação e tal... Não parece meio machista?
- Pff.. E você acha que elas não nos classificam também?
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.Visitem Gio
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Autor Desconhecido: Crenças - Citado por Luiz de Almeida Neto

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências.
O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.
Sem muita cerimônia, o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
Respondeu o jovem:
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? - disse o senhor. E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, sentindo-se pior que uma ameba.
No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França
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“Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.”
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(Fato verdadeiro, parte integrante da biografia de Louis Pasteur, ocorrido em 1892.)
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Certeza - por Vicenzo Raphaello

Em frente ao espelho o olho esquerdo conversa com o direito
Não tenho certeza
Do que?
De nada
De nada?
Sim, de nada
Como?
Pois é de nada
E agora?
Agora?
Sim agora
Agora reza pra Deus
Deus?
Sim, sabe o que é?
Acho que sei, mas não tenho certeza, o que é?
Bem também não tenho certeza, pode ser... olha não sei explicar é complicado
Como complicado ? Todos falam Dele...
Veja, acho... hummm é mais ou menos assim, já pensou porque você está aqui?
Como é?
Pois é pensa um pouco, e depois pra onde você vai?
Hã?
Hã nada, tá confuso?

É pra estar, é melhor rezar pra Deus.
Mas resolve?
Sim quem acredita diz que resolve
Então é assim?
É mais ou menos, mas não pensa muito não, senão você não vai ter certeza, disso tenho certeza.
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Da Vez em que Encontrei Jesus - por Flavio Braga

- Jesus?
- Sim, sou eu.
- Oi, meu nome é Flavio e vim do futuro.
- Como assim?
- Sei lá. Só sei que eu ia visitar o Papai Noel. Saí de casa, fui para um ponto de ônibus, então parei o primeiro ônibus que passou. Perguntei “Pólo Norte?” e o motorista respondeu “Méier”. Então pensei: “Zona Norte, Pólo Norte, tudo fica para os mesmos lados da rosa-dos-ventos”, e entrei no ônibus. Só que acabei pegando no sono, e quando acordei estava aqui.
- Então você tem uma missão, meu filho. É coisa divina.
- Tenho não.
- Claro que tem! Você é um enviado dos Céus.
- Penso o contrário, mas tudo bem. Vou te avisar uma parada. Você fica fazendo milagre por aí, como andar na água, fazer cego enxergar, essas coisas?
- Sim, por quê?
- Cabeludo, para com isso!
- Por quê?
- Os romanos já estão de olho em você... tem gente do seu povo que tem uma inveja danada de você, abre o olho, rapaz. Conselho de amigo.
- Mas eles não podem me crucificar por eu ser um iluminado, digo, “O” Iluminado.
- Podem, e vão. Vai rolar sangue. Seu Sangue.
- Como assim?
- Já te disseram que você faz muitas perguntas?
- Como assim?
- Você transformou água em vinho ontem e bebeu um bocado ou você é assim mesmo?
- Desculpa, é que estou meio confuso. Peraê, eu realmente transformei água em vinho ontem, como você sabe disso?
- É que já escutei umas histórias sobre você.
- Hum?
- Longa história. Daria um livro. Uma Bíblia, de tão longa que é essa história.
- Mas você vem de quando no futuro?
- Pouca coisa, dois ônibus, 20 quilômetros e 2000 anos.
- Tudo isso?
- É. Mas faz esse favor para mim, fica fazendo esses milagres na moita, escondido, porque isso vai dar problema para você.
- Mas caí nas graças do povo! É todo mundo é gente fina. Eles gritam meu nome.
- Gente fina que vai preferir um ladrão a você quando você for julgado. Guarde bem esse nome: Barrabás.
- Como assim?
- Jesus, é meio complicado eu explicar essas coisas todas agora... mas segue meus conselhos, para evitar problemas futuros, para mim e para você.
- Por que problemas? Como assim?
- De onde venho, tem uma época do ano que comemoramos seu aniversário.
- Que bom! Mas qual o problema disso?
- É que uma data que teoricamente seria de reflexão virou um inferno! É computador vendido em 482x com uns juros exorbitantes, é Papai Noel descendo de helicóptero no Maracanã, é briga no supermercado por castanha, é aquela música insuportável da Simone... é complicado, Jesus, muito complicado...
- Vou ver o que posso fazer, mesmo sem saber o que é supermercado, helicóptero ou Simone.
- Tudo bem. Nem eu sei te dizer o que é a Simone. Posso te fazer uma pergunta?
- Claro!
- O 680 passa aqui?



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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um Papo entre Adolescentes Velhos - por Adir Vieira

Ontem estava eu aguardando minha vez para ser atendida no banco e calmamente, como se fosse possível, estava de olhos e ouvidos atentos a tudo o que se passava a minha volta.
O banco em que tenho conta oferece aos correntistas aposentados cadeiras confortáveis, ar-condicionado e cafezinho até as 11 horas da manhã.
Todo esse conforto faz com que aqueles que esperam, enquanto o fazem, relaxem e não reclamem da morosidade com que os caixas e clientes idosos interagem.
Não demorou muito para que sentados atrás de mim, uma mulher de uns sessenta e poucos anos, com os cabelos mal pintados de um louro chamativo e trajando roupas joviais demais para sua idade, iniciasse uma conversa com um outro senhor, mais recatado à primeira vista.
A princípio, a conversa dos dois - ela falando num tom mais alto do que ele - discorria sobre banalidades, como temperatura do dia, má condição dos meios de transporte etc.
Não tardou para que a tal mulher começasse a contar a própria vida para o senhor desconhecido, mesclando cada frase com um tom sofrido de mulher abandonada pelo marido há vinte e sete anos e com um filho que, já adulto, não trabalha e lhe dá todas as dores de cabeça financeiras, as quais não pode arcar com sua parca aposentadoria de um salário mínimo.
O senhor rebatia suas queixas com frases aprendidas com sua mãe, que lhe ensinara que na vida as preocupações não valem de nada e que devíamos aproveitar a vida para tratar do corpo e da mente com exercícios ao ar livre. Gabava-se de a cada manhã percorrer mais de cinco quilômetros aos setenta e um anos.
Seu otimismo não colocava por terra o pessimismo de sua interlocutora.
Achando hilário tal papo, firmei meus sentidos naquela conversa.
O que mais me chamou a atenção foi o fato de que a mulher, como a se oferecer para o tal senhor, já não mais ouvia o que ele dizia, só fazia repetir frases com uma constância doida.
Dizia ela, sem esperar resposta:
- Todo dia digo para o meu filho: qualquer hora vou arranjar um coroa sacudido para me bancar!
- Mas o senhor não parece ter setenta e um anos, estou bege com sua afirmação!
- Sua pele é tão lisinha...
- Onde o senhor mora? Mora em casa ou apartamento? É grande? Sua aposentadoria dá para o senhor viver?
- O senhor é viúvo ou solteiro?
- Sabe que eu gostei do senhor?
Vi ali comportamentos adolescentes, tanto de um como de outro e, confesso, fiquei com medo.
Será que quanto mais nos aproximamos do fim, mais estamos retornando a nossa infância?
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Galanteador Comunista - por Flavio Braga

- Olá, companheira.
- Companheira de quem? De você, barbudo?
- Claro, por que não?
- Mas nem te conheço.
- Meu nome é Lenin Stalin Mao Marx Engels Guevara-Castro, mas pode me chamar de Flavio.
- Você é muito estranho. Você é um daqueles fãs malucos do Los Hermanos, não é?
- Não, meus hermanos são outros. Tem o Chavez, o Morales, Correa, Noriega...
- Quem?
- Não importa. Estou aqui por uma nobre causa.
- E qual seria esta nobre causa?
- Quero que você divida seu latifúndio comigo. É rapidinho, dois minutos, juro.
- O quê? Sabia que tenho namorado, e ele é faixa preta de caratê?
- Poxa, companheira, fala para ele que ele tem que dividir o que ele tem sobrando com os menos afortunados. Abaixo ao monopólio! Viva a ditadura do proletariado!
- Não, o nome dele não é Monopólio, é Valdemar. Um loiro alto, olhos azuis, lindo.
- Yankee!
- Não, é Valdemar.
- Neoliberal estadunidense, sabia.
- Não, ele é de Cascadura, mesmo.
- Bem, isso não importa. Meu papo é com você. Quero te mostrar a força do meu operariado, se é que você me entende.
- Sabia que você é muito insistente?
- Mas temos que ser insistentes para alcançar a revolução, ou o par de peitos mais próximo, tanto faz.
- Você é um grosso, sabia?
- E você é uma pobre vítima do capitalismo selvagem estadunidense, que pode até calar as nossas vozes, mas ele sabe que nunca vai se livrar da revolução, pois a revolução está escondida em cada gueto, em cada lugar onde a injustiça impera, esperando uma chance para se levantar contra o sistema neoliberal...
- Nossa.
- O quê?
- Suas palavras. Foram profundas. Eu acho que vou te dar uma chance.
- Eu sei, aprendi quando passei um tempo em Havana.
- Com Fidel?
- Não, com a companheira Maria Del Barrio, uma moça da vida. Muito profunda. Ou pelo menos algumas partes do corpo dela eram profundas, que seja. Endurecer, sim, perder a ternura, jamais!
- Posso te fazer uma pergunta?
- Uhum.
- Se você é comunista, então significa que você vai me dividir com seus tais companheiros?
- Claro que não. Só se o Partido Comunista da União Soviética me pedir.
- Mas a URSS não existe mais.
- Por isso mesmo. Não quero correr perigo.



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Friedrich Engels, Ernesto Che Guevara, Karl Marx.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Santa Inocência - por Adir Vieira

Chegou esfuziante, bochechas rosadas, arfando de ansiedade, louca para me contar a novidade:
- Tia, vou te contar uma coisa, mas não é para falar pro meu pai!
Sem esperar pela minha concordância, continuou, atropelando as palavras:
- Hoje eu dei um beijo num garoto lá da minha sala!
Nessa altura, eu fiquei sem ar, com um olhar apatetado, misto de surpresa e temor. Para não quebrar o encanto, perguntei:
- Ah, é? Parabéns! Foi o seu primeiro beijo, então vamos comemorar!
Agarrei-a pelos braços e desatamos a dançar, como duas doidas, eu querendo que o diálogo logo acabasse e ela propondo-se a dar todos os detalhes.
Continuou ela:
- Tia, foi assim. Aconteceu na festa junina de hoje. O João Pedro me deu um “crokito” e eu disse a ele que ele merecia um beijinho, aí cheguei perto dele e dei um beijo no rosto dele.
Aliviada, perguntei:
- E então, ele gostou?
Ela respondeu:
- Acho que sim, porque ele fez uma cara assim (e representou para mim a cara de felicidade do menino).
Só depois de detalhar tudo se lembrou que devia me fazer prometer não contar para ninguém a façanha.
Santa Inocência! Rara, raríssima hoje em dia, mesmo nas crianças de dez anos.
Saí de perto para deixar minha emoção correr solta...



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quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Magia do Encontro Terapêutico - por Alba Vieira

Então você chega: um rosto que talvez eu nunca tenha visto antes, mas que sem dúvida me toca por possuir traços presentes em outros rostos já conhecidos. Você vem com expectativas, em busca de alívio, talvez confuso por não saber ao certo o que vai falar, como expressar a sua dor ou até sua insensibilidade. E esse nosso encontro é mágico. Sempre. Porque neste momento se cumpre um ritual. Do meu lado, eu consigo observar quase tudo. Tudo tem importância, tudo fica mais claro. A expressão corporal fala por si só. Percebo a sua constituição. A sua voz consegue me passar tanto, talvez mais do que propriamente você fala. Seu rosto é revelador da sua angústia, do seu medo, da sua raiva e até da sua indiferença. Nos olhos (para onde se dirigem), no seu cumprimento, no toque de sua mão é possível captar a sua energia, como ela está fluindo no seu corpo.
E o ritual se cumpre. E você fala. E o que falamos muitas vezes surpreende, mais a você do que a mim. Porque você fala o que é necessário para que possa ser percebido na sua totalidade. E mesmo que você venha decidido a não revelar certos detalhes da sua intimidade, você se expõe... porque é preciso. E isso o alivia, é curativo por si só. E você sai mais leve. E, às vezes, se você quer, se transforma. E nossa relação se estabelece e se firma. E nossa troca é certa. E, assim, ambos crescemos e evoluímos.



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segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Ligação - por Flavio Braga

Estava indo dormir. O quarto já estava escuro, eu cheio de sono, estava chovendo. Enfim, eu iria dormir. Mas meu telefone toca. Número desconhecido. Pensei que era engano, mas meu maior engano foi atender:
- Funerária Pôr do Sol, boa noite?
- Quê?
- Quem é?
- Flavio? Oi, sou eu, Seus Medos.
- Quem?
- Seus Medos.
- Rapaz, que susto, pensei que era o gerente do meu banco.
- Não, mas você está em dívida.
- Como assim?
- Você está me deixando de lado, você não me valoriza, não liga mais para minha existência... Estou meio sozinho...
- Meus Medos, não fica assim não...
- É Seus Medos.
- Foi o que eu disse, Meus Medos.
- Não, meu nome é Seus Medos.
- Mas você não me pertence? Então seu nome é Meus Medos.
- Lá vem você... Agora está tão egoísta! Quer mudar até meu nome! Não te reconheço mais.
- É tudo questão de semântica, gramática, prosopopeia, essas coisas. Mas Medo – posso te chamar assim? – não é que eu não ligue mais para você, mas a nossa relação já não era essas coisas todas, era uma relação de... de...
- Medo?
- Isso, meu caro, de medo. Não é que eu tenha algo contra você, mas eu preciso te encarar, sabe?
- Entendo...Então é o fim de uma amizade de mais de 20 anos?
- Não, que é isso, não seja tão radical assim. Você pode me visitar de vez em quando. Uns poucos pesadelos por ano não fazem mal a ninguém.
- Tudo bem. Faz um favor? Espera na linha que tem alguém aqui querendo falar com você.
- Quem é?
- Surpresa.

(Vozes ao fundo. Outra pessoa pega o telefone.)

- Flavio?
- No, aqui és Pablito, El imigrante boliviano clandestino. Claro que sou eu. Quem é?
- Sou eu, o Passado. E te condeno.
- Me condena? Passado, meu caro, faz um favor?
- Claro!
- Me esquece!

Desliguei na cara do Passado. Ele só quer saber, às vezes, de cobrar por coisas que fiz ou que deixei de fazer. Deixe-me dormir porque amanhã é dia de preto, e ninguém vai acreditar que tive essa conversa com essas duas figuras. Preciso parar de tomar esses remédios.




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terça-feira, 21 de abril de 2009

Duelando Manchetes II: Preconceito Racial - por Aaron Caronte Badiz

- Oi, Samanta! Tudo bem? Como foi lá na inscrição?
- Tudo bom.
- Por que está com esta cara, então? O que te aborreceu?
- Estava cheio e muita gente estava falando em fazer Medicina.
- Mas você já sabia que era bem concorrido. A sua parte você já está fazendo, que é estudar.
- É verdade.
- Mas não é só isso... Tô vendo que tem mais coisa...
- Essa coisa de cotas... Quando preenchi o formulário, li o lance de cotas e já me incomodou. Depois, o pessoal lá tava comentando que o percentual vai aumentar no ano que vem. Isso não tá certo! Se eu não passar este ano, no ano que vem vai ficar mais difícil por causa deste negócio de cotas. Não tá certo! Isso é inconstitucional! Todos devem ser iguais perante a lei! Isto é um absurdo!
- Mas você não compreende a premissa do Governo? A ideia é diminuir a desigualdade social...
- Não é desta forma!
- Pode ser... Daqui a alguns anos, em médio prazo, mais negros terão curso superior e isto ajudará a equilibrar um pouco a situação de desequilíbrio social em que vivemos...
- Mas não é desta forma! Primeiro, quem disse que só afrodescendentes são impedidos de entrar para a faculdade por questões financeiras? Se queriam igualar, que fosse por critério econômico e não racial!
- É verdade...
- Segundo, se querem dar melhores condições a quem não tem, que melhorem os ensinos básico e fundamental para que todos tenham as mesmas oportunidades. Esta medida de cotas é injusta e inversamente discriminatória! Como é que querem resolver a discriminação invertendo a mão?
- É verdade!...
- Além do mais, não sei quantas pessoas vão entrar para a faculdade tirando notas mais baixas que outras! A cor vale mais do que o conhecimento!
- Mas a ideia primeira das cotas é esta mesmo.
- É?! E daqui a alguns anos, que profissionais nós teremos? Que ensino superior público nós teremos?
- Os professores não vão baixar o nível das aulas porque alguns alunos não acompanham...
- Não? Tá certo, digamos que não... O que estes alunos vão fazer? Vão é ficar reprovados até serem jubilados, porque não têm condições de acompanhar o curso. Então tiraram a vaga de quem tinha condições à toa! Só para eles sentirem o gostinho de entrar para uma pública?
- Bem... Creio que eles se esforçarão para não desperdiçarem a oportunidade.
- Mesmo que façam isso, não serão todos e as vagas irão para o beleléu!
- Mas no sistema anterior isto também acontecia, por outros motivos. Há um índice considerável de desistência no primeiro período na maior parte dos cursos das instituições públicas.
- Mas o Governo vai agravar isto! Só vai piorar esta situação então! Será ainda mais um motivo para que isto aconteça!
- Não creio que obrigatoriamente seja assim... Teremos que esperar um tempo para que esta avaliação seja feita com base estatística. Eu arriscaria dizer que o índice de evasão entre as pessoas que entraram pelo sistema de cotas seria bem menor que os de não-cotas. Mas não adianta a gente ficar discutindo este ponto, porque são só especulações.
- Tá certo... Mas uma coisa não é especulação e me assustou muito hoje: foi um sentimento que tive e que sei que outras pessoas devem ter também, de forma arraigada e com consequências graves. Você sabe que minha melhor amiga é negra, meu pai e minha avó são mulatos, e nunca pensei no mundo dividido em pessoas negras e não negras, mas quando eu ia saindo da inscrição hoje vi um garoto negro chegando e tive vontade de que ele não existisse.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Vaga para Estágio - por Thiago Benício

Sérgio tem 18 anos, está no segundo semestre do curso superior de Administração de Empresas. Não tem muita experiência profissional, pois trabalhou apenas como office-boy há um ano, na empresa de seu tio. Ele está ansioso para a sua primeira entrevista para a vaga para estagiar na área de Administração de Vendas, numa empresa de grande porte, conhecida em todo o país.

- Olá, bom dia! Prazer, sou Amaral, gerente de vendas.
- Bom dia! Prazer, Sérgio!
- Ah, você é o Sérgio?!
- Sim, sou eu...
- Podemos começar, Sérgio?
- Claro!

- Bom, vejo em seu currículo, que tem 18 anos.
- Sim, tenho.
- O que te fez concorrer a esta vaga de estágio, aqui nesta empresa?
- Bem, esta empresa é grande, o que pode me permitir um plano de carreira, um crescimento profissional, aliado ao pessoal. Sou uma pessoa que, apesar de jovem, adoro desafio, e ingressar aqui, começar uma, quem sabe, carreira aqui, é uma conquista que pretendo alcançar.
- Bom, muito bom... Você faz Administração de Empresas, né?
- Sim.
- Está em que período?
- Segundo semestre.
- Certo... Você tem interesse em ingressar nesta empresa pela probabilidade de uma carreira, de um crescimento profissional...
- Sim, mas para isso terei de demonstrar meu valor. É a questão de credibilidade, quanto mais eu faço, mais reconhecimento vem com isso, com meu esforço. Acho que isso me faz crescer e implica no crescimento da empresa também. Claro que me falta maturidade, mas por isso estou me candidatando e buscando oportunidades de estágio.
- Claro. Decerto gostei de sua forma de se expressar. Para esta área relacionada a vendas, é o que necessitamos, de pessoas com desenvoltura. Agora, você trabalhou, há seis meses, nesta empresa, como auxiliar administrativo. O que você fazia lá?
- Era office-boy, interno e externo. A empresa era de meu tio. Mas não tive uma oportunidade de engrandecer meus conhecimentos e não via horizonte lá. O crescimento era muito restrito; pouco, bem pouco provável de acontecer.
- E você saiu de lá, por quê?
- Por isso, pela impossibilidade de crescimento. Pela escassez de agregação de conhecimento que estava adquirindo.
- Mas ficou lá por seis meses apenas...
- Porém durante esse pouco tempo já percebi que não era o lugar em que me sentia feliz.
- E você acha que aqui pode alcançar essa felicidade?
- Sim. Pretendo crescer, o que vai me tornar feliz e acho que aqui, pode ser bem possível.
- Ok. Você me falou de suas qualidade, que é uma pessoa aguerrida, com um ótimo poder de persuasão, que vem me demonstrando com sua fala. Agora quero que me relate um defeito que possui...
- Sou humano, tenho “n” defeitos, assim como qualquer um tem. Mas que mais se destaca em mim é a tal da ansiedade, que me faz ser espontâneo demais. Isso eu tenho trabalhado muito para, ao menos, diminuir. Como respirar fundo e analisar bem o caso antes de tomar qualquer decisão, por exemplo.
- Ok. Conte-me um pouco sobre sua vida. O que costuma fazer nos fins de semana.
- Procuro sempre estar das pessoas que mais quero bem. Minha família e amigos. Não consigo ficar uma semana sem vê-los. Nos fins de semana, geralmente, jogo futebol aos sábados e aos domingos, em casa, fazemos um churrasco, para reunir a família.
- Ah, legal. Você é bastante sociável...
- Sim. Gosto de lidar com gente!
- Olha, Sérgio, gostei muito de seu perfil, se encaixa perfeitamente no que procuramos. E para esta vaga, é muito complicado se a gente contratar alguém que não sabe lidar com pessoas e que têm pouca capacidade de relacionar com elas. Mas temos um porém: você é muito jovem e por isso possui pouquíssima experiência. Para esta vaga necessitamos alguém com, no mínimo, um ano. Mas não se preocupe, seu currículo será guardado em nosso banco de dados, daqui a algum tempo, quando surgir uma nova oportunidade, tenha certeza que te chamaremos.
- Entendo... Aliás, Sr. Amaral, não entendo nada. A descrição da vaga é “Estágio em Administração de Vendas”, ou seja, vocês procuram alguém que está estudando, provavelmente alguém jovem que possa desenvolver um trabalho e adquirir conhecimento com o passar do tempo que estiver aqui. Não compreendo, do fundo de minha alma, como pode exigir tal experiência para uma pessoa que procura estágio. Por que não contratar um profissional? Já sei! Talvez pelo fato da mão-de-obra cara, que um estagiário, otário, escravo, não custe tanto como um profissional experiente, cabido dentro de regimes CLT, não? Ora, Sr. Gerente de Vendas Amaral, eu sou estudante e você mesmo ressaltou minha adequação para esta vaga. Agora me vem com essa história de experiência. Estou cagando para a experiência que necessita essa droga de vaga, miserável! Acho pouco provável que os senhores, administradores desta tão contemplada empresa, tenham em mente que o futuro somos nós e não vocês... Espero que ache alguém para este lugar, e que este alguém se torne seu chefe, e que não pense pequeno como você. Agora, me dê licença, que me vou! E direi a quem quiser ouvir que esta empresa não tem seriedade. Obrigado pela oportunidade. Essa foi minha primeira entrevista para um estágio, e espero nunca mais me deparar com o gerente de vendas chamado Amaral.
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sexta-feira, 13 de março de 2009

Uma Só Voz - por Alba Vieira

- Espírito cor-de-rosa, não vás!
Por que agora deixas meu corpo?
Que há de mim sem ti?
Que posso eu sem tua animação?
Estou inerte se de ti dependo.
Nada sou quando te afastas em definitivo.

- És apenas matéria, ó infeliz!
És, a um só tempo, tudo e nada.
Não vês que é breve tua existência
E que somente me serves de morada?
E que é para assim mesmo ser:
Quando me solto de ti,
Torno a ser livre outra vez.
E tu retornas a pó. E só.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Diálogo

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Diálogo - por Passa-Tempo

- Farmácia 24h, bom dia.
- Bom dia. Vocês fazem entrega?
- A domicílio senhor?
- Sim senhora!
- Fazemos sim.
- Vocês têm Naldecon?
- Dia ou noite, senhor?
- Tanto faz.


um minuto depois…

- Alô?
- Oi, senhor. Você quer Naldecon, né?
- Quero sim. Vocês têm?
- Dia ou noite, senhor?
- Aiii… Dia!
- Temos sim, senhor.
- E noite?
- Também temos, senhor.
- Quanto está?
- Dia ou noite, meu senhor?
- Putss… Dia…
- R$ 3,70, senhor.
- E o noite?
- R$ 3,70 também.
- Eu gostaria de encomendar para ser entregue em minha residência.
- Qual o endereço, meu senhor?
- Rua Queda D’água, esquina com a Ralabundanua.
- Ok, senhor. Vai querer o Naldecon mesmo, né?
- Sim senhora. Eu quero dois.
- Dia ou noite, meu senhor?
- OS DOIS! Os DO-IS! Eu quero os DOIS!
- Ok, senhor. Qual o melhor horário pra entrega: Dia ou Noite?

…Tu…Tu…Tu…

-Senhor? Senhor?… Hum! Cara arrogante!
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Trote e Cia - por Raquel Aiuendi

- liga pra melancia?
- que raio de melancia é essa que tem telefone?
- melancia é minha mulher!!!
- ahan...
- liga pra melancia?
- falar o que???
- diz pra ela que não a encontrei na feira!!!!!
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Diálogo - por Soraya

Conseguir dizer
da dificuldade de falar
conseguir falar
da dificuldade de dizer.
Neste espelho de várias teclas
insistentes a me intimar
convidada que sou a ser.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Verdade? - por Ana

- Verdade?
- Verdade!
- Verdade mesmo?
- Verdade, tô falando!…
- Tá de brincadeira…
- É sério!
- Mentira…
- Verdade, garota!
- Fala sério!…
- Serinho…
- Não acredito… Verdade?
- Então não é?
- Se tu tá dizendo…
- Tô dizendo!
- Humm… brincou…
- Brinquei nada!
- Mas… é verdade?!
- Verdade verdadeira!
- Mesmo?
- Mas que coisa! É verdade!
- Então tá. Verdade.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Diálogo - por Passa-Tempo

Você é sangue do meu sangue, carne da minha carne, você sou eu. Ser desprezível, invejado e desejado por muitos, você me dá nojo; você é forte, mas eu não sou fraco. Você é a conseqüência dos meus erros, adubo orgânico de minha mente. Ainda consigo distinguir, ainda sei que você é você, e eu sou eu; só não sei se somos dois, ou apenas um. Você quer que eu morra, e eu não te quero vivo. Você diz tanto que me conhece, que sabe quem sou. Se sabe tanto sobre mim, me explique, pois até hoje eu não sei. Diga-me também que eu não estou sozinho, diga-me que será meu amigo, e me dará apoio, pois eu sei que o seu apoio é que me levará ao chão, e no chão ficarei até a próxima ilusão.

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