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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Nega-me - por Poty

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Nega-me o teu amor, a tua indiferença, a tua raiva, a tua insensatez, mas nunca a tua liberdade, porque não viveria.



Visitem Poty
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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Anistia - por Ana

Labaredas me invadem a mente,
Vindo em vagas de algum lugar.
Assalta-me o calor da dor
Que teimei em ignorar.

Me consomem a tranquilidade,
Me impedem de sonhar,
Me perseguem a consciência,
Insistem: devo visitar

Um local dentro de mim
Que lacrei, sem questionar;
Onde encerrei minha sombra
Pra não mais me incomodar.

Encaro, então, a injustiça
De a mim mesma evitar.
Resolvo assumir que possuo
Uma parte a reclamar

O seu direito efetivo
De em mim se manifestar,
De agir sua humanidade
Sem ter vergonha de errar.

Então sigo relutante
Pro meu destino encontrar:
Me permitir ser inteira,
Não mais me auto-julgar.

Descerro a porta, com medo
Daquilo que vou encarar:
Meu lado escuro e cruel
Que muito me faz penar.

Olho, aos poucos, lá pra dentro,
Tremendo só de pensar
No monstro ardiloso e vil
Que logo terei que enfrentar.

Mas me sobrevém a surpresa:
Naquela que eu estava a fitar,
Não mais a força e o poder,
E, sim, humildade exemplar.

No tempo em que foi prisioneira
Refletiu, a se curvar,
Nas suas investidas vãs
De com o bem guerrear.

Já que daquela prisão
Não conseguiu escapar:
Tentou e não conseguiu
As paredes derrubar.

Ao mesmo tempo eu me vi
Senhora do meu pensar.
Não mais estaria à mercê
De seu jeito de atuar:

Com o tempo transcorrido
Amadureci, sem notar;
Agora, fosse o que fosse,
Não me iria assombrar.

Olhamo-nos, longamente,
Com carinho no olhar;
Reconhecemo-nos irmãs
Que habitam o mesmo lugar.

Saímos de lá unidas,
Num só corpo a caminhar.
Em paz, minha alma se alegra:
Pôde as duas libertar.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Tá Tudo Liberado! - por Gio

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Essa semana que passou, estava tomando café e vendo o jorn... Pausa.

Acordar cedo e levantar a tempo de tomar café vendo o jornal de manhã tem sido um evento raro para mim, já que faz um mês que eu chego atrasado à faculdade por conta do sono. Então, uma situação de uma raridade como essa merece um pouco mais de destaque. Vamos recomeçar:

Numa das raras vezes que consegui levantar cedo esse mês – coincidentemente, semana passada –, eu estava vendo o jornal e vi uma notícia q... Mais uma pausa.

É a segunda vez que eu levanto cedo no mês, e é a segunda vez que eu acordo com uma notícia catastrófica. Se continuar nesse ritmo, até o fim do ano acordo com repórteres decretando o início do Apocalipse. Melhor continuar dormindo meia hora a mais... Erm, o show tem que continuar, então meu relato prossegue:

Numa das raras vezes que consegui levantar cedo esse mês, eu estava vendo o jornal e me deparei com uma notícia que me deixou... A minha reação eu expresso depois, o fato é que tiraram a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão. Bom, para justificar uma decisão estapafúrdia, só mesmo uma desculpa mais estapafúrdia ainda: a exigência do diploma feria a liberdade de expressão.


Han?


É, é isso mesmo. Infelizmente para mim (e para todos nós), isso não era o Saturday Night Live – por motivos óbvios – e nem eu estava delirando de sono. Acho que o nosso Judiciário precisa dar uma checada no Aurélio, para rever seus conceitos sobre algumas palavras. “Liberdade” certamente é uma delas; no meu tempo tinha outro significado.

Uma vez, em uma aula de Ensino Religioso (que, de religião, não se aprendia nada), aprendi a sutil diferença entre “liberdade” e “libertinagem”. A partir do momento que um ato livre passa a causar dano a outra pessoa, ou mesmo privar parte da liberdade dessa, a liberdade vira libertinagem. A diferença entre “graffiti” e “pixação” segue a mesma linha.

Para mim, essa decisão foi exatamente isso: transformar a liberdade em libertinagem de expressão. Permitir que pessoas sem a mínima formação tenham direito a serem chamadas de “jornalistas” estende o alcance deles, mas fere a minha liberdade, o meu direito de receber material de qualidade.

A faculdade de Jornalismo não existe à toa. Nos meios de comunicação, precisamos de pessoas que saibam falar ou escrever corretamente, que saibam expressar suas ideias, e que saibam ser imparciais. Precisamos de pessoas com o mínimo preparo, que tenham um nível técnico o suficiente para gerar e apresentar reportagens de qualidade. Perdemos toda essa garantia com a “liberdade”...

Para não-jornalistas já existem os comentários, cartas do leitor, colunas, blogs, Twitter e tantos outros meios de comunicação. Um selo custa 10 centavos, contas de e-mail são na maioria gratuitas, e uma hora na lan house custa menos que uma passagem de ônibus. Ninguém é privado de se expressar: hoje em dia, só não fala quem não quer.
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Postado, originalmente, em 21/06/2009.
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Visitem Gio
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Voo Azul - por Esther Rogessi

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Céu anil
Imagem de encantamento
Real ou irreal?
Linda imagem de um...
Voo contra o vento!
Inversão de visão,
Perplexidade... maldade.
Ferida em mim se abriu
O caçador
Predador
Dor... Atrocidade.
Ao bem não serviu!

Vi um ser vil!
Contemplando o céu anil
Voo azul no azul do céu
Alçou voo quem livre estava
Alcançou-a no livre voo
Da palma da mão
Fez prisão!
Interditou o seu voo
Vi o vil ser não servir
Por prender o livre ser...


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Liberdade - por Alba Vieira

O chão perdeu a firmeza. Tudo balança. Fico meio tonta. O peito oprimido revela o medo. Quero escapar, de dias de limitação, das amarras, da incoerência e de observar a hegemonia do absurdo. Vejo o mal avançar e destruir, impedir e desagregar. Nada posso fazer. Ele tenta me engolfar e eu tento me libertar. Poderia me liberar sozinha, mas não quero deixar para trás aquilo que valorizo. O meu conflito é esse. O meu ego é uma série de capas que foram sendo colocadas e que me isolam de mim mesma, que me impedem, limitam, trazem um peso desnecessário. Se eu abro mão de tudo isso, de tudo que sou, que fui até hoje, que construí, do que há em torno, do que acredito, da ordem que pensei existir, imediatamente sou leve, sou livre, sou solta. Sou inocente outra vez e apenas sigo. Observando e sendo o que sou de verdade, incólume ao que me cerca.



Visitem Alba Vieira
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Me Deixa - por Duanny

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Me deixa experimentar o gosto da vida, saborear os momentos doces e simples dela, e levar comigo lembranças que ainda irão se perder na eternidade.
Me deixa te abraçar e sentir seu corpo junto com o meu, pra sentir mais uma vez o cheiro daquele perfume, pra não me esquecer de como é forte seu abraço.
Vem comigo, não é preciso sentir medo. Vamos nos jogar no abismo da felicidade, sem levar culpa alguma, nos sentir leves mais uma vez, sem remorso, nos suicidar constrangedoramente felizes, por sermos tudo aquilo que dissemos.
Me deixa olhar mais uma vez aquela foto de um passado inexistente, de uma ocasião imaginária que explode em meu peito em forma de palavras.
Me deixa ouvir mais uma vez o som daquela voz que me enlouquece, que me obriga a descobrir caminhos onde minha inocência se torna cada vez mais estreita.
Me deixa vomitar todas aquelas palavras tolas que ficaram presas com as lágrimas. Palavras fatais com sons medíocres que te fazem sorrir assustadoramente.
Me deixa ser o que eu sempre quis, me fantasiar com a ilusão da perfeição, ser o inevitável, ser o inexplorável, ser seu sonho de consumo.
Não ligue para os outros, não te prometo nada e nem espero que você queira algo em troca de tudo isso.
Mas... me deixa.
Me deixa viver a minha vida, de forma única. Da minha forma.


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domingo, 23 de agosto de 2009

Liberte-se - por Poty

A mente tem que se soltar.

Livre para voar.

Deixar levitar a mente,
O corpo não...

...é como a pluma no ar!...

Quando a mente se solta,
O corpo voa.

Sinta-se livre!
Sinta-se leve!

Sinta-se como se fosse a ave a voar ao horizonte...
Sem que perceba se há algo a atrapalhar...
Quando se voa nada atrapalha...
Não tenha medo de fazer, reaja...
Fuja dele, faça sua fantasia, seu desejos e não se re-crimine...
Desfrute de tua satisfação...
Deixe ir embora a insatisfação.

Aproveite enquanto há tempo...
Poderá ser tarde quando quiser...
Deixe fluir a mente.

Sentimentos presos,
Desejos que se encontram no calabouço...
O mal é não realizar,
Doente fica se não externar...
Nem que seja no menor lugar...
Não precisa o mundo saber,
Apenas seja você.



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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Respeitar a Liberdade do Outro - por Jair Antônio Pauletto

Uma das coisas mais preciosas para o ser humano é sua liberdade, tanto que uma das formas mais comuns de punição é sua restrição. Desde criança aprendemos o valor da liberdade, logo aprendemos que agradar os pais nos dá créditos para usufruir certas liberdades; da mesma forma, se nós os desagradamos ao infringir alguma regra, acabamos sendo castigados e lá se vai a nossa liberdade.
O Estado condena o cidadão que infringe a lei com a restrição da liberdade até o limite da prisão. Porém, uma pena de reclusão a um regime fechado que impede de circular livremente não priva o livre pensamento, mesmo que nem sempre seja possível expressá-lo. Pensar é uma atividade que, mesmo privados da livre circulação, podemos realizar livremente, pois esta é uma faculdade divina.

Restringir a liberdade é uma prática punitiva tão antiga quanto ampla e sua utilização no ambiente familiar ou social vai além de manter a ordem e a disciplina. Ela expressa o domínio de alguém sobre outro alguém, seja o pai sobre o filho ou o Estado em relação ao cidadão. O exercício desse domínio é um poder que fascina quem o detém na mesma proporção que fere sua vítima. Um processo que ultrapassa a complexa relação de liberdade e castigo ou, se preferirem, direito e punição, pois existe a interferência do desejo pessoal ou, às vezes, coletivo, de exercer o poder de dominar.

Nas relações cotidianas, ao interagirmos com familiares, colegas e amigos, essa situação aparece com muita frequência, aliás, quanto mais frequente ou íntima a relação, mais estaremos propensos a sofrer interferências, especialmente no sentido de querer fazer prevalecer o desejo pessoal, isto é, de exercer o poder de dominar. Infelizmente essa é uma realidade pouco percebida, mesmo em relacionamentos nos quais uma pessoa jura amar profundamente a outra, porém não suporta e não admite certas preferências, pensamentos ou atitudes. Não me refiro a fatos que possam causar prejuízos, que afetem a própria imagem ou liberdade, mas de situações em que a livre escolha, a liberdade individual é questionada, censurada e até mesmo punida pela necessidade pessoal de exercer seu domínio. Nesse caminho podemos enquadrar o ciúme, a inveja e a prepotência, que são sentimentos frequentemente presentes nas relações e que agem sem serem percebidos pela maioria das pessoas. Esses e outros vilões do relacionamento saudável causam imensa dor e sofrimento às suas vítimas. Os “opressores da liberdade individual” dificilmente percebem o mal que estão causando, hoje, algo tão comum que muitos juram amor eterno a uma pessoa pela qual não conseguem dar-lhe o simples direito da liberdade de escolha. Fazem isso sem perceber que o que realmente os satisfazem é ver prevalecer seu desejo pessoal, seu ponto de vista, seu querer sobre determinado assunto ou situação. Não há nada de errado em querer satisfazer um desejo pessoal, que é algo muito poderoso e valioso no ser humano, porém não pode ser utilizado para restringir a liberdade do outro, tampouco para fazer prevalecer a própria vontade. O desejo pessoal é um forte instrumento para o progresso pessoal e material, assim como também pode ser uma arma fatal quando direcionada a modificar a livre escolha, interferir na liberdade alheia.
A liberdade de conduzir os rumos da própria vida é um direito intocável, assim como expressar seus pensamentos e crenças; obviamente existem limites, que é a própria liberdade do outro, que deverá servir como limitador de direitos e deveres. Tenho convicção de que nenhum relacionamento saudável pode restringir a liberdade ou sequer tentar impor condições, punições e castigos, seja simples ou extremamente intenso, pois, como já escrevi num texto anterior, todos têm o direito de escolher.
É preciso assimilar que o desejo pessoal de restringir a liberdade do outro é um inimigo interno muito traiçoeiro que deve ser combatido; ter a capacidade de colocar-se no lugar do outro, compreendendo e respeitando sua liberdade é a melhor forma de vencê-lo. Convivemos com limites de liberdade e punições desde criança, desenvolvendo um sentimento de rejeição ao sofrermos com um castigo e ao mesmo tempo de fascinação e satisfação ao ver o próprio desejo atendido. Esse desejo de ver as próprias vontades satisfeitas raramente leva em consideração a liberdade do outro, ou seja, é um sentimento de egoísmo tão natural que não percebemos que não temos o direito de interferir nas escolhas alheias; isso serve para o amor, a política, a religião ou qualquer outra relação. A liberdade é intrínseca à vida saudável, pois delimita o direito pessoal e alheio, e ninguém tem o direito de utilizar o outro para satisfazer seus desejos.

Nosso desafio é crescer respeitando as liberdades individuais, reconhecer e entender nossos desejos, de forma que não sirvam para punir outrem, mas para nos levar a transcender para a humildade, a liberdade e o verdadeiro amor. Boa semana.



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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Liberdade-Limitação - por Alba Vieira

Vindos dos estados mais pobres desse país, onde não tinham pão, mas havia espaço amplo para viver, embora de solo inóspito, chegam os homens que agora trabalham na construção civil. Aqui são confinados diariamente, fazendo um trabalho duro e repetitivo, onde seus sonhos são ceifados pouco a pouco, enquanto constroem prédios com espaços cada vez menores, que também aprisionarão os futuros moradores.
Gostariam de poder ter aqui um lugar só seu, mesmo que pequeno, restringindo aquela liberdade que já experimentaram um dia. Entretanto, a selva de pedra não se destina a quem nela trabalha duro.
Esse homem quer de volta a sua liberdade. Mas, sem recursos para voltar para a sua terra, frequentemente entrega-se à bebida. Bebe para esquecer, fugir da dura realidade de sua vida agora.
Tenta fazer novas relações aqui. Mas quase sempre esbarra em outro coração magoado pela desilusão e o resultado é uma dor maior.

Tonto, infeliz e preso pelas circunstâncias, cai da construção e estatelado no asfalto, encontra de volta, finalmente, a liberdade por que tanto ansiava.



Inspirado em Construção, de Anita Bastos.
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Visitem Alba Vieira
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sendo Presa... Sou Livre!... Sendo Livre Sou Louca! - por Esther Rogessi

Liberdade, liberdade,
libertos os livres não o são!
Sendo presa... Sou livre!...
Sendo livre, louca sou!
Cadeias, laços, elos, cordas, aço...
Vivemos invisíveis prisões,
Quem é livre?
Somos todos presos...
A conceitos, preconceitos,
dogmas, ética, moral, convenções...
Somos limitados e delimitados
e os que ultrapassam o senso da razão:
Tidos por LOUCOS são,
Então... Quem é livre?



.............................Visitem Esther Rogessi
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Gustave Flaubert e a Pretensa Liberdade - Citado por Penélope Charmosa

Dizes-te livre e todos os dias ages impelido por mil coisas. Vês uma mulher e ama-a, morres de amor por ela; serás livre de acalmar esse sangue que pulsa, de serenar essa cabeça ardente, de refrear esse coração, de aplacar esses ardores que te devoram? Serás livre de pensar? Mil cadeias te retêm, mil aguilhões te impelem, mil entraves te fazem parar. Vês um homem pela primeira vez, há um dos seus traços que te choca, e durante a tua vida sentes aversão por esse homem, que talvez tivesses amado se tivesse o nariz menor. Tens mau estômago, e és brutal para com aquele que terias acolhido com benevolência. E de todos estes fatos derivam, ou neles se encadeiam, também fatalmente, outras séries de fatos, de que outros derivam por sua vez.



In “Memórias de um Louco”.
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terça-feira, 16 de junho de 2009

O Dia Especial - por Adir Vieira

Ontem foi um dia especial.
Sabe aqueles dias em que você deixa de pensar nos outros para só visualizar você mesmo e seu âmago?
Dias assim são raros, mas acontecem.
Ontem acordei com o ímpeto de cuidar de mim! E como foi bom!
Como toda mulher que se preza, a maior das benfeitorias que você pode se fazer é ir até um salão de cabeleireiro - aparar os cabelos, revitalizar o corte, mudar a cor dos esmaltes de pés e mãos e, para concluir, uma boa limpeza de pele.
Nada, nada mesmo, concordo com as mais fúteis, para deixar você bem enquadrada na vida atual.
De repente, anos caem por terra no seu semblante.
Você rejuvenesce por dentro e por fora.
Como uma repaginada no visual não exclui de meus planos roupas e sapatos novos, decido ir ao shopping, mesmo que seja só para observar as novas tendências. Sigo em direção a minha loja preferida e constato, depois de meia hora por lá, que já estou de posse de três sacolas, haja vista que minha nova performance clamava por roupas de acordo.
Mas a alegria de quem amanhece com esse estado de espírito não termina aí.
É importante rechear a alma com o supérfluo, mesmo que seja só para usufruir de uma satisfação momentânea.
Com essa meta em mente, vou seguindo leve e solta pelo shopping.
Observo as pessoas em volta e noto-as, quase todas, ocupadas e preocupadas em correr. Parece-me que estão atrasadas, talvez trabalhando, e suas feições contritas exigem imediatismos que destoam por completo da minha forma de ser naquele contexto, a de total contemplação.
Compro um saco de pipocas - aquele saco grande e decorado com pipoca mista, leite condensado e amendoim - imenso, como a minha sensação de liberdade.
Vou caminhando e percebo que algumas pessoas se detêm em mim. Talvez alguma coisa no meu visual ou mesmo na forma de carregar as sacolas que, a essa altura da minha satisfação, esvoaçam como eu, ao caminhar.
Não me perturbo e sigo minha caminhada. Passo por uma livraria e decido entrar. Logo ali, onde eu vinha contendo, há meses, despesas não prioritárias... Deparo com aquele lançamento de dezembro do ano passado, ainda não lido, sorrindo para mim.
Imagino-me poderosa e entre uma pipoca e outra peço à vendedora que separe não só ele, mas mais dois outros livros que me chamaram a atenção.
Ainda extasiada com minha ousadia, ao sabor das pipocas, já parada no caixa, sou chamada à razão pela atendente que me pergunta - seca e irritantemente - pela forma de pagamento.



Visitem Adir Vieira
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quinta-feira, 19 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

Tienes que Volar - por Yuri

Não queria que você se preocupasse tanto. Viva sua vida como um pássaro voa em liberdade...
Em seus olhos o porto seguro de meus braços...
Não preciso que você fique pra assistir ao meu show, mas necessito que continue...
Voei a caminho da liberdade, provei de outros sabores, vivi outras experiências, outras culturas... enfim... vivi.
E algum dia cheguei a pensar que você ficaria feliz por eu ter amadurecido, mas não: você preferia que eu ficasse sentado no sofá da sua sala, ouvindo música sertaneja e vendo você trazer mais comida na bandeja, e fazendo as provas mais difíceis...
Mas eu fui viver minha vida e não suas vontades, porque não segui suas ordens.
E repito que fui viver minha vida. E te garanto que não é por isso que eu deixei de te amar por menos de um segundo...
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Liberdade

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Olhando o Lado Bom do Desemprego - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Esse texto é em homenagem a minha amiga Silvania que ficou desempregada e estava muito triste e preocupada. Como ela, muitos que se encontram nessa situação, sentem-se tristes e acabam só enxergando um lado - o lado ruim, o de engrossar a fileira dos PHD’s. Mas existe um outro lado - o lado bom. Quem foi a adolescente que não leu Pollyana? “Todo lado ruim, tem seu lado bom”.
Pensando nisso, resolvi listar para a minha amiga o lado bom do desemprego e assim fazê-la sorrir e esquecer as preocupações…
Pesquisei, entrevistei e me interessei e acabei fazendo uma listinha de itens que, com certeza darão ao desemprego um ar mais feliz.

1. Acordar tarde - Imagine o despertador do celular mudinho, dentro da bolsa até a hora que você quiser. Nada de acordar com aquele sonzinho irritante.
2. Não ter o que fazer - Simplesmente não fazer nada, absolutamente nada que não quiser. Olhar, olhar, pensar e não ter o que fazer por obrigação.
3. Não ter chefe - Quer coisa melhor do que não ter chefe enchendo o saco, reclamando de tudo, encontrando erros nas coisas que você fez com o maior amor do mundo? Aquele ser que te cobra e não te dá nada nem um muito obrigado por você acordar cedinho, fazer um bolinho e levar para o café da manhã do chefe e, é claro, dos colegas, enfrentar o espera-espera de uma vaga no estacionamento e nem um muito obrigado?
4. Não ter horário para almoçar - Acordar às 11 horas com o sol na cara e de pijama ir tomar café como se fossem 5 horas. Almoçar às 4 da tarde e pensar que você pode emagrecer e economizar fazendo apenas 2 refeições?
5. Economia de combustível - Você não mais ficará chateada como quando enchia o tanque do carro e ele acabava em uma semana de tanto engarrafamento que você pegava, o vai-e-vem casa- trabalho, trabalho-casa. Agora seu carro fica quietinho na sua porta, só saindo nos finais de semana ou se pintar uma chance de emprego. Economizar, essa é a palavra chave!
6. Jogar paciência - Pense que coisa boa. Você estressada jogando paciência para desestressar e de graça…
7. Sem plano de saúde, sem doença - Você vai curar tudo, pois tudo é psicológico. Sem plano de saúde, sua saúde vira de ferro. É inacreditável!
8. Usar a internet dia e noite - Quando no seu trabalho você podia abrir seus e-mails? Só podia acessar os sites oficiais. Assim, você poderá colocar em dia aqueles 300 e-mails que você nunca leu nem respondeu.
9. Caminhar no Parque da Cidade - Imagine o ar fresco, o contato com a natureza: nos dias de hoje, contato é a palavra-chave nem que seja com a mãe natureza. Outra coisa boa: você pode treinar correr e assim, quando nada, concorrer nas olimpíadas ou mesmo correr dos cobradores, pois você estará bem treinada.
10. Excesso de liberdade - Já pensou bem nisso? “Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós” Que sensação gostosa!
11. Pesquisar, testar e concorrer com uma receita especial no concurso da Knorr e ainda abocanhar o prêmio; se você não tinha tempo, agora tem de sobra, portanto, mãos à obra!
12. Assistir todo o dia o “Hoje em Dia”, anotar todas as dicas e, quem sabe, conseguir descobrir qual o número que abre o cofre do Brito. Se você estivesse trabalhando perderia as dicas e não conseguiria nada. Viu só que legal?
13. Finalmente o mais sonhado de todos: Ter tempo, muito tempo para pensar nos números, verificar estatísticas e tentar ganhar na MEGA SENA e assim deixar de ser desempregada para ser MILIONÁRIA!

Mas se nada disso te alegrar, pense que você tem o SEGURO DESEMPREGO e, com isso, 3 meses de alegria, alegria!
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sábado, 13 de dezembro de 2008

A Liberdade de Não Ter - por Alba Vieira

Você já se perguntou tudo que perdeu pelo que passou a ter, que conquistou? E se fantasiar que foi aos poucos perdendo tudo isso? O que ganharia de volta em termos de qualidade de vida, de qualidade para ser feliz e em tempo para viver? Viu? Será que vale mesmo toda esta correria, tanto esforço, tanto stress, para depois, no fim do dia, você desabar exausto e ficar olhando para o que tem sem poder usar? Ou trabalhar tanto sem descansar, sem conviver com a família, sem perceber seu filho crescer para conquistar bens e na aposentadoria não ter a possibilidade de desfrutá-los, seja por morte súbita ou então por já estar entrevado, alienado ou mesmo ainda ocupado, lutando para trazer de volta a saúde que gastou sem critério algum na sua luta inglória por coisas?
Como é o seu presente? Tornou-se um fardo pelas atitudes inconseqüentes e ambiciosas do passado ou é só ansiedade pura pela expectativa do futuro? Você consegue estar realmente aqui agora? As coisas que você já conquistou trouxeram para a sua vida realmente mais conforto ou muito mais obrigações e despesas que o obrigam a trabalhar ainda mais, às vezes sem qualquer prazer no que faz, para poder pagá-las? Será que vale a pena mesmo ter tudo isso?
Vejamos como é o homem moderno: quando sai de casa é obrigado a carregar um monte de coisas: chaves, cartões, documentos, celulares, pastas e papéis. Sair de mãos abanando, nem pensar... Andar a pé para o trabalho, exercitando o corpo e olhando para as outras pessoas, contemplando a natureza que ainda existe, quase sempre impossível... Se usa o transporte coletivo, se irrita, sofre, se cansa, porque a qualidade é péssima. Se vai no seu carro, precisa se preocupar com o trânsito, engarrafamentos, assaltos, e sempre com a despesa que advém dele: IPVA, revisões, pedágios, seguros etc. A facilidade de comunicação traz, por outro lado, a ausência total de privacidade. Quem pode, hoje, sair sem destino sem ser encontrado? E o silêncio, onde é possível desfrutá-lo? Ao invés disso, acabamos falando ao mesmo tempo com várias pessoas: ao vivo, no celular e no fixo. Loucura total... stress e mais stress.
Cada conquista na vida se transforma em mais uma malha da teia paralisante em que nos envolvemos. Pertencemos a condomínios, instituições, clubes, organizações, sindicatos, conselhos e, claro, somos reféns de suas cobranças burocráticas e monetárias que nos tiram quase toda possibilidade de orientarmos nossa vida livremente. Estamos afundados em papéis, obrigações, contas, documentos, relações etc. que não queremos e não precisamos, que não fazem parte de nós e que nos roubam de nós mesmos. Até quando permitir tudo isto? Por que não simplificarmos agora nossa vida, retirando tudo o que é desnecessário?
Às vezes imagino uma liberdade total, inusitada e extremamente prazerosa, embora aconteça apenas na mente: volto para casa, e ela não mais existe... perdi tudo o que tinha num incêndio... Uau!!!!!!!!
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