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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Adulto Feliz - por Rita

A criança cresceu e floresceu
E com as flores vieram o fim do ciclo de duas gerações
Perdas irreparáveis
Deixando o mundo carregado, cinza
O que fazer?
Aguardar, só o tempo pode nos recuperar
É fato
Eis que surgem os frutos da quarta geração
Uma explosão de cores, tons, sons colorindo o mundo
E este mosaico de cores deu origem a um adulto feliz
Cada fruto tem seu sabor e sua cor
Chegou a hora de colher
Amor, esperança, carinho e fé
Ficou a saudade dos que partiram
Mas jamais serão esquecidos
São elos de uma corrente chamada amor
Amo meus frutos
E com gratidão reconheço a reciprocidade em cada gesto
No olhar, no abraço, na confiança e e na conversa fiada
De diferentes gerações que insistem em amar.
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sábado, 29 de março de 2014

Encontro - por Poty

Ser velho ou novo, qual a diferença?
Não importa a tua idade, o que importa é você, o teu sorriso, a tua simpatia, o teu olhar, as tuas manias, a tua experiência, os teus anseios... A nossa troca, seja ela de diferença de idade, mas é de sentimento, de carinho, de amor (carnal, de desejos, de fantasias), que seja de amizade, mas sincero não porque a idade nos impõe... Foi a nossa vida que nos fez encontrar.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Setembro - por Adir Vieira


Começa o mês de setembro e vejo que, para mim, a conotação de um mês onde eu jogava todas as cartadas simplesmente acabou.
Lembro de que, quando criança, esperava o mês de setembro, suas cores vibrantes, as flores e via e sentia o mundo melhor. Atribuía isso ao mês de aniversário da minha mãe que, embora com ou sem grandes festejos, talvez lá no meu inconsciente fizesse reverência à grande rainha.
Fui seguindo pela vida e, já no emprego, ele também tinha uma conotação feliz. Afinal, era o mês dos aumentos polpudos de salários, visto que a avaliação funcional se dava nessa época, para mim. Fazia então grandes planos financeiros e isso tornava o início da primavera mais belo, porque trazia consigo a realização de alguns pequenos sonhos de consumo.
Por tremenda coincidência, meu amor maior surgiu na minha vida próximo a esse grato mês e tornou a vida ainda mais maravilhosa. Lembro sempre de sua frase costumeira – quando setembro vier, completaremos tantos anos de união.
E foi assim por toda a vida: o mês de setembro trazendo com ele belas e boas surpresas.
Mas, há três anos, a vida mudou de rumo e o mês de setembro também.
Nessa época, próximo ao seu aniversário de oitenta e dois anos, perdi minha mãe. Uma semana depois sofri a expectativa febril da recuperação do marido que, angustiado com a morte da velhinha, sofreu um infarto grave. Por Deus, teve uma ótima recuperação e está perfeitamente bem, mas as marcas sobre o mês de setembro ficaram.
Hoje, com certeza, por mais que eu me esforce, ele, o mês de setembro, perdeu o brilho original, aquele que me seguiu por toda a vida.
É assim mesmo, coisas que não se explicam, mesmo deixando lucros.




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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Triste Fim de Alguns - por Adir Vieira

Numa roda de amigas, três delas casadas e, como eu, com os maridos já mais velhos e dando sinais de envelhecimento, tudo girava em torno da paciência que tinham que desenvolver para aturar as manias que agora se apresentavam em profusão e incomodavam por demais seu dia a dia. Suas reclamações não eram simples reclamações, mas sim deixavam transparecer um desejo latente de se verem livres daquelas “malas” em suas vidas.
Como se fosse um discurso já treinado, enumeravam coisas iguais - como um rádio com o som muito alto, dificuldade de usar roupas mais novas, formas indevidas de comer em público, dificuldade de ouvir o que elas diziam e, sobretudo, um hábito diário de isolamento delas - e nenhuma apreciação por saídas em grupos, coisa que as fascinava.
Ouvia eu muito atenta aquilo tudo e tristonha me perguntava: onde está o amor incondicional?
Constato que é comum as pessoas amarem o bom, o fácil, o perfeito e lamento profundamente que um homem que muitas das vezes foi o provedor único dos desejos daquela mulher, nem de longe disconfie que agora, um pouco mais alquebrado, possa servir de chacota no seu próprio meio social e familiar.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Memórias de um Seminarista (Parte XIX) - por Paulo Chinelate

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Concomitante às perturbações políticas da nação brasileira, nossa vida em seminário segue a rotina usual só quebrada pela saída abrupta do nosso convívio de colegas, muitas vezes amigos chegados. A cada separação repentina cabe a quem fica a administração da perda.
Dá-se o nome de “ir para a bica”, o fato das saídas súbitas. O significado do cognome dado a este evento, conforme reza a tradição local, é de um sujeito que vai à bica para saciar a sede, escorrega e cai.
Vê-se que o sentido de queda não é aleatório. Associa-se ao episódio como derrota, ruína, perda e prejuízo. Há um quê de cuidados para não permitir muitos comentários sobre os afastamentos. Censura explicada, talvez, pela maledicência que daí pode advir ou, a meu julgamento, para evitar que companheiros simpáticos ao que “embicara” possam, sem razões maiores, seguirem os seus passos.
O certo é que eu analiso as reações de toda comunidade, já me colocando como um dos próximos candidatos a resvalar no “limo da bica”.
Iniciado o ano escolar, como de costume, é dada a partida aos ensaios de nova peça teatral. Meu papel, coadjuvante e de menor importância, com poucas falas, tem, porém, significado no enredo de “JULIANO, O APÓSTATA”. Peça que traduzia a saga dos primeiros cristãos ao tempo das perseguições.
Os cuidados da trupe na construção dos figurinos eram desde cedo tomados. Cada qual laborava, com base em um projeto, na construção dos capacetes dos soldados romanos, da coroa do rei, dos mantos, arcos e flechas, lanças, panos de bastidores etc.
Duas a três dezenas de companheiros estão investidos na façanha que apresentaremos em meados do ano. O interessante é que o Irmão Constantino, sempre solicito e amável, é severo o bastante para nos exigir que mantenhamos em segredo não só o enredo da peça como até mesmo o seu título. Não me recordo de que em anos anteriores houvesse vazamentos.
Eu farei também parte de uma esquete, geralmente humorística, que entremeia os atos da peça teatral permitindo que os bastidores sejam reformulados às exigências do enredo.
No cenário político os acontecimentos precipitaram-se: os militares, sustentados pela Igreja Católica e outras organizações da sociedade que clamam por ordem na ameaça anárquica, tomam a frente e o General Aragão Filho lidera, com as forças vindas de Minas Gerais, abafando qualquer levante a favor do infeliz João Belchior Marques Goulart, presidente perdido em querer transferir ao solo brasileiro um regime socialista.

De resto, rotina, rotina, rotina.

Junho desponta como sempre com os esperados festejos de São João, as apresentações teatrais tão aguardadas e a novidade: férias do meio de ano em família, dantes nunca ocorridas.
A apresentação teatral foi muito competida pelos convidados, como em todos os anos. Os trabalhos, tanto por parte dos atores como sonoplastia e iluminação, impecáveis. Só um acontecimento arranhou minha participação: enquanto aguardava a apresentação do terceiro ato da peça principal, e após ter concluído a exposição da esquete, estando eu e mais três colegas nos alçapões do palco, acendemos e “apreciamos” um cigarro retirado de um maço adquirido pelo contra-regras e usado pelo ator humorístico. Não contávamos com a ingerência do nosso Reitor Irmão Zeno Ângelo Camata, que certamente já pressentindo alguma peripécia nossa, nos pegou em fragrante. Nada foi dito, nada se escutou. Bastou seu olhar de inquisidor sobre os óculos redondos, grossos de aro fino para sabermos que estava tudo muito, muito censurável.
O tempo passou, saímos de férias e nenhuma consequência da peraltice praticada, aparentemente, teve curso.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Memórias de um Seminarista (Parte XVIII) - por Paulo Chinelate

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Tão logo terminamos o retiro espiritual neste final de ano de 1963 fomos liberados às férias familiares.
Confesso que nunca estive tão ansioso por espairecer junto aos meus queridos pais e irmãos.
Têm-me ocorrido pensamentos de voltar definitivamente ao convívio dos entes queridos. Não que haja da parte do ambiente de internato algo que cresça repúdio por ele, pelo contrário, tenho vivido dias de maior integração com meus amigos. Mas a sensação de estar em lugar errado não desapega de meus pensamentos. Vou completar dezesseis anos dentro de quatro meses. Apesar dos motivos que me trouxeram ao seminário tenham sido outros que não o vocacional, durante estes últimos anos tinha já aceitado ser do ambiente religioso a dedicação de minha vida. Mas, há alguns meses que venho tendo frequentes inclinações a querer outra coisa que não a vida celibatária e “reclusa”.
Li e reli muitos assuntos da vida militar. Fascinam-me a vida da caserna, a disciplina de soldado, a possibilidade de ter um dia voz de comando e quem sabe galgar a carreira dos grandes heróis da pátria. Sou filho de um ex-combatente da última guerra mundial. Sempre que papai relata os feitos de batalha, como que um frenesi abate sobre mim.

Estou em Juiz de Fora para passar o Natal, fato que desde 1960 não ocorria.
Está sendo maravilhoso poder compartilhar momentos íntimos com meus nove irmãos. Agora somos dez. Mamãe há cinco meses recebeu a visita de mais um irmãozinho. Como praxe em toda família de italianos, fui escolhido, como o mais velho, juntamente com minha irmã Conceição, convidado a ser o padrinho de batismo do bruguelo. O Maurinho dá início a uma lista de afilhados que certamente terei por toda a vida. Se o ambiente pessoal familiar se modificou durante estes últimos quatro anos por conta do desenvolvimento de meus irmãos, o espaço físico também teve suas variações. Por conta de papai estar agora com trabalho fixo, tem aprimorado a casa adaptando-a tanto ao maior conforto quanto ao crescimento da turma.
Por tudo isto, tenho pensado em poder retornar ao ninho que eu abandonara só para ser uma boca a menos.
Os companheiros de rua e bairro, assim como eu, cresceram. Como é gostoso encontrá-los, não mais nas molequices de outrora, tempo que nos parece longínquo, mas agora às saídas da missa das sete da noite, ou nos papos de esquina da pacata Rua Inácio Gama no Bairro de Lourdes.
As visitas aos parentes é uma praxe que mamãe não perdoa. Em alguns momentos, estes passeios são puramente agradáveis. Visitar minhas primas Terezinha, Maristela, Lena e Marice Cal. Meus primos Waltinho, Zé Carlos, João Batista e Juarez. No entanto, a paparicação de meus tios e avós me incomoda. Sou visto como o “santinho”, o “padre” da família. Sentimentos vão de choque contra a minha breve intenção, ainda secreta, de sair do seminário. Permaneço, portanto, em palpos de aranha. Calo-me ainda. Não sei qual seria a reação de papai e mamãe quando e se eu decidir por isto.
Terminados os vinte dias de tão breve descanso retorno às lides, agora se apresentando rotineiras, do seminário.

Passados alguns dias das ainda vívidas férias, o quadro nacional é perturbado por densas e negras nuvens. A política, diariamente acompanhada pela voz do locutor da Rádio Globo, o Repórter Esso, Heron Domingues, avalio o distúrbio que o Presidente João Goulart vem trazendo à nação desde a renúncia de Jânio Quadros.
O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, achincalha o sentimento mais profundo, religioso, do Brasil fazendo publicar em primeira página uma estampa grotesca de Nossa Senhora Aparecida. Estão anunciando, em tintas pesadas o que será do Brasil caso opte pelo socialismo de cores soviéticas.
A condecoração do guerrilheiro Che Guevara por Jânio Quadros quando ainda presidente, a visita do presidente Goulart à China Comunista, o envio de caravanas de políticos, professores e estudantes à Cuba e à China, apoio governamental a invasões de terras pelas ligas camponesas lideradas pelo deputado comunista Francisco Julião, apoio de ministros à subversão da ordem, ataques diretos de políticos do Governo aos Estados Unidos, pregação oficial contra a hierarquia militar, e principalmente a presença do Presidente da República discursando frente a uma gigante manifestação de soldados e cabos contra oficiais e ministros, no Rio de Janeiro.
A Igreja, a imprensa, os empresários, as classes profissionais, as donas de casa e os militares protestam perante a conturbada economia brasileira enfrentando inflação com índices mensais superiores a 50%, elevado desemprego e baixo crescimento.
Tudo isto acompanhado com voracidade pelos nossos ouvidos, inda que adolescentes, já educados a discernir o joio do trigo.
Março terminou com notícias de movimentos sociais e militares. João Goulart foi deposto. Queira Deus que tudo serene. Que a paz retorne ao nosso sofrido povo. Dizem que está uma situação de guerra. Temo pelos meus familiares. Aquece o desejo de estar com eles.
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Ernesto Che Guevara.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ânsia - por Ana

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Tarde da noite sigo seu rastro
De mulher jovem, decidida e bela.
Eu sinto remorso, orgulho, simpatia,
Enquanto me esgueiro por entre estas vielas.

Há casas de mil tipos, gente pela rua,
Caras conhecidas que eu não cumprimento.
Pois a minha pressa me mantém cativa,
Não me permitindo outro pensamento.

Quero encontrá-la... Onde estará?
Há tanto tempo não a avisto... Espere!
Ali... É ela... Deus! Quanta saudade!
Será que há abraço que supere?

Eu me aproximo devagar, nervosa,
Por encontrá-la após tanto tempo.
Olho-a nos olhos: sou eu mais nova,
A doce lembrança de meu melhor momento.
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Eu e Emanuelle - por Flavio Braga

Quando a conheci, eu nem tinha maldade o suficiente para imaginar posições sexuais. Escutava os meninos mais velhos, de 15, 16 anos, falando de posição X ou Y e eu fazia força para tentar imaginar como que era. E, na maioria das vezes, achava aquilo tudo impossível, a menos que se estivesse transando com uma ginasta romena. Mas isso foi até eu conhecê-la. Até pouco tempo achava que ela era muda. Pior. Muda e bem mais velha. Não sei se minha mãe aceitaria que seu então filho inocente se relacionasse com uma mulher mais velha.
Não sei onde Emanuelle se metia durante a semana toda (ou se era metida a semana toda, vai saber), mas a madrugada de sábado era nossa. Ela chegava lá em casa por volta das duas e pouca e ficava até... Não sei até que horas ela ficava. Só sei que eu ficava exausto um pouco antes das três e ia dormir sem me despedir, e ela nem ligava. Entrava muda e saía calada lá de casa, porque o barulho podia acordar as outras pessoas da casa. Pois é, sexo perigoso e divertido.
E ela me mostrou até alguns lugares do mundo, mas ela me mostrou também seu belo par de peitos. Isso para um garoto de 14 anos é bem mais interessante que viajar para ver touradas, ir a África ou ao Oriente. Pensando bem, dependendo do par de peitos e do conjunto da obra, é bem mais interessante até hoje. Que seja. Lembro que tinha vezes que ela parecia outra pessoa. Tinha dias que ela tinha um jeitão tão anos 1980, em outros era um mulherão ao estilo anos 1990, mas sinceramente, pouco me importava. Só sei que tinha dias que as luzes ficavam meio baixas, o quarto parecia rodar... Algumas vezes ela até me pediu para colocar uns óculos 3D, para apimentar um pouco mais a noite, mas nunca consegui usar os tais óculos, por dois motivos: o primeiro era que eu achava – e ainda acho – ridículo usar óculos em lugares escuros. O outro motivo era que eu não tinha os malditos dos óculos. Mas era bom, mesmo que com ela eu sempre tive a impressão de estar sozinho. Mas dane-se. Ela era minha.
Mas não era só minha. Meus amigos também conheciam Emanuelle. Como? Não sei. E faziam todas aquelas coisas que eu fazia com ela. Estranho. Não me lembro de ter participado de nenhum gang-bang, ainda mais com conhecidos, alguns que até hoje são bem mais feios que eu. Não faziam o tipo de Emanuelle, tenho certeza. Só podia ser mentira, blefe de moleque invejoso. Calúnia! Mas desde sempre sabia que não podia confiar em Emanuelle, que parecia separada de mim por um vidro, uma tela. Fiquei transtornado, inconsolável, pelo menos até o primeiro par de peitos que de fato toquei. Mas isso é outra história.
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Aedo Cibernético: Acalanto - por Cacá

.......Diz o Chico Buarque que nós “herdamos do sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo” (Fado Tropical). E os baianos foram os primeiros a receber esses genes e o espalharam depois pelo Brasil. Aí, o Dorival Caymmi, quando nasceu a sua primeira filha, a Nana, compôs essa música para lhe embalar nas noites de insônia, de choro e de vontade de uma mamadeirazinha.
.......Meu regime de trabalho era de revezamento em turnos noturnos, diurnos e vespertinos. Quando nasceu a Maíra, eu tinha, dentro das 24 horas do dia, horário para trabalhar à vontade, enfim. Costumava chegar de manhã para dormir e ela, lépida, fagueira e ligeira, chegava ao meu quarto para brincar. Aí, tinha que fazê-la dormir comigo, caso quisesse descansar para uma nova jornada mais tarde ou no outro dia. Fui descobrindo umas musiquinhas que lhe acalmavam momentaneamente o fogo. Meu relativo sucesso era com ACALANTO. Nos primeiros minutos, ficava como uma tocha, os olhinhos acesos prestando uma atenção danada, feito coruja. Depois ia se acalmando até adormecer em meus braços, ou a gente junto deitados no meio das almofadas no chão da sala, cada um dormindo um soninho bom.



ACALANTO
..........(Dorival Caymmi)

É tão tarde, a manhã já vem
Todos dormem, a noite também
Só eu velo por você, meu bem
Dorme anjo, o boi pega neném
Lá no céu deixam de cantar
Os anjinhos foram se deitar
Mamãezinha precisa descansar
Dorme anjo, papai vai lhe ninar

Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta

Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta


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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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sábado, 5 de dezembro de 2009

Enfim, o Verão! - por Adir Vieira

Ainda durante a primavera, o verão já estava aí!
Trazendo o sol desde as primeiras horas da manhã e iluminando o dia, chamando-nos a viver.
Nessas épocas de sol escaldante penso que se eu fosse comprar outro apartamento, jamais compraria aquele que tivesse piscina como opção de lazer.
O prédio todo, antes do calor chegar, estava uma calmaria só. Se não conhecêssemos os moradores, podíamos apostar que aqui não existiam crianças e poderíamos jurar que a população geral descambava mais para anciãos ou trabalhadores que só vinham em casa para dormir. Com certeza poderíamos afirmar isso sem medo de errar, tamanha a calma, a falta de ruídos etc.
Mas, graças ao verão e à piscina, parece que todos, sem exceção, resolveram dar o ar da graça e espalhar pelo ar essa algazarra de quem é feliz, absolutamente feliz, por estar dentro de um “tanque”, misturado a velhos e crianças que buscam até o Natal estarem perfeitamente bronzeados.
Nada contra, mas que incomoda, não tenham dúvida! E olhem que a piscina está bem distante do meu apartamento...



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Memórias de um Seminarista (Parte XVII) - por Paulo Chinelate

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O novo ano que se inicia não deverá ser diferente dos outros anteriores. A rotina do internato é preenchida com muito estudo, missas e orações, retiros espirituais e, é claro, participações em jogos, disputas e campeonatos, desde o futebol, rúgbi e vôlei até os jogos de salão: xadrez, damas, carteados, pingue-pongue, sinuca etc.
Eu continuo expert em previsão do tempo. As setas da rosa dos ventos no cimo do dormitório dos noviços dão-me, através da posição do cata-vento adicionada pela direção das nuvens, a indicação se choverá ou não no dia seguinte. A pesquisa é maior quanto mais próxima houver a promessa de piqueniques, passeios, jogos.
Às quartas feiras temos livres as tardes para esportes ou trilha pela floresta. Portanto, nas terças o trabalho de pesquisa do tempo já está programado.
A grande novidade deste ano está sendo a participação maior em peças teatrais e esquetes. O Irmão Constantino, abnegado e paciente condutor dos peraltas adolescentes metidos a artistas, continua a tirar leite de pedra.
Por ocasião do encerramento dos semestres escolares de meio e final de ano são apresentadas seções teatrais. Os nobres convidados contam-se entre religiosos, políticos, fazendeiros vizinhos e moradores do entorno da fazenda que vêm usufruir conosco de momentos ansiosamente aguardados.
Apesar de eu participar de todas as atividades do juvenato, de ter passado como líder por Uberaba, sou tímido e retraído. Até mesmo assistir a filmes infantis de desenho animado faz-me ficar tenso e nervoso, ansioso com o destino dos personagens. Falar em público apresentando trabalhos - quer em sala de aula ou solando o cantochão nos recitais das “Vésperas” lá na capela - é para mim grande dificuldade.
Recebemos a visita de um Irmão Marista da província do Sul. Irmão Vital é o seu nome. Catarinense de porte considerável, tem em seu nome o que estampava em seu rosto vermelho e olhos de um azul celeste: expirava vitalidade.
Fará amanhã uma apresentação no salão de teatro sobre hipnotismo. Trabalha com letargia e paranormalidade. Procurou entre nós, fazendo testes, “cobaias” para sua apresentação. Fui escolhido tão logo colocou em mim seus olhos. Parece ler nossa alma. É psicólogo. Durante os testes que me coube fazer com ele acabou descobrindo meus problemas de timidez. Passou-me lição que deveria repetir para extirpar tal mal. Descobriu no dorso de minha mão direita, bem perto do pulso, como também na parte interna do meu polegar direito, duas verrugas que me causam muito desconforto. A do dedo prejudica, inclusive, a caligrafia. A do dorso sempre a bater em paredes sangrava amiúde. Passou-me lição urgente e sendo seguida, garantiu, em menos de quinze dias teriam sumido as aberrações que já me acompanhavam há anos. Eu já tinha feito antes diversos tratamentos inócuos, incluindo aí ácidos aplicados pelo “bondoso” Irmão enfermeiro.
No dia seguinte estamos eu e mais uma meia dúzia de colegas em cima, no palco, à disposição do “mestre”.
Entre diversas apresentações, a que mais surpreende perante uma plateia de mais de duzentas pessoas, é a imposição de mãos do Mestre Vital sobre pesada mesa e suspendê-la a considerável altura do solo. Em seguida, abaixada a mesa, nós seis auxiliares não conseguimos suspendê-la de forma alguma.
Outra impressionante demonstração foi testemunhar a interferência dele sobre um vaso de planta. Se seu rosto já é rubro por natureza, durante esta exposição ficou da cor de um tomate maduro. Espalma suas mãos em direção à planta a uma distância de uns dois metros, colocada que fora à beira do palco. Em pouco menos de minuto nota-se que a planta vai murchando defronte de nossos olhos.
Atravessou-me o pescoço com um grande alfinete e fez-me passear pela plateia. Retirou depois a peça de aço e novamente fui vistoriado pela curiosa plateia que estupefata não encontrou cicatriz e muito menos sangramento.
Diversas outras peripécias foram apresentadas: abraçados, dois a dois, nós éramos desafiados a desfazer o abraço. Um colega colocado deitado, tendo somente o calcanhar e a nuca apoiados em duas cadeiras, suportou três de nós sentados em cima dele sem ao menos vergar o corpo.
No mais, além de minhas verrugas se esfarelarem em menos de duas semanas, tudo corre sem grandes percalços.
Dentre todas estas amenidades e outras nem tanto tocamos o ano de 1963, só mesmo maculado pelas adversidades políticas que já permeavam o noticiário do “Repórter Esso”. O governo do “vassoureiro” Jânio Quadros está fazendo água. Há um desconforto político. O socialista João Goulart, nosso Vice-Presidente da República, tem praticado alguns atos que estão desagradando religiosos e militares.
Final de ano, vésperas de Natal, dá-se início ao nosso retiro espiritual.
Este ano seremos atendidos por um pregador Jesuíta. Homem sisudo, mas de coração brando.
Guardo, no entanto, grave impressão de suas pregações, principalmente quando afirmava que na porta do inferno existe um relógio cujo pêndulo, ao balançar, aponta para duas palavras escritas em cada lado: “Sempre” e “Nunca”. Significando, para quem cair no inferno, que nunca mais sairá e sempre ficará ali. Achei tétrica e inverossímil tal comparação. Não acredito em um Deus cruel que pune tão barbaramente seres ainda imperfeitos. No dia de confissões declarei a ele, pobre e singelo padre, minha visão sobre o Deus de amor que eu compreendia. Não gostou e pediu que eu rezasse para obter a minha conversão.
Chegam finalmente as férias em família. Posso desfrutar de vinte dias com meus familiares em Juiz de Fora.


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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Chegou o Verão, Ainda na Primavera! - por Adir Vieira

No início de novembro o calor já estava abrasador.
Com o quarto fechado e o clima de montanha proporcionado pelo ar-condicionado, me assustei quando, olhando o despertador e sentindo a claridade do dia, vi que já eram mais de nove horas.
Achei que tínhamos desmaiado, porque meu marido sempre acorda antes de mim, nem que seja apenas dez minutos... Parece que nós dois sabíamos do calor forte que encontraríamos nos outros cômodos da casa e, inconscientemente, nos negávamos a sair daquele éden.
Mesmo relutando, tínhamos que iniciar o dia e decidimos encarar o calor.
O ar terrivelmente quente nos esbofeteou ao abrirmos a porta do quarto. Nossos corpos reagiram, baixando de imediato nossa pressão e nos fazendo quase tontear e cair. De imediato, nos apressamos a abrir janelas e portas dos outros cômodos para que aquele ar ali retido se misturasse ao que vinha de fora, mudando aquela atmosfera ruim.
Pouco a pouco fomos nos acostumando à nova temperatura e um banho frio nos ajudou a nos aclimatarmos.
Da janela, observei duas adolescentes munidas de cadeira de praia e sacolas coloridas, com um tecido jogado pelo corpo que mal cobria o minúsculo biquini, tagalerando alegremente a caminho da praia. Saudei sua coragem, porque da Zona Norte até a praia, em transporte coletivo apinhado de trabalhadores, no mínimo demorariam uma hora e meia para se banharem no mar.
De súbito me vi, anos atrás, quando diariamente fazia o mesmo percurso durante as férias só para, no retorno ao trabalho, me exibir bronzeada. Pensei se os anos aquietam a alma ou se os gostos se diversificam, mas hoje, com certeza, pagaria o que tivesse que pagar para não viver isso de novo. Não vejo graça nenhuma em ficar estirada ao sol horas a fio e maltratar a própria pele que, por mais proteção que leve em cima, sempre se apresentará descascada e opaca no final do verão.
Enfim, penso, hoje é o momento dessas garotas, deixemo-nas assim, alegres e saltitantes, vivendo a única coisa boa dessa época escaldante - os banhos de mar!



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domingo, 8 de novembro de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XVI) - por Paulo Chinelate

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Juvenato São José
(Hoje sede da Prefeitura de Uberaba.)
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Se em Mendes eu fazia parte dos “menores” porquanto estivera nas turmas ginasiais inferiores, aqui em Uberaba eu pertencia ao “staf” dos mais velhos.
Ser mais velho, aprendi logo, tinha suas vantagens e também responsabilidades. Eram os mais velhos que escolhiam os times na montagem dos campeonatos de futebol, vôlei, basquete, sinuca, natação etc. Isto dava status, muitas vezes eu era bajulado e paparicado. Verdadeiras lições no trato da vida. Por outro lado, tinha o dever de ser mais esforçado nos estudos. Não coadunava ser líder só das “peladas” e “rachas”, tinha que ter ascendência intelectual e, porque não dizer, moral. Por conta disto, minha colocação nas notas de aula aumentou. Era chamado pelos colegas a dar opiniões em diversas áreas.
Já com quatorze anos, notei mudanças outras que nem imaginava acontecer. O corpo de rapazinho se fazia notar. Comecei a ter dificuldades em participar do coral do colégio onde fora soprano desde que chegara ao Juvenato. Minha voz não obedecia às notas mais altas. Parecia pinto velho gogo transformando-se em frangote: nem piava nem cantava, era um cacarejo rouco.
Papai, congregado mariano, conseguira, para eu ler, desde os sete anos, uns livrinhos que pegava lá na igreja intitulados “Antes que aprendam na rua”. A cada ano de idade um livrinho diferente. Os primeiros informavam como as plantas se reproduziam, o trabalho das abelhinhas, e finalmente a sementinha que papai plantara em mamãe, sem contudo haver aprofundamento no assunto. Antes porém que eu viesse a saber de “outras novidades” saí para o Juvenato.
Se algo se modificava exteriormente em mim, o que diria sobre sentimentos interiores? Mas papai estava tão longe para dirimir minhas dúvidas e questionamentos... Foi quando recebemos a visita de lúcido Irmão Provincial. Com olhos da experiência de pedagogo e guia espiritual viu logo minha aflição. Chamou-me em conversa particular e compreendendo meu estágio de ignorância das coisas da vida pediu-me que elaborasse por escrito uma lista de perguntas sobre o que quer que fosse e que na entrevista seguinte mas responderia. Dito e feito.
Saí da conversação olhando o mundo diferentemente. Percebia agora os meus colegas menores com olhos de superioridade. Eu sabia de “coisas” que eles nem imaginavam. Olhava os mais velhos e adultos com a cumplicidade dos segredos da vida.
E os meus primeiros dias de puberdade foram passando.
Diferentemente de Mendes, pelo confinamento da fazenda, aqui saíamos a passear pela cidade em duplas ou trios. Fui conhecer o parque de exposição dos Zebus cuja capital brasileira da espécie era Uberaba. Terra dos arrozais a perderem-se de vista, identicamente ao feijão apelidado de uberabinha, traziam à cidade um ar de progresso que minha Juiz de Fora não possuía. E nós como que participávamos da vida extramuros.
Facilitados por antigos alunos do Diocesano, fazíamos piqueniques em suas fazendas, beiras de rio e cachoeiras. O Colégio Diocesano, o maior da cidade, oferecia-nos, com seus múltiplos campos de futebol rodeados de mangueiras, oportunidade para praticarmos as peraltices símias.
Findo o ano letivo, novidades bateram à porta. Não fora economicamente viável a manutenção de um seminário naquelas plagas. Voltaríamos no ano seguinte para Mendes.
Um misto de satisfação pelo retorno à antiga pousada. No entanto o medo de perder também a “pose” de maior. Aqui, em terra de cego, quem tinha um olho era rei, lá a coisa deveria ser diferente.
Pela metade do mês de dezembro empreendemos viagem de volta. Retornamos passando por São Paulo. Pelas cidades que cruzamos, Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo e outras, tivessem colégios Maristas, lá pousávamos. Conhecemos Aparecida do Norte. O bom, porém, foi trilhar as estradas já antes conhecidas entre Vassouras e Mendes. Entrar na fazenda de São José das Paineiras, nosso destino, foi uma sensação antes não experimentada.
O reencontro com antigos colegas e amigos, tomar conhecimento de outros tantos que tinham desistido da vida religiosa e que lá mais não encontramos, foi impressão mista que ia do contentamento à decepção.
E o ano de 1962 chega ao final com seus encontros, desencontros e reencontros.


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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Duelando Manchetes VIII: Educação de Adolescentes - por Alba Vieira

.A JUVENTUDE E A QUEDA DAS INSTITUIÇÕES
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Acho que existem, na atualidade, três tipos principais de jovens: os reprimidos e politicamente corretos, os indignados com comportamentos desviantes e os alienados que não se envolvem.
E como lidar com esses jovens que não encontram modelos externos, posto que o núcleo familiar tantas vezes não serve como referência e assistem impotentes à falência das instituições com o país contando com homens públicos tão corruptos, antiéticos e alucinados?
Como dar limites aos jovens, se aqueles encarregados de fazê-lo, sejam pais, familiares, professores ou representante do poder público, cada vez mais frequentemente não possuem qualidades mínimas para isto?
E a nossa juventude, sejam os sonhadores alienados, os revoltados ou os submissos, não estarão de qualquer forma desenvolvendo plenamente seus potenciais, o que garantiria uma evolução no âmbito nacional. E a consequência inevitável é a manutenção no Terceiro Mundo.
Aqueles que têm a sorte de contar com modelos adequados no núcleo familiar se beneficiam. Mas, como resgatar os outros?
Penso que, quando nos voltando para fora, o que encontramos nos frustra completamente, uma saída talvez seja mergulhar em si mesmo, aprofundar-se e buscar o contato com o espírito.
Algumas vezes isto se dá pela ocorrência de algo trágico na vida, o que nos obriga a instintivamente “saltar da panela quente”, funcionando como catalisador do processo.
Entretanto, podemos tentar fazer isto de forma diligente. Cultivar a solidão, se acalmar e simplesmente observar a realidade com algum distanciamento pode ser o primeiro passo.



Comentário em Duelando Manchetes VIII: Educação de Adolescentes, de Paulo Chinelate.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Criança - por Dan

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Como luz
Caminha por entre nuvens
Festa e Fantasia
Amor, desejo, fartura

Brincadeiras
Total Liberdade
Anjos disfarçados
Verdade e beleza

Criança, queria nunca crescer
Sentir a realidade
Desse mundo de homens
Homens que destroem

Não devia sofrer
Não devia ser abandonada
Não devia chorar
Devia sim, ser feliz




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sábado, 10 de outubro de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XV) - por Paulo Chinelate

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CASA NOVA, VIDA NOVA!


Belo Horizonte. Como é desconhecida esta capital para os “mineiros” de Juiz de Fora! Não é à toa que nos apelidam de “cariocas do brejo”. Estamos lá, de costas para nossa capital e virados para Rio e São Paulo. Acho que vem daí a rivalidade também dos Cruzeirenses, Atleticanos e Americanos para com o nosso pobre Tupi Footeball Club.
Enquanto aguardávamos os transferidos de Mendes e os novos juvenistas para compormos uma só caravana, fomos conhecer os lugares mais pitorescos da capital mineira.
Mais uma vez o privilégio de tocar os pés no que seria o futuro Mineirão. As arquibancadas a meia altura de construção já nos deslumbrava. Fomos ao que seria o meio do campo. Tinha uma amostra em forma piramidal com as diversas camadas que formaria o subsolo do gramado: pedras graúdas, seguidas de outras menores até chegar à areia grossa, depois terra firme e enfim o gramado serviriam para os engenheiros projetarem o que seria o nível do segundo maior campo de futebol do mundo.
Visitar a Pampulha com seus murais, a lagoa e o seu vizinho aeroporto, bem retirados da cidade, foi um grande passeio.
Algo que presenciei ficou marcado em mim profundamente: Irmão Diniz, nosso futuro professor que iria conosco para Uberaba, nos levou à Faculdade de Letras onde terminara uma pós-graduação para pegar o seu diploma. Visitamos o grande complexo da Universidade Federal de Minas Gerais. Logo após esta visita, ele, Irmão Diniz, dirigindo a kombi em que viajávamos subiu um morro contendo casas muito pobres. Surpresa maior foi quando deparamos com diversas casinhas proletárias de tijolos. Muitas já prontas, outras pela metade e algumas nem tanto, com alguns voluntários, rapazes e moças a meter a mão no barro a erigir paredes. Ele fora o responsável técnico e mentor da grande obra de caridade destinada a substituir barracos de papelão e latão, ainda às fartas por onde a vista alcançasse. Pelos cumprimentos e depois despedidas, vimos muitas lágrimas, tanto dos trabalhadores quando dos futuros moradores. Fiquei sabendo então que seria a sua última participação naquele local de trabalho. Tinha tirado, logo que chegamos, farta quantidade de merenda distribuída a tantos quantos ali estavam. Creio que ele também, como eu e, aliás, como todos nós, sofria de suas perdas na vida.
Chegou o dia da viagem com a vinda do ônibus do Colégio Marista São José lá do Rio de Janeiro. Era uma grande jardineira, com seu bico comprido, trinta e dois assentos, todos ocupados por colegas chegados de Colatina-ES, Vila Velha-ES, Montes Claros-MG, Dores do Indaiá-MG e Patos de Minas-MG. Compúnhamos pequena comitiva, porém grandemente ansiosa pelo que nos pudesse aguardar em Uberaba-MG.
Algo interessante ocorreu nesta viagem. Dos dez contos de réis que ganhara do vovô, gastei um conto com o pintinho Lamparina e os outros nove estavam pesando em meus bolsos não acostumados a possuir tão “elevado” valor. Na primeira parada à beira da tremida estrada de chão batido que ligava a capital ao Triângulo Mineiro, comprei um pacote de balas e, não vendo nada mais útil, adquiri uma lata de azeitonas. Levando-a já aberta ao ônibus, ofereci aos colegas e estranhamente ninguém quis saber do meu regalo. Distraído com o chocalhar da estrada e da paisagem esvaziei a lata de quinhentos gramas, sozinho. Só sei que o resultado não foi bom. Não demorou muito uma cólica intensíssima me acometeu. Segura daqui e dali, não medi esforços para “determinar” ao motorista que parasse na primeira civilização que encontrasse. Foi o que ocorreu. Beira de estrada qualquer, às carreiras, adentrei um cubículo mal cheiroso instado como banheiro. O resultado foi sentido menos de um mês depois quando fui levado a um médico e constatada uma infecção na epiderme, por contato com algum lugar “sujo”.
O novo lar é lindo. Construção novinha cheirando a tinta fresca. Grandes e espaçadas salas de aula. Auditório de grandes dimensões. Uma capela especialmente construída com sistema de ressonância equilibrada para os corais que ali se apresentariam em missas solenes. Isto tudo em um grande sítio arborizado com piscina de água natural corrente e fruteiras diversas.
Não bastasse tudo isso, tínhamos a nossa disposição sete campos de futebol divididos entre si por frondosas mangueiras, localizados a pouca distância do seminário, no Colégio Diocesano de Uberaba, também dos Maristas.
Não consigo me esquecer do primeiro banho de piscina que fomos apresentados ao final do segundo dia. Eu, de calção novo, azul-marinho, a exemplo de companheiros que mergulhavam, decidi pular n’água. Mineirim dos bãos, diz o ditado, fica longe d’água. Constatei de imediato a razão disso. Novato na arte, senti a pressão da água em meus pulmões e ato contínuo aproximei-me da beira e pulei fora. Este pulei fora tem uma conotação bem própria: pulei sozinho, o calção ficou. Consegui, com uma entorse e um safanão evitar que o mesmo se afundasse e ali mesmo enfiei-o pernas acima. Envergonhado, não sei se do vexame ou da tinta azul que escorria pernas abaixo vinda do calção ex-novinho-em-folha.


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Viver é Assim? - por Duanny

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Sempre digo que quero viver do meu modo, sempre achei que nessa vida o importante é ser feliz, sempre duvidei que vidas monótonas trouxessem algum tipo de felicidade ou emoção, mas será que sempre estive, e estou errada?!

Sim, quero viver do meu modo, mas qual realmente é meu modo? Será que eu nasci para ser dona de casa, mãe família e eterna dependente?

Será que eu nasci para ser uma mulher autoritária, com um bom emprego, financeiramente resolvida, sem nenhuma pendência, mas extremamente sozinha?

Será que eu nasci pra viver de emoções, esportes radicais, com um amor a cada esquina, uma nova paixão a cada olhar?!

Enfim, qual é o modo certo, aquele que nos faz feliz? Que modo de viver um dia eu terei? Será que esse tal modo existe ou é coisa da minha cabeça?

Será que esse meu modo de viver é uma supérflua fase adolescente onde tudo é cor de rosa, e eu não vejo as consequências dos meus atos?

Talvez essa minha fantasia de vida perfeita, liberdade adquirida e um amor espontâneo seja somente essa fase, a fase de querer tudo e não conseguir nada, porque é realmente o que acontece: quero abraçar o mundo de uma vez só, quero ser todas de uma vez só, quero amor muitos de uma vez só e, no fim, acabo não fazendo nada, fico lá estacionada... E embora minha vida não seja nada monótona, continuo ali estacionada.

Mas... sabe? Talvez seja hora de definir objetivos, esclarecer as opiniões ou, porque não, amadurecer? Afinal, uma hora ou outra isso tem que acontecer, né?!

Vidas perfeitas são uma ridícula ilusão criada pelos infelizes que não veem a graça de terem o que tem, que não conseguem achar a felicidade nas pequenas coisas da vida.

Sim, quero tudo pra mim, mas tudo ao seu tempo, tudo do jeito certo, do jeito que me faça feliz.




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domingo, 27 de setembro de 2009

A Gatinha e os Estudos - por Adir Vieira

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Rosada, olhinhos brilhando,
sorriso ainda tímido
é assim ao chegar...
Tenta adivinhar o que tem pro almoço
digo jiló, só pra atentar...
É assim que ela vem,
olhar distraído,
tramando outras coisas,
menos estudar...
São tantos os preparos
para o dia seguinte
e logo vem a noite,
tendo que descansar.
Não há tempo para nada
que não envolva estudos
e vai indo a vida, a deixar pra trás...
Que tempo difícil é esse de agora,
são tantas matérias,
mesmo no fundamental...
Já fico pensando daqui mais pra frente,
se haverá tempo para se coçar.



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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Momentos - por Duanny

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Sou uma menina, sim ainda uma menina, movida à base de momentos. Ainda assim sobrevivo dela, sabe porquê? Porque ainda a inocência me toma, a rebeldia me acalma e a irresponsabilidade me alimenta.
Os momentos calmos me entediam, na maioria das vezes eles chegam a ser patéticos, ou mesmo tranquilizantes, é bom um pouco de calma para se atingir os objetivos.
Os momentos felizes me possuem de uma forma contagiante, me fazem falar alto e querer mais e mais.
Os momentos tristes me destroem de forma constrangedora, eles tiram minha máscara e deixam as lágrimas rolarem de forma escancarada. Mas são dos únicos momentos que dou por mim mesma, e posso saber até onde minha mentalidade adolescente vai.
Os momentos intensos não sou eu, me torno meu próprio sonho de consumo, alguém que nunca vou ser.
Nos momentos desesperados sou aquela que grita, que chora, e depois ri, ri da vida, ri de mim mesma.
Nos momentos apaixonantes tiro a minha máscara, mas, sem deixar que lágrimas rolem, sou aquela mesma garota dos momentos calmos, felizes, tristes, intensos, desesperados, incontroláveis, alucinantes e até mesmo cínicos.
Mas, ainda assim, continuo sendo uma menina, uma menina movida a momentos.



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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Inocência - por Gio

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Estava revendo algumas fotos das férias, e me deparei com algumas (como essa) dos meus primos. Sou o primo mais velho, então meu destino é cuidar de todos eles, e vê-los crescer. Crescer é bom, e necessário, mas “adultecer” pode ser ruim. Perder a pureza e a inocência, para mim, é mais um defeito do que uma meta.

Às vezes eu sou uma criança inocente também. Tenho o que os céticos chamam de “ilusão”, e que os loucos chamam de “esperança”. Tenho a inocência de achar que uma simples conversa pode resolver tudo; de acreditar que as pessoas que, por um motivo ou outro, pararam de falar comigo, um dia vão acordar, vir e dar satisfações; de pensar que todas as minhas dúvidas podem ser esclarecidas; que eu vou poder explicar tudo o que acho necessário aos outros. Eu sonho, cresço e continuo achando que posso alcançar tudo. Mas sabemos que as coisas não são bem assim.

O mundo é mais duro com quem encara a vida dessa forma, os tombos podem ser maiores... Sim, é difícil ser otimista e sonhador hoje em dia, mas isso acaba tornando melhor a sua maneira de ver a vida. Prefiro continuar na minha “insanidade”. Continuo inocentemente procurando por alguém que pense como eu, e que queira mais do que simplesmente “aproveitar a vida”.


Uma música não tão nova, mas que eu voltei a escutar (e a ver muito sentido) ultimamente:
Unwell (Matchbox Twenty)

All day, staring at the ceiling
Making friends with shadows on my wall
All night, hearing voices telling me
That I should get some sleep
Because tomorrow might be good for something
Hold on, feeling like I’m headed for a break down
And I don’t know why

But I’m not crazy, I’m just a little unwell
I know, right now you can’t tell
But stay a while, and maybe then you’ll see
A different side of me

I’m not crazy, I’m just a little impaired
I know, right now you don’t care
But soon enought, you’re gonna thing of me
And how I used to be

Me... Talking to myself in public
Dodging glances on the train
And I know - I know they all’ve been talkin’ about me
I can hear them whisper
And it makes me feel that must be something wrong with me
Out of all the hours thinking
Somehow, I’ve lost my mind

I’m not crazy, I’m just a little unwell
I know, right now you can’t tell
But stay a while, and maybe then you see
A different side of me

I’m not crazy, I’m just a little impaired
I know, right now you don’t care
But soon enought, you’re gonna thing of me
And how I used to be

I’ve been talking in my sleep
Pretty soon they’ll come to get me
They’ll be taking me away



That’s all for tonight, folks!
Good fight, good night!
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Visitem Gio.
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