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sábado, 29 de junho de 2013

Violência Humana - por Amilcar Landiosi Júnior

Muito se fala sobre as causas da violência humana e poucos se arriscam numa reflexão profunda.
O ser humano é dotado de corpo e alma tendo de dividir entre a razão (cérebro) e a emoção (coração) suas atitudes e seu comportamento.
Existe um terceiro fator que não se leva muito em consideração por motivos religiosos e ou pessoais que é o espírito, nossa verdadeira identidade.
Todos temos nosso grau de espiritualidade uns mais outros menos, porem, estamos todos no mesmo ciclo, se compararmos com a escola eu poderia dizer que estamos cursando o colegial, uns no primeiro ano e outros no terceiro, a faculdade, bem espero poder ingressar!
Como comparado, os alunos do primeiro ano não “combinam” muito bem com os alunos do segundo e assim por diante, vice e versa.
Sendo nosso planeta uma escola, recebemos alunos de outras escolas (planetas) que acabaram de concluir o primeiro grau, eles chegam cheios de esperança e com muita vontade, mas o curriculum escolar é bastante extenso e puxado, muitos acabam por repetir de ano e o mesmo acontece com o pessoal do segundo grau.
Somos todos dotados da mesma capacidade.
Más como já foi dito somos estudantes, estamos aqui para nos aperfeiçoarmos, evoluirmos para um mundo melhor.
O fator predominante com relação a violência é a falta de aceitarmos as derrotas (repetir de ano) queremos evoluir rápido demais para buscar o bem estar e a felicidade eterna.
Não é a pobreza que gera violência ou a falta de condições materiais, a pobreza e a falta de condições materiais necessárias para a sobrevivência do corpo gera doenças carnais.
Provas do que estou falando podem ser encontradas no nosso dia a dia, afortunados cometendo crimes e os paupérrimos se destacando no caminho do bem, o gerador da violência esta na impaciência humana, nossa falta de capacidade plena de amar, compreensível, estamos em evolução.
O problema da violência vem sendo resolvido, a todo instante seres humanos passam para níveis superiores e atingem a perfeição.
A nós compete seguirmos firmes no caminho do bem e trazendo conosco os que encontram dificuldades com o aprendizado.
Para mantermos o problema da violência a níveis “aceitáveis” devemos fazer o que a nós compete que é investirmos em educação e em educação de qualidade para que esta nos sirva de sustentação para o verdadeiro aprendizado, buscarmos a harmonia plena que pode ser encontrada na natureza, num gesto de afeto, numa oração e, principalmente, na caridade, ela é o fator predominante, pois, é dando que se recebe é perdoando que se é perdoado é amando que se é amado e é morrendo que se vive para a vida eterna, disse Jesus!

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fronteiras e Guerras - por Ninguém Envolvente

Durante todo o período de existência a humanidade foi guerreira, lutou por tudo o que pensou ter direito sobre.
Mesmo quando não tinha direito ou a razão de lutar por algo se lutava então por ego. E muitas gerações foram afetadas pela cultura primitiva em lutar por seus direitos em vez de usar uma das características que nos difere dos animais, a ferramenta de saber argumentar e o objetivo ser alcançado com inteligência.
O final de confrontos sangrentos depende do respeito que cada um tem por si mesmo. Do que espera que aconteça a ele e então por tabela vai desejar o mesmo para seu vizinho.
Existe uma fronteira entre a incerteza e o medo. A primeira é de como dar o primeiro passo e aprender a lutar com palavras, a segunda é sobre o que pode acontecer àquele que der este passo e se somente ele o der terá sido em vão.
Mahatma Gandhi foi exemplo do primeiro passo que pode não ter consertado a forma de conquistar algo, mas abriu espaço para que outros poucos homens de coragem pudessem ensinar um modo justo e limpo de ter aquilo a que se aspira. E quebrar um pouco o muro da fronteira do medo de agir da forma correta.
Mais do que fazer guerra e tomar posse ao que de fato o pertence, guerra é também um sinônimo de ganância e sadismo (exemplo de ganância é a que ocorre no Brasil entre índios e fazendeiros).
O sadismo fica por conta de quem projeta qual forma de ataque será efetuada, que vai de simples mísseis a armas biológicas (vírus) ou agentes químicos da mais impiedosa forma esperada, como o fósforo branco que, quando em contato com o ar, faz a pessoa entrar em autocombustão.
O principal problema ao começar uma guerra não é a de quantos soldados ou civis serão mortos, mas quantos de seus amigos e familiares vão voltar e vingar sua morte. E o que era um combate talvez até irrisório torna-se de proporção mundial.
As coisas irão se normalizar quando tirarem do poder aqueles loucos que pensam ser normais. Talvez eles ainda não saibam, mas destroem nosso mundo.
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SOS Rio de Janeiro - por Alba Vieira

Nas últimas semanas, o estado do Rio de Janeiro foi manchete dos jornais brasileiros e estrangeiros em virtude do caos que se instalou na cidade, provocado por integrantes de facções criminosas envolvidas com o tráfico de drogas e da reação do Estado, com a integração das forças armadas e polícias, que cooperaram e retomaram terrenos dominados por bandidos para as comunidades pobres residentes nesses locais.
A mídia chamou a atenção para as ações cinematográficas das forças de repressão, com uma atuação jamais vista antes, tornando um fato histórico a sua ação competente, destoando do que até então era apresentado por uma polícia desfalcada, desguarnecida, esquecida, solitária e corrupta.
Esperamos que esse episódio de ação responsável e competente passe a ser a regra e que seja permanente, com a presença do Estado nessas e em todas as outras comunidades do Rio.
Outros dois fatos pedem a nossa reflexão e infelizmente não estão sendo focalizados pela mídia:
É importante assinalar que aqueles usuários que se escondem nas áreas nobres da cidade, quando o caos se instala e evitam sair às ruas por medo, são os mesmos que garantem a manutenção de toda essa violência nas comunidades pobres, ao financiarem o crime organizado quando compram as suas drogas.
É oportuno também refletir sobre o fato de que os chefes do tráfico com casas luxuosas nas comunidades carentes têm como sonhos de consumo, bens (suítes suntuosas com banheiras de hidromassagem, aparelhos de ar condicionado central, piscinas e tvs de tela plana enormes) que muitas vezes constituem exatamente os objetos de desejo de pessoas que, mesmo sendo intelectualmente mais favorecidas que eles, aceitam levar uma vida com níveis crescentes de estresse, empenhando seu tempo e suas almas, apenas para garantir possuí-los. Nesse particular, quanto se diferenciam desses marginais?
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Que Cristo nos Proteja! - por Adir Vieira

Hoje, a Cidade Maravilhosa amanheceu com uma calma aparente.
Ontem, o Rio estava em guerra. Embora a ação estivesse ocorrendo no Complexo do Alemão, toda a Cidade Maravilhosa sofreu e torceu pelo sucesso da operação.
Dava agonia assistir pela televisão a tantos atos de violência.
Desacostumados com medidas desse escalão, as pessoas, de um modo geral, não sabiam ou não queriam admitir que não se tratava de guerra no Haiti, mas no Rio, bem pertinho de nossas casas.
Toda a Cidade se refugiou, toda a Cidade nesse final de semana não viveu.
Toda a Cidade se amedrontou e acho que pela primeira vez, os mais pobres, residentes nas favelas e os mais abastados, residentes nas grandes mansões da Zona Sul, perceberam o que o tráfico de drogas pode fazer com nossa Cidade.
Todos perceberam que se não ajudarmos o Estado a tomar o poder, seremos reféns do mal.
Vamos torcer para que continuemos irmanados, povo e polícia, para restabelecer a paz nessa Cidade tão linda e feliz.
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Postado, originalmente, em 29/11/10.
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domingo, 25 de outubro de 2009

Rio de Janeiro em Guerra! - por Adir Vieira


O Rio de Janeiro está em guerra. Lamentável!
Quando, em minha adolescência (época em que os pais de crianças com dez anos jamais se preocupavam em deixá-las ir sozinhas à padaria), eu imaginaria que hoje, em minha “velhescência”, estaria vivendo esse horror?
Já há alguns meses, creio que a maior parte dos brasileiros, principalmente os cariocas, já sabem, por “a mais b” que não têm ninguém em quem confiar para tirá-los desse pesadelo.
Desde o tempo em que os melhores imóveis da Tijuca tiveram que ser quase vendidos a preço de bananas, o Rio de Janeiro vive esse terror, mas confesso que como ocorreu no sábado, nunca imaginei que pudesse acontecer.
A forma como esse tipo de coisa interfere na nossa saúde é direta, sem condescendência. Mesmo morando distante do local onde o helicóptero foi alvejado, a dor na nuca indicou meu desalento. Sofri com as pessoas correndo por entre carros, fugindo de possíveis balas perdidas, quando os policiais revidaram ao tiroteio.
Imaginei pessoas em casa paralisadas, deitadas no chão, enquanto durava o confronto. Ouvi o choro de crianças que com tanto barulho, não entendiam o que estava acontecendo. Senti o desespero dos idosos e daqueles que já não podem mais correr e se refugiar não se sabe onde para escapar da morte.
Que lamentável está a vida, meu Deus!



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Sobre a Ofensiva da Polícia nas Comunidades do Rio de Janeiro - por Alba Vieira

É insustentável para a população que mora em comunidades do Rio de Janeiro, a situação que agora se apresenta: um clima de terror inviabilizando o cotidiano de quem lá reside, diuturnamente.
É óbvio que nenhuma outra administração enfrentou o problema da criminalidade com tamanha coragem e persistência quase obsessiva.
É evidente que quem mora em comunidades gostaria de se ver livre dos traficantes que lá infernizam as suas vidas.
É notório que não se resolve o problema das drogas e da criminalidade ligada ao tráfico apenas com a repressão e prisão dos bandidos sem as medidas que resolvam os problemas sociais gravíssimos por trás disso.
Ninguém ignora que o trabalho da polícia, deixando-se de lado a corrupção de alguns profissionais, é importantíssimo, desgastante, altamente estressante e exige um desprendimento e vocação enormes.
Claro que os bons profissionais merecem todo o nosso apoio e louvor pela proteção que nos concedem.
Mas o que assistimos na última semana foi um descaso total com a vida, transformando o bairro da Penha numa praça de guerra, com um tiroteio próximo a uma unidade de saúde, ignorando completamente a presença de pessoas comuns nas ruas, incluindo idosos, crianças e doentes.
É triste saber que situação parecida vem afetando tantas outras comunidades desde o ocorrido na invasão do Morro dos Macacos e a derrubada do helicóptero, matando os policiais.
O que é isso? É a banalização completa da morte? É a ode ao ódio?

O corpo da polícia quer encontrar os bandidos audaciosos que mataram seus companheiros.
Policial não é pago pra morrer.
Os bandidos devem ser presos.

Mas isso que vem ocorrendo me parece mais brincadeira de bandido e mocinho das crianças: uma vergonha para o Rio de Janeiro.

Isso tem que parar!!!!!!!!!!!!
O enfrentamento da criminalidade pela polícia, feito desta forma mambembe, só está ceifando vidas inocentes.
Onde estão as entidades que cuidam dos direitos humanos???????????????



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domingo, 12 de julho de 2009

Duelando Manchetes IV: Violência Contra Crianças - por Ana

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O MAL NA VIDA

Se eu fosse um cão
Não ia querer teu pão
Numa tigela fedida
Num canto do teu porão.

Não ia querer tua acolhida,
Nem teus restos de comida,
Nem tua “boa vontade”,
Nem tua vida fedida.

Não queria tua amizade,
Nem tua dificuldade.
Dos teus afagos sutis
Eu não teria vontade,

Porque teus gestos febris
São tentativas senis
De esconder o abismo
De teus desejos sutis.

Estou farta do teu egoísmo,
Conviver com teu sadismo,
Náufraga só nesta ilha
Formada de escarpas e abismo.

Não seria cão com presilha.
E sinto que Deus me humilha
Me jogando neste porão
Em que, por desgraça, sou tua filha.



Inspirado no verso “Se eu fosse um cão”, do post O Sal da Vida, de Leandro M. de Oliveira.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Violência - por Tércio Sthal

Violou,
Violaram,
Sem viola,
Sem violão;
Violou,
Violaram,
Sem a bola,
Sem o balão.

Violou,
Violaram,
Sem a escola,
E sem o pão;
Violou,
Violaram,
Triste esmola,
A violação:

Que tira da mão
A viola e violão,
Que tira da mão
A bola e o balão,
E põe violentas armas
Que violam
O direito-cidadão.



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sábado, 18 de abril de 2009

Vamos Sintonizar com as Oitavas Superiores da Luz - por Alba Vieira

Criamos nossa realidade com nossos pensamentos.
Nem sempre podemos mudar as circunstâncias imediatas, mas é certo que, a qualquer momento, é possível mudar nossas atitudes frente às ocorrências, alterando com isso nossa experiência de vida.
É necessário que estejamos alerta para não deixarmos de sempre tentar elevar nossas vibrações e estimular os que nos cercam a fazer o mesmo, entendendo que frente às notícias aterradoras de fatos que acontecem no nosso dia a dia, não podemos ter uma atitude passiva, admitindo para nossas vidas coisas inaceitáveis, como se, neste momento, as pessoas já considerassem “normal” serem desrespeitadas e maltratadas.
É preciso uma posição firme de todos nós, reconhecendo nossa natureza espiritual e tentando nivelar a humanidade por cima e não permitindo rebaixar ainda mais a vibração do planeta.
É inadmissível passarmos por situações como a que constituiu manchete de todos os jornais do dia 16 próximo passado na cidade do Rio de Janeiro: a violência expressa dos funcionários da SuperVia que socavam, empurravam, chutavam e chicoteavam trabalhadores usuários dos trens, diante de um policial militar que, além de não agir no sentido de proteger os trabalhadores, ainda ajudava a empurrá-los para fechar as portas dos trens.
O trabalho da imprensa no sentido de documentar estes fatos lastimáveis com imagens detalhadas que não deixam qualquer dúvida sobre o ocorrido, em sua natureza surrealista, nos permite tomar a atitude de cobrar das autoridades providências imediatas para reverter este quadro vergonhoso que não constitui, segundo a declaração de vários passageiros, fato isolado e sim, rotina na SuperVia.
É muito importante a divulgação daquilo que é uma manifestação de menos-valia: como pessoas cometendo atos de violência, dormindo no lixo, vivendo em condições subumanas, drogando-se, sendo abusadas sexualmente, vendendo seus corpos e tudo o que coloca o ser humano numa vibração baixa, para que nosso pensamento seja firme no sentido de colocar estes fatos como inaceitáveis e chamar a atenção das pessoas para que não admitam para suas vidas estes atos de indignidade.
Temos que ter consciência de que somos seres de luz, podendo assim vibrar numa oitava superior.



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sexta-feira, 27 de março de 2009

Súplica - por Clarice A.

A chuva cai silenciosa. Anoiteceu e com a chegada do outono já começa a esfriar. As pessoas em seus lugares sob a marquise, em que passam todas as noites. Sempre o primeiro a chegar é um rapaz com seu cão, um vira-lata chamado Pretinho. São doze no grupo e Vó e a neta foram as últimas a se juntar a eles, há três semanas atrás.
Para elas tudo começou quando os pais da menina (ele, filho de Vó) foram julgados e condenados à morte pelos traficantes da favela sob a acusação de serem X9, ou seja, informantes da polícia. Eram viciados em drogas, não puderam provar inocência e, sendo assim, corta-se o mal pela raiz. Decisão do dono do local. A ordem era passar o rodo em quem estivesse no barraco, largar o aço em todos para dar o exemplo do que acontece com quem os desafia. Vó e a menina foram salvas pelo encarregado de cumprir a sentença, braço direito do chefão, que interferiu por elas e pediu que fossem poupadas. Ele ainda guarda na memória as vezes que ela lhe deu um prato de comida ou tratou de seus machucados de criança, tão pequenino e já entregue à própria sorte. Conhecido pela sua crueldade, ainda há nele um resquício de ternura, sente gratidão e admira o amor e o cuidado que ela dedica à menina. Não havia o que temer da parte delas e, por ser de confiança, a quem o chefe confia a própria vida, teve o pedido atendido, mas com a condição de que as duas deixassem imediatamente a favela, não pedissem ajuda a ninguém e nunca mais voltassem.
Sem saber o que fazer, sem poder pedir ajuda aos vizinhos ou conhecidos por carregar com elas uma sentença de morte para quem ousasse fazê-lo, perambularam sem rumo até quase a exaustão e quando, vencidas pelo cansaço, viram aquelas pessoas sob a marquise, aproximaram-se, e Vó perguntou ao dono do Pretinho se poderiam ficar ali, tendo o rapaz respondido que sim. Elas precisavam descansar e depois Vó pensaria o que fazer de suas vidas, vidas que ganhara como um prêmio pelas suas boas ações, embora nunca as praticasse com o intuito de ganhar alguma coisa por elas.
Esta noite o desânimo começara a tomar conta dela. Está ali há mais tempo do que esperava. Não conseguiu um lugar para ficarem, não consegue emprego, não pode procurar a família que mora na favela, as pessoas mal olham para elas, mesmo quando as ajudam. É como se não fossem gente. Já constatou com tristeza que tratam melhor o Pretinho do que a elas. Não é que ela não goste dele, gosta muito, é bom vigia e dá sinal quando desconhecidos se aproximam, é esperto e dá a patinha quando a menina pede, a criança o adora e é com ele que ainda brinca. Mas tratarem o cão melhor do que a neta está além de sua compreensão.
Hoje o peso de viver na rua se fez presente. Era pobre mas não era pedinte, tinha o seu canto para morar. Também a comida faz falta. Como preparar uma refeição naquelas condições? O dia foi difícil, quase não comeram e a menina sentia fome. Ali todos estavam na mesma situação. Às vezes até dividem algo, mas hoje não houve o que dividir. Vó teme o desespero, sabe que a menina só tem a ela, não pode desistir. A menina chorava baixinho e, sem ter a quem recorrer, Vó pediu aos céus. Reuniu suas forças e suplicou à Virgem Maria que olhasse por elas, que ajudasse aquela criança inocente que só faz sofrer.
Passaram-se alguns minutos e um carro parou em frente à marquise. Pretinho não latiu, o que significava que conhecia o carro. Desceram dois casais e duas jovens, certamente filhas do casal mais velho. Os homens abriram o porta-malas e entregaram às moças uma garrafa térmica bojuda e copos descartáveis e às suas mulheres, as quentinhas. As senhoras, uma ainda jovem, movimentaram-se entre eles com passos calmos e com vozes suaves ofereceram a comida olhando-os de um modo fraterno, que Vó não via há tempos. As jovens serviram a bebida e quando abriram a garrafa, o cheiro do café coado há pouco entrou pelas narinas de Vó trazendo à tona lembranças de uma vida que ficou para trás e que ela desejava ter de volta. Por uns instantes, o cheiro da comida fresca, macarrão com salsichas e do café transformaram o lugar num refeitório onde todos comeram num respeitoso silêncio.
Ao se retirarem, o homem mais velho perguntou à mulher se todos foram servidos. Ele a chamou pelo nome e Vó ouviu. Maria é o nome dela. Uma grande emoção tomou conta de Vó. O rapaz ao lado comentou que eles estavam sumidos, mas que costumavam vir pelo menos uma vez por semana. Vó não tomou conhecimento. Para ela, não foi coincidência, e sim sua súplica, que fora atendida. Precisava acreditar nisso para seguir em frente. Nesta noite, apesar do mau tempo, aquelas famílias que poderiam estar no aconchego de seus lares, vendo tevê ou simplesmente descansando, foram para a cozinha preparar aquela comida fresquinha, gostosa, feita no capricho. Vó sabia disso muito bem, entende do riscado, pois é daquelas pessoas que fazem de um feijão com arroz e ensopadinho, uma iguaria.
A menina, saciada, adormeceu com a cabeça no seu colo.
Vó está entregue aos seus pensamentos e conclui que se foi atendida hoje, quem sabe não será novamente? Enche-se de esperança, quer suas vidas de volta. Pedirá uma casinha que pode ser bem pequena: telhado, quatro paredes, uma porta e uma janela, um banheirinho onde possam fazer a higiene e as necessidades. Um lar para as duas. E ela manterá a casa bem limpa e arrumada, pedirá retalhos e fará uma colcha bem colorida e alegre. A menina irá para a escola e brincará com as crianças de sua idade enquanto ela as observará sentada na soleira da porta. E quando entrarem para dormir, a menina tomará banho e vestirá roupa fresca no calor e roupa quente no frio. Ela servirá um copo de leite e cantará ou contará histórias até que a menina adormeça.
Vó sabe que está pedindo uma graça muito grande, mas está decidida. Suplicará, suplicará e suplicará, todos os dias, com todas as suas forças, o quanto for necessário. Como o pedido é de monta, ela o fará para todos os que lembrar, e um dia a ouvirão, e um destes há de chegar: José, Pedro, Aparecida, Antônio, Francisco, Expedito, Bárbara, Conceição, Sebastião, Jorge, Benedito, Geraldo, Luzia, João, Cosme, Damião...
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quarta-feira, 18 de março de 2009

Descuido - por Alba Vieira

Pousa mais uma rolinha no quintal,
Mal sabe o perigo que ronda:
Atrás de um lençol no varal,
O moleque espreita na sombra.

Sassarica a pobrezinha descuidada,
Beliscando coisinhas no chão, travessa,
Encontra logo a armadilha montada,
O menino puxa a corda e ela fica presa.

Qual será o destino da coitada?
Nas mãos do guri malvado?
Ficar cativa na gaiola enfeitada
Ou então virar um ensopado?
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Violência

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Terror Nosso de Cada Dia - por Alba Vieira

No Rio de Janeiro
Já não dá para viver.
Vou trabalhar. Eu volto?
Certeza não posso ter.

E dentro de um coletivo
Que sempre lotado está
Eu posso ser metralhado
Ou rezar pra me salvar.

Sendo assim nunca se sabe
Se vai ter provocação
De algum desavisado…
E começar a confusão.

Agora então, no verão,
E perto do carnaval
O desequilíbrio se instala
Sobretudo na geral.

Há que se ter cuidado
E anjo da guarda de plantão:
O desvario anda solto
E acaba em arrastão.

É tanta selvageria
Presente aqui e acolá
Que está me dando agonia
Sair pra qualquer lugar.

A bandidagem está solta,
Impune ditando a lei
E o povo, já tão sofrido,
Nunca consegue ter vez.

Conviver com o perigo
Tão amiúde não faz mal?
Abre o olho, meu amigo,
Um dia pode ser fatal.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Contradição - por Rosa Cancian

Evangelizar diabolizando
pregar a vida exterminando
fazer a flexibilidade radicalizando
pedir silêncio gritando
realizar a paz bombando
exigir amor violentando…
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sábado, 27 de dezembro de 2008

Destino da Mão - por Kbçapoeta

A fase que mais se tem justiça
É a da justiça com as próprias mãos
As mesmas mãos que deslizaram por seus cabelos
Aquela mão
Com o indicador em riste
Tocou-te nos lábios pedindo-te silêncio
Para você ouvir eu te amo
Sim, a mesma que de tão atrevida
Tocou-lhe no sexo e te convidou para dançar
Pela primeira vez
Sim
A mesma mão
Que de tanto amor executava a pena
Mesmo quando esta se anunciava injusta
Sim
Pobre mão
Que se desculpava
Que se a violência era necessária
Mas que depressa essa mão executa
Se, em um segundo ela exulta
A alma chora
E tudo se perdoa



Abraço a todos do “DUELOS”
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