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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Jogo - por Leo Santos

Tenra vida lançou-se ao mar
porque abriu mão de viver;
outra fez o mesmo,
pois não abriu mão daquela,
tentando convencer que ela,
não estava em tempo de morrer;

Que estranha opção! Qual razão,
pra um pulso tão jovem,
lançar-se ao fogo?
Danando a terra
quebrando sementes, atos dementes,
de quem perdeu tudo no jogo.

Mas qual jogo?
Se nem idade tinha,
pra frequentar um cassino…?
A vida começa a morrer,
quando nosso labor, nosso lazer,
se dão num barco clandestino.

Mercadores de ilusão
atraem a alma pra alto mar,
sorte trágica!
A terra firme da família tem muita luz,
e somente na penumbra,
se opera sua mágica…



Visitem Leo Santos
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sábado, 2 de novembro de 2013

Dia Triste, Este Dois de Novembro! - por Adir Vieira

Hoje, para mim, o dia amanheceu triste. Por mais que eu viva, o dia de Finados sempre trará para minha alma aquelas impressões doídas, aquela tristeza sem saber do quê, aquela falta de vontade de fazer o que quer que seja... Foi assim que na minha infância aprendi a reverenciar esse dia em que, logo ao acordar, tínhamos que rezar pelos mortos, pedir a Deus por eles e jamais ouvir música, brincar alegremente, mesmo que nosso coração pedisse.
Era um dia de respeito e ao invés de rezarmos pelos mortos (graças a Deus nossa família não tinha muitas almas para reverenciar), rezávamos para que o dia terminasse logo, para voltarmos a nossa rotina de correrias e algazarra.
Com tanto treinamento nesse sentido, mesmo depois de adulta e sabendo o que meus pais queriam me ensinar, minha alma ficou impregnada dessa necessidade de sentir tristeza nesse dia tão pesado para tantos.
Ao longo dos anos e por muitos e muitos anos, nossa família pôde rezar por vizinhos, parentes distantes, artistas mortos.
Como ninguém fica impune, os anos foram passando e levando nossos avós, pais, parentes mais próximos por força da idade ou por motivos de saúde. Hoje, temos nosso coração voltado para aqueles entes queridos que já se foram.
Pedindo a Deus que os mantenha em paz, daqui continuo rezando para o dia passar logo...



Visitem Adir Vieira
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Réquiem - por Aline

Um corpo escuro dentro do tanque branco. Os olhares vertidos sobre ele. Os membros rígidos, unidos, dorsalmente alaranjados e esticados para fora do casco mundo. A cabeça reclusa, as patas dianteiras como guardiãs, permitindo que apenas as narinas fossem entrevistas. Uma proteção no seio daquela posição. Um sinal, no diagnóstico.
E os olhos, como estariam? Cerrados e mudos ou abertos na escuridão? A fuga visual de sua própria morte.
O alvoroço dos parentes anunciando o incomunicável.
O aviso, o sol incidindo, a água ilimitada ao seu redor e a sua insustentável e lenta existência de quelônio.
Nos dias floridos dos outros, a tartaruga e sua bacia azul; os passeios matutinos e vespertinos; a invasão da noite e seu recolhimento; o seu ventre esverdeado em contato diário com as lascas vermelhas do quintal; seu íntimo de goiaba e a preferência pelos pés dos vasos, com suas plantas igualmente prisioneiras.
A vítima, o algoz e o silêncio.
A sua cama de jornais e de letras pretas, insignificantes para o seu universo iletrado, sub-racional e de desejos de subsolo.
Inúmeras arremetidas quanto ao passado do invólucro desabitado: seus motivos, sua função, sua passagem, a transubstanciação e a viagem derradeira para o nada.
O que ela teria feito com as décadas de cárcere que lhe restavam?
Qual destinação terá a cela acolchoada, moldada para aquela especial forma de vida (e de morte)?
A tartaruga e sua mãe: virgens, brandas, acorrentáveis e monocromaticamente verdes; criaturas embalsamadas, limpas e impecáveis em seus trajetos, trejeitos e expressões faciais.
Mas, no instante da transição, ela percebe um espelho à sua frente. Um juiz que lhe expõe sua movimentação passiva, a agilidade de seu medo e a aquiescência perante as vozes. O reflexo do seu espírito, de sua compleição física, do fim iminente e da rota que desemboca no cais e no Adeus.
E quando ela parece aceitar a História de morte que criaram para ela, eis que a sua visão escapa da nudez do vidro e vai morrer dentro de seu tamanho reduzido, do pequeno espaço, da dimensão de si.

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domingo, 4 de novembro de 2012

A.mor.te - por Renata Zonatto

 



Eu fico ali...
Plantada
Chorando
Torcendo que seja um sonho
Pesadelo
Miragem
Esperando que alguém
me tire dali
Bêbada
Desmaiada
Morta
Desejando um chá amargo
que faça eu vomitar
tudo aquilo que vi.
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domingo, 7 de outubro de 2012

Antonio Cícero: “Huis Clos” - Enviado por Penélope Charmosa


 
Da vida não se sai pela porta:
só pela janela. Não se sai
bem da vida como não se sai
bem das paixões jogatinas drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que, em meio a fezes e urina
sangue e dor, nascemos para lendas
mares amores mortes serenas.
 
In “A Cidade e os Livros”, p. 63.
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

domingo, 30 de janeiro de 2011

Morte Absoluta - por Marília Abduani

Quem me dirá quando eu, tonta,
me apodrecer nesse espanto:
- A tristeza foi seu guia
em cada meia-noite em ponto.

Quem me dirá quando eu, muda,
absurda e morta de sono:
- Esta, só foi calmaria
e só recebeu abandono.

Quem me olhará com ternura,
paciente e morto de medo:
- Esta, não teve nem face
foi uma sombra sem segredo.

Quem lembrará, certo dia,
com agonia e com aflição:
- Esta, não viveu a vida
foi pura desilusão.

Quem pensará com saudade,
piedade ou seja o que for:
- Esta, não teve um espelho,
foi apenas retrato sem cor.
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Visitem Marília Abduani..............
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Aglutinar - por Renata Zonatto

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A.mor.te
Em+boa+hora...
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Sem Fugas - por Davi Rodrigues

O que tens em teus olhos, que os aplaca sob o capuz?
Que sorrateiro caminhar me impede de ouvir tua chegada?
Andas acaso a me observar enquanto vagueio sem rumo ao luar?
Ou me espreita nas longas noites de bebedeiras?
Talvez se camufle na fumaça, após cada tragada...
Está em algum asilo ou pronto socorro, com o prontuário nas mãos?
Atrás da barra de direção, plataforma de metro, andaime, palafita...?
Talvez agarrada à cintura de um homem-bomba qualquer...?
Qual vazio deste porte pode ser preenchido?
Nas ondas do mar, na cadeira do escritório?
Ônibus, trens, helicópteros, camas...?

Talvez me encontre dia qualquer...
Não me importa
Se puder ter a chance e essa já tive, quero olhar bem no fundo dos teus olhos e dizer-te:
Morra de inveja!
Não vivi fugindo de ti!
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A Morte - por Leo Santos

Perdida entre extremos, vaga, uns a põem no começo, outros, no fim da vida. De qualquer modo, no caminho eterno, é sinal verde para que avancem nossos reconhecimentos ao encontro dos desafetos; afinal, mortinhos da silva, jamais usarão isso contra nós.
Daí, o dito que certas pessoas ficam boas depois que morrem. Será por isso que, às vezes, nos fazemos de mortos?
Os egípcios enchiam os túmulos de tralhas que seriam necessárias na “outra vida”. Os cristãos são exortados a encherem de boas obras a vida, para terem, enfim, um tesouro no céu.
Há também os suicidas, que apostam nela como quem compra um bilhete lotérico “no escuro”. Desses, versou Napoleão: “Não há nada de grande em acabar com a própria vida como quem perdeu tudo no jogo; resistir a um infortúnio imerecido requer muito mais coragem”.
O fato é que, se ela for simplesmente o fim, será o galardão da maldade. Aqueles que, temendo seu assalto, cercaram-se com as grades do prazer desmedido e irresponsável. Todavia, os “bens” do corpo não transcendem ao apetite dos vermes... que dizer da alma e do espírito? Aquela, é a pessoa-em-si, este, o ser-em-Deus. Aquele que foi e voltou - aliás, o único -, ensinou que o espírito, por ter morrido, carece nascer de novo; senão, restará apenas a pessoa-em-si, com seus muitos desejos viciados sem meios para os suprir; uma eterna crise de abstinência, um fogo que nunca se apaga, um inferno. Não é de estranhar que, para tais, a morte assuste tanto, uma vez que enseja a castração do livre-arbítrio, a colheita das escolhas de quando se tinha escolha. Não assusta, pois, a morte-em-si, antes, as consequências, afinal, como disse o Quintana, “a morte não é assassina”.
Seu peso, talvez, seja diretamente proporcional às ilusões que acalentamos, como versa o poema que segue:
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Relevos

Pro jovem,
a morte é um precipício,
o desperdício de tudo
o que pensa ter para viver;

Ao adulto parece um monte,
horizonte extático,
onde, mais dia menos dia,
fará a subida;

O ancião
passeia com ela pela campina,
traquina criança festejando a absolvição,
de sua sentença de vida.

É que a voz das paixões seduziu ao mancebo,
ilusões. O que nunca terá,
mas teme perder;

O homem maduro, pelo caminho trilhado,
não se engana, antes, resignado,
dá sua mão ao porvir;

Enquanto o ancião que já morreu tudo,
celebra a liberdade,
antes de dormir.
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Visitem Leo Santos
Mário Quintana
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Paulinho Moska e “O Último Dia” - por Alba Vieira

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Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Alba Vieira

Sobre o tema Morte, nada no Duelos calou tão fundo quanto este maravilhoso poema de Ana, que eu destaco aqui para apreciação dos leitores.
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RESTOS MORTAIS
(ANA)

Três mulheres tocam o enterro
Três mulheres choram o morto
Três mulheres vêm da capela
Três mulheres levam o corpo

Cada uma um casebre vazio
Por viuvez ou abandono
Muitas outras partiram antes
Sem lágrimas, sem consolo

Na rede descansa o padre
Em seu derradeiro conforto
Está calada a voz de Deus
Mais um implacável desgosto

Carpem sem dor, outra vez
O mesmo ritual longo
Um a um à terra tornam
Cumprindo o destino roto

Carcará aguarda, cruel
Da morte sentindo o gosto
Não se passa uma semana
Estará o banquete posto
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Bem, não é segredo que sou fã do Leandro. E este poema demonstra o porquê. Você está fazendo falta por aqui, filósofo-poeta!
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O SAL DA VIDA
(LEANDRO M. DE OLIVEIRA)

Escuta que quero te falar em segredo
Escuta bem, quero falar baixo,
Porque o sussurro é tão mais belo que o grito
E a palavra dita com cuidado mais esmerada.
Ouve e guarda como um selo o que te digo.
Guarda em teu lembrar somente,
Porque o que direi não mudará nada,
Sequer a mim.
Escuta meu silêncio de planície,
Minhas mãos desertas, meu sonho perdido...
Nunca se muda aquilo que não se permitiu mudar.
Escravo caí de joelhos ante a rocha silenciosa
O oráculo hediondo se me afigurou,
E eu me vi moço e eu me vi desesperado.
Tempo tem seu próprio tempo,
E o tempo do tempo foi veloz demais
Para nosso passo vacilante.

Escuta as rugas de minha alma
Elas são vales e rios, montanhas e planícies.
Quero teu amor suicida!
Amor que se mata e torna a viver
E torna a sofrer e a morrer d’enganos.
Porque sob minhas asas
Não houve acomodação à tua dor,
E agora em meus olhos não há espaço
Senão para o teu vulto sorrateiro.

*********

Ignora minhas palavras, o verbo confunde.
Eu falo do que não foi vivido ou do que tenha sido há tanto,
Que não foi possível nenhuma sinapse de lembrança.
Aguarda no silêncio das colinas sombrias,
No oco das cavernas que somos nós.
Quero escavar a terra com os dentes,
Tragar o mar com minha boca e estômago,
Quero estuprar o útero da terra
Pra que eu a veja renascer dele.
Minha memória é uma nau perdida
A navegar oceanos de tempo e espaço.

Minhas velas desfraldadas
Buscam a esmo teu norte,
Minha boca de pasmo e exaustão
Já não sabe dizer o teu nome.

*********

Agora que tudo se perdeu em nós
O mundo soa remoto,
O ar soa espesso.
Se eu fosse um cão
Talvez teria mais afeições com a vida.
Mas sou homem
E dessa deficiência estou fadado.
Minha eterna amiga,
Meu corpo sem vida,
Minha vida sem termo.
Embora o mundo seja desfigurado
Ante o espelho, comigo sempre estás...

Escuta minhas palavras que não querem eco
Além do silêncio de tua ausência.
Escuta como a canção mais elevada
Como a dor de homem que homem não quer ser,
Como um beijo de fúria em teu peito
Resoluto.
Que essas palavras não valem nada,
Que essas palavras valem tudo.
Elas são o sal da língua
A semente da vida nova.
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Dedicado à minha grande amiga, dizem que partiu no dia 27 do último mês.
Mas como pode estar ausente, se está dentro de mim? Não sei se posso crer na morte
quando ainda existe tanta vida. Penélope, foi rápido demais... A você os meus carinhos
e as minhas alegrias perdidas. Te encontro breve, te encontro sempre...
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Postado, originalmente, em 08/07/09.
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Dália Negra

Profundo. Sensível. Verídico. Inesquecível.
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EPITAFIANDO NO UMBRAL
(KBÇAPOETA)

Aqui jaz um menino,
Que nunca ficou velho.
Um cérebro que talvez fique a maquinar;
estratégias,
para explorar esse lugar.
Tenho terra, flores e vermes.
O que mais posso querer?
Quando em pé comia o alimento,
Que a terra dizia merecer.
Nada mais justo!
Doar-me às larvas.
Voltar para terra,
com esses olhos;
que ela há de comer.
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Visitem Kbçapoeta
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Sem Escapatória - por Ana

Falar sobre morte é difícil,
Falar sobre morte é grave.
Para alguns, é tema-tabu,
Para muitos, um entrave.

A morte não é passageira,
A morte não é condutora,
A morte não é caroneira,
A morte não é cobradora.

É, sim, estação final
Que tantos temem na vida,
Tentando ir mais devagar
Ou enganar a prometida.

Ela fica lá, tranquila,
Aguardando estes viventes,
Cumprindo a sua missão,
Dedicadíssima aos clientes.

Tarefa simples, não é?
Apenas sentar e esperar
Que se apresentem os sujeitos
A caminho de outro lar.

E enquanto ela, silêncio,
Por aqui um escarcéu:
Tantas almas temerosas
De irem pro beleléu.

E quando saltam do trem
Dos trilhos desta existência,
Alguns dão muito trabalho
(Ela há de ter paciência):

Se esgoelam, enlouquecidos,
Esperneiam, inconformados,
Tentam dar meia-volta,
Esmurram os portões fechados.

Ela aguarda, compreensiva,
O fim daqueles vexames
E encaminha estes frouxos
Para a tal sala de exames

Que consiste no seguinte,
Que passo a vos explicar:
É local pra refletir,
Relembrar e avaliar

A vida que se deixou
(Dizem isso muitas crenças).
E também há julgamento
Seguido pela sentença.

Que pode ser boa ou ruim,
Mandar pra cima ou pra baixo.
E você, ali, tremendo:
“Onde será que eu me encaixo?”.

Êta, coisa complicada
Ser gente ou ser pós-humano!
Sempre no maior stress
(Não dá pra ser leviano...).


Tendo em vista estas coisas,
Eu paro e fico a pensar:
No que se refere a nós mesmos,
A morte é o menor pesar.

Brabo é o tal tribunal,
A tal retrospectiva,
Culpa, arrependimento...
Sem fala argumentativa.

E a gente, em polvorosa,
Ali, no maior desarranjo,
Sem saber se nos espera
Enxofre ou coro de anjos.
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Manuel Bandeira e “A Morte Absoluta” - Enviado por Penélope Charmosa

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento.
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: “Quem foi?...”

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
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Duas Datas e um Nome - por Runa

Duas datas decoram a lápide velha
sobre o musgo da terra revolvida.
Um principio e um fim.
A definitiva duração de uma existência
reduzida ao mármore frio dos números;
herança derradeira de um sonho corrompido,
a ser devorada pelo vazio silencioso.

Por cima dessas duas datas,
que traçam o diâmetro de uma vida
cujo circulo se fechou,
um nome esculpido com letras negras
é tudo o que resta de uma efémera história,
o parágrafo breve e derradeiro de uma página
abandonada ao rigor dos invernos
e à desolação sombria do esquecimento.

Ninguém mais recorda esse nome
que o chão um dia engoliu
no ermo incógnito das colinas,
onde a tristeza datada de uma lápide
retém o único sinal da sua passagem.
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Visitem Runa
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Um Dia... - por Aaron Caronte Badiz

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Um dia virá a morte.
Levará a mim ou a ela.
Verterei um choro longo
Enquanto existir a espera.

E esperarei tão triste,
Por estar assim sozinho,
Até que a veja chegando
De novo com seus carinhos.

Queria pedir aqui,
Agora que pensei nisso,
Que a morte nos leve juntos,
Morte, então, de sorrisos

Por nunca nos separarmos
De nós e de nosso amor.
Peço de novo, destino:
Nos leve juntos, por favor!
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Morte - por Lélia

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Foi um amor sem igual: adolescente, feliz, sonhador... Planos... quantos planos! Tantos beijos e tantas descobertas. Alguns anos de beleza e enlevo.
Um dia acabou. Tão triste, tão solitário depois...
Uma de outras tantas pequenas mortes numa única vida.
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Mortal - por Dália Negra


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Longos desertos. Rios de lava.
Tornados e furacões.
Maremotos e tsunamis.
Tempestades. Raios. Inundações.
Terremotos e avalanches.
Natureza em mim.
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