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domingo, 11 de outubro de 2009

Colcha de Retalhos - por Ana

Misturo letras com amor
para que, à noite,
elas possam te chegar delicadamente,
uma a uma beijando tua pele,
como se meus lábios fossem.

Tranço as palavras delicadamente
para que, à noite,
elas possam te acariciar a saudade,
aquecendo teu coração,
como se fossem minhas mãos.

Teço as sentenças com cuidado
para que, à noite,
elas possam te enlaçar carinhosamente,
de maneira lenta e doce,
como meus braços o fariam.

Vou urdindo textos pouco a pouco,
atenciosamente,
para que neles, à noite,
possa repousar teu corpo macio
enquanto o percorrem
as letras,
as palavras
e as sentenças
que, unidas,
buscam te cobrir suavemente
para que durma,
tranqüila,
sonhando com uma história
que te envolve e faz feliz.

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Colcha de Retalhos - por Raquel Aiuendi

De milhões de pontos
Todos tão uniformes
Posso compor contos
Enquanto tu dormes

Formando quadrados
Todos tão coloridos
Um tempo querido
Me é agora lembrado

Que brincávamos
Todos tão, tão juntos
Enquanto gritávamos
Farra, sem assuntos

Voltando ao seu amor
Todo tão bem tecido
Com coração apetecido
Esqueço qualquer dor

E a colcha de retalhos
Toda tão certinha
Da qual hoje me valho
Está ainda inteirinha

No dia que nos deu
Toda tão forte emoção
Nossa paixão aqueceu
Ficou na recordação.

Ficou o desejo de conhecer
Todo tão pouco tempo
Deixou só o sentimento
Nesse seu (e)terno querer.

E a colcha de crochê
Toda tão muito perfeita
Pra não esquecer
Que por você foi feita

Para participar da paixão
Toda tão arrebatadora
Que duas almas, enfim, são
Numa única sonhadora.


(À minha irmã: obrigada pelo fator surprise.)
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

sábado, 27 de dezembro de 2008

Colcha de Retalhos - por Raquel Aiuendi

A vida se encontra retalhada, são retalhos que migram para as grandes cidades, mas de pequenas oriundos…
Retalhos rotos, novos ou velhos, retalhos com formatos tão variados… são retalhos.
Retalhos de morim, algodão, malhas variadas, cetins, de seda, de chita… são retalhos.
Entre pedras e asfalto, máquinas e CO­2, suicídios (materiais, emocionais e espirituais), cinzas, decibéis débeis que só sobem… sim, há retalhos de azul, natural, de olhares, vida e silêncio que encerram um pedaço de éden escondido em cada um de nós… são retalhos: todos recicláveis.
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Colcha de Retalhos - por Raquel Aiuendi

É colcha de retalhos que vou criando diariamente. Retalhos que me são doados altruistamente: seleciono, organizo, acondiciono ou descondiciono de seus amarrotados modos. Nunca os jogo fora, os guardo e reciclo, recondiciono… retalhos que garantem meu crescimento, retalhos que me possibilitam unir o que separado esteve, retalhos que consertam o irreparável, que dá vida ao estático… retalhos são pensamentos, retalhos são momentos, retalhos, retalhos, retalhos… são principalmente você, eu e todos a construir uma colcha de retalhos de AMOR.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Colcha de Retalhos - por Adir Vieira

Todas as vezes que me encontro “vazia de mim”, recorro a um trabalho manual para, através dele, ocupar a mente e as mãos. Estatisticamente, evidenciei quantas foram as vezes que assim me achei ao longo da vida adulta, pelo número elevado de sacolas com pequenos pedaços de tecido cortados assimetricamente e outros em crochê, em forma de quadrados ou círculos, alguns estampados e vibrantes nas cores, empilhados segundo sua forma e a espera, sempre a espera… À espera de que pudessem ser unidos para dar forma talvez a colchas de retalhos apreciadas por mim, trabalhos fenomenais em costura feitos por uma vizinha da infância… Estatisticamente também constatei que esses “vazios de mim”, rapidamente se preenchem à sua própria custa (ou não?), impedindo a seqüência do trabalho final e fazendo com que os antigos e novos retalhos retornem às suas sacolas de origem, até que um novo “vazio de mim” se instale.
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