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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sob Seu Domínio - por Adir Vieira

Vejo-me presa às suas vontades, obediente ao seu mando, pronta a realizar seus mínimos desejos, indagando aqui e ali, tentando descobrir antes dele mesmo o que o fará feliz. Se meu desejo é mais forte, mas a ele atemoriza, estou pronta a contemporizar, para que nada o desagrade. Vivo em busca da sua satisfação, de adivinhar suas emoções positivas, de fabricá-las mesmo, em outros momentos, nem que seja para vê-lo um segundo em paz. Hoje sou seu domínio, robotizada e atenta ao seu comando. Tento em remotas vezes voltar ao que eu era, mas não consigo me reconhecer além dele, além do que me permite ou autoriza que eu faça. E o estranho de tudo isso é que nada, absolutamente nada, me faz mais completa do que viver para ser seu domínio.
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terça-feira, 13 de março de 2012

Seu Domínio - por Ana

Sou seu domínio porque desfaleço diante dele
muito antes que me venha prostrar em aceitação.

Seu domínio eu desejo ardentemente
definitivo, único, implacável.

E eu, terra que você possui, cultiva, revolve e fertiliza,
retribuo colheitas abundantes de fascinação, entrega e deslumbramento,
alimentadas por um córrego perene, límpido e perfumado
que você torna farto a cada contato, olhar, palavra, pensamento.

Como agora.
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sexta-feira, 13 de março de 2009

Cadelas que Dominam Cães - por Luiz de Almeida Neto

O cenário é um posto abandonado
Num recanto de uma estrada
Vazia, rolo de feno atravessando.
Mais romântico impossível.

Ela chega, eu estou sentado,
contabilizando o apurado
0 vezes 0... Coisas importantes
a serem resolvidas.
Olhar altivo,
boca molhada,
blusa de cotton, branca, colada
no corpo escultural.

Cabelos encaracolados,
na altura do ombro,
rosto e nariz afilado
a me encarar,
o “conversível” estacionado
do lado de fora.
Teria vindo pela gasolina?
Gênio!

Ela chega, como quem não tem nada a dizer,
talvez não tenha nada mesmo,
ou eu estou só imaginando estereótipos.
Me encara de cima a baixo,
como que para ver se sirvo.
Momentos de apreensão,
o coração vai sair pela boca,
e nós dois sabemos
da minha situação.

“Quer que eu encha o tanque?”
pra não largar a sacanagem,
me esforçando pra ser sensual,
sem ser desrespeitoso.
Nenhuma resposta,
caminho sem volta.

Ela vem numa caminhada,
sem perder o jeito de felina,
pra não correr o risco de ser rejeitada.
Que risco?
Ah! É mesmo! Ela não sabe.

Por cima da mesa,
livros e tabuletas pro ar,
pernas pra cima
o que interessa pra baixo.
Jogos e ensaios vulneráveis
e por isso mesmo atraentes.

A blusa retalhada, a mistura intensa.
A boca molhada a me molhar,
eu a regar seu corpo, com meu suor de porco.
A atração que não nos deixa separar
“Como cola”, me disseram certa vez.
Mas não era nesse sentido,
e eu senti pena do rapaz.
E assim vai a tarde inteira.

Um cliente! O primeiro em meses!
Nada disso, estamos fechados.
Suas pernas entrelaçando meu corpo
me jogando no chão,
autoritária!
Eu no chão,
moleque!
Cadelas que dominam cães.
E eu podia simplesmente ter dito “não”,
Podia?
Cadelas que dominam cães.
E podia ter imposto minhas regras,
e não reagido como quem vê o primeiro
prato de comida,
a água no deserto,
Cadelas que dominam cães.

E assim ela se vai,
assanhada,
assanhada!
Com cara de satisfeita,
ou será imaginação minha?
Em que exatamente quero eu acreditar?
Assim seria mais fácil.
Com jeito de dona do mundo,
Cadelas que dominam cães,
Cadelas!
Cães...
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Seu Domínio

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mapa Mundi - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Tuas mãos de menino
Percorreram meu corpo
Pelo prazer de brincar…
Tuas mãos de homem
Percorreram meu corpo
Pelo prazer de amar…

E tuas mãos andantes,
Percorreram vales e montanhas
Curvas e abismos
Parando no lago dos meus olhos
Para descansar

Escalaram a montanha dos meus seios
E atingiram o cume
E eu
Mapa mundi entre tuas mãos
Aprendi a ter ciúmes
Do que tocavas
Aprendi a conhecer-me
E terra por terra,
Monte por monte,
Aprenderam a obedecer-te
A adorar-te

Depois
Tuas mãos menino
De tanto brincar cansaram
E abandonaram meu corpo
À mercê das marés
Que pensastes que viriam
Depois que te fosses…
Ilusão!
Meu corpo menino
Tal como a praia deserta
E a terra desconhecida,
Só teve um descobridor…
Você!

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