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terça-feira, 8 de julho de 2014

Agonia - por Ana

Em meu coração de papel,
Desenho origamis sem cor,
Escrevo com tinta invisível,
Aquarelo em triste furor.

Em meu coração de seda,
Alinhavo palavras vazias,
Bordo remotos beijos,
Pesponto antigas carícias.

O meu coração, menestrel,
Serenata o nosso encontro,
Melodia o sentimento,
Dedilha o nosso confronto.

O meu coração, labareda,
Ardeu minha vida inteira,
Aqueceu os nossos dias,
Queimou na sua fogueira.

Meu coração, amassado
Pelas dobras das vestes da vida,
Entoa seu canto de cisne
No calor da despedida.
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sábado, 2 de novembro de 2013

Dia Triste, Este Dois de Novembro! - por Adir Vieira

Hoje, para mim, o dia amanheceu triste. Por mais que eu viva, o dia de Finados sempre trará para minha alma aquelas impressões doídas, aquela tristeza sem saber do quê, aquela falta de vontade de fazer o que quer que seja... Foi assim que na minha infância aprendi a reverenciar esse dia em que, logo ao acordar, tínhamos que rezar pelos mortos, pedir a Deus por eles e jamais ouvir música, brincar alegremente, mesmo que nosso coração pedisse.
Era um dia de respeito e ao invés de rezarmos pelos mortos (graças a Deus nossa família não tinha muitas almas para reverenciar), rezávamos para que o dia terminasse logo, para voltarmos a nossa rotina de correrias e algazarra.
Com tanto treinamento nesse sentido, mesmo depois de adulta e sabendo o que meus pais queriam me ensinar, minha alma ficou impregnada dessa necessidade de sentir tristeza nesse dia tão pesado para tantos.
Ao longo dos anos e por muitos e muitos anos, nossa família pôde rezar por vizinhos, parentes distantes, artistas mortos.
Como ninguém fica impune, os anos foram passando e levando nossos avós, pais, parentes mais próximos por força da idade ou por motivos de saúde. Hoje, temos nosso coração voltado para aqueles entes queridos que já se foram.
Pedindo a Deus que os mantenha em paz, daqui continuo rezando para o dia passar logo...



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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aconteceu - por Alba Vieira

Balanço vazio.
No parque, as pedras refletem o sol.
A tristeza espreita cada coração que por ali passa.
Entre a algazarra e o silêncio, a poça de sangue seca.



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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ratos - por Alba Vieira

Eles estão jogados, caídos, subjugados, presos nas ruas, dormindo entre ratos, sonhando com a humanização possível(?).
Meninos perdidos, sujos, sem consciência, manchados com a nódoa das ruas, refletindo toda a sujeira e descaso dos que por eles passam sem os enxergar.
Arrasados, desfalecem sob o sol a pino do verão, em qualquer lugar, e só não irão morrer se forem despertados à força e levados por mãos compassivas, que ainda existem, para a sombra. Porque, no seu declínio de todas as horas, não reconhecem a luz, seu locus é lúgubre eternamente.
Esses meninos vão morrer e não deveriam, tão cedo! Famílias inteiras se desintegram e ocupam as ruas. Eles não se refugiam nas ruas mais desertas, ficam intencionalmente nas ruas principais. Mas não os enxergam! O que esperam da vida? Há vida para eles? O que lhes proporciona o crack? Que lacunas são preenchidas neles?
Será que no barato da droga, no êxtase tão efêmero onde se “integram”, onde naquele instante cada um deles é um com o todo, vale todo o resto do tempo, em que continuam excluídos, à margem, no lixo, dividindo com os ratos o espaço, imitando deles a respiração rápida e superficial que não faz parte da sua própria natureza e que advém do medo?
Eles são feitos ratos. São ratos que fedem, cinzentos, rápidos, fugidios, rechaçados, inspirando medo quando de fato só precisam de proteção.
E se são ratos por estarem assim, então porque os ratos que estão no poder não os veem? Por que não reconhecem sua mesma natureza de ratos, usurpadores do que não lhes pertence e direcionam recursos oriundos dos impostos arrancados covardemente dos trabalhadores para transformar essa triste realidade das ruas?
A quem pertencem esses meninos?
Só os compassivos se ocupam deles que, deslocados, continuam proliferando nas ruas, ameaçando quem passa com a barbárie por efeito das drogas e levando junto aqueles que ainda não se transmutaram em ratos também.
Quem será capaz de proteger-lhes de si mesmos?
Que programa social de verdade pretenderá modificar-lhes o destino realmente?
Não podem ser deixados à deriva simplesmente. Se assim for, arrastarão para o fundo aqueles que se julgam a salvo nos seus lares.
Urge que se faça alguma coisa para reverter essa situação absurda e desumana, senão por amor, ao menos por algo tão humano como o egoísmo, prevenindo o que está certo:
QUE PROLIFEREM CADA VEZ MAIS OS RATOS E TRAGAM A PESTE QUE DIZIMARÁ A TODOS – A PESTE NEGRA DA FALTA DE COMPAIXÃO.



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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sumiu o Contador de Visitas - por Adir Vieira

Ah! Meu contador de visitas!
Estou frustrada. Sumiu meu contador.
Confesso que esse contador não mede só nossas visitas, mas nossa felicidade ou tristeza, se somos ou não muito visitados.
Hoje, ao acessar meu blog, faço como sempre: antes mesmo de ver se houve comentários a respeito do que escrevi, movimento a barra de rolagem em busca do espaço onde estão registradas as visitas e as páginas consultadas.
Qual não foi minha surpresa, quando constatei que o contador havia sumido. Acionei a página e mais preocupada fiquei quando a internet informou que a página não havia sido encontrada.
Ato contínuo, fui checar se era um problema apenas do meu site e com grande frustração percebi que todos os blogs meus conhecidos que se utilizavam daquele contador estavam com o mesmo problema.
O que fazer se naqueles poucos minutos eu estivesse perdendo o registro dos meus amigos diários?
Não quis esperar. Baixei outro contador! E o pior é que eu já tinha mais de 6000 acessos e mais de 1500 visitas!
Vamos ver o que acontece, meu povo.
Boa sorte para nós!



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terça-feira, 14 de julho de 2009

O Último Adeus - por Fatinha

Querido Brógui:

Nada como voltar à vida para eu recomeçar a falar besteira.
Vou começar pela mais recente, que é a morte da minha caixinha de som. Tô arrasada! Minha caixinha, contando apenas sete anos de uso, foi ao chão. Não, não foi de propósito não. Foi um acidente. Não costumo dirigir minha ira a coisas, prefiro fazê-lo contra os seres humanos, pelo menos eles podem se defender. Ela escorregou de seu pedestal quando eu tentava alcançar o telefone, que também foi ao chão. Esse último sobreviveu. Mais jovem, mais resistente…
Foi praga daquele Um, que cismou que eu tenho que comprar uma mais moderna, mais potente, mais isso e mais aquilo, inclusive mais cara. O cara adora gastar o meu dinheiro, ainda bem que não pede pra comprar nada pra ele, senão eu estava lascada.
Com muita dor no coração e no abdômen, me espremi entre a escrivaninha e a parede para pegar a pobre da caixinha, que jazia morta, de bandinha, fazendo um ruído esquisito (acho que caixas de som têm um jeito todo especial de dar o último suspiro). Fiz o resgate, mas ela não sobreviveu à queda. Seu botãozinho de liga e desliga ficou torto, qual um olho saltando da órbita e quando dei uma sacudida nela, percebi que algo havia quebrado. Danos internos, disse-me Bão.
Fui chorar no ombro do Carlo, que disse, todo sensível: “Joga essa merda fora!”, engrossando o coro do rogador de praga.
Ainda não comprei outra, vou ficar um tempo em silêncio, prestando minha última homenagem à minha companheira de tantos anos, a única parte do meu computador ainda não trocada por uma mais moderna.
É. A vida é assim mesmo: cheia de despedidas, cheia de saudades, cheia de sentimentos tolos por objetos inanimados.




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terça-feira, 7 de julho de 2009

Minha Querida Mãe - por Adir Vieira

Quando me dei conta, já estava chorando compulsivamente.
Algum dos irmãos falou na retirada dos ossos e aí foi que me dei conta da sua morte real.
A cirurgia de risco do meu marido, uma semana depois da sua morte e tudo o que advém de uma situação como essa, não me deixou viver o doloroso momento de sua partida e durante esses quase três anos amorteci minha saudade, tentando ver o fato como natural.
Não quero dizer que várias vezes não me peguei derramando lágrimas emocionada, lembrando dos fatos mais sutis que compuseram nossa vida, mas ontem foi bem diferente.
Em alguns poucos minutos, revivi sua ida derradeira, numa maca de ambulância, revi seus olhinhos espertos a nos olhar, tentando entender o que ocorria ou tentando nos explicar que não voltava mais?
Como num passe de mágica, relembrei os cuidados, os ensinamentos, os incentivos e até mesmo os puxões de orelha, quando merecíamos.
Observei a minha volta e visualizei o patrimônio que deixou – uma família unida, completamente comprometida com suas diretrizes – como ela sempre desejou. Porque, como mãe, ninguém sentiu ou soube mais do que ela. Não cursou nenhuma faculdade, mas era PhD nesse mister e nas lições de vida.
Desde a sua morte, inconscientemente, a elegi minha santa devota, colocando sua foto no pequeno altar, junto aos demais, mas hoje, especialmente hoje, nesse choro compulsivo, sofrido, atrasado, vindo do âmago, como a pedir socorro para se externar, entendi exatamente o porquê dela ter ocupado o lugar de Deus na minha vida.



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segunda-feira, 6 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ingratidão - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Um sentimento que magoa
que dói, que dilacera
uma dor profunda
que como punhal perfura
as profundezas da alma

Dor que não tem grito
dor que não tem eco
dor que fica
que permanece
que destrói, que faz sofrer

Quem esquece magoa
faz doer
Quem esquece se esquece
da dor que faz sofrer
Ingratidão
Sem começo, sem meio
um sentimento que entra
destrói meus sentimentos
e não tem fim

Me causa tristeza, me corrói
me faz sofrer
e fica assim
dentro de mim
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Tristeza

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Rio de Janeiro - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Rio de Janeiro de frente, de costas, de lado para o mar
com tantos morros, eu morro de vontade de voltar para lá
mas com tanto tiro, tanto assalto, tanto arrastão
eu já nem sei se te dou meu coração
Rio de Janeiro, que eu sempre hei de amar…
mas que como esposa traída e rejeitada, abandonada,
sinto que fui destratada
deixastes os bandidos subirem o morro
e tomarem conta de tudo,
do nosso céu
os fogos de artifício são balas de metralhadoras
e os canhões de fogo são fuzis AR-15
Rio de Janeiro onde e como poder voltar?
Nem mesmo assim de costas para o mar para as montanhas,
para o céu, para o ar
Nosso céu sem estrelas poluído
As estrelas do mar fugiram, não são vistas
Parou o barulho das ondas que não são mais vistas
agora só ouço o barulho de tiros matando pessoas
Rio de Janeiro como posso continuar a te amar
se não posso mais estar junto a ti
se tenho medo de tua insanidade, da tua loucura,
da tua beleza, da tua velocidade, da tua vaidade,
da minha cidade
Rio de Janeiro de belezas mil
tragada pelos bandidos, virada covil
de ti não sobrou nada a não ser retirantes,
assaltantes, armas, munições, tráfico,
fuzil, gente perdida, gente que morre quieta
gente humilde, gente pobre, gente honesta
gente que não sabe como viver
e que luta desesperadamente para sobreviver
No meio de tanta desgraça meu Rio se perde no mar
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Flores Mortas - por Escrevinhadora

Regávamos as flores que desabrochavam em nosso quintal. Eram umas flores magras que mal aberto o botão, espalhavam suas pétalas na calçada. Mas eram as nossas flores, era o nosso jardim.
Os vizinhos plantavam couve, abóbora, hortelã, pimenta. Regavam suas hortas.
Nós, sonhadores e improdutivos, regávamos nossas flores. E repartíamos gratuitamente com o olhar dos passantes as cores que enfeitavam nosso jardim.
Não nos sobrava luxo, não nos faltava o essencial.
Um dia o irmão mais velho se casou. Trouxe a mulher pra morar com a gente.
A cunhada colhia as flores. Cortava umas hastes bem longas, pra colocá-las num vaso sobre a mesa da sala. Dizia que era pra enfeitar a casa.
Nenhum de nós gostava daquilo. Nenhum de nós dizia nada.
Aquelas flores murchas, meio mortas, não enfeitavam nada. Entristeciam a casa.
Fomos deixando de lado o jardim. Folhas secas acumulavam-se no chão. Galhos ressequidos despontavam nas roseiras. Já não regávamos nossas flores.
O pai que estava meio velho adoeceu, logo morreu.
A mãe, cheia de tristeza, disse que não suportava conviver com as lembranças. Foi morar com uma tia também viúva.
A irmã caçula mudou-se pra uma cidade maior, em busca de uma vida diferente.
O irmão mais velho e a cunhada compraram um apartamento num bairro novo.
Fiquei sozinho na casa. Comprei umas flores de plástico que coloquei no vaso da sala.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Chuva Lágrima - por Passa-Tempo

Do céu caem gotas,
Gotas de água salgada,
Que correm pelo rosto,
De uma mulher mal amada,
E na pele, o sal da chuva lágrima,
Transparente como a mágoa,
Resseca o coração,
Que vive apenas de ilusão,
Uma ilusão que traz emoção,
Emoção que ao mesmo tempo
É levada pelas lágrimas,
Até atingir o chão,
Aonde brota uma flor,
negra de amarguras,
De seiva vermelha como sangue
E salgada como lágrimas,
Regada por gotas de fel
que vieram do céu
em forma de chuva.
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