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sábado, 29 de junho de 2013

Palavras Silentes - por Ana Bárbara de Santo Antônio e Esther Rogessi

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Olho as palavras
O silêncio a três pontos tão fechados
Falamos do fogo
Ausência
Mudas palavras pedem clemência
Sentidos desvairados
O desejo de estar
Ou calada ficar
Olho as palavras em sua demência
O amor que não está aqui
A loucura que senti
Lendo esta turbulência
Evocada a Fênix cinzas pó
E teus pássaros aqui trazidos
A cada poema me sinto mais só
Tal é o medo dos incompreendidos
Semeia dueto em chamas nubentes
Arvoredo poético se iniciará
Deste prosar de notas inconfidentes
Algo mais belo ressurgirá
Mulher Poesia chama teus pares
Graça a beleza de tais sentidos
E quando por fim os declamares
Podes estar certa de serem ouvidos
Chama ao salão todos teus poemas
Grita o amor tão incontido
Fala de versos os teus dilemas
Canta esse amor graça fingido
...musa
....................................................(Ana Bárbara de Santo Antônio)


Canto esse canto triste...
Dilemas trago em meus versos
O amor já não o posso conter
Finjo ser ele fingido...
Surge das palavras em mim
O que pensei ter esquecido...
Das cinzas do pó... Sei não está só...
...Amo o amor que trago comigo.
Tal qual fênix deitei no ninho
Meu coração em fogo se fez
Amargas lágrimas do amor incontido
Transformaram-se em doce vinho...
A poesia meu doce amor
Transformou o meu amor
Em um amor fingido!
......................................................(Esther Rogessi)
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................................................................Visitem Esther Rogessi
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Fronteiras da Alma - por Adriana Nunes e Nan

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Foto: R. Conther
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Fronteiras... É difícil cruzar fronteiras?
Demorada, árdua e temível travessia?
Fronteiras íntimas... Fronteiras do autodescobrimento...
Prisões sem paredes... Escalas da alma... Ilha do Individualismo...
Essas, se não são as mais difíceis, são da mais gratificantes de serem alcançadas...
Buscar valores soterrados no seu íntimo. Encontrar-se com a vida. Agigantar-se e humanizar-se... Olhar o mundo não mais com lâminas baças de vidro que distorcem a realidade...
Todo ser humano precisa cessar a correria alucinada para lugar nenhum, minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor...
Identificar as necessidades da sua realidade emocional, das aspirações legítimas, as reações diante das ocorrências do meio...
A busca de si mesmo, para a liberação de conflitos, amadurecimento psicológico, afirmação da personalidade, resulta de uma consciente disposição para meditar...
Livre, que se domina e se conquista, esse sim é o ser que se ultrapassa...
O homem é pássaro cativo fadado a grandes vôos e só terá paz interior quando transpuser suas fronteiras íntimas, quando deslocar para o passado seu estado atual de vazio...
Ter ouvidos para ouvir os discursos da alma. Registrar a melodia dos próprios ritmos interiores...
Fronteiras... O amanhã será muito melhor... Usar a simplicidade do coração... Tudo o que acontece com nossos corações tem fundamentos, por isso olhe pra dentro de você e acredite que você pode e vai conseguir... Somos apenas um espaço que a vida ocupa... Responsabilidade com o meio...
Entre o certo e o errado existe o necessário...
Somos únicos e especiais, nunca tente entrar numa forma... Vai faltar ou sobrar espaço...
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Visitem Adriana Nunes
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A Invasora de Sonhos - por vestivermelho e ZzipperR

Cansado desse mundo real, deitei em minha cama macia abraçando o meu travesseiro, apertando-o em meu rosto descansando em seu cheirinho aconchegante e perfumado na suavidade do lençol, como se estivesse deitando sobre as nuvens.
Meu corpo cansado se tornou um estranho para mim e o deixei abandonado partindo para o sonho, deixando um peso para trás e navegando leve, rolando sobre o lençol e me entregando aos poucos, abrindo a minha mente e saboreando um universo sem fronteiras.
Entrei em um paraíso onde o irreal é real para mim e a alma corre livre e gritei com eco no vento:
Traga o amor pra mim!
E ouvi o eco das minhas palavras distantes:
Traga... traga... traga... O amor... o amor... o amor... Pra mim... pra mim... pra mim...
Escutando os meus apelos, o sonho me levou em seus braços para longe, um mundo distante e leve, solto como uma pipa flutuando solta no ar e sem saber onde cairá.
Sonhando eu vejo o mar e sinto uma vontade louca de te amar, me perco nos pensamentos e saio correndo querendo abraçar as suas ondas.
No sonho encontro uma flor inspirando o calor do amor, corro e a pego, vendo uma abelha invasora de sonhos pousar em minha flor, sugando o néctar do amor.
Porque invade as fronteiras do meu sonho abelha dourada?
Tento expulsá-la do meu sonho e sinto seu ferrão cravar em minha mão trazendo uma dor aguda e profunda, que sobe pelo meu braço invadindo o meu peito e dominado pela abelha invasora eu deito.
Indefeso e alucinando com os olhos fixos no céu azul, a vejo como uma grande águia voando rápido em minha direção, pousando no meu peito, cravando as suas garras no meu coração e levando embora.
Sem limites ela invadiu as fronteiras dos meus sonhos. Se eu sonho com o sol ela é a lua, se sonho com a flor ela é a abelha, se sonho com o galho ela é a folha e se sonho com o amor ela é a flor.
Não consigo mais sonhar sem ela, pois sem a invasora de sonhos sou um homem sem coração e abandonado pelo amor.
Sem ela eu não existo
Sem ele eu não existo
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Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz e Vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
VruummmmmmmmmmmZummmmmmmmmmmmm
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mulheres de Fogo Poético - por Esther Rogessi

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Agora enterraste tudo...!
Das cinzas a Fênix grata se erguerá!...
... Em fome de lume reavivará suas chamas...
Desejo assim... pois, muito sucesso para ti...
(Ana Bárbara de Santo Antônio)
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Ressurge ó Fênix!

Falas de algo deixado de lado...
Do despertar de um sonho por ti cultivado...
Cortado, enterrado... nas cinzas deixado...!
Tal qual Fênix... Ergue-te das cinzas!
Em fome de lume reavivas tuas chamas.
O amor é assim... Luta insana!...
Culpa não tenho... sou poeta menina,
Que ama um menino... Não culpes esta dama!...
Bate em meu peito um coração doído...
Doido varrido por quem ele ama!
Semente antiga do meu passado...
Deixada de lado... Jamais esquecida!
(Esther Rogessi)......................................
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Falam-te as cinzas de um fogo apagado...

De labaredas por despertar...
As mesmas pó, fogo sagrado... nas cinzas deixado!
A Fênix erguida... por resgatar...
Em fome chama... reavivas tuas asas.
O amor é assim... luta estranha!
Que do fogo tem sua chama acesa de brasas.
Arde e dói sem querer...
Pode o passado fazer viver
Doido varrido se ergue no peito
Semente em cinzas chamas
Por dentro arrefecer
Deixado ao acaso descontente
Aqui de palavras declamas
Insano indiferente
Amor do passado
Por esquecer...
...Musa
(Ana Bárbara de Santo Antônio).......................................
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Esquecer...

Bem que eu queria, ó pássaro de fogo...
Fogo ardente queima em mim...!
És fogo sou fênix do bico dourado...
Choro o amor do passado,
Que em mim não passou...
Doces lembranças d’alma insana,
Surgem das cinzas de um fogo apagado
O pássaro de fogo ressurge enfim!
Falar compassado... Medido, provado...
Vôo alçado para aquém do presente...
Enlevo... doçura, estás a minha frente
Procuro tocar-te, em vão alcançar-te...
Falho no tato... Como sentir-te?
Tuas asas bateste reflexo dourado...
Banhei-me em teu brilho...
Dourada fiquei...
Na quente areia d’uma praia distante
Fui feliz por um instante...
Logo... Acordei!
(Esther Rogessi)............................................
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Ó doce sonho...
Desejei-te por longo tempo!
Busquei migalhas... Alimento raro...
Preço caro paguei por ti...
Bambeei, cambaleei... emoção senti...
Ofeguei correndo só para ver-te...
Não pude deter teu passar por mim!...
Alegria insana... Enlouquecida de amor,
Jamais os teus braços meu corpo abraçou!
Quanto quis tocar-te... Dedilhar-te o corpo,
Cheirar teu pescoço... acordar algo em ti...
Também me querias... a mim desejavas,
Com outra na cama... pensavas em mim!
Traías-me... com ela estando...
Traías a ela pensando em mim!
Durante as noites em que estavas com ela
Naquele momento... Chamavas por mim!
E, eu... com outro ao meu lado...
Sofrer solitário... Jamais te esqueci...
Algumas das vezes ao estender-me tuas mãos...
O meu coração podia-se ouvir...
Subia-me a garganta... não podia falar!
A dor era tanta... Comia-te com o olhar!
Ó doce sonho...
Ah!... Se eu soubesse que iria contigo sonhar... Sonhei...!
Por breve momento estiveste em meus braços,
Senti tua boca a minha tocar...
Ânsia, desejo... Teu gosto senti...
Bailou minha língua no céu de tua boca
Bailarina louca sedenta por ti.
Acordei enlouquecida a chorar...
Eu queria saber que esse sonho viria
Preferia morrer a ter de acordar!
Foi um breve momento...
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.Muitas vezes, sem o sabermos, um instante completa o que viemos realizar nesta caminhada humana.
(Ana da Cruz)
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.Visitem Esther Rogessi
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Deusa do Vento - por ZzipperR e vestivermelho

Ela chega devagar e soprando uma brisa gelada, a gente sente na alma e fica arrepiado, aquele friozinho sobe pelas costas, até a nuca, sopra no ouvido, como se quisesse dizer alguma coisa, lá no fundo, bem fundo, tão profundo que paramos para escutar, mesmo se ela estiver apenas soprando.

Naquele dia em que eu subi na grande pedra, o sol estava forte, não ventava e o calor estava insuportável, parei e olhei o céu. As nuvens estavam formando e mudando o cenário. Do alto daquela pedra, eu avistei um vento forte se aproximando, eu via ao longe a mata baixando com a força do vento, se deliciando com o seu carinho, com movimentos de felicidade.

Quando ela chegou na grande pedra e me viu, se apaixonou, ela não conseguiu sair do meu lado. Eu via e sentia ela girando sobre mim, já não ventava tão feroz mais, ela soprava um vento suave e gostoso.

Eu não sentia mais tanto calor, sentia aquele vento carinhoso e refrescante que dominava e tomava conta do meu corpo, aliviando o calor e tranquilizando a alma.

A partir daquele momento, percebi que não estava mais só, então olhei atentamente para ver se conseguia vê-la. Ela estava ali, do meu lado, olhando a planície também. Eu fiquei olhando para ela e quando ela falava alguma coisa para mim, eu não escutava, mas sentia o vento soprar em meu rosto.

Ela era linda, mas sua imagem não era nítida, era uma imagem turbulenta, em constante movimento, como se estivesse em um túnel de vento fazendo ondas nos seus cabelos. Fiquei encantado com a sua beleza e sorri, ela sorriu também e do seu sorriso saiu uma brisa refrescante, que atingiu o meu coração.

Resolvi brincar e saí correndo da pedra. Pulei e corri, ela correu atrás e na medida que eu corria, ela vinha fazendo festa atrás, levantando poeira, levantando folhas e soprando um vento forte em mim.

Corremos, corremos muito, no meio das árvores, no meio do campo. Às vezes, ela me ultrapassava e ficava girando, fazendo um rodamoinho como uma bailarina dançando, para chamar a minha atenção.

Nosso namoro era lindo, eu ia correndo e ela me beijando com aquele beijo gelado de vento, eu sentia o carinho daquele vento na boca e no rosto, eu corria e ela me abraçava com seu abraço de vento gostoso e refrescante, tão bom que eu sentia na alma.

Um dia, aconteceu uma coisa inexplicável: quando eu corri para a grande pedra, escorreguei e caí de uma altura muito grande, não tive como me defender e fiquei ali no meio da mata jogado. Ela chegou com todo o seu amor e me viu ali caído, imóvel e sem vida. Seu coração ficou desesperado. Ela deu um grito de dor e saiu arrastando tudo, com uma força imensa, tão forte que arrancava árvores, arrastava casas e destruía tudo que encontrava pela frente.

Ela chorava e aquele vento e aquela chuva inundavam tudo.

Naquele momento, eu cheguei e acalmei a sua dor, ela me viu e ficou feliz, acalmou e agora sopra suave, um vento bem gostoso, o vento do amor. Agora eu vivo com ela, como vento soprando e brincando no meio das árvores.

***
sol ama lua
lua ama sol

rainha ama rei
rei ama rainha
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Princesa e o Sapo - por ZzipperR e vestivermelho

Numa manhã linda de sol quente, uma princesa corria beirando o lago do pântano e chorando muito, assustando os pássaros e as borboletas.

Buáááááá!... Buáááá!.. Buáááá!...
Esse choro chamou a atenção de um sapo, que se aproximou.
Ploc!... Ploc!... Ploc!...
Bolhas estourando no lago do pântano atraíram a atenção da princesa que parou de chorar e começou a sorrir vendo as bolhinhas estourarem.
As bolhas estouravam no lago enquanto a princesa olhava cautelosamente em silêncio, tentando descobrir o que estava borbulhando.
Desconfiada ela se aproximou do lago, colocou a mão na água querendo pegar as bolhas e curiosa ela chegou seu rosto pertinho das bolhas, que explodiam espirrando gotinhas geladas em seu rosto, escutando as gotas explodirem.
Ploc!... Ploc!... Ploc!... Splashhh! Um sapo pula perto do seu rosto molhando seus longos cabelos negros.
Ela corre atrás do sapo querendo pegá-lo, mas ele salta rápido. Ela tenta pegá-lo e ele salta, tenta de novo e ele pula, então ela dá um salto e o agarra pelas pernas.
Ela o segura carinhosamente nas mãos e pergunta:
- Será que você é um príncipe?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
- Você é tão bonitinho!
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
- Se você é um príncipe fala alguma coisa?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
Ela olha fixamente para o sapo e ele olha com seus olhinhos para ela.
- Se você fosse um príncipe! Como seria?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
- Eu acho que você quer me dizer alguma coisa!
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
Ela abre a mão com o sapo livre na palma e ele não pula.
- Se eu te beijar, será que você vira um príncipe?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
A princesa cria coragem, beija o sapo e fica observando, mas não acontece nada.
- Você não vai virar príncipe?
- Cloc!...Cloc!...Cloc!...
Ela perde a paciência e joga o sapo no meio do lago.
Quando o sapo cai no meio do lago, se transforma num príncipe gritando:
- Eu não sei nadar!
Ela mergulha no lago e nada até ele para salvá-lo.
Quando toca nele, ele fala:
- Brincadeira! Eu sei nadar e a beija no meio do lago.
Desta maneira eles ficaram juntos vivendo naquele pântano maravilhoso.

Uma lágrima de alegria cai sobre a página e a menina que estava lendo fecha aquele livro de amor pensando:
“Eu queria ser aquela princesa”

Zip...Zip...Zip...ZzipperR e vestivermelho
vruummmmmmmmmZummmmmmmm


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sábado, 31 de outubro de 2009

Um Jogo de Amor Entre a Sorte e o Azar - por ZzipperR e vestivermelho

Um dia me apaixonei pelo amor que, com desprezo, me deixou a saudade, numa contradição entre o bem amar e o mal amar na esperança de ser amado.
Num momento de sorte, ela surgiu na minha vida com seus olhos castanhos, me encurralando num romance entre a sorte e o azar. Foi aí que propus a ela um duelo no amor.
Peguei uma moeda e falei:
- Cara é sorte e coroa é azar. Vamos ver o que você pega?
Joguei a moeda para o alto rodando, rodando, rodando e quando caiu ela a pegou no alto. Conferiu o resultado na palma da sua mão e não me mostrou falando:
- Vamos jogar! Você quer cara ou coroa?
- Cara.
Ela jogou a moeda para o alto e a moeda girou, girou, girou caindo em sua mão. Ela conferiu o resultado e falou:
- Você perdeu.
- Me dê essa moeda. Eu vou jogar para o alto e pegar.
Joguei a moeda para o alto, a moeda virou, virou, virou e quando caiu na minha mão, conferi o resultado. Perdi! Deu coroa.
- Vamos fazer um jogo de amor entre a sorte e o azar?
- Vamos.
- Se você acertar ganha um beijo.
- Cara.
Ela jogou a moeda para o alto girando e quando caiu em sua mão, ela falou:
- Você perdeu! Vamos jogar outra vez, se você acertar ganha um abraço gostoso.
Ela jogou a moeda girando para o alto novamente, quando caiu pegou-a no ar.
- Deu coroa! Você perdeu de novo.
- Então quero jogar tudo, se eu perder, perco você para sempre.
- Você tem certeza desse duelo? Pois pode perder...
- Nesse namoro entre a sorte e o azar, eu tenho certeza que a sorte está do meu lado.
- Mas se perder não terá outra chance!
- Então faremos o seguinte: vamos mudar as regras do jogo. Se eu acertar perco e se eu errar ganho.
- Então vamos jogar.
- Eu quero cara.
Ela jogou a moeda para o alto e quando pegou falou:
- Deu cara! Você ganhou e me perdeu.
O jogo acabou. A sorte foi embora deixando o azar sozinho e abandonado, pois ninguém queria ficar com ele.

Zip...Zip...Zip...ZzipperR e vestivermelho

VruummmmmmmmmZummmmmmmmm


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Duelo: Quem com Quem? - por Passa-Tempo e Anônimo (Erótico)

Sorte...
Sorte é ter a família junta,
aquele fuzuê,
a gritaria rolando solta,
doideira? talvez.
mas a sorte de ter todo mundo junto,
zoando da cara um do outro,
é a felicidade.

E quando a caçula arruma um namorado nerd,
encarnação é total,
e se estiver grávida a porrada é geral.
êita sorte danada,
e eu no meio dessa loucura,
assistindo de camarote, essa doida tortura.

E nada condiz com o que falo,
quando a família está junta,
todos falam ao mesmo tempo,
todos ganham a mesma luta.

Pra cumprir o tema sorte
Vou prestar muita atenção,
No duelo que é de morte,
Pra pirar o cabeção.

Com dor e intensa tristeza
É que explico a verdade,
Viver só na leveza
É se entregar à vaidade

Vaidade de quem não sabe
Com a vida se estragar
comer aquela fruta bem madura quase podre,
e no final, aquela vontade de cagar.
Sentir o vento do litoral bater no peito,
e aquele arrepio, que vem da nuca e vai descendo até chegar no... pé?
essa vida é que nos abre os olhos para o que devemos seguir,
as vontades fisiológicas, aquela coisa que te prende,
às vezes é como a prisão de ventre,
você não vê, mas você sente.

E a vida é bela, o romantismo em questão,
formam o casal perfeito:
O nerd e a masturbação!
São coisas da sorte humana,
como a mulher estudiosa e sua face profana
a vida leva consigo enquanto seu calor ela abana.

Voltando para aquela sorte...
Em meio a tudo reflito
O revés que isso pode
Causar a alguém aflito

Acreditando que não se tem
Se leva os dias querendo mais
De insatisfação fica também
Repleto o vazio que isso faz.

Percurso tonto eu faço
com meu cavalo e o cabaço, do cavalo.
Aquela linda união, o cabaço na boca do cavalo,
e o cabaço do cavalo na minha mão,
é um longo percurso, como a vida cotidiana do dia a dia,
como em cada bordel todas as noites,
os espermatozóides perseguindo o óvulo,
e o óvulo espera o zóide.

A vida dos pequenos é difícil como a nossa,
difícil a cada dia como a visão do cego perneta,
que consegue andar sem muleta,
nas ruas de Minas sentado numa trombeta.

E se não mais nem menos me recordo,
“na minha terra tem palmeiras como canta o sabiá”.
Isso tudo é muito louco,
não se altere, eu explico.
Duas pessoas com pouco
Tempo juntas vivido...

Se unem assim em um duelo
Covarde pra que quer entender
Mas vai tentando, eu espero
Que faça sentido pra você.

Por aqui termino tudo
O minuto tá passando
O tempo corre num pulo
Estamos só começando.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Paixão do Sol Pela Lua... - por vestivermelho e ZzipperR

Hoje eu estava caminhando e reparando nos casais abraçados e confesso que fiquei com vontade de ter alguém para abraçar, mas a solidão não deixava e eu continuava caminhando sozinho.

Comecei a pensar no amor, como é bom ter alguém para amar, entregar o carinho, beijar, abraçar e olhar.

Existem coisas em que o mundo virtual nunca conseguirá superar o mundo real, pois só no mundo real está sua maneira de pegar, abraçar, a força do seu toque, o calor e o sabor do seu beijo, além do seu jeito particular de ser, sua maneira de agir, suas atitudes, seus hábitos e o tom real da sua voz, com palavras do mundo real.

Com tudo isso, eu não quero dizer que o mundo virtual não seja real, tem que ser real, as pessoas que estão navegando são reais, o amor é real e o carinho dedicado também é real.

Amar no mundo virtual tem suas vantagens, é só aprender a aproveitar os momentos de prazer e depois deixar livre. Você entrega o seu carinho como quiser, é tudo virtual, um outro mundo, que não interfere no seu mundo real e mesmo no virtual o amor é verdadeiro, doce, gostoso, tão bom que queremos de qualquer jeito.

Aproveite os seus momentos e ame, dê o seu carinho e saboreie com prazer o carinho que recebe, pois ali as pessoas vivem muito distantes, dificilmente cruzarão os nossos caminhos.

Digo, com toda certeza, que o mundo virtual é um presente de Deus, mais uma maneira de dar e receber amor. Aproveite esse presente, ele também é para você.

Só não vale se apaixonar. Ai, meu Deus, eu já me apaixonei. Que bom... hummm! Que bom. E agora?


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sol ama lua
lua ama sol

sol morre de paixão pela lua
lua morre de paixão pelo sol

***

solelua



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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Oração dos Corações Abandonados - por ZzipperR e vestivermelho

Há tanto tempo estou sentado aqui sozinho, jogando pedras na água e pensando, mas de que valem todos esses pensamentos sem você? Eu preferia não pensar em nada e ter você ao meu lado amenizando esse sentimento de estar abandonado. Não consigo sair daqui se você não me ajudar!

Nesse mundo louco de corações abandonados, nos esquecemos de viver e nos trancamos em uma caixa de ilusões, alucinados em pensamentos inversos, que embaraçam o sentido do nosso raciocínio e a pessoa vibra em nosso pensamento, manuseando cada ideia, misturando o passado e as intenções futuras, trazendo a cegueira da loucura e martelando a cabeça com vontades e desejos criados por uma força sensorial descontrolada num ideal inexistente de amor solitário.

Um dia o amor apareceu em minha vida vestida de branco como um fantasma tocando suave e gentil. Um vírus carinhoso em minha mente, que imaginava estar dançando no paraíso, quando na realidade estava vagando no inferno, queimando no fogo do desprezo, abandonado pela garota de vestido branco, que me assombra com sua música, dançando no meu mundo e me deixando na marginalidade da paixão.

Não sei quais são as regras do amor... A garota de vestido branco vive em dois mundos, dividida entre Orkut e blog, com isso divide o seu amor em dois, enquanto eu vago no mundo criado pelo amor da poesia rosa. Uma poesia de amor perfumada, colorida e romântica que atordoa a cabeça e descompassa o coração deixando a alma louca.

As horas passam rapidamente e levam os dias embora. Com eles passam as semanas, os meses e os anos. Passando, passando e me levando junto no tempo, que passa por mim sem eu sentir, apenas sinto a sua falta, mesmo estando com os cachorros, que estão sempre à minha volta. Eu não consigo ficar sem eles, mas eles me lembram você e essas lembranças me fazem sofrer demais por estar abandonado pelo seu amor.

O pensamento solitário me leva a uma meditação profunda olhando as ondas misteriosas do mar e eu chego à conclusão de que o mar é apaixonado pela areia, tocando-a incansavelmente com suas ondas e acariciando o seu corpo, que suga carinhosamente suas águas. O mar tenta chamar a atenção da areia para ele com toques diferentes, tocando-a com ondas diferentes, às vezes mais agressivo com ondas fortes, outras vezes mais carinhoso com ondas suaves, num toque de amor eterno, que prova o amor entre eles. Olhando esse toque carinhoso, eu sinto a sua falta e nesse momento perco o controle do amor que transborda, não cabendo no peito e sufocando a alma que grita por você, te procurando na saudade que dói e encontra apenas um coração abandonado no caminho, deixado para trás pelo seu amor. Mas onde andará você? Quem estará recebendo o seu carinho, os seus beijos e o seu calor no meu lugar?
Vejo os cachorros correndo e falo baixinho para você sentir, falo com a alma para você:
- Olha, Linda, como eles cresceram nesse tempo em que ficamos distantes e abandonados.
Percebo que estou chorando e olho para o Fred e a Petra correndo na praia e flutuo como um pássaro que voa sem conseguir pousar. Um rio que perdeu o seu fluxo e parou de correr ou uma gota de chuva que não consegue cair por não se encontrar no mundo e se perdendo no espaço, caindo, caindo, apenas caindo abandonada e solitária.

O barulho das ondas me trazem de volta:

Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Hei linda! O que você fez?
Vou correr com os dois filhotes de aviãozinho e com lágrimas nos olhos, mas não vou embora dessa casa. Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Agora vou ensinar eles a nadarem na praia, mas não sei se eles gostarão da água salgada. Corram, seus cachorros bobos, que eu vou atrás.

Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

As ondas estão muito fortes!

Vem Fred! Vem Petra! Corram com o papai. Vamos que chegou a hora de ir embora. Eu não vou deixar vocês aqui! Vamos que aqui acabou o sonho, aqui agora é o mundo real. O papai não gosta do mundo do Orkut. Vamos para o mundo do papai, o mundo dos blogs, o mundo do sonho, da fantasia, da mágica e correr naquele pântano maravilhoso. Não mexam nas coisas da mamãe, nem olhe para o mundo do orkut dela, Vem Petra!..Vem Fred! Entrem no carro que agora vocês vão fazer parte da história. Esperem! Deixem-me fechar a porta do Orkut.

O tempo passa e o som daquela música não sai da minha cabeça, me trazendo de volta ao mesmo lugar, onde encontro o nosso mundo abandonado e nele está você, jogando pedras na água e esperando por nós, louca por carinho.

Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Vem linda! Vamos dar comida para os cachorros. Eles ficam andando no meio dos nossos pés e mordendo a perna dela famintos de saudades. Eu deito e eles sobem em cima de mim mordendo a minha orelha. A Petra está faminta e quer comer a minha orelha. Ela morde doído com esses dentes fininhos! Eu vou morder a orelha dela para ela sentir como dói.

Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Correndo para as ondas e matando a saudade desse mundo abandonado.

Obaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Zzip...Zip...Zip...ZzipperR e vestivermelho.
VruummmmmmmmmmZummmmmmmmmm


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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Momento Mágico - por vestivermelho e ZzipperR

No palco da vida atuamos em nossos papéis diários, num texto cotidiano onde tudo muda a todo o momento. No texto que a vida escreve com a habilidade de um mestre, nos reserva surpresas boas e más, porém um dia Deus reservou uma inesquecível para mim e para a Abelhinha.
A arte é mágica e nós somos dois palhaços atuando com amor, assim a nossa força do amor atraiu um momento mágico, reservando as pessoas certas para nosso espetáculo.
A Abelhinha chegou voando com um convite na mão, pedindo que fizéssemos uma festa surpresa para umas crianças no dia das crianças. Como somos palhaços, aceitamos imediatamente, porém pediam que fôssemos vestidos de palhaços.
No dia do espetáculo eu vesti palhaço e a Abelhinha vestiu palhacinha com uma maquiagem maravilhosa, pois não sabíamos quem eram as crianças e fomos de coração aberto para o palco que aquele dia a vida nos reservou.
Nossas mochilas estavam carregadas com pirulitos e os bonecos para divertir as crianças e ensiná-las a viajar no mundo da magia com o carinho e a habilidade que a arte proporciona.
Colocamos tudo dentro do carro e seguimos para o local definido apenas com o endereço. Não sabíamos mais nada, éramos dois palhaços lançados à sorte no palco da vida pela arte.
Chegando ao lugar indicado, tremi, pois era uma casa beneficente de crianças especiais. Um desafio para grandes atores, o momento de mostrar que sabemos atuar, e para isso tivemos que entrar no mundo deles, sair do nosso mundo materialista, individualista e mergulhar no amor, no carinho e na atenção de crianças brilhantes.
Olhei para a Abelhinha, aquela linda palhacinha, toquei com a minha mão em seu rosto, demos um beijo de palhaços e eu falei:
- A hora é essa! O show vai começar!
Facilitamos o máximo possível para que as crianças participassem do espetáculo e começamos a pintar o rosto das crianças, os meninos com bolinhas coloridas e as meninas com flores brilhantes e lindas. Cada rosto maquiado saía daquele mundo e voava na arte, transformando-se em verdadeiro artista. Porém um garoto deficiente visual se aproximou da abelhinha e falou:
- Eu quero ser palhaço também.
- Então você será um lindo palhacinho. Ela fez uma maquiagem maravilhosa nele e eu sentia que alguma coisa especial estava para acontecer.
A Abelhinha lhes ensinava a fazer arte com bexigas, fazendo cachorrinhos, capacetes, corações e pássaros. Elas chegavam a gritar de felicidade enchendo as bexigas coloridas. Quase chorei vendo a atenção e o amor deles pelos que não tinham possibilidades de chegar até as bexigas. Eles compartilhavam a alegria e a felicidade, levando bexigas para os outros e chegou a hora da história com os bonecos.
Eles participaram ajudando a montar o palco e, depois de tudo montado, um deles veio até mim e falou:
- Palhaço! Deixa-me ser um boneco?
Olhei e vi que ele era um deficiente visual, não enxergava nada.
- Deixo! Mas vou te ensinar. Preste atenção! Segura essa madeira. Você vai manusear o boneco na história, segura com a mão esquerda no canto do palco para você controlar a distância. Você vai ser o personagem principal e se eu falar: O menino está saindo da casa, você volta com ele para o palco. Certo?
- Certo!
A Abelhinha participava de cada movimento do garoto, desde a preparação até no ato da cena. Falando para ele assim:
- Quando o palhaço começar a contar a história, você manuseia o boneco como você imaginar que é a cena.
A história era ouvida com atenção, pareciam vivê-la, estar dentro da história e o garoto manuseava a marionete como se fosse ele, como se estivesse enxergando e durante o transcorrer da história não saiu com o boneco uma vez do palco, parecia viver naquele espaço há anos.
O espetáculo terminou e eles fizeram questão de guardar os bonecos com cuidado e atenção, como se estivessem guardando algo precioso, que invadiu seus corações e suas lembranças para sempre. Após terminarem, o garoto deficiente visual me abraçou e falou:
- Palhaço! Como é o nome do boneco da história? Você não falou o nome dele nenhuma vez, apenas falava que ele colecionava folhas.
- Ele não tem nome. Pode ser qualquer um, até você.
- Eu queria que ele tivesse um nome.
- Certo! Então você coloca um nome nele.
- Eu queria que ele tivesse o meu nome.
- Vamos colocar um nome nele. Qual é o seu nome?
- Jesus.
- De hoje em diante, o colecionador de folhas se chamará Jesus.
Agora vamos nos despedir estourando bexigas, que é para dar sorte e a gente voltar aqui mais vezes.
Todos começaram a estourar bexigas numa gritaria de felicidade inexplicável, com seus rostos maquiados, numa cena teatral, sem ensaios e numa atuação perfeita que o espetáculo da vida proporcionou.
Antes de ir embora falei:
- Agora vocês também são atores e podem fazer seus próprios espetáculos, basta deixar a imaginação fluir e a história sairá junto, proporcionando o espetáculo perfeito.
- Vamos, Abelhinha! Chegou a hora de voar, pois hoje a alma está mais leve e pura, carregada de carinho e amor puro.
O palhacinho se despediu tocando o meu rosto, como se estivesse desenhando em um papel, depois tocou o rosto da Abelhinha, sorriu e se despediu.
Saímos daquele lar deixando os atores atuando no palco, e nós éramos apenas telespectadores da vida que acabaram de assistir a um grande e excelente espetáculo, levando como bagagem experiência, ensinamentos e lição de vida, provando que a felicidade está além do que imaginamos.
Obrigado arte! Por mais esse momento mágico.
Um beijo de palhaços.



Zip... Zip... Zip... ZziperR e vestivermelho
VruummmmmmmmZuummmmmmmmm
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quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Roseira e o Formigueiro - por vestivermelho e ZzipperR

Você acha que trabalha demais? Então olhe os pássaros, as abelhas e as formigas.
Essa história poderia acontecer em qualquer cidade do mundo, poderia estar acontecendo na sua cidade, no seu quintal, mas aconteceu em Atibaia, uma cidade no interior de São Paulo.
Nós estudávamos na mesma escola e desde que nos conhecemos, ficávamos sempre juntos, como dois namorados, mas éramos muito crianças para namorar, assim namorávamos escondidos na praça.
Certo dia, nós chegamos à praça correndo até o banco. Esse dia não sai da minha memória... Ela estava com seu vestidinho branco, eu sentei no banco e ela deitou, acomodando a sua cabeça em minha perna. Eu ainda a amo.
Eu falava de super-heróis e ela ouvia, com atenção, as histórias lindas do super-herói Ziperman; assim ela flutuava nas histórias, sempre acrescentando emoções vindas do inconsciente e inesperado, que fluía do imaginário dela; até o momento em que ela começou a falar das rosas, comentando sobre os diferentes tons e cores. De repente ela levantou e falou:
- As formigas estão destruindo as roseiras.
Levantamos e fomos investigar de perto e eu falei:
- Calma, Indiana! As formigas não iriam destruir as roseiras. Vamos segui-las. Como elas são inteligentes, umas cortam e as outras recolhem carregando num sincronismo organizado e, por onde elas passam, fica marcado o caminho como uma trilha e todas passam dividindo esse caminho num só objetivo, a continuidade da espécie.
- Nós também marcamos o nosso caminho, caminhando lentamente em nossos passos, mas sempre disputando os espaços e às vezes até tirando pessoas do nosso caminho. Nós temos muito a aprender com as formigas.
- Vem, Índio! Olha uma enorme fila.
Ela apontou para aquela trilha de formigas enfileiradas. Deitamos olhando as formigas de perto e Indiana falou:
- Olha, Índio! Elas estão carregando folhas, flores e galhinhos, subindo e descendo caminhando juntas, uma atrás da outra. Aiaiaiaiai! Uma me mordeu.
Não conseguimos ver o final da trilha, somente o começo. A roseira era linda, carregada de folhas verdinhas e rosas de um vermelho forte.
- O que vamos fazer, Índio? Matá-las? Desviar a trilha para outro lado?
Indiana ficou esperando a resposta dele e observando o que ele ia fazer.
Índio pegou na grande folha que uma formiga estava carregando e levantou.
Incrível! Ela não solta a folha. Colocou-a na palma da mão e ela continuou com a folha, entregue ao destino e focada na sua função dentro do formigueiro, pois o grupo necessita do empenho de cada uma para sobreviver.
Ela caminha na minha mão, como eu caminho na mão da vida. Eu agacho e mostro para Indiana a linda formiga saúva, vermelha como fogo e com uma força surpreendente, tão surpreendente que destrói a roseira, que não se importa de oferecer a elas as suas folhas, parece até que vivem uma para a outra num círculo da vida.
Indiana pega a formiga da minha mão com cuidado para não machucar e coloca de novo na trilha com tanto carinho que a formiga parece agradecer e continua caminhando rumo ao seu destino, que é o buraco do formigueiro.
Nós corremos e ficamos admirados com os tamanhos das folhas que elas carregam e levam para dentro do buraco. Dava até vontade de ajudar e ali ficamos horas na companhia delas.
A noite chegou e as formigas continuavam trabalhando sem parar um momento, então decidimos ir embora e voltar no outro dia para ver de novo.
Ao chegar, no dia seguinte, nós tivemos uma surpresa: o formigueiro estava doido, parecia estar em festa e a praça estava forrada de formigas
Do buraco saíam grandes formigas com uma bunda imensa, que batiam suas asas fazendo um barulho lindo e depois levantavam voo sumindo no céu em busca de um destino indefinido, entregues à sorte, para em outro lugar dar origem a um novo formigueiro e nós curtíamos cada decolagem das formigas com emoção, desejando sorte a elas.
Os dias passaram e voltamos à praça. Eu sentei no banco como era de costume e Indiana deitou com a cabeça apoiada na minha perna. Enquanto eu contava uma história, ela falou:
- A roseira está cheia de folhas novamente, esperando as formigas, como se nada tivesse acontecido e nós também continuamos no nosso banco da praça namorando, esperando as flores que, com certeza, a roseira vai dar para nós, enfeitando o nosso amor.
- Olha, Índio! Já tem botões de rosa.
- Elas serão vermelhinhas, perfumadas e cheias de amor, igual a você.
Assim, Indiana e Índio continuaram na praça. Índio contando histórias e ela deitada com a cabeça apoiada em sua perna, sonhando com as histórias dele até hoje.



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