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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Revolução! A Alma Armada... - por Vagner Heleno

seremos porosos edemas
sulfúricos ácidos colíricos
enfisemas pulmonares agudos
dores em todos estágios letais

viera a nós vossos contos lúgubres
e nossa resposta é um não, jamais
foste câncer por demais impune
a nossa cura, a contra doença
a nossa busca, a impune idade
a juventude será a erma paz

seremos cólera sem algemas
sonoros poemas a te cepar
tuas audiências públicas não serão
em nós tua trapaça não chegará

a torre cai em nossas mãos
somos futuro, o embrulho terás
a úlcera somos, ó santa cidade
tua forma se deformará

nosso ódio é amor fortuito
se não pela sã forma, pela dor
assim o seja, o aprenderá



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sábado, 18 de abril de 2009

Jesus Cristo Breve Cairá... - por Vagner Heleno

junto com cristo volta o seu negativo
a mesma chance imodesta do crime
é a testa virgem de completo perdão

o filho do homem é uma arma potente
ao nascer ou poente, flagela sem par
porém dum inocente deslize o faz vingador
e seu sangue colhido em terra será drenado

nesses dois caminhos tão unos trilhará
o filho do breu ou do lume, da casta ou da besta
na testa o insumo do ódio, o suco do consumo
o soco estampado, a metralhadora apontada

creio relutante seu incline criativo
do que mais criador seu pai lhe concedeu
sua dor e tortura foram incompreendidos
furtados, logrados e ainda assim, vendidos
a fé na sua lança fatal é tão maior que seu vestígio

o duplipensar crístico é íntimo demais
são duas sortes em um só fascínio
judas é a chave, a sua escolha…
perdoarás o “falso amigo”?



mundo tolo e contradito,
tão firme de suas perícias
porém tão fraco e fácil
é opulento e homicida
cai no conto do vigário
tão frágil quanto imbecil
tem orgulho e vaidade em demasia
cria fantasmas, cria vazios espasmos
e até as fantasias para irrealizar
tem gula, preguiça e avareza

continuem assim… e continuem
“Senhor, tende piedade de nós…”
mas, poxa, tá difícil desde então
mais fácil virá cristo em “cramunhão”
pois espelho o é de seus fiéis
e que bela reflexão…
somos cheios de vícios
e nos deitamos por vínculo à mundanização



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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amargarás o Teu Futuro Passado - por Vagner Heleno

nossa chibata falará mais alto que o grito de todos os povos
estes já ensurdecidos pelo próprio grito de pavor e segredo
nossos açoites serão tão largos como fendas na terra
nossa dor tão doída que nem a última gota cairá
a firme certeza que teremos é que a morte tardará a chegar

é pecado morrer, é proibido amar, falar, pensar, escrever, divagar
nossa miséria é fundida entre a fuligem de nossos ossos
e a memória irreacionária de nosso passado incrédulo
crêreis somente na vã filosofia do outono-inverno
crêreis somente que o futuro é premissa de melhora
afora discorro entre os becos, a fim de chorar
mas colho infortuito perigo, meu choro é inimigo
o estado não o quer!



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terça-feira, 17 de março de 2009

Meias Verdades, Grandes Mentiras - por Vagner Heleno

das verdades defendidas
nenhuma quiçá maior será
que a fé do homem de bem
que desconhece suas feridas

amplos louvores sob a ditatura
a ditadura da certeza
da cegueira oriunda da fé
na fé de ter certeza

não farás falsa propaganda
não duvidarás de seu credor
mas todos ao altar, quaisquer altar,
são agiotas em nome do senhor

bentido é o fruto de nosso lucro, jesus
benrico sois vós entre as vedetes
bentido é o pouco ao nosso muito, jesus
benrico sois vós entre as vedetes

armados de línguas afiadas
de bravos rugidos de leão
vão desdobrando, cruéis,
e armando de vácuo a razão

patrão nosso que estás no papel
bonificado é o teu nome
venha a nós o teu dinheiro
seja feita tua iniqüidade
assim nas telas como nos créus

o dízimo nosso de cada dia, nos dai hoje
perdoai as nossas diferenças
na mansão é que nós estamos
e você aí sem abrigo
não nos deixeis sem teu último tostão
mas se quisermos mais
me dêem...


Mais poesias em... Vagner Heleno
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Vento e Água - por Vagner Heleno

ao fogo que consome para arder
eu sou água, para acalmar a dor
e se o fogo consome com razão
eu sou vento, para trazer torpor

e se o fogo insiste em se espalhar
varro o campo ao redor da labareda
e rego a relva seca com suor e labor
e sopro as cinzas para que ninguém as veja

d’água o húmus da natureza,
nascer o mato
da queda d’árvore da macieira
brotar do fruto
da flor do coito em serenata
de abelhas
encontrar no ventre da boca
o falo profundo

do vento enunciando a chuva imodesta
o temporal
do uivo da minha voz afirmar o meu estar
a bonança
nem virar o mundo, mas contorná-lo
mar a mar
carregando o suspiro das folhas a farfalhar
em brisa me retiro, sou como um menino
na folia de ser e estar


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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Bem na Hora... - por Vagner Heleno

aonde for, irão junto meus pensamentos
ora, se já és a dona de minhas razões
por que não dos meus pensares e zelos
se meus dias ao longo das horas prezam
por estar zombando da minha tristeza
estando ao teu lado, mesmo que em pensamentos
já era tempo, bem lembrado…
de me encontrar nessa vida
tão arredio que estava, tão sozinho e sem norte
me aparece você, com seus fios dourados
e suas palavras doces de menina-moça,
suas caras e bocas,
tudo alegra meus dias e minhas horas passam
macias e totalmente suas horas
és agora… senhora do meu sorriso
e dentre todas as coisas que encontro em meus passos
estou certo…
foste o acerto divino mais do que preciso
.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ame o Próximo Como a Ti Mesmo - por Vagner Heleno

aos que sofrem, aos que precisam de nós

há uma forma de confissão
a predileta dos mártires
dos que estendem a mão

sem padre, sem repetido jargão
que é o arrependimento do fraco
que é o mais fácil para a razão

hoje e sempre,
há sempre muita dor por aí
e são chances de ficar em paz
a verdadeira luz de quem faz
é estar presente lá, ou aqui

há quem deseje a luz e a pureza
a quem quer que esteja aí
faça, façamos algo pelo amor
pelo amor de deus, faça
façamos algo por itajaí
pelas viúvas de blumenau
pelos órfãos de lá

nem fome, nem frio irão lhes faltar
falta é o aperto de mão, o abraço
carecem de nós, olhos de deus
de um afago de irmão, de um alento

nem lama, sem casa, não lhes faltam chorar
lhes falta um sorriso que os abrigue
um bocado de humanidade e de calor
alguma refeição pra alma, não o pão

um carinho sem olhar a documentação
sem imposto, nem olerite,
sem o crédito cartão, sem frescuras
eles só querem o que todos querem
aquilo tão sonhado, lido e repetido
pouco feito, mas muito teorizado
aquela ajuda, aquele abraço
aquela tal de boa-ação

“eu vou, por que não?”
.