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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Minha Alma

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Minha Alma - por Ana

Minha alma… Era clara, feliz, saltitante, sorridente. Curiosa, muito curiosa e tagarela. De tão leve, quase saía de mim e me deixava só. De tão leve, invejava os vapores da chaleira todas as vezes. A primeira vez que experimentei a nostalgia foi por causa dela. Fomos - minha alma e eu - à praia; lá, eu me afoguei e ela voou por sobre o mar e os morros e a areia; para sua infelicidade, fui salva e eu e todos ouvimos sua voz: “Por que me fizeram voltar?”. Ela trouxe para mim então sentimentos desconhecidos: saudade, frustração e a consciência de um corpo habitado.
Assim era minha alma, ela que é alguém dentro de mim, diferente do que sou, diferente do que sinto. Minha alma é grandiosa, benevolente, compreensiva, flexível, se move como um fantasma de desenho animado e fala com a certeza dos presidentes. Minha alma é uma aranha sobre as águas do mundo: não molha os pés nem se afoga. Minha alma e eu não somos um ser único porque ninguém é um com sua alma.
Ninguém ama sua alma: quem a vislumbra, se apaixona, morre por ela. Vive mil anos e não a conhece, enquanto ela o escolhe antes de nascer e rola de rir de seus passinhos indecisos, de seu dedo na tomada, admira suas coragens de infância, protege dos perigos mais sérios e, um belo dia, se apresenta a você de alguma forma. Felizes são os que a reconhecem, pois saberão para sempre que têm dentro de si um universo indestrutível, infalível, eterno de possibilidades, com a sabedoria das leis da natureza e a liberdade que ninguém jamais experimentou.
A alma é sonho vivo, é outra dimensão, é tranqüilidade em movimento, é força sem tensão. A alma é a vida que não possuímos em nossas mãos, é o princípio… e fim.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Alma em Pé! - por Adhemar

Se todos os dias fossem como hoje…
É que saí de mim.
Fui me contemplar,
mais que à distância
e ver se me enxergo na ótica real.
Vejo-me pelado,
completamente nu!
E bem assentado
no vaso sanitário,
tendo entre as mãos
um livro imaginário.
Cara de otário,
lerdo, espinhento,
sim, minha matéria
chega a fazer dó;
viro-me ao espelho,
alma,
me contemplo em pé.
Cabelos alinhados,
esbelto, elegante,
ar safado e belo,
magro e bom de bola,
poeta de mão cheia,
amado e bom de tudo!
Isso não bastasse,
um sorriso lindo…

Mas olho para mim,
tranqüilo, ainda sentado,
ar apalermado
e eu me pergunto:
entre esses “eus” dois,
qual é o mais humano?
E volto pra matéria,
o gordo está dormindo…




Visitem Adhemar
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Minha Alma - por Adir Vieira

Minha alma, cheia de você,
vê em tudo motivo de sorrir.

Minha alma, vazia de você,
se irrita, se enerva, se dilacera em questões sem solução.

Como pode minha alma lúcida, firme, racional,
depender de você, de suas essências, de suas verdades,
se é ela, minha alma, quem decide apreender ou expulsar o que você lhe concede?

Como pode minha alma, à mercê dos seus encantos,
traçar meus caminhos na alegria do ser?
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Minha Alma - por Alba Vieira

A minha é branca. Foi uma desconhecida para mim por muitos anos.
Na infância não tinha dela consciência, embora dominasse meus dias. Sim, porque quando bebê - dizia minha mãe - eu era tão quieta sempre que ela repetidas vezes mexia comigo no berço para saber se eu estava viva. Menina ainda, era muito esquisita e diferente das outras, tendo como brincadeira favorita ficar horas e horas no balanço de casa sozinha cantando ou estirada no sofá da varanda quieta sonhando. Assim, antes dos 6 anos, quando entrei para a escola, éramos eu e ela somente e eu vivia obedecendo ao seu comando. Aí, ao entrar em contato com o mundo - no meu caso se restringia ao colégio - nos afastamos. Acho que passei a viver por minha conta e então me danei. Foram anos difíceis, precisava enfrentar os dias sem sua ajuda, era insegura, medrosa e meus olhos tremiam diante de qualquer pessoa.
Na adolescência foi pior ainda, eu me achava feia e sem-graça, talvez como a maioria das garotas se sentem neste período. Seguia as regras, embora, por dentro, desejasse subvertê-las; era a tal da minha alma querendo retomar o contato comigo e eu nem me tocava.
Então aconteceu o pior: eu fui seduzida pelo mundo, gostei dos desafios, me empenhei e, na visão corrente, venci. E logo nem sabia mais quem realmente era. Passei a viver em função das expectativas do externo, que sempre me aprovava e queria mais no âmbito profissional, nos estudos, nas relações; maior ainda o distanciamento dela ficou. Vez por outra minha pobre alma se insinuava para mim naqueles momentos em que nos sentimos confusos com o turbilhão dos dias, então me sentia diferente, era bem estranho e convidativo, mas a sensação passava logo.
Até que, felizmente, a maturidade chegou e me tirou a venda dos olhos. Enxerguei como todas aquelas realizações e a própria rotina eram pobres, como era efêmero o contentamento. As dores das perdas que se sucederam, seja na vida profissional, familiar ou nas amizades, me jogaram num novo estado de ser. Fiquei, de repente, cara a cara com ela, a alma. Afastadas por tanto tempo, éramos, de certa forma, desconhecidas, mas não precisei tentar me aproximar dela, sua luz e grandiosidade se estenderam para mim naturalmente. Foi instantâneo o reconhecimento e, desde então, somos uma só. Posso, quase sempre, senti-la comigo, intuir a sua força e expressar o seu amor sempre que consigo escapar do hábito que ainda conservo de tomar a frente, tolinha, quando ainda me mostro controladora, insegura, medrosa, voluntariosa... Espero o dia feliz em que possa ceder e deixar que ela reine absoluta nesta vida, para que finalmente eu consiga apenas ser. Sem fazer, sem querer, sem esperar... só confiar.
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