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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mergulhos de Inverno - por Jair Antônio Pauletto

Com a chegada do frio, também retornam velhas alternativas de lazer. Algumas, inclusive, muito simples, como a de comer bergamota na praça lagarteando ao sol. E para os que preferem opções um pouco mais elaboradas, uma visita aos campos de cima da serra é uma boa alternativa, já que as tradicionais cidades da serra são bastante conhecidas. Essas são apenas algumas sugestões para que o inverno possa ser saboreado com muito prazer e alegria. Mas, independente do lugar que escolhemos estar, o inverno pode ser desfrutado com todas suas vantagens e implicações, o importante é perceber que a vida é bela e as estações são únicas, que o momento de aproveitar é agora.
Numa dessas visitas à serra, um fato interessante me inspirou o tema de hoje. Trata-se de uma brincadeira das crianças que, diante do mirante de um lindo vale, começaram a brincar de eco, ou seja, gritavam a toda a goela para, em alguns segundos, ouvir novamente o som mais ou menos claro da palavra gritada: o tal eco. Bom! Isso me fez lembrar que a natureza, constantemente, através de suas leis, nos dá demonstrações claras de como ela funciona, que o mundo em que vivemos é um lugar que faz eco.
Se emitirmos sentimentos de raiva, volta raiva, se espalhamos amor, volta amor, uma lei perfeitamente natural e facilmente comprovada. É bem possível que muitos de nós já tenhamos experimentado essa lei em relação a algum acontecimento na vida. Uma lei que é infalível, ou seja, tudo o que se faz volta, tudo o que se planta se colhe e assim por diante, essas são as diferentes interpretações da mesma lei.
Então, assim como o inverno é agora, temos que aproveitar esse momento para curtimos todas as suas delícias e especialmente aproveitar para nos aproximar dos amigos, familiares e de todos os que nos fazem bem. O inverno é uma estação de aconchego e parece chamar para essa ação. Nada mais apropriado que seguir esse chamado, estreitar laços, aquecer as relações com as pessoas, espalhando amor, alegria e fraternidade. Mas não espere que outros tomem a iniciativa, seja pró-ativo e faça o primeiro gesto de aproximação, mesmo que algum sentimento inadequado ainda esteja um pouco enraizado. Faça um gesto de aproximação e espalhe calor humano, solidariedade, afinal, o amor não é exigente, ele simplesmente existe para voar, para se libertar, para crescer entre as pessoas.
Aliás, nessas questões de reaproximação, de reconstrução de laços, um grande inimigo interno é o ego: ele nos induz a uma falsa sabedoria, nos oferece inúmeros argumentos e sólidas razões para evitarmos a aproximação e um dos seus truques preferidos é nos fazer perceber que o brigar, o resmungar e ser desagradável não tem o menor sentido, mas justifica-se pelo alterado estado emocional do momento. Tudo isso para nos fazer parecer sábios e nos eximir da responsabilidade, que é um grande engano, pois todos se tornam sábios quando o momento se foi, porém, isso de nada vale, pois ser sábio é ter consciência dos atos no exato momento que ocorrem. Não tem o mesmo valor entender o que aconteceu após o ocorrido, muito menos é sabedoria. Uma vez que sabedoria é ter a consciência presente o tempo todo, para que quando o fato estiver acontecendo se possa perceber que o que estamos fazendo é inútil.
Desta forma, com a consciência presente, podemos perceber claramente que o outro nunca é o responsável por coisa alguma. O problema sempre é algo que está fervendo dentro de nós, que não conseguimos identificar, apenas não temos consciência. Quando temos consciência não agimos com raiva, ressentimento ou mágoa, pois isso vai contra a própria consciência.
É claro que jogamos nossos disparates contra as pessoas que amamos, até porque elas estão mais próximas e não dá para fazer isso com um estranho, um alguém que está passando pela rua, seríamos tratados como tolos quando, na verdade, estamos sendo insanos ou no mínimo incoerentes em maltratar quem nos ama. Uma das formas de tomar consciência deste tipo de atitude e principalmente de culpar os outros pelos nossos problemas é mantermo-nos conscientes permanentemente, de modo que sempre que encontrarmos algo de errado no outro nos lembremos do nosso próprio estado de consciência.
É, o inverno é uma estação que exige posicionamento, aliás, não conheço ninguém que goste mais ou menos do inverno. Todos têm posição: ou gostam ou não gostam, assim como o verão, são estações bem definidas na cabeça das pessoas. O inverno tem uma característica peculiar que é o chamado ao recolhimento, à intimidade, ao aconchego, ao mergulho interno e à introspecção. Talvez não seja somente a brincadeira das crianças, mas também os dias frios que me fazem trazer toda essa reflexão. Seja como for, o certo é que não podemos esquecer que o outro nunca é o responsável por nossos problemas; que um gesto de aproximação faz bem em qualquer estação e que o mundo é um lugar que faz eco. No entanto, não há nada que não possa ser superado com amor este sentimento poderoso, porém frágil. Boa semana.



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sexta-feira, 6 de março de 2009

Inverno - por Ana

O inverno está lá fora,
mas está dentro o inverno,
minha alma não floresce,
sofro de um frio interno.

Um frio de estar só,
sem ninguém pra conversar,
sem corpo pra aquecer,
sem olhos para o olhar.

Minha mesa, só um prato,
só uma poltrona na sala,
um talher de cada tipo,
na casa nenhuma fala.

Em silêncio vivo os dias,
às vezes, sem pensamentos...
Com o que preencher o vazio,
se não há acontecimentos?

Ninguém vem, ninguém me liga,
não saio pra nada mais,
acho que não como há dias,
não durmo, não tenho paz.

Sinceramente, me digo,
não sei o que faço aqui...
A porta, sempre fechada,
me sussurra que morri.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Inverno

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em comentários, que nós postaremos.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Inverno é uma Boa Pedida - por Luiz de Almeida Neto

Inverno é bom
de frente pra fogueira
com uma dose de rum.

Seria conhaque
não fosse meu gosto,
mas tem coisas que não podem faltar.

O calor humano
O aconchego dos corpos
Pra aguentar o frio de nossas almas
O calor de palavras dóceis
Pra acalorar o gélido pavor
dos temores da vida.

A quentura de um abraço carinhoso
Pra lembrar que sempre há um canto
quentinho
pra passar a chuva
Uma esfregadinha entre as mãos
entrelaçando-as
pra saber que sempre tem uma casa
Protegida da neve constante
que cai lá fora

E a gente ainda pode arranjar
um cobertor bem quentinho,
esquentar os pezinhos,
tudo bem juntinho.
E esperar que a frieza em geral passe
conservando o calor do nosso carinho
chamando por apelidos
arengando sem dizer nada com nada
até que a sobriedade indiferente
se extinga
se esvaia
num copo de rum
na loucura do nosso calor
que esquenta o mundo
de cada um.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Mulher do Parque (Siqueira Campos) - por Vicenzo Raphaello

Lá estava ela
encolhida
rígida
no meio do parque
sob um abrigo
que não abrigava

Gente em volta
do rígido corpo

Morreu bebendo
pra matar o frio
que matou a ela

Morreu sozinha
num lugar bacana
de carros bacanas
de gente bacana
em prédios bacanas

Num mundo sacana
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Inverno - por Therezinha

Sentada no jardim de minha casa olhava o céu. Nuvens escuras manchavam o firmamento, cobrindo com seu negro manto nuvens brancas que pouco a pouco se apagavam. O vento soprava, movimentando as folhas das árvores, despetalando as mais belas rosas, e cada pétala que caía era como uma lágrima que a roseira derramava, lágrima de dor e de saudade. A dor de perder o seu encanto, a saudade da primavera querida onde as flores vicejam com graça e magia, a primavera que há muito já se foi cedendo lugar ao verão. Agora é o inverno que chega, o reinado das chuvas, dos ventos, do frio… A natureza é triste, vazia, sombria. Os pássaros não procuram mais os galhos protetores e acolhedores de uma árvore para fazer os seus ninhos. As flores já não vicejam, as plantas já não sentem o fulgor de um raio de sol que brilha no horizonte vindo, de momento a momento, acariciar as suas flores, as suas folhas e o seu caule. Tudo é frio, tudo é solidão. As crianças não mais passeiam pelas praças brincando, pulando, ouvindo o cantar mavioso dos pássaros, admirando a beleza das flores, espalhando alegria por onde passam. Nem ao menos este consolo resta às plantas: a alegria de sentir a presença das crianças, que são a primavera da vida, enquanto reina, na natureza, o triste e doloroso inverno!
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