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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Soneto da Terceira Idade - por Gio

(Paródia de “Soneto de Fidelidade”, de Vinicius de Moraes)


De tudo, a um ancestral serei atento
Antes de mim aqui veio, portanto
E com ele, eu me pareço tanto
Que confundiu, nublou teu pensamento

Talvez só seja “branco” de momento
De quem, com dor, se recosta num canto
De um asilo, e chora seu pranto
(A esclerose é descontentamento)

E assim, mesmo que na mente procure
Ó monolito, que há eras sobrevive
E hoje está cheio de limo e de lama,

Só possa se lembrar do avô (que tive):
À “imortal”, já a velhice chama
E, pena, esse mal não há quem cure
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Resposta a Do Início Eis o Verso, de Ana.
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Visitem Gio
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Que Dor de Dentes! - por Adir Vieira

Parece até que estou no meu “inferno astral”!
Mas não é o caso, pois aniversario em janeiro!
Ontem passei o dia com uma terrível dor de dentes. Acordei, já de madrugada, com a dor me incomodando. Daí, duas horas da manhã, não consegui dormir mais.
Levantei-me da cama sem coragem de acordar meu marido que dormia o vigésimo sono tranquilo e procurei não fazer barulho, embora minha vontade naquele momento era bater com a cabeça na parede, tamanha a dor que sentia.
Iniciei uma investigação bucal para identificar a causa, já que estava bem, sem qualquer problema nos dias anteriores. O que consegui perceber, com a lente de aumento, foi uma vermelhidão da gengiva na parte que parecia afetada, mas o latejar não melhorava.
Busquei, na farmácia doméstica, produtos de gargarejo e, para minha surpresa, nem a possante “malvona” aliviava o mal.
Tentei de tudo sem sucesso e já irritada e doída, procurei me acalmar e esperar o dia amanhecer para procurar ajuda profissional.
Mais uma vez, sem sucesso: meu dentista estava em férias e “aquele” substituto não atendia às “quartas-feiras”. Recorri à irmã médica que avaliou inflamação e receitou um potente anti-inflamatório.
Desesperada, constato que após a ingestão da terceira cápsula nada sequer melhorou, a dor nem mesmo diminuiu.
Começo a ficar sem paciência e me convenço de que não posso mais esperar, recorro então a indicações que possam me aliviar.
Parece que encontrei uma que suspeita de canal, mas, para minha tristeza, terei que aguardar o efeito do anti-inflamatório.
Uma simples dor de dentes e tanta agonia...
Meu humor está péssimo, minha vida virou do avesso e a dor não me abandona...



Visitem Adir Vieira
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Curvando-me - por Alba Vieira

Parece inútil a espera
Sei que não é
É que devo aprender a aceitar
Resguardar-me da devastação que o orgulho provoca
Devo curvar-me ainda uma vez
Rir do que me tornei e parecia não ser capaz de atingir
Em meio à estranheza
É que me reconheço ainda mais
A inutilidade só existe para os que não enxergam
Permito-me a expansão por mais que as paredes se espessem
Garanto a minha elevação apesar daquilo que me oprime
Tento buscar sentido no que me parece desprovido de qualquer finalidade

Estou acima porque vivo em espírito.



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Convite - por Dan

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Estou convidando o pessoal do Duelos para o lançamento de meu livro “A Casa das Fadas”,
aqui em Sampa, a realizar-se em agosto. Esperando presença que só me dará alegrias.
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O Galanteador Comunista - por Flavio Braga

- Olá, companheira.
- Companheira de quem? De você, barbudo?
- Claro, por que não?
- Mas nem te conheço.
- Meu nome é Lenin Stalin Mao Marx Engels Guevara-Castro, mas pode me chamar de Flavio.
- Você é muito estranho. Você é um daqueles fãs malucos do Los Hermanos, não é?
- Não, meus hermanos são outros. Tem o Chavez, o Morales, Correa, Noriega...
- Quem?
- Não importa. Estou aqui por uma nobre causa.
- E qual seria esta nobre causa?
- Quero que você divida seu latifúndio comigo. É rapidinho, dois minutos, juro.
- O quê? Sabia que tenho namorado, e ele é faixa preta de caratê?
- Poxa, companheira, fala para ele que ele tem que dividir o que ele tem sobrando com os menos afortunados. Abaixo ao monopólio! Viva a ditadura do proletariado!
- Não, o nome dele não é Monopólio, é Valdemar. Um loiro alto, olhos azuis, lindo.
- Yankee!
- Não, é Valdemar.
- Neoliberal estadunidense, sabia.
- Não, ele é de Cascadura, mesmo.
- Bem, isso não importa. Meu papo é com você. Quero te mostrar a força do meu operariado, se é que você me entende.
- Sabia que você é muito insistente?
- Mas temos que ser insistentes para alcançar a revolução, ou o par de peitos mais próximo, tanto faz.
- Você é um grosso, sabia?
- E você é uma pobre vítima do capitalismo selvagem estadunidense, que pode até calar as nossas vozes, mas ele sabe que nunca vai se livrar da revolução, pois a revolução está escondida em cada gueto, em cada lugar onde a injustiça impera, esperando uma chance para se levantar contra o sistema neoliberal...
- Nossa.
- O quê?
- Suas palavras. Foram profundas. Eu acho que vou te dar uma chance.
- Eu sei, aprendi quando passei um tempo em Havana.
- Com Fidel?
- Não, com a companheira Maria Del Barrio, uma moça da vida. Muito profunda. Ou pelo menos algumas partes do corpo dela eram profundas, que seja. Endurecer, sim, perder a ternura, jamais!
- Posso te fazer uma pergunta?
- Uhum.
- Se você é comunista, então significa que você vai me dividir com seus tais companheiros?
- Claro que não. Só se o Partido Comunista da União Soviética me pedir.
- Mas a URSS não existe mais.
- Por isso mesmo. Não quero correr perigo.



Visitem Flavio Braga
Friedrich Engels, Ernesto Che Guevara, Karl Marx.

Acróstico-A - por Gio

Genocídio pelos hospitais
Relatando o que se omitiu.
Impossível a qualquer um que sai
Pensar que é festa, feito réveillon:
Estamos rumando para uma pandemia



Visitem Gio
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Bruna Lombardi “Sei de Cor” - Citada por Penélope Charmosa

Eu sei de cor o seu nome
de cor o seu passaporte
o seu ponto de partida
o seu ponto de encontro
nossos encontros na areia
sei de cor suas veias
suas coisas íntimas
suas roupas íntimas
as cores de sua alma
eu sei de cor seus demônios
a dança de suas bruxas
eu sei de cor as lutas
de você consigo mesmo
frente ao espelho do banheiro
eu sei de cor o seu cheiro
as paixões que o escondem
o ódio que o ameaça
suas fugas, suas dores
eu sei de cor seus humores
eu conheço a sua raça.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Mulher-Melancia - por Fatinha

Querido Brógui:

Fiel e sempre firme na minha proposta pró-imbecilização, li no cabeleireiro a notícia importantíssima que a Mulher-Melancia irá se lançar em carreira-solo cantando funk melody.
Uma notícia tão profunda me suscitou uma seriíssima dúvida: quem diabos é a Mulher-Melancia?
Perguntei ao meu cabeleireiro, cuja maior qualidade é não dirigir a palavra à minha pessoa a menos que assim eu solicite. Ele respondeu, laconicamente como sempre: “É a dançarina do MC Créu.”
Pouco esclarecedor. Perguntei quem diabos era MC Créu. Ele me lançou um olhar incrédulo, com uma pontinha de piedade pela minha ignorância e devolveu a pergunta: “Não sabe quem é o MC Créu?”
Humildemente respondi que não, não tinha a menor ideia de quem era tão ilustre figura.
Ele desligou o secador, talvez por perceber que a situação era grave, merecedora de uma pausa nos puxões de cabelo. “É aquele que canta a música do créu.” Ficou me olhando fixamente, procurando perceber se a ligação tinha sido completada. Nada. Fora da área de cobertura ou desligado.
“Aquela música… daquela coreografia…” Nada. Nenhuma reação. Ele desistiu e ligou o secador de novo.
Não me dei por vencida. Perguntei porque a tal da dançarina tinha o tão charmoso codinome de Mulher-Melancia. “Por causa do tamanho da bunda dela…” Isso eu entendi direitinho. Fiquei imaginando como seria uma bunda com o tamanho e a forma de uma melancia e fiquei impressionada só em pensar. Deu até vontade de aplaudir. É, a moça tem lá seu talento.
Decidida a não levantar daquela cadeira enquanto todas as minhas dúvidas não fossem esclarecidas, perguntei o que diabo era funk melody. “Uma mistura de funk com charm.” Mais uma vez fiz aquela cara de fora da área de cobertura ou desligado. O pobre moço fingiu que não viu, nem tentou explicar. Fez bem. Não há como dar tal explicação.
Rapidamente, vendo que ele estava acabando de espichar a última mechinha do meu cabelinho, perguntei rapidamente se a Mulher-Melancia sabia cantar. Ironicamente ele disse: “Com aquela bunda é preciso saber cantar?” Não, não precisa, ela já mostrou a que veio nas páginas de uma revista masculina. Não precisa cantar mesmo.
E eu aqui, com duas graduações, batendo no fundo da lata pra ver se cai algum trocadinho… Deveria ter investido em outro atributo natural que não minha inteligência.



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As Nossas Palavras XXIII

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Wordle: As Nossas Palavras XXIII
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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Provérbio Italiano em As Nossas Palavras XXII - Enviado por Adhemar

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Da felicidade ao sofrimento é somente um passo; do sofrimento para a felicidade parece demorar uma eternidade.



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Uns Voltam, Outros Não - por Gio

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I.

Eu podia te responder ponto a ponto
Mas seria desperdício de tempo
Retrucar, dessa vez, eu nem tento
O porquê disso agora eu conto:

Nas suas falas, falta coerência
Nas respostas, falta ser modesta
Argumentos, falta algum que preste
Falta pouco para a sua decadência

O álcool p’ra curar tuas feridas
Louca, bebeste de sopetão
Agora, só vê alucinação
Do senso do real está perdida

E pensa que está sólida e sã
E que o Monge já implora piedade
Quando (Quem diria?) na verdade
Estás pior que a mais podre das maçãs

Eriçada, hesitante, embriagada
Insolente, isolada, irriquieta
Desfiada, desmoronada, decrépita
Mequetrefe, mentalmente afetada

Já cansei do seu poço de vaidade
Seu discurso irreal me dá azia
Quando deixares o mundo da fantasia
Estarei pronto pr’um duelo de verdade!


II.

Quanto ao nosso duelo ao vivo
Não posso deixar de comentar
O que passou sobre este meu olhar:
O desfile do seu ego tão altivo

Nem da sina, nem do Céu ou do destino
Do humor, do amor ou coração
Eureca! Cheguei a uma conclusão
Sua ironia vem do desatino

Se não é ironia, é delírio
O que disseste não faz nenhum sentido
Num Duelo nobre como prometido
Transformaste calúnias em um martírio

Disseste que pedi para parar
O Duelo, mas quem foi que mencionou
Isso quando a torcida se mandou?
Por favor, não me faça gargalhar!

Vejo, deve ter sido só um lapso
Pois eu, mesmo com fome, já dizia
Que, se preciso, eternamente lutaria
Era você que estava à beira de um colapso

Sem contar os momentos incontáveis
Que, sem verso pra se defender,
Tentaste em vão me botar para correr
E falhaste nos teus planos miseráveis

E continuas apanhando e não sentindo
Como fosse martelada feito prego
Embriagada e cega pelo próprio ego
Nessa hora, qualquer toque é bem-vindo

E o meu, eu deixo aqui na amizade:
Isso aqui não é filme de briga de rua
Então embarque no foguete, volte da Lua
Vê se desperta, antes que seja tarde!
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Resposta a De Goleada, de Ana.
Referência ao Duelochat entre Gio e Ana.
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Visitem Gio
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Do Início Eis o Verso - por Ana

Lá no início dos tempos
Houve o primeiro contato
Entre o Poder do Universo
E um bicho esquisitaço.

O Poder chegou à Terra
Trazendo a evolução
Pr’uma raça preguiçosa
Que vivia a fuçar o chão

E perdia pros seus predadores,
Tava sempre na carreira,
Se alimentava de sobras...
A vida era uma doideira!

Se alimentava também
Dos seus próprios carrapatos,
Que infestavam seus pelos.
Gente! Que troço mais chato!


Então o Poder chegou
De forma muito especial,
Em aparição repentina
Pro grupo muito animal.

As feras, assim que O viram,
Se afastaram, estupefatas,
Mas uma delas, mais afoita,
Resolveu tocá-Lo com a pata.

Então dentro dela ocorreu
Uma enorme transformação
Que mudou a sua história:
Foi o momento da evolução!

Que foi imortalizado
Por versos codificados
Que agora, neste momento,
Estão aqui revelados:


No meio do caminho do Gio havia um monolito
havia um monolito no meio do caminho do Gio
havia um monolito
no meio do caminho do Gio havia um monolito.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida desta espécie tão atrasada.
Nunca me esquecerei que no meio da evolução do Gio
havia um monolito. Pensando bem...
havia um monolito no início da evolução do Gio.


E sei que diante disso
O Gio, ainda meio tonto,
Lembra do acontecido,
Mas reconhece, de pronto:

“Agora tudo está claro!
Como a gente se engana!
Sou um ser abençoado!
O monolito, meu Deus, é a Ana!”

Sim, Gio, agora posso
Revelar minha missão.
Retornei ao seu caminho
E digo, eu própria, então:

No início da sua evolução, Gio, havia EU, O MONOLITO.


E o evento foi filmado
Por cineasta amigo meu.
Graças à sua presença,
O momento não se perdeu.

E nesta hora sagrada
Vou com vocês dividir
Como foi que aconteceu
Do Gio evoluir.

Apresento, portanto, a vocês
O vídeo-revelação,
“A Evolução do Gio”,
Agora, em primeira mão:
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Resposta a No Meio do Duelo... (II), de Gio.
Paródia de “No Meio do Caminho”, de Carlos Drummond de Andrade.
Referências: Sempre Alguém se EngAna, de Gio;
O Bicho”, de Manuel Bandeira;
filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.
Stanley Kubrick

Florbela Espanca “A Um Moribundo” - por Alba Vieira

Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono…

A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono…

O que há depois? Depois?… O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?

Que importa? Que te importa, ó moribundo?
– Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor do que esta vida!…
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Ainda em Tempo III - por Gio

A Guerreira do Cangaço, terra quente
Aquela mesma que se julga tão valente
E lutaria sozinha com todo o povo
Quer chamar a Escrevinha de novo...

Pare de cacarejar feito galinha
(Que foi? Agora não se garante sozinha?)
Deixa de lado as ameaças e o alarde
E me enfrente, como mulher de verdade.



Resposta a De Goleada, de Ana.
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Visitem Gio
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Dos Grilhões Invisíveis: o Homem e Seus Simbolismos - por Leandro M. de Oliveira

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O processo de adestramento do homem enquanto espírito livre se cristaliza nas formas mais difusas, entretanto é inegável a importância de um dos métodos utilizados na milenar arte de agrilhoar o ser em flagelos invisíveis. Na sociedade ocidental herdeira direta dos valores romano-cristãos e em princípio formatada a partir deles, incide de forma capital a ideia advinda do argumento teológico, hoje já um imperativo no arcabouço de crenças da nossa tradição onde o homem se vê projetado na figura do próprio “Deus”, uma vez que foi concebido à sua imagem e semelhança. O aceite dessa condição leva o indivíduo a uma perigosa jornada transnatural, fazendo-o interagir em um mundo alheio ao seu. Em primeira análise poderia isso ser de grande valia, pois o homem mediano, o decadente que habita em nós consegue se aprazer em seu instante particular de meditação onde contempla essa origem divina, mais que isso, essa cristalização do macrocosmo em microcosmo. Todavia, é mister observar que o êxtase proporcionado por esse breve momento é quebrado tão logo se restitui o senso comum, e o homem ou se vê impotente ou se vê em uma espécie de exílio não voluntário, e por esse igualmente oprimido. A ideia de deidificação do homem o faz perder contato com sua essência humana, assim ele permanece estranho a si mesmo, e a fé que deveria edificar uma sociedade justa, um resgate da verdade de ser belo por ser imperfeito, já não se encontra mais disponível, uma vez que fora alienada na busca ininterrupta daquela medida de perfeição a que teríamos direito de acordo com essa gênese criacional ofertada a nós pela tradição. O que se pretende dizer com isso, em linhas gerais, é que a perda da identidade humano-temporal para uma identidade humano-atemporal (seguindo-se o raciocínio da busca de uma equivalência entre homem e Deus), afasta o indivíduo do prazer das coisas simples, do sentido de fraternidade e bem coletivo que só pode ser restaurado quando o homem voltar-se integralmente a si mesmo e não mais a metas inalcançáveis de perfeição. Revisitando a visão Grega, nota-se que o indivíduo era a polis e a polis era o indivíduo, e assim confundido com a coletividade o homem se via imediatamente livre e universal, diferente dessa realidade cotidiana onde o ser se coloca individual necessitando deliberadamente de símbolos que justifiquem a sua condição. O fim da cidade Grega representa com efeito, na nossa tradição, o momento de ruptura, o início da tragédia de existir. Esse é o momento onde sociedade, cultura, o eu e o espírito operam-se na criatura humana como peças separadas de um quebra-cabeças, muitas vezes antagônicas e estranhas umas as outras. Talvez por força desse dilema, a humanidade desconstruída venha buscar alento na quimera da perfeição divina e da missão de alcançá-la a qualquer custo. Daí surgem inúmeras manifestações como a criação do mártir e a moral do vencido, tão típicas da decadência desses tempos. Todavia, minha fé reside na crença de que apenas o amor entre homens (concreto) e não só em Deus (abstrato), é o que pode restituir a essência desse perdido sonho trazendo de volta ao âmago humano a perfeição que hoje se vê alienada no “divino”, despertando a consciência adormecida e tirando-nos de uma vez por todas dessa existência medíocre.



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Bruna Lombardi e “Corisco” - Citada por Penélope Charmosa

Vem pra cá cavalo doido
que eu vou te beber todo
atravessa esse meu fogo
te arremessa nesse jogo
de cabeça.
Que cresça a tua vontade
que seja feita a tua vaidade
nessa terra de homens e mistério.
te quero
na relva molhada
me quero ver derrubada
me transpassa
a arco e flecha
lança e mordaça.
Te fecha a trinco.
Te tranca
barra a passagem. Espanta
a última solidão que te ameaça
- que o ritual comece –
(ah se eu fosse se eu pudesse)
que esse tal de amor se faça.
Vem pra cá cavalo doido
que eu vou te fazer a festa
que eu vou conhecer a tua raça.
Cigano. Mestiço.
Teu pulo arisco
o risco do teu jugo
o perigo de tua caça
eu arrisco.
Me laça que eu fico contigo
me cobre no dia da graça.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

De Goleada - por Ana

Meu sapo-rei sem pulôver,
Descalço... Está tremendo...
Coloca casaco, sapato!
Não adiantou... Estou vendo.

Tirita é de apavorado,
Bate os dentes sem parar!
Os joelhos: tec, tec!
Ó: cadeirinha pra sentar.

Pois percebeu no meu post,
Com intuição pós-matéria,
Que eu sou uma descendente
Da heroína Maria Quitéria.

Por aí você já vê
Que não sou da tua laia.
Veja bem se eu pareço
Ser parente de lacraia!

E Homem-Zoológico tu não é,
Pois a lista, veja você:
Morcego, lacraia, sapo...
Ninguém vai pagar pra ver!


Monge desarticulado!
Não digo que tu vai mal?
Dou um sopro miserinha,
Desanda tua energia vital.

Aí vem e joga praga,
Me chama de lazarenta,
Diz que tô com escorbuto,
Esclerosada e pustulenta...

Inda me põe boca inchada
Com mordida de dragão!
Imaginaram meu look?
Coisa mais linda tem não!


Sobre suas “explicações”
Aqui eu nem vou me deter...
Tu pensa que pode enrolar
A mim ou ao povo que lê...

Pode desistir, meu filho,
Isso é página virada.
Vitória magistral pra mim
E seu gol contra na parada.


Que Monge é esse, meu povo?
Vem me chamando de ladra!!!!
Tu toma cuidado, fedelho,
Ou a Escrevinha te enquadra!


E agora corrijo teu verso
(Foi problema cognitivo).
O que tu quis dizer foi:
“Cirurgicamente preciso do Ivo”.

Levou tanta bordoada...
Eu concordo com você.
Se quiser te levo lá,
Pro gênio te refazer.


E não adianta nem tentar
Jogar shintoni contra mim:
Garoto, sou torcida dele!
Shintoniete até o fim!


E a MELHOR cobra é a naja,
Tão linda e encantadora!
Só ataca se ofendida:
Ela não é provocadora.


Mancada? Não dei nenhuma!
Não adianta distorcer!
Já expliquei bem direitinho!
Não finge desentender...


Nonsense tá tua mente,
Indo lá proutros planetas...
Quer me rotular de ET!
Entupiu, tua ampulheta!


Contos de fadas ou fatos,
Este negócio é contigo...
Eu vivo bem na real:
Tu tá falando comigo!!!


Sobre os berros da torcida:
Tu viu? Não era sonho, não!
Pra que eu vou ser comedida?
O meu fã-clube é dos BÃO!

E já te digo o porquê
D’eu ter torcida cativa:
Eu amo a minha Fiel
E tenho visão coletiva!


E que golpe me acertou?
Eu continuo intacta!
Cê ainda não percebeu?
O que vem de ti não me impacta!

Quem saiu do duelo por fome,
Sem se aguentar em pé?
Quem delirava adoidado,
Implorando um filé?

Então para de despautério,
Altera essa ladainha.
Se refaz, depauperado:
Pega, vai roendo essa abobrinha...



Resposta a Soterrada da Semana e O Juiz Vai Apitar, Mas..., ambos de Gio.
Referências:
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No Meio do Duelo... - por Gio

(Paródia [obviamente, haha] de “No Meio do Caminho”, de Carlos Drummond de Andrade)



I.
No meio do duelo tinha um intervalo
tinha um intervalo no meio do duelo
tinha um INTERVALO (Entendeu agora?)
no meio do duelo não tinha uma desistência.

Nunca me esquecerei desse aborrecimento
às minhas pobres retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do duelo
viste uma desistência
mas era um intervalo no meio do caminho
no meio do caminho tinha um intervalo.
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II.
No meio do caminho da Ana tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho da Ana
tinha uma pedra (E que pedra!)
no meio do caminho tinha um meteorito.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida da dama de língua tão afiada.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho da Ana
tinha “A Pedra”
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha o seu ego.
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Resposta a Prá Gio II, de Ana.
Referência a Aos Guerreiros, o Descanso!, de Gio.
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Visitem Gio
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Motivos - por Duanny

Posso dizer que tenho motivos para diversos assuntos ou, se preferir, alguns assuntos com meus motivos.
Meus motivos revelam quem eu sou, quem quero ser e quem uma dia eu já fui. Não se incomode, aquela garota que escrevia aqui, há um mês atrás, não existe mais. Gosto de pensar que ando em constante Metamorfose, como um Camaleão, que se transforma a cada ambiente, a cada cenário, a cada mudança.
Poderia nesse exato momento revelar alguns dos meus motivos óbvios e extremamente patéticos. Caso esteja se perguntando sobre meu repentino modo de colocar em palavras o que seria óbvio demais dizer, não é nada demais, talvez seja hora de um novo cenário.
Você quer um motivo para ler? Ler é a única maneira de fundir a Fantasia com realidade, de se transformar meros sonhos em objetivos concretos, de se superar e cativar a criatividade.
Você quer um motivo para acreditar nas pessoas? São os únicos seres da terra que podem te magoar, podem fazer você se arrepender, perdoar ou se apaixonar... Por que não podemos simplesmente acreditar nelas e pronto? Elas, ao contrário de certos animais, não precisam de tranquilizantes para serem acariciadas, mas ainda há quem duvide.
Você quer um motivo para ajudar o meio ambiente? Feche os olhos e respire bem fundo. Pronto! Agora você já tem um motivo.
Queria poder ter um motivo para cada ocasião, para cada atitude, para cada pensamento. Mas agora minha criatividade tem limites, talvez aos 14 anos não seja uma boa hora para pensar sobre certos assuntos. Mas quem somos nós para dizer o que deve ser feito, e quando?
Talvez eu seja mesmo aquela menina do outro lado da rua, com a risada esquisita, jeito escandaloso de se comunicar. Talvez seja eu mesma que esteja procurando motivos para deixar a vida de alguém um pouco mais feliz.



Visitem Duanny
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Cecília Meireles, “Ou Isto Ou Aquilo” - Citada por Lélia

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
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