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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Recado - por Jose Ramon

...viaje
del
alma
duelo
vuelto
leyendo
cielos
en el
encuentro
duelos
literários
felizmente
dentro...

desde mis ---horas rotas---
sigo duelos literários, comparto
el blog, llenos de emociones
poeticas, con un fuerte abrazo.



Visitem Jose Ramon
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À Caça da Origem: Fragmento Primeiro - por Leandro M. de Oliveira

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E se tudo que te disseram até agora fosse só uma forma mais refinada de te manter escravo? O mundo é um lugar escuro e sozinho, vence nele o menos dependente e o mais agressivo, pensar o contrário é trair a natureza humana. O ideal cristão de caridade e temperança, não é mais que uma derrota autoconsentida do homem e um conjunto de sandices de padres. O vencedor, o ser além, deve estar alheio, deve se deixar indiferente ao mercado de indulgências que se vende a si mesmo. Até hoje tentamos (sociedade) o amor, ou pelo menos a ideia que nos introjetaram dele, e assim fracassamos em tudo. As pessoas são infelizes porque foram pudorizadas pelo inconsciente coletivo e se prostram envergonhadas ante a esfinge social, não conseguem expressar o cinismo e a revolta que têm para com seu próximo, e a chuva caiu e ninguém se molhou... Todos querem justificar a sua vida miserável com o amor, por que não tentar o ódio? Em vez de amor, desprezo ao próximo, talvez seja essa a última instância de elevação da alma humana. A estrada mais caudalosa e a opção mais resignada. É conturbado, é duro, mas a única forma possível. Lembrai aquele homem livre que primeiro emergiu da caverna¹ ele era o único a conseguir enxergar o mundo em suas cores verdadeiras, ainda assim os ressentidos, os humilhados de si mesmos o abominaram por querer libertar-lhes de sua fustigante autopiedade.


1. Ver Platão in A República, Livro VII (Alegoria da Caverna).
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Bruna Lombardi, “Bonitinho” - Citada por Penélope Charmosa

Teu corpo
despida
cascata
que canta
escondida
no meio
da mata.

Teu corpo
líquido
escuro
que escorre
entre as pedras
e os musgos
do muro.

Teu corpo
mancha
que fica
depois
que se lava
com água
da bica.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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domingo, 23 de agosto de 2009

Aula de Latim - por Gio

Venho até aqui, esperando reação
Infeliz fui: tudo o que vejo são lamúrias
Novas esquivas, nova falsa acusação
Incapacidade, mal que não se cura

Vejo o que tudo isso poderia ser:
Incríveis lutas e combates sem igual...
Desperdiçados pelo ego a crescer,
Inúteis a alguém que pensa ser a tal

Venço o desgosto, cá permaneço no páreo
Inconformado com o que vejo todo dia
Cansei de esperar em vão, feito otário -
Injusto ou não, enfrento quem me desafia!



Resposta a Prognóstico, de Ana.
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Visitem Gio
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A Loja de Artigos para Bebês - por Adir Vieira

Não sei se foi o tempo já clamando pelo verão ou sei lá o quê, mas hoje acordei tão bem disposta que decidi dar um passeio a pé.
Como é um hábito meu, meus olhos captam qualquer sinal e varrem tudo o que veem.
Passava eu pela avenida já por demais conhecida, pois moro no local há mais de vinte anos. De repente vejo uma loja de artigos de bebê encurralada na garagem de uma casa.
A loja é pequena, mas bem colocada e bem decorada, utilizando-se de bonecos como manequins.
Travesseiros em formas de bichinhos e outros inúmeros artefatos para um quarto de criança enchem o local de beleza e candura.
Pode-se dizer que um profissional do ramo deixou ali seu aprendizado digno de prêmios e mais prêmios. Mas será que foi mesmo um profissional?
Começo a matutar o porquê de numa rua como aquela, onde só existem residências, alguém se arriscar a inaugurar um negócio daquele porte. Penso que eu não teria tanta coragem.
Penso que motivo levaria alguém a fazê-lo e relaciono algumas hipóteses em mente, uma delas o fato da dona ser sacoleira e devido a algum recente impedimento, ter que fixar o negócio na própria casa. Renego essa hipótese, pois o investimento para transformar a garagem em loja deve ter sido grande e sugere alguma coisa estrategicamente planejada.
Vou adiante no meu pensamento e imagino que a dona devia trabalhar numa loja dessas, ter sua própria carteira de clientes e agora, aposentada, desejado fazer sua própria loja. Escolheu sua residência para fugir de um aluguel polpudo.
Sei lá, são tantas as hipóteses...
Mas de uma coisa estou certa. Ali, naquele local, um comércio jamais irá prosperar.
Não sei como uma pessoa pode ser tão otimista a ponto de investir tanto para depois perder...
Mas assim é a vida. Vale enquanto sonhamos, enquanto esperamos ter sucesso, enquanto estamos felizes arquitetando novos projetos...



Visitem Adir Vieira
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Corvos - por Alba Vieira

Eles são corvos
Representantes do mal, ajudantes de bruxas
Seres ignóbeis, camuflados em suas capas pretas
Espreitam e sarcásticos arquitetam
Inéditas formas de corroer as almas do bem.

Eles são corvos
Trazem em si uma peçonha negra
Que se alastra ofensiva minando as energias
Fazem com que nada funcione e tenha nexo
E dispõem e comandam: que paradoxo!

Os corvos são negros
Negros como a noite da alma
Dos que, infelizmente, povoam o mesmo espaço
Enquanto clamam aos céus compaixão:
Que lhes cortem os pescoços duros e impiedosos.



Visitem Alba Vieira
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Espera - por Ana

Hoje acordei meio sem jeito, meio desvinculada desta vida, meio desencaixada. Não estava com sono, nem ainda na terra dos sonhos, mas não estava totalmente por aqui. É como se meu espírito não tivesse voltado ainda de suas andanças noturnas.
Então me sento diante deste céu negro e começo a ver surgindo a primeira estrela cadente. Talvez isso acenda uma luz que diga à minha alma: Já é dia!
Enquanto isso permaneço pela metade (ou melhor, sem a maior parte), aguardando sua decisão de voltar a mim.
Como chegará ela, me pergunto, que humor trará de seus caminhos, que sonhos, que experiências, que sorriso, que melancolia? Só me resta esperar, meio oca, por aquilo que irá me preencher e fazer de mim a pessoa deste dia.
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Liberte-se - por Poty

A mente tem que se soltar.

Livre para voar.

Deixar levitar a mente,
O corpo não...

...é como a pluma no ar!...

Quando a mente se solta,
O corpo voa.

Sinta-se livre!
Sinta-se leve!

Sinta-se como se fosse a ave a voar ao horizonte...
Sem que perceba se há algo a atrapalhar...
Quando se voa nada atrapalha...
Não tenha medo de fazer, reaja...
Fuja dele, faça sua fantasia, seu desejos e não se re-crimine...
Desfrute de tua satisfação...
Deixe ir embora a insatisfação.

Aproveite enquanto há tempo...
Poderá ser tarde quando quiser...
Deixe fluir a mente.

Sentimentos presos,
Desejos que se encontram no calabouço...
O mal é não realizar,
Doente fica se não externar...
Nem que seja no menor lugar...
Não precisa o mundo saber,
Apenas seja você.



Visitem Poty
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sábado, 22 de agosto de 2009

Enquanto Isso, no Mar... - Imagem Enviada por Marcelo Ferla

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Fonte: Eclisse
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Visitem Marcelo Ferla
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Prognóstico - por Ana

Acho que tu tá pancada, rapaz!
Bateu biela... Tá quase incapaz...
Cê precisava de um pouco de paz,
Descansar pra ver se se refaz...
Eu temo pelo seu futuro, devo lhe dizer...
Fico assistindo você enlouquecer...
Gio, esse troço tu tem que reverter:
Há quantos versos tu não para de gemer?
Isso é tão triste da gente assistir...
Jovem assim e quase a sucumbir,
Levado por delírios que teima em impingir,
Mente paranóica: Samurai a perseguir.
Não ligue pras vozes em sua cabeça, não:
Ouvindo essas malditas, se dê um beliscão,
Procure evitar a hospitalização,
Que aqui no Brasil é eletrocussão.
Reze pra todos os santos que puder...
Se precisar e se lhe aprouver,
Tamos aqui pro que der e vier,
Uma força, uma conversa, um qualquer...
Você tem me atentado (não que eu me esqueça),
Xiita doido. Mas sem que eu me enobreça,
Zelo por ti, antes que o pior te aconteça...



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Volta à Rotina - por Adir Vieira

Voltei à minha calma rotina.
A casa acorda sem o seu sorriso, sem seu jeitinho doce de dar bom dia.
Tudo o que existe na casa compartilha da nossa saudade - os móveis, os utensílios e principalmente o aparelho de TV sente a sua falta, pois durante um longo tempo não exibirá aqueles desenhos e as novelas de adolescentes...
Como pode uma pequena encher um ambiente com tanta luz?
Será que suas brincadeiras, sua gargalhada genuína, sua ansiedade interminável em descobrir novas formas de brincar vão sofrer mudanças ao longo do seu amadurecimento?
Esperamos que não, que seja sempre essa eterna criança - crédula, amiga e, principalmente, feliz!
Temos que colocar a vida pra frente, aprender com ela a buscar novas formas saudáveis de entretenimento, pois logo, logo, novas férias virão e deveremos estar aqui prontos para acompanhá-la no seu vaivém de criança.
Devemos conservar a saúde e a alegria de que ela tanto necessita para formar sua personalidade.
Por hoje, cabe a nós ajustar as coisas em seus lugares e voltar a nossa doce rotina, aquela rotina só nossa, sem interferências, sem corridas, sem muito cansaço.
Aquela rotina própria dos nossos interesses, aquela em que, de novo, traz à tona nossos anseios de criatividade, e felizes contemplamos o resultado de um trabalho mútuo.



Visitem Adir Vieira
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Florbela Espanca em “Versos de Orgulho” - por Alba Vieira

O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém!

Porque o meu Reino fica para Além!
Porque trago no olhar os vastos céus,
E os oiros e os clarões são todos meus !
Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !

O mundo! O que é o mundo, ó meu Amor?!
O jardim dos meus versos todo em flor,
A seara dos teus beijos, pão bendito,

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
São os teus braços dentro dos meus braços:
Via Láctea fechando o Infinito!...



Visitem Alba Vieira
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Paulo Mendes Campos “Amor Condusse Noi ad Una Morte” - Citado por Leandro M. de Oliveira

Quando o olhar, adivinhando a vida,
prende-se a outro olhar de criatura,
o espaço se converte na moldura,
o tempo incide incerto sem medida,

as mãos que se procuram ficam presas,
os dedos estreitados lembram garras
da ave de rapina, quando agarra
a carne de outras aves indefesas,

a pele encontra a pele e se arrepia,
oprime o peito o peito que estremece,
o rosto o outro rosto desafia,

a carne entrando a carne se consome,
suspira o corpo todo e desfalece
e triste volta a si com sede e fome.



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Bruna Lombardi, “Flautas e Lagartixas” - Citada por Penélope Charmosa

Cansa-me um pouco, Margarida, certa eletrônica de
teus dentes que consegue fazer da alegria uma coisa
fixa como um retrato 3x4. Teu romantismo dos que
ouvem rádio no final da tarde, esse costume de
cruzar as mãos sobre o peito enquanto falas e esse
olhar perdido longínquo que me atravessa.
Mas é há muito que eu esqueci de te culpar por isso.
Desde de que ficaste louca e eu te perdoei em silêncio
esse teu egoísmo de enlouquecer sozinha e me
deixar tão irremediavelmente lúcido no meio desse
país sem ressalvas.
Não foi justo usar a insanidade para poder nas tardes
de julho ficar nas árvores até as nove horas, quando
chegavam as primeiras falenas e te encontravam
deitada sobre uma larga folha verde, sentindo as
vibrações do ar como se sentem flautas.
Teu laço secreto com os animais e as coisas. Tua
estranha cumplicidade contigo mesma dentro de um
mundo primitivo governado apenas pela magia.
Caminhas com unicórnios, com os cervos, os lagartos,
comendo capim e uvas, algumas raízes, algumas
ervas, mordendo a terra, chupando frutas ácidas.
Não é justo te ver assim desprendida e descuidada,
numa mutação caleidoscópica, vivendo cada coisa
além de todo limite, amamentando raposas nos teus
seios, enquanto te cresce dentro essa planta, espécie
de trepadeira sexuada.
Te ver sentada nas estações, relaxada indolente a
bordar redes com musgos antigos, ouvindo apitos de
trens que não existem.
Agora alguma coisa despertou em ti teu parentesco
com o fogo.
Debaixo das chuvas a procurar mandrágoras, um
brilho estranho te flameja e dança dentro,
acompanhando o movimento dos corpos astrais, na
hora em que as corujas se aproximam.
Incandescências.
Em meio à noite descobrindo formações de corais
nas minhas costas, falando de outras cores, marilize,
andranólio, que me faz pensar que todo absurdo é
a nossa ignorância.
Tantos segredos em teu reino. Medusa pólipos
cogumelos te obedecem. Tens o dom da
transformação, rápida e sutil, quase satânica, o
poder de renovar constantemente as coisas,
enquanto eu tenho a consciência de estar preso
dentro das cercas da terra, onde tu apertas teu corpo
com força para ouvir um coração que eu
desconheço, porque no amplexo, dizes, se ouvem
coisas.
E eu compreendi que tinha te perdido numa
sabedoria inalcançável enquanto eu ainda acreditava
nos meus cinco sentidos.
Tuas histórias confusas metafísicas, um grande
corpo jogado no espaço, uma terrível doença
contagiosa, com vermes que se reproduzem com
tanta rapidez que não há mais possibilidade de cura.
E eu sabia então que já não eras minha e que fazias
amor com as árvores. Mas eu já perdoara teu
egoísmo de tornar-te infinita sozinha a visitar
planetas e deixar-me no meio do movimento dos
vermes e micróbios, nessa doença toda, sendo eu
também um irrecuperável micróbio como todos,
com a cara cheia das rugas da esperança, a cabeça
cheia de barreiras, o corpo cheio de limites.
Gritando contra alguma coisa dentro dela. Não foi
justo arrastar o sonho contigo o tempo todo e
enganar dessa maneira a vida e deixar-me nessa
medonha sanidade, nesse irritante equilíbrio de
encarar esse real de todo dia com ilusão nenhuma,
de enfrentar a cara do chefe de seção, do vizinho da
esquerda, de aceitar a porta e as paredes, as calças
e os botões e o perigo de caminhar nas ruas cheias de
unhas e carros e dentes, me arriscando a passar por
bom, temendo não ter feito o mal suficiente; de me
sujeitar entre os que protestam, de estar sempre
medindo as coisas, sabendo os acontecimentos,
prevendo os resultados, as consequências, tantos
desejos inúteis, desperdícios; surpreendendo-me
com o horror da minha própria risada, a angústia da
minha individualidade, minha solidão, o medo, o
vazio, minhas conclusões de lógica, armazenando
esse amontoado cruel de experiências enquanto tu
conversas com os sapos e conheces as estrelas.
Desde há muito te perdoei por isso, Margarida,
como perdoaria ao Outro se acaso fosse ele quem
desenhasse o nosso destino, por ter-te colorido tão
mais sábia para encontrar a tempo o caminho da
inconsciência e dessa liberdade que eu, tão preso à
calçada, às formas e silogismos, por vezes não
compreendo e julgo caótica e desordenada, que eu,
condenado para sempre a esta absurda racionalidade,
não te guardo rancor e te perdoo, Margarida, por
esse teu egoísmo de enlouquecer sozinha.



In “No Ritmo Dessa Festa”....................................................
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Recado - por Poty

Alguns escrevem um livro com lindas palavras, às vezes incompreensível, que precisa até de um dicionário na cabeceira da cama, na mesa, onde estiver.
Outros no jornal: na capa, na coluna social, na página policial.
Têm os críticos de cinema, de teatro, de dança, de novela, até de tudo que aparece dão seu recado.
Os analistas que analisam tudo.
E os comentaristas nem se fala!
Têm os que encenam, representam, cantam, interpretam, traduzem e fazem emocionar.
Eu apenas mando meu recado por alguém, pelo pombo correio, por sedex, por e-mail e, às vezes, vou pessoalmente levá-lo.



Visitem Poty
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Amigos, Amigos... Duelos à Parte - por Gio

Escrevinha, minha cara, venha cá
Tu que desde o começo assistiu
(E ora, por que não dizer?, repercutiu)
Sabes o que não preciso explicar

Não vou te pedir pra tomar o meu partido
Pois respeito o lance de apadrinhamento
Mas, se paras pra pensar por um momento,
Vês que o que eu te falo faz sentido

Se alguém que diz que até o Céu enfrenta,
Que vem puxando tiro do cerrado,
Nomeia-se a maçã do pecado
E gaba o nome de cobra peçonhenta,

Aí temo dizer que a coisa esquenta:
Que deve, bem, haver algo de errado
Ou maldade, ou cérebro pifado
A alguém que feliz assim se sustenta

Louca, ou perversa, tanto faz:
Importa é que pensa poder julgar
E, no auge de sua ira, até xingar
Coisas que não se diz a um rapaz

(Claro, eu sei, estamos num duelo
Mas samurais devem ter compostura
E não mentir ao léu na caradura
Jogando a honra toda ao flagelo

Como dizer que eu que amarelo
Se, em momento algum, eu quis sair -
Quem, sem forças, me incitou a fugir,
Foi tua apadrinhada... Isto é belo?)

Por isso, minha cara Escrevinha
Por bem de toda honra e decência
Já ires tomando uma providência
E cumprir os teus votos de madrinha

É mesmo essencial. Por isso eu digo
Tira da Ana todo esse mimo
Quero Duelo justo, ou não me animo!
(Pera, tô comendo doce de figo!)



Voltando.. Samurai, algo me pasma
Lutei para matar o teu desejo
E, em troca, só uma coisa almejo
Justiça, ou voltarás a ver fantasma

Pois, se tem coisa que eu não suporto
É gente que erra e não admite
É quem infla o moral de arrebite
E fica com os ideais tão tortos

Pois vim com um objetivo em mente
Com honra e fibra sempre duelar
Do contrário, me mando sem pensar
Ficas a ver navios, tão descontente

Não quero, no entanto, fazer isso:
Sou daqueles que o pé não arreda -
Se precisar, vou na mesma moeda
E - como dizes? - tu vira chouriço

O pior cego é o que não quer ver?
Pior que este é o que não se enxerga...
Tu faz parte dos dois, vejo, não nega
E nesse rumo tende a perecer...



Resposta a Recado ao Monge, de Escrevinhadora.
Referências: Fechou o Tempo, de Ana;
Acrérrimos: Passei a Régua!, de Ana;
Duelochat entre Gio e Ana;
De Orelha em Pé..., de Ana.
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Visitem Gio
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As Nossas Palavras XXII - por Alba Vieira

A felicidade disse para o sofrimento: quando é que você vai embora para que eu possa finalmente chegar?
Ele deu um passo para trás entre espantado e incrédulo e respondeu que somente gostaria de lembrar-lhe que nada é para sempre.
Mas parece que logo ela, a felicidade, era incapaz de compreender que para estar bem por toda a eternidade basta poder sentir-se feliz enquanto se é capaz de superar o sofrimento.



Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras XIX - por Gio

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ACRÓSTICO II


Trabalhar de um jeito lucrativo
Rendendo mais do que ser empresário
A fim de manter o processo produtivo,
Filhos, desde cedo, devemos ensinar
Iniciando-os nesse mundo ordinário.
Cinquenta anos pra se aposentar?
Até parece que esperarei...
Não é preciso nesse mundo cão
Tão torto que o mais cretino é rei
E roubar não é problema: é solução.
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Visitem Gio
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Não Provoque a Ira do Senhor - por Ninguém Envolvente

Um dia Deus, estressado comigo por todas as vezes que me rebelei contra minha aparência física, me sugestionou com a ideia brilhante de colocar aparelho nos meus dentes e consertar o meu sorriso torto.
A mão do Senhor não esteve em minha boca, ele não perde o precioso tempo fuçando no lixo, eis então que um de seus anjos decadentes vestido em um jaleco branco promete consertar o que tinha para ser consertado, no prazo máximo de três doloridos anos. No primeiro ano, eu agradecia a Deus por ter me dado a chance financeira de arrumar meu sorriso.
Veio então a primeira notícia profana que um servo do Senhor me disse com a maior naturalidade possível “Minha filha, vamos ter que arrancar quatro de vossos 28 dentes”. Como assim 28? Não era pra eu ter 32? Sim, era. Mas não nasceram os do siso e pela segunda vez, eu agradeci ao Senhor, pois se tivesse com meus 32 dentes, teria que arrancar 8 e não os 4.
Agora com 24 dentes na boca o tratamento em busca do sorriso perfeito continuou e passou o tempo de três anos e longe de acabar, meus dentes ainda estavam tortos e agora com 4 buracos dos dentes que faltam.
Neste momento de minha vida, eu pedia ao Senhor que tivesse piedade dos meus pecados, pedi perdão pelas vezes que dei risada do aparelho de cabeça que meu irmão usava, ajoelhei no milho pelas vezes que falei que tinha dentes de pônei e fiz promessa dizendo que nunca mais falaria do dente de quem quer que fosse.
Nada adiantou, foi quando percebi a fúria de Deus com minha pessoa. Tentei ter fé no Senhor, acreditei que ele me proveria, continuei então sendo uma serva do rebanho divino e só seguindo junto na boiada, passiva e conformada com a demora de ter dentes bonitos.
Hoje estou no sexto ano do tratamento ortodôntico, com meu bendito aparelho, os dentes mais amarelos que nunca (ainda bem que só restaram 24 – ficaria mais caro clarear 32-28), manchados, moles. Pasme: TORTOS.
Então Deus, ainda irado comigo, vai me fazer continuar o tratamento por mais 2 anos. Espero que o Senhor guie a indústria Lamen e a faça produzir novos sabores de miojo, porque sou obrigada a comê-los 4 vezes por semana devido às dores que sinto em minha boca. Senhor, acredito em ti, mas estou desconfiando que tu ó poderoso mestre, já está me sacaneando.

Ou fui Eva em minha vida passada, pois faz seis anos que não como uma maçã para não descolar meu aparelho, agora faz sentido o castigo do Senhor...



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Bruna Lombardi em “Pensão” - Citada por Penélope Charmosa

Não se preocupe. Desculpe-me este gesto de impaciência
e esse jeito de cansaço, esse corpo como de preguiça
e esse sentimento como de uma culpa.

Não se importe, por favor, com esse desligamento
esse desinteresse, essa falta de ciência,
esse ar parado. Esse mormaço, esse aperto
no meio da multidão, essa falta de espaço.
Não se preocupe que se dá sempre um jeito.

Desculpe-me esse amor gasto nas mãos
e esses olhos de todo dia, esse esforço
e essa espécie de falta e esse pulmão manchado
e sobretudo esse adiamento.

Desculpe os móveis em desordem, a poeira
a iniciativa não cumprida. As promessas.
Desculpe a falta de encanto. Puxe uma almofada.
Aceite um chá, coma um biscoitinho.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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