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domingo, 16 de agosto de 2009

Duelochat - por Gio e Ana

(Estrofes de Gio em letra normal, estrofes de Ana em itálico.)
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Opa! Cheguei do ensaio animado
Eu até ganhei carona
Já estou a postos, pena afiada
E pés bem postos na lona


Boa noite, companheiros!
Grande povo do Duelos!
Estou aqui pra duelar
Em embate ético e belo.

Quem será que está aqui?
O Gio do lanche está vindo...
Você taí, Escrevinha?
Luiz, Clarice, shintolindo?

Fatinha, Ninguém, Mellon?
Adir, Bruno, Lumena?
Tá preparado, meu povo?
A luta não vai ser amena!

(Mas antes digo aqui
Que adorei Parmegiana!
Tão linda, emocionei...
Só rimas com “gio” e “ana”...)


Que bom que tu gostou!
Temia que tu nem tivesse lido
Eu sei que o nosso embate começou
Mas nem por isso eu virei bandido

A gente ainda é a dupla mais
Puxa-saco e irreverente do pedaço
Não deixamos nem o Shintoni em paz
O Gio dos Pampas e a Ana do Cangaço)

Boa noite, chefe!
Estamos eu e a menina
Dispensando qualquer blefe
Sendo pura adrenalina!


Já tô pronta pro duelo
Adversário, pode vir.
Trazendo o seu punhal
Pra cometer harakiri.


Boa noite, guerreira menina
Hora de começar o carnaval
Tiro logo a “batina”
No maior estilo Kung Lao


Que coisa escalafobética!
Entre o bem e o mal reveza.
Que monge falsificado!
Nem ajoelha, nem reza.


Nada disso, minha cara!
Jogo apenas de um lado
Olhe bem pra minha cara:
Meu duelo é Sagrado


*Comentário do Gio sobre o poema Parmegiana*


Ô Gio, olha o golpe baixo!
Não fale mais destes versos!
Senão fico emocionada,
Paro o duelo e converso.


É mesmo, melhor deixar quieto
Senão vira babação de ovo
(Juro, não foi golpe indireto...)
Agora, é animar o povo!


Já que temos plateia
(Já vimos que tem gente aqui),
Eu prometo diversão
E passo a palavra ao guri.


O nosso Duelo de estreia
Tem muita gente, logo vi
Tem realeza, tem plebeia
O show devemos garantir!


Isso eu garanto mesmo!
Eu vim aqui fazer isso.
Então eu parto pra luta
Tu sai daqui um chouriço.


Chouriço? Isso dá fome!
Não me desvia a atenção!
Você não é “cabra homi”
Mas vai se estatelar no chão


Mas que marmanjo folgado!
Que fedelho insolente!
Vou te quebrar os dedos,
Arrancar dente por dente.


Se me quebrares os dentes
Tudo bem, ponho dentadura
Mas meus golpes, menina valente
Deformam e isso não tem cura...


É?!!!! Como já te disse,
Eu tô sem nenhuma marca.
E hoje, não tenha dúvida,
Com certeza tu embarca.


Para levar tanta porrada
E não sentir, está leprosa
Apanha feito condenada
E se acha a vitoriosa...


Menino, tu fica quieto!
Sossegue e não me provoque!
Eu sou da terra dos elfos
E tu não passa de um orc.


Agora me vem falando
De jogo de tabuleiro
Devia, se está apanhando,
Tentar se defender primeiro!


Que jogo de tabuleiro...
Tô lendo “O Senhor dos Anéis”.
Cê já deve estar com sono:
Vai dormir com as cascavéis!


Sono não, estou com fome
(Pipoqueiro, tem troco pra dez?)
Não irei dormir com seus clones
Peçonhentamente fiéis


Quem disse que sou cascavel?
Haja paciência, haja!
Já disse que sou poderosa!
Meu codinome: Anaja!


Gostar de ser chamada cobra
É prova de sua maldade
E seus tropeços são obras
Da sua grande vaidade


Olha aqui, ô maritaca:
Fica quieto no teu canto.
Treme todo e não ataca,
Até agora, só pranto...


Fico no canto ou ataco?
Decida e não faça alarde!
Isso aí me cheira tanto
A desculpas de uma covarde...


Como é, dragão de Komodo?!!!
Seu réptil degenerado!
Eu te expulso dos pampas,
Te mando lá pro cerrado.


Dragão de Komodo eu não sou
Escovo bem os meus dentinhos
Mas mexeu comigo, dançou
Toda flor tem seus espinhos


Tu pensa que tenho medo?
Isso em mim existe não
Porque aqui, no duelo,
Sou São Jorge, tu é o dragão


Se sou dragão, cuspo fogo
E derreto a sua espada
Acabo logo com esse jogo
Tu sai fugindo em disparada!


Bicho mais que peçonhento,
Faz as trouxas e vai embora.
Aqui não dá mais pra ti:
Já chegou a tua hora.


Você é desaforada
E quer que eu vá me despedir?
Ou, então, ficou despeitada
E, medrosa, me incita a fugir?


Se eu fosse você ia indo:
A coisa aqui não tá boa.
Vai rimar pras tuas sapas,
Seu Menestrel das Lagoas.


Tenho cara de zoológico
Pra comportar tantos animais?
Tu morres de medo, é lógico
Quer que eu saia, pois pra ti não dá mais


Já te disse da outra vez:
Vai rimar pras tuas sapas.
Rima pra mim, tá ferrado,
De minha fúria não escapa.


Tua fúria? Que piada
Isso mais parece chilique
De quem tá estoporada
No chão, tendo tremelique


Tremelique tem é tu,
Sapo-rei da charcaria.
Vai assistir à Globo.
Para de escrever porcaria.


Porcaria é a Globo
Coisa que eu não assisto
Rápido como um lobo
Te bato até deixar cisto


De mim tu não passa nem perto!
Como vai me deixar cisto?
Anda, cai logo fora,
Antes que fique esquisito.


Eu passo, eu bato, eu volto
E, pobre, tu nem nota
Vai te bater a revolta
Ao sentires a dor na capota


Vê lá se eu tenho capota!
Não sô carro conversível!
A coisa pra tu tá maus!
Tá queimado um teu fusível!


Fusível eu não tenho
Já disse, só tenho diodo
Melhor demonstrar mais empenho
Ou vais ficar do tamanho do Frodo!


O que tem o tamanho do Frodo?
Concorda comigo todo o fórum:
Pior ser que nem você,
Que tem a cara do Gollum.


E você, na prepotência
Me diz isso com toda a aspereza
(Depois mulher preza inteligência
E, sei, nem liga pra beleza...)


Senti a sua ironia.
Agora esquenta a rinha!
Por acaso tá achando
Que eu sou tipo patricinha?


Chame-se do jeito que quiser
Mas, na próxima vez, pensa...
Em um duelo, seja ele qualquer,
Ser feio não faz diferença


Mas aí você se engana...
Você não se diz tão esperto?
Tu tem a cara do Gollum
De tanto que eu te acerto.


*Ana, tu tá vendo muito Rocky...
E fala demais,
pra quem tá em estado de choque.*


Quem está em estado de choque?
Chocado aqui tá você:
Já tá misturando as ideias...
“CHAMA O SOCORRO PRA ATENDER!!!”


Se isso fosse verdade
Até faria sentido
Pena pra você, na verdade
Seu rosto é que está bipartido!


O rosto tá bipartido?
Que ideia alucinada...
O choque foi sério mesmo!
Exagerei na cacetada!


É claro que estou chocado
Olhe a cena que se vê:
Você, com seu corpo atirado
Implorando pra se render


Continua delirando...
Tô ficando preocupada...
Shintoni, o que fazer?
Socorre o meu camarada!


Se for esse o caso,
Eis aqui minha mão estendida
Levanto-te, não faço caso
A honra aos dois é merecida

Aninha, o papo tá bom
Mas eu tô morrendo de fome
E agora que o povo vazou
Tamos dispensados, Shintoni?


Melhor mesmo dispensar...
Tá ficando perigoso...
A fome tá dando delírio...
Que troço mais cavernoso...

Eu já vou te liberando,
Vai correndo lá jantar!
Mas antes te digo, amigo,
Que adorei duelar!


E, lutador nessa terra,
Como a gente, não há igual
Nessa hora, o povo berra
“Essa dupla é maioral!”
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Primeiro combate ao vivo entre a Samurai e o Monge (Ana e Gio)
que aconteceu no chat do Duelos, no dia 13/08/09, com início às 22h30min,
com as presenças de Clarice, Fatinha, Escrevinhadora, ju,
Luiz de Almeida Neto, Ninguém Envolvente e pecoço
na plateia explicitamente animada e espetacularmente hilária.
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Recado de shintoni
Agradeço imensamente aos oponentes pelo brilhante duelo,
à torcida, pelo incrível show dos intervalos,
e a quem assistiu ao espetáculo em surdina.
J. R. R. Tolkien

Monge x Samurai - por Clarice A.

Local e hora marcados
Duelandos convidados
Duelo século XXI
Palavras, dardos afiados
De um lado experiente Samurai
Do outro, jovem Monge
Com um pé na tecnologia
O outro nas letras na poesia
Esse embate promete ir longe
A torcida feminina compareceu
Sainhas e pompons na mão
Na masculina só o Luiz
Mas não fechou com o Monge não
A Fatinha e seu humor na veia
Tentou desequilibrar o rapaz
Chamou-o de perereco
E ele magoou
Mas logo se refez
Monge zen meditou
OOOOOOOMMMMMMMM
E o equilíbrio voltou
A Samurai à vontade
Torcida participando a mil
O Monge levando pancada
Espremido num funil

Agora faço uma pausa
Para poder explicar
Que sofri uma cisão
Meu coração dividido
Torcida é emoção
Eu virando casaca direto
Fiquei em cima do muro
Que a Samurai me perdoe
Por não ter fechado com ela
É que esse menino dos pampas
Me conquistou assim que chegou
E vou dizer para vocês
A mim não decepcionou
A tarefa era inglória
Porque a Samurai bate bem
Mas ele não arrega
Segura bem o tranco
E desce a lenha também

A Samurai trouxe com ela
Além do conhecimento milenar
A ginga carioca
O Monge trouxe com ele
Além de seus poderosos mantras
A força do minuano
A torcida impagável
Trouxe o humor necessário
E assim caros amigos
Estava pronto o cenário
Apesar do sono insistente
Eu me diverti a balde
Não ia perder a peleja
E ficar no ora veja
Ninguém arbitrou um resultado
Mas quero dar modesta opinião
Para mim deu empate
Porque esse Monge é tinhoso
É osso duro de roer
E agora volto para a retaguarda
E fico pelos dois a torcer
Da maneira mais imparcial possível
Que o coração permitir
Ora torcerei para um
Ora torcerei para outro
Para o que melhor se sair
E à SamurANA
E ao MonGIO
Meu beijo agradecido
Pelo duelo oferecido.



Referência ao Duelochat, que foi ao ar em 13/08/09, no chat do Duelos.
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Ou Gio ou Aquilo - por Ana

(Paródia de “Ou Isto ou Aquilo”, de Cecília Meireles)



Ou se tem lanche e não se tem duelo,
ou se tem duelo e não se tem lanche!

Ou te descabelo e não te afago,
ou te afago e não te descabelo!

Quem vai pelos ares não rima com emoção,
Quem rima com emoção não vai pelos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou deleto o companheiro e não ganho doce,
ou ganho doce e não deleto o companheiro.

Ou Gio ou Monge: ou Gio ou Aquilo...
e vivo escolhendo o duelo inteiro!

Não sei se brinco, não sei se esmurro,
se ele sai correndo ou fica tranquilo.

Mas não consegui decidir ainda
qual é melhor: se é Gio ou Aquilo...
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As Nossas Poesias XVIII

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CAMINHO


Solta aos ventos da mudança
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Fantasia - por Ana

Criei uma fantasia
Pra me ajudar a viver
Neste mundo de aimeudeus.
Antes isso que morrer.

É que eu andava deprimido
Vendo tanta injustiça.
Cheguei a tomar comprimidos
Depois de ter ido à missa.

(Procurei Deus, não resolveu.
Procurei um analista.
Procurei um pai-de-santo.
Continuava a desdita...)

Depois de tentar suicídio,
Ainda lá no hospital,
Pensei no que ia fazer
Pra remediar o mal

De ver um mundo cinzento,
De ver tanta ignorância,
Ver tanta desigualdade,
Tanta dor na nossa infância...

Nesta hora resolvi
Mudar o meu ponto de vista.
Não ia ficar sofrendo
Com espírito derrotista:

A energia que eu gastava
Com autocomiseração,
Poderia utilizá-la
Em outra combinação.

Fui pra casa decidido,
Peguei o telefone e liguei,
Fiz inscrição na Escola,
Cursei, me empenhei, me formei.

Foi assim que aconteceu
D’eu criar a fantasia.
Hoje só vivo com ela:
Sou mais um Doutor da Alegria!
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Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados para a versão coletiva Fantasia - As Nossas Poesias XVII.
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As Nossas Palavras XVIII - por Gio

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O PODER DA GENTILEZA


Ah, se o ser humano soubesse
O poder de uma gentileza
Moveria mil montanhas
Derrubaria fortalezas

Pois a arte de ser sutil
Gentil e bem-educado
É melhor do que ser arredio
Mais eficiente que ser bombado

Quem resiste a um pedido
De uma voz inofensiva?
Já o agressor desmedido
Coloca o outro na defensiva

Quem é duro, é porque quer
Ou tem medo de amolecer
Esconde do jeito que puder
O seu verdadeiro ser

Tenho teoria sem furos
Das que se tomam de um gole:
Por que cedem os dentes, tão duros
À solitária língua, que é mole?
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Visitem Gio
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Uma Voz Mais Alta que Causou Torpor - por Adir Vieira

Sua mudança de humor
fingindo estar afetado,
só provoca mais horror
em meus sentimentos velados.

Não entendo como pode,
alguém tendo tudo o que quer
ainda se dizer roubado
dos afetos da mulher.

Às vezes até me arrependo
de tanta canja que dei,
pois se é para reclamar
que fique sem ter ninguém...

Mudar da docilidade
para um gesto tão duro,
não faz parte das coisas
que escolhi pelo mundo.

Ando meio preocupada,
por saber que não aturo,
de um homem só quero flores,
jamais algo que importune.

Me conheço por demais,
sei que vai perder meu amor,
se ele não se retratar rapidinho
e com ardor.

Minha história tão romântica
não pode ficar mesclada,
mesmo com interferências
que não aceitei, por hora...

Não importa minha idade,
minha história já vivida,
se não é pra ser como quero,
não aceito, vivo sozinha.

O que mais prezo é o romance,
o doce ar que respiro,
a calma, o envolvimento,
os carinhos e os devaneios.

Mesmo que tenha sido
a primeira vez, chocou,
ainda estou meio lerda,
em meio ao horror que me causou.

E olhe que foi só
uma voz mais alta, nervosa,
que não estou acostumada,
mas convém botar limites,
senão tudo vira desordem.

Com o meu sofrimento,
espero que ele repense
que, comigo,
só afeto e doces versos,
o resto dê pra quem aceite.

E não adianta dizerem
que sou infantil,
imatura,
comigo é assim mesmo,
se quiser, que jamais mude!



Visitem Adir Vieira
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Eduardo Galeano e os “Pontos de Vista / 2” - Citado por Lélia

Do ponto de vista do sul, o verão do norte é inverno.

Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguete é uma orgia.

Onde os hindus veem uma vaca sagrada, outros veem um grande hambúrguer.

Do ponto de vista de Hipócrates, Galeno, Maimônides e Paracelso, havia uma enfermidade no mundo chamada fome.

Do ponto de vista de seus vizinhos no povoado de Cardona, o Toto Zaugg, que andava com a mesma roupa no verão e no inverno, era um homem admirável:

- O Toto nunca tem frio - diziam.

Ele não dizia nada. Frio ele tinha, o que não tinha era agasalho.
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Bruna Lombardi num “Romance de Bairro” - Citada por Penélope Charmosa

João... mas logo agora
que as coisas tavam se ajeitando
logo agora que eu tinha
aprendido a fazer suflê
logo agora que eu tava
com a melhor das intenções
que eu até falei com o síndico
pra abrir uma janela
pra aquele terreno baldio
só pra você olhar o jogo
que eu ia trocar meu canário
pelo relógio do Armando
de que você tanto gosta, João.

Mas logo agora, João
que pode ter guerra lá fora
que eu tô com medo da vida
que prendem gente na rua
e nem dizem por quê
logo agora...
quando eu ia plantar tulipas
pra gente fazer de conta
que o mundo é diferente
pra gente não se dar conta
do que está acontecendo
do lado de fora do mundo, João
logo agora
que eu fiz um quadro novo
com umas cores bonitas
porque na rua, João
já tem cinza demais.
Eu ia pintar as paredes
com as cores do absurdo.
João, em que lugar do mundo
você encontra um canto assim?

João, a coisa não é essa
é preciso ter invento
a coisa precisa de graça
tem que ter magia, João
e isso o mundo esquece
... o Mundo, João, não merece
consideração.

Mas logo agora
que eu tinha comprado incenso
e avenca de pôr no vaso
cheiro de jasmim no portão
você não queria... João

logo agora
que as coisas tavam se ajeitando
logo agora que eu tava
com a melhor das intenções
logo agora, João

esperasse mais um pouco.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Detenha-me - por Poty

Meus pensamentos são vorazes,
Tão aguçados...
Então me detenha!

Hoje meu dia é de cão,
Venha detenha-me!

A situação é caótica
Não deixe de me deter!

Sou teu furor...
Não tem como me deter!

Serei teu juiz
Sem prejuízo...
Algoz de tua insatisfação

Teu caso infernal
Não tem nada anormal
Neste mundo normal.

... Venha detenha-me!...

Caberá a você deter-me!
Caso contrário serei a tua penúria.
Astúcia em minha detenção.



Visitem Poty
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sábado, 15 de agosto de 2009

Prá Gio II - por Ana

Como Gio pediu arrego (é verdade!)
Ao final do último verso amigável,
Proponho desafio novo (que maldade!)
Ao qual ele pode responder: “Desagradável...”:
Como criamos também coisas independentes,
Imagino que as possamos aproveitar,
Deixando as agressões noutras vertentes.
Assim é modo novo de duelar.
Declaro, desta forma, minha intenção,
Enquanto plagio seu acróstico, pós-rendição.



Inspirado em As Nossas Palavras XVI: Acróstico I, de Gio.
Referência a Aos Guerreiros, o Descanso!, de Gio.
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Ponto de Vista a Dois - por Gio

(Paródia de “Pontos de Vista / 2”, de Eduardo Galeano)



Do ponto de vista do Duelista do Sul, o destino da Duelista do Norte é o inferno.

Do ponto de vista de uma minhoca, uma luta com a Duelista do Norte é vitória certa.

Onde os Samurais veem um plágio, os Monges não entenderam nada (Quem começou com as paródias?).

Do ponto de vista de Hipócrates, Galeno, Maimônides e Paracelso, nome bonito era “Platão” mesmo, o único que (quase) se escapava.

Do ponto de vista de seus vizinhos no Duelos, a Ana, que ostentava o título de “osso duro de roer”, e bradava aos quatro ventos que nunca gritou um “ai”, era uma mulher admirável:

- A Ana nunca tem medo - diziam.

Ela não dizia nada. Medo ela tinha, o que não tinha era argumento.
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Visitem Gio
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Selo do Mundo Darkness - Recebido de Dan

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O Duelos Literários, honradíssimo, recebeu mais um selo.
Desta vez, foi o selo Vale a pena acompanhar este blog!, das mãos do nosso amigo Dan.
Hoje o selo é publicado aqui, com um enorme agradecimento ao nosso autor que, efetivamente,
fez por merecê-lo, pois possui um blog extremamente criativo,
no qual podemos encontrar um Pouco de Tudo.
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Devo responder a algumas perguntas:
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Por que resolveu criar um blog?
Tudo começou porque minha sobrinha precisava treinar redação para o vestibular e não estava muito motivada para isso. Propus então a ela que escolhêssemos temas, escrevêssemos sobre eles e depois veríamos como podíamos ter ideias diferentes a respeito de cada um. A falta de motivação permaneceu. Então resolvi criar um blog para que fizéssemos isso pela internet, de forma independente. Surgiu o Duelos Literários. Pessoas conhecidas tomaram conhecimento do blog, começaram a participar e passaram a divulgá-lo. Os acessos foram aumentando, eu passei a divulgá-lo também e ele se tornou o que é hoje, graças à maravilhosa participação de todos vocês. A minha sobrinha? Até hoje não escreveu uma linha.
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O que te dá mais prazer blogar?
Obviamente, estes textos maravilhosos que me são enviados.
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Qual o assunto que você mais gosta de postar?
Todos os assuntos que me chegam.
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Por que escolheu esse nome para o blog?
Escolhi Duelos Literários porque a ideia principal era evidenciar as diferentes formas de abordagens dos mais variados temas e, de forma metafórica, visões muito diferentes poderiam parecer um duelo. Além do que considerei este nome significativo e sonoro.
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Você costuma visitar outros blogs?
Diariamente. Visito não só os blogs de todas as pessoas que tiveram textos publicados naquele dia, como outros blogs que considero interessantes e que surgem no caminho destas minhas visitas.
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Creio que devo indicar seis blogs. Aqui estão:
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DAS
Você, como eu, acha que se conhece um pouco das pessoas sabendo o que elas veem, ouvem ou leem?
Então entra aqui...
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DUANNY
Surteei!
Sou só alguém cujas letras envenenam as mais puras almas, alguém que vive em uma ilusão solitária de um mundo patético. Sou assim, falo alto e falo a verdade, e me esqueço de me preocupar com o que pensam disso tudo.
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LEANDRO M. DE OLIVEIRA
Soturna Primavera
Blog em que Leandro publica seus magníficos textos e poesias.
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MANHOSA
Manhosa LobaVirtual
Aqui não tem palco... Quem manda é o coração... Só se fala a verdade...
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MARI AMORIM
Mari Amorim Brincando com a Rima
“Na luta contra a Realidade, o homem tem apenas uma arma: a imaginação.” (Theophile Gautier)
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MELLON
Friday, I’m in Love
Blog em que Mellon registra suas vivências e visão da vida.
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Parece que as regras são estas:
1. Postar o selo.
2. Colocar no seu post o nome do blog que te indicou ao prêmio (no caso aqui: Duelos Literários, de shintoni).
3. Escrever uma mensagem de agradecimento ao blogueiro que te indicou.
4. Abaixo do selo responder às perguntas.
5. Indicar 6 blogs para receberem o selo.
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As Nossas Palavras XVII - por Gio

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Desde que o homus modernus ficou preguiçoso, deveríamos ter passado a usar o trampolim para nos atirarmos no sofá.



Visitem Gio
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Incompetência: Regra ou Exceção? - por Alba Vieira

Estou assustada com o que venho observando há alguns anos: a hegemonia da incompetência. E o que é mais grave é que ela é vista como natural. O incompetente de hoje se apresenta de cara lavada, nem tem o cuidado de disfarçar. Aliás, nem é preciso, porque como ultimamente o despreparo grassa, ele certamente estará protegido entre iguais.
Com todos os prejuízos advindos dessa situação para aqueles que trabalham, estudam e se apresentam na vida de forma satisfatória, com o mínimo da competência necessária para atuarem no setor em que exercem suas atividades, é importante que se chame atenção para este fenômeno que domina nosso país.
Em vários locais podemos identificar esta espécie de mal com certa facilidade, seja nas escolas, empresas privadas, estabelecimentos públicos (aí então é facílimo) etc. E o que dizer quando as empresas terceirizam seus serviços e acabamos recebendo em nossas casas pessoas quase completamente despreparadas para executar serviços oferecidos pelo contratado, mas que só têm prática numa ínfima parte do mecanismo. E o que vemos é um atendimento de péssima qualidade, com defeitos frequentes, já que a base não é consertada, resolvendo o técnico apenas o defeito do momento. E se as visitas se sucedem, a cada vez com um funcionário diferente, se perguntamos a algum deles o que está acontecendo com aquele sistema, ele descaradamente nos fala que não faz a menor ideia, que fez a parte dele e sobre o resto não tem responsabilidade. Como é possível conviver com isto? E como as pessoas que trabalham em empresas assim (como as de telefonia e informática) conseguem exercer suas atividades dessa forma, tão compartimentada e aleatória? É o retrato da incompetência e nenhum deles se espanta se é questionado (e até se irrita com isso) e não quer mesmo ter a consciência daquilo em que se transformou o seu trabalho.
É fato incontestável que hoje, muita gente se habilita a prestar determinado serviço sem possuir as condições mínimas para tal, sem preparo técnico, intelectual ou prático. Como confiar nos serviços contratados? É evidente que qualquer profissional deve ter seu serviço avaliado e, se deixa a desejar, deve ser substituído. Mas, o que é grave em determinadas áreas é que não há escolha. Contam-se nos dedos os profissionais competentes.
Na minha área, infelizmente, o que se vê é a mesma situação. Os serviços de saúde prometem, mas na realidade, por trás dos bastidores, acontecem barbaridades. Sempre houve isso, é certo. Só que agora a frequência está calamitosa. E o pior é que se em determinado local há pessoas criteriosas, responsáveis, de boa formação profissional, essas é que agora são discriminadas, como se estivessem fora da realidade. O trabalho porco, o ir levando, o descompromisso virou a regra. É claro que há exceções, mas são a cada dia mais raras.
Entretanto, não podemos desanimar, porque o ponto crítico já chegou, já estamos no fundo do poço. Então, agora só resta subir. Aguardemos, pois, a reviravolta, esperançosos.



Visitem Alba Vieira
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Não Desvieis os Vossos Olhos - por Esther Rogessi

Muitas das vezes nos chocamos com textos, fatos e fotos que surgem à nossa frente. Saiba que a tela mais horrível de se ver é a que Deus assiste a cada segundo, sem desviar os seus olhos!... Como orar pelo que desconhecemos? Interceder verdadeiramente por algo que nos negamos a enxergar? Oração é a junção do orar e agir. Não desviemos a nossa atenção sobre fatos, que por mais que nos pareçam cruéis, são reais. Queremos privar os nossos olhos e corações de ver e conhecer a dura realidade que a vida oferece a muitos - no caso ora em questão, a pedofilia - e que, infelizmente a sociedade, o sistema fingem se importar, algumas das vezes... Porém, se a preocupação e o desejo de exterminar o mal existissem de fato, haveria determinação e competência no gerar e executar leis que fossem de encontro aos abusos e práticas pervertidas, tal qual, a “pedofilia”. Muitos não fazem ideia da tamanha crueldade existente no ato. A pedofilia é uma máquina de moer carne inocente e fraca! No início do mês, tivemos no nosso estado - Pernambuco - um caso de “abuso sexual” a um menor, no qual o padre Josean Dantas Rolim, 51 anos, foi flagrado e preso, no terminal integrado de passageiros do Recife, beijando um garoto de 14 anos de idade. O mesmo relatou que, por estar vestindo uma camisa de um time do qual o padre disse ser torcedor, o referido padre aproximou-se pedindo para tirar uma foto com o garoto. Em seguida, mandou que o garoto o acompanhasse ao banheiro – pensei que ele estivesse armado, disse o adolescente em depoimento à delegada Lúcia de Fátima Oliveira. O referido e dito religioso, em seu depoimento, confessou ter mostrado o seu genital ao menino, vindo, a seguir, beijar o garoto. O mais revoltante é que as autoridades eclesiásticas defenderam o dito cujo e, por defesa, foi alegado, por seu advogado, ser o mesmo portador de “problemas psicológicos”, não podendo responder pelos seus atos; assim sendo, foi transferido na noite do domingo para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) em Itamaracá. Segundo os oficiais de plantão, o dito padre é de Petrópolis – Rio de Janeiro – e se encontra no Recife a passeio. Para o clero, Perversão moral se transvestiu de loucura... Com direito a imunização.



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Uma Abordagem Acerca da Angústia Humana à Luz de Kierkegaard (Para a Menina Triste) - por Leandro M. de Oliveira

De maneira geral, pode se dizer que na vida há três caminhos ou sendas que o indivíduo acaba escolhendo de maneira mais ou menos espontânea, de acordo com predileções particulares de cada qual; dentro dessas há uma série de subdivisões que serão descobertas a partir do sujeito em si. As três grandes vertentes são: a Estética, a ética e a religiosa.
A primeira diz respeito ao homem comprometido com o prazer da vida, com o gozo de cada momento, é a caricatura tradicional do assim chamado irresponsável, do playboy; já a vida no sentido ético, vem nos falar do tradicional pai de família, de um ser humano maquinalmente comprometido com as suas “obrigações”, trabalho, crença na sociedade etc.; a última concepção de agir, a ação religiosa, vem inevitavelmente de encontro ao sentimento de impotência do homem ante a vastidão do mundo, o indivíduo religioso é alguém essencialmente desacreditado, ele busca uma realidade sobrenatural, tentando conceber a origem e o motivo das coisas.
A grande questão, entretanto, não é ter conhecimento dos comportamentos, mas sim ter ciência do ponto de partida para a ocorrência desses estereótipos. É necessário entender, a priori de qualquer reflexão, que o homem antes de ser envolvido em todo o arcabouço de valores sociais, tradicionais ou não, é ele um ser livre por excelência. E uma vez que se defronta com a realidade (artificial) do senso comum, ele (o homem) se sente acuado, nessa condição de pasmo com o próprio “eu”, se vê entregue. Ora pela falta de autocrença, ora pela crença exacerbada em verdades alheias o ser se coloca em uma subcondição de não governo e cria fugas diversas, pela projeção de uma imagem de potência (ideal estético), pela projeção de uma imagem de retidão (ideal ético) ou pela justificação de si numa sofismática transcendente (ideal religioso), mas por mais escravo que esteja, por mais esquecido de si, no coração do homem, no recanto mais sombrio, existe um vulcão latente (a essência de cada um) que se não se permitir caminho para a vazão de sua lava quando chega a erupção ela será apenas o seu próprio produtor.
Homem se vê posto na linha de tiro entre o ser e o dever, a razão e o desejo, o teatro e a vida... É mister lembrar que só se vive uma vez e a vida é curta demais! Vença-se a si mesmo e depois disso não haverá mais adversários. Um velho mestre disse uma vez: “O HOMEM É UM DEUS ENFAIXADO!” Retirem-se as Faixas e busque-se a verdade de cada um.



PS: Dedicado a você que me confiou os seus segredos...
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Soren Kierkegaard.

Tim Kretschmer, o Atirador - por Ninguém Envolvente

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Todo o meu ódio não pode ser medido
Eu não serei afogado por seus atos incosequentes.
Agora você pode tentar me puxar para baixo
Me jogar no chão. Eu verei você gritando.
Porque você está tentando fazer graça comigo?
Você acha isso engraçado?
Que porra é essa que você acha que está fazendo comigo?
Eu quero te matar e te violentar da mesma maneira que você me violentou
Eu puxarei o gatilho
E você já era, já era, já era

.(Trecho da música “Thoughtless” da banda Korn,
que seria sobre um garoto que é sacaneado durante o período escolar e um dia se revolta.)
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Tim Kretschmer vítima ou vilão? Depende. Até que ponto pode-se suportar uma vida vazia e humilhações que vêm de todas as partes e de até mesmo pessoas que você admira?
Não é fácil lidar com o assombro de achar que não se sabe como viver e Tim estava assim, não sabia o motivo de estar aqui se a vida dele não era uma coisa que ele pudesse achar digna e ficou farto. Farto da felicidade alheia, farto de ser infeliz e farto deste sistema humano infeliz e hipócrita.
Mas teria ele o direito de romper a felicidade que os outros tinham? Porque Tim não canalizou seu ódio em algo produtivo como a música ou um esporte? Porque Tim não arrumou uma namorada para entender o que era amar e, por tabela, ser feliz? Ele pensou que não seria capaz.
A vida toda disseram que ele era um lixo e ele passou a se sentir como tal, ele foi vítima de uma sociedade que exclui pessoas intimistas, inteligentes e melhores que elas mesmas. Tim possuia um grande potencial e os outros sabiam, mas ninguém o deixava perceber o quanto ele era importante.
Nem todas as pessoas sabem lidar com a pressão de ser quem é.
Agora ele não passa de um NADA que matou mais de 15 pobres vidinhas felizes e nem sequer teve a chance de poder dizer o que ele sentia e o porquê tamanho ódio. O fato é que ele matou e está morto e nada vai mudar isto.
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(Post publicado, originalmente, em 14/03/2009.)
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Bruna Lombardi, “Como Se Fosse” - Citada por Penélope Charmosa

Nessa memória essa ela era eu
e não tinha luz de vela,
mas só muito depois (quantos anos?)
é que escureceu.

Foi então que eu soube de você menino
curto calção
e das histórias de assombração
que você aprendeu primeiro.

E eu te contava do medo
do escuro e do silêncio
que eu não perdi, acredite.

A gente ia pro moinho
escondido no meio do mato
e era você quem falava
você que tudo sabia
você que até já tinha
visto um javali

e era eu quem fugia dos bichos
e hoje continuo fugindo
de outros mais graves, mais feios
que me habitam.
E não há faca, espingarda
pedra ou caco de vidro
e nem grito nem veneno
que afugente essa ausência
ou que essa solidão tema.

E você era o valente
montava cavalo em pêlo
nadava na correnteza
desbravava mato cerrado
e de noite então, ia sozinho...

e me chamava gritando
do cimo do morro mais alto
.......e eu subindo devagar
.......(hoje eu desço)
desço à rua em movimento
e é sempre a mesma estúpida vertigem
fantasmas de pedestres em todos os sentidos
uma duplificância de ruídos demais
uma impressão de coisa já vivida
e é sempre o mesmo medo
de me expor, a mesma desproteção
sob a geometria caótica da rua.

E eu tentava imitar você
tentava tanto ser.
Mas você era dessas almas fortes
que circulavam livremente
e eu tentava... mas como?
de que jeito?
era como mudar a natureza
e a natureza já estava lá quando chegamos.

Com o facão de um só golpe
você cortava a cana
enquanto eu imaginava
num acidente tolo
o facão me desventrando
e tripas, sangue e cana misturados
com terra e roupa suja
e o meu chapéu de palha atirado longe
e o sol ardendo muito. O mesmo sol.

Depois você me ensinou a contar mentira
e eu fui aprendendo com grande habilidade
e desde então tenho me mentido muito.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Nada - por Poty

Não dou nada
Não faço nada
Nada não faço
Não faz nada

Ando no nada,
Ando sem nada...
No nada eu fico

Nado no nada...
Nada nadando
Fico nadando

Fico sem nada
Não quero nada

O nada não é solução...
Nada é o vácuo sem animação.

Eu não tenho nada,
Mas o nada está em mim...

O nada toma conta de mim
De mim ele toma conta e me decepciona...

Vislumbro o nada no horizonte



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