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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

A Mulher e a Batedeira - por Alba Vieira

Era uma senhora de olhar vivíssimo. Sentada em sua cadeira de balanço, tomava conta de tudo que se passava na casa. Não era uma cadeira comum, dessas austríacas. Não. A sua cadeira era corpulenta, como ela. Mais parecia um trono. E girava, para que a visão do mundo se assemelhasse à do gavião. Não era uma ave de rapina, essa mulher no alto dos seus oitenta e um anos. Era antes uma mãe, na concepção mais antiga da palavra, imagem de proteção calorosa por debaixo de suas asas, mas sem esquecer da visão aguda, da percepção do todo que era a sua marca e, principalmente, do olhar hipnotizador.
Agora, reinava em sua cadeira, de onde saía somente para o banho, descansar durante o dia, as horas de sono da madrugada ou para um ocasional passeio de carro que era o seu êxtase. No mais, permanecia sentada, atenta, interagindo com todos na casa, dando idéias, ensinando a fazer a comida do seu jeito, pois sessenta e tantos anos de cozinha não eram para se jogar fora e, afinal, queria a comida exatamente ao seu gosto.
Ela era meticulosa sim. E exigente. Tudo devia correr dentro do previsto. Acompanhava as horas. Havia em sua casa inúmeros relógios, em todos os cômodos, até no banheiro, em alguns lugares mais de um. Era justificado. Passara toda a sua vida, prisioneira do relógio ou, quem sabe, estimulada por ele, desdobrando-se nas tarefas domésticas. Tivera doze filhos e sempre se queixava, pois, desses, dois nasceram prematuros e não vingaram por falta de cuidados médicos. Os outros dois, de uma gravidez de trigêmeos, tiveram morte intra-útero, no sétimo mês, tendo sobrevivido só uma das filhas, hoje magrinha, mas muito forte e corajosa. Ah, seus filhos, sua criação, muitos, pois que sempre fora exagerada. Exagera ainda hoje, velhinha. Não é daquelas anciãs sábias, sequinhas. Ela é roliça. O neto diz que parece um bujãozinho. O rosto é redondo, vermelhinho com os dois olhos pretos como azeitonas. São olhos tímidos. Mas quando não se olha para eles - que então ficam envergonhados e fogem - são firmes e atingem os olhares mais difíceis.
Ela é minha mãe. Talvez por isso mesmo a conheça tão bem. Ou melhor, só passei a conhecê-la assim depois que afastei a idéia de que justamente era minha mãe. E mais, só pude vislumbrar a sua riqueza quando deixei de adivinhá-la; eu que sempre sabia o que esperar dela, presenteei-a com a liberdade de dela nada mais esperar, permitir que depois de tantos anos de vida pudesse ser o que realmente era.
Pois que essa senhora não era só a mãe prestimosa, aquela que fazia milagres com os parcos recursos do marido padeiro. Nem somente aquela que “batia” na máquina de costura madrugadas inteiras para poder formar os filhos em colégios particulares, seu maior orgulho. Ou alguém de extrema competência que arrumava, lavava, cozinhava, costurava para a família e para ganhar dinheiro, orientava, acarinhava e ainda estimulava a independência e auto-suficiência nos filhos. Só não lhe sobrava muito tempo para amar. Com a chegada dos filhos foi sufocando dentro dela o amor de mulher. Assim o seu corpo foi engordando de desejo represado. Distanciou-se de si mesma e do marido, seu amor. Não poderia vê-lo de fato, não poderia dispor de tempo para ela com tantos filhos sob sua proteção. E para não amá-lo com o desejo que tinha que sepultar dentro de si, só não o enxergando. Passou com os anos a ignorá-lo, a despeito de amá-lo tanto. E não olhando para ele deixava de olhar também para si. E dessa forma o tempo foi passando e essa distorção foi sendo tida como a realidade. Mas não era. A realidade que trazia em si era um amor forte, intenso, daqueles que o corpo parece não suportar de tão profundo.
Essa mulher escondeu-se de si por tantos anos que quase apagou o resto de doçura que guardava em seu peito, ainda hoje macio e acolhedor. Acho que por isto teve um infarto.
O amor motivou toda a sua vida. Mas escondia dos filhos e talvez do próprio marido o sentimento forte. Passava por alguém pragmático, que só se importava com as obrigações, que se fazia refém das culpas vindas não se sabe de onde. Escondia o fervor que tinha pela vida, a tendência romântica. Eu mesma, a caçula, cresci sem assistir uma vez que fosse a uma demonstração explícita de carinho entre os meus pais. Nunca presenciei um beijo, um abraço, salvo nos aniversários e no Natal, verdade seja dita. Pode-se dizer que ela endureceu para se proteger de si mesma. Que bobagem! Ninguém consegue fazer isso para sempre.
Agora essa mulher roliça, de olhos vivos, deixou-se florescer. Imaginem que se libertou depois que teve um acidente vascular cerebral! Deixou que caíssem por terra todas as suas resistências. É certo que somente depois de muito brigar e espernear, tentando manter-se como sempre tinha sido. Finalmente suavizou-se. Agora os seus movimentos são mais lentos, eu diria mesmo que ganhou uma certa sensualidade. A fala não é mais aquela rajada de metralhadoras de antes, quando ficava irritada. Fala pausadamente. E o ganho maior e mais surpreendente: a lesão cerebral deixou que sua emoção aflorasse. Que sábio é o organismo! Minha mãe chora com facilidade, emociona-se frequentemente, exagera como sempre, é certo. Esse coração, antes lacrado, escorre amor por toda ela que se derrama em doçura todo o tempo. Passou a ouvir músicas românticas, presta atenção às letras e proclama o amor com entusiasmo. Diz que todos os filhos precisam ouvir, que suas vidas, principalmente na área conjugal, melhorariam sensivelmente se eles seguissem os conselhos de Zezé di Camargo.
Em sua cadeira-trono ouve músicas de amor o dia todo. E se perto dela surge uma discussão mais inflamada, aumenta o som para abafar a confusão tão desnecessária. Essa sábia senhora continua ensinando a todos nós.
Minha mãe é assim, arrebatadora e surpreendente. Não é dessas velhinhas que esclerosam e passam a falar coisas sem muito nexo, se bem que, sabendo-se ouvir, nenhuma manifestação na velhice é de todo descabida. Ela mantém a coerência, só que consegue a transformação quase imediatamente, deixando os filhos atônitos por mudar de forma tão rápida seus pontos de vista de tantos anos.
Antes, ela ignorava a necessidade da vida afetiva dos filhos. Hoje, ela estimula. Antes, ela era rígida e agora é mais flexível do que a neta consegue ser. No passado, se torturava com o excesso de trabalho e hoje, se deleita com o lazer e faz questão de se presentear com passeios, descanso e festas. Quis festejar seus 80 anos, depois 81 e no próximo ano terá a festa dos 82 anos. Vejam só, ela que nunca fazia para si nem um bolinho de aniversário, só para os filhos, é claro.
Nessa jornada que foi a sua vida, o marido se foi há três anos. A propósito, ela teve o derrame enquanto ele estava internado numa clínica para idosos. Perdeu o seu amor com uma compreensão invejável. Aceitou a vontade da Vida. Depois de 63 anos juntos ele se foi. Não aconteceu de repente. Ele ficou preparando sua partida por cinco anos. Tão ligado a ela, não poderia ir assim rapidamente. Acho que ela foi-se acostumando a não tê-lo mais nos seus dias, pois que o guardava como um cão, sem muito espalhafato, mas acompanhando o dono com o olhar de um enorme carinho. Brigava com ele o dia todo, implicava pelas mínimas coisas ao invés de declarar logo seu amor, com palavras e gestos. Aprendeu, enfim, a duras penas, a demonstrar o seu afeto.
Por tudo isso, não me surpreendo de agora vê-la, quase todas as manhãs, de pé junto à bancada do armário da cozinha, de frente para a batedeira, sentindo o cheiro que vem dela dizendo palavras entre dentes, como se conversasse com alguém. E pasmem, até já a vi beijando a borda do eletrodoméstico! A primeira vez que presenciei a cena não entendi nada. Depois, observei o que fazia e lhe perguntei com quem falava. Ao que ela me respondeu: com o seu pai, ele vem aqui todos os dias. Sente só o cheiro na batedeira, disse-me ela. Agora ele está aqui. Quando não está, o cheiro some.
Ocorre que meu pai, antes de ser funcionário público, agente administrativo no Ministério do Trabalho, era padeiro. Foi gerente de padarias por muitos anos. Em toda a sua mocidade fazia pães deliciosos e no primeiro encontro com a minha mãe, onde trabalhava, ofereceu-lhe um lindo pão doce que naquele tempo vinha recheado (alguns exemplares, de surpresa para os fregueses afortunados) com aneizinhos. Nada mais coerente do que o que ela estava dizendo. Ele tinha cheiro de farinha, era o perfume daquelas mãos grandes e habilidosas, lindas que eu bem conhecia, e ela, muito melhor do que eu.
Passei a observar. Por várias vezes já senti o cheiro do meu pai naquela batedeira que hoje já não é quase utilizada, em ocasiões e datas importantes para a família. Às vezes, nem estou prestando atenção, conferindo se o perfume está ali e é o aroma que me atrai, me avisando que ele está presente naquele momento e acabo entendendo o porquê da sua visita. Confesso mesmo que, por várias vezes, conversei com o espírito do meu pai naquele lugar, em situações difíceis de nossas vidas, como se faz num santuário.
E para a minha mãe é simples assim: ele se foi, ela tem saudades, o amor permanece e liga os dois. Para ela, ele vem, ainda vive fora do corpo, ela sente o seu cheiro e o seu coração se alegra: ele está ali.
Minha mãe, a batedeira, meu pai, o amor unindo as pessoas, antes e depois da vida. A morte não existe mesmo, concluí.



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Mudanças Já! - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Hoje, vendo a TV, como sempre me estressei ao ver a nossa política para adolescentes infratores.
Matam, violentam, deixam famílias de luto e no fim... são presos e soltos.
Vejo a polícia querendo prender bandidos e, pela lei mal feita, tendo que soltar.
Vejo filhos matando pais, pais matando filhos e tendo como justificativa imbecil que não os queriam deixar ficarem aqui sofrendo.
As pessoas estão perdendo muita coisa: emoções, afetos, valores.
A TV e a Internet, às vezes, são, entre outras coisas, escolas boas e escolas ruins.
A cadeia muitas vezes serve como uma grande escola de formação de marginais. - Aprenda a ser ruim ou morra!E me lembrei de um caso, em Brasília, de um homem que foi ao Parque da Cidade e, vendo patos nadando, achou mais que lógico que levasse para sua casa, com certeza para servir de jantar.
Evidentemente que foi preso e pela Lei - Que lei é essa, senhor? - preso por roubar um pato -, inafiançável, segundo o IBAMA.
Ele, com os patos debaixo do braço, o olhar faminto e a desculpa de que ia criar os patinhos...
Mas cadê uma lei como essa que fosse inafiançável quando o cara rouba, mata, estupra e violenta os patos que somos nós?
A esses uma lei branda - réu primário, endereço conhecido... Acho que devíamos inserir o ser humano na lista de animais em extinção e aplicar a pena inafiançável para quem rouba ou mata outro ser humano.
Acho que devíamos rever nossas leis. Afinal temos tantos deputados, senadores, ganhando MUITO BEM e que podiam fazer seus deveres com mais frequência e frequentar mais as sessões “escolares” e apressar os resultados.
QUEM ROUBA UMA GALINHA É PUNIDO.
QUEM ROUBA UMA VIDA é premiado, principalmente se for menor infrator.

VAMOS FORÇAR ESSES NOSSOS PARLAMENTARES ELEITOS POR NÓS A TRABALHAREM EM PROL DOS CIDADÃOS DECENTES E NÃO EM PROL DOS DELINQUENTES.
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Paulo Coelho e Fernando Gabeira - por Kbçapoeta

Crepúsculo do Macho - Fernando Gabeira
O Diário de um Mago - Paulo Coelho
Veronica Decide Morrer - Paulo Coelho



“Oi, Ana!
A relação na verdade seria entre o livro ‘O Diário de um Mago’ e ‘Crepúsculo do Macho’ que são depoimentos.
Paulo Coelho, gosto muito como letrista, como escritor não acompanho sua obra, li alguns livros, e ‘O Diário de um Mago’ eu gostei.
O último que eu li dele foi ‘Veronica Decide Morrer’, em 1998 (faz tempo) e achei puro clichê.
Mas o ‘diário’ achei legal, acredito que eu seja o único aqui no Duelos que fala bem de algum livro dele.
O café fica por minha conta.
Beijão!!!”
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Inteira - por Poty

Não quero pela metade, quero por inteira

Para que a metade
Se posso tê-la inteira?

Se você vier pronta
É melhor!

O pedaço não serve
Se tenho em mãos você integral


Como ficarei com uma parte?!

Quero toda perto de mim!
Seu todo é meu complemento

O meu inteiro
É o seu terço,

Então seremos complemento

Entre o meu todo
Como o teu também

O resquício não serve para ninguém
Não aceitarei também

Venha de mente e alma
É plena que me convém!



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domingo, 10 de maio de 2009

Marcianos Verdes e Todos os Devaneios do Mundo - por Bruno D’Almeida

O filho de três anos de Geysa e Léo sumiu na multidão de um shopping center. Bastou desviar a atenção por um minutinho, vendo os modelos de aparelhos celulares numa loja, e quando o papai foi mostrar o aparato móvel a Zezinho, um artefato com câmera, filmadora, rádio, tocador de música, transferência de dados, função pipoca de microondas e tudo mais, eis que o menino não estava mais do lado do casal. Saem os dois correndo feito loucos da loja.

Imagine um corredor com visão ao infinito cheio de formigas humanas andando pra todos os lados e a ausência de um cotoco de gente. Nunca na vida Geysa viu tantas pessoas juntas e, ao mesmo tempo, sentiu uma solidão tão grande no peito. Léo pensou que tinham sequestrado seu filho, que ele podia estar nas passarelas de acesso ao shopping com uma pessoa má segurando apertado as mãos suaves e tenras de seu precioso filho. Ele podia estar sendo vítima do tráfico internacional de crianças, do tráfico internacional de órgãos, podia ter sido abduzido por marcianos verdes que pousaram no teto daquele palácio de consumismo, todas as desgraças do mundo pairavam na cabeça do jovem casal naquele momento de desespero.

Os seguranças do centro de compras fizeram um esquema especial de busca. Relato físico-psicológico feito pelo pai e passado pelo rádio: criança linda, com cabelos castanhos encaracolados de anjinho do céu, olhos pretos faiscantes de jabuticaba, sorriso encantador, corpo gordinho, vestido com um conjunto azul do Cebolinha e um par de alpercatas bege de couro. Choro. Abraços apertados. Orações e promessas a Deus de nunca mais desgrudarem os olhos do seu maior tesouro. Foram intermináveis quinze minutos de ansiedade, até que um segurança relata aos pais a presença de uma criança com descrição compatível nas Lojas Americanas, ao lado da loja de celulares.

Suspense. Estava lá a criatura pequenininha, com um carrinho de plástico debaixo do braço, escolhendo outro, com um segurança ao lado de braços cruzados e sorriso largo no rosto de dever cumprido. A mãe agarra a criança falando meu filho o que você está fazendo longe de papai e mamãe? Eu tava comprando meu brinquedo, diz o projeto de gente com a maior naturalidade. Mas você não tem dinheiro, Zezinho, retrucou papai. Tenho sim, disse o menino tirando uma moeda de cinquenta centavos do bolso. Flash back. Como um raio, as coisas começaram a fazer sentido.

Almoço de formatura das secretárias executivas. Geysa, amigas da faculdade, respectivos maridos e namorados. Depois dos comes e bebes, um amigo do casal deu uma moedinha ao menino. A família feliz vai em seguida ao shopping, passa pela porta das Americanas, o guri pede um carrinho de presente, o pai diz automaticamente que não tem dinheiro e vai pra loja de aparelhos celulares gastar dinheiro. A criança pensa então em fazer uma surpresa aos pais e comprar seu próprio brinquedo com todo dinheiro do mundo de uma moeda niquelada.

Isso aconteceu há dois anos. E foi justamente numa nova reunião das secretárias, ao rever o dileto amigo do casal que deu a moedinha, que o assunto veio novamente à tona. O causador da confusão disse com sorriso sarcástico que se sentia feliz em ter mostrado a importância de prestar atenção aos filhos e de também revelar o espírito decisório, independente e autônomo do menino. E para eternizar aquele momento, nada melhor do que tirar uma foto dele com a criança segurando uma moedinha. Léo então, humildemente, sacou o celular-câmera-filmadora-máquina-de-lavar do bolso e registrou para sempre a foto predileta do álbum de família.



À Procura da Felicidade - por Ana

Bom. Com Will Smith e filho. Baseado numa história real, conta as desgraças de um pai “solteiro” que se dá bem... Bem no final.



Sinopse e trailer: Cineclick
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
Gabriele Muccino

Mães Possíveis - por Alba Vieira

Veio à minha mente a seguinte conexão: mãe-guardiã. Pensei no significado de ser mãe. Que complexidade! Que multiplicidade de formas de ser! Como vai além do estereótipo vinculado às campanhas comerciais! Que responsabilidade é ser mãe! Quantas cobranças! Que o digam os que frequentam consultórios de psicanalistas. E como é simples ser mãe deixando-se conduzir apenas pelo instinto!
Mãe é a que concebe, a que geralmente gesta, a que cuida, a que forma, a que guarda e protege (ou deveria). Cabe aos pais, à mãe, em particular, guardar o filho até que ele possa caminhar sozinho pela vida. E, neste aspecto, persiste a diversidade, cada filho tornando-se capaz no seu próprio tempo.
No seu dia as manifestações de apreço se multiplicam, seus valores ficam enaltecidos, a emoção transborda naqueles que contam com suas mães a seu lado e naqueles que a perderam por morte ou afastamento de qualquer tipo. E falam delas como se todas tivessem apenas aspectos positivos. E onde ficam a mágoa, o rancor, a rejeição, a omissão, a maldade, as perversões e tantas variáveis que fazem parte do humano? Porque cada mãe é de um jeito. E todas têm o direito de ser o que são nesta vida de aprendizados. Por que não concebê-las dentro da realidade de cada uma, ao invés de endeusá-las? Até porque a categoria mãe está intrincada numa teia complexa das relações humanas regidas por suas leis naturais, entre elas a de causa e efeito.
Entretanto, quando se fala de mãe, é certo que se acende em nós um grande letreiro luminoso onde se escreve AMOR. E a mãe de cada um expressa este amor dado em abundância, restringido, negado. Seja o que for, no fundo é amor.
Então não seria melhor, ao invés de idealizarmos, dificultando a relação, aceitarmos a mãe que temos, compreendendo, tentando perdoar, adorando, agradecendo de joelhos por ela, engolindo, caminhando ao lado, relevando, odiando, mantendo longe, substitindo etc., todas estas coisas juntas ou separadamente?
Todas as mães são importantes nas vidas dos filhos, mas nem todas são apenas anjos ou demônios. São humanas em toda a sua complexidade e diversidade. Há as que têm vocação para corresponder ao estereótipo, há as que são o oposto dele, há as que grudam nos filhos e exageram, há as que são distantes e omissas, há as chatinhas, as malvadas, as inúteis, as desajeitadas, as competidoras, as depressivas. Há tantas que não caberia aqui citá-las.
Mas para todas elas, as que trouxeram o filho à vida, as que cuidaram e criaram, as substitutas, as de consideração, aos pais-mães, a todos que representam esta categoria, cabe o respeito de todos nós.
E, certamente, cada um de nós, neste dia, terá a quem dedicar o amor e agradecer por ter honrado o título de mãe em sua vida.
Parabéns a todas as mães possíveis deste planeta.
Que possam ter sempre a liberdade de apenas ser.



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Duelando Manchetes VI: Incesto - por Ana

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ESTUPROS INCESTUOSOS


Estou caminhando por entre paredes de casas infernais, onde encontro crianças ingênuas e envergonhadas que desejam cobrir sua nudez com possibilidades inexistentes. Convivo com demônios vorazes, gargalhantes e locupletados que avançam cruéis ante a discordância e a ação protetora. Estou só. Passos isolados, de um cômodo a outro, buscando tecidos que escondam a carne que provoca fome nos olhos injetados de desejo. Sou a que não nega o que existe, a que enfrenta, com medo e asco, todos os detalhes cotidianos de uma vivência homicida. Há palavras e atitudes que matam aos poucos, um horror interminável que se refina com o desenrolar dos prazeres experienciados. Há desespero mudo, contido, suicida, imerso numa eterna noite de flagelos e gritos lancinantes das almas para o céu dos desenganados. Há revolta que se engole inteira, enorme, rasgando por dentro e que se alastra pelo corpo, tornando-o, torneando-o, transformando-o, transpassando-o e transfigurando-o. Há satisfação e alegria que saem de bocas gozantes, de peles gordurosas, de cheiros detestáveis, de salivação excessiva que escorre sobre os limpos. Há crianças tocadas, roçadas e soterradas. Há crianças enterradas vivas torturadas nos quintais e sob os alicerces destas casas. Há crianças mal formadas, mal queridas, mal tratadas. Crianças e demônios e nenhum olhar. Crianças e demônios isolados do mundo, participando de uma festa particular. Crianças que nasceram para o prazer, para a luxúria e a tortura. Crianças que vieram para as delícias da carne, para a secreta volúpia do sexo e da dor. Crianças com sangue e corpos tenros que fazem brilhar os caninos sedentos. Demônios... compreendem-se os demônios. Existem. Mas... crianças? tantas? Que permissão admitiria este cárcere dantesco, esta orgia fúnebre? Que força no universo senão a do acaso e da ausência de lógica? Imolam-se os cordeiros sem tirar-lhes a vida apenas pela perpetração do prazer selvagem. Sem altar, sem ritos, apenas profanação e carnificina. Eu cuido das inocências ensanguentadas, chorando vergonha e pavor. Que lugar é este, me pergunto, que lugar é este?
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Mãe, Instrumento Divino - por Jair Antônio Pauletto

Quando os antigos gregos tiveram a idéia de homenagear Rhea, a mãe dos deuses, sabiamente escolheram o início da primavera como a data mais propícia. Nada mais justo que associar esta maravilhosa estação com o papel de mãe. Desde aquela época, passando pela criação de uma data oficial e sua exploração comercial, tudo o que se fez visa tentar reconhecer a importância da mãe no desenvolvimento da humanidade, porém, por mais criativas e calorosas que sejam as homenagens é impossível retribuir a dedicação e o amor que as mães dedicam a seus filhos.
Dotada de um sentimento proveniente do fundo da alma, ela é a responsável pelo abrandamento das tensões entre os homens e, consequentemente, do progresso da civilização humana. Foi através das atitudes e gestos maternos que o homem se afastou da selvageria e brutalidade do desejo de guerrear. A delicadeza e suavidade da mãe permitiram ao homem descobrir a força do amor que, com o passar dos tempos, floresceu em cada nova geração, frutificando-se nos dias atuais, como o alicerce dos mais elevados princípios da humanidade.
Foram as mães as responsáveis pela sobrevivência da humanidade, não somente por reproduzirem em seu ventre a vida e assim garantirem a multiplicação da espécie, mas principalmente por elevar-nos como seres diferenciados, afastando-nos do domínio dos instintos animalescos, humanizando-nos. Sem este gesto, possivelmente não evoluiríamos como seres humanos e certamente os sentimentos de afeto, aconchego e proteção não seriam experimentados.
O desenvolvimento da força da maternidade foi fundamental para frear a brutalidade masculina que, embora importante em épocas mais remotas, teria colocado em risco ou até extinguido a própria espécie, já que a experiência do aconchego materno experimentado logo nos primeiros momentos de vida foi e é fundamental para o desenvolvimento da personalidade, fato hoje comprovado cientificamente. No entanto, é o sentimento, o afeto que a mãe transmite ao filho, que marca e os liga para a vida toda; esse amor materno é tão importante quanto o alimento que todos necessitamos para viver; nele encontra-se o DNA de todas as formas de amor e alegria que a vida nos oferece. É, também, através da pureza e intensidade da energia amorosa que liga mãe e filho que o ser humano encontra forças para trilhar seus caminhos pelo resto da vida.
A mãe é o instrumento utilizado pelo Alto para promover o crescimento humano, despertando-o como ser espiritual, uma vez que ela é o elo entre o corpo e a alma, ou seja, ela nos abriga e molda fisicamente em seu ventre, enquanto Deus nos atribui a alma. Dotada de uma alma especial, a mãe consegue estabelecer uma conexão permanente com o filho, isto faz com que a dor ou a alegria do filho se tornem extensão da própria alma. Acordar em plena madrugada, cansada pela exaustiva dupla jornada de trabalho e atender ao filho sem reclamar é um ato de amor que somente as mães são capazes de cultivar em seus corações.
Todo o trabalho dos grandes mestres da humanidade, especialmente dos lideres espirituais, não teria alcançado e prosperado no coração do homem se não fosse o papel da mãe. É ela que dá as primeiras direções na vida; é ela que introduz os princípios e valores que nortearão os passos do filho, que o incentiva a aperfeiçoar-se e a buscar novos ensinamentos. Por mais distantes que possam estar fisicamente, jamais perderão o vínculo, assim como os ensinamentos maternos sempre servirão de base para a orientação dos próprios filhos ou simplesmente para efetuar as escolhas da vida.
A multiplicação dos valores e ensinamentos dos grandes mestres deve-se muito mais ao papel das mães em plantar, no coração dos filhos, as primeiras sementes que o papel dos diferentes missionários contemporâneos ou da leitura de livros sagrados. É a mãe, que nem sempre é reconhecida e insuficientemente valorizada, a primeira a semear os principais valores humanos que posteriormente constituem no caráter do homem. Portanto, homenagear as mães é tarefa impossível, mas mesmo sendo impossível expressar o que ela significa na vida de cada um nós, devemos manifestar constantemente todo o nosso amor, de forma que ela possa sentir um pouco da nossa imensa gratidão. Beijos, abraços e todas as manifestações de carinho possíveis estão liberadas e devem ser usadas em abundância neste domingo.
Desde criança, sempre desconfiei que a mãe tivesse uma ligação divina para poder desempenhar um papel tão importante: na família, na sociedade e em toda a história da civilização humana. Mas, somente agora, percebo isso com mais clareza o que me permite dizer de todo o coração: Mães, Obrigado! Sem sua presença nossa existência não teria o mesmo sentido. Feliz Dia das Mães.



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José Régio e seu Nascimento - Citado por Penélope Charmosa

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
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Mãe Para Sempre - por Poty

Mãe, dar colo
Dar nanar/ninar
Acalentar
Dar de mamar

Mãe é carinhosa
Amorosa
Talentosa
Cuidadosa

Mãe é sempre protetora

Nem vou chamar de santa,
Mas é caridosa
Atenciosa

Sempre pronta
Para cuidar
Nem se sente cansada
Prontifica-se
E nem quer saber como vai ficar.

Nós, marmanjos,
Pra ela um bebê

Se possível
Nenhum sai de perto dela

Mãe sempre à disposição
Não tem tempo ruim
É capaz de tudo,
Vai seguindo a sua resignação.

Mãe
Mamã, ama-de-leite/babá/criadeira
Mãezinha é só minha
Mamãe, genetriz/genitora/progenitora
Mãe de coração imenso sempre cabe mais um!



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sábado, 9 de maio de 2009

Chat no Duelos

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Caríssimos amigos:
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Agora o Duelos possui um chat.
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Na coluna à direita: Duélogos.
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Boas falas!
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Um abraço a todos!
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Duelando Manchetes VI: Incesto

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POLÍCIA DETÉM ARGENTINO POR VIOLENTAR A FILHA POR 20 ANOS


Um homem de 67 anos foi detido na cidade argentina de Mendoza sob acusação de ter estuprado a própria filha por 20 anos e ter tido com ela sete filhos. O caso lembra o recente julgamento de Josef Fritzl, condenado à prisão perpétua por aprisionar sua filha Elisabeth por 24 anos no porão e ter com ela sete filhos.
A polícia capturou o acusado perto da meia-noite desta sexta-feira, horas depois que a filha, de 35 anos, denunciou o caso nos tribunais de Mendoza, a mil quilômetros da capital Buenos Aires.
A mulher disse que denunciou o pai por temer que violentasse uma das meninas que tinha tido com ele, informaram fontes policiais e judiciais citadas pela imprensa argentina.
O procurador Marcelo Gutiérrez del Barrio disse ao jornal “Clarín” que o homem foi detido sob a acusação de “abuso sexual agravado pelo vínculo, com acesso carnal em uma quantidade não determinada de vezes”.
“Tentamos limitar a informação para proteger as crianças”, afirmou o procurador, depois de indicar que os filhos do incesto têm 19, 17, 16, 12, 11, 6 e 2 anos.
Segundo Barrio, o homem se absteve a declarar culpa ou inocência, ficou detido em um centro transitório de detenção e deve ser enviado na próxima segunda-feira (11/05) a uma prisão provincial.
Barrio disse ainda que, segundo relato da mulher, o pai fazia frequentes ameaças. Ela temia que a filha mais velha também fosse alvo de abusos.
O procurador disse que serão feitos exames genéticos para determinar se os sete filhos da denunciante, que foram colocados sob a proteção de uma vara de família, são filhos do pai-avô.
Os vizinhos do acusado pelos abusos começaram a chamá-lo de “monstro da quarta seção”, em referência à área onde morava com a filha em Mendoza, capital da Província homônima.
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Leia mais
Pai obrigou filha a acusar terceiro por gravidez causada por incesto
Colombiano é preso acusado de engravidar a filha 11 vezes
Italiano é preso por violentar filha por 25 anos
Leia o que existe em nossos arquivos sobre casos de incesto
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Fonte: Folha Online, 09/05/09
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Diversidade - As Nossas Poesias XIV

Grão de areia pequenino,
Dormindo no fundo do mar,
Sonhando com as estrelas
Que nunca irá alcançar.

Mas o mar também tem estrelas...
“Que venha uma corrente do mar
- pensa, em esperança, o grãozinho.
Para as estrelas eu poder tocar.”

Então aparecem as lulas,
Os tubarões a caçar...
Grãozinho, o temor que acumulas,
Como as marés, também passará.

E logo virá a estrela
E peixinhos coloridos,
Seu desejo, enfeitado
Será enfim realizado.

E numa ponta da estrela
Ele se fixará
Para que possa com ela
Por todo mar viajar.

Em meio a tantas espécies
Encontrará, o ingênuo infante,
Uma beleza maior
Que a das estrelas distantes.



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A Vida Continua... - por Ana

Dizem que a vida tem fim
E é nisso que eu acredito.
Minha família é de ateus,
Nada de Buda ou de Cristo.

Trabalho, estudo, namoro,
Vejo muita televisão,
Converso com meus amigos,
Vou aos jogos do Fogão!

Pra que eu vou querer mais?
Isso está de bom tamanho.
Mané alma, espírito, céu!
Estou feliz com o que ganho

A cada dia nesta vida,
Não preciso esperar
Recompensas no futuro,
Anjos pra me alegrar.

Mas eis que atravesso a rua
Vem um carro e pum! pá!
Acabou a minha vida
Ali, naquele lugar...

Qual não é minha surpresa?!
Estou num local diferente...
Que diabos é tudo isso?
E ainda tá cheio de gente...

De repente eu me vejo
De uma forma esquisita
Meio translúcida, leve,
Me sinto mais é visita

Numa energia branda
Que levita sossegada...
É mesmo! Isso sou eu...
Parece até que sou fada...

Então penso em minha mãe
E logo estou junto a ela
Que chora a minha morte
Deitada na cama dela.

Eu chego bem de pertinho
E digo, com a alma nua:
- “Pensamos errado, mamãe...
Olha, a vida continua...”
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Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados para a versão coletiva A Vida Continua... - As Nossas Poesias XIII.
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Nem Tudo Está Perdido - por Alba Vieira

Fiquei pensando sobre o que tenho lido ultimamente aqui no Duelos, sobre o distanciamento entre as pessoas que parece existir hoje. E fui recordando situações que também tenho observado e que denunciam esta rejeição voluntária de gente por gente. Concordo que o que parece estar acontecendo é que as pessoas têm medo, constrangimento ou mesmo falta de desejo de proximidade com desconhecidos, reservando, na maioria das vezes, os seus sorrisos e mesmo um simples olhar somente para os que lhes dizem respeito.
Assim, parece tão estranha essa correria do dia a dia, as relações tão impessoais no trabalho, as pessoas da mesma família que mal se olham depois que voltam para casa, as relações fugidias que se estabelecem nos momentos de lazer e mesmo os relacionamentos de amor tão esvaziados hoje do contato profundo, por também, quase sempre, este ser negado a si mesmas. Realmente é muito incômodo, para os que amam e se interessam pelas pessoas, serem privados da sua atenção e substituídos por estes aparelhinhos irritantes que berram outras palavras que não as suas, inigualáveis e insubstituíveis pelo simples fato de serem do seu interlocutor em potencial no irretornável momento presente, semente da mais maravilhosa relação de sua vida, talvez, por mais interessante que possa ser o que eles estejam ouvindo.
Mas penso que isto não está acontecendo por acaso, até porque muitas pessoas que reclamam disto também costumam ter comportamentos de ignorar as outras pessoas, sem se darem conta. Quantas vezes andamos pelas ruas e olhamos de fato para os que passam por nós? Será que no contato com as pessoas de nosso trabalho paramos para observá-las, realmente, na sua emoção e profundidade ou somente notamos a sua capacidade de trabalho naquele dia, nos ocupando apenas com críticas e julgamentos? As pessoas que se relacionam com a gente diariamente passam por transformações e acontecimentos marcantes em suas vidas, olham para nossas caras todos os dias e acabamos sabendo destes fatos relevantes só muito tempo depois, sem que tenhamos mesmo apenas suspeitado deles, ainda que estivéssemos ali todo o tempo. Estranho isto, não?
O fato é que parece que não temos tempo para o outro, porque não temos tempo para nós mesmos. E isto gera um incômodo tão grande que tentamos nos distrair para não enxergar do lado de fora o que reflete o grito que abafamos dentro de nós mesmos. Eu penso é que a realidade está tão difícil de encarar com todas as suas distorções de desigualdades, tristezas, injustiças e dores (que não se consegue compreender a não ser que se afine o olhar), que é preferível, para muitos, se refugiarem no seu próprio mundinho, protegidos por algo que os isole dentro de um universo particular, primorosamente concebido dentro das suas preferências.
Então o que fazer para resgatar a proximidade com o outro, esse nosso semelhante?? É preciso que tentemos enxergá-lo como tal, percebamos que estamos todos no mesmo barco e que os tempos são de vento nordeste; que há pressa sim, porque os dias agora parecem durar só 16 horas e não 24, como antes. Então, meus caros, nada de nostalgia de cadeiras nas calçadas, cartas escritas de próprio punho para amigos ou amantes, conversas acaloradas nos bancos dos ônibus entre aqueles que nunca tinham se encontrado antes, embora estas gotinhas de felicidade ainda possam existir e realmente aconteçam. A gente tem que se virar mesmo é com o que está disponível e ir tentando se afinar com formas de comunicação mais sutilizadas e rápidas, com o mundo virtual.
Da mesma forma, penso que as transformações que estão ocorrendo de forma tão rápida no planeta e que nos colocam num estado de alerta, com tantas catástrofes naturais, ao mesmo tempo também muito nos ensinam sobre responsabilidade com o meio ambiente e desapego.
Esta aparente distância entre as pessoas pode significar o estímulo para o aprendizado e a utilização de novas formas de relacionamento entre os homens, mais sutilizadas, eficazes e talvez mais profundas em que sejamos capazes de captar com um olhar mais abrangente, pelo entrelaçamento das auras ou pelo simples sentir o outro, muito mais do que as palavras e gestos explícitos de carinho poderiam transmitir.
Portanto, é imperioso ampliarmos os nossos sentidos indo em direção aos outros, sem distinção de quaisquer qualificações tão irrelevantes hoje, de raça, cor, credo, gênero, posição social, preferência sexual etc.
Não está longe o dia em que o amor será a regra e poderemos nos atirar com confiança, buscando nossos semelhantes para relações baseadas no respeito, liberdade, igualdade e fraternidade.



Referências: Chá das 15, de Ana;
No Chá das 15, de Mellon;
Troque suas Amizades por um Mp3, de Bruno D’Almeida.
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Chá das 15 - por Ana

Vamos sentar aqui nestas cadeirinhas tão confortáveis para conversar?

Puxa, Mellon... Você me fez mergulhar profundamente nesta solidão que vivenciamos em meio às multidões. Se falta alguma coisa? Faltam muitas! E sobram umas tantas outras, também!
Um dia fui a Niterói e lá precisei perguntar a respeito da localização de uma rua aos moradores. Dirigi-me à moça que estava a meu lado esperando para atravessar a rua, pedi a informação, que prontamente recebi. Agradeci e segui ao lugar desejado. Algo me ficou soando como estranho e fiquei matutando o que seria. Então me dei conta: a moça não havia se assustado quando me aproximei dela; não havia em seus olhos medo ou desespero; ela conseguiu ouvir o que eu dizia, normalmente, compreender as minhas palavras todas sem precisar reprocessá-las mentalmente e me deu a informação com tranquilidade e clareza; ao meu agradecimento, ela sorriu!
Foi tudo isto que estranhei... Por quê? Porque na cidade do Rio de Janeiro (separada de Niterói apenas por uma longa ponte), isto não acontece há muito tempo. As pessoas não só estão absolutamente sozinhas, como consideram que QUALQUER pessoa é um assaltante, sequestrador ou assassino em potencial. Nas calçadas e nos sinais (quando dá), as pessoas guardam uma distância enorme uma das outras, agarradas às suas bolsas, mochilas, pastas, pochetes, e quase pulam, em pânico, se esta distância é menor que a normal. Se alguém se aproxima para pedir uma informação, o desespero é total, o cérebro não funciona, os olhos ficam medindo o perguntante de cima a baixo, procurando o revólver, a faca, a escopeta, o caco de vidro ou similar.
Se falta alguma coisa? Falta paz, falta a noção de que somos inocentes até prova em contrário, falta segurança.
Sobram pavor, desespero, violência, indiferença etc.
E as pessoas fizeram o que descreveu muito bem o Bruno no domingo: trocaram os amigos (e os contatos humanos) por um mp3. São pessoas isoladas, robotizadas, apavoradas, literalmente correndo pelas ruas da cidade, fugindo de todos, esbarrando em muitos, atropelando tantos, enclausuradas em seus sons berrados nos ouvidos, de preferência com óculos escuros para não verem também.
E assim caminha a desumanidade...

Ainda bem que existem lugares como o litercafé do Duelos onde a gente pode se aproximar uns dos outros, conversar, brincar e se divertir...

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Resposta a Crônica das 3 Horas, de Mellon.
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No Chá das 15 - por Mellon

Ana!

Acabei de me sentar do seu lado aqui na cadeirinha do Duelos. Me identifiquei com a pequena história que você me contou porque uma coisa similar aconteceu comigo também esses dias. Foi numa estação de metrô quando uma garota me pediu informação para saber em que sentido ia para uma certa estação. Eu a senti tão pouco à vontade que fiquei até penalizada, porque estava evidente que ela não queria ter que pedir informação para ninguém. Eu não sei se por medo, ou por querer ser auto-suficiente, mas, enfim, eu fiquei ali sentindo que tinha alguma coisa faltando. Aí eu escrevi aquele post. E até mesmo os amigos vêm e vão, hoje em dia é difícil você encontrar alguém que tenha um amigo de anos, porque as pessoas se separam e nem se dão conta disso.

Fico com medo de pensar que a tendência seja piorar. Mas, enfim, estou aqui e divido a conta do café com você!

Um beijo, Ana!
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Resposta a Chá das 15, de Ana.
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bacANA - por Casé Uchôa

Quero aqui, neste Duelo
Expressar a gratidão
De todos que aqui escrevem
Disso, há convicção

Àquela que visita
Cada texto que se escreve
E deixa o seu comentário
Mesmo que este seja breve

Não há pessoa no blog
Que escreva com frequência
E não tenha recebido
Um sim, uma aquiescência

Um “gostei!”, um “parabéns!”
Um “muito bem!”, um “valeu!”
E até quem pouco escreve
Com certeza recebeu

Um elogio sincero
Um estímulo bacana
É por isso que eu berro
MUITO OBRIGADO, ANA!!!!!!



Visitem Casé Uchôa
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Crepúsculo Vespertino ou Da Vida Livre I - por Leandro M. de Oliveira

Um dia o velho sentou-se do lado de fora da casa, como não costumara mais fazer, a essa altura perdera seu nome original, era chamado apenas velho. Começou a lembrar-se de seus dias em outrora, da época de seu triunfo. Nesse tempo, dizia ele, houvera muitas vitórias. Ele lembrara da mulher e da promessa, da sensação que houve por um segundo de que tudo poderia ser melhor. E assim começou a se questionar:
“Será mesmo que um encontro como aquele, realmente existiu? Não! Claro que não. Nós o idolatramos, em nossas cabeças fizemô-lo melhor que já foi um dia. Eu confiei nos homens e em suas palavras, mas o que resultou disso não foi mais que o cheiro fétido de corpos decompostos. No teatro das boas intenções o aleijo esconde o que falta, o deformado maqueia sua deformidade. O que são os outros além de imagens projetadas? As pessoas passam seus dias em busca da criação de significados maiores que a própria vida, para justificarem a existência a si próprios, isso não passa de sofisma e loucura deliberada. Viver não é mais que ser abortado pela natureza.
O mundo é representação! Ninguém é belo ou poderoso demais sem que um dia lhe aconteça uma desgraça, Édipo furou os próprios olhos ao descobrir que matara seu pai e desposara sua mãe, Héracles um dia após a campanha de Tebas foi punido pela loucura, mantando seus três filhos. Realizar-se é aceitar o fluxo da barbárie, se perder nele. O contrário fatalmente será empresa malsucedida. A história é feita de eventos abomináveis. Não há beleza além daquela que imaginamos. O homem foi erigido por sob a cal da dor e da frustação, supor que pode ser diferente significa aceitar o fardo de eterno Prometeu. Não há futuro, porque o passado foi algo que eternamente não se pode realizar. Esses são tempos de demência. Esperar acreditando num futuro que há de nascer do útero estéril de um passado sem alma é a maior das insídias. É preciso invocar as mil mãos necessárias à tiranização do presente. A esperança é deveras um conceito de escravos!”

As palavras do velho me fizeram estremecer. Depois daquilo ele levantou-se, serenamente, e retornou esquecido à sua cela.



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