Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mares da Memória - por Kbçapoeta

Ele segue sem destino,
Sem um porto seguro
Onde possa atracar seu navio,
Nau fantasma singrando
Os mares da memória.
Percorreu os aforismos da história
Percebendo que almas podem ser efêmeras
E a matéria pode ser perene,
Como o sentimento que nutre por sua musa.
Ela tinha por ele um amor
Infinito e incondicional,
Por duas primaveras.
Ele entendera que o amor eterno dela,
Eternamente acabara.
Ele sem o amor dela não vive,
É insuportável nefasta dor.
O Eu dele dissipou-se.
Morreu em uma abstração de palavras,
Delitos e delícias.
Desde então,
Ele é outra pessoa.
Nem mais nem menos,
Simplesmente como todos que foram
E muitos que virão.
Que ama, vive e morre de amor.



Visitem Kbçapoeta
.
.

Da História Sem Fim... - por Ana

Bem, Gio, tu quer falar sério?
Vamos falar sério, então.
Vou atender a você,
Não vou com implicância, não.

Quais são os termos do acordo
Pra duelar com você?
Não posso dizer que fugiu
E que se pôs a correr;

Também não posso dizer
Que desistiu do embate,
A não ser que tu tenha dito
Em suas quadras, em alguma parte...

Também não posso mentir...
Mas eu não menti, menino!
Fiz brincadeira com a fome...
Tamo só se divertino...

Ameaçar a torcida?!!!!
(Ameacei alguém, amores?)
Só brinquei no Duelochat...
Pra eles, Gio, só flores!

E se você tiver torcida,
Melhor ainda o desafio!
Afinal, você merece!
Tu é demais, misifio!

Ó, “debilitada” inventei não,
Tá em “O Juiz Vai Apitar, Mas...”:
“Debilitada, não é justo lutar”.
Eu reinterpreto, invento jamais!

E sobre a minha madrinha,
Agradeço a ela mesmo!
Sou persona mui grata, seu Gio,
Ao contrário de tu, torresmo.

Mas... o que tem o Português?
Está te faltando cultura!
Fala errada é estilo, seu moço!
Vai estudar Literatura!

Epa! Eu já brinquei...
É... Eu não tenho mesmo jeito...
Comecei sendo tão séria,
E já vim com desrespeito...

Mas, cara! Tu é muito chato!
Chata eu não vou ser não!
(Te responder só no sério?
Me dá até aflição!)

Além disso, é insistente!
Mas que garoto mimado!
Se eu não fizer o que ele quer,
Vamos ter Monge infartado.

Mas, gente... peraí... que é isso?
Muito abusado este rapaz!
Não vou responder tudo aquilo...
Outro Lusíadas é demais!

Então vou direto aos assuntos
Que mais importância têm:
Sobre a capitulação
E a retratação, tá bem?

Você quer que eu capitule?
Eu não vou capitular!
Quem capitula é tu.
Seu último post a provar.

E tu quer que eu me retrate?
Eu não vou me retratar.
Mas eu retratei você
E trouxe aqui para mostrar:
.
.
.
.
.
.
Resposta a História do Duelo, de Gio.
Referências: Duelochat entre Gio e Ana;
O Juiz Vai Apitar, Mas..., de Gio;
“Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões.
.

A Loja de Roupas Femininas - por Adir Vieira

São quatro horas da tarde.
Encontro-me no segundo piso de um shopping famoso, exatamente no Centro Médico. Ali tudo parece que foi planejado para distrair os clientes enquanto aguardam aquelas horas intermináveis e, dependendo do caso, nervosas para o atendimento.
O local é em toda a sua extensão envidraçado de forma que ali parados eles possam visualizar outras áreas do shopping e sua rotina.
Ali estou eu, sentada de frente para uma loja de roupas femininas no andar de baixo.
A princípio, a própria loja me chama a atenção pelo seu bom gosto. Numa época em que tecidos e trajes estão totalmente desconexos, ali ainda se preza a harmonia das cores e os detalhes suaves que embelezam a vestimenta.
Não só as roupas, mas também a disposição dos balcões e das araras clamam por uma visita que seja só para apreciar.
Observo como as calças compridas são dispostas e dobradas. Se o desenho do bolso é o destaque, é ele que fica visível aos nossos olhos e o importante é que, diferentes na sua forma, mesmo empilhadas, convidam ao interesse de experimentá-las, pois os detalhes mais importantes nas peças sobressaem na pilha.
Ali, até a lixeirinha, colocada na porta das cabines de prova, é graciosa e adequada ao ambiente.
Nas vitrines o lápis vermelho também passou, mas consegue ser mais uma obra de arte, pela forma com que escreveu “liquidação”. Cada letra, para combinar com o negócio, mais parece uma silhueta de mulher. Não posso deixar de tentar formar na minha mente o profissional responsável por aquele feito.
Agora, o que me chama a atenção ali é uma senhorinha, de uns setenta anos, baixinha, vestindo jeans como uma menina de quinze anos que, sorridente, entra e se dirige à vendedora. Depois de trocarem algumas palavras que, eu de onde estou, não consigo ouvir, seguem para um dos balcões de blusas esportivas e bastante coloridas, embora não extravagantes. A senhorinha vira daqui e dali e sem qualquer timidez a cada peça tocada, coloca-a junto ao corpo e com gestos infantis se olha no espelho, aprovando ou não uma e outra. Como se aquela primeira experiência não fosse o bastante, arruma nos braços umas seis blusas e se dirige à cabine de prova. Percebo que de lá ainda ocupa a vendedora, devolvendo algumas peças e, ao retorno da mesma, entendo que pediu para trocar as cores. Depois de muitos minutos, sai da cabine feliz indicando apenas duas peças à vendedora. As duas então se encaminham para o caixa e depois disso não consigo ver mais nada, pois a enfermeira me chama.



Visitem Adir Vieira
.
.

Resignação - por Ana

Às vezes, a gente dá mil passos tentando se afastar do sofrimento, mas há um tempo determinado de permanência, acordado entre ele e a vida. A gente só tem mesmo que esperar, resignadamente, que vença o período do nosso aluguel acertado entre os dois.



Comentário em As Nossas Palavras XXII, de Alba Vieira.
.
.

O Silêncio de Deus - por Esther Rogessi

.

.
.
.
Em sua visita a Auschwitz, o papa Bento XVI mostrou bastante desconforto ao lembrar de todo massacre sofrido pelos judeus, chegou a dar voz ao seu pensamento e disse: “Por que Deus calou diante de tamanho mal?”

Houve o silêncio de Deus durante a 2ª Guerra Mundial, quando os ustasha (croatas católicos) e os chetniks (sérvios ortodoxos) lutaram entre si e trucidaram suas populações civis...

Em nome de Deus?

Deus calou quando uma grande parte dos mulçumanos do vale do Drina foram dizimados, em um massacre étnico, em Goradze, na Bósnia; calou-se em Ruanda; na América, durante os massacres sofridos pelos povos indígenas; cala-se hoje no Sudão, onde vemos povos de etnias diferentes lutando entre si, em nome de quem?

Em nome de Deus?
Certamente que não!

No evangelho de São João está escrito:
“Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar pensará que está a fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim.” (Jo 16:2-3)

Por que questionar o silêncio de Deus perante as catástrofes causadas pela ganância, incredulidade e falta de amor do ser humano?
Ou ainda, por que fazer guerra, em nome do Príncipe da Paz?
Por que procurar culpar a Deus dos nossos próprios erros?

Comumente o homem não o quer ouvir! Faz pouco caso Dele! Porém, diante dos horrores por eles mesmos causados, culpam a quem não querem ouvir-Lhe a voz... E ainda questionam o seu silêncio!
Quando Jesus foi levado a Pôncio Pilatos, quando este tentou persuadir os judeus a não crucificarem Cristo - em vão, pois a multidão enfurecida queria o Seu sangue-, responderam a Pilatos: “O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos” (Mt 27:25).

Eles mesmos amaldiçoaram os seus filhos e a sua posteridade. A Nossa palavra tem poder. Na nossa boca está um instrumento que tem o poder da vida e da morte.

De que se queixa o homem vivente? “Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” (Lm 3:39)

Tudo foi falado, tudo foi dito, resta-nos seguir ou não, sofrermos as consequências dos nossos atos ou gozarmos os frutos da obediência e do temor a Deus. Há um livre-arbítrio para se seguir, é questão de escolhas... Com ou sem Cristo, porém, de acordo com nossas escolhas, sejamos homens bastante para reconhecermos que Deus nada tem a ver com o que decidirmos.
Ele ditou as regras... E estas estão às nossas mãos.

Desde o início de tudo, o homem costuma repassar as suas responsabilidades no tocante aos seus erros. No acerto o mérito é próprio, porém dificilmente se assumem os próprios erros.
Começou por Adão, o primeiro homem que Deus instituiu como Seu povo, feito para Sua Glória e Louvor e Eva... Sua adjuntora. Quando esta cedeu à tentação e quis compartilhá-la com Adão, vindo este a ceder, quando o Senhor Deus o inqueriu sobre tal fato, ele, simplesmente, colocou a culpa em Eva: Foi a mulher que tu me deste...
A verdade é que, comumente, caímos por nossa própria opção, livre escolha.

Portanto, que deixemos de questionar Deus e procuremos conhecer a Sua vontade, para que tenhamos vida e vida em abundância.

Muitos são os medos que habitam no coração do homem, porém, se temos que temer alguma coisa, que temamos não conhecer a Deus.



.

Manuel Bandeira e o Pneumotórax - Citado por Lélia

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.



In “Estrela da Vida Inteira”.
.

Porcos Me Mordam! - por Ninguém Envolvente

A um período de tempo não muito distante, os Estados Unidos, nação mais poderosa do mundo, passou por uma grande crise financeira, o que ocasionou inúmeras falências em diversos países, abalou a economia quase que mundialmente. Para conseguir se recuperar do tombo financeiro, os EUA fizeram um acordo com o México.
O acordo consistia em melhorar a economia americana, garantindo ao México que sua população teria acesso aos EUA sem precisar de documentação, os mexicanos seriam agora reconhecidos legalmente como cidadãos americanos. Caberia ao México executar então o trabalho sujo de reconstruir o império americano, soltar de um de seus laboratórios o vírus H1N1 popularmente apelidado de “vírus da gripe suína”.
O México tinha o vírus em estado de latência e o soltou em um lugar remoto dentro do próprio território, onde havia muitas criações de porcos. Porcos que estavam sobrando, devido à grande elevação de preço logo após a crise, e o custo em manter os animais ainda vivos eram enormes.
Inicialmente, somente os porcos deveriam ser afetados, assim davam fim a um certo número de suínos que estavam em excesso e seria então vendido um grande número de medicamentos para tratar outros animais, mas o vírus também afetou humanos. Estava no planejamento do governo americano, tudo foi calculado para caso isso acontecesse, já que o vírus foi solto quando era verão nos EUA, portanto seria mais difícil que o povo americano sofresse com a nova praga.
O vírus foi se espalhando em países cuja economia estava mal, mas não o suficiente para deixarem de comprar o remédio para curar a população, o TAMIFLU. Os países mais afetados foram os emergentes, que não tinham como produzir o medicamento que até então seria um monopólio dos EUA.
A venda do TAMIFLU aumentou com muita significância e com isso os EUA quase conseguiram superar a crise que causou tantas perdas e falências. Só não a superaram porque, na última hora, o presidente do México extorquiu o Barack, acabando com o barato dele, quando mostrou uma fita onde estava gravada toda a negociação da soltura do vírus.
A população americana não foi tão afetada pela gripe, o México conseguiu o eterno Green Card e um grande frigorífico que trabalhava para a instituição McDonalds deu a volta por cima, já que a população ficou temerosa em comer suínos e a venda de bovinos quadriplicou.
Com absoluta certeza, Osama Bin Laden também está envolvido na Gripe Suína, já que na Arábia Saudita, local de origem de Osama, é proibido por lei o consumo de carne suína. A participação do árabe entra no financiamento de aviões contaminados que espalham o vírus, causando a pandemia. Com isso, Osama ganha a amizade de Barack e tempo para arquitetar o novo plano destruição aos EUA.
A esperança para salvar o mundo caiu sobre o presidente tupiniquim Lula, já que ele É O CARA...



.
.

Bruna Lombardi “No Ritmo Dessa Festa” - Citado por Penélope Charmosa

Vem cá, meu bonito
que eu te solto os arreios
que eu te faço, te encaro
e te alucino
a minha paixão não cabe no teu seio
não cabe no teu quarto
o meu destino.
Nem cabem na palma da minha mão
todas as linhas
que eu vou traçando nos caminhos
todas as contradições em que acredito
a liberdade que te proponho
a loucura de improvisar ninhos
e desprender os pássaros do sonho.

Que é que há, meu bonito
que medo é esse
que te segura à terra
te prende e até parece
que você não tem luar.
Vem pra cá te enfeitar de festa
que eu vou te esfregar com areia
que eu vou te marcar na testa.

Vou aprender teu jeito esquisito
de mexer com essas franjas
de balançar as arestas
te mostrar como se dança
o ritmo desse deboche.
Tem que ter ferro e trato
tem que ter desejo ardido
pra poder soltar esse bicho
escondido nesse mato.

Tem que soltar essa fera
que dentro do peito te amarra
pra dançar como se dança
no ritmo dessa farra.

Vem cá meu bonito prepara
o bote. Afia teu corpo pro corte.
Vem, se larga se espalha
que eu sei lidar com teu porte.
Vem, que eu sou da tua laia.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
.
.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sopa de Letrinhas - por Gio

Acordei, bebi café. Desejava esta folga. Gritei – histeria inicial! Jurei, Karen ligará – mas nada ocorria. Pedi que retornasse seu telefonema. Uma vez. Well... xingando. Ypioca, Zé!

Acabou, Beto! Cansei de entender! Foi grave, hediondo, inaceitável. Jardas, kms, léguas, milhas: não ouse procurar. Quero recomeço, sumiço! Tenho uma vida. Wisconsin, Xangai, Yellowstone... Zarpei!

Assim? “Basta”? Calma! Deixe explicar! Fui gelado, homem irracional, jegue, Kong! Levo minhas noites orando para que reconsideres. Somos tão unidos, volte! Will, xis-salada. Yeah, zonzo...

Ah, besteira! Chega dessa estória! Fugiria, garanhão, há incontáveis janeiros... “Karenzinha”? Lembra meu nome, oh. Por que ridicularizo suas tentativas? Utopia! Vitória: whisky x you? Zero-a-zero.



Visitem Gio
.

O Gio Tórrax!!! - por Ana

(Paródia de Pneumotórax, de Manuel Bandeira)


Fome, indignações, amnésia e pesadelos noturnos.
O duelo inteiro que podia ter sido e que não foi.
Se contorce, se contorce, se contorce.

Mandou chamar o médico:
- Diga o que foi dessa vez.
- Metidez... Desfaçatez... Compreendeis?
- Explique.

- O senhor tem uma lesão no hemisfério esquerdo e o direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar levomepromazina?
- Não. A única coisa a fazer é dançar a polonesa.
.

História do Duelo - por Gio

Capítulo I: O Início
Comecemos uma revisão
A matéria vista aqui: História
Prestem todos muita atenção
Refresquemos a nossa memória

Quem começou esse caos
Foi mesmo a senhorita
“A coisa pra tu tá maus”?
Falta, o juiz apita!

(Falta de vocabulário
Ou conjugação bisonha
Tem um próprio dicionário
E fala do meu “escabronha”...)

Voltando cá aos primórdios
O caos aqui se criou
Pois guardavas tanto ódio
Desde que a Ninja zarpou

Logo, precisavas tanto
De um rival (Entendeu?)
E, vejam, pra meu espanto
O escolhido fui eu

Pegou frase inocente
E transformou em escarcéu
(Me diga - quem é que entende?
Nem rezando para o Céu...)

Começou chamando outra
Antes de dar-se o duelo
Deve ter pensado, louca:
“Pra que arriscar? Apelo!”

Justificou, minha filha,
Ameaça como delito -
Fez formação de quadrilha,
Calúnia, não é mito...

Difamação, injúria,
Também falso testemunho,
Atiçando a menor fúria
Pondo fogo em rascunho

Quando tudo se acertou
Fez um drama mexicano
Boa gente até que sou
Mudei de rumo o plano

E o que ia ser sarau
Virou duelo de verdade
Sendo combate, afinal,
Eu esperava integridade.



Capítulo II: O Desenvolvimento
Quando a luta começou
Sua fala foi simplória
Da minha roupa debochou
Cantou de galo a vitória

Em vez de se preocupar
Em um duelo direito
Preferia só zombar
Me xingar de todo jeito

(Reparem que ela disse
Que eu a chamei de bicho
Comentário de cretinice -
Esqueçam, joguem no lixo

Pois vejam quem começou
A chamar em disparada
Disse tudo o que pensou
De nomes da bicharada:)

Já virei homem-morcego
Virei sapo, perereca,
Cobra de bem longe, nego!,
Rato sujismundo (Eca!)

Ela, de lá, já distorcia
Minhas falas do momento
Se na mesma eu respondia
Eu virava peçonhento!

Ficar só na classe contra
Alguém que só avacalha
Não funciona - fui na afronta
Talvez seja a minha falha

Joguei na mesma moeda,
‘Inda prezando a decência
Admitindo quando erra
P’ra luta ter coerência

Quando isso, essencial,
Não vi ser correspondido,
A revolta me foi tal
Na luta não vi sentido

Mesmo assim, perseverei
Meu orgulho é um calvário
De despautério lembrei:
“A luta não faz aniversário!”

Vi ela cometer gafes
E depois me desmentir
Isso me irrita, aff...
(Por acaso era pra rir?)

E nesses altos e baixos
De montanhas e declives
Shintoni pensou: “Eu acho
Que poderia ter um live!”

(Que “láive” se pronuncia,
Mas peço licença poética
Pra manter fotografia
Já que não nos fere a ética)



Capítulo III: A Ausência e o Descaso

Pequeno fato que ocorreu
Lá no início do combate:
Disse que o Monge correu
Ele estava tomando mate...

Eu explico, meus amigos
O que me atazanava
Por um estranho motivo
O meu PC não ligava

Deixei isso avisado
Em verso de poesia
A Samurai, de “mau-grado”
Se aproveitou, fez covardia

Disse a todos que fugi
Que estava amarelando
Quando vi, eu exigi
Provas do que estava falando

Acho isso sacanagem
Achei, acho, sempre falo
E repetiu-se essa bobagem
Na hora do intervalo...



Capítulo IV: Tempo Real
No Duelo, eu cheguei mais cedo
E a menina chegou atrasada
(Espero que não lhe fosse medo
De, em público, ser espancada)

Falei que estava com fome
- Não me atrapalha em nada -
Já virou um novo nome
Pra sua desculpa esfarrapada

(Fome me foi alegoria
Pra ter um pouco de comédia
A Samurai - Oh, quem diria! -
Viu nisso um poço de tragédia)

Outra de suas desculpas
Que chegou se lamentando:
Leu Parmê, e sentiu culpa
Não tava se concentrando

Não sei pra que choro fútil
Se tu jamais admites
Que perdeu... Então é inútil
Proceder com os chiliques...

Se alguém pra mim torcia
Com um pouco de fervor
Ela ameaçava, arredia
Chamava de traidor

Isso aqui é o que eu chamo
De pura falta de postura
Isso aqui é o que reclamo
Ser desleal na caradura.

O duelo terminou -
Insatisfeita com o lido,
O final, ela mudou:
Me chamou “doido varrido”

Acatei, mas não devia
Não é justo, logo digo
Dar desculpa, bem em vias
De ser usada comigo.



Capítulo V: O Pós-Duelo
Tudo recomeçou mal
Espalhou que eu desistia
Em versos de maldade tal
Que minha alma rugia

De pausa, fez desistência
Inventou boatos mil
Eu voltei (E a paciência
Que vá ouvir Vitor Ramil) (hoho)

Continuou respondendo
Só o que lhe interessava
No disfarce, se escondendo
Nem erros justificava

Quando ficou sem argumento
Apelou de novo ainda
Fez o que é de seu talento:
Chamou correndo a dinda!

Segue com a agressão
Segue com a ladainha
(Em comentário nada são
Diz que só foi boazinha

E que disso reclamei
E queria apanhar!
Será que eu muito errei
Ao tentar me expressar

Ou será que ela só
Entende o que lhe convém?
Isso sim é de dar dó,
Pois sou humano também...)



Capítulo VI: Complementos
Nunca a chamei de galinha
Só disse que cacareja
Onomatopeiazinha
Que se usa “até na Veja”

Além de interpretação
Precisa rever Português
(Se for muita informação
Peça uma folga de um mês...)

E tudo o que te chamei
Alguma razão me surgiu
Algum motivo apresentei
A ficha ‘inda não te caiu?

“Cobra” foi por me trair
“Dissimulada”.. Óbvio, não?
“Leprosa”, por nada sentir
“Bebum”... foi suposição

“Isolada” num conto de fadas
“Exibida”, quer aparecer
Por me xingar, é “desaforada”
“Irreal”, não aceita perder

“Medrosa”, chamou a madrinha
“Hipócrita”, faz e condena
“Mequetrefe” pra manter a linha
Tornar a “vaidosa” mais amena

“Prepotente”, por cantar vitória
“Palhaça”, meu, nem era ofensa
“Rato” tava em expressão.. Ô, escória,
Antes de falar, pensa!!!

“Virar chouriço”, falaste primeiro
(Vais dizer que não te lembras mais?)
“Mentirosa” não é exagero
Eu te explico um pouquinho mais:

“Ogra” eu disse de tuas falas
“Pária” estava em outro contexto
Não me lembro de “debilitada”
Inventando assim, eu mereço?

Pra logo finalizar
Vou de novo explicando
O que, aqui, me fez irar
E que estou reivindicando:

Quero duelo direito
Um-a-um, só coisa justa
Quero mútuo respeito
É nobre, e nada custa

Quero que se admita
Quando se comete erros
Tenho pavor que se minta
Ao entrar em desespero

Não quero frases distorcidas,
Calúnias que eu fugi,
Nem ameaça à torcida
(Pois eu nunca coagi)

Meu, não se faça de vítima
E pare de reclamar
Coisa de neurose marítima
De quem se atira ao mar

Te chamei para o Duelo
E até agora, nada...
Meu pedido tão singelo:
Vai continuar parada?
.
.
.
Resposta às insistentes dissimulações de Ana em A Samurai x O Monge.
.
.
.
Visitem Gio
.
.

Clarice Lispector e a Rendição - Citada por Alba Vieira

.
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
.
.

Créu Cotidiano - por Lu Aline

Depois de muito esgotar meus tímpanos com a passagem da moda “créu”, cheguei à conclusão de que esse fenômeno não se restringe apenas ao campo musical, toda a realidade brasileira encontra-se em um estado de “créu” constante!
Diariamente, ao ligar a TV, ao ler o jornal, nos deparamos com violência e barbárie. Em tanto caos não há liberdade, vive-se com medo, evita-se andar por certas ruas. Pronto, é o “créu” da violência te impedindo de viver, que segue banalizando a vida.Ir ao hospital público? “Créu”! Morre-se lá sem medicamentos, sem equipamentos, sem médicos. Reféns do descaso daqueles que, na teoria, representam as vontades da nação.
E por falar em filhos da puta políticos, tão aí outros exemplos: boi superfaturado, grilagem de terra, dossiês, cartões corporativos, obras fantasmas... E por aí vai... uma lista imensa de falcatruas cometidas às claras, e ainda nas próximas eleições eles voltam a abraçar criancinhas, visitar comunidades carentes e “créu”, de volta ao poder!
E ainda tem o fantasma do desemprego, sem falar em impostos e taxas: IOF, IPI, ITR, CSLL, CSS (?), IPVA, IPTU... P.Q.P! “Crééééééu”
Chegando ao “créu” velocidade 5, nos deparamos com o ensino (ou a falta dele) público. Que, aliás, dispensa maiores comentários, visite uma escola pública, converse com pelo menos um aluno e saberás! O cruel é saber que sem educação torna-se impossível pensar em progresso, avanço. O atual sistema educacional serve mais como engana-trouxa, com números baixíssimos de reprovações, afinal com tanta falta de qualidade assim, o aluno precisa fazer um esforço tremendo para conseguir tal feito. E o pior é pensar que se não há educação estamos condenados a esse ciclo vicioso de “créu’s” e dá-lhe velocidade 1,2,3,4,5,6.......100000000!
Eu costumava ouvir muito Legião Urbana e adorei a versão feita pelo Capital Inicial para a música Geração Coca-Cola, mas infelizmente a minha geração não tem nada de contestadora, e sim de passividade com o caos que se instala ao nosso redor, somos a geração “créu”. Aquela que assiste a tudo rebolando, vivendo em um carnaval sem fim (ou baile funk como queiram), com mulheres-frutas e culto ao corpo.


\o/ \o/ Viva a Geração Créu, condenada ao... Créu! [?]
.
.
.
Visitem Lu Aline
Renato Russo
.

Lábios - por Passa-Tempo (Erótico)

.
Pra que eu quero seus pequenos lábios, se o beijo dos grandes já me satisfaz?...
.
.

Bruna Lombardi, “Você Engole Borboletas Eu Tenho o Sol na Barriga” - Citada por Penélope Charmosa

Você engole borboletas
eu tenho o sol na barriga.
Você sempre anda de óculos
eu leio coisas antigas.

Você vara a noite
eu desenho cataventos.
Você gosta de ficção
eu tenho outros inventos.

Você anda desligado
e eu busco perspectivas.
Você me conta seus sonhos
e me ri e me cativa.

Eu tenho medo da noite
você ama a solidãoo meu amor se reflete
nas pupilas dos olhos de um cão.

Você teoriza a matéria
e eu adoro hidrantes.
Você quer a liberdade
e eu só vivo o instante.

A gente faz uma viagem
e vê estrelas cadentes
e eu sonho um mar onde nado
e me afundo contra a corrente.

Você geme e se revolta
e eu penso no seu beijo
e enquanto você conversa
me dói no corpo o desejo

me arde no corpo o desejo
eu me espreguiço me espicho
e me chego e te provoco
meio anjo meio bicho.

Você me conta um segredo
eu te mostro um encanto
enquanto você toca flauta
desafinada eu canto.

Você absorve a paisagem
eu procuro a maravilha.
Você deixa alguns vestígios
e eu vou seguindo a trilha.

Você fala em liberdade
e eu me prendo no teu traço
você é abstrato divaga
eu te olho e te embaraço.

Ando na rua devagar
você corre na avenida
você tem melancolia
eu tenho medo da vida.

Você fala ao telefone
cercado dos seus amigos
eu passo os dias muito só
e só entendo depois que digo.

De repente vem o encontro
sem que a gente entenda o nexo
eu te vejo e me compreendo
e me vejo em teu reflexo.

Eu te transmito fluidos
de uma forte ligação
e recebo uma corrente
quando pego na tua mão.

Você tem um magnetismo
eu sou dotado à magia
nossas auras se atraem
por uma questão de energia.

Você cospe margaridas
tem o mundo nas entranhas
eu fico horas olhando
o orvalho na teia de aranha.

E a gente se precisa
como a um aditivo
numa coisa estranha a nós
sem razão e sem motivo.

São coisas transcendentais
é inútil que eu lhe diga.
Você engole borboletas
eu tenho o sol na barriga.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
.
.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Confabulando - por Leo Santos

A bruxa malvada da aventura te enfeitiçou,
e “dormistes” à espera de um beijo;

Já que príncipe aos teus olhos não sou,
às voltas com meus “sete anões” me vejo…

Atchim, resfriado crônico, acompanha-me por onde for,
consequência inevitável da privação do teu calor.

Soneca é uma ironia, qualquer adejar me põe alerta,
aumentando a agonia, já que você “Branca” nunca desperta.

Dunga, o menor dos minutos, tem seu aparte, sua deixa,
privado do som abdica da mímica; seu mutismo, sua queixa.

Dengoso, o depressivo, manipula por sua carência;
Recusa alternativa e cultiva seu vício, a dependência.

Zangado chuta o balde, alheio ao que derrama;
Qualquer seixo gera faísca, qualquer cisco e ele inflama.

Feliz, uma utopia, o anuro sonhando virar nobre;
O espelho quebra a magia e o pranto a face lhe cobre.

Mestre empresta, do tempo, a experiência inexorável;
e ensina, com o exemplo, a aceitar o inevitável.

Fabulosa sina ingrata, sombria perspectiva;
Sete mineiros cavando prata,
uma mina de ouro inativa…



Visitem Leo Santos
.
.

À Segunda Vista - por Gio

(Paródia de “À Primeira Vista”, de Chico César)


Quando não tinha nada, mentiu
Quando temeu a ausência, tremeu
Quando teve crise, eu ri
Quando faltou coragem, gemeu
(E lá se vem a Escrevinha...)

Quando levou surra, encobriu
Quando faltou postura, esperei
Quando não retomou, entendi
Quando criou asas? Nem sei...
(Só sei que galinha não voa...)

Quando provocou, eu vim
Quando deu por si, já bati
Quando lhe achei, ‘cê perdeu -
Quando é que você vai entender?

“Ô, ela reage” - sonhei
Que falha, que falha...
A Ana não sai do chão

Quando tinha apanhado, caiu
Quando viu decadência, cedeu
Quando teve calafrio, eu vi
Quando teve coragem? (Ninguém?)
(E lá se vai o “eleitorado”...)

Quando ficou farta, latiu
Quando não foi aceito o que sei
Quando desconversou, entendi
Quando fez descaso, pensei
(Só sei que ela precisa de aulas de interpretação...)

Quando me chamou, enfim
Quando dei por mim, eu sorri
Quando te espanquei, medi
Quando vi você, eu me toquei

Do chão não sai, meu rei
Que palha, que palha...
E aí? A reação?
.
.
.
Resposta a Há Coleira À Vista, de Ana.
.
.
.
Visitem Gio
.
.

Chega Desse Angu de Caroço... - por Ana

Gio, o que tá acontecendo?
Que bicho que te mordeu?
Eu não tô entendendo nada!
(Que aula que tu perdeu?)

Me xinga o tempo todo!
Haja nome de animal!
Depois vem, na caradura,
Me dizer: “Não foi por mal...”

Só diz que invento coisa,
Que não lido com a verdade.
Nesta história, meu querido,
Falta a você honestidade.

Já me chamou de naja,
De LADRA e de GALINHA!!!!!
De ET e predadora!
Quem foi que saiu da linha?

Eu te refresco a memória,
Já que a coisa aí tá feia
(prefiro apostar na amnésia,
porque calúnia, meu caro, é cadeia!).

Me ofendeu diversas vezes
E aqui eu vou mostrar,
Vou dar só pequena prova
Do que eu tenho que aturar:

Já me chamou de louca,
Ardilosa, cega, abatida,
Cachorra, cascavel, covarde,
Decrépita, convencida,

Já disse que eu cacarejo,
Que eu tava com a boca inchada,
Que tenho cérebro pifado,
Sou cegueta, desatinada,

Virei comida de passarinho,
Decadente, debochada,
Delirante, desonesta,
Égua, hesitante, condenada,

Hipócrita, incapaz,
Incoerente, infernal,
Maligna, marciana,
Me acusou de “glicose anal”,

Escabronha (Que raio é isso?
Por acaso é palavrão?),
Insolente, irriquieta,
Maritaca (Né mole, não!),

Bebum em delirium tremens,
Leprosa, debilitada,
Exibicionista, isolada,
Fora da real, derrotada,

Disse que não me enxergo,
Sou medrosa, desaforada,
Eriçada, desrespeitosa,
Ogra, mentalmente afetada,

Palhaça, pária, ofídia,
Perversa, descerebrada,
Podre, rato, psicótica,
Mequetrefe, desesperada,

Fui rimeira maltrapilha,
Prepotente, despeitada,
Torresmo, vaidosa, sem fibra,
Vigarista, soterrada,

Disse “vai virar chouriço”,
Me chamou de mentirosa,
Esclerosada, metida,
Desmoronada, venenosa,

Desfiada, embriagada,
Desmemoriada, velha,
Pirracenta, apelativa,
Estoporada, escaravelha,

Me acusou de “prosa flácida”,
Virei proteína, pustulenta,
Sucuri com escoburto,
Tortuosa, peçonhenta...


Depois disso tudo, ô, garoto!
Tu toma vergonha na cara!
Para de choramingar,
Veste a saia de monge e... rala!

Ao invés de me acusar
De atos que não cometi,
Assume logo a derrota.
Enquanto pode, diz: “Perdi...”

Porque a cada agressão
Eu respondi. Triunfal!
Até com som ambiente
E vídeo da vida animal!

Portanto, invejoso vencido,
Não inventa mais história!
Assume logo de uma vez:
Tá se roendo com a minha glória!

Fica se vitimizando...
Chama a isso duelar?
Corre pro colo da mãe,
Só ela pra te aturar...

Mas por enquanto, fradinho,
Por tanta reclamação
(Sem chamar a Escrevinha,
O juiz ou o escrivão),

Eu te exilo nas masmorras
Pra acabar com este alvoroço.
Já cansei das tuas queixas!
Se esgoela aí no calabouço!
.
.
.
.
.
.
Resposta a todas as infindáveis lamúrias de Gio em A Samurai x O Monge.
.

Carta de Eliane Sinhasique para Renato Aragão, o Didi - Enviada por Alba Vieira

.
Quinta, 23 de julho de 2008.
.
.
Querido Didi:

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências)... Achei que as cartas não deveriam ser endereçadas a mim.

Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por “algum” motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos).

Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas, mas comigo não. Eu não sou Ministra da Educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a frequentar as salas de aula.

A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei a distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma microempresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família. Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem.

Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores dessa dinheirama toda não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só, não interessa aos políticos no poder. Por isso o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora ou aplicando muito mal.

Para você ter uma ideia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha? Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é “o cara”. Ele tem a chave do cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da “minha” doação, que a “minha” doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você, Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias. Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa, Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários desses profissionais também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele também fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças, além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...
.

.
Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari
.
.
.
P.S. - Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

P.S.2 - Aos otários que doaram para o Criança Esperança. Fiquem sabendo que as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

P.S.3 - E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS? MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?
.
.
.
BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas), DIVULGUEM ESSA REVOLTA...
.
.
.
Visitem Alba Vieira
.

Distância Incompreendida - por Lu Aline

Não sei a que distância estou
do eu que me desespera.
Não sei, quando ando,
se me aproximo
ou me afasto.

Me preocupo em saber
se são teus olhos
que me sugam e repelem pra onde querem
ou se me prendo a eles, tragando a ti.

Mas sei que me despedaço
em quartos, terços e avos
tentando ser a metade
que possa lhe completar

Me desespero com a hora,
o carro, o vento, o passo, a chuva
e o que quer que me carregue
pra perto de tua distância.



Visitem Lu Aline
.
.