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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sopa de Letrinhas - por Gio

Acordei, bebi café. Desejava esta folga. Gritei – histeria inicial! Jurei, Karen ligará – mas nada ocorria. Pedi que retornasse seu telefonema. Uma vez. Well... xingando. Ypioca, Zé!

Acabou, Beto! Cansei de entender! Foi grave, hediondo, inaceitável. Jardas, kms, léguas, milhas: não ouse procurar. Quero recomeço, sumiço! Tenho uma vida. Wisconsin, Xangai, Yellowstone... Zarpei!

Assim? “Basta”? Calma! Deixe explicar! Fui gelado, homem irracional, jegue, Kong! Levo minhas noites orando para que reconsideres. Somos tão unidos, volte! Will, xis-salada. Yeah, zonzo...

Ah, besteira! Chega dessa estória! Fugiria, garanhão, há incontáveis janeiros... “Karenzinha”? Lembra meu nome, oh. Por que ridicularizo suas tentativas? Utopia! Vitória: whisky x you? Zero-a-zero.



Visitem Gio
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O Gio Tórrax!!! - por Ana

(Paródia de Pneumotórax, de Manuel Bandeira)


Fome, indignações, amnésia e pesadelos noturnos.
O duelo inteiro que podia ter sido e que não foi.
Se contorce, se contorce, se contorce.

Mandou chamar o médico:
- Diga o que foi dessa vez.
- Metidez... Desfaçatez... Compreendeis?
- Explique.

- O senhor tem uma lesão no hemisfério esquerdo e o direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar levomepromazina?
- Não. A única coisa a fazer é dançar a polonesa.
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História do Duelo - por Gio

Capítulo I: O Início
Comecemos uma revisão
A matéria vista aqui: História
Prestem todos muita atenção
Refresquemos a nossa memória

Quem começou esse caos
Foi mesmo a senhorita
“A coisa pra tu tá maus”?
Falta, o juiz apita!

(Falta de vocabulário
Ou conjugação bisonha
Tem um próprio dicionário
E fala do meu “escabronha”...)

Voltando cá aos primórdios
O caos aqui se criou
Pois guardavas tanto ódio
Desde que a Ninja zarpou

Logo, precisavas tanto
De um rival (Entendeu?)
E, vejam, pra meu espanto
O escolhido fui eu

Pegou frase inocente
E transformou em escarcéu
(Me diga - quem é que entende?
Nem rezando para o Céu...)

Começou chamando outra
Antes de dar-se o duelo
Deve ter pensado, louca:
“Pra que arriscar? Apelo!”

Justificou, minha filha,
Ameaça como delito -
Fez formação de quadrilha,
Calúnia, não é mito...

Difamação, injúria,
Também falso testemunho,
Atiçando a menor fúria
Pondo fogo em rascunho

Quando tudo se acertou
Fez um drama mexicano
Boa gente até que sou
Mudei de rumo o plano

E o que ia ser sarau
Virou duelo de verdade
Sendo combate, afinal,
Eu esperava integridade.



Capítulo II: O Desenvolvimento
Quando a luta começou
Sua fala foi simplória
Da minha roupa debochou
Cantou de galo a vitória

Em vez de se preocupar
Em um duelo direito
Preferia só zombar
Me xingar de todo jeito

(Reparem que ela disse
Que eu a chamei de bicho
Comentário de cretinice -
Esqueçam, joguem no lixo

Pois vejam quem começou
A chamar em disparada
Disse tudo o que pensou
De nomes da bicharada:)

Já virei homem-morcego
Virei sapo, perereca,
Cobra de bem longe, nego!,
Rato sujismundo (Eca!)

Ela, de lá, já distorcia
Minhas falas do momento
Se na mesma eu respondia
Eu virava peçonhento!

Ficar só na classe contra
Alguém que só avacalha
Não funciona - fui na afronta
Talvez seja a minha falha

Joguei na mesma moeda,
‘Inda prezando a decência
Admitindo quando erra
P’ra luta ter coerência

Quando isso, essencial,
Não vi ser correspondido,
A revolta me foi tal
Na luta não vi sentido

Mesmo assim, perseverei
Meu orgulho é um calvário
De despautério lembrei:
“A luta não faz aniversário!”

Vi ela cometer gafes
E depois me desmentir
Isso me irrita, aff...
(Por acaso era pra rir?)

E nesses altos e baixos
De montanhas e declives
Shintoni pensou: “Eu acho
Que poderia ter um live!”

(Que “láive” se pronuncia,
Mas peço licença poética
Pra manter fotografia
Já que não nos fere a ética)



Capítulo III: A Ausência e o Descaso

Pequeno fato que ocorreu
Lá no início do combate:
Disse que o Monge correu
Ele estava tomando mate...

Eu explico, meus amigos
O que me atazanava
Por um estranho motivo
O meu PC não ligava

Deixei isso avisado
Em verso de poesia
A Samurai, de “mau-grado”
Se aproveitou, fez covardia

Disse a todos que fugi
Que estava amarelando
Quando vi, eu exigi
Provas do que estava falando

Acho isso sacanagem
Achei, acho, sempre falo
E repetiu-se essa bobagem
Na hora do intervalo...



Capítulo IV: Tempo Real
No Duelo, eu cheguei mais cedo
E a menina chegou atrasada
(Espero que não lhe fosse medo
De, em público, ser espancada)

Falei que estava com fome
- Não me atrapalha em nada -
Já virou um novo nome
Pra sua desculpa esfarrapada

(Fome me foi alegoria
Pra ter um pouco de comédia
A Samurai - Oh, quem diria! -
Viu nisso um poço de tragédia)

Outra de suas desculpas
Que chegou se lamentando:
Leu Parmê, e sentiu culpa
Não tava se concentrando

Não sei pra que choro fútil
Se tu jamais admites
Que perdeu... Então é inútil
Proceder com os chiliques...

Se alguém pra mim torcia
Com um pouco de fervor
Ela ameaçava, arredia
Chamava de traidor

Isso aqui é o que eu chamo
De pura falta de postura
Isso aqui é o que reclamo
Ser desleal na caradura.

O duelo terminou -
Insatisfeita com o lido,
O final, ela mudou:
Me chamou “doido varrido”

Acatei, mas não devia
Não é justo, logo digo
Dar desculpa, bem em vias
De ser usada comigo.



Capítulo V: O Pós-Duelo
Tudo recomeçou mal
Espalhou que eu desistia
Em versos de maldade tal
Que minha alma rugia

De pausa, fez desistência
Inventou boatos mil
Eu voltei (E a paciência
Que vá ouvir Vitor Ramil) (hoho)

Continuou respondendo
Só o que lhe interessava
No disfarce, se escondendo
Nem erros justificava

Quando ficou sem argumento
Apelou de novo ainda
Fez o que é de seu talento:
Chamou correndo a dinda!

Segue com a agressão
Segue com a ladainha
(Em comentário nada são
Diz que só foi boazinha

E que disso reclamei
E queria apanhar!
Será que eu muito errei
Ao tentar me expressar

Ou será que ela só
Entende o que lhe convém?
Isso sim é de dar dó,
Pois sou humano também...)



Capítulo VI: Complementos
Nunca a chamei de galinha
Só disse que cacareja
Onomatopeiazinha
Que se usa “até na Veja”

Além de interpretação
Precisa rever Português
(Se for muita informação
Peça uma folga de um mês...)

E tudo o que te chamei
Alguma razão me surgiu
Algum motivo apresentei
A ficha ‘inda não te caiu?

“Cobra” foi por me trair
“Dissimulada”.. Óbvio, não?
“Leprosa”, por nada sentir
“Bebum”... foi suposição

“Isolada” num conto de fadas
“Exibida”, quer aparecer
Por me xingar, é “desaforada”
“Irreal”, não aceita perder

“Medrosa”, chamou a madrinha
“Hipócrita”, faz e condena
“Mequetrefe” pra manter a linha
Tornar a “vaidosa” mais amena

“Prepotente”, por cantar vitória
“Palhaça”, meu, nem era ofensa
“Rato” tava em expressão.. Ô, escória,
Antes de falar, pensa!!!

“Virar chouriço”, falaste primeiro
(Vais dizer que não te lembras mais?)
“Mentirosa” não é exagero
Eu te explico um pouquinho mais:

“Ogra” eu disse de tuas falas
“Pária” estava em outro contexto
Não me lembro de “debilitada”
Inventando assim, eu mereço?

Pra logo finalizar
Vou de novo explicando
O que, aqui, me fez irar
E que estou reivindicando:

Quero duelo direito
Um-a-um, só coisa justa
Quero mútuo respeito
É nobre, e nada custa

Quero que se admita
Quando se comete erros
Tenho pavor que se minta
Ao entrar em desespero

Não quero frases distorcidas,
Calúnias que eu fugi,
Nem ameaça à torcida
(Pois eu nunca coagi)

Meu, não se faça de vítima
E pare de reclamar
Coisa de neurose marítima
De quem se atira ao mar

Te chamei para o Duelo
E até agora, nada...
Meu pedido tão singelo:
Vai continuar parada?
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Resposta às insistentes dissimulações de Ana em A Samurai x O Monge.
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Visitem Gio
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Clarice Lispector e a Rendição - Citada por Alba Vieira

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Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
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Créu Cotidiano - por Lu Aline

Depois de muito esgotar meus tímpanos com a passagem da moda “créu”, cheguei à conclusão de que esse fenômeno não se restringe apenas ao campo musical, toda a realidade brasileira encontra-se em um estado de “créu” constante!
Diariamente, ao ligar a TV, ao ler o jornal, nos deparamos com violência e barbárie. Em tanto caos não há liberdade, vive-se com medo, evita-se andar por certas ruas. Pronto, é o “créu” da violência te impedindo de viver, que segue banalizando a vida.Ir ao hospital público? “Créu”! Morre-se lá sem medicamentos, sem equipamentos, sem médicos. Reféns do descaso daqueles que, na teoria, representam as vontades da nação.
E por falar em filhos da puta políticos, tão aí outros exemplos: boi superfaturado, grilagem de terra, dossiês, cartões corporativos, obras fantasmas... E por aí vai... uma lista imensa de falcatruas cometidas às claras, e ainda nas próximas eleições eles voltam a abraçar criancinhas, visitar comunidades carentes e “créu”, de volta ao poder!
E ainda tem o fantasma do desemprego, sem falar em impostos e taxas: IOF, IPI, ITR, CSLL, CSS (?), IPVA, IPTU... P.Q.P! “Crééééééu”
Chegando ao “créu” velocidade 5, nos deparamos com o ensino (ou a falta dele) público. Que, aliás, dispensa maiores comentários, visite uma escola pública, converse com pelo menos um aluno e saberás! O cruel é saber que sem educação torna-se impossível pensar em progresso, avanço. O atual sistema educacional serve mais como engana-trouxa, com números baixíssimos de reprovações, afinal com tanta falta de qualidade assim, o aluno precisa fazer um esforço tremendo para conseguir tal feito. E o pior é pensar que se não há educação estamos condenados a esse ciclo vicioso de “créu’s” e dá-lhe velocidade 1,2,3,4,5,6.......100000000!
Eu costumava ouvir muito Legião Urbana e adorei a versão feita pelo Capital Inicial para a música Geração Coca-Cola, mas infelizmente a minha geração não tem nada de contestadora, e sim de passividade com o caos que se instala ao nosso redor, somos a geração “créu”. Aquela que assiste a tudo rebolando, vivendo em um carnaval sem fim (ou baile funk como queiram), com mulheres-frutas e culto ao corpo.


\o/ \o/ Viva a Geração Créu, condenada ao... Créu! [?]
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Visitem Lu Aline
Renato Russo
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Lábios - por Passa-Tempo (Erótico)

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Pra que eu quero seus pequenos lábios, se o beijo dos grandes já me satisfaz?...
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Bruna Lombardi, “Você Engole Borboletas Eu Tenho o Sol na Barriga” - Citada por Penélope Charmosa

Você engole borboletas
eu tenho o sol na barriga.
Você sempre anda de óculos
eu leio coisas antigas.

Você vara a noite
eu desenho cataventos.
Você gosta de ficção
eu tenho outros inventos.

Você anda desligado
e eu busco perspectivas.
Você me conta seus sonhos
e me ri e me cativa.

Eu tenho medo da noite
você ama a solidãoo meu amor se reflete
nas pupilas dos olhos de um cão.

Você teoriza a matéria
e eu adoro hidrantes.
Você quer a liberdade
e eu só vivo o instante.

A gente faz uma viagem
e vê estrelas cadentes
e eu sonho um mar onde nado
e me afundo contra a corrente.

Você geme e se revolta
e eu penso no seu beijo
e enquanto você conversa
me dói no corpo o desejo

me arde no corpo o desejo
eu me espreguiço me espicho
e me chego e te provoco
meio anjo meio bicho.

Você me conta um segredo
eu te mostro um encanto
enquanto você toca flauta
desafinada eu canto.

Você absorve a paisagem
eu procuro a maravilha.
Você deixa alguns vestígios
e eu vou seguindo a trilha.

Você fala em liberdade
e eu me prendo no teu traço
você é abstrato divaga
eu te olho e te embaraço.

Ando na rua devagar
você corre na avenida
você tem melancolia
eu tenho medo da vida.

Você fala ao telefone
cercado dos seus amigos
eu passo os dias muito só
e só entendo depois que digo.

De repente vem o encontro
sem que a gente entenda o nexo
eu te vejo e me compreendo
e me vejo em teu reflexo.

Eu te transmito fluidos
de uma forte ligação
e recebo uma corrente
quando pego na tua mão.

Você tem um magnetismo
eu sou dotado à magia
nossas auras se atraem
por uma questão de energia.

Você cospe margaridas
tem o mundo nas entranhas
eu fico horas olhando
o orvalho na teia de aranha.

E a gente se precisa
como a um aditivo
numa coisa estranha a nós
sem razão e sem motivo.

São coisas transcendentais
é inútil que eu lhe diga.
Você engole borboletas
eu tenho o sol na barriga.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Confabulando - por Leo Santos

A bruxa malvada da aventura te enfeitiçou,
e “dormistes” à espera de um beijo;

Já que príncipe aos teus olhos não sou,
às voltas com meus “sete anões” me vejo…

Atchim, resfriado crônico, acompanha-me por onde for,
consequência inevitável da privação do teu calor.

Soneca é uma ironia, qualquer adejar me põe alerta,
aumentando a agonia, já que você “Branca” nunca desperta.

Dunga, o menor dos minutos, tem seu aparte, sua deixa,
privado do som abdica da mímica; seu mutismo, sua queixa.

Dengoso, o depressivo, manipula por sua carência;
Recusa alternativa e cultiva seu vício, a dependência.

Zangado chuta o balde, alheio ao que derrama;
Qualquer seixo gera faísca, qualquer cisco e ele inflama.

Feliz, uma utopia, o anuro sonhando virar nobre;
O espelho quebra a magia e o pranto a face lhe cobre.

Mestre empresta, do tempo, a experiência inexorável;
e ensina, com o exemplo, a aceitar o inevitável.

Fabulosa sina ingrata, sombria perspectiva;
Sete mineiros cavando prata,
uma mina de ouro inativa…



Visitem Leo Santos
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À Segunda Vista - por Gio

(Paródia de “À Primeira Vista”, de Chico César)


Quando não tinha nada, mentiu
Quando temeu a ausência, tremeu
Quando teve crise, eu ri
Quando faltou coragem, gemeu
(E lá se vem a Escrevinha...)

Quando levou surra, encobriu
Quando faltou postura, esperei
Quando não retomou, entendi
Quando criou asas? Nem sei...
(Só sei que galinha não voa...)

Quando provocou, eu vim
Quando deu por si, já bati
Quando lhe achei, ‘cê perdeu -
Quando é que você vai entender?

“Ô, ela reage” - sonhei
Que falha, que falha...
A Ana não sai do chão

Quando tinha apanhado, caiu
Quando viu decadência, cedeu
Quando teve calafrio, eu vi
Quando teve coragem? (Ninguém?)
(E lá se vai o “eleitorado”...)

Quando ficou farta, latiu
Quando não foi aceito o que sei
Quando desconversou, entendi
Quando fez descaso, pensei
(Só sei que ela precisa de aulas de interpretação...)

Quando me chamou, enfim
Quando dei por mim, eu sorri
Quando te espanquei, medi
Quando vi você, eu me toquei

Do chão não sai, meu rei
Que palha, que palha...
E aí? A reação?
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Resposta a Há Coleira À Vista, de Ana.
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Visitem Gio
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Chega Desse Angu de Caroço... - por Ana

Gio, o que tá acontecendo?
Que bicho que te mordeu?
Eu não tô entendendo nada!
(Que aula que tu perdeu?)

Me xinga o tempo todo!
Haja nome de animal!
Depois vem, na caradura,
Me dizer: “Não foi por mal...”

Só diz que invento coisa,
Que não lido com a verdade.
Nesta história, meu querido,
Falta a você honestidade.

Já me chamou de naja,
De LADRA e de GALINHA!!!!!
De ET e predadora!
Quem foi que saiu da linha?

Eu te refresco a memória,
Já que a coisa aí tá feia
(prefiro apostar na amnésia,
porque calúnia, meu caro, é cadeia!).

Me ofendeu diversas vezes
E aqui eu vou mostrar,
Vou dar só pequena prova
Do que eu tenho que aturar:

Já me chamou de louca,
Ardilosa, cega, abatida,
Cachorra, cascavel, covarde,
Decrépita, convencida,

Já disse que eu cacarejo,
Que eu tava com a boca inchada,
Que tenho cérebro pifado,
Sou cegueta, desatinada,

Virei comida de passarinho,
Decadente, debochada,
Delirante, desonesta,
Égua, hesitante, condenada,

Hipócrita, incapaz,
Incoerente, infernal,
Maligna, marciana,
Me acusou de “glicose anal”,

Escabronha (Que raio é isso?
Por acaso é palavrão?),
Insolente, irriquieta,
Maritaca (Né mole, não!),

Bebum em delirium tremens,
Leprosa, debilitada,
Exibicionista, isolada,
Fora da real, derrotada,

Disse que não me enxergo,
Sou medrosa, desaforada,
Eriçada, desrespeitosa,
Ogra, mentalmente afetada,

Palhaça, pária, ofídia,
Perversa, descerebrada,
Podre, rato, psicótica,
Mequetrefe, desesperada,

Fui rimeira maltrapilha,
Prepotente, despeitada,
Torresmo, vaidosa, sem fibra,
Vigarista, soterrada,

Disse “vai virar chouriço”,
Me chamou de mentirosa,
Esclerosada, metida,
Desmoronada, venenosa,

Desfiada, embriagada,
Desmemoriada, velha,
Pirracenta, apelativa,
Estoporada, escaravelha,

Me acusou de “prosa flácida”,
Virei proteína, pustulenta,
Sucuri com escoburto,
Tortuosa, peçonhenta...


Depois disso tudo, ô, garoto!
Tu toma vergonha na cara!
Para de choramingar,
Veste a saia de monge e... rala!

Ao invés de me acusar
De atos que não cometi,
Assume logo a derrota.
Enquanto pode, diz: “Perdi...”

Porque a cada agressão
Eu respondi. Triunfal!
Até com som ambiente
E vídeo da vida animal!

Portanto, invejoso vencido,
Não inventa mais história!
Assume logo de uma vez:
Tá se roendo com a minha glória!

Fica se vitimizando...
Chama a isso duelar?
Corre pro colo da mãe,
Só ela pra te aturar...

Mas por enquanto, fradinho,
Por tanta reclamação
(Sem chamar a Escrevinha,
O juiz ou o escrivão),

Eu te exilo nas masmorras
Pra acabar com este alvoroço.
Já cansei das tuas queixas!
Se esgoela aí no calabouço!
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Resposta a todas as infindáveis lamúrias de Gio em A Samurai x O Monge.
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Carta de Eliane Sinhasique para Renato Aragão, o Didi - Enviada por Alba Vieira

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Quinta, 23 de julho de 2008.
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Querido Didi:

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências)... Achei que as cartas não deveriam ser endereçadas a mim.

Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por “algum” motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos).

Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas, mas comigo não. Eu não sou Ministra da Educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a frequentar as salas de aula.

A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei a distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma microempresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família. Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem.

Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores dessa dinheirama toda não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só, não interessa aos políticos no poder. Por isso o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora ou aplicando muito mal.

Para você ter uma ideia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha? Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é “o cara”. Ele tem a chave do cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da “minha” doação, que a “minha” doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você, Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias. Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa, Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários desses profissionais também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele também fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças, além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...
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Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari
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P.S. - Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

P.S.2 - Aos otários que doaram para o Criança Esperança. Fiquem sabendo que as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

P.S.3 - E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS? MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?
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BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas), DIVULGUEM ESSA REVOLTA...
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Visitem Alba Vieira
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Distância Incompreendida - por Lu Aline

Não sei a que distância estou
do eu que me desespera.
Não sei, quando ando,
se me aproximo
ou me afasto.

Me preocupo em saber
se são teus olhos
que me sugam e repelem pra onde querem
ou se me prendo a eles, tragando a ti.

Mas sei que me despedaço
em quartos, terços e avos
tentando ser a metade
que possa lhe completar

Me desespero com a hora,
o carro, o vento, o passo, a chuva
e o que quer que me carregue
pra perto de tua distância.



Visitem Lu Aline
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Bruna Lombardi “Parodiando” - Citada por Penélope Charmosa

O que eu amo em ti
não é esse jeito de cereja
e esse olhar de seis da tarde
não é essa mania de andar bolerodiando
nem mesmo a tua educadez.
O que eu amo em ti
não é essa tua boca de vinho
nem o teu piano. Tocas. E nem é isso.
Os livros que leste, nem mesmo
o que sabes ou não sabes.
Não é tampouco o teu ambiciosismo
ou teu traço de desenho ou o compasso.
Nem teu andando em lenta marcha vagarosa
nem a doçura, a pura frescura tua de alface...
nem mesmo teu cheiro de alface
teu cheiro de ar com um resto de perfume
nem teu carro (com ar condicionado)
nem teu cachorro
não, não é nem isso que eu amo em ti.

O que eu amo em ti
não é a tua preguiça esticada ao sol
emsombreada de impressionismo
não são os silêncios de que és feito
nem o instante que povoas
ou o mistério que às vezes te povoa.
Não é esse ar letárgico, trágico, trístico,
tanguístico, místico com que te sentas na cadeira
ou acendes um cigarro
somente para pôr um pouco de fumaça
entre ti mesmo e o mundo.

Não é tua voz irônica e sábia
que me preenche os brancos da cabeça
nem mesmo tua cabeça ou tua espiritualidade
ou tua força, tua certeza ou tua fragilidade.
Acaso tua beleza? Não, nem é isso.

Nem mesmo o que eu amo em ti
é a tua gargalhada
que transpassa meu ouvido
cheia de espuma e sol de agosto
com gosto de aventura
ou o teu beijo
que cada vez sabe a uma coisa
mas é sempre tão beijável.

Não é teu jogo de tênis (tão branco de propaganda)
recortado no horizonte,
nem teu corpo plástico, elástico, cheio de fluxos
e de percursos de vibração.
Não é bem isso.

Nessa sucessão constante de agoras
o que eu amo em ti
não é o que refletes de improviso
nem é o inesperável
nem o superalgo

O que eu amo em ti
...são as rugas, meu amor, as rugas...



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

De Volta ao MC Créu - por Fatinha

Querido Brógui:

Correndo o risco de ser repetitiva, preciso novamente voltar ao assunto da edição passada: MC Créu.
Hoje, enquanto gastava o meu já combalido cérebro lendo pela nogentésima vez o que é uma intervenção de terceiros, escutava a trilha sonora de uma festinha de aniversário. Só coisa boa: começando por axé, passando por pagode e acabando em funk. Adivinha qual era a música repetida ad nauseam? A tal da música do Créu. Não tenho a menor ideia de qual seja o nome dessa pérola (se é que tem nome), mas acho que tanto faz.
Sim, finalmente fui apresentada a essa ode à indigência cultural. E novamente me deparei com a constatação de que todo castigo pra corno é pouco. Não bastasse estar enfurnada em casa num domingo chuvoso estudando Processo Civil, ainda tive que aturar o tal do funk estuprando meus ouvidos.
Minha mente filosófica filosofou: como pode um cantor (que não canta) fazer sucesso com uma música (que não é música), que tem uma letra composta por apenas uma palavra (que não é palavra), com uma melodia pobre (que não é melodia), tendo como partner uma dançarina (que não é dançarina) dançando uma coreografia (que não é coreografia)?
Difícil essa pergunta, não?
Eu não cheguei a nenhuma conclusão a não ser a de que esse mundo está perdido. De qualquer maneira fiquei curiosa. Preciso ver a fuça desse gênio que consegue ganhar dinheiro na maior cara de pau tendo como único trunfo a burrice alheia e a bunda da Mulher-Melancia.
O que vale é que essas coisas são sazonais. Daqui a pouco todo mundo esquece que essa criatura veio à Terra e ela voltará para as profundezas de onde nunca deveria ter saído.



Visitem Fatinha
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As Nossas Palavras XXIV

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Wordle: As Nossas Palavras XXIV
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Imagem: Wordle
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Provérbio Inglês em As Nossas Palavras XXIII - Enviado por Adhemar

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A beleza pode abrir portas, mas somente a virtude entra.
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Visitem Adhemar
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Há Coleira À Vista - por Ana

(Paródia de “À Primeira Vista”, de Chico César)

Quando não tinha nada, ocorreu
O tapa na orelha, ofendeu
Quando desafiei, se escondeu
Faltou-lhe coragem, tremeu

Quando a coisa fedeu, distraiu
Com o Parmegiana, encobriu
O roxo do olho, fugiu
Do Duelochat e ganiu...

Quando implicou, eu vim
Quando procurei... Tava aqui?
Quando lhe achei, combati
Quando vi você, arrebentei...

Amarelô o Gio! É vaia! Vaia!
E a Ana a massacrar o tantã...
Ohhh!
Amarelô o Gio! É vaia! Vaia!
E a Ana a massacrar o tantã...
Ohhh!



Resposta a A Primeira Rixa, de Gio.
Referências: comentário de Gio em Escrevinhadoce, de Ana;
Parmegiana, de Gio;
Duelochat entre Gio e Ana;
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Jaula para a Fera, Gaiola para a Presa - por Gio

Ana, por favor, peço: um pouquinho
Tu, agora, vais ter que esperar
Acabou o meu tão útil bloquinho
E agora, como vou te desenhar?

Novamente tu entendes tudo errado
Nas palavras desse seguidor de Ghandi
Talvez agora esteja explicado
Porque o duelo aqui tanto desande

Ou, talvez, entenda como convir
Adultera para poder responder:
Se o cara diz, na frase, “pode vir”
Logo entendes “Tô pensando em correr!”

Não chamei tuas respostas de fracas
Só apontei - não fazem sentido algum
Pare de fazer pirraça, maritaca
Sabes que só reclamei do dois-a-um

E foi esse o meu ponto de discóridia
Apelares, sempre em caso de medo
Esgotou o tempo e a misericórdia
Resta a paciência, esse é o segredo

Paciência para lutar contra alguém
Que ao levar, se esconde atrás da dinda
Desaforos, descarrega mais de cem
Depois corre, esperando um “Criança linda!”

Vejo, o teu dom mesmo é pra piada
Do Duelo deves desistir, guria
Antes que o negócio vire palhaçada
Retome a função de “Doutora Alegria”

Mas, se caso optares por ficar
E chamares mais reforços, venha então
Só depois, não te botes a chorar
Quando estiver estirada no chão.



Resposta a Jaula pro Mongim..., de Ana.
Referência a Fantasia, de Ana.
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Visitem Gio
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Clarice Lispector e os Defeitos - Citada por Alba Vieira

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Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
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Bruna Lombardi em “Descrição II” - Citada por Penélope Charmosa

Ela tem uma espécie de luz quando caminha pela casa.
É cristalina, um mar que a gente olha e vê o fundo, o
olho dela. Sempre de branco fica zinzando pela casa
distraída, coisas inúteis, coleções de búzios, de
desenhos, bugigangas, nomes para as coisas e esse
jeito de sentar-se sobre as pernas, como se pensasse.
Às vezes mãos no bolso. Mas quase sempre um livro,
umas tintas, um bichinho, uns papéis, uma fruta,
umas bobagens, ou. Sempre nas mãos alguma coisa
sem motivo.
Animalzinho leve demais para enfrentar o vento, que
se encosta e se espreguiça, que se enrola e se enrosca,
mimada pela vida, sensual, comodista.
Insensata até as lágrimas, feroz sem se dar conta,
cruel sem percebê-lo, bicho de garras pronto pro
bote, frívola, caprichosa, egoísta, mas com uma
responsabilidade grave, aguda e maternal como todas
as mulheres.
Frágil de se olhar, mas força interna, de orgulho e de
arrogância e dessas sabedorias estranhas de intuir, de
adivinhar de repente coisas impossíveis, só pelo
gosto de me deixar perplexo.
Olhar de quem tem parte, alma de bruxa. Dona do
absurdo e de toda fantasia. Cúmplice de toda
extravagância e de toda sorte de inventos. Conversa
com as coisas, gosta de sapos. Mágica como um
feitiço, bonita como um mistério.
Não é coisa desse mundo, é uma intrusa. Uma maga
com poderes secretos e perigosos, que desafia todas
as leis.
De repente coisa séria, antiga, profundamente
conhecedora, misturada com o sofrimento, marcada
desde sempre pelo traço inconfundível da fatalidade.
Orgânica. Uterina. Humana até o desespero.
Subitamente tem um reino e todas as coisas lhe
obedecem.
E depois ri. E quebra tudo com seu riso, a unidade,
a expectativa, o silêncio, a rotina, a sensação de
morte e o termo indivisível. Uma quebra o seu riso.
Uma ruptura.
Seu riso natural de água, de fogo, de graça, de
malícia, de irresponsabilidade desaba sobre nós que
temos medos.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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