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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 18 de julho de 2009

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Esta é mais uma poesia em que Raquel esbanja sensibilidade da forma bela que lhe é tão própria. O olhar com que ela observa o mundo é absolutamente poético e lindo. Parabéns, Raquel! (Tô sentindo sua falta aqui, arqui-inimiga! Um beijo.)



RECRIANÇA
(RAQUEL AIUENDI)

Seguindo pela estrada
pés descalços,
criança enlameada
vai desfazendo seus laços
e já não busca ser amada
pois já não há esperança
de ser novamente criança.
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As Nossas Palavras XVII - por Alba Vieira

Depressão é estirar-se no sofá, virar para o canto e dormir para esquecer o problema que temos que resolver, quando o que deveríamos fazer seria usar as experiências do passado como um trampolim para ultrapassar as dificuldades, montando a estratégia de ação.



Visitem Alba Vieira
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A Gripe Suína - por Adir Vieira

Acordei hoje com a TV ligada e, mesmo com o som baixo (meu marido que tinha levantado antes e é ávido por telejornais, já se deliciava com as notícias e com seu prato de banana com granola), não pude deixar de ouvir as novas informações sobre a gripe suína.
Meio adormecida, eram tantas as novas chamadas para o fato, de fato aterrorizadoras, que de pronto levantei, já preocupada.
Concordo que é dever dos órgãos de informação deixar a população ciente de tudo que cerca a “doença”, mas percebe-se, por parte desses mesmos órgãos, um gostinho especial em favorecer seus comentários com citações mais e mais desalentadoras.
Eu, em especial, creio firmemente que uma “boa cabeça” afasta qualquer mal, e notícias assim enchem nossa cabeça de desânimo, descrença e de tudo o mais de ruim.
Percebo, só de ouvir, que já começo a respirar mal e a espirrar sem motivo.
Serei eu muito influenciável ou, de fato, notícias ruins nos levam a males físicos?
Pensarei a respeito...



Visitem Adir Vieira
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Cidade Maravilhosa - por Alba Vieira

A umidade relativa do ar está alta. Isto se reflete no humor das pessoas, há uma leve turvação da consciência. Geralmente, nestas ocasiões, o trânsito fica caótico. Quem observa, reconhece uma certa loucura pairando no ar e os motoristas têm uma direção mais perigosa. Durante a madrugada, a chuva caiu pesada. O dia amanhece trazendo os problemas comuns da cidade: falta de energia elétrica, ruas alagadas, escuridão completa aumentando o perigo de assaltos para quem sai pra trabalhar muito cedo. Nos pontos de ônibus, as pessoas esperam agoniadas sabendo que vão se atrasar para o trabalho e serem descontadas nos seus já magros salários. Os ônibus passam lotados e raramente param nos pontos, pois a pressa é maior, já que sabem que vão ter que enfrentar mais problemas no trânsito causados pela chuva. O estresse neste início de dia é maior para todos.

E acontece o já esperado. Em Benfica, logo cedo, há um grave acidente envolvendo três coletivos. Um deles atravessou o sinal vermelho. A confusão é geral. Há mais de trinta feridos, alguns com gravidade.
Quando passo pelo local posso ver o estrago nos ônibus com as partes dianteiras muito danificadas e intuo que, como provavelmente vinham muito cheios, isto justifica o grande número de pessoas feridas. Quatro ambulâncias estão paradas e, no gramado de uma praça, alguns feridos estão deitados, tendo o atendimento de primeiros socorros. O trânsito fica ainda mais caótico. Os carros estão retornando e isso embola ainda mais o que já é normalmente congestionado.
Penso que aquelas pessoas saíram de suas casas para o trabalho e hoje a sorte não esteve do lado delas, não as salvou da direção perigosa dos motoristas, das más condições de manutenção dos veículos e das pistas, da pressão das empresas aumentando o estresse dos seus condutores. Os anjos da guarda não deram conta. Pudera! Nem eles estão aguentando o aumento de trabalho e exigências.
Chego ao trabalho e começa o barulho de dois helicópteros sobrevoando o morro da Mangueira onde a polícia está fazendo mais uma das suas ações perigosas para os moradores, na busca de bandidos que, há poucos dias, mataram um policial que tentou impedir um assalto. Também há helicópteros de reportagem que tentam documentar e transmitir em primeira mão o acidente, mais um fato triste que faz parte da rotina desta cidade que funciona, na maioria dos setores, no limite da irresponsabilidade.
O que será dessas pessoas? Alguém as ajudará ou as compensará por terem sido sacrificadas nas suas vidas, para que os verdadeiros responsáveis por tudo isso ganhassem um pouco mais à custa do desespero dos seus funcionários? Pensando bem, talvez a sorte não as tenha abandonado de todo. Nesse turbilhão de tantas dificuldades cotidianas, muitos estão estagnados, entristecidos, deprimidos e um acidente assim é, ao menos, um acontecimento, tira as pessoas da situação de “morte” em que estão. De repente, tudo pode mudar, mesmo que seja para pior.
Logo, as notícias estão em todos os telejornais e nas rádios. Todos já estão habituados a esse burburinho e comentar sobre a desgraça alheia acaba dando um “colorido” aos dias iguais.

Mas há ainda outro sinal da “loucura” urbana bem perto dali. No viaduto Ana Néri, os bombeiros trabalham tentando convencer um suicida a desistir da solução que buscava naquele momento, para sua vida de desventuras. Mas consta que está difícil.

Assim está esta cidade. Dizem que acontece em todo lugar. Vejam como, ultimamente, andam caindo aviões por toda parte, sem explicações convincentes e aceitáveis. É tudo muito estranho! Entretanto, como em muitos fatos tristes e lamentáveis que vêm acontecendo aqui no Rio de Janeiro, os fatores incompetência, irresponsabilidade, negligência e impunidade ficam gritantes, como no ocorrido com o avião em que foi detectado um FURO de 30cm na fuselagem quando já tinha decolado e teve que fazer um pouso de emergência, felizmente bem sucedido.
Aqui, quando saímos de casa, estamos expostos a tantas coisas absurdas, que voltar para casa ileso no fim do dia passou a ser motivo de comemoração e de dar graças aos céus.
Assim, esbarrar em moradores de rua dormindo enrolados em plásticos escuros e quase cair, sofrer assalto desses mesmos esquecidos pela sociedade, cruzar com viciados em crack e ser vítima de suas atitudes imprevisíveis, sofrer um atropelamento na calçada, estar envolvido num acidente de trânsito no transporte que utilizar, ser agredido na estação por seguranças da ferrovia às vistas de policial pago pelo Estado para sua defesa ao tentar entrar num trem, ficar pendurado na porta de um ônibus ao subir ou cair no asfalto ao descer quando o motorista dá partida no veículo ou ser arrastado e morrer sob a roda do ônibus sem ser visto pelo motorista, ser atingido por bala perdida (ou não) em algum assalto da hora ou dentro de comunidade invadida pela polícia à procura de algum bandido, ter um traumatismo craniano ao ser atingido por algo que despenca de algum prédio como um vasinho de flores, uma ferramenta usada por algum trabalhador numa construção onde não se usa tela protetora, algum suicida que resolveu abreviar esse desespero em que se transformou viver ou mesmo pedaços de alguma marquise em mau estado de conservação são alguns dos exemplos de ocorrências frequentes. Há outras possibilidades como ser atingido em fogo cruzado nas ruas entre bandidos e policiais ou perto de comunidades, entre facções criminosas, ter um filho arrastado por bandidos que roubaram seu carro ou ter seu carro metralhado por policiais ao ser confundido com o de bandidos (depois de perceberem o engano poderão desaparecer com o seu corpo).
E se conseguir escapar de tudo isso no fim do dia, ainda terá que conviver com as contas a pagar, o mau humor e estresse dos que ficam em casa, as condições de sobrevivência piores a cada dia e os serviços mais deficientes onde mora e, caso seja idoso ou criança, ainda por cima sofrer os possíveis maus tratos evidentes ou velados da família ou cuidadores.

Refletindo sobre todas essas coisas eu me pergunto: o suicida não seria o mais coerente?
E duvido ainda mais uma vez que eu esteja vivendo na CIDADE MARAVILHOSA!



Visitem Alba Vieira
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Disse Alguém: O Homem no Lixo é Lixo! - por Esther Rogessi

Epígrafe forte em meio a uma narrativa complexa!...
A princípio, digo que: o lixo é lixo e o homem é homem...
Em sequência: o homem no lixo é homem; o lixo no homem é lixo! O homem pode estar no lixo, sem ser; no lixo há recicláveis: matéria-prima para obras belas; no lixo, se pode encontrar pérolas!
“A Garça, a ave de plumagem mais branca, se alimenta do mangue e não se suja” – desta frase desconheço o autor. Enfim, complexidade!...
Filha de puta, nasce dela... Porém, pode não ser!
Filho de pastor... nem sempre é santo o pastor, menos ainda o filho!...
Discordo com a tese de que o homem é produto do meio...
O meio está no homem! Chegará a hora, o momento, em que ele sairá da aparente neutralidade e se posicionará naquilo que lhe aprouver. Amizades, influências... É só a agulha a romper o tecido para o costurar reto, quebrado, bordado com linhas diversas... Até mesmo com fios d’ouro!
O bom nasce feito e o mal urge!
Urgindo o mal, não prevalecerá contra a luz!



Inspirado em O Homem no Lixo é Lixo, de Alba Vieira.
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A César o Que é de César - por Ana

Oba! Você me atendeu,
Minha querida Escrevinha!
Sabe? Eu não tinha dúvida:
Eu sabia que tu vinha

Me socorrer no momento
De tão terrível ameaça.
Com advogada do lado,
Eu duvido que ele faça

Aquilo que prometeu:
Me dar tapa nas orêia.
Eu tava com medo mesmo,
A coisa aqui tava feia!...

Sim, confio nim tu
E concordo com a solução
Que você me apresentou,
Repleta de decisão:

Nada de pratos gostosos
Pro tal Gio degustar,
E não se preocupa, Escrevinha,
Deixa que eu vou cozinhar.

Eu garanto que a vingança
Não poderia ser pior,
Em termos de culinária,
Sou um traste de dar dó.


Mas agora me ocorreu:
Ele me deu um quindim
Tão gostoso e enfeitado...
Como posso ser ruim

Com menino tão bonzinho,
Tão cuidadoso e legal?
Me fez passar maus bocados
Com a ameaça fatal,

É certo, eu reconheço,
Mas eu devo admitir
Que não esqueci o presente
(Isto não posso omitir).

Assim sendo, eu reflito,
Guardo este ás na manga,
Sabendo que tenho amiga
Pra auxiliar na vingança,

Caso seja necessário
Um dia, neste Duelos,
Dar lição no tal gaúcho.
Aí, então, me rebelo.

Por enquanto penso assim:
Toda moeda, dois lados
(Como já mostrei os meus
Em outros textos postados,

Inclusive pra você,
Minha grande protetora:
Uma face agradecida
E outra devastadora.).

Então não seria certo
Ter, por aqui, de repente,
Dois pesos e duas medidas...
Eu ia ficar doente

Por cometer injustiça,
Apesar do tapa nas orelhas.
E eu te agradeço, Escrevinha,
Com um buquê de rosas vermelhas.



Resposta a Desagravo, de Escrevinhadora.
Referências: Comentário de Gio em Escrevinhadoce, de Ana;
Duo-acróstico pra Ana, de Gio;
Doce para Todos, de Escrevinhadora;
Livre, Intrigada e Vingada, de Ana.
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Não Empresto, Alugo - por Flavio Braga

Emprestar as coisas é uma coisa complicada. Tem coisas que eu evito emprestar, como livros, CDs e dinheiro. Mas tem horas que as pessoas que querem algo emprestado me deixam me sentindo tão culpado que acabo cedendo:

- Flavio, você pode me emprestar esse CD?
- Não.
- Por quê não?
- Porque esse CD, como disse um ex-presidente do Corinthians, é inegociável, insubstituível e imprestável. Nem se minha mãe me pedisse eu emprestaria.
- Mas, Flavio, eu sou sua mãe.
- Mãe, lamento, regras são regras.
- Como eu pude criar uma criatura que não confia nem na própria mãe? Que vergonha!
- Tá bom, mãe, eu empresto. Mas faz um favor?
- Tá.
- Preencha esse formulário aqui, é coisa boba, só para me dar uma segurança, se você danificar o CD, e mais esse contrato aqui no caso de acontecer alguma coisa mais grave comigo, tipo eu precisar de um rim ou um coração. Qual seu tipo sanguíneo mesmo, mãe?
- Mas que moleque cético que criei! Eu te amamentei, dediquei os melhores anos da minha vida em prol da sua criação e você cria toda essa novela para me emprestar um CD?
- Mãe, não é “um” CD, é “O” CD. Assina aí embaixo e tá tudo certo.

Agora, tem o outro lado, quando você torce para que te peçam alguma coisa emprestada que você se arrepende, até a medula, de ter. Eu, particularmente, faço o esforço que for preciso para a pessoa levar o objeto de tanto arrependimento:

- Flavio, estava dando uma olhada nos seus CDs e vi um aqui que eu estou procurando há tempos e não consigo achar.
- Olha, se for o mesmo que a minha mãe estava querendo emprestado há uns dias atrás, você vai precisar preencher esse formulário e...
- Não, rapaz, não é esse não, eu sei que você não empresta esse CD nem se Bob Marley ressuscitasse e te pedisse o tal CD em pessoa, cantando sua música predileta e te oferecendo um teco no baseado. Eu quero esse aqui, ó...
- “O Melhor do Tecno-Funk – Verão de 1999”?
- É.
- Cara, pode levar esse troço daqui, e toma mais R$50 para não trazer de volta.
- Quero R$ 100.
- Toma R$ 300.

E ainda tem quando o vilão é você, que, sempre bonzinho, solícito, empresta as coisas e acaba sempre sem as coisas que emprestou. Então, para se vingar desse mundo tão injusto e cruel, você devolve na mesma moeda. Mas como tem coisas que só acontecem com os bonzinhos, com o Botafogo e a Portela, você tem que se virar quando está prestes a ser desmascarado:

- Flavio, há quanto tempo!
- Ô, rapaz, quanto tempo! Como você está?
- Estou bem... O de sempre: trabalhando, estudando. Criando os filhos... E você?
- Mesma coisa... Mesma preguiça, mesmo emprego, mesmo apartamento...
- Me lembrei de uma coisa agora...
- É? O quê?
- Eu te emprestei um livro, tem uns quatro anos, lembra? Nós éramos vizinhos...
- Sim, lembro sim, mas eu me mudei, e devo ter perdido o livro na mudança, sabe como que é, mudança é complicada, blábláblá...
- Mas você acabou de dizer que mora no mesmo lugar...
- Não, é que eu me mudei. Mas aí depois eu voltei para o apartamento, entendeu?
- Sei...
- Sério, rapaz, não é desculpa para não te devolver o livro não, sou um cara responsável, pai de família, servidor público, vascaíno...
- E mentiroso!
- Olha a hora! É melhor eu correr...

Siga meu conselho. Em caso de dúvida, não empreste. Venda. Ou alugue, como o rapaz da piada.



Visitem Flavio Braga
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Friedrich Nietzsche e a Renúncia - Citado por Penélope Charmosa

Eu odeio, no fundo, toda a moral que diz: “Não faças isto, não faças aquilo. Renuncia. Domina-te...”. Gosto, pelo contrário, da moral que me leva a fazer uma coisa, a refazê-la, a pensar nela de manhã à noite, a sonhar com ela durante a noite, e a não ter jamais outra preocupação que não seja fazê-la bem, tão bem quanto for capaz entre todos os homens. A viver assim despojamo-nos, uma a uma, de todas as preocupações que não têm nada a ver com esta vida: vê-se sem ódio nem repugnância desaparecer hoje isto, amanhã aquilo, folhas amarelas que o menor sopro um pouco vivo solta da árvore; ou mesmo nem sequer se dá por isso, de tal modo o objetivo absorve o olhar, de tal modo o olhar se obstina em ver para diante, não se desviando nunca, nem para a direita nem para a esquerda, nem para cima nem para baixo. “É a nossa atividade que deve determinar o que temos de abandonar; é atuando que deixaremos”, eis o que amo, eis o meu próprio placitum! Mas eu não quero trabalhar para me empobrecer mantendo os olhos abertos, não quero essas virtudes negativas que têm por essência a negação e a renúncia.



In “A Gaia Ciência”.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Djavan em “Nem Um Dia” - por Ana

Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo

Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide

Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia, nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris
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Ai, que Saudade de Outrora! - por Adir Vieira

Abri a porta do armário e me assustei. O tempo tem andado corrido e não pude fazer a “faxina” semestral nas gavetas. Não tinha me dado conta, ainda, da quantidade de carregadores, filtros de linha, cabos de extensão, manuais e outras “tralhas” que fazem parte de nossa vida hoje; tantas, que até nos confundem.
Os celulares, se escolhemos ter duas ou mais linhas, já trazem consigo carregadores diferentes, fios longos, que exigem espaços só para eles.
As filmadoras e máquinas de fotos digitais, cada vez mais sofisticadas, diminuem no tamanho, mas carregam, acoplados, fios e mais fios, junto ao alimentador de carga.
Fios, fios, fios... Nada coletivo, tudo só servindo para o seu aparelho.
Fico aqui pensando nos meus tempos de criança e sinto falta daquela eletrola que tocava os discos de vinil...
Nada era portátil, tudo bem fixo às tomadas, presos ali na chegada e nunca mais dali arrancados, até que outra eletrola a substituísse. Penso também que não havia móveis para guardar os discos, como temos hoje: estantes e mais estantes para guardar DVD’s e CD’s.
Penso também que não sei onde isso vai parar. A modernidade está tão acelerada que, pelos lançamentos no mercado, chego a crer que nem bem a versão de um produto é lançada, a outra versão já está no “forno”.
Hoje, já não se perde mais tempo de produção na busca do melhor, do mais refinado. Para quê, se logo, logo, vai ser substituído?
Penso se as crianças desta época terão tempo de se afeiçoar aos seus mimos, antes do coleguinha exibir um outro, em versão mais arrojada...
Lembro do meu primeiro celular, já burra velha, e sinto uma tal nostalgia... Em tempo recorde tive que substituí-lo por exigência da operadora.
Novos tempos, que pena!



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Estagnação Opressora - por Alba Vieira

As paredes que me cercam começam a ter movimento. Devagar se aproximam e do centro onde estou me parecem cada vez mais ameaçadoras, me oprimindo o peito e impedindo a luz cada vez mais. Não há como fugir. Não existe um meio de fazer frente a elas. Não há como ultrapassá-las. Do centro deste lugar inóspito em que se tornou minha vida, apenas conto os dias enquanto espero o momento final, o encontro com a paz depois de sucumbir ao peso do imutável.



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? - por Kbçapoeta

Era a poesia?
Não sei se lhe queria, não se fazia
Mas dizia poesia.
Não se entendia, talvez alguém Compreenderia?
Mas como eu queria
Ter métrica e ter rima.
Mas ela disse-me
Que me persuadiria
E insistiria
Em chamá-la
Poesia.
Não perguntei se alguém leria,
Pouco importa se interessaria,
Mas a arte exprimia,
Um balaio de palavras
Livres de regras,
Arte pós-moderna,
Almejando vanguardista
Oh diorama,
Eh poesia.




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Michael PETER JÉckson PAN: Morreu! - por Ninguém Envolvente

Então é isso... Ele voltou para a terra do nunca ou melhor, terra de nunca, de onde nunca devia ter saído.

Vamos aos fatos...

Após estrebuchar durante trinta minutos, Maria (a empregada da mansão Jackson) - foi até o telefone público da esquina e chamou a emergência (a mansão está sem telefone por falta de pagamento). Michael poderia ter sido salvo se os paramédicos fossem mais corajosos e tivessem feito respiração boca a boca nele, mas por medo de que a loucura fosse contagiosa, não arriscaram suas vidas.

Maria demorou em ter a atitude de salvar o patrãozinho, porque achou que aquilo não era um estrebuchamento, mas sim um novo passinho estilo moonwalker reverso.
Morreu o astro pop, astro que não vai para o céu, São Pedro não quer que seus anjinhos sejam papados e pela preservação da santidade e inocência dos delicados anjos, Michael terá de ir se alojar em outro canto.

Em frente ao hospital onde ainda consta o corpo da múmia, perdão, do Michael, uma multidão de biólogos pedem a imediata cremação do cadáver pois temem pela saúde dos vermes que vão roê-lo, porém a cremação não será possível até a autópsia ser realizada e confirmar (ou não) a morte por insuficiência respiratória causada pela queda do resto (cotoco) do nariz de Michael.

A autópsia também não será assim tão fácil e corriqueira, pois para fazê-la será necessário mais do que médico legista, é preciso também ter algum conhecimento em paleontologia, já que a múmia é bem frágil, portanto o governo americano está recrutando paleontólogos diretamente do Egito, onde lá estão os melhores. Especializados em múmias egocêntricas.

E por falar em múmia, Dilma Jackson Ru.ssefi (esta que ainda está viva - caso raro) está inconsolável com a morte do grande ídolo e inspiração, mas antes do afeto pelo artista, Dilma quer de volta o dinheiro do ingresso que comprou para ver a última turnê do astro.

Ainda sobre múmias... Jozé HAlencar passa bem.

Para o bem da ciência e continuidade da espécie humana, não será possível a doação de órgãos, já que com isso poderíamos ter um exército de monstros estilo “Thriller”.
Os restos mortais do Michael serão vendidos para empresas de lixo atômico, onde será catalogado, estudado e depois incinerado e talvez então o mundo tenha uma resposta para que não tenhamos mais pessoas iguais a ele, estranhas.



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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nunca Discuta com um Idiota - por Gio

Nunca discuta com um idiota
Já nos dizia o nosso amigo Homer
Que não é culto, e nem poliglota
Mas de burrice, isso entende o homem

Ignorar é sempre o mais plausível
Pois, se da prosa deres procedência,
Ele vai rebaixá-lo ao seu nível
E o derrotar com sua vasta experiência

Se, mesmo assim, achar que vale a pena
Do mesmo jeito que eu já tentei
A coisa, nem de longe, é amena
Então, não diga que eu não te avisei

Não se impressione se ele te acusar
De crimes que ele mesmo comete:
É coisa rara essa raça pensar
Sempre são, de tiranos, marionete

Deixe de lado a argumentação
Ele não ouvirá, de qualquer forma...
Infelizmente, assim as coisas são -
Ok, eu sei, você não se conforma!

Mas fique calmo, que aí vem mais,
Já vá treinando a sua paciência
Ele vai tirar logo a sua paz
Dizendo “Tive sempre coerência!”

Se nunca lidou com esses fulanos
É bem normal ficar, assim, perdido
Porque, pra nós, meros seres humanos
A discussão tem que fazer sentido.
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Visitem Gio
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A Poesia Pula o Muro - por Raquel Aiuendi

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Santa Inocência - por Adir Vieira

Chegou esfuziante, bochechas rosadas, arfando de ansiedade, louca para me contar a novidade:
- Tia, vou te contar uma coisa, mas não é para falar pro meu pai!
Sem esperar pela minha concordância, continuou, atropelando as palavras:
- Hoje eu dei um beijo num garoto lá da minha sala!
Nessa altura, eu fiquei sem ar, com um olhar apatetado, misto de surpresa e temor. Para não quebrar o encanto, perguntei:
- Ah, é? Parabéns! Foi o seu primeiro beijo, então vamos comemorar!
Agarrei-a pelos braços e desatamos a dançar, como duas doidas, eu querendo que o diálogo logo acabasse e ela propondo-se a dar todos os detalhes.
Continuou ela:
- Tia, foi assim. Aconteceu na festa junina de hoje. O João Pedro me deu um “crokito” e eu disse a ele que ele merecia um beijinho, aí cheguei perto dele e dei um beijo no rosto dele.
Aliviada, perguntei:
- E então, ele gostou?
Ela respondeu:
- Acho que sim, porque ele fez uma cara assim (e representou para mim a cara de felicidade do menino).
Só depois de detalhar tudo se lembrou que devia me fazer prometer não contar para ninguém a façanha.
Santa Inocência! Rara, raríssima hoje em dia, mesmo nas crianças de dez anos.
Saí de perto para deixar minha emoção correr solta...



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Hoje - por Alba Vieira

O momento atual é como cair em areia movediça. Quanto mais tento sair, mais afundo e sou coberta pela lama. São tempos cinza, sem perfume, nem mesmo ar. Não há melodia nas horas que escorrem num compasso que se mantem o mesmo, nada se cria, apenas é possível repetir, repetir, repetir. Meus olhos miram, mas não veem. A paisagem interna é de seca. Não há emoção. E sem ela, só resta ceder e afundar para sempre.



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Desagravo - por Escrevinhadora

Ana, que rapaz atrevido
ameaçando uma senhora!
Será que ele é mesmo capaz
de cumprir o prometido?

Sendo consumada a lesão
a pena prevista é prisão
mas a justiça demora...

Se você confia em mim
proponho resolvermos assim:
vamos todas nos vingar
nada de bom-bocado
nem brigadeiro ou quindim
vamos atacar sem dó.

Pra ele vamos preparar
só as receitas de amargar
todas as comidas feitas
por quem não sabe cozinhar
guisado de quiabo e jiló
torta de inhame com banana
sopa de nabo com bardana.

Eu garanto, posso apostar
que ele vai se arrepender
em vez de tapa na orelha
vai te enviar rosas vermelhas
pedindo pra você perdoar.



Resposta a De Orelha em Pé..., de Ana.
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Vergílio Ferreira e a Ação Mais Degradada - Citado por Penélope Charmosa

A ação mais degradada é a daquele que não age e passa procuração a outrem para agir - a dos frequentadores dos espetáculos de luta e a dos consumidores da literatura de violência. Ser herói através de outrem, ser corajoso em imaginação, é o limite extremo da ação gratuita, do orgulho ou da vaidade que não ousa. Corre-se o risco sem se correr, experimenta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E é por isso que os fIlmes de guerra, do heroísmo policial, de espionagem, têm de acabar bem. Porque o que aí se procura é justamente o sabor do triunfo e não apenas do risco. O gosto do risco procura-o o herói real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degradado na sedução da ação, acentua a sua mediocridade no não poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em ficção, mas com a certeza prévia de que o risco é vencido. O que ele procura é a pequena lisonja à sua vaidade pequena, a figuração da coragem para a sua covardia, e só a vitória do herói a quem passou procuração o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza, há o prazer ainda de o espectador estar vivo para saborear a coragem do que morreu e a não pode já saborear. A vida do herói estende-se assim para além da sua morte onde a espera o espectador para se investir da glória que lhe coube e ele já não pôde gozar. É de dentro da vida e do conforto que o espectador da coragem saboreia o prazer da coragem que não tem. Daí às vezes a ilusão de que também ele poderia enfrentar os mesmos riscos, se os enfrentasse. O que lhe fica à superfície de toda ação é o gosto dessa ação e não a dificuldade de a realizar. Daí que na realidade ele pudesse talvez atirar-se a essa ação, se tudo fosse possível efetivar-se num momento - no momento em que não teve tempo ainda de conhecer o que aí se esconde, no momento em que não teve tempo de saber que não era corajoso. Daí que num comício de heroísmo o heroísmo seja fácil e os heróis voluntários se possam recrutar aos montões: a dureza com que se conquista esse heroísmo não se vê sob os braços erguidos que o festejam...



In “Invocação ao Meu Corpo”.
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Meio Sonho - por Yuri

Eu nunca pensei que por outra vez eu sentiria falta de sua ausência.
Mas acho que todas as suas palavras secarão, e já passou da hora de eu ir embora daqui.
Me deixe ir chorar minha infância perdida sem paternidade.
E te juro e acredito que ainda você possa dormir em paz.
Foi como um adeus sem despedidas, sem abraços. E tudo se secou! E eu jurava que você era importante.
Eu fui pra você a consequência de um ato de diversão deixado para trás. O amor que eu sentia por você se cansou de mim, mas ainda sinto a ligação de que não sairei desse labirinto que sempre me faz recordar seu olhar disfarçado.
Heim? Em nenhum de seus pesadelos você chorou sua ausência por mim? Acalme-se!
Vá e tome um belo copo d’água com açúcar que logo depois verás que tudo era uma bela chuva obscura, e que você me ama e que se arrepende de tudo que não fez, sabendo que já é tarde demais. E que este sim é um meio sonho. E tente não chorar tanto nele, pois lamento dizer: não estarei mais aqui pra secar suas lágrimas com aquele cuidado, afeto e carinho.
Pois tudo secou. E se foi. Igual a você. E se não acreditar olhe em meus olhos e verás.
Não quer mais lágrimas? Tente não se afogar no mesmo mar novamente e cometer o mesmo erro com o próximo.Me lembro daquele antigo dia... minha vontade era de ter te jogado da sacada com todas aquelas suas tonteiras de falsidade. Mas sei que ainda tenho um coração bom e iria chorar pelo ato em seus aposentos. Mesmo hoje, sem amor dentro de mim. E a vida é curta pra eu ficar aqui nesse capítulo perdendo tempo com você. Não pensava que a simples falta do ato poderia me despertar tanta dor. Aquele último abraço amargo e um bando de palavras falsas bastaram para despertar minha atenção. Preferia que tivesse me ofendido com más palavras, não sombrias, a ter cometido este ato tão congelado. Mas quando você vai entender que eu não preferia um carrinho azul? Dei meu amor inocente juvenil e você o preferiu enfeitá-lo com bombons e roupas de seda, tentando me fazer entender que essas coisas irão combater sua ausência. Mas você roubou minha felicidade, rasgou todas as roupas de seda, cuspiu o vinho caro em seu próprio copo de plástico.
Eu?
Me perco nas ruas, vou à beira do mar quando há chuva e desabafo com as frisas, fico lá até o dia seguinte amanhecer, as lembranças vão embora, anoitece e elas criam bolhas de ar e vão embora, durmo e em meus pesadelos elas se estouram, me despertando para a realidade outra vez.
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Visitem Yuri
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