Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Pote de Mel Estraçalhado - por Adir Vieira

Embora vinte e oito de agosto, o mês do desgosto, o dia hoje surgiu como um bonito dia de setembro, da tão esperada primavera.
No seu decorrer percebi logo que era agosto mesmo... O sol brilhante não conseguiu mascarar essa marca de dias pesados.
Para começar, já na mesa de café, gritos vindos do vizinho de cima e batidas fortíssimas de porta denotavam que a boa energia do dia estava fadada a ir pelos ares.
Não liguei, pois quem mora em apartamento sabe que isso é bem comum. Pensei não deixar que aquele ponto obscuro pusesse tudo a perder, mesmo ficando por demais nervosa, o que sempre ocorre quando entro em contato com qualquer tipo de discussão.
Liguei o som e iniciei minhas atividades prediletas na cozinha, tentando antecipar os trabalhos de final de semana. Coloquei à mão os ingredientes necessários para fazer um bolo de chocolate com cobertura, mas um gesto desatento de minha parte fez com que eu esbarrasse num pote de vidro de mel levando-o ao chão, sem piedade, estraçalhado.
Joguei para o alto a boa energia do dia, literalmente, quando vi paredes, geladeira e armário, depois da faxina de ontem, totalmente respingados daquele mel grosso e espesso, preparado com afinco pelas abelhas. XÔ!



Visitem Adir Vieira
.

Ratos - por Alba Vieira

Eles estão jogados, caídos, subjugados, presos nas ruas, dormindo entre ratos, sonhando com a humanização possível(?).
Meninos perdidos, sujos, sem consciência, manchados com a nódoa das ruas, refletindo toda a sujeira e descaso dos que por eles passam sem os enxergar.
Arrasados, desfalecem sob o sol a pino do verão, em qualquer lugar, e só não irão morrer se forem despertados à força e levados por mãos compassivas, que ainda existem, para a sombra. Porque, no seu declínio de todas as horas, não reconhecem a luz, seu locus é lúgubre eternamente.
Esses meninos vão morrer e não deveriam, tão cedo! Famílias inteiras se desintegram e ocupam as ruas. Eles não se refugiam nas ruas mais desertas, ficam intencionalmente nas ruas principais. Mas não os enxergam! O que esperam da vida? Há vida para eles? O que lhes proporciona o crack? Que lacunas são preenchidas neles?
Será que no barato da droga, no êxtase tão efêmero onde se “integram”, onde naquele instante cada um deles é um com o todo, vale todo o resto do tempo, em que continuam excluídos, à margem, no lixo, dividindo com os ratos o espaço, imitando deles a respiração rápida e superficial que não faz parte da sua própria natureza e que advém do medo?
Eles são feitos ratos. São ratos que fedem, cinzentos, rápidos, fugidios, rechaçados, inspirando medo quando de fato só precisam de proteção.
E se são ratos por estarem assim, então porque os ratos que estão no poder não os veem? Por que não reconhecem sua mesma natureza de ratos, usurpadores do que não lhes pertence e direcionam recursos oriundos dos impostos arrancados covardemente dos trabalhadores para transformar essa triste realidade das ruas?
A quem pertencem esses meninos?
Só os compassivos se ocupam deles que, deslocados, continuam proliferando nas ruas, ameaçando quem passa com a barbárie por efeito das drogas e levando junto aqueles que ainda não se transmutaram em ratos também.
Quem será capaz de proteger-lhes de si mesmos?
Que programa social de verdade pretenderá modificar-lhes o destino realmente?
Não podem ser deixados à deriva simplesmente. Se assim for, arrastarão para o fundo aqueles que se julgam a salvo nos seus lares.
Urge que se faça alguma coisa para reverter essa situação absurda e desumana, senão por amor, ao menos por algo tão humano como o egoísmo, prevenindo o que está certo:
QUE PROLIFEREM CADA VEZ MAIS OS RATOS E TRAGAM A PESTE QUE DIZIMARÁ A TODOS – A PESTE NEGRA DA FALTA DE COMPAIXÃO.



Visitem Alba Vieira
.
.

Passou, Amor - por Luiz de Almeida Neto

Inteligente, bonita, engraçada.
Toda a felicidade, numa piada
e o universo num grão de mostarda,
com pitadas de entusiasmo
pra alegrar a vida,
esquecer a despedida
e acabar com o meu cansaço.

Mas já passou.
Passou, amor,
passou o amor.

E foi de vez, sem dar desculpa
tal qual letra de samba,
sem aplausos, indiferente.
Angústia, aperto, tentativa de fuga
música que ninguém dança,
dor que ninguém sente.

Mas já passou.
Passou, amor,
passou o amor.

Agora tem você a acalentar,
colar pedaço,
fugir de estilhaço,
tentar navegar.
Pensamento de solidão,
fome de compaixão,
coberto de arrependimento.
Setinhas pra baixo,
não sei o que acho,
confusão por dentro.

Porque passou.
Passou, amor,
passou o amor.

Você quer, sente, amor.
O que eu quero eu não sei,
perdeu a graça.
De nós dois só você pode compor
Trono de mentirinha pra rei
com nuvens de fumaça.

Acabou, enfim só,
como tanto busquei
sem saber.
Falou, sem dó
que eu que não sei
esquecer.

Mas não é isso
é que passou.
Passou, amor,
passou o amor,
e eu não sei mais do que preciso.



.
.

Bruna Lombardi e “Melissa” - Citada por Penélope Charmosa

Agora que você não tem
nenhum deus que te rói a entranha
nenhum demônio que atiça
tua manha
nenhuma missa
nenhum bicho que te assusta
e te arranha.

Agora você vive de prazer e de preguiça.
Agora tua luta está ganha.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
.
.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um - por Leo Santos

Um só, é um meio
e outro meio, vazio;
Um só, é só um,
presa fácil para o frio.

P’ra um só, a cama aumenta,
mas quem quer espaço?
Antes, ligeira oposição,
aparteada por carinhos e abraços.

É como se a primavera faltasse,
inverno com flores então;
Belezas e aromas pulsando,
p’ra acentuar a solidão.

“Não é bom que o homem esteja só”
Dos lábios do Criador, esse dom;
Ruim é a sina de um só,
“viu Deus o que criara, e era bom”.

Os desencontros têm autoria espúria,
por fúria do inimigo comum;
O encontro de eu e o tu, o nós,
vem de Deus, dois sós… um.



Visitem Leo Santos
.
.

Sem Intenção - por Ana

Puxa, Gio, fiquei triste...
Não queria te ofender...
Era tudo brincadeira...
Eu não fiz pra aborrecer.

Eu tava achando engraçado,
Pensei que tu também tava...
Adorava o duelo,
Sua implicância me animava!

Não sou pessoa ofensiva,
Mas assumo: sou implicante.
Adoro brincar assim,
Mas se firo, paro num instante!

E já que tu não gostou,
Tá bom, vamos pras paródias!
Samurai pede desculpas
E começa outras histórias...
.
.
.
.
.
.
Resposta a R-Evolução, de Gio.
.
. 

Minha Bruxa Boa - por Adir Vieira

.
.
(Imagem: Anna Leão)

.
.
.
Ontem novamente falei com ela.
Percebo que sua voz a cada dia está mais fraquinha, mas jamais deixa com que sua eterna segurança e o tom imponente desapareçam.
É sempre uma grande alegria ouvi-la, pois junto com sua voz, voltam a minha mente todos os momentos bons vividos na convivência que tive com ela durante a infância e a adolescência.
Creio que hoje ela já tenha uns oitenta anos, pois era um pouco mais nova do que minha mãe falecida há três anos.
O bom nessa criatura é injetar na gente, quando fala, um ânimo genuíno, real. Qualquer ser vivente que tivesse vivido todos os reveses pelos quais ela passou, seria, no mínimo, revoltada com a vida. Ela não, não tem tempo para essas bobagens.
Já está velhinha e doente, mas a alegria que demonstra quando ouve a nossa voz tem o aroma e a sutileza da maior felicidade da juventude.
Tem sempre lições de vida para passar e, nessas horas, esquece que está tão longe e que a ligação telefônica é cara. Eu também não me importo, porque sentir sua energia não tem preço.
Sempre tem novidades, apesar de viver só, a maior parte do tempo. Pelo que me disse, o único filho a visita diariamente e a empregada cuida de suas tarefas, enquanto ela divaga sobre a vida, fazendo crochet.
Ontem veio ela com mais uma de suas crendices que não tenho a mínima condição de contestar, mesmo com todos os meus diplomas.
Ganhei o dia, quando ela me disse:
- Sempre que você quiser alguma coisa, olhe para o Céu e diga: MILAGRE ESPECIAL URGENTE! Duvido que você não consiga!...
Faz questão de afirmar que só eu estou sabendo disso...
Foi sempre assim, a convivência com ela. Pedaços de coragem e sabedoria jogados ao vento, à mercê de quem quisesse pegar.
Não preciso dizer a vocês que desde ontem já repeti a expressão umas vinte vezes....
.
.
.

Visitem Adir Vieira
.

Olhos Negros - por Alba Vieira

Solidão dilacera meu corpo neste momento sem glórias. Tropeço pelo caminho feito de misérias em que sigo como única opção ao desfalecimento definitivo e morte.
Não encontro quem me apoie. Eu tenho que ser meu próprio esteio quando a sentença é olhar a morte cara a cara.
É uma iniciação. É mais uma depois de tantas e não me amedronto. Sei que posso olhar agora o que de mais horroroso se apresentar. Desconheço as máscaras que pretensos salvadores insistem em usar. Não as quero intuir também. É preciso lidar com as personas na forma que tiverem. E apenas ter o conhecimento de que são apenas máscaras.
Procuro na vida o conhecimento puro, aquele que provém da experiência. E devo vivenciar a dualidade de todas as coisas, por mais que isto me custe.
O que é mais difícil é ser subjugada e admitir, na caminhada, trechos que foram repudiados e rejeitados anteriormente e que, em dado momento, se constituem no aprendizado mais valioso. Afinal, faz-se necessário vencer a si mesmo antes de ser aceito como iniciado.
Procuro a natureza real das coisas e neste caso é preciso estar sozinho, ser absolutamente aberto no olhar e não ter medo de ver. Buscar ver, desvendar o que não se mostra, esclarecer o que é dissimulado. É isso o que eu desejo.
E no caminho da descoberta do que é real, imagino que sou apenas dois grandes olhos pretos e perscrutadores.



Visitem Alba Vieira
.
.

O Amor - por Gio

O amor é cego, egoísta, e vive de momento. É preciso o tempero da razão para poder mostrar que o sofrimento de hoje pode evitar futuras dores, e tornar mais brando o amor de amanhã.

O amor preenche mesmo todas as lacunas, e segue preenchendo-as por um tempo depois que nos deixa. Ficamos sozinhos, e ainda assim não achamos graça em ninguém mais. O mundo é cinza, sem graça, e descobrimos que há algo pior que amor não correspondido: o vazio de não amar ninguém.

É, talvez o amor nos deixe mal-acostumados.



Comentário em Anulei-me por Ti..., de Esther Rogessi.
.
.
.
Visitem Gio
.
.

Procura-se - por Kbçapoeta

Procuro versos
Que façam você sentir
No mínimo um instante
Da possibilidade
Que seria amar intensamente,
Ludibriar os paradigmas da emoção
Ao pronunciar: eu te amo.



Visitem Kbçapoeta
.
.

Violeta em Abrigo - Citada por Leandro de M. Oliveira

Posso sentar-me aqui? Aqui, neste canto desta caixa postal? Quero ficar aqui. Escondida. (Aqui não me vão encontrar de certeza. Aqui nem eu me vou encontrar.) Não digas nada. Nem precisas de olhar para mim. Deixa. Se eu gritar não ligues, se soluçar de choro não olhes. Não te preocupes. Tudo passa. Que raio de dia. Eu sei que já te devia ter escrito. Eu sei exactamente o que tenho para te dizer. Digo depois. Música. Põe qualquer coisa, mas alto. Põe Blur. Song 2. Isso. Mas alto. Muito alto. Não quero ouvir o meu pensamento. Estou farta das minhas ideias. A luz. Apaga. Comecei o dia com uma palmada na “Miss” Popcorn, devias ter visto a birra. Logo a seguir a “Miss” Mermaid perdeu os óculos. Porque perdem as pessoas os óculos? Eu também perco os óculos, mas eu sou eu, sou um despiste sempre pronto a acontecer. Mas isso agora não interessa nada, eu só não quero ouvir as minhas ideias… estão por todo o lado. Abafa-as. Estão espalhadas pela casa toda, na sala, na cozinha, até na lavandaria tenho ideias. A música? O que quiseres. Qualquer coisa. Escolhe. Não sei. Espera! Creep, dos Radiohead. Já tenho saudades. Andávamos a estudar e ouvíamos. Que bom. Lembro-me da Teresa que sofria de um síndrome antiapartamento. Nunca tinha vivido numa coisa daquelas, então resolvia arrumar o quarto, e muitas vezes a disposição dos móveis, às 4 ou 5 da manhã. Enquanto isso, ouvia Radiohead ou Tindersticks. A Teresa era uma querida. Tenho saudades dela. Tenho saudades de todos. Tenho saudades dos cheiros daquela altura. Muito bom. Saudades bonitas. Melhor. Já me sinto melhor, obrigada. É verdade, já ouviste o álbum do Thom Yorke? O Eraser? Está giro. Analyse é um tema que acho particularmente interessante. Deixa ouvir só um pouco, porque tenho de ir. Já estão à minha procura. Estão sempre à minha espera, eu é que penso que não. Ainda tenho de ir buscar a Popcorn e a Mermaid. Preciso daquele mimo que elas têm sempre para me dar. Sim. Podes acender a luz sim. Obrigada pelo abrigo.
Fica bem
Cristina



Visitem Violeta
.

Bruna Lombardi, “Sinistro” - Citada por Penélope Charmosa

Inclua no seu amor um pouco de desespero
derrame seu potencial de drama nos tapetes
ponha sal nas frutas ácidas
tente um pouco de champagne no sapato.

Esparrame de preguiça pelos linhos
no espalhafatoso desleixo dos lençóis
use olhos cristalizados, cintilantes
com faíscas no meio das plumagens.

Aprenda a cantar e a cabriolar um pouco
a dança elástica de uma enguia
se esfregue nas nervuras, descubra trunfos
muito escorregadia.

Saiba o zodíaco chinês e as manhas do demônio
conhecedora de alquimias
deguste seus horrores em rituais estranhos.
Seja uma ameaça.

Dê telefonemas interurbanos em meio à noite
a Angkor, Himalaia, Terra do Fogo.
Estilhace as regras desse jogo
que um pouco de maldade é necessária.

Libidinosa sempre entre parênteses
esguiche todo esse seu som de dentro
ensopada de paixão e de água fria
leviana até a última mordida.

Esquiva como uma taturana
penetrando no gargalo da garrafa
estenda suas estrias até o limite da suspeita
pois não há nada como um crime atrás do outro.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
.
.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Autor de Agosto

.
THIAGO DE SÁ
.
Wordle: O Autor de Agosto
.
Clique na imagem para ampliar.
.
.
Imagem: Wordle
.

Defendendo a Loura Burra - por Fatinha

Querido Brógui:

Recebi um vídeo que mostrava uma candidata a Miss EUA sendo arguida naquela fase de conhecimentos gerais. Por acaso a moça era uma lourinha, padrão Barbie (na boa, não estou aqui pra fazer aquela velha piadinha da loura burra, estou aqui para defender a loura burra). A pergunta era algo relacionado ao mapa dos EUA.
A pobre sacou aquele sorriso de bolso e num esforço hercúleo falou exaustivamente por 47 segundos. Ela não tinha a menor noção do que ia dizer e não disse mesmo.
O que me leva a levantar a bandeira pró-loura burra é que a mocinha era candidata a quê? A Miss. O que se tem que avaliar num concurso de beleza? A beleza. Então porque raios fizeram uma pergunta tão difícil para essa criatura que pretende apenas ser a mais bonita da América, quiçá do mundo?
Acho absolutamente despropositada essa tal prova de conhecimentos gerais em um concurso de Miss. Comparativamente, seria como fazer um concurso pra fiscal de renda e pedir ao candidato que, na fase de títulos, apresentasse um book. Qual é a relevância disso para a pretensão do cara? Nenhuma. Qual é relevância disso para a função que o cara vai desempenhar? Nenhuma. Então, porque a Barbie tem que conhecer o mapa do seu próprio país? Tudo bem que o mínimo que se pode querer de um americano é que conheça ao menos a configuração física do seu país (abstraindo-se o fato de que os americanos estão cagando pro resto do mundo e sendo assim o mapa do resto não é mesmo importante), mas convenhamos que isso não faz a menor diferença nesse tipo de certame.
O que poderia ser perguntado para as candidatas, seria algo que se relacionasse diretamente com o objetivo do concurso, coisas mais importantes como: qual é a melhor tinta descolorante para os cabelos, qual são as consequências do super aquecimento do planeta para o envelhecimento da pele (Não. Essa não. É muito difícil, até porque os americanos também estão cagando para o aquecimento global). Mas poderia ser perguntado que esmalte ela usa, quem foi o estilista que desenhou o vestido dela, se o implante de silicone dela lhe permite burlar os efeitos da lei da gravidade (Não, essa também é difícil, ela pode não conhecer Newton e defender a revogação dessa lei injusta).
De qualquer forma, é a maior maldade querer arrancar da Barbie detalhes sobre o livro que ela leu e mais gostou, porque ela simplesmente não tem tempo pra ler, ficar bonita é coisa que demanda muitas horas de dedicação exclusiva. Toda mulher sabe disso. Não dá pra ter uma beleza irretocável e ainda querer discutir Sartre.
Fica aqui o meu protesto contra as pessoas cruéis que ficam divulgando imagens da Barbie falando merda. Sejam mais humanos, mostrem só a imagem, porque é isso o que ela tem a oferecer. Ninguém dá aquilo que não tem.



Visitem Fatinha
Jean-Paul Sartre.

As Nossas Palavras XXV

.
Wordle: As Nossas Palavras XXV
.
Clique na imagem para ampliar.
.
.
.
Imagem: Wordle
.

Provérbio em As Nossas Palavras XXIV - Enviado por Lélia

.
O que não é bom para a colmeia não é bom para a abelha.
.
.

R-Evolução - por Gio

É o seguinte, cara misifia
Desde o início, eu te avisei
(Se vem de graça, o santo desconfia)
Pra não haver rolo, cara Sensei:

Que, se a coisa perdesse sentido,
- Por eu não ser fã de pancadaria
E rejeitar ataques desmedidos -
Que o estilingue o Davi largaria.

Não é sua culpa, é coisa de combate
Alterar versos, atiçar feridas
Só que esta luta comigo não bate -
O ouro é tolo quando vem de Midas

Pois vira pedra, dura, fria e crua
E para isso não há corretivo
Largo de mão toda briga de rua
(Prefiro algo bem mais produtivo)

Termos de acordo não vão adiantar
Linhas são “des-seguidas” logo, logo
E o jogo volta ao mesmo lugar
Num novo contraponto me afogo

(A propósito, ponteio aqui
“Debilitada” eu não mais lembrava
Antes que comece o ti-ti-ti
E eu mande todo mundo a Caçapava!)

Não me nomeies persona non grata
É muito ingrato o fazer comigo
Se te respeito, e digo na lata
Jogo as cartas e jamais instigo

Achas que “Tamo só se divertinu?”
Esse é mesmo o meu ponto, Samurai
Quando só um dos dois lados tá rino
Há algo errado... Tu mi capirai?

Minha proposta segue aqui embaixo
- Parar o duelo seria crime -
Modalidade que eu bem me encaixo
Floreia, e o combate não reprime:

Prefiro os versos parodiados
Os mantras, versos mais enigmáticos
Alegorias, versos torneados
Do que o soco de um verso mais prático

Entenderei se não for de teu agrado
Ou que não cubra tua necessidade
Não te quero um soneto obrigado -
A alma vem da espontaneidade

Quero só luta que me engrandeça
Que eleve a alma, e faça crescer
E a Samurai, quando a luta aqueça,
Não faça da Ana eu me perder!



Resposta a Da História Sem Fim..., de Ana.
.
.
.
Visitem Gio
.
.

As Nossas Palavras XXIII - por Alba Vieira

Nem virtude, nem beleza...
Quem pode abrir as portas nesta vida
É somente a vontade empedernida.



Visitem Alba Vieira
.
.

Vai Explicar Isso! - por Adir Vieira

É impressionante como, apesar de não identificarmos os motivos que nos levam a simpatizar ou não com algumas pessoas, nossa mente está ali, pronta a nos dar o sinal, queiramos ou não.
Até que me considero uma pessoa afável a desconhecidos, mas se recebo o sinal, não há quem possa me destituir da ideia de que não gosto de certo alguém.
Foi assim com aquele vizinho novo. Sempre que o encontrava no corredor a caminho da lixeira, pois mora no mesmo andar que eu, ou se no elevador, o acaso fazia com que nos encontrássemos, sentia sempre aquele mal-estar que não conseguia traduzir. Ouvir sua voz então, nem se fala!
Esse sentimento em mim é tão forte e indiscutível que procuro, há muitos meses, buscar a razão para tal. Rebusco várias vezes na memória situações já vividas nessa aproximação fortuita e cada vez que penso no assunto, mais me distancio da razão.
Já estava ligando o fato a histórias de vidas passadas e a outras crendices tão discutidas entre nós mas, ontem, no entanto, senti um alívio indescritível.
Estava eu atenta a um comercial de TV quando, de repente, vi ali um rosto por demais conhecido de um desses “big brothers” famosos. Ali minha mente me respondeu. Os dois são tão semelhantes fisicamente que atribui o desagrado que sentia pelo famoso a esse meu vizinho, coitado. Tem ele culpa de ter um sósia? Vai explicar isso!



Visitem Adir Vieira
.

Grilo Falante - por Ana

Perto da minha casa
Há um terreno baldio
Muito grande, abandonado.
É lá que eu me refugio

Do inferno de lá de casa,
Dos moleques cá da rua,
Onde faço as lições da escola,
Onde durmo sob a lua.

Um dia ainda estava dormindo,
Chegaram uns caminhões.
Descarregaram cada coisa!
Xícaras, cavalos, aviões...

Nunca tinha visto aquilo!
Um mundo todo em pedaços!
Fios, engrenagens, cabos,
Muita gente e estardalhaço!

Vi tudo sendo montado
Até que tomou sentido.
Ajudei, muito animado
Com a variedade e o colorido.

Quando acabaram os trabalhos,
Observei tudo em volta.
Meu coração, feliz,
Não lembrava de choro ou revolta.

Durante toda a temporada
Fui o moleque ajudante,
Era pau pra toda obra.
Me apelidaram Grilo Falante

Por ser magro de dar dó
E falar pelos cotovelos.
Mas eu nem liguei pra isso,
Pois eu tinha carinho e zelo

Das pessoas do parquinho
Que, de pronto, me adotaram.
Se interessavam por mim,
Alimentavam e orientavam.

E na hora de ir embora,
Ajudei a desmontar
Peça a peça, alegremente,
Pensando no outro lugar

Para aonde iria o parque
Fincar sua alegria,
Remontar felicidade,
Movimentos e fantasia.

Quando, então, nos despedimos,
Em mim não ficou um vazio,
Pois eles trouxeram, sem saber
Pra minha vida um desvio.

O tempo, então, foi passando,
Eu seguindo a minha estrada
Que foi, por aquele parque,
Totalmente modificada.

Hoje, quando lembro disso,
Meus olhos enchem de emoção
Por lembrar bem do momento
Em que vi minha vocação

De ser portador dos bilhetes
Que aproximam do céu:
O moço da roda-gigante
Do Parquinho Beleléu.



Inspirado na serigrafia Roda-gigante, de Anita Bastos.
.
.