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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 22 de julho de 2009

Felizes - por Leo Santos

Existem poemas felizes,
não que vertam da felicidade;
felizes, à medida que logram
narrativa fiel da enfermidade.

Expressão nítida dos gemidos
de uma alma moribunda;
emergem, pois, com as mãos repletas,
de presas de águas profundas.

Na ventura a poesia dorme,
guardiã fiel, contudo, sem ameaça;
só desperta na estação da desdita
e grita as dores que o agente passa…

O calhamaço em desarranjo,
de tudo o que tenho feito;
denúncia de sua insônia,
jamais a encontro no leito.

Mágico e dorido ofício,
dos que põem mel na dor que têm;
existem enfim, poemas felizes,
pelo menos, para os que os leem…



Visitem Leo Santos
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Tempo - por Alba Vieira

Solta no vento do fluir do tempo
Fui jogada pra bem longe do que eu era
Tão rápido que quando percebo
Já conto mais de cinquenta primaveras.

Parece-me agora que foi ontem
O dia em que saí sozinha pela primeira vez
Misto de espanto, assombro, deslumbramento
O que senti no peito ao passar por vocês.

Vocês que descubro hoje ainda
(Partes perdidas do meu eu a desvendar)
Sempre que cismando ando a esmo
Permitindo-me refletir em cada olhar.



Visitem Alba Vieira
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Recado - por Escrevinhadora

Recebo as flores, agradeço
mas não sei ao certo se mereço
nada fiz nada demais, eu acho
só ameaças, esperneio
porém no meio de uma briga
sair defendendo uma amiga
é coisa que sempre faço.
Por outro lado o Gio
mostrou que é gaúcho macho
e não tem medo de aperreiro
diante de mulheres furiosas
só baixou o tom da prosa
mas continuou decidido
retirou o tapa no ouvido
mas manteve a reprimenda
e disse alto e bom som
que se você não se emenda
mas vai levar puxão de “oreia”.



Resposta a A César o Que é de César, de Ana.
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Da Terra do Vinho - por Gio

Pausa durante o Congresso
Venho aqui pra “bloggar”
Mal a “bloggagem”, começo
Já venho me retratar

Fiz mancada de mané
Dessas de roer as unhas
Chamei a Ana de “ré”
Querendo dizer “testemunha”

Ops, não é bem isso!
Testemunha é a Escrevinha
Desculpem o rebuliço
“Vítima” é a palavrinha

Assim, irrito a plateia
Mas mais nervoso eu estou
Escrevi quase uma “Odisseia”
E não é que o PC reiniciou?

Agora, eu fico aqui
Tentando lembrar de cabeça
O que eu outrora escrevi -
Não que a mensagem eu esqueça

Disso eu lembro muito bem:
Como iria esquecer
De quem me tratava bem
E agora quer me bater?

Eu podia entrar na briga
Ou me tornar mais agressivo
Mas minha calma não liga -
Não que eu seja passivo

Penso, brigar só faz mal
Só de pensar, eu congelo
Afinal, isso é um sarau
Ou já virou um Duelo?

No entanto, quieto eu não fico
Isso eu acho desaforo
Na inocência, eu vou e brinco
Recebo intimação pro Foro

Pergunto, então: “De quem veio
Essa grave acusação?”
Responde o homem do correio:
“De seu maior anfitrião.”

Nessa hora, eu quase choro
Isso dói no coração
Por isso, Ana, eu imploro
Não me vem com essa não!

Nem você, Escrevinhadora
Advogada sem diploma
(Dispensável à oradora
Que já me deixou com um bom hematoma)

Não que eu dispense os elogios
- É só que eu morro de vergonha -
Mesmo assim, já virei frio,
Ingrato, boca-suja e pamonha!

Mas desprezar minha poesia
Não será algo que farei
Seria muita hipocrisia
Confrontar justo o que falei

Pois, ameacei o puxão
Pelo excesso de modéstia
Teria falado em vão
Se, agora, me achasse uma moléstia

Ainda me acho aprendiz
Creio, isso nunca mudará
Mesmo com tudo o que já fiz
Não sou, das letras, marajá

Vendo que a minha ironia
Não ‘tá sendo bem recebida
Antes que eu entre numa fria
Já vou tomando a minha medida:

Como eu virei o vilão
O perverso, o mau rapaz
Vou avisando de antemão -
Aqui, eu já não brinco mais!



Resposta a In Vero Míssil, de Ana e Quem Avisa Amigo É (No Dia do Amigo), de Escrevinhadora.
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Visitem Gio
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Quero Música - por Kbçapoeta

Quero música que faça rir.
Que me transcreva mil peripécias.
Por que não imagens psicodélicas,
Que me façam dar um minuto de atenção.
Seja eu seja você.
Reparar nas curvas e reentrâncias,
Todos os poros
Estranhos e perfeitos.
A magnitude do simples
E do sábio nas pessoas.
Sendo mais singular...
Em apenas um olhar.
Vamos decidir:
Cara ou coroa?




Visitem Kbçapoeta
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Amigos - por Tércio Sthal

Há quem prefira ter dinheiro,
há quem prefira fama e poder,
eu prefiro ser verdadeiro
e ter amigos pra conviver.



Visitem Tércio Sthal
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terça-feira, 21 de julho de 2009

As Nossas Palavras XIX

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Wordle: As Nossas Palavras XIX
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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Provérbio Chinês em As Nossas Palavras XVIII - Enviado por Adhemar

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A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros.


Visitem Adhemar.
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Amizade - por Alba Vieira

Existe uma infindável coleção de textos sobre amizade. Muito tem sido escrito sobre esse tema. Fala-se bastante das diferenças dela e do amor, enaltecendo-se as suas vantagens em relação a ele. Talvez não haja nada mesmo a acrescentar.
Agora há o Dia do Amigo e, embora quem possua um possa contar com ele todos os dias, é uma lembrança que nos traz a vontade de tecer algumas considerações a este respeito.
Eu penso que amizade seja uma espécie de amor em que pessoas são atraídas umas pelas outras, se aproximam e a partir daí experimentam um sentimento bom que as faz querer permanecer perto e se, por alguma razão, precisam se afastar, sentem um vazio, incômodo ou pesar. Acontece de forma espontânea, sem querer e, de súbito, descobre-se que os laços já são fortes, às vezes indestrutíveis.
Amizades se consolidam em tempos diferentes, cada uma a seu jeito.

Há amigos que se descobrem depois de um olhar e se mantêm próximos por toda a vida.
Há os que iniciam a amizade por conta de coleguismo em escola, clube ou trabalho e, aos poucos, o sentimento se aprofunda e transforma-se.
Existem aqueles que se aproximam com a intenção de romance e percebem que a emoção que os une é pura amizade.
E há os que se tornam amantes, até se casam, vivem juntos por muito tempo e um belo dia vão cada qual para o seu lado, levando de lembrança uma amizade que perdurará apesar do rompimento do casamento.
Descobrem-se amigos, com frequência, caso se passe por dificuldades, tendo-se então a grata surpresa de ser socorrido por alguém sem esperar.
Há amizades que compartilham no social, nascendo e se mantendo nos momentos de lazer e, por vezes, se restringindo a eles e nem por isso deixando de ser um sentimento profundo.
Algumas amizades emocionam demais porque, ao conhecermos determinada pessoa, temos uma espécie de déjà vu e sentimos como se ela sempre tivesse feito parte de nossa vida, é um reconhecimento. E nesta categoria há amigos que são esperados por alguém que desde há muito tempo intuiu que eles viriam para a sua vida, tendo conhecimento prévio, inclusive, do tipo físico, caráter e mesmo de circunstâncias futuras.

Acho que existem diferentes categorias de amigos, tantas quantas há de individualidades neste mundo.

Amigos não precisam ser sempre agradáveis, espera-se mesmo deles que não se privem de nos contrariar quando for preciso. Mas todo amigo espera do outro a sinceridade e a espontaneidade. Porque na amizade não deve haver cobranças. É um sentimento que deve fluir naturalmente. Mas é preciso esperar por um amigo para que a vida tenha mais graça; ser receptivo ao seu amor nos traz muitas dádivas.
Amigos, se são amigos, não carecem de palavras. Agem em prol do outro porque o percebem e compartilham suas necessidades. Também não fazem questão de agradecimento, pois fazer por um amigo já gratifica demais.
Amigos acolhem, orientam, compartilham, acodem, estimulam, esclarecem, corrigem e até penalizam se realmente podem ser chamados de amigos. Porque este encontro de almas é tão profundo que permite que façamos ao outro o que desejamos que ele faça por nós.
E amigos se compreendem a ponto de serem dispensáveis, totalmente, as manifestações de ciúme, já que não há insegurança, pois não há cobranças ou expectativas.
A amizade é como um lago tranquilo onde podemos olhar e vermos refletida a nossa própria imagem. Ventos de mudanças poderão distorcê-la, mas, quando cessam, outra vez podemos nos enxergar claramente.
Para mim, a palavra que expressa melhor a amizade é sintonia. Se há sintonia entre dois seres, haverá ressonância e pode-se fazer música. A amizade é uma música que faz dançar nossa alma.
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Feliz Dia do Amigo para todos.
Que possamos sempre valorizar, compreender e respeitar o sentimento de amizade.
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Visitem Alba Vieira
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In Vero Míssil - por Ana

Que mané conversa mole!
Preste atenção, seu Gio:
Sou correta nas palavras,
Do sentido não desvio.

Não invento o que não é,
Não distorço, não disfarço,
Avalio, igualmente,
O que fazem e o que faço.

Às vezes sou inspirada,
Isto tenho que convir,
Mas... se não fica legal,
Eu não vou subtrair

Comentário pertinente
No próprio corpo do texto.
Mas a questão aqui
Ocorreu em outro contexto

Que não é assim tão simples
E passo a vos explicar
Pra ficar tudo certinho,
Cada coisa em seu lugar:

O Gio me fez duo-acróstico!!!
Eu fiquei impressionada!
E na sequência da conversa
Escrevinha entrou na parada.

Fui responder a ela
Com acróstico também,
Mas não foi duo, foi simples,
Pro detalhe atentem bem!

Porque desta dupla façanha
Eu não sei se sou capaz,
Não tenho a facilidade
Que possui este rapaz.

E então, no próprio acróstico
Expus a limitação
Que eu tenho, com certeza,
E o menino não tem não.

Então, me digam, amigos,
Se é caso de “glicose”,
Se usei falsa modéstia
Ou mesmo conversa mole.

(Se o Gio é cabeça dura,
Como ele próprio diz,
Não enxerga o seu talento
E se vê como aprendiz,

Não tenho culpa nenhuma
Da sua autocegueira,
Mas todos nós, que o lemos,
Sabemos, sobremaneira,

Como ele escreve bem,
Como é original,
Como domina as palavras
E o lado informacional.

E se quer que o convença
Disto, com mais empenho,
O que falarei que não disse
Antes, até com engenho?

Cheguei a escrever aqui,
Em meio à seda rasgada:
“Diante de vós, Dom Giovanni,
O Mozart não é nada!”

Se ele quer mais que isto,
De duas uma, não mais:
Ou é baixíssima a autoestima
Ou se valoriza demais.)

Mas, voltando ao principal:
Por causa dos eloGios
E da minha sinceridade
Quanto aos meus versos baldios,

Ele me prometeu tapa
E eu fiz o maior escarcéu.
Então, como consequência,
Me pôs no banco dos réus.

Mas que coisa inverossímil!
Gente, dá pra acreditar?
Que moleque abusado!
Vou pô-lo no seu lugar.

A cara Escrevinha tá certa:
Menino, tu é atrevido!
Já não bastava a ameaça
Que fez ao meu pobre ouvido?

Ainda vem, respondão,
Chamar de “surto de humildade”
As palavras que surgiram
De sacrossanta verdade.

(Aquela que tu venera,
Da qual sente a maior falta
Neste mundo de aimeudeus
Que por ela não se pauta.)

Usou grossa analogia
Para tentar ofender
Numa fina ironia
Que não fiz por merecer.

E me chamou de pentelha
Depois de alguns elogios...
Para com o morde-assopra,
Sei que não é teu feitio.

Depois inverteu os polos,
Se pôs no lugar de pai
Que precisa educar o filho.
A paciência se esvai...

E deixa no lugar dela
Uma fúria sem igual!
Criatura, se tu brinca
Com fogo, vai se dar mal!

Não me ameaça de novo,
Garoto tri abusado!
Que eu sigo a Escrevinhadora
E te deixo em maus bocados.

E se você estivesse
Quietinho aí no seu canto,
Eu não teria levado
Tal susto, eu te garanto!

Te digo mais uma coisa:
Eu não estou enganada!
Só reagi à altura.
Quem mandou jogar granada?



Resposta a Sempre Alguém se EngAna..., de Gio.
Referências: Duo-acróstico pra Ana, de Gio;
Doce para Todos, de Escrevinhadora;
Escrevinhadoce, de Ana;
Opereta para Gio, de Ana;
ópera “Dom Giovanni”, de Mozart;
comentário de Gio em Escrevinhadoce, de Ana;
Desagravo, de Escrevinha;
A Verdade a Ver Navios, de Gio;
sobrenome Granada de Gio.
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Wolfgang Amadeus Mozart.

“Amigos” - por Dan

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“Não te esqueças que os estranhos são amigos que ainda não conheces.”
(Abraham Lincoln)
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“Bom dia, amigo
Que a paz seja contigo
Eu vim somente dizer
Que eu te amo tanto”
(Vinicius de Moraes)
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Feliz Dia do Amigo!
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Visitem Dan
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Quem Avisa Amigo É (No Dia do Amigo) - por Escrevinhadora

Rapaz, você vai se dar mal
dê uma olhada para os lados
veja se tem algum barbado
te apoiando neste blog
O Bruno aparece e some,
O Leo, o Kbça, o Casé
quase nunca dão sinal.
Se você não notou, vou dizer
escuta direitinho, ô tchê
se liga na nossa parada
aqui impera a mulherada.
A Adir, a Alba, a Ana
escrevem quase todo dia
A Fatinha, a Escrevinha
não falham uma semana
ainda tem Clarice e Charmosa
e veja você que beleza
vestivermelho e Thereza.
Preste atenção, oh Gio
você tá ficando sozinho
no meio do mulherio.
É tanto hormônio feminino
fluindo com as marés
mudando com a lua cheia
você vem com puxão de “oreia”
e vai apanhar de “muié”.



Resposta a Sempre Alguém se EngAna, de Gio.
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Minha Demência Não Vem ao Caso - por Fatinha

Querido Brógui:

Domingão, levanto-me uma hora antes do necessário para ir fazer mais uma prova. É. Uma das máximas da minha vida é “todo castigo pra corno é pouco”. O que me deixa mais aliviada quanto à minha condição cornídea, é que se tem uma coisa que não falta nesse mundo, é corno. Tinha pelo menos uns cinco mil no mesmo lugar, na mesma hora! Chego lá no local determinado, na hora marcada, depois de minha amiga ter me explicado com gráficos e diagramas que quando o horário de verão acaba a gente adianta o relógio (Ou atrasa? Esqueci de novo como é o negócio, mas minha demência não vem ao caso.).
Toda malandrinha, dentre os meus petrechos para dia de prova, incluí um casaquinho de jeans, contando que poderia sentir frio por causa do ar condicionado dentro da sala. Ar condicionado? Ventilador de teto e olhe lá! Paguei duzentos reais na inscrição da porra do concurso para ficar enclausurada na antessala do inferno! Lá pelas tantas eu dei uma de motorista de ônibus e arregacei a perna de meu chiquíssimo macacão vermelho até o joelho. Só não perdi de todo meu sexy appeal (é assim que se escreve?) porque estava com minha linda sandália prateada e foi uma ótima oportunidade de exibi-la (se é que alguém ali estava minimamente interessado em olhar para meus pés).
Malandramente também não havia levado nem uma garrafinha de água, seguindo minha irretocável lógica lusitana (desculpe aí, Lelê) de acordo com a qual, se eu bebesse água, teria vontade de fazer xixi e para fazer xixi eu teria que tirar o meu chiquíssimo macacãozinho vermelho e isso seria muito trabalhoso (Por que eu vesti o raio do macacão vermelho? Já disse que minha demência não vem ao caso.).
Mais uma vez comprovando empiricamente a minha tese de que todo castigo pra corno é pouco, deu vontade de ir ao banheiro (sim, deu vontade de fazer xixi mesmo sem ter bebido uma gota de água desde que amanheceu, mas como exaustivamente dito, minha demência não vem ao caso). Nem preciso dizer que a fila já estava grande. Esse povo não tem banheiro em casa, não? Avaliei a situação e resolvi deixar a fila diminuir (só eu mesmo pra pensar que a fila do banheiro feminino iria diminuir, mas minha demência não vem ao caso).
Bem, quatro horas de espera até a prova começar, mais cinco horas fazendo a prova, desidratada, suada, melada, descerebrada, descabelada, com fome, ainda fico esperando minha amiga no lugar errado (a essa altura do campeonato, minha demência não vem ao caso MESMO!).
Mas, tudo bem. Consegui achar o caminho de casa e agora, escrevendo, concluo que está na hora de eu passar num concurso. Minha demência está extrapolando todos os limites. Mas isso não vem ao caso.



Visitem Fatinha
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Cesare Pavese e o Destino - Citado por Penélope Charmosa

No fundo, a sabedoria do destino é a nossa própria. Porque a acompanhamos com uma consciência incessante daquilo que, no fundo, nos é permitido fazer. Podemos estar sujeitos a algumas tentações mas nunca nos enganamos. Agimos sempre no sentido do destino. As duas coisas formam uma só.
Quem se engana é porque ainda não compreende o seu destino. Quer dizer, não compreende qual a resultante de todo o seu passado - o qual lhe indica o futuro. Mas quer o compreenda ou não, indica-lho à mesma. Cada vida é aquilo que devia ser.



In “O Ofício de Viver”.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ótimo Dia do Amigo a Todos! - por Ana

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O Dia do Amigo foi adotado em Buenos Aires, na Argentina, e gradualmente adotado em outras partes do mundo.
A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo. Assim, durante um ano, o argentino divulgou o lema Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro.

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Fonte: Wikipédia
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Amigos - por S. Ribeiro

Eles eram elos de qualquer coisa uma coisa que não quis saber de minha boca ou de meu peito ou das formas repletas de plumas de uma vontade ou um sonho ou um motivo qualquer solto e absorto na ferida de tantas noites que não lhes queriam fixos na mente de hospício de tantos elos perdidos homens ouriços rios benditos.

Já agora minhas pernas se estendem se entendem se desgastam, eram amigos coisas que enchem as mãos, mas não sabem quantos anos que se gastaram se ampliaram,
mas enfim:
agora do fundo do lodo espúrio de fundo escuro me pergunto nesta sala de espelhos, de tantos bichos que testemunhei, quem restará.



Visitem S. Ribeiro
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Meu Primeiro Dia na Internet - por Adir Vieira

Sou uma pré-adolescente.
Minha cabecinha vive cheia de sonhos e anseio por novas descobertas.
Tenho um grupo de amiguinhos na escola que não fala em outra coisa a não ser sobre os grandes papos na internet até quase onze horas da noite, todos os dias.
Citam jogos e mais jogos, superinteressantes, em competição pela grande rede.
Por mais de três dias me encantei com o que as meninas falavam sobre a webcam. Podiam mostrar, umas às outras, penduricalhos recém-adquiridos para os cabelos, pedir opinião sobre a cor do novo batom, mostrar roupas novas e até mesmo o novo edredom comprado pela mãe. Tudo o que estivesse no raio da câmera poderia ser compartilhado pelas amiguinhas conectadas, apenas com um click.
Minha mente começou a arquitetar uma forma de dizer ao meu pai, sem deixá-lo magoado, que o meu “computador rosa” já estava ultrapassado. Eu sei que, com ele, fiz e ainda faço mil coisas, mas só que absolutamente sozinha.
Tentei convencê-lo de que precisava trazer meus amigos para dentro de casa, sem que ele precisasse se preocupar com lanches favoritos para a turma ou com o horário de pôr fim às brincadeiras. Por outro lado, tinha outra coisa a seu favor. Ele não necessitaria mais ficar tanto tempo a me dar instruções, pois eu as aprenderia com meus amigos. Notei uma cara de espanto na fisionomia do meu pai que pareceu não gostar nada de eu aprender, fora de casa, aquilo que só ele estaria apto a me ensinar. Fingi não entender e continuei nos meus argumentos. Complementei que, sem eu estar a pressioná-lo, ele poderia trabalhar ou estudar sabendo que eu estava superfeliz. Parece que foi aí que acertei. Falei na minha felicidade e meu adorado pai só quer que eu esteja bem. Pelo que conheço do meu pai, ele nunca dá uma resposta de pronto. Ele me faz esperar um pouco pela sua concordância e já aprendi que é para que eu tenha certeza do que quero.
Nunca uma resposta me custou tanto. Como foram longos aqueles três dias! Fiquei absolutamente à espera, sem tocar naquele assunto nem mesmo nas horas das refeições. Um dia, no nosso restaurante preferido, arrisquei-me a fazê-lo, mas no exato momento, o garçom trouxe nosso frango e eu perdi o momento. Temia por uma resposta negativa.
Enfim, parece que meu pai entendeu. Hoje, após o jantar, como ele sempre faz, chamou-me para me mostrar a surpresa. Aí entendi o motivo pelo qual ele me afastou de casa a tarde toda. Claro! Ele precisava preparar todos os artefatos para deixar meu PC rosa funcionando como gente grande!
Só me deixou abrir os olhos quando ultrapassei a porta do meu quarto. Um grito de alegria tomou conta de mim quando vi, ali instalada, minha primeira webcam e minha surpresa ainda foi maior quando vi na tela o programa que as meninas usavam. Corri e abracei meu pai – sei que ele não me viu adolescente quando, com a mesma voz de antes, eu disse: – Pai, você é demais! Acho que ele chorou, porque alguma coisa escorreu dos seus olhos, como água.
Corri e sentei na minha cadeira favorita, peguei minha agenda e, de imediato, adicionei minha melhor amiga.
Gritos e mais gritos de alegria demonstraram minha felicidade quando pude ver naquele ponto verde o nome da minha amiga piscando pra mim.
Com um click apenas, como se mil pessoas já tivessem me ensinado, exibi minhas melhores habilidades para o meu pai que, num misto de surpresa e orgulho, assistia ali de pé, minha conversa com minha amiga.



Visitem Adir Vieira
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Clarice Lispector, “Uma Amizade Sincera” - Citada por Alba Vieira

Não é que fôssemos amigos de longa data. Conhecemo-nos apenas no último ano da escola. Desde esse momento estávamos juntos a qualquer hora. Há tanto tempo precisávamos de um amigo que nada havia que não confiássemos um ao outro. Chegamos a um ponto de amizade que não podíamos mais guardar um pensamento: um telefonava logo ao outro, marcando encontro imediato. Depois da conversa, sentíamo-nos tão contentes como se nos tivéssemos presenteado a nós mesmos. Esse estado de comunicação contínua chegou a tal exaltação que, no dia em que nada tínhamos a nos confiar, procurávamos com alguma aflição um assunto. Só que o assunto havia de ser grave, pois em qualquer um não caberia a veemência de uma sinceridade pela primeira vez experimentada.
Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonava, encontrávamo-nos, e nada tínhamos a nos dizer. Éramos muito jovens e não sabíamos ficar calados. De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. Tentar falar sobre nossas mútuas namoradas também estava fora de cogitação, pois um homem não falava de seus amores. Experimentávamos ficar calados — mas tornávamo-nos inquietos logo depois de nos separarmos.
Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.
Foi quando, tendo minha família se mudado para São Paulo, e ele morando sozinho, pois sua família era do Piauí, foi quando o convidei a morar em nosso apartamento, que ficara sob a minha guarda. Que rebuliço de alma. Radiantes, arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto — eis-nos dentro de casa, de braços abanando, mudos, cheios apenas de amizade.
Queríamos tanto salvar o outro. Amizade é matéria de salvação.
Mas todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Único modo, sabíamos, e com que amargor sabíamos, de sair da solidão que um espírito tem no corpo.
Mas como se nos revelava sintética a amizade. Como se quiséssemos espalhar em longo discurso um truísmo que uma palavra esgotaria. Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco.
Tentamos organizar algumas farras no apartamento, mas não só os vizinhos reclamaram como não adiantou.
Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.
Data dessas férias o começo da verdadeira aflição.
Ele, a quem eu nada podia dar senão minha sinceridade, ele passou a ser uma acusação de minha pobreza. Além do mais, a solidão de um ao lado do outro, ouvindo música ou lendo, era muito maior do que quando estávamos sozinhos. E, mais que maior, incômoda. Não havia paz. Indo depois cada um para seu quarto, com alívio nem nos olhávamos.
É verdade que houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais esperanças do que em realidade caberia. Foi quando meu amigo teve uma pequena questão com a Prefeitura. Não é que fosse grave, mas nós a tornamos para melhor usá-la. Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores. Andei entusiasmado pelos escritórios de conhecidos de minha família, arranjando pistolões para meu amigo. E quando começou a fase de selar papéis, corri por toda a cidade — posso dizer em consciência que não houve firma que se reconhecesse sem ser através de minha mão.
Nessa época encontrávamo-nos de noite em casa, exaustos e animados: contávamos as façanhas do dia, planejávamos os ataques seguintes. Não aprofundávamos muito o que estava sucedendo, bastava que tudo isso tivesse o cunho da amizade. Pensei compreender porque os noivos se presenteiam, porque o marido faz questão de dar conforto à esposa, e esta prepara-lhe afanada o alimento, porque a mãe exagera nos cuidados ao filho. Foi, aliás, nesse período que, com algum sacrifício, dei um pequeno broche de ouro àquela que é hoje minha mulher. Só muito depois eu ia compreender que estar também é dar.
Encerrada a questão com a Prefeitura — seja dito de passagem, com vitória nossa — continuamos um ao lado do outro, sem encontrar aquela palavra que cederia a alma. Cederia a alma? mas afinal de contas quem queria ceder a alma? Ora essa.
Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.
A pretexto de férias com minha família, separamo-nos. Aliás ele também ia ao Piauí. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus no aeroporto. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros.




In “Felicidade Clandestina”.
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Aos Meus Amigos - por Ana

Se hoje é dia do amigo,
É dia de dizer coisas
Que, na pressa de outras horas,
A nossa alma não ousa.

Dizer como são importantes
Aqueles que seguem ao lado
Do nosso caminho de vida,
No compasso de nossos passos.

São importantes por tudo:
Palavras, olhares, gestos,
Lembranças, sorrisos, dores,
O não dito e o manifesto.

Porque se importam conosco,
Porque os temos em nós,
Porque vivem em nossas mentes
E nunca nos deixam sós.

Amigos podem ser raros,
Íntimos, desconhecidos,
Muitos, alegres, soturnos,
Tímidos, invasivos,

Apaixonados, crianças,
Tolos, transcendentais,
Céticos, abusados,
Malucos, convencionais,

Gulosos, trabalhadores,
Complexos, irreverentes,
Estudiosos, bulímicos,
Fantasiosos, carentes,

Ciumentos, detalhistas,
Patricinhas, engraxates,
Travestis, dissimulados...
Todos do mesmo quilate

Pras nossas necessidades
De animal tão gregário,
E ultrapassam este limite:
Brilham mais que o necessário.

Iluminam nossas rotas,
Potentes e sábios faróis,
Auxiliam nas tormentas
Antes, durante e após.

Por tudo que disse e por mais,
Agradeço, hoje, aqui,
Aos amigos de minha vida
O que, com eles, vivi.

E deixo um abraço pra todos
Do Duelos, que seguem comigo
Neste oceano de letras,
Neste vaivém de amigos.
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Amigos - por Clarice A.

Há vários tipos de amigos
O mais precioso
Não precisa:
Ter o mesmo sangue
Ser da mesma idade
Ser do mesmo sexo
Ser da mesma cor
Ser da mesma classe social
É um encontro e escolha mútua
Fundamental o mútuo
Não implica em concordância sempre
Respeita e entende as diferenças
Dispensa juras e testemunhas
Simplesmente é
Alguém com quem se possa contar
Na alegria e na tristeza
Na saúde e na doença
Na riqueza e na pobreza
Nas dúvidas e certezas
Nos erros e acertos
Nas vitórias e nas derrotas
A distância não importa
Porque se necessário
A palavra há de chegar
Para alguns são numerosos
Para outros, tão poucos
Que se pode nos dedos da mão contar
São os presentes mais valiosos
Que a vida pode nos dar.
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