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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cisma Primeva - por Leandro M. de Oliveira

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Não há sentido nesse banquete de mentiras, espere um pouco, vou escalar as paredes pra urinar no telhado. Por quem é que me trocaram quando estava a acreditar que só a mudança cabal do “status quo” salvaria minha pele? Papai Noel é um porco capitalista e a medida dos sonhos é a de quanto se pode pagar por eles. Não há regras nem pudores. Então vamos calçar nossas botas de chumbo e pisotear o canteiro florido, há mais estrume nessa terra do que em meu mundo concebia. Quero que você dance como uma bacante bêbada, vomite em mim, a revolta sou eu. Se quer salvar meu espírito é aqui que vai encontrá-lo, açaime meu corpo entre tuas pernas, possua minha carne com agressividade, nesse lugar repousa meu santuário. Invada-o! Ou deixe que os cães terminem sua valia. Quanto tempo faz não te vejo, quebrei os espelhos com fúria, ao ver que eles nunca traziam descobertas novas. O tempo tem sido líquido e esgarçado, como uma poça que seca lentamente. A cidade acordará, ela sempre desperta com aquele velho passo maquinal de fuligem e gente. Como passaram a sentir tanta aversão por si próprios? Que venha a sabedoria das coisas simples, para entender o mistério insondável de uma agressão mútua. “Amai o teu próximo como a ti mesmo”, palavras razoáveis para um messias, mas a grande morte exige uma motivação descente. Vamos derramar o nosso ódio contido, a besta nunca é escravizada, ou vive sob seus próprios ditames, ou morre em nome de sua ideologia. Ouvi notícias de um homem, era mais retido que um asceta e mais pacato que uma ovelha tosquiada, precocemente seus músculos atrofiaram e sua vida pereceu. Esse mundo é insano, se eu acreditasse na monogamia me acusariam de subversão. Queria estar com você todo o tempo, não posso ousar. Há ainda muitos botões por abrir antes que chegue a primavera. Tenho a vocação de um javali selvagem e o caos da noite primeira, não posso sorrir na fila do matadouro. Se soubesse, talvez escreveria um poema, como não sei, sigo ruminando os intermináveis dilemas até que a aurora violente o escudo da noite.

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Amar a Dez Mil Metros de Altitude - por Violeta

12 de Setembro de 2009


Voo para o Rio de Janeiro

De repente já não estou aqui. Senti que me levas-te. (meu amor). Estou a bordo de um avião e rumo a uma distante cidade algures num outro continente. Estou dentro de ti, alguém que me ama. Sei que não devia estar. Sei que estou a mais. Tenho de voltar para casa. É urgente. Não consigo. É esta minha vontade (ou será a tua?). A tua vontade leva-me (meu amor). Por momentos estou mesmo contigo, levas-me no pensamento. Levas tanto de mim que quase me arrancas a carne dos ossos. (meu amor). Voltei a chorar com saudades tuas. Eu não te devia amar assim. Amar assim é errado. Este amor é errado. José Luís Peixoto repete 240 vezes “quero morrer”, eu repito “amo-te”, porque amo-te. Sinto que estás dentro de mim. Sinto que te entranhas-te na minha pele, na minha carne… (meu amor). Amo-te mil vezes. Amo-te sempre. Amo-te. O avião. Dez mil metros de altitude. Lá fora a temperatura é aterrorizadora, mas aqui estou viva e afortunada. (meu amor). Não estou aqui.

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domingo, 13 de setembro de 2009

Do Seu Canto... - por Ana

(Paródia do poema “Desencanto”, de Manuel Bandeira)

Ele faz versos como quem chora
De desalento, lá no seu canto...
Não leias seus posts, se por agora
Não tens motivo algum de pranto.

Seu verso é sangue, choro demente,
Tristeza esparsa, remorso vão...
Dói-lhe nas veias. Amargo e quente
Cai gota a gota, do covardão.

E nesses versos de angústia louca
Assim dos lábios o medo escorre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Ele faz versos como quem morre.
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As Nossas Palavras XXVI - por Alba Vieira

Se uma vela é apagada,
Outra chama se acende.
Nada se perde completamente.



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O Poder Aquisitivo do Povo - por Adir Vieira

Estou quase concordando com os políticos mentirosos quando falam que o poder aquisitivo do povo de baixa renda subiu muito.
Passei a observar isso nos restaurantes mais caros, onde cada pessoa paga em média R$ 40,00 excluindo-se bebidas e sobremesas. Habitualmente, seja em finais de semana ou não, as filas se formam nas portas, obrigando o gerente do local a se utilizar de microfone para a chamada do próximo cliente.
Se olharmos os frequentadores, não se esmeram no vestir nem na própria aparência, o que querem é, junto com parentes ou amigos, desfrutarem das iguarias oferecidas, e como se só restasse a eles aquilo, comerem até cansar, o que demonstram as várias idas ao buffet para mais uma vez encherem seus pratos.
Os locais de hoje têm pleno conhecimento disso, pois os restaurantes mais parecem galerias, onde os garçons se utilizam até de carrinhos para o transporte de pratos e talheres e retiradas dos mesmos ao fim da refeição.
Locais como esse antes reuniam grandes grupos para comemoração de aniversários, mas hoje são as pequenas ou grandes famílias que lá estão a cada fim de semana.
Fico aqui pensando se hoje só restou ao povo o lazer de comer ou se as mães de família, antes tão presentes em casa, podiam planejar sua festa caseira aos domingos reunindo a família, o que atualmente não se usa mais.
Penso que com tantas mães fazendo sua renda fora de casa, engordaram a renda familiar possibilitando gastos como esse, com normalidade.
Observo o povo ali presente e vejo que as pessoas estão mais feias, gordas e desleixadas. Também, só podem comer...



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Manuel Bandeira em “Desencanto” - Citado por Ana

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo algum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.



In “A Cinza das Horas”.
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Euclides da Cunha em “Página Vazia” - Citado por Penélope Charmosa

Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo inda na mente
Muitas cenas do drama comovente
Da Guerra desapiedada e aterradora,

Certo não pode ter uma sonora
Estrofe, ou canto ou ditirambo ardente,
Que possa figurar dignamente
Em vosso álbum gentil, minha Senhora.

E quando, com fidalga gentileza,
Cedestes-me esta página, a nobreza
Da vossa alma iludiu-vos, não previstes

Que quem mais tarde nesta folha lesse
Perguntaria: “Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tão tristes”?!!



Estes versos faziam parte de um álbum da jovem Francisca Praguer Fróes,
que ganhou o poema do então engenheiro e jornalista — de volta da “região assustadora” (Canudos) de onde vinha — no dia seguinte de seu retorno à capital baiana: 14 de outubro de 1897.
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Bíblias de Neons - por Violeta

Ponto um – O paradoxo
Sempre o mesmo. As faces depressivas são sempre delicadas. Conheço-as tão bem. Sinto-as vir ainda ao longe. Sei que são sempre dolorosas, mas não as posso evitar. Instalam-se e o resto é “mais do mesmo”. Não há nada mais estúpido e paradoxal que isto. Sou feliz, mas… deprimida. Não me dói nada, apenas a alma. Uma dor tão absurda que quase mata. Eu sei que é apenas uma substancia que falta no meu delicado “rapaz cinzento”. Uma espécie de defeito de fabrico do meu cérebro, mas a verdade é que muitas vezes me incomoda. Preferia não entender nada disto, porque o pior é ter a percepção de tudo e de não conseguir controlar. O passo seguinte é sempre o da auto-medicação.

Ponto dois – A Terapêutica
Duas horas. Duas horas numa suite de hotel. Sozinha. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... Sozinha sim. Precisava de uma desintoxicação. Imperativamente. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…. Eu sei. Eu sei que sou perigosa sozinha. Eu sei disso, mas por vezes tenho mesmo de ficar. Preciso prender-me a mim mesma e enfrentar-me. O que nem sempre resulta, mas se não olhar para dentro não me posso ajudar. Shhhhhhhh… é sempre o mesmo. Trouxe ajuda: Som, Palavras e o Sol também por cá apareceu. Já não era capaz de ouvir, nem de ler nada do que me andava a rodear. Era urgente o isolamento, o sair do círculo e o respirar. Às vezes a melancolia vai embora assim.

Ponto três – No cars go
2006, Arcade Fire. Eu sei que já passaram três anos, mas há coisas que são mesmo intemporais. Precisava de ouvir, de chorar (pensava que já nem sabia chorar), de sentir, de me sentir. As coisas são mesmo assim. Há sítios onde os carros não vão mesmo. Não vão! Tenho de ser eu. O espelho negro e o seu terrível reflexo, não permito que me iniba. Não posso permitir. Definitivamente. Há um biquíni no fundo da mala e lá fora está uma pipoca e uma sereia à minha espera.

Ponto quatro – “Deixa o carro a trabalhar…”



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sábado, 12 de setembro de 2009

As Nossas Palavras XXV - por Alba Vieira

O que chamamos medo do futuro não passa de simples hesitação, quando existe mudança de caminho antes de atingir a meta.



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Memórias de um Seminarista (Parte XIV) - por Paulo Chinelate

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MUDANÇAS


Foi um bom ano. Por ter repetido o ano letivo, passei pelo “admissão” com ótimo proveito.
Os acontecimentos mundiais seguidos pela rádio-eletrola da sala de estudos nos trouxe as notícias da eleição e renúncia de Jânio Quadros. A Alemanha levanta o muro de Berlim, único buraco existente na “cortina de ferro”. Os Estados Unidos não conseguiram derrubar Fidel Castro com a investida da “Baía dos Porcos”.
Os eventos de final de ano repetiram-se espetaculares. Acresça-se às festas de formaturas, congratulatórias e passeios, o tão esperado leilão. Não fiquei atrás na pontuação adquirida durante o ano. As notas mensais das disciplinas bem como alguns títulos de campeão em futebol (eu sou goleiro), participação em caça às cobras e insetos me facilitaram poder arrematar lindas prendas no leilão. Muitos dos prêmios já têm destino certo: meus irmãozinhos em Juiz de Fora. Vou viajar de férias. Depois de dois anos sem vê-los e aos meus pais a saudade está apertada.
O acontecimento mais importante, no entanto, está na mudança de seminário, digo, juvenato. Foram extintas as séries inferiores do ginásio aqui em Mendes. O clima de despedida reina entre todos nós. O ano de 1962 será vivido em Uberaba-MG lá no triângulo mineiro. Das férias com a família já seguirei para o novo destino.
A despedida tem um gostinho de até breve. Em 1963 estarei de volta para fazer o 3º ano ginasial. Mas de qualquer forma o desconhecido nos dá sentimentos de insegurança pelo desconhecido.
Para a minha ida às férias tive a sorte de pegar uma carona em um Oldsmobile do pai do Halrey, colega e conterrâneo meu. Papai não precisou e acho que nem poderia vir me buscar.
Rever meus parentes foi de uma alegria imensa. Mamãe ganhou sua primeira geladeira, Frigidaire, mostra de que papai financeiramente está melhor. Meus irmãos cresceram demais. Passarei com todos vinte dias muito legais. Inclui-se aí o Natal. Procuro fazer minhas preces matinais, vesperais e noturnas. Tenho um manual de férias a preencher. Não posso esquecer a disciplina religiosa, na medida do possível indo às missas diariamente. Não é difícil. Papai continua fiel aos velhos costumes. Só que da igreja já vai direto aos Correios.
Volto para casa e procuro interagir, não mais como um molecote como dantes. A vizinhança e a farta parentela a me convidar para cafés e almoços. Se dantes de seguir ao seminário já era figurinha rara, imagina-se agora como sou tratado. E por ser referência tenho que fazer comportamentalmente por onde.
Continuo sendo o xodó da vovó Lídia, para ciumeira dos outros setenta netos.
Ganhei dez contos de réis do vovô João e aproveitei para comprar um lindo pintinho de um vendedor lá na estação Central do Brasil. O bichinho amarelinho e frágil me cativou ao primeiro olhar. Custou um conto de réis. Papai colocou um cesto de palha bem grande para acomodar o pobrezinho. Pia o dia todo, apesar do fubá e do milho pilado à sua disposição.
Aconteceu um acidente, a Dinha, prima velha que mora com a mamãe pisou no “Lamparina”, apelido que papai colocou no pintinho. O bichinho quebrou a asa. Papai encanou-a. Tomara que o coitado não sofra muito, embora esteja piando muito mais.
Conforme combinado, mais uma vez o pai do Harley nos conduzirá ao destino: Belo Horizonte. Ficaremos alojados no colégio Marista da capital mineira aguardando os outros juvenistas que, como eu, estão sendo transferidos para Uberaba. Desta vez não vamos de carro, mas de Litorina, trem de um só vagão, rápido e silencioso.
Após as já conhecidas despedidas, chorosas e saudosas por parte principalmente da mamãe, seguimos viagem. Lá pelas tantas, mergulhado nos meus pensamentos, dividido entre querer encarar as novidades da vida mas lamentando a repetida separação dos meus amados familiares, noto que o balançar do trem entre trilhos me alerta par uma lembrança. Não sabia bem qual. Ah! Não poderia ser outra coisa: a similitude dos ruídos das rodas do trem com o piado do “Lamparina” faz-me verter lágrimas de saudades.



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Comentar é uma Arte! - por Esther Rogessi

Logo após a postagem: O Sexismo em Todas as Eras (crônica), Cabul (poema minimalista) e Harriet Logan e as Pipas da Liberdade (artigo), tenho recebido e-mails e comentários em minha página, nos diversos sites para os quais escrevo, de pessoas constrangidas e escandalizadas com os maus-tratos sofridos por nós, mulheres, desde os tempos mais remotos até hoje. Não devemos esquecer que não só as mulheres são alvo de barbáries, porém as crianças e idosos – os considerados da terceira idade. Vale salientar que o ser dominante e agressor nem sempre é do sexo masculino. Porém, voltando à questão da “Tríplice Síndrome do Subjugo Macho x Fêmea” e comentários subsequentes:


Sexismo em Todas as Eras (crônica)

LUANA, no blog de Esther Rogessi.
“Nunca fui fanática por novela, mas, ontem, fiquei horrorizada com cenas de ‘Caminho para as Índias’. As mulheres de lá não passam de um vaso, meu Deus, como tem culturas que ainda nos veem como lixo!...”

DARCI BORGES, em 7 setembro 2009, às 22:06h.
“Esther, muito bom e oportuno o seu artigo! Qualquer injustiça que seja praticada contra quem quer que seja deve ser denunciada, sim! Parabéns, mulheres do mundo todo!... Parabéns, Esther!
Beijos!...”

J. AURÉLIO LUZ, em 7 setembro 2009, às 22:49h.
“Estou com o Darci: façamos com que a opressão seja banida, em todas as suas modalidades. Parabéns pela pertinência de seu texto. Abraço do j.a.”

MÔNICA, 1 dia atrás.
“Oi Esther!
Oportuníssimo o seu texto!
(...que o homem evolua, e que possamos fazer parte deste crescimento a partir da mais simples de nossas ações, para que todas as ‘burkhas’ sejam banidas de vez do planeta!).
Excelente semana pra vc!”


Cabul (Poema minimalista) Homenagem ao meu amigo Cabul

NANDA, 07 setembro 2009, às 14:31.
“Esther,
Fiquei muito sensibilizada ontem quando li os poemas do Homero e hoje congratulo-me com esta homenagem inspirada justamente nesse desejo universal de paz, liberdade e igualdade.
Beijinhos na alma
Nanda”

07 setembro 2009, às 11:10.
“Olá Esther.
Permita-me que me solidarize como seu poema.
Só não entendo o verso ‘planem pipas’. Pipas de quê?
Abraço”

ESTHER ROGESSI, 07 setembro 2009, às 11:52.“Olá, Poeta... Pipas - na minha região: papagaios - brincadeira de criança ou de homens-crianças... - que, colorindo os céus, denotam inocência e liberdade... Ao contrário dos ‘besouros-de-aço’: expressão metafórica - de minha autoria - sobre os projéteis de guerra, cessadores da alegria, ícones do luto! Com certeza sabes do filme de Khalid Hosseini ‘O Caçador de Pipas’, pois não?
Um abraço com esclarecimento...”

DARCI BORGES, 22 horas atrás.
“Oi, Esther, bom dia!
Fico feliz vendo uma mulher defendendo seus direitos! Melhor seria se não precisasse tanta luta por algo que deveria ser tão natural. Por que não uma campanha tipo ‘mulher vota em mulher’? Elas poderiam votar novas leis e revisar as antigas feitas tão ao gosto e conveniência dos homens, não? Mulheres, negros, trabalhadores, bem que poderiam fazer uma grande maioria no Congresso, você não acha? Será que um dia chegaremos lá, desapeando do poder os representantes das fiesps da vida, dos banqueiros, dos latifundiários, da mídia porcalhona que temos?... Vou morrer tendo esperança...
Beijos, amiga!...”

ESTHER ROGESSI, em resposta a Darci Verso & Prosa, 17 horas atrás.“Darci, meu amigo... Como você mesmo diz e de forma acertada, deveriam ser naturais o respeito e o reconhecimento à mulher, antes de tudo, como ser humano que é.
Mais ainda por ser, dentre os homens, geratriz, inclusive de um dos seus inimigos: ‘o próprio homem’, pois a minha defesa é quanto à injustiça e à discriminação em todos os sentidos, além das barbáries por nós sofridas...
Sabemos que isto vem de tempos longínquos. A história nos mostra nomes célebres com Verdadeira aversão às mulheres. Dentre eles, Aristóteles (384-322a.C.) que proferiu a maldita frase: ‘uma mulher é mulher em virtude de certa falta de qualidades’; Erasmo de Roterdã, por sua vez, contribuiu com uma frase misogênica, que deveria ser banida da história, pois maldisse ele: ‘A mulher é reconhecidamente um animal, inepto e estúpido, porém agradável e gracioso’ (na época, um ser inepto, por ser-lhes castrado o direito de ser operante; estúpido, por ser-lhes ensinado - por eles, os homens da época - que não poderíamos sequer, ouvir-lhes ou sermos instruídas, para que, assim, pudéssemos mostrar o nosso potencial intelectivo; animal, igual ao homem, cientificamente, comprovadamente... Pois, sabemos ser o homem um ‘Animal racional’ (de forma generalizada)...).
Porém desejo, munida de imparcialidade, pois quando escrevo não tomo partido, mas primo por transparência e verdade, dizer que há um ponto relevante...
Jamais daria certo uma campanha em que o slogan fosse: ‘mulher vota em mulher’. Sabes por quê? Porque, infelizmente, muitas delas se acomodaram e são satisfeitas em serem bonecas de luxo ou de pano... E mais ainda: o sexismo acontece, também, entre elas! Muitas outorgam total direito aos homens, se achando e aceitando de bom gosto suas posições de seres inferiores. Estas têm preguiça de pensar por si próprias, negando-se a fazer valer a tese: Penso, logo existo!
Chego à verdade conclusiva de que: competência não tem sexo... Isso amedronta os sexistas.
Um grande abraço.”



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Solilóquio Perdido - por Leandro M. de Oliveira

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A boca seca, a boca cospe, a boca amarga o fel do dia. As mãos têm sangue, as veias ferrugem, o escuro incerteza, o mundo tem um oco. Pude muitas coisas, e agora com meu medo e minha esclerose, não sei mais como ousá-las. Ela estava aqui, ela ainda continua aqui, como um cão ou uma árvore. Acordei cedo pra tomar o desjejum, fui moço à cozinha antiga, achei-me a deglutir um pão mofado, quis caminhar até a padaria mas, havia esquecido meus pés. Quem me roubou de mim? As horas consumidas na fuligem de um quadro desbotado significam o mesmo que não ser coisa alguma. Tenho pena do que tenho sido, vem a mim, quero vomitar o antigo e copular o novo. Se meus sonhos me causarem indigestão acaso haveria antiácidos para isso? Vou morrer, ou viver um dia mais, que importa? O mundo não deu importo a essa querela? A lavra dos anos perdidos, a lavra do caminho não trilhado. Tenho vergonha de tanta covardia, tenho uma indiferença miserável. Se eu tivesse uma arma guardaria em segredo, se eu tivesse flores deixaria que murchassem sem colhê-las. Ela violentou a si mesma, assim como desde sempre, o bode expiatório sou eu. Eternamente culpado, eternamente em exílio, quando verei as luzes de Roma outra vez? Não sei, nunca sei conjeturar ânsias tão íntimas. Perdi as certezas e o alforje, o caminho e a vontade, perdi tudo quanto aos homens é aprazível, e mal percebi acontecer. O dilema das prostitutas sifilíticas, a dor silente dos homossexuais sem teto, os judeus matando palestinos... O mundo prossegue em suas tragédias ancestrais. Eu obtuso, não dei conta disso. As geleiras antárticas, a rota invisível do sal, cordilheiras líquidas que separam homens e ideações. As caravanas terminam todas no fundo do meu pátio de marfim. A casa é repleta, as sombras abrigam por longas horas. Noite mudada em manhã sem sol, noite nesse país é um evento perene. Os ecos batem à porta, donde estão aqueles que aqui habitavam? Partiram pra longe, partiram pra sempre... Que queres nobre peregrino? Há mais não informo, também tenho andado exterior a mim.
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Sol, Meu Sol - por Poty

Ilumina esta escuridão que quer invadir...
Irradia o meu amanhecer...
Jorre teus raios sobre nós...
Sol, meu Sol.
Não me queime, mas o quero raiando o dia
Para com você navegar.
Vai, brilha e
Esquenta
Meu sol.
Aquece-me.



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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Estanho - por Kbçapoeta

Foram loucas paixões.
Beijos no retrato do almejado
Querendo deliciar-se no regaço do escolhido.
Súbito entorpecimento, uma noite de delírio.

Ósculo inocente, roubado.
Sua boca como grilhões,
Prende-me em seu calcanhar de Aquiles.
Paraíso do qual nunca teria voltado.

O inferno soa frio,
Gelado como seu beijo morno.
Sua mão, que não toca a minha.
Mão solitária na tarde de outono.

O criado-mudo é testemunha
Desse devaneio de palavras tensas.
No passado, você guardaria as rosas que lhe dei.
Mesmo depois de secas.



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Bi-Atriz - por Gio

(Paródia da música “Beatriz”, de Chico Buarque e Edu Lobo)

Olha,
Lá vem essa moça
Com o punho em riste
Me achando otário
Será que é pintura o sangue no nariz?
Se ela dança e vai pro beleléu
Se ela acredita que ganha, ou já quis
acreditar, e agora só reclama... Créu
Devia ir cuidar da sua vida

Olha,
Será que ela é louca?
É doida de pedra?
Parece loucura
cantar qual canário, e estar por um triz
Um desaforo, e estarás no céu
Ou no inferno, mastigando giz
Que já não escreve mais no seu papel
Por que não vai cuidar da sua vida?

Xiii, mais drama deprimente de atriz
Devia duelar com os pés no chão
Sua vida está sempre por um triz
Ah, você é um desastre, está na minha mão
Digo, é perigoso e muito infeliz

Olha,
Se acha uma estrela
Só conta mentira, mentira, mentira
Já virou comédia
(Feito cocaína na Amy, o nariz)
Logo, logo, vai despencar do céu
E os pagantes exigirão bis
Mas estarás fora, frita (como pastel)
Era melhor cuidar da sua vida...




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A Professora - por Adir Vieira

Essa noite sinto que sonhei. O estranho é que me lembrei do sonho, o que normalmente não acontece.
Não foi um sonho agradável e buscando razões para tê-lo sonhado, não as encontro.
Imaginem vocês que eu era ainda uma menina, de mais ou menos uns oito anos e me encontrava na sala de aula de uma escola pobre, daquelas que ficam em centro de terreno e todo o pátio ao redor é de terra batida.
Árvores imensas rodeiam o local e vejo que não são árvores frutíferas nem, tampouco, floridas. Galhos, muitos galhos verdes, muito verdes e firmes. Os troncos são da largura de um homem alto e forte e de um marrom que seria difícil qualquer pintor chegar ao tom.
Dentro da sala de aula, carteiras antigas, como no meu tempo de escola - aquelas que têm um fundo para a guarda dos objetos e têm acopladas em si a cadeira. São carteiras novas, sem sequer um arranhão e brilham como se tivessem sido há pouco enceradas.
Ocupo a terceira fileira e lá na frente uma mesa imensa, cujos pés são troncos de árvores, dispõe em cima uma pilha de livros igualmente grossos. São dicionários e livros de história geral.
A professora, uma senhorinha miúda, de óculos e cabelos amarrados em coque, é austera, como para convencer a todos os alunos que ali não estamos para brincadeiras.
Traz nas mãos uma régua comprida e a cada virada que os alunos dão na carteira, a agita na sua direção pedindo silêncio.
Ninguém ousa um movimento enquanto ela fala com sua voz rouca e seca.
Uma das meninas do meu lado se inquieta e começa a rir, não sei porquê. A professora que estava escrevendo no quadro-negro se volta para a turma e severamente atribui a mim a desordem, me fazendo levantar e ir ao seu encontro sob o olhar piedoso dos demais. Obriga-me a ficar de pé, com o rosto voltado para a parede, até a aula terminar.
Enquanto ali estou, fico ruminando uma raiva crescente e, num dado momento, saio correndo e fico no pátio, dando voltas e mais voltas em torno de uma das árvores.
Não sei o que isso significa, mais acordei ainda com aquela sensação de dissabor e bastante ofegante. Não foi à toa que lembrei do sonho. UFA!
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Varal - por Alba Vieira

No amplo quintal da casa, balançam ao vento roupas coloridas pregadas ao varal. E quem fica perto sente no rosto os respingos da água que são lançados pelas peças que ainda deixam escorrer a água do enxágue no chão depois de lavadas, umedecendo a grama que fica então mais verdinha. É coisa bonita de se ver.
Lavar roupas nas casas do interior ou nas zonas mais pobres da cidade é um prazer ainda hoje. Não existe o som monótono e barulhento das máquinas de lavar. O que se ouve são as vozes das mulheres entoando as suas cantigas de saudade e nostalgia pelo estímulo do contato com a água, enquanto ensaboam e esfregam as roupas nas beiras dos rios ou nos tanques das casas. São roupas que elas conhecem, das quais tratam com um desvelo especial. É uma reunião de mulheres onde a conversa corre solta ou são mães e filhas que desnudam as almas enquanto lidam com os afazeres domésticos. É um espaço pleno de aprendizados transmitidos oralmente. As roupas são lavadas em água abundante e colocadas para quarar, ficando mais claras, absorvendo a energia do sol. No pátio aberto, depois de enxaguadas, são espremidas deixando um pouco de umidade ainda. E quando sacudidas molham o chão e as moças que irão pendurá-las e sempre trazem os pregadores presos aos vestidos como broches.
É um ritual de liberdade. É um trabalho de renovação: lavar, retirar a sujeira, enxaguar, receber a energia do sol, secar ao vento, exibir as cores, deixar que dancem, alegremente, balançando presas ao varal. E depois de já secas vão ser recolhidas e encostadas aos peitos das mulheres, pertinho do coração delas, incorporando um quantum de emoção e afeto, tornando mais vivos e abençoados os que irão usá-las depois.



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Harriet Logan e as Pipas da Liberdade - por Esther Rogessi

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Harriet Logan... Um exemplo de mulher!
Espírito guerreiro, protegido por uma armadura aparentemente frágil – corpo feminino. De origem inglesa. Uma cidadã do céu!

Os confrontos entre o Taliban e as tropas nacionais e internacionais, os maus-tratos sofridos por seu povo e a submissão imposta às suas mulheres levaram a fotógrafa inglesa a infiltrar-se dentre elas, as mulheres de Cabul.

Disfarçada sob a burkha – vestimenta que encobre totalmente o corpo, deixando a mulher irreconhecível – , sob ela levava sua máquina fotográfica e assim entrava nos lares para entrevistar as mulheres... Desta forma se tornou possível mostrar ao mundo os horrores que o povo deste país sofreu – em particular suas mulheres –, durante o Regime Taliban, que se estendeu de setembro de 1996 a outubro de 2001.

Harriet Logan aceitou o convite da London Sunday Times Magazine, em dezembro de 1997, para colher imagens das mulheres afegãs, subjugadas pelo dito regime, há quinze meses.

Juntamente com um fotógrafo e intérprete, no trajeto de seis horas do Paquistão a Cabul, simplesmente por não ter coberto devidamente o corpo e ter deixado à mostra uma mecha de cabelo, os seus acompanhantes foram duramente espancados.

Os afegãos eram proibidos, dentre outras coisas, de rir em público, ouvir música ou empinar pipas e aos homens, era-lhes proibido cortar a barba. Às mulheres, além de se esconderem sob a burkha, não podiam estudar, trabalhar ou mesmo usar produtos de beleza.

Harriet colheu dezenas de depoimentos de mulheres – profissionais competentes – que foram obrigadas a abdicar de seus ofícios. Algumas delas, após os depoimentos, não mais foram encontradas. Entre tantos testemunhos de opressão, foram colhidos os de meninas que, impedidas de estudar, carregavam sob suas vestes livros e cadernos para estudarem com as corajosas mestras que se escondiam em seus lares e os transformava em salas de aulas... Tanto quanto em salas clandestinas de uma ONG de costura, cujas profissionais tinham sido presas por exercerem a profissão.

Harriet voltou a Cabul, após a partida do Taliban. Queria constatar a realidade atual. Não mais haveria subjugados...

Viu muitos aparelhos de TV, música no ar, risos, gargalhadas... E muitas pipas voando livremente. Porém as mulheres afegãs continuavam usando suas burkhas.

O Taliban se fora, porém, em cada homem, continuava o espírito opressor!
Alegaram que não estavam acostumados a ver suas mulheres com os corpos desnudos.

Resta-nos a alegria de sorrir, vendo o colorido das pipas no céu...



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No Século Vinte e Um... - por Ninguém Envolvente

Não tenho pena dos pandas estarem sumindo da face da Terra, são preguiçosos demais até para se reproduzirem, eles são uma vergonha para o mundo animal e nós estamos indo no mesmo caminho dos pandas. Duvida?
Primeiro veio o leite de caixinha, já fervido sem micróbios e prontinho para tomar; o que dizer do cubinho? O tempero em forma de cubinho, tão gracioso e saboroso, mas será que tem mesmo cebola e alho naquela porcaria oleosa? E as coisas light? Por que simplesmente não conseguimos comer menos? Talvez comer preencha o vazio e a angústia da espera pelo próximo brilhante invento prático e reciclável.
Há algo muito errado, as pessoas estão cegas, o que é isso? É carne enlatada, basta esquentar e rezar para não ter botulismo, mas é tão delicioso e cômodo que não deixamos de comer e quando terminar é só jogar no lixo e como num filme da Disney, a cozinha está limpa e nem uma única panela está suja. Exceto seu fígado, boiando e gritando em tanto óleo.
Espremer laranjas é muito complicado e ridículo, compre logo a caixinha longa vida já que ela é reciclável, compre refrigerante de cola já que você não precisa mais mastigar com tanta força, os alimentos já vêm praticamente digeridos em latinhas e pacotinhos, não tem problema se o refrigerante corroer seu dente e ele cair, você já se adaptou aos pastosos Pack.
O que fizeram com a água? Agora ela tem gás e gosto de limão! Qual o problema com a original, insípida e inodora? Por que aromatizar algo que já é perfeito e se basta? Mais uma porcaria, como se os Dolly® da vida já não bastassem, precisavam mexer na água, e agora estão pondo gás até no leite! O fim do mundo está a caminho...
Clique espere carregar... Imprima e rasgue logo, fiz o resumo da nossa vida miserável e catastrófica indo rumo ao nada progredindo para virar uma tonelada de obesos em meio a um chiqueiro de Pack e lixo eletrônico.
Quando você morrer, tem três escolhas: enterrar, cremar ou fazer diamante humano com o carbono do seu corpo e deixar de herança para seus netos, já que vão precisar de dinheiro para comprar água potável que não tenha sabor e seja própria ao consumo humano. Você não vai poder doar seus órgãos, vão estar feito lixo por conta de tanta porcaria que você ingeriu em seus anos de vida. Algumas coisas são recicláveis, você não.
“Volto logo... Vou ali recarregar a bateria do meu pulmão de plástico biodegradável”. Seria isso o diálogo do próximo século? Quem sabe...



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Vasco Pinto de Magalhães, Prioridades ou Emergências? - Citado por Penélope Charmosa

Há uma pergunta que me parece essencial: movo-me por prioridades ou por emergências? Isto é: ando a correr atrás de urgências, como tantas vezes nos acontece, ou sou capaz de parar e ver o que é prioritário ser feito? Ser “bombeiro” é simpático, mas será esse o meu papel no mundo, aquela missão que a mais ninguém pertence? Podemos ter que andar a “apagar fogos”, mas que o imediato não encubra o essencial e que o contributo específico de cada um não se perca.



In “Não Há Soluções, Há Caminhos”.
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