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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 29 de junho de 2009

Chinelos, um Pulo para o Amor (Parte II) - por vestivermelho

Depois do primeiro encontro, nosso romance se tornou algo tão forte que nunca imaginei existir.
Pensei em ligar para ele, pois estava com saudades, quando peguei o celular na mão, ele tocou.
- Oi!
Era ele.
- Oi amor! Pensei em te ligar e você ligou.
- Eu estava com vontade de dizer que te amo.
- Eu também
- EU TE AMOOOOOOO!
- TE AMOOOOOOO!
- Vamos jantar juntos?
- Sim! Que horas?
- Oito horas.
- Te encontro às oito.
Comemos comida japonesa. Eu adorei vê-lo comer com palitinhos. O jantar estava divino, depois caminhamos até o meu apartamento e ele falou:
- Não vou entrar, minha linda, tenho que terminar de escrever.
- Certo! Posso te ver amanhã à noite? Estou ansiosa para ler o que você está escrevendo.
- Assim que eu chegar em casa, te ligo.
Nos beijamos com carinho e ele saiu andando. Eu fiquei olhando e pensando, até ele desaparecer na rua: “Amo tudo nele. O seu modo de andar, parar, sorrir, falar, amo até seu mau humor.” Ele sempre está de bem com a vida, mas fica furioso quando vê algo errado.
Ele acenou ao virar a esquina e eu entrei.
Nossas vidas estavam traçadas, nem tinha mais como sair.
Chegou o dia dos namorados e eu fiquei superagitada, pois queria dar um presente para ele guardar para sempre.
Procurei em todas as lojas, mas não encontrava o presente ideal, então tive uma ideia: procurei um antigo ouvires, que era muito conhecido por executar lindos brincos, pulseiras, anéis. Um profissional caprichoso, que fazia tudo com gosto apurado. Mostrei o desenho de um chinelo de tiras, pois estava certa que ele iria amar esse presente.
Então falei:
- Eu quero um pingente e uma corrente.
- Sim! Mas o pingente é pequeno ou grande?
- Pequeno.
- Em três dias estará pronto.
- Está certo. Quando me custará?
Acertado o preço, saí satisfeita com o presente escolhido. Depois procurei uma linda caixa de presentes para o pingente; eu tinha visto umas lindas e escolhi uma com um lindo coração vermelho.
Eu embrulhei o presente e o pacote ficou lindíssimo, depois guardei na bolsa, pois queria fazer surpresa para ele no dia dos namorados.
Logo cedo, ele me ligou marcando um encontro.
- Oi, minha gata linda! Te encontro à noite na lanchonete do clube.
- Estarei te esperando, mas não se atrasa.
- Beijos, minha linda. Fica tranquila que chegarei cedo.
- Beijos, lindo. Te amo!
- Também te amo.
Ele chegou, eu olhei e fiquei frustrada, pois não trazia nada nas mãos, nem uma rosinha, mesmo assim pensei: “Eu comprei o presente para ele e vou dar para ele.”
Coloquei a mão na bolsa e tirei o coração. No mesmo momento ele tirou algo do bolso.
Caímos numa gargalhada, eram dois corações idênticos.
Abri o meu presente e tive uma surpresa.
- Que lindo!
Ele ficou olhando minha felicidade e me admirando com a caixinha na mão e eu falei:
- Abre o seu presente! Estou curiosa para saber se vai gostar.
- Muito lindo! Agora tenho duas jóias e a que mais brilha é você.
Dei um longo abraço nele apertando e um longo beijo, segurando o chinelinho de ouro com uma linda corrente. O chinelinho dele um pouco maior e o meu menor, mas eram idênticos.
- Minha linda, por isso que quando mandei o ourives fazer o chinelinho, ele sorriu.
- Sabe que ele nem pediu detalhes, apenas olhou o desenho e nem perguntou nada, somente o fez.
Nós ficamos noivos com os chinelinhos nos pescoços.



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domingo, 28 de junho de 2009

Viagem da Viagem de Quase Lua de Mel - por Bruno D’Almeida

Olhando para o teto da cama, Daniel Limeira relembrou o momento em que encontrou uma pessoa do passado na rua. Foram cinco intermináveis segundos até o sinal abrir. E ele lembrou mais ainda, mais do que gostaria. Aquela mulher recebeu a maior declaração de amor que ele fora capaz de fazer. Mas é o seguinte: essa história não tem final feliz. Tem certeza de que precisa relembrar? Daniel mandou seu anjo-diabo da guarda calar a boca.

Primeira viagem dos noivos. Ela dá a ideia de colocarem as alianças na mão esquerda e fazerem de conta de que já são casados assim que entrassem no avião. Ele obedece prontamente, mas tem uma ideia melhor. Vai ao banheiro, escreve um bilhete para o comandante do voo:
Esta é a lua de mel de Daniel e Maria Rita. Por favor anuncie boas-vindas para nós.

Pronto, só bastava isso. Entraram com as alianças na mão esquerda. Atrás de Rita, Daniel entregou o bilhete à aeromoça, que recebe o papel desconfiada, provavelmente achando que se tratava de algum terrorista. Devidamente acomodados no Boing 737 da Varig, começam a tirar as fotos de recordação ali mesmo. Chega a comissária de bordo com cara de poucos amigos. Meus senhores, disse ela, devido a um overbooking, houve duplicidade na venda de assentos. Os senhores precisam se levantar imediatamente.

Barraco. Não sabia que uma moça tão fina e requintada, moradora da Ladeira da Barra, pudesse falar aquela quantidade de palavrões. Aprendi alguns, inclusive. Criatura ignóbil. Sacripanta. Levantamos, ela furiosa batendo os tamancos atrás da aeromoça, que ia dizendo minha senhora, tenha calma, isso acontece, mas não se preocupe, vamos fazer o possível para resolver este problema. O que estou tentando dizer aos senhores é que seus lugares foram devidamente transferidos… para a primeira classe.

Ritinha não sabia se morria de vergonha pelo barraco ou pela alegria da surpresa. Suplicou duzentos e noventa e quatro pedidos de desculpas para uma comissária que, pelo visto, não aceitou nenhuma delas e saiu com cara de quem ajuda todo mundo e só recebe coice. Ao sentarem naquela poltrona azul grande, confortável e imponente, o comandante falou pelo microfone: senhoras e senhores, este é o voo 7257 de Salvador com destino a Fortaleza. Dia lindo de sol. Eu sou comandante Rodrigo Lopes, desejo a todos uma boa viagem. Gostaria de parabenizar o casal Daniel e Maria Rita pela lua de mel. Faremos o possível para tornar este momento inesquecível.

Nem sabia que um avião podia servir champanha em taças de cristal. Mas era verdade. Era verdade também o prato de costeletas de cordeiro com creme de maracujá. De dez em dez minutos, o comandante felicitava o casal. Maria Rita já havia acabado com todos os lenços de papel de tanto chorar. Até mesmo na hora de avisar que o avião daria voltas em loop por quinze minutos antes de começar a aterrissagem, por conta de uma chuva forte de verão, ele felicitou o casal. Desceram. Chegaram. Foi tudo lindo, cinco dias de felicidade. Comemoraram intensamente um matrimônio que nunca existiu de verdade. Acabou sem nunca ter sido.

Daniel acendeu a luz, pegou a agenda de telefones, leu um número que lembrou ter decorado uma vez e ligou. Enquanto chamava, pensava em todas as besteiras que fizeram depois, tanta imaturidade que desfizeram uma história sem fim ter fim. Ela atendeu. Ele não teve coragem de falar. Ela também não disse nada. Sabiam exatamente quem estava do outro lado da linha. Desligaram. O simples fato de jurarmos esquecimento perpétuo de uma lembrança demonstra nossa incapacidade de esquecê-la. Ele apagou a luz, mas manteve seus pensamentos acesos por toda a madrugada.



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As Nossas Histórias XIII

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AFLIÇÃO


Hoje o dia é de aflição... acordei assim.
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Separação - por Alba Vieira

Eu não quero nossa separação. Não quero, porque ainda o amo da mesma forma. Eu não observo nenhum desgaste na nossa relação, os meus objetivos em relação à nossa vida em comum são os mesmos, eu me sinto realizada, apaixonada, plena do seu amor. O nosso sexo é tão gostoso ou mais do que antes, há o mesmo interesse, a mesma sedução, as mesmas sensações de completude e transcendência. Quero criar nossa filha junto com você. Você continua sendo tão bom pai como sempre foi. Sua companhia para nós é especial como sempre e seu papel em nossas vidas é tão imprescindível ainda... Nesses mais de sete anos de convivência, evoluímos juntos, construímos algo para nós, tivemos uma filha, queremos, de maneira geral, um futuro semelhante. O que mudou? Você diz que me ama da mesma forma, com o mesmo ardor, que a separação não diz respeito ao sentimento que temos um pelo outro. Não entendo. Não aceito. Estou sofrendo porque não fiz esta escolha que você me trouxe de forma tão repentina. O que você quer? Que eu aceite o que me justifica: que o destino o está levando para um outro lugar que é longe de mim? Que é um novo momento em sua vida do qual eu não devo participar como sua companheira? Que é imposição da vida? Que não é pessoal? A minha mente pode entender, mas meu coração se despedaça e detona meu corpo em agonia por esta separação imposta a quem ainda ama tão profundamente.



Texto cujos título e início foram utilizados para Separação - As Nossas Histórias XII.
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Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras XIV - por Lélia

O elogio pode parecer algo muito positivo à primeira vista, mas nem sempre é. Ele é adequado e bom quando fizemos por merecê-lo, então temos a certeza de que a pessoa está sendo sincera e justa. Mas, algumas vezes, ele surge da falsidade, da inveja e da dissimulação. Por isso temos que ter sempre a clareza de nossas atitudes, do valor de cada uma delas, a consciência de nossos atos e consequências deles. Se você tiver contato com alguém que te elogia sem motivo ou excessivamente, tente evitar esta pessoa, pois sua motivação, definitivamente, não é positiva; fuja dessas palavras amáveis e não deixe que sua vaidade impeça a percepção de que você está lidando com alguém mal-intencionado.
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Voltando aos Tempos de Escola... - por Adir Vieira

Vivo hoje a expectativa de um reencontro com minha melhor amiga de escola. Exatamente 44 anos nos separam. E foi sem querer, como se fora uma obra do destino, que a achei na internet. Desde então, há mais ou menos um ano, vimos nos falando e vendo pela web cam e, logicamente, recordando mutuamente os momentos e situações presas em nossa mente, em época tão pueril de nossas vidas.
Amanhã, depois de tanto tempo, estaremos juntas e ao vivo e a cores, nos encontraremos.
Uma coisa, no entanto, chama minha atenção nesse momento tão especial - vejo-me repetindo um tique nervoso (um pigarro na garganta) que era presente nos dias de prova, quando a ansiedade tomava conta de mim.
Já lá se vão muitos anos e muitos e muitos fatos ocorridos, cheios de momentos de tensão, expectativa ou alegria esfuziante e nunca mais esse “pigarro” apareceu sorrateiro, para me fazer pensar.
Engraçado... agora, quando o retorno do passado se faz presente, ele, o “pigarro” emoldurar a ocasião...



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De Amor em AMOR - por Alba Vieira

Aurora de sóis escaldantes
Espargindo vermelho-alaranjado no horizonte,
Aquecendo a manhã da minha existência
Você chegou eternizando aquele instante...

Inesperada explosão naquela esfera
Prateada e sombria dos meus dias,
Entrou dançando e trazendo alegria
A quem dormitava em interminável espera.

E hoje, passados tantos anos,
Duvido que exista sobre a Terra
Alma que seja só luz e primavera
Como esta que cedeu aos seus encantos.

Sigamos fortalecendo os elos radiantes;
Pelo caminho espalhando flores perfumadas;
Harmonizando, esclarecendo, sendo amparo na jornada
Dos que amamos e de qualquer outro semelhante.



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Taquilafila - por Ana

Pô, Duanny, não brinca! Fila é horrível! Detesto fila!

Vamos sentar aqui nas mesinhas do Litercafé para conversar sobre isso e veja se não tenho razão...

Paciência para esperar eu tenho de sobra, mas não para ficar sendo intimada a comentar sobre o tempo de espera, o clima, as tragédias do mundo, a política do país, ou a ouvir relatos de acontecimentos familiares, conflitos, dúvidas existenciais, tudo isso daquele jeito exclusivo de fila: tô falando já indo embora.
As pessoas falam por falar, provavelmente porque não aguentam o próprio silêncio. E falam olhando para todos os lados, não se fixam no coitado que escolheram pra pinico, parece que estes faladores de fila compulsivos (FFC’s) são todos médiuns: vivem acompanhados de espíritos e ficam falando com os encostos que estão por todos os lados enquanto fingem que falam com você.
E quando estão na fila do banco para pagar contas atrasadas e resolvem justificar pra VOCÊ o não pagamento (e eu com isso...)? Os FFC’s são malucos! Você tá no seu canto, tranquilo, na boa, tentando ler um livro ou pensando na sua vida, e os doidos te chamam pra dizer que as contas deles estão atrasadas, te mostram os boletos (!!!!) e começam a desfiar um monte de histórias familiares mirabolantes ou contar sobre a falta de pagamento dos seus salários para justificar o atraso das contas. (Como assim?!!!) Daí para começarem a falar sobre o emprego, o patrão, os filhos, todas as grandes e pequenas desgraças vividas desde a primeira encarnação, é um passo (se a fila andar).
Desconfio que existam FFC’s profissionais. Sabe aquelas pessoas que ficam no início da fila deixando todo mundo passar enquanto, na maior animação e sem pressa nenhuma, falam alto conversando com o banco inteiro, como se estivessem num palco? Pois é, são estes.
Há, também, os FFC’s emocionais. São aquelas donas de casa que sorriem, felizes, quando dão aquela paradinha para entrar numa das filas do supermercado. Ato contínuo, começam a falar sobre preços, descontos, supermercados concorrentes, filhos, netos, cunhados, sogras, noras, cachorros, papagaios e tartarugas até serem atendidas. Quando isto acontece, pode notar que elas desabam, murcham, perdem o brilho e saem da fila cabisbaixas, deprimidas mesmo...
E esta última categoria se divide em dois tipos distintos: os conformados e os totalmente inconvenientes. Os primeiros são estes que falam com você apenas enquanto estão na fila e ficam tristes quando saem dela. Os segundos são os inconformados: puxam assunto com a pessoa de trás porque depois de atendidos continuam conversando com o infeliz, esperam ele sair da fila e o acompanham pelo supermercado, falando pelos cotovelos, como se fossem amigos de longa data. Fazem perguntas pessoais, tipo: onde você mora, é casado, quantos filhos tem, onde trabalha, pedem seu telefone, ficam na fila do caixa com você, te ajudam a embalar as suas compras e, se você não conseguir se livrar deles num momento em que parem para respirar, corre o risco de irem com você até sua casa “porque moram pertinho”...
Ou seja, a fila é multifuncional: pode ser divã, pinico, palco, local para fazer amizades, além de muitas outras coisas... Porque não falei dos que entram na fila para azarar, dos que ficam quietos durante horas e vão embora de repente sem serem atendidos e dos possíveis ouvintes de fila compulsivos (OFC’s). Mas estes ficam para outra vez...
E agora vou indo, pois tenho que ir ao banco enfrentar uma fila.
Beijo!



Resposta a “A Fila”, de Duanny.
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Há um Amor - por Passa-Tempo

Há um amor maior que tudo nessa vida,
É aquele amor que nos faz acreditar que tudo é possível,
Que nos dá forças para enfrentar qualquer dificuldade, qualquer distância,
Um tipo de amor que nos dá a mais pura alegria, que nos faz reviver a infância.

Há um amor que só quem sente sabe o que é,
Um amor diferente de qualquer outro,
Os sonhos de menina com os desejos de mulher,
Amor que nos alimenta e nos satisfaz, que nos mostra que a vida não é apenas uma passagem, e sim uma viagem para encontrá-lo.

Há um amor lindo e puro,
Um tipo de amor idoso, sem preocupações, escondido no interior de algum lugar tumultuado;

Há esse amor, o amor que eu quero,
O amor desejado e querido,
O amor que acende a vontade de sorrir pelas manhãs nos sonhos de sua silhueta distante.

A esse amor deixo minha promessa para nosso futuro:
Eu te amo.
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sábado, 27 de junho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XI) - por Paulo Chinelate

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AS FÉRIAS SE APROXIMAM


O ano, ainda para mim cheio de novidades, passou rápido. Papai e mamãe se revezam nas cartas. Estranhei no começo que a correspondência era-nos entregue aberta. Soube que o reitor faz isso para evitar que remetentes mal intencionados busquem minar as vocações religiosas ainda florescentes. A cada missiva a dor da saudade é revivida. Ainda que imerso em ambiente onde todas as necessidades são supridas, eram fortes as lembranças da meninice lá em casa sem compromissos muito sérios senão das brincadeiras de bolinhas de gude, soltar pipas com a carretilha que vovô João construíra para mim, as piculas e brincadeiras de roda. Embora recordasse que eventualmente tinha obrigações proporcionais à meninice: levar o almoço do papai e vender o jornal na porta da igreja, com certeza era muito mais branda do que levantar às seis da manhã e enfrentar as obrigações pertinentes a um internato.
As notícias de lá também não estão muito alvissareiras. Mamãe está acometida de mal nos rins. Minha irmã Conceição, mais nova que eu, está incumbida de cuidar dos manos mais novos. Papai conseguiu um emprego de carteiro nos Correios e Telégrafos por conta de ter sido pracinha na Segunda Guerra lá na Itália, ex-combatente que fora. Nas horas de folga continua costurando para suprir as necessidades da casa.
É com este quadro que tenho que decidir rapidamente o que fazer. As férias de dezembro estão próximas. Serão trinta dias em casa. Tenho que escrever para papai a fim de que venha me buscar e trazer de volta. O prazo para isso é curto. Os correios levam dias para as trocas de correspondência. No entanto não levei muito tempo para deliberar a dolorosa a decisão: não iria de férias. Com isso, papai, em novo emprego, não precisaria se ausentar nem tampouco arcar com as despesas de viagem. E pronto.
Ao invés de escrever que não ia de férias, omiti-lhes que elas existiam. E fiquei junto com uns vinte colegas, dos cento e tantos existentes, sem viajar às nossas terras natais.
Se por um lado eu e os colegas ficantes não pudemos gozar as delícias do ninho familiar, nossos superiores compensaram-nos com uma grande surpresa: iríamos passar as férias na cidade do Rio de Janeiro, capital da Guanabara.
Os preparativos para tal empreendimento se fizeram necessários.
Arrumei pequeno enxoval conforme indicação dos superiores e partimos de ônibus pertencente ao Colégio Marista São José do Rio onde ficamos alojados.
Tudo novidade para mim: o cheiro do mangue, logo que entramos na grande planície da baixada de Duque de Caxias bem como o burburinho de uma grande capital.
Estamos hospedados no grande Internato São José, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca.
Não sei o que me acometeu. Estou espirrando muito desde que cheguei.
A noite está péssima. Os espirros foram intermitentes.
O dia de amanhã promete. Vamos escalar o Pico da Tijuca, o maior da cidade.
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As Nossas Palavras XIII - por Lélia

Os homens que têm ideias realmente inovadoras podem ser responsáveis por mudanças importantes em nossa civilização tão decadente. Eles fazem diferença, é verdade, mas, muitas vezes, suas inovações (mesmo voltadas para o bem) são utilizadas de forma negativa por aqueles que só têm em mente aumentar seus lucros explorando as vontades que vêm do lado negro do ser humano. Antigamente, muita gente dizia: “Pare o mundo que eu quero descer!”, agora não se ouve mais isso com tanta frequência porque todos já sabem que a humanidade está com os dias contados, o mundo vai parar em breve mesmo e cumprir a ordem de despejo dada pela Terra, expulsando da face do planeta, de uma vez por todas, este predador voraz que, com suas inovações de burro progresso desenfreado, determina a própria expulsão.
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As Nossas Palavras XII - por Lélia

Você sempre vinha com perguntas indiscretas. Todas as vezes eu te dava respostas curtas, tipo: sim, não, nunca, talvez. Mas você insistia e não parava de me atentar. Por isso, peste, risquei você do meu caderninho de uma vez por todas. Por quê? Ninguém aguentaria, como eu, tamanha encheção de saco! Vai conversar com teu cachorro! Ele vai te aturar mais tempo que qualquer humano, pois a diferença de linguagens vai proteger o coitado e dar a você a falsa impressão de estar sendo ouvido. Mas, por favor... não aprenda a latir!
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Luarormônio - por Alba Vieira

Quando ela reina no céu absoluta,
Enviando seus raios prateados ao mundo,
Traz um quê de assanhamento aos corações.
Deixa no ar , nas pessoas, sentimento profundo.
É ter o sentido aguçado para o outro,
Uma vontade enorme de agarrar,
É o beijo que anda à solta, faminto,
A busca incessante do relacionar.

A cabeça zonzeia , está nas nuvens,
Hipersensibilidade no olhar,
Tudo parece tão imenso e passageiro,
É coisa de arrepiar e endoidar.
Nada faz sentido e, ao mesmo tempo,
É só gravidade no que pintar.
Faz-se tempestade de chuvisco,
Melhor mesmo é deixar passar...

Apesar de toda essa barafunda na mente,
O que se sente, não se pode deletar.
Porque o sentimento, esse é transparente,
Sob os auspícios do astro argênteo no ar.
É lindo olhar no céu quando ela é plena,
Pois explodindo de carinho vou estar,
Só resta encontrar alguém que queira,
Uivar junto, a noite inteira, à beira-mar.



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Reflexão - por Roger Amado

A verdade é que nenhum homem morre,
os homens são todos assassinados,
por outros homens ou por eles mesmos…
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Desconfiança - Imagem Enviada por Marcelo Ferla

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Fonte: Eclisse
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Drogas: a Opção Equivocada para Lidar com a Dor de Encarar a Si Mesmo - por Alba Vieira

As drogas são tão antigas quanto a humanidade, sendo usadas com fins religiosos na Antiguidade e nos ritos de passagem, em tribos primitivas, eram utilizadas certas substâncias que alteravam a consciência. Ópio, haxixe, cogumelos, LSD etc. se sucederam, ao longo do tempo, em várias sociedades.
Os problemas com drogas abarcam uma enorme variável, com relação à diversidade não só das substâncias utilizadas que causam efeitos deletérios no corpo e mente, mas ainda com respeito às suas consequências nos âmbitos pessoal, familiar, social, econômico, político e espiritual.
É um assunto extremamente complexo e polêmico.
As drogas mais usadas variam em cada sociedade e vêm mudando através do tempo. Há as drogas lícitas e as proibidas em cada contexto analisado.
O que existe em comum com relação a todas elas é a necessidade que o usuário tem de buscar alívio através da alteração da percepção da realidade, ou seja, fugir de algo que causa dor. Tanto as drogas usadas com efeito medicamentoso quanto as utilizadas para outros fins aí se encaixam (hipnóticos, psicoanalépticos, analgésicos, alucinógenos).
Em nosso meio destacam-se o álcool, tabaco e a cola de sapateiro como as mais usadas. Entre as mais devastadoras cresce o uso do crack, acompanhando cocaína, heroína, maconha, ecstasy e muitas outras.
A drogadição é uma doença e como tal deve ser encarada, sendo difíceis e bastante complexos a abordagem e o tratamento do dependente químico. É preciso tratar a família e o contexto social conjuntamente, para que haja a recuperação. A repressão, além de não resolver o problema com as drogas, ainda estimula o comércio que enriquece tantos com a destruição da vida de tantos mais.
Há um perfil de vulnerabilidade às drogas e ao álcool. A personalidade do dependente tem características específicas que incluem tendência à fantasia, baixa autoestima, isolamento, sensibilidade exagerada e insegurança. Geralmente se consideram estranhos a este mundo, não sabendo lidar com ele, com a dura realidade, tendo grande dificuldade nos relacionamentos de vários tipos.
Com esta predisposição, que já vem expressa na personalidade e pode ser detectada de várias maneiras, em momentos cruciais da vida, a pessoa pode se tornar adicta e trilhar um caminho desastroso com difícil reabilitação e tendência a recaídas. O tratamento deveria focar a reabilitação do ser, isto é, tratar o que está por trás do vício, o sofrimento profundo.
No que tange à Astrologia, uma abordagem dos dependentes químicos no sentido de detectar os pontos vulneráveis e promover o autoconhecimento permite que haja maior autoaceitação e elevação da autoestima com facilitação dos relacionamentos em vários âmbitos. Na análise do mapa natal de drogadictos são frequentemente encontrados aspectos difíceis dos planetas pessoais (Sol, Lua, Mercúrio, Marte, Vênus) com os transpessoais Urano, Netuno e Plutão, além de outras características importantes. O estudo de cada mapa com terapia focada no mesmo pode ser de grande ajuda no tratamento e reintegração social. É importante detectar as energias presentes naquele indivíduo e orientá-lo a direcioná-las de outras formas. A Astrologia pode ser, ainda, utilizada na prevenção, sendo feita uma análise prévia para evitar que determinado indivíduo torne-se vítima das drogas. Assim, por exemplo, uma pessoa com Netuno forte e mal aspectado no mapa natal, deve ser estimulada a direcionar esta energia talvez através da arte (música, pintura, cinema, teatro), evitando que utilize a tendência ao sonho e fantasia ou a vitimizar-se, buscando alívio no álcool ou nas drogas para seus problemas. Outra consideração que pode ser feita, principalmente em relação ao alcoolismo, uma vez que Netuno mostra tendência à dissolução do ego, é a possibilidade de possessão da pessoa predisposta por energias ávidas de saciar o desejo por álcool, que se concentram nas proximidades de bares, explicando a dificuldade desta pessoa para manter-se abstêmia fora de casa.
Através do incentivo ao autoconhecimento, os dependentes químicos serão encorajados a reconhecer seus pontos frágeis, aprendendo a lidar com eles e superá-los, desenvolvendo aos poucos maior capacidade de encarar a realidade ao invés de fugirem dela, tornando-se capazes de constituir relacionamentos mais satisfatórios.
O tratamento da drogadição não pode se limitar a combater o vício e tratar o corpo. A reabilitação, com reintegração à família e à sociedade passa pela cura da dor primordial, a fragilidade do ser.



Texto participante da blogagem coletiva “A Polêmica das Drogas, Hoje!”.
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Trem Duelos Literários - por Clarice A.

Shintoni tem a concessão da linha
A Kalim mandou o trem
Colorido e florido
Bonito como convém
Ana, é coisa impossível
Despejá-la desse trem
Você é a maquinista mais antiga
E guia como ninguém
Nele somos passageiros
E já somos mais de cem
Contos, crônicas, biografias
Poesias, provérbios, haikais
Acrósticos, epitáfios, embates
E tudo na maior paz
Nosso trem não é um Orient Express
Mas feio também não faz
Tem música e Litercafé
Duélogos e charadas
Indicações de filmes e livros
Links, imagens postadas
Despertando ideias inspiradas
Nosso trem tem passageiros cativos
Alguns fazem baldeação
Vão para outros lugares
E retornam na próxima estação
E, traço comum a todos
Seu apreço às palavras
Através das quais expressam
Das mais variadas formas
O que querem partilhar
Observações, percepções, sentimentos
Alguns a alma a desnudar
E se quiser embarcar
Não faça cerimônia não
Trem Duelos Literários
Êta trem bão!



Referências: As Nossas Palavras VI, de Ana; Trem da Alegria, de Kalim Autuori.
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Corte Eterno - por Manassés Diego

Chato ou hino da tua glória

Um disco girando na natureza
.............Corpo
Alcançar o sangrento
Logo ser perfurado pela colina da visão
Ser lançado em pedaços e dizer “Estar chegando”

Dizia um monte de voz
No inferno livre ou crime

Sem nenhum interesse;

Ensina-nos teus corpos,
Transforma em feltro teu esperma

Viga, vigia tua cabeça
E nos livra dos cabelos

Come
Me come
Destila tuas fantasias e nos faz parir

Semblante e tragédia

Suspeita de nós que rimos aos poucos

Desiste de nós e nos encaixa numa fábrica.

Sobrevive aos créditos dos celulares

Queima,
E desfalece nossos órgãos

Tritura tua camada

substitui-nos por amantes

Joga uma iluminação na minha cara

Estabilizadores de alma, para não queimarmos
Com a eletricidade
Com a falta de voltagem do viver

Chove na sabotagem, mas na minha.

Quando acabou todos os desenhos que fiz no chão

Desesperadamente pendurado,
Furou

Rodelas piscando
E jantas

Câmeras da noite,
Da cidade dor

Alto, até que se pode ver através dos muros

Como empilhamento de dor
.................No estoque da Afrodite.
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17° colocado no Concurso Nacional Poesiarte 2009 - RJ
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Friedrich Nietzsche: o Livre-arbítrio não Existe - Citado por Penélope Charmosa

Contemplando uma cascata, acreditamos ver nas inúmeras ondulações, serpenteares, quebras de ondas, liberdade da vontade e capricho; mas tudo é necessidade, cada movimento pode ser calculado matematicamente. O mesmo acontece com as ações humanas; poder-se-ia calcular antecipadamente cada ação, caso se fosse onisciente, e, da mesma maneira, cada progresso do conhecimento, cada erro, cada maldade. O homem, agindo ele próprio, tem a ilusão, é verdade, do livre-arbítrio; se por um instante a roda do mundo parasse e houvesse uma inteligência calculadora onisciente para aproveitar essa pausa, ela poderia continuar a calcular o futuro de cada ser até aos tempos mais distantes e marcar cada rasto por onde essa roda a partir de então passaria. A ilusão sobre si mesmo do homem atuante, a convicção do seu livre-arbítrio, pertence igualmente a esse mecanismo, que é objeto de cálculo.



In “Humano, Demasiado Humano”.
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Reflexão - por Roger Amado

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Os homens são iguais, seus direitos é que não são respeitados.
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