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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Rei da Terra do Nunca - por Gio

Alguém disse em algum programa hoje que ninguém vai esquecer o que estava fazendo quando recebeu a notícia da morte do Rei do Pop. Eu certamente vou lembrar: estava entrado no MSN, para falar com meu colega sobre um trabalho (cuja epopeia vocês vão saber semana que vem), e quando abriu o MSN Hoje, apareceu a notícia “Astro do Pop: Michael Jackson morre aos 50 anos”. Pensei que era pegadinha, e cliquei para ver se era algum tipo de piada. Tive que ler a notícia, entrar em alguns dos links, e perceber a inundação no meu Twitter para finalmente acreditar.

Ignorem então a minha teoria sobre acordar cedo: pelo jeito, ultimamente as notícias ruins vêm sem precisar de desculpa. Notícia ruim, sim! Perdemos mais que um ídolo: perdemos um gênio da música e da dança, um inovador, alguém tão bom que conseguia fazer com que mesmo pessoas que não gostassem de seu estilo voltassem os olhos para ele e sua música. Johnny Cash nos deixou em 2003, e ainda há pessoas que não sabem que ele morreu; mal faz um dia que Michael Jackson faleceu, e não há quem não saiba – o mundo parou.

Uma bomba que pegou de surpresa para muitos, uma simples consequência de seu histórico para outros (ou mesmo uma jogada estratégica para escapar das dívidas, para os conspiracionistas de plantão), a morte de Michael Joseph Jackson causou efeitos curiosos. A imprensa que, há pouco mais de um ano atrás, decretava o fim de sua integridade moral e carreira, agora o exalta como um deus (isso me lembra o Brizola). Seus CDs duplicaram de preço no Amazon... e esgotam. Sua esposa, que tinha cedido a guarda dos filhos magicamente aparece, querendo novamente a guarda. Comparado com os últimos falecimentos, esse é disparado o que rendeu menos piadas.


O artista Michael Jackson é algo indiscutível, as opiniões a respeito são como um dogma, quase unânimes. O ponto que gera polêmica e divergência é a pessoa Michael Jackson, esse ser enigmático que era negro, se tornou branco, e hoje é cinza (Desculpem, não pude evitar!).

Aliás, esse ponto de mudança de cor da pele é um dos mais criticados: é considerado renegar a própria raça. Excluindo as vertentes que dizem que o clareamento veio de um vitiligo extremamente uniforme, eu pergunto: ele não tinha motivos para renegar a raça? O pai, a maior referência de um homem, era um ser rígido e enérgico. Muitos falam que os ensaios do Jackson 5 eram vigiados pelo pai e seu chicote. É verdade? Não sei, mas isso explicaria muito de seu comportamento.


Outro foco são as acusações de pedofilia. Muitas feitas, nenhuma provada, e um acerto milionário com uma família para alimentar a discussão. Sinceramente, eu tenho as minhas dúvidas quanto a ele realmente ter feito alguma coisa. Sim, podem me chamar de louco. Hoje em dia o mundo está deturpado a tal ponto, que é tão difícil acreditar que um adulto goste de crianças sem nenhuma intenção sexual? Se ele dizia que dormia, e só dormia com as crianças, é tão absurdo acreditar nisso?

Michael era uma criança grande, isso era notado frequentemente em seus atos muitas vezes imprudentes (como a clássica cena do filho na sacada). Quando as acusações chegaram, ele era um artista em seu auge, com uma reputação a zelar. As crianças supostamente abusadas mudaram seus depoimentos algumas vezes, não tinham nada a perder, e calaram-se quando um acerto financeiro foi feito. Quem tem mais chances de estar mentindo?

Eu vejo Michael como um Peter Pan da vida real: uma criança que não cresceu, e por isso sofreu duras críticas no “mundo dos adultos”. E esse mundo duro e implacável foi o que trouxe uma infância triste, e também invejosos e aproveitadores na mesma proporção de seus fãs. Com sua imagem na lama, a criança que não sabe controlar as finanças gastou mais do que devia. No final, teve até que abrir mão de sua Terra do Nunca.


Mesmo com tudo contra, o Rei saiu por cima. Foi o maior artista pop, teve o álbum mais vendido de todos os tempos. Inseriu o conceito de videoclipe, e mudou a nossa maneira de ver a música. Tem mais admiradores, fãs e covers que qualquer um já sonhou. Não adianta: rei que é rei, nunca perde a majestade.
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.Postado, originalmente, em 26/06/2009.
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.Visitem Gio
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Hermógenes e o Sofrimento Humano - Citado por Alba Vieira

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O homem é o herdeiro do Reino.
Mas a bruxa da ignorância o encantou. E ele sofre porque pensa que é mendigo.
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Clímax - por Esther Rogessi

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Você sabe a intensidade do meu amor por ti?
Podes calcular o quanto eu te quero?
O quanto tua existência faz-me feliz?
Ah! Quanto alegra-me o teu som...
Amo-te... Com todas as minhas forças...
Fico a desejar-te, a querer-te... A sonhar!
Como me completas, me sacias, tenho sede de ti!
Elevas-me ao clímax... Desejo estar contigo a sós,
para entregar-me a ti, fechar meus olhos e sentir-te.
Ah! Como és belo! Tens curvas másculas perfeitas...
Com as minhas mãos, percorro-te...
Coloco-te em meu colo, sinto-te a dureza...
És de matéria nobre!
Anseio pegar-te... Toco-te o corpo,
dedilho-te!... Desejo fazer-te vibrar,
e sentir-te em vibração...
Entre mínimas e semínimas... Em minhas coxas,
musicista... Fico a coxear meu violão!...
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Visitem Esther Rogessi................
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Arara Azul - por Leila Dohoczki

Arara Azul do Edu
Inteligente como ela só
Deixava feliz o menino
E também a vovó.

Acontece que um dia
A arara fugiu de casa.
Ela via Edu com seus pais
E com seus irmãos
E se perguntava todo tempo
Será que tenho filiação?

Não sabia como era
Um carinho de mãe, coitada
Até o ararês já estava esquecendo
Queria ter família,
Queria ser amado.

Não que Edu não gostasse dela.
Mas era diferente.
Pra ela, ter uma família era importante.
E depois, Edu ia crescer
E ela? Como ficaria?
Edu também vai ter
Sua própria família...
A arara voou
Para bem longe dali
Foi para a mata,
Foi ser feliz.

Edu ficou triste
Não compreendia
O motivo do abandono
Pensava que ela era sua
Que ele era seu dono.
Foi uma dificuldade
Entender que nessa vida
A coisa mais valiosa
É a liberdade.

Passaram-se alguns meses
E a tristeza também foi embora
Mas a arara na mata
Tem saudade do Edu agora.
Dos risos, danças e palavras
De todos os nomes que chamava
E do carinho que Edu lhe dava.

Mas ela já tinha feito família
Tinha até uma ararinha
Que acabara de nascer.

E assim continuaram amigos
Dentro do coração
Um queria bem ao outro
E tinham grandes recordações

Estavam distantes
Não separados
Estavam ambos
Debaixo do mesmo céu.
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.Visitem Leila Dohoczki
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tribos - por Leo Santos

Olha só, a obesa denúncia do conforto que
desenvolvemos! E a famélica digital da injustiça
social; uns exercitando-se pra “queimar” as sobras,
Faz-de-conta,
outros mendigando, comendo as pontas…

E esse papo de esquerda e direita, cada qual com
sua receita; futebol e carnaval,
a finta e a fantasia, perfeitas.
O canhoto que protestava, já não é desta feita…

Questão de perspectiva,
do lado que aponta a placa;
a lateral direita de quem defende,
é a ponta esquerda de quem ataca…

Agora, são urnas eletrônicas, não há fraude assim;
aperfeiçoamos os meios, apodreceram os fins…

Que fácil prometer, o que outros devem fazer!
Ai Deus os coloca no alto, pra que todos possam ver.

Fragmentada nação, no fundo, veraz nação não é;
tribos içando estandartes, com a força de seus caciques,
e o feitiço de seus pajés.

Compramos inativas armas, pra deter a violência
disseminada. Canetas assassinas impunes, assinam,
os desvios da corrupção; a violência profissional
segue armada. Almas que não se desarmam, fazem a
ocasional, matando a pedradas…
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............................................Visitem Leo Santos
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Hermógenes, Diamante e Carvão - Citado por Alba Vieira

Quando o diamante e o carvão, salvos da ilusão em que vivem, descobrirem que, em realidade, um não é mais do que o outro, nem mesmo diferente do outro, pois são a mesma coisa - o carbono - então deixará de existir a injustiça do primeiro contra o segundo e a revolta deste contra aquele.
Quando libertos da ignorância, da estupidez, do erro, da violência, da espoliação, do ódio, da greve, da guerra, da fome, as ruínas, a miséria, o medo... tudo deixará de existir.
Acabará a luta de classe.
Acabará porque acabará a razão de lutar - a ignorância.
É ela que impede que o carvão e o diamante descubram que, em realidade, são ambos o carbono.
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Máscaras - por Daisy

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Máscaras, caras más? Sim,
quase sempre.
Máscaras, carcaças protetoras? Sim,
nem sempre.
Máscaras, disfarces frágeis? Sim,
sempre.
Máscaras são fantasia, imaginação.
Não são parte do real.
Arlequim, Colombina,
Pierrô, Odalisca,
fantasias que encobrem indivíduos.
Não são pessoas de fato.
Para que máscaras? Fantasias? Imaginação?
Coragem para enfrentar, encarar, viver
a realidade.
Vamos deixar as máscaras caírem!
Vamos nos revelar!
Caras más, carcaças protetoras,
disfarces frágeis? Não
Nunca mais!
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Visitem Daisy
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Nei Lisboa, “Doody II” - por Kbçapoeta

 
Tenho um carinho despido
Por esse menino travesso
Que vejo quando olho no espelho
Em dias de muito calor
Que esconde, que fica vermelho
E finge que odeia o cupido
E vira uma ideia do avesso
Só pra complicar a dor
Tenho um medo transparente
Um desejo inconsequente
De matar esse vampiro
Que vejo quando olho de frente
Pra trás do fundo do espelho
Em cada noite de chuva
Fico dando conselhos
A uma cabeça viúva
De um coração apagado
Na ponta do dedo da luva
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A Rosa Amarela - por Leila Dohoczki

Era uma vez
Uma rosa amarela
Que vivia num pequeno jardim
E por ter a cor diferente
As outras diziam assim:
“Rosa amarela não existe
Rosa, pra ser perfeita
Tem que ser carmim
Se tiver outra cor me perdoe
Mas é por que é muito chinfrim!”

A rosa amarela sabia
Que ela era rosa com certeza
E não tinha nada de inferior
Se algo a fazia diferente
Era somente a cor.

Todas da mesma espécie
Todas, somente flor.

Certo dia veio a prova
De que todas eram iguais
Pensar daquele jeito ruim
Não iriam nunca mais...

O dono daquela casa
Onde estava instalado o jardim
Chamou o jardineiro e disse:
“Pode todas as rosas
A estação já está no fim”.

O Jardineiro obedeceu
E com sua tesoura da justiça
A verdade revelou...

Todas foram ao chão
Nenhuma rosa sobrou.

A amarela foi a primeira
Bem aos olhos da vermelha
Entre flores e folhagens
Foi pra um vaso sobre a mesa
Harmonia de cores e perfumes
Era mesmo uma beleza.

Tranquila e justiçada
A rosa amarela aguardava
Que a vermelha chegasse.

Quando enfim ela chegou
Não disse uma só palavra
Olhou a sua volta
E simplesmente chorou.

Ela finalmente entendeu
A beleza das diferenças
Vendo o colorido alegre
Daquele vaso sobre a mesa.

A rosa amarela
Com carinho
E num gesto de amor
Sorriu e disse:
“Bem-vinda
à mesa de nosso Senhor”.
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.Visitem Leila Dohoczki
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Augusto dos Anjos, “A Fome e o Amor” - Citado por Penélope Charmosa

Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas que esbanjem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríase sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
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Resposta - por S. Ribeiro

entender a estatura de minha vontade te parece algo difícil? bem sente e pare tente perceber que me vou e nada fazes para impedir. que fazer tenho a aprovar isto? mastigar-me induzir-te a tocar-me sorrir para teus olhos sem nome? vou-me e não posso te obrigar a suster-me. agarras-me, sim? é por ser branco feito uma ovelha tonta que não terei teus ensejos negros.
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Inspirado em A Ovelha Desgarrada, de pgricardo.
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.Visitem S. Ribeiro
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Confissões - Fatinha

Querido Brógui:

Hoje é dia de confissão. Preparado para a intensa emoção de compartilhar os recônditos mais obscuros da minha vida?
Tudo começou quando percebi minha ojeriza a tirar fotos. Fotos minhas, claro. A dos outros, não me incomodo não. Não ficam lá muito boas, é verdade, mas a criatura já fica previamente advertida da inaptidão da fotógrafa quando ela pergunta: “Tem que sair a cabeça e o pé, ou eu posso escolher um dos dois?”
Por que eu não gosto de fotos? Primeiro porque não sou fotogênica. Minha cara nunca sai legal e fico arrasada quando dizem que ficou boa. É um raciocínio muito simples: se acho a foto feia e eu tenho aquela cara, fico logo pensando que sou feia também. Coisas de Fatinha.
Segundo, meu irmão sempre diz que quando eu rio para tirar retrato, aparecem trezentos dentes na minha boca. É um elogio (acho) ao meu sorrisão, mas…
Terceiro, em todas as fotos 3x4 eu saio com cara de marginal. Ah, tá. Você também sai. Mas, numa escala de zero a dez, eu seria presa num presídio de segurança máxima e você pegaria um regime aberto.
Quarta razão: minhas olheiras. Elas são potencializadas na fotografia. Se, em condições normais de temperatura e pressão, eu tenho que passar três camadas de corretivo para poder ir no portão de casa sem neguinho pensar que eu levei um soco em cada olho, na foto, fico parecendo um panda.
Não basta?
O quinto motivo é que, nas últimas e infelizes fotos que tirei, reparei que minha cara tá ficando caída. Tipo bochecha de bulldog. Exagero? É, mas já disse: meus retratos potencializam o que há de pior em mim.
Então, essa foi a primeira confissão do dia. Sigamos adiante.
Comprei uns produtos da linha Renew, da Avon. As mulherzinhas sabem do que eu estou falando. São aqueles produtos pra combater rugas, flacidez, manchas na pele, aspecto de cansaço, em suma: a decrepitude normal do rosto. Normal, mas nem por isso bem-vinda.
O que tem isso a ver com as fotos? Tudo. A minha confissão número dois é relacionada com a número um. Nas fotos, além de ver minhas olheiras e a bochecha de bulldog, ainda consegui perceber que pequenas ruguinhas estão se manifestando nas pálpebras inferiores. O que fazer? O que já deveria ter feito, porque também li na revista que os sinais da idade começam a aparecer aos trinta anos. Já estou no atraso.
Com isso, parto para minha terceira confissão do dia: eu peco todos os dias e meu pecado é um dos capitais, a vaidade. E digo mais: se depender de não cometer esse pecado para conquistar o Reino dos Céus, tô lascada. Já era. Faço ginástica, faço dieta, pinto as unhas, o cabelo, compro roupinha da moda, faço maquiagem, limpeza de pele, depilação, uso Renew, creme redutor de celulites, hidratante corporal. Pacote completo. Passagem direta só de ida para o Inferno. Por essas e outras, para compensar, para poder negociar com São Pedro na hora do acerto de contas, faço de tudo para ser uma boa pessoa. Na hora H, acho que Deus vai me perdoar por ser “humana, demasiadamente humana”.
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PS - A citação é de Nietzsche. Fatinha também é cultura.
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.Postado, originalmente, em 24/09/2008.
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. Visitem Fatinha
Friedrich Nietzsche
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O Símbolo Perdido, de Dan Brown - por Ana

Acabei de ler o “O Símbolo Perdido”.
Assim, assim...
Através da pena de Dan Brown, lemos que os Estados Unidos possuem os mais belos sei-lá-o-quê, os maiores tudo quanto é coisa, os mais avançados, os mais imponentes, os melhores etc. Interessante perceber que “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” se passam em Paris e no Vaticano, respectivamente, e que nada, em nenhum dos dois lugares, merece tantos elogios. E olhem que o protagonista esteve no museu do Louvre e na Basílica de São Pedro!
O livro tem seu valor por abordar a ciência noética e seus fundamentos e descobertas, que considero algo que vale a pena ser difundido nos dias de hoje.
Termina com uma chatérrima rearfimação da importância de um determinado ícone ocidental, como se fosse um adendo à história já finalizada.
Ao contrário de “O Senhor dos Anéis”, não há nenhuma passagem digna de ser citada aqui para o deleite dos amigos do Duelos. É apenas a aplicação da fórmula que deu certo nos best-sellers anteriores, no melhor estilo “em time que tá ganhando não se mexe”, e mais pra rascunho de roteiro cinematográfico.

No geral, é uma apologia aos valores norte-americanos, mais uma pílula de otimismo necessária após o 11 de setembro. Por todas as páginas percorremos as noções de “lembrem o que somos”, “lembrem o que temos”, “lembrem de onde viemos”, “lembrem-se: somos o máximo!”. É uma mensagem ao país combalido, uma cartilha de ufanismo. O tempo todo você lê a intenção do “resgatem-se”, da injeção de moral à população deprimida. Só faltou colocar, no lugar do famoso “The End”, “We Can”.
“O Símbolo Perdido” foi título perfeito para um país que, pelo visto, ainda está em catatonia. E a cura que o autor encontrou, realmente, faz sentido, porque, para eles agora, além do “ópio” pro povo, só se Barack passasse à distribuição gratuita de megatoneladas de Prozac pros coitadinhos.
.J. R. R. Tolkien

Do Mito à Metáfora - por Esther Rogessi

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Prosa inspirada no comentário da escritora Silvia Mendonça
sobre a temática da ciranda 'Mulheres de Fogo'.
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Mitologia, simbologia, amor, Eros, philos, ágape... Ou só amor!...
Ave mesclada de vermelho e dourado... Desde o Éden enternece tal resplendor! Vermelha... ‘Mulheres de Fogo’ cor do amor representado...
Presente ou passado. Ave mesclada de vermelho e dourado... Sol nascente.
O amor é assim... O fogo que surge, chama que consome!
Correspondido bate asas... Voa, dá cambalhotas, canta à toa...
Traído... Amofina-se, aquieta-se... guarda as asas, se entristece...
Faz um ninho, nele deita... E do amor... o fogo lhe consome as entranhas - metaforicamente! Sendo ele - o amor - imortal, seu ressurgir acontece... Do pó, das cinzas se levanta... Ó! Fênix... Lindo pássaro que encanta!... Canto triste, canto belo... que contagia e que põe em agonia os de perto. Desde o Éden, Líbia, China, Egito... Séculos e nações, poetas e canções melodiosas, rima, verso e prosa... imortalizam-te!... E, assim... Estamos aqui: Anas, Theresas, Silvias, Rogessi... E outras mais... Mulheres-Fênix dessa nação, em uma nova versão, algo ardente e singelo em verde e amarelo!
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“Mito é uma história ‘verdadeira’ ocorrida nos tempos primordiais, porém, diante da interferência de um ente divino, transformada em uma nova realidade.” (Mircea Eliade)
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Visitem Esther Rogessi
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A Pintura - por Leila Dohoczki

Vejo o sol
Iluminando a paisagem.
Parece um quadro na parede,
Mas nele, as coisas todas se movem.

Passam aviões,
Nuvens,
Gaviões,
Meu quadro tem até sons!
Buzinas,
Gente que fala,
Passarinhos,
Tem até a voz da minha mãe.
Vai brincar menina!
A hora da escola, já vem!

É bonito de se ver.
Mesmo com os tons de cinza,
Que teimam em aparecer.
É que as cores mais alegres
Deixam a pintura mais viva.

Em todas as casas
Tem um quadro desses,
Onde qualquer um pode
Ver um tipo de pintura diferente.

Todas elas,
São do mesmo artista
Que parece tê-las feita
Numa grande inspiração.

Se eu fechar um olho
E estender um braço,
Tudo cabe na minha mão.

Em tudo que olho, vejo beleza,
Através da janela do meu coração.
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Augusto dos Anjos e “A Floresta” - Citado por Penélope Charmosa

Em vão com o mundo da floresta privas!...
- Todas as hermenêuticas sondagens,
Ante o hieroglifo e o enigma das folhagens,
São absolutamente negativas!

Araucárias, traçando arcos de ogivas,
Bracejamentos de álamos selvagens,
Como um convite para estranhas viagens,
Tornam todas as almas pensativas!

Há uma força vencida nesse mundo!
Todos o organismo florestal profundo
É dor viva, trancada num disfarce...

Vivem só, nele, os elementos broncos,
- As ambições que se fizeram troncos,
Porque nunca puderam realizar-se!
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palavras - por Marília Abduani

Palavras voam ao vento.
Atravessam fronteiras,
chegam até onde a vista não alcança.
E são cálidas,
complacentes,
cuide para que as suas palavras
levem nas asas ouro,
levem a mais doce esperança
onde pulsa a fé, cumplicemente.
Deixe-as
seguindo o próprio percurso.
Que sejam encantadas,
delineadas,
iluminadas,
ilimitadas.
Que sejam sementes,
que saibam acalentar sonhos,
os mais simples e os mais complexos.
Palavras brancas, verdes, amarelas,
vermelhas de paixão.
As negativas, não.
Deixe-as quietas, adormecidas, talvez. Elas passarão.
Palavras, palavras...
Na recriação dos sentidos, na emoção que contagia,
na flor que desabrocha, linda.
Assim são as palavras.
Use-as, ame-as, solte-as ao sopro da brisa
e ao silencioso toque do vento.
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.....................................Visitem Marília Abduani
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Hermógenes e as Potencialidades Humanas - Citado por Alba Vieira

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As potencialidades infinitas do Ser Supremo, que nós somos, permanecem abortadas pelas posses, afazeres, doutrinas, partidos, preceitos, preconceitos, vaidades estúpidas, verdades que não o são e que, embora nos retenham na penúria verdadeira e em verdadeira servidão, são por nós defendidas e amplificadas como se nos dessem segurança e paz.
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A Justiça é Cega!! - por Esther Rogessi

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Brasília é a capital da arte, tem arte por toda parte... Em toda parte tem arte!
Lu é artista lá... Pouco lá Lu está!...
Nada sabe, nada vê... Nada no lago dos Três... Haja Poder!
Grandes obras desde o passado são vistas... As Obras e seus artistas: plásticos, escultores, engravatados, engenheiros, doutores, mágicos, transformistas, calculistas e projetistas...
Obras nem sempre boas de se ver... Boas obras as de Niemeyer... ‘Revolucionista’ que arredondou massa e tijolo, grande e belo projetista; Alfredo Ceschiatti, junto a ele trabalhou, talhou, embelezou e grandes esculturas perpetuou!
O filho das Gerais... fez obras como não há iguais! Em pedra de ‘Granito Petrópolis’ assentou a ‘Dona Justiça’ - puro cavalheirismo -, para que ela não cansasse; vedou-lhe os olhos, para que não contasse o que lá... pudesse ver!
O sindicato dos artistas... Deve isso a você!
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.Amigos poetas...
Não esqueçamos, primeiramente, que este texto é satírico... Em verdade, a escultura simbolismo da ‘Justiça’ tem ‘significado universal’ - denota igualdade no exercício da mesma. Em se tratando do poema concernente ao monumento exposto na praça dos ‘Três Poderes’ em Brasília, tão bem talhada pelo ‘filho das Gerais’ - Ceschiatt -, é uma sátira poética quanto aos descasos e aplicações - muitas vezes indevida -
do termo ‘JUSTIÇA’ em nosso país.
O poeta tem o poder de metaforizar, satirizar... zar... zar... zoar!...
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.Visitem Esther Rogessi
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O Haiti é Aqui - Leandro M. Oliveira

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Desde o terremoto ocorrido no Haiti há alguns dias, vê-se um desfile de boas ações noticiadas em todas as instâncias da mídia. Governos nacionais, atletas, empresas, milionários, gente comum, todos unidos em prol do socorro a esse país vítima da mais aguda miséria histórica das Américas. Fato pacífico é que esse estado do Caribe vive em condições de uma precariedade às vezes inimaginável no século XXI, desde sua fundação como colônia escravista de exploração econômica francesa, até o século XX com a ocupação militar e depois política da América, esse país foi continuamente dilapidado em seus recursos financeiros, naturais e sociais. A tragédia haitiana vem de longa data, ao contrário do que se imagina, grande parte do quadro de caos apresentado pelas redes de TV como grande população de rua, falta de emprego, inacesso à educação, escassez alimentícia entre outros, são flagelos que acompanham a população desse desafortunado país com maior ou menor intensidade desde sua conturbada independência nos idos do ano 1.804.

Como humanista não há como não se apiedar, entendo o homem do futuro como um ser essencialmente sem bandeiras, que se alista em qualquer trincheira disponível à busca do progresso global, aceitando o mundo como pátria, desconhecendo as fronteiras. Entretanto, esse homem novo a meu ver depende de mais que de boa vontade e romantismo pra surgir, ele há de ser um evento concreto quando a opção for de dentro pra fora, quando em seu próprio país conhecer e trabalhar por uma justiça social efetiva, poderá ir a outros estados e reivindicar isso àqueles que lá vivem, todo o mais de empreita semelhante é conjetura ou aceitar a condição de massa de manobra dos poderosos.

O que se busca dizer com esse discurso, é que faz-se em esforço de pouca valia nos abstermos de questões básicas à evolução social interna em favor de outra ordem externa. Nesse caso vale o antigo dito popular de não adiantar em nada “descobrir um buraco pra tapar outro”. Vejo nos dias atuais o cinismo do governo brasileiro, enquanto milhões morrem de inanição, falta de emprego, educação, esclarecimento e oportunidade em inúmeros pontos desse país, nosso presidente ainda tem surtos de líder sindical e como em sonho ou ataque psicótico parece se sentir discursando na velha internacional comunista, com aquele grito de guerra inflamado e cheio de segundas intenções. Mas a era das revoluções foi (tristemente) sepultada, e os antigos líderes eram muito mais que fantoches nas mãos de uma pequena elite intelectual filha da classe média que os usa como símbolo e contraponto a uma já alardeada decadência burguesa, objetivando em última análise o status de novos messias da sociedade. Não, aqueles homens eram mais que massa de manobra.

Infelizmente hoje estamos, enquanto sociedade, acometidos pelo mal do “imbecil coletivo”, essa praga que em parte vem desses tempos de globalização, em parte das intenções escusas de quem nos informa do panorama geral (mídia) e seus afiliados. Tem-se a idéia de que é melhor salvar alguém do outro lado do mundo do que aquele que está perdido à sua porta e tudo só porque o jornal nacional falou que assim soa mais humano. Esse momento de mobilização das boas intenções por um país vizinho é também uma oportunidade de repensar a capacidade e necessidade de resolução das questões domésticas. Acaso é legítimo enviar milhões de dólares entre outros recursos a um país estrangeiro enquanto nós ainda que em menor escala perecemos das mesmas faltas? Os Estados Unidos estão lá, por uma dívida histórica e pela capacidade recursal que possuem, assim como os demais países europeus e os grandes asiáticos. Mas e o Brasil? Será que vale a pena deixar o sistema público de saúde em petição de miséria, igualmente a rede de ensino que nada oferece? Abandonar os miseráveis do Nordeste e do Jequitinhonha à própria sorte, tudo em nome da vaidade, do reclame de uma liderança regional que não governa a si própria... Por fim, a respeito dessas intervenções e abstenções do governo faço minhas as palavras do mestre Darcy Ribeiro, um dos maiores humanistas que esse país já conheceu:

“(...) Quem mais representa como massa humana a Latinidade somos nós, os mestiços Brasileiros. Nesse sentido, nós somos a Nova Roma, uma Roma que o mundo vai ver espantado, no momento em que realizarmos nossa potencialidade — tantas! No momento em que resolvermos problemas elementares: que todo mundo coma todo dia, que toda criança tenha uma escola, que se façam aquelas reformas urbanas e rurais para que a terra seja acessível para quem trabalha, para que as cidades sejam a morada dos homens, cordial. Nesse dia, vai florescer no mundo uma civilização diferente, que nunca ninguém viu. (...) Ao lado dos eslavos, milhões de eslavos! Ao lado dos neo-britânicos, milhões! Ao lado dos chineses, milhões! Dos árabes, milhões! De outros tantos milhões, existirá essa face morena.”
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