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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 5 de dezembro de 2009

As Nossas Palavras XXV - por Lélia

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A hesitação frequente não leva a nada e é demonstração de insegurança. Quando não decidimos na hora certa, chamamos outros a decidirem por nós, mesmo que indiretamente. O momento passa, o caminho segue, não existe retorno. Devemos ter sempre em nosso pensamento a meta que traçamos (ou foi traçada) para nós; um passo de cada vez, nos aproximarmos cada vez mais dela e cada decisão que surja neste caminho deve estar harmoniosamente coadunado com ela.
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As Nossas Palavras XVI - por Aaron Caronte Badiz

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Prêmios são merecimento,
Consequências de nossos atos
E da vida, agradecimento.
Assim como castigos são imediatos.
Para ver isto, somente tenha entendimento.
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Enfim, o Verão! - por Adir Vieira

Ainda durante a primavera, o verão já estava aí!
Trazendo o sol desde as primeiras horas da manhã e iluminando o dia, chamando-nos a viver.
Nessas épocas de sol escaldante penso que se eu fosse comprar outro apartamento, jamais compraria aquele que tivesse piscina como opção de lazer.
O prédio todo, antes do calor chegar, estava uma calmaria só. Se não conhecêssemos os moradores, podíamos apostar que aqui não existiam crianças e poderíamos jurar que a população geral descambava mais para anciãos ou trabalhadores que só vinham em casa para dormir. Com certeza poderíamos afirmar isso sem medo de errar, tamanha a calma, a falta de ruídos etc.
Mas, graças ao verão e à piscina, parece que todos, sem exceção, resolveram dar o ar da graça e espalhar pelo ar essa algazarra de quem é feliz, absolutamente feliz, por estar dentro de um “tanque”, misturado a velhos e crianças que buscam até o Natal estarem perfeitamente bronzeados.
Nada contra, mas que incomoda, não tenham dúvida! E olhem que a piscina está bem distante do meu apartamento...



Visitem Adir Vieira
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Memórias de um Seminarista (Parte XVII) - por Paulo Chinelate

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O novo ano que se inicia não deverá ser diferente dos outros anteriores. A rotina do internato é preenchida com muito estudo, missas e orações, retiros espirituais e, é claro, participações em jogos, disputas e campeonatos, desde o futebol, rúgbi e vôlei até os jogos de salão: xadrez, damas, carteados, pingue-pongue, sinuca etc.
Eu continuo expert em previsão do tempo. As setas da rosa dos ventos no cimo do dormitório dos noviços dão-me, através da posição do cata-vento adicionada pela direção das nuvens, a indicação se choverá ou não no dia seguinte. A pesquisa é maior quanto mais próxima houver a promessa de piqueniques, passeios, jogos.
Às quartas feiras temos livres as tardes para esportes ou trilha pela floresta. Portanto, nas terças o trabalho de pesquisa do tempo já está programado.
A grande novidade deste ano está sendo a participação maior em peças teatrais e esquetes. O Irmão Constantino, abnegado e paciente condutor dos peraltas adolescentes metidos a artistas, continua a tirar leite de pedra.
Por ocasião do encerramento dos semestres escolares de meio e final de ano são apresentadas seções teatrais. Os nobres convidados contam-se entre religiosos, políticos, fazendeiros vizinhos e moradores do entorno da fazenda que vêm usufruir conosco de momentos ansiosamente aguardados.
Apesar de eu participar de todas as atividades do juvenato, de ter passado como líder por Uberaba, sou tímido e retraído. Até mesmo assistir a filmes infantis de desenho animado faz-me ficar tenso e nervoso, ansioso com o destino dos personagens. Falar em público apresentando trabalhos - quer em sala de aula ou solando o cantochão nos recitais das “Vésperas” lá na capela - é para mim grande dificuldade.
Recebemos a visita de um Irmão Marista da província do Sul. Irmão Vital é o seu nome. Catarinense de porte considerável, tem em seu nome o que estampava em seu rosto vermelho e olhos de um azul celeste: expirava vitalidade.
Fará amanhã uma apresentação no salão de teatro sobre hipnotismo. Trabalha com letargia e paranormalidade. Procurou entre nós, fazendo testes, “cobaias” para sua apresentação. Fui escolhido tão logo colocou em mim seus olhos. Parece ler nossa alma. É psicólogo. Durante os testes que me coube fazer com ele acabou descobrindo meus problemas de timidez. Passou-me lição que deveria repetir para extirpar tal mal. Descobriu no dorso de minha mão direita, bem perto do pulso, como também na parte interna do meu polegar direito, duas verrugas que me causam muito desconforto. A do dedo prejudica, inclusive, a caligrafia. A do dorso sempre a bater em paredes sangrava amiúde. Passou-me lição urgente e sendo seguida, garantiu, em menos de quinze dias teriam sumido as aberrações que já me acompanhavam há anos. Eu já tinha feito antes diversos tratamentos inócuos, incluindo aí ácidos aplicados pelo “bondoso” Irmão enfermeiro.
No dia seguinte estamos eu e mais uma meia dúzia de colegas em cima, no palco, à disposição do “mestre”.
Entre diversas apresentações, a que mais surpreende perante uma plateia de mais de duzentas pessoas, é a imposição de mãos do Mestre Vital sobre pesada mesa e suspendê-la a considerável altura do solo. Em seguida, abaixada a mesa, nós seis auxiliares não conseguimos suspendê-la de forma alguma.
Outra impressionante demonstração foi testemunhar a interferência dele sobre um vaso de planta. Se seu rosto já é rubro por natureza, durante esta exposição ficou da cor de um tomate maduro. Espalma suas mãos em direção à planta a uma distância de uns dois metros, colocada que fora à beira do palco. Em pouco menos de minuto nota-se que a planta vai murchando defronte de nossos olhos.
Atravessou-me o pescoço com um grande alfinete e fez-me passear pela plateia. Retirou depois a peça de aço e novamente fui vistoriado pela curiosa plateia que estupefata não encontrou cicatriz e muito menos sangramento.
Diversas outras peripécias foram apresentadas: abraçados, dois a dois, nós éramos desafiados a desfazer o abraço. Um colega colocado deitado, tendo somente o calcanhar e a nuca apoiados em duas cadeiras, suportou três de nós sentados em cima dele sem ao menos vergar o corpo.
No mais, além de minhas verrugas se esfarelarem em menos de duas semanas, tudo corre sem grandes percalços.
Dentre todas estas amenidades e outras nem tanto tocamos o ano de 1963, só mesmo maculado pelas adversidades políticas que já permeavam o noticiário do “Repórter Esso”. O governo do “vassoureiro” Jânio Quadros está fazendo água. Há um desconforto político. O socialista João Goulart, nosso Vice-Presidente da República, tem praticado alguns atos que estão desagradando religiosos e militares.
Final de ano, vésperas de Natal, dá-se início ao nosso retiro espiritual.
Este ano seremos atendidos por um pregador Jesuíta. Homem sisudo, mas de coração brando.
Guardo, no entanto, grave impressão de suas pregações, principalmente quando afirmava que na porta do inferno existe um relógio cujo pêndulo, ao balançar, aponta para duas palavras escritas em cada lado: “Sempre” e “Nunca”. Significando, para quem cair no inferno, que nunca mais sairá e sempre ficará ali. Achei tétrica e inverossímil tal comparação. Não acredito em um Deus cruel que pune tão barbaramente seres ainda imperfeitos. No dia de confissões declarei a ele, pobre e singelo padre, minha visão sobre o Deus de amor que eu compreendia. Não gostou e pediu que eu rezasse para obter a minha conversão.
Chegam finalmente as férias em família. Posso desfrutar de vinte dias com meus familiares em Juiz de Fora.


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De Priscila para Luara - por Priscila Conrado

A essa eu tenho uma afeição.
Ela, garanto: é especial.
Singela e nobre de coração,
Em minha infância, essencial.

Abusei por ser ela sensível,
A lembrança ainda é clara.
Minha amizade não é perecível
e dedico a você, prima Luara.
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pelo Avesso - por Kbçapoeta

Pelo avesso, retorna meu coração palpitante...
Qualquer coisa explica seu intenso pulsar.
Não importa o momento presente, relevante.
Quando o peito sangra, se faz hora de voltar.

A noite sempre testemunhou a agonia do amante,
Observou chagas e desventuras em seu prantear.
Pelo avesso, retorna meu coração palpitante...
Qualquer coisa explica seu intenso pulsar.

É humano deixar-se corromper por um instante.
É digno autoimolação por fazer-se amar.
Impossível manter a indiferença de agora em diante.
Há um mecanismo que não deixa meu corpo descansar.
Pelo avesso, retorna meu coração palpitante...
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................Visitem Kbçapoeta
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Chegou o Verão, Ainda na Primavera! - por Adir Vieira

No início de novembro o calor já estava abrasador.
Com o quarto fechado e o clima de montanha proporcionado pelo ar-condicionado, me assustei quando, olhando o despertador e sentindo a claridade do dia, vi que já eram mais de nove horas.
Achei que tínhamos desmaiado, porque meu marido sempre acorda antes de mim, nem que seja apenas dez minutos... Parece que nós dois sabíamos do calor forte que encontraríamos nos outros cômodos da casa e, inconscientemente, nos negávamos a sair daquele éden.
Mesmo relutando, tínhamos que iniciar o dia e decidimos encarar o calor.
O ar terrivelmente quente nos esbofeteou ao abrirmos a porta do quarto. Nossos corpos reagiram, baixando de imediato nossa pressão e nos fazendo quase tontear e cair. De imediato, nos apressamos a abrir janelas e portas dos outros cômodos para que aquele ar ali retido se misturasse ao que vinha de fora, mudando aquela atmosfera ruim.
Pouco a pouco fomos nos acostumando à nova temperatura e um banho frio nos ajudou a nos aclimatarmos.
Da janela, observei duas adolescentes munidas de cadeira de praia e sacolas coloridas, com um tecido jogado pelo corpo que mal cobria o minúsculo biquini, tagalerando alegremente a caminho da praia. Saudei sua coragem, porque da Zona Norte até a praia, em transporte coletivo apinhado de trabalhadores, no mínimo demorariam uma hora e meia para se banharem no mar.
De súbito me vi, anos atrás, quando diariamente fazia o mesmo percurso durante as férias só para, no retorno ao trabalho, me exibir bronzeada. Pensei se os anos aquietam a alma ou se os gostos se diversificam, mas hoje, com certeza, pagaria o que tivesse que pagar para não viver isso de novo. Não vejo graça nenhuma em ficar estirada ao sol horas a fio e maltratar a própria pele que, por mais proteção que leve em cima, sempre se apresentará descascada e opaca no final do verão.
Enfim, penso, hoje é o momento dessas garotas, deixemo-nas assim, alegres e saltitantes, vivendo a única coisa boa dessa época escaldante - os banhos de mar!



Visitem Adir Vieira
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Perigo e Redenção - por Alba Vieira

Quando o poder se instala
Em mentes insanas ou mesquinhas,
Tudo é posto a perder,
É jardim tomado por ervas daninhas...

Que prazer pode existir
Em ver tudo desmoronar
E ainda, com gosto, contribuir
Para a saúde de todos deteriorar?

Como pode um diretor de hospital
Comportar-se como comandante de tropa?
Será que o infeliz nem desconfia
Que agindo assim vira motivo de troça?

Enquanto isso, nós, os funcionários,
Mentes criativas e livres, vamos aguardar,
Tentando não naufragar nesses mares temerários,
Certos de que, como tudo na vida, ele também passará.

Virá logo um dia claro,
A paz e a alegria vão retornar.
Porque, nessa dança da vida,
Depois de ir ao fundo, a ordem é de novo se elevar...



....................................................Visitem Alba Vieira
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Humildemente... Pra Que Modéstia? - por Gio

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Pessoas, de todas as minhas qualidades, a que eu mais prezo é a modéstia! Piada velha, desgastada, mas que leva a uma reflexão: quem diabos disse que modéstia é uma qualidade? Sério, até hoje não descobri quem foi o gênio que disse que negar até a morte todos os seus pontos positivos faz de alguém uma pessoa melhor.

Se formos analisar friamente, a modéstia é isso: fingir não sabermos que somos melhores que os outros em algum aspecto. E, antes que argumentem, não existe falsa modéstia: todo modesto tem consciência de suas virtudes; se não tem, não é modesto – é desligado, e precisa urgentemente se tocar de suas capacidades.

Se alguém sabe que é bonito, por que dizer que não? Se alguém tem dom para alguma coisa, por que ter vergonha de demonstrá-lo?


A modéstia é tida por uma virtude, mas, na verdade, muitas vezes ela acaba sendo um empecilho no nosso desenvolvimento. Excesso de modéstia trava, é fato! Muitas vezes a modéstia faz pensar que algo que fazemos não é nada demais e, portanto, não deve ser valorizado. Pode não ser nada demais para nós, mas é para os outros: o mundo se move através de troca de favores de pessoas com qualidades distintas. Quantas vezes perdemos oportunidades porque subestimamos a importância e o valor do que sabemos fazer? Quantas vezes deixamos de subir na vida por não explorar algo que é banal, mas só para nós?

O mundo não para, o sistema não perdoa, e ninguém vai te dar nada de graça. Muito menos vai negar que é melhor que você, só para que você se sinta melhor. É um pensamento meio “olho por olho, dente por dente”, eu sei. Entretanto, há no mínimo um fundo de verdade nisso tudo: excesso de modéstia é nocivo, pois deixamos de nos valorizar – é uma forma de ferir o amor-próprio.


Agora, não confundam não ser modesto com ser convencido. Uma coisa é ter consciência de que se faz algo bem e não ter medo de admitir quando se é elogiado. A outra é se gabar disso e querer rebaixar os outros. Uma coisa é ser realista; a outra é se supervalorizar. O mundo precisa de pessoas conscientes de suas aptidões e não de uma nova frota de pés-no-saco!

É preciso um equilíbrio entre o sonso e o boçal. Sem tender demais para um lado, nem para o outro. Desse jeito, seremos apenas... verdadeiros!
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Visitem Gio
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Aedo Cibernético: Pequena Memória para um Tempo Sem Memória - por Cacá

.......Eu frequentava o Grupo Escolar, quando o terceiro presidente do golpe de 1964 foi visitar a mineração Vale do Rio Doce na minha cidade. Todas as crianças da escola foram impecavelmente uniformizadas e portando bandeirinhas do Brasil feitas de papel e bambu, perfiladas no Ponto dos Aflitos, caminho da mina, onde funcionava um mercado clandestino de hortifrutigranjeiros e outras, carnes, ervas e outros utensílios em meio à imensa poeira e lama. Aquilo tinha que ser mascarado, não podia o presidente ver nem saber da existência. Diziam para a gente que era a revolução. Nesses eventos era obrigatória a participação, com as mãos no peito para mostrar orgulho e sorrisos de crianças nos lábios representando a satisfação da população. A mesma coisa era no sete de setembro. O desfile era obrigatório. Valia até nota no boletim. Mas depois fui crescendo até o dia em que vi uma bomba sendo jogada em minha casa. Passou um fusca, jogaram e nem deu para saber quem foi. Ninguém nos dizia nada. Só sabia que meu pai era do sindicato dos trabalhadores da mineração. Mas ninguém falava nada.
.......Mais adiante, vim para capital estudar. Aí comecei a ver que tinha gente querendo fazer uma revolução. E pensava. Mas já não teve uma revolução? Começaram a me ensinar que a outra revolução era para restaurar a democracia. Comecei a ver com meus próprios olhos e sentir no nariz, quando na rua a gente tinha que correr assim, do nada, de avanços das tropas em cima de alguma manifestação, tampando a cara dos gases das bombas. Passei a gostar de ler e os rapazes da república onde morava me alertavam que não era qualquer livro que se podia ler. Tinha uma censura com livros, com discos. Mas na televisão e nos jornais nada se falava sobre o assunto. Lendo às escondidas, comecei a entender o sistema. Me envolvi também vendo colegas todos engajados, estudantes nas ruas todos os dias. Percebi que a outra revolução que se tentava era para derrubar o regime que humilhou, ofendeu, torturou, matou, destruiu vidas, carreiras, reputações, famílias. Para andar nas ruas à noite o documento que tinha que se ter em mãos era a carteira de trabalho. Não adiantava RG, CPF. As bancas de jornais que vendiam material “proibido”, viviam sendo explodidas, tais como as redações de jornais que ousavam criticar alguma coisa. Não pode ficar esquecido. Passou mas não se esqueceu. Durou vinte e um anos.
.......Faz 45 anos que tudo começou. Ainda bem que já passou, mas eu estou contando essa historinha é mais para quem nasceu depois disso tudo, maioria de jovens tão desligados da história, que nem sentem os pés no chão a não ser para mostrar tênis de marca. Que não têm a democracia como valor social coletivo e universal. Para aqueles que acham que é só na indiferença política e no consumo que reside toda a felicidade possível de ser alcançada.



PEQUENA MEMÓRIA PARA UM TEMPO SEM MEMÓRIA
(Gonzaguinha)

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos
Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os heróis
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha
Quem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.


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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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Visitem Cacá
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO DUELOS LITERÁRIOS!

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Queridos amigos:

Hoje o Duelos Literários completa um ano de vida!

Quero agradecer a todos vocês
que contribuíram para que chegássemos até aqui!

Foi a partir da colaboração de todos,
participantes e leitores,
que este projeto se tornou realidade.

Um enorme abraço extremamente agradecido!

E vamos continuar nos divertindo!
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Miniglossário - por Leo Santos

Egoísmo: O amor abrindo falência
sem o dono perceber,
que o umbigo é cicatriz d’uma dependência,
não um centro de poder.

Opinião: Um cego tateando
intentando a descoberta;
quantas texturas confundem!
Ora erra, ora acerta.

Soberba: quando um verme escala um prédio
e faz leitura ao revés;
Antes que temer a queda,
pensa ter a cidade aos seus pés.

Sofisma: Transplante de órgão,
medicina maravilhando a humanidade;
Um coração de porco pulsando
no arcabouço da verdade.

Vaidade: Pluma ao vento
pairando pelo ar;
Pesa menos que a gravidade
e pensa que sabe voar.



Visitem Leo Santos
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Parabéns ao Duelos - por Alba Vieira

Hoje é dia de festa...
Dia de comemorar
Faz um ano que o Duelos
Chegou aqui pra arrasar

Começou com pouca gente
Amigos que gostavam de escrever
Shintoni tomou a frente
E trabalha duro pra este blog manter

E o povo foi chegando
Convidados, curiosos e simpatizantes
Uns passaram e foram embora
A maioria virou amante

É um grupo heterogêneo
Tem de tudo neste lugar
O que nos une não é efêmero
Tenho certeza: jamais passará

É o gosto de expressar
O que vai na mente e no coração
Ainda que de forma singular
Mas todos juntos na mesma intenção

De expor suas ideias
Extravasar o sentimento, aliviar a indignação
De tecer belas peças com letrinhas
Compartilhar, divertir ou apenas criar porque é muito bom.



Visitem Alba Vieira
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Anos de Chumbo - por Cacá

O meu pai era sindicalista e a gente, quando criança, sem nada entender, convivia com bombas sendo jogadas em nossa casa de vez em quando. Minha mãe dizia que eram malandros soltando foguetes, para amenizar nosso pavor. Se não fosse um delegado de polícia que foi colega dele de infância e coincidentemente estava de serviço em nossa cidade naquela época, provavelmente ele teria ido aos porões da tortura.



Comentário em Memórias Plúmbeas, de Ana.
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Visitem Cacá
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Procriação - por IkaRo MaxX

a fagulha das penumbras queimam na última hora

deixando escorrer o escárnio daquelas senhoras santas

que sonharam tanto um dia serem

como a virgem Maria

pregada numa imaculada vitrine

enquanto suas saias soltam centelhas

de filhos santos abortados pelos homens

& na margem final das contas

onde os números acumulam cenas

os olhos vermelhos dos casais desconsolados

miram no filho a única iguaria levaiana em todo a Eternidade

atrás das paredes batem asas os pensamentos

os talhares dispostos para mais uma ceia

o batom entalhado na face usada de uma mulher de bem

e as velas queimando um último décimo de descência

inalada juntamente aos gases horríveis

da mãe que morre em sua poltrona preferida...





Visitem IkaRo MaxX
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Mudanças - por Lisa Alves

Uma perfeita descrição de tempos onde camaradas se reuniam para trocar ideias de fato. Hoje não há troca. Chico Buarque ficou mais caro e as boas leituras são substituídas por essa “literatura” de comando. Hoje é demodê ser subversivo, o bom mesmo é compartilhar as coisas do momento: a música, o livro e o cinema do teor dessas “autoajudas”.
É lamentavel, mas é fato.



Comentário em Aquele Livro..., de Cacá.
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Fadas de Contos - por Passa-Tempo

O que são as fadas, além de moscas
Que rodeiam as cabeças de crianças perdidas?
Numa terra onde nunca é lei,
E banho, transgressão,

Fadas não são madrinhas
Que nos dão sapatinhos de cristal
Para que possamos perder
E, se dermos sorte, o príncipe nos devolver.

Num mundo onde fadas são moscas,
A bruxa cometeu suicídio comendo a própria maçã,
O príncipe simpatizou com o sapatinho de cristal,
A princesa se apaixonou pelas mentiras do espelho,
A madrasta era boazinha,
O rei, um assalariado doente por trabalho.
O amor não existia,
E o final feliz está nas entrelinhas.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tempos de Lei Seca - por Fatinha

Querido Brógui:

Em tempos de lei seca, o melhor amigo do homem não é o cachorro, sou eu. Sabe que eu estou pensando seriamente em inaugurar um novo tipo de prestação de serviços que inclui buscar e depois entregar a domicílio, sãos e salvos, aqueles que gostam de uma bebidinha? Não digo que vou começar a transportar bebuns, porque minha tolerância a bêbados é nenhuma, mas posso perfeitamente começar a transportar os apreciadores de álcool que sabem beber e sabem parar antes de ficarem insuportavelmente chatos. Vou ganhar um troco, posso até incluir no pacote que o bebedor pague algumas doses de Coca Light para mim. Grande ideia.



Postado, originalmente, em 04/08/2008.
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Visitem Fatinha
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Memórias Plúmbeas - por Ana

Recordei de coisas que vivi nesta época também...
Não cheguei a ler os livros proibidos ou a me filiar a nenhum grupo de esquerda, mas conheci, no colégio, pessoas que participavam de grupos que estavam preparando a luta armada. Tive um amigo que me mostrou, na casa dele, um taco solto embaixo de sua cama sob o qual escondia os malditos: “As Veias Abertas da América Latina” (se bem me lembro), “O Capital” e outros disfarçados com outras capas, como você relata.
Foi um tempo difícil, extremamente complicado...

Um rapaz do terceiro ano estava sempre lendo sozinho na hora do intervalo; aquilo me chamou a atenção e um dia eu me aproximei para conversar. Eu disse oi e ele respondeu:
- “Conheço você através de outras pessoas daqui com as quais encontro lá fora. Gostaria de me tornar seu amigo, mas não é hora para isso, infelizmente. Não devo ter amigos ou vínculos, porque a qualquer momento posso desaparecer e não devo envolver ninguém em minhas decisões e atitudes. Eu sei que você me entende.”
Eu me afastei com tristeza, compreendendo e lamentando pelo futuro dele. E, realmente, alguns dias depois, ele “caiu”.

Nas salas de aula, os professores de História e Geografia viviam tensos, revoltados, pois não podiam se expressar como gostariam e tinham sempre que se apresentar ao DOI-CODI.

Um professor de Administração, que tinha sido líder sindical, resolveu ignorar aquilo tudo e começou a falar, nas aulas, sobre sindicalismo e a situação do país. Lembro que um dia, repentinamente, ele parou o que estava explicando no meio de uma frase, abaixou a cabeça pensativo e começou assim:
- “O que acho mais triste nisto tudo é olhar para uma turma de 2o grau e ficar imaginando se há e quem é espião do governo aqui. A maioria dos professores se cala, e com razão, mas isso não está certo. E, a partir de hoje, eu não quero nem saber se serei denunciado, preso ou torturado por delação de algum de vocês. É impossível ficar falando de fluxogramas enquanto o país se encontra nesta situação. Nossas aulas vão tratar de política e ninguém é obrigado a comparecer.”
E assim ele fez. Duas patricinhas nunca mais assistiram às suas aulas, mas o restante da turma continuou comparecendo (e olha que as aulas eram aos sábados e só as dele!) até que fomos informados, pela direção, de que ele não daria mais aulas pois havia abandonado o magistério. Nunca mais soubemos dele.

O toque de recolher, os militares e PM’s fazendo o que bem entendiam em nome do governo... Foi assustador. Ninguém confiava em ninguém, qualquer um poderia te entregar... Até assuntos como hippies, oposição à Guerra do Vietnã eram considerados perigosos. Falar que não queria servir por não gostar de militarismo era dito em voz baixa. Muitos colegas meus serviram (quando poderiam ter conseguido dispensa) apenas por medo de serem considerados traidores.

É... Muitas coisas vi, ouvi e vivi nesta época...
Por isso, apesar de não ter partido político, eu fui ao comício do Lula e me emocionei, junto com aqueles milhares de pessoas. Não pelo candidato, não pelo PT, mas porque, pela primeira vez na vida, eu estava tendo contato com a liberdade. Apesar dos inúmeros agentes militares disfarçados que se misturavam à multidão.




Comentário em Aquele Livro..., de Cacá.
Eduardo Galeano, Karl Marx

Amor e Futebol (III) ou ainda O Reserva ou talvez Ode ao Obina - por Flavio Braga

Pode até ser bom
Mas só quebra galho.
Quem nasceu para carregador de piano,
rala por anos e anos,
mas nunca será o astro.
O técnico sempre diz que ele merece uma chance,
mas a gente sabe
- aqui entre nós, coisas do amor e do futebol -
que nunca terá.
Ele pode até ser bom,
Mas só quebra galho.
Reserva:
Chore no banco que é lugar quente.



Visitem Flavio Braga
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