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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Humildemente... Pra Que Modéstia? - por Gio

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Pessoas, de todas as minhas qualidades, a que eu mais prezo é a modéstia! Piada velha, desgastada, mas que leva a uma reflexão: quem diabos disse que modéstia é uma qualidade? Sério, até hoje não descobri quem foi o gênio que disse que negar até a morte todos os seus pontos positivos faz de alguém uma pessoa melhor.

Se formos analisar friamente, a modéstia é isso: fingir não sabermos que somos melhores que os outros em algum aspecto. E, antes que argumentem, não existe falsa modéstia: todo modesto tem consciência de suas virtudes; se não tem, não é modesto – é desligado, e precisa urgentemente se tocar de suas capacidades.

Se alguém sabe que é bonito, por que dizer que não? Se alguém tem dom para alguma coisa, por que ter vergonha de demonstrá-lo?


A modéstia é tida por uma virtude, mas, na verdade, muitas vezes ela acaba sendo um empecilho no nosso desenvolvimento. Excesso de modéstia trava, é fato! Muitas vezes a modéstia faz pensar que algo que fazemos não é nada demais e, portanto, não deve ser valorizado. Pode não ser nada demais para nós, mas é para os outros: o mundo se move através de troca de favores de pessoas com qualidades distintas. Quantas vezes perdemos oportunidades porque subestimamos a importância e o valor do que sabemos fazer? Quantas vezes deixamos de subir na vida por não explorar algo que é banal, mas só para nós?

O mundo não para, o sistema não perdoa, e ninguém vai te dar nada de graça. Muito menos vai negar que é melhor que você, só para que você se sinta melhor. É um pensamento meio “olho por olho, dente por dente”, eu sei. Entretanto, há no mínimo um fundo de verdade nisso tudo: excesso de modéstia é nocivo, pois deixamos de nos valorizar – é uma forma de ferir o amor-próprio.


Agora, não confundam não ser modesto com ser convencido. Uma coisa é ter consciência de que se faz algo bem e não ter medo de admitir quando se é elogiado. A outra é se gabar disso e querer rebaixar os outros. Uma coisa é ser realista; a outra é se supervalorizar. O mundo precisa de pessoas conscientes de suas aptidões e não de uma nova frota de pés-no-saco!

É preciso um equilíbrio entre o sonso e o boçal. Sem tender demais para um lado, nem para o outro. Desse jeito, seremos apenas... verdadeiros!
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Visitem Gio
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Aedo Cibernético: Pequena Memória para um Tempo Sem Memória - por Cacá

.......Eu frequentava o Grupo Escolar, quando o terceiro presidente do golpe de 1964 foi visitar a mineração Vale do Rio Doce na minha cidade. Todas as crianças da escola foram impecavelmente uniformizadas e portando bandeirinhas do Brasil feitas de papel e bambu, perfiladas no Ponto dos Aflitos, caminho da mina, onde funcionava um mercado clandestino de hortifrutigranjeiros e outras, carnes, ervas e outros utensílios em meio à imensa poeira e lama. Aquilo tinha que ser mascarado, não podia o presidente ver nem saber da existência. Diziam para a gente que era a revolução. Nesses eventos era obrigatória a participação, com as mãos no peito para mostrar orgulho e sorrisos de crianças nos lábios representando a satisfação da população. A mesma coisa era no sete de setembro. O desfile era obrigatório. Valia até nota no boletim. Mas depois fui crescendo até o dia em que vi uma bomba sendo jogada em minha casa. Passou um fusca, jogaram e nem deu para saber quem foi. Ninguém nos dizia nada. Só sabia que meu pai era do sindicato dos trabalhadores da mineração. Mas ninguém falava nada.
.......Mais adiante, vim para capital estudar. Aí comecei a ver que tinha gente querendo fazer uma revolução. E pensava. Mas já não teve uma revolução? Começaram a me ensinar que a outra revolução era para restaurar a democracia. Comecei a ver com meus próprios olhos e sentir no nariz, quando na rua a gente tinha que correr assim, do nada, de avanços das tropas em cima de alguma manifestação, tampando a cara dos gases das bombas. Passei a gostar de ler e os rapazes da república onde morava me alertavam que não era qualquer livro que se podia ler. Tinha uma censura com livros, com discos. Mas na televisão e nos jornais nada se falava sobre o assunto. Lendo às escondidas, comecei a entender o sistema. Me envolvi também vendo colegas todos engajados, estudantes nas ruas todos os dias. Percebi que a outra revolução que se tentava era para derrubar o regime que humilhou, ofendeu, torturou, matou, destruiu vidas, carreiras, reputações, famílias. Para andar nas ruas à noite o documento que tinha que se ter em mãos era a carteira de trabalho. Não adiantava RG, CPF. As bancas de jornais que vendiam material “proibido”, viviam sendo explodidas, tais como as redações de jornais que ousavam criticar alguma coisa. Não pode ficar esquecido. Passou mas não se esqueceu. Durou vinte e um anos.
.......Faz 45 anos que tudo começou. Ainda bem que já passou, mas eu estou contando essa historinha é mais para quem nasceu depois disso tudo, maioria de jovens tão desligados da história, que nem sentem os pés no chão a não ser para mostrar tênis de marca. Que não têm a democracia como valor social coletivo e universal. Para aqueles que acham que é só na indiferença política e no consumo que reside toda a felicidade possível de ser alcançada.



PEQUENA MEMÓRIA PARA UM TEMPO SEM MEMÓRIA
(Gonzaguinha)

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos
Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os heróis
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha
Quem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.


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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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Visitem Cacá
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO DUELOS LITERÁRIOS!

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Queridos amigos:

Hoje o Duelos Literários completa um ano de vida!

Quero agradecer a todos vocês
que contribuíram para que chegássemos até aqui!

Foi a partir da colaboração de todos,
participantes e leitores,
que este projeto se tornou realidade.

Um enorme abraço extremamente agradecido!

E vamos continuar nos divertindo!
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Miniglossário - por Leo Santos

Egoísmo: O amor abrindo falência
sem o dono perceber,
que o umbigo é cicatriz d’uma dependência,
não um centro de poder.

Opinião: Um cego tateando
intentando a descoberta;
quantas texturas confundem!
Ora erra, ora acerta.

Soberba: quando um verme escala um prédio
e faz leitura ao revés;
Antes que temer a queda,
pensa ter a cidade aos seus pés.

Sofisma: Transplante de órgão,
medicina maravilhando a humanidade;
Um coração de porco pulsando
no arcabouço da verdade.

Vaidade: Pluma ao vento
pairando pelo ar;
Pesa menos que a gravidade
e pensa que sabe voar.



Visitem Leo Santos
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Parabéns ao Duelos - por Alba Vieira

Hoje é dia de festa...
Dia de comemorar
Faz um ano que o Duelos
Chegou aqui pra arrasar

Começou com pouca gente
Amigos que gostavam de escrever
Shintoni tomou a frente
E trabalha duro pra este blog manter

E o povo foi chegando
Convidados, curiosos e simpatizantes
Uns passaram e foram embora
A maioria virou amante

É um grupo heterogêneo
Tem de tudo neste lugar
O que nos une não é efêmero
Tenho certeza: jamais passará

É o gosto de expressar
O que vai na mente e no coração
Ainda que de forma singular
Mas todos juntos na mesma intenção

De expor suas ideias
Extravasar o sentimento, aliviar a indignação
De tecer belas peças com letrinhas
Compartilhar, divertir ou apenas criar porque é muito bom.



Visitem Alba Vieira
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Anos de Chumbo - por Cacá

O meu pai era sindicalista e a gente, quando criança, sem nada entender, convivia com bombas sendo jogadas em nossa casa de vez em quando. Minha mãe dizia que eram malandros soltando foguetes, para amenizar nosso pavor. Se não fosse um delegado de polícia que foi colega dele de infância e coincidentemente estava de serviço em nossa cidade naquela época, provavelmente ele teria ido aos porões da tortura.



Comentário em Memórias Plúmbeas, de Ana.
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Visitem Cacá
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Procriação - por IkaRo MaxX

a fagulha das penumbras queimam na última hora

deixando escorrer o escárnio daquelas senhoras santas

que sonharam tanto um dia serem

como a virgem Maria

pregada numa imaculada vitrine

enquanto suas saias soltam centelhas

de filhos santos abortados pelos homens

& na margem final das contas

onde os números acumulam cenas

os olhos vermelhos dos casais desconsolados

miram no filho a única iguaria levaiana em todo a Eternidade

atrás das paredes batem asas os pensamentos

os talhares dispostos para mais uma ceia

o batom entalhado na face usada de uma mulher de bem

e as velas queimando um último décimo de descência

inalada juntamente aos gases horríveis

da mãe que morre em sua poltrona preferida...





Visitem IkaRo MaxX
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Mudanças - por Lisa Alves

Uma perfeita descrição de tempos onde camaradas se reuniam para trocar ideias de fato. Hoje não há troca. Chico Buarque ficou mais caro e as boas leituras são substituídas por essa “literatura” de comando. Hoje é demodê ser subversivo, o bom mesmo é compartilhar as coisas do momento: a música, o livro e o cinema do teor dessas “autoajudas”.
É lamentavel, mas é fato.



Comentário em Aquele Livro..., de Cacá.
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Visitem Lisa Alves
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Fadas de Contos - por Passa-Tempo

O que são as fadas, além de moscas
Que rodeiam as cabeças de crianças perdidas?
Numa terra onde nunca é lei,
E banho, transgressão,

Fadas não são madrinhas
Que nos dão sapatinhos de cristal
Para que possamos perder
E, se dermos sorte, o príncipe nos devolver.

Num mundo onde fadas são moscas,
A bruxa cometeu suicídio comendo a própria maçã,
O príncipe simpatizou com o sapatinho de cristal,
A princesa se apaixonou pelas mentiras do espelho,
A madrasta era boazinha,
O rei, um assalariado doente por trabalho.
O amor não existia,
E o final feliz está nas entrelinhas.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tempos de Lei Seca - por Fatinha

Querido Brógui:

Em tempos de lei seca, o melhor amigo do homem não é o cachorro, sou eu. Sabe que eu estou pensando seriamente em inaugurar um novo tipo de prestação de serviços que inclui buscar e depois entregar a domicílio, sãos e salvos, aqueles que gostam de uma bebidinha? Não digo que vou começar a transportar bebuns, porque minha tolerância a bêbados é nenhuma, mas posso perfeitamente começar a transportar os apreciadores de álcool que sabem beber e sabem parar antes de ficarem insuportavelmente chatos. Vou ganhar um troco, posso até incluir no pacote que o bebedor pague algumas doses de Coca Light para mim. Grande ideia.



Postado, originalmente, em 04/08/2008.
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Memórias Plúmbeas - por Ana

Recordei de coisas que vivi nesta época também...
Não cheguei a ler os livros proibidos ou a me filiar a nenhum grupo de esquerda, mas conheci, no colégio, pessoas que participavam de grupos que estavam preparando a luta armada. Tive um amigo que me mostrou, na casa dele, um taco solto embaixo de sua cama sob o qual escondia os malditos: “As Veias Abertas da América Latina” (se bem me lembro), “O Capital” e outros disfarçados com outras capas, como você relata.
Foi um tempo difícil, extremamente complicado...

Um rapaz do terceiro ano estava sempre lendo sozinho na hora do intervalo; aquilo me chamou a atenção e um dia eu me aproximei para conversar. Eu disse oi e ele respondeu:
- “Conheço você através de outras pessoas daqui com as quais encontro lá fora. Gostaria de me tornar seu amigo, mas não é hora para isso, infelizmente. Não devo ter amigos ou vínculos, porque a qualquer momento posso desaparecer e não devo envolver ninguém em minhas decisões e atitudes. Eu sei que você me entende.”
Eu me afastei com tristeza, compreendendo e lamentando pelo futuro dele. E, realmente, alguns dias depois, ele “caiu”.

Nas salas de aula, os professores de História e Geografia viviam tensos, revoltados, pois não podiam se expressar como gostariam e tinham sempre que se apresentar ao DOI-CODI.

Um professor de Administração, que tinha sido líder sindical, resolveu ignorar aquilo tudo e começou a falar, nas aulas, sobre sindicalismo e a situação do país. Lembro que um dia, repentinamente, ele parou o que estava explicando no meio de uma frase, abaixou a cabeça pensativo e começou assim:
- “O que acho mais triste nisto tudo é olhar para uma turma de 2o grau e ficar imaginando se há e quem é espião do governo aqui. A maioria dos professores se cala, e com razão, mas isso não está certo. E, a partir de hoje, eu não quero nem saber se serei denunciado, preso ou torturado por delação de algum de vocês. É impossível ficar falando de fluxogramas enquanto o país se encontra nesta situação. Nossas aulas vão tratar de política e ninguém é obrigado a comparecer.”
E assim ele fez. Duas patricinhas nunca mais assistiram às suas aulas, mas o restante da turma continuou comparecendo (e olha que as aulas eram aos sábados e só as dele!) até que fomos informados, pela direção, de que ele não daria mais aulas pois havia abandonado o magistério. Nunca mais soubemos dele.

O toque de recolher, os militares e PM’s fazendo o que bem entendiam em nome do governo... Foi assustador. Ninguém confiava em ninguém, qualquer um poderia te entregar... Até assuntos como hippies, oposição à Guerra do Vietnã eram considerados perigosos. Falar que não queria servir por não gostar de militarismo era dito em voz baixa. Muitos colegas meus serviram (quando poderiam ter conseguido dispensa) apenas por medo de serem considerados traidores.

É... Muitas coisas vi, ouvi e vivi nesta época...
Por isso, apesar de não ter partido político, eu fui ao comício do Lula e me emocionei, junto com aqueles milhares de pessoas. Não pelo candidato, não pelo PT, mas porque, pela primeira vez na vida, eu estava tendo contato com a liberdade. Apesar dos inúmeros agentes militares disfarçados que se misturavam à multidão.




Comentário em Aquele Livro..., de Cacá.
Eduardo Galeano, Karl Marx

Amor e Futebol (III) ou ainda O Reserva ou talvez Ode ao Obina - por Flavio Braga

Pode até ser bom
Mas só quebra galho.
Quem nasceu para carregador de piano,
rala por anos e anos,
mas nunca será o astro.
O técnico sempre diz que ele merece uma chance,
mas a gente sabe
- aqui entre nós, coisas do amor e do futebol -
que nunca terá.
Ele pode até ser bom,
Mas só quebra galho.
Reserva:
Chore no banco que é lugar quente.



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Querido Incesto - por IkaRo MaxX

E os cantos feridos da primavera?

não foi por aí que esquecemos nossas cabeças

entre pigarros dos pesadelos?

Ah... devassidão que me arvora em anjo!

Como nos torneios de tormentas

todos os cacos dos alarmes feitos em pó

para aspirações matinais

E diluído os cordumes
as barcas apontando para a ida inabalável

e a lama seca nos calcanhares como lembranças da selva

de nossos corações entrelaçados pela boca

Sarjeta admirável... ruas escandalosas, danças, tumores
e devires renegados

numa miscelânea grande demais para nós... corpos abandonados ao vento
desestruturados de todo pensamento bondoso...

Claro... a guerra foi declarada...
e aos últimos pingos de estrelas
misturamos saliva & areia

membros eretos irrompendo os céus
como uma alucinação imprevista
palavras defeituosas escrevendo
suas belas blasfêmias nas telas em branco do mundo

em carícias & delitos
dissipados
nos poros do mundo



Visitem IkaRo MaxX
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Conto de Fadas - por Passa-Tempo

No meu conto de fadas,
As princesas são as bruxas,
O Príncipe é o lobo mau,
O Dragão é de estimação,
O castelo é um barraco,
O amor não existe,
E o final feliz
Tá no começo da história.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tema do Mês de Novembro: Aquele Livro...

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram publicados apenas os textos referentes ao Tema do Mês: “Aquele Livro...”.
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Participantes
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Ana
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Clarice A.
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Dália Negra
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Aquele Livro - por Alba Vieira

Tantos livros foram importantes para mim que se tento destacar alguns me perco totalmente. É exatamente como ocorre com músicas. Passei a minha vida inteira cantando enquanto fazia outras coisas. Sempre tive ótima memória e aprendia as letras das canções com muita facilidade. Como as tarefas que eu fazia, tanto em casa quanto no trabalho me permitiam ficar sozinha por horas, eu aproveitava para cantar enquanto trabalhava. Cantava LP’s e depois CD’s inteiros sem me confundir com as letras. Mas hoje, se quero escolher músicas pra cantar, elas somem da minha mente. E acontece o mesmo com os livros que li, desde os seis anos, quando aprendi essa maravilhosa habilidade. Foram tantos que eu encontrei durante a minha vida! Tantos livros me marcaram, me modificaram, me esclareceram, me fizeram companhia, me desafiaram, me revoltaram com suas tramas verídicas, me encantaram, me seduziram, me permitiram descobertas e viagens incomparáveis.
Entretanto, quando desejo falar especialmente sobre algum deles, não consigo. Ou porque destacar algum é impossível ou porque são tantos igualmente significativos que ficaria escrevendo por muito tempo sobre eles e, nesse período, minha companheira inseparável tem sido a preguiça.
Descubro então que aquele livro para mim agora, é exatamente o que estou para ler, aquele que acaba de entrar no meu universo, que vai trazer o novo, que me acompanhará por um tempo, que representa a expectativa, mas ao mesmo tempo o momento presente.
Cada livro carrega em si um mundo de possibilidades. E o seu valor singular é ditado por uma série de características perceptíveis ou misteriosamente guardadas para serem desvendadas por cada leitor em especial no momento certo. E é exatamente isso que vai permitir que ele sobreviva para sempre (ou não) no escaninho da memória de cada de nós.



Visitem Alba Vieira
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Aquele Livro - por Ana

Aquele livro, peguei
Em meio à sujeira e ao pó.
Aquele livro, só meu,
Depois que te foste de nós.

Aquele livro tão lido
Por ti, a sós, isolado.
Aquele livro que encontrei
Totalmente abandonado.

Aquele livro fedia,
Jogado entre seus sapatos.
Aquele livro era velho,
Tão amarelo, tão gasto.

Aquele livro lambido,
Folhas dobradas, suado.
Aquele livro, tristeza...
Estava até chamuscado.

Livro que, sempre contigo,
Ninguém podia tocar.
Companheiro inseparável
Em toda hora e lugar.

Aquele livro, sem capa,
Para todos um enigma.
Aquele livro, tão teu,
Seria de história ou de rimas?

Sentei à mesa, tão quieta,
Sabendo o momento sagrado.
Enfim iria desvendar
Segredo tão bem guardado.

Folheei... tão grande espanto!
Aquele livro... teu guia?!!!
Meu avô, se eras ateu,
Por que lias tanto a Bíblia?
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Aquele Livro... - por Cacá

Era época de república estudantil, anos setenta e as leituras eram quase proibidas: livros, jornais e revistas, tudo muito vigiado. Chico Buarque usava o pseudônimo de Julinho da Adelaide quando queria passar alguma letra mais provocativa (ofensiva ou defensiva?). Usava-se e abusava-se das metáforas para dar um drible na censura que não possuía jogo de cintura algum e muito pouca inteligência, feito aqueles zagueiros que apelam para a botinada diante da falta de outros argumentos hábeis com a bola vindo em sua direção.

Não era raro sair às ruas pela manhã e encontrar uma banca de revistas totalmente incendiada ou destruída com pichações do CCC (auto intitulado Comando de Caça aos Comunistas). Pensar era permitido, mas se a fala decorrente desse pensamento fosse algo que estimulasse um tico qualquer de reflexão entre os interlocutores, já se configurava atentado à segurança nacional. Prisão, tortura e morte em muitos casos.

O meu problema era que gostava de ler e fui morar logo no meio de um bando de subversivos (assim chamados os que ousavam pensar com a boca aberta). Eu com 14, 15 anos e a turma toda já “de maior”, muitos estudantes universitários. Era normal circularem em casa jornais clandestinos, panfletos apócrifos e livros, muitos livros onde não se podia sequer colocar o nome do dono na contracapa para não se correr riscos caso fosse parar em mãos erradas. Às vezes, arrancam-se capas de livros tipo “O Pequeno Príncipe” e colavam-nas em cima da outra capa como disfarce para poder ler sossegado em lugares públicos.

Repúblicas têm um rodízio de pessoas ano após ano. Então o cara me aparece com um livro intitulado “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”. Puído, de tanto circular debaixo do braço. De vez em quando mudava de lado para suar por igual. Eu não sei se a intenção dele era usá-lo como manual de sobrevivência na cidade grande ou se tinha algum outro propósito mais nobre. Sei é que não saía debaixo do braço a não ser para tomar banho. Acho que até dormia com ele. “Cultura axilar”, segundo foi rotulado pelos colegas. Sei também que esse não era proibido. Um dia, enquanto ele tomava banho, olhamos para ver se a capa não era um daqueles “despistes” da censura. Não era. E me desanimei com qualquer curiosidade de ler o tal livro. O rapaz não conseguiu sequer fazer uma amizade durante sua curta estada entre os demais, quem dirá influenciar alguém com seu manual. Carrancudo e mal educado, sua lição, para mim só foi aprender um pouquinho mais a selecionar leituras. Boas maneiras eu já havia aprendido em casa de meus pais.


Visitem Cacá
Dale Carnegie, Antoine de Saint-Exupéry

Tátil - por Clarice A.

Considera aquele livro o seu primeiro livro. Seu. Para ela os livros didáticos não contam. Aquele foi o seu primeiro livro.Presenteado por sua madrinha para a primeira comunhão, o pequeno livro de capa de madrepérola e letras douradas fascinou a menina que cursava o primário. Tê-lo nas mãos, folheá-lo, sua beleza e delicadeza, um prazer inesquecível.
Muitos outros livros vieram depois, emprestados por amigos ou pelas bibliotecas, presenteados por amigos ou comprados por ela. Através deles viveu muitas histórias, viajou no tempo e no espaço, conheceu personagens, participou de tramas, conquistas pessoais ou de territórios, emocionou-se, instruiu-se, riu, conheceu a fantasia, exercitou sua imaginação, viveu um mundo paralelo ao seu, fecundo, mágico, enriquecedor. Tornaram-se parte dela.
Ontem menina fascinada pela forma, ainda muito pequena para dar o real valor aos conteúdos. Hoje mulher mantém aquele prazer tátil despertado na infância pelo seu livro de catecismo. Pegar o livro, folheá-lo, ler páginas aleatoriamente. Acrescentou conteúdo, continua a ser conquistada sensorialmente, e é muito bom quando convidada à reflexão.
Livros: capa contracapa, prefácios orelhas, ideias, vivências, observações, pensamentos, memórias, imagens, histórias, lugares, mensagens, orações, receitas, humor, guias, fantasia, preciosa e fiel companhia, fonte inesgotável de conhecimento e prazer.
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Aquele Livro - por Dália Negra

Aquele livro... viagem
Profunda pra dentro de mim.
A cada linha uma dor,
Desde o início até o fim.
Tristezas insuportáveis...
O mal do mundo, enfim...
Não poderia ser pior
História assim tão ruim.
É um relato doído,
Tragédia de folhetim.
Escrito com sangue inocente,
Vívido, jovem, carmim.
Aquele livro... minha vida
Que apenas foi lida por mim.
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