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Eróticos.)




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

As Nossas Palavras XXI - por Lélia

As pessoas que se vão, jamais voltam; como uma flecha perdida que não se encontra nunca mais no meio da floresta ou uma palavra dita que é lançada ao vento. Estas três coisas têm em comum o fato de terem sido afastadas de nós para sempre. Mesmo que as pessoas que se ausentaram retornem, não serão as mesmas, nunca. Por isso, quando estou com alguém que vale a pena, aproveito a oportunidade, sabendo que a pessoa naquele momento é única, irrepetível, assim como eu.
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Sentindo o Inesperado - por Alba Vieira

Meu grande amigo, desde que fiquei sabendo do que está acontecendo com você, só tenho um pensamento: que esteja agora sendo chamado a desenvolver um trabalho mais refinado em outras frentes de assistência, em outras esferas.
Pensei em como me sentiria se estivesse no seu lugar, tentando ter essa vivência. E então, me vi muito triste. Não por receio do que viria depois, mas em virtude da falta de opção na concordância em ir e pela tão súbita convocação.
Refleti e imagino que o tempo irá lhe trazer a compreensão e a calma para viver esse momento tão importante de sua vida. É que já está pronto e precisam de você agora atuando de forma diferente.
A sua essência, de tanto brilho, compassiva e evoluída, nada teme, lamenta ou fraqueja. É só alinhar-se com ela.
O trabalho que vem desenvolvendo por tantos anos em nosso hospital, tão diferenciado, competente e humanizado, marcou profundamente a vida de todos que um dia foram tratados por você e cada uma dessas pessoas, reflete o sentimento de Amor em sua direção. Existe, nesse momento, um entrelaçamento de auras e sendo assim, você não está sozinho, pode ter certeza.
Estarei a seu lado em pensamento e, se puder ser útil em qualquer circunstância durante esse processo, é só chamar que estarei perto.

E tudo que você tem sido permanecerá impresso em nossos corações.
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Festa do 6º Barão - por Kbçapoeta

Venha para festa!
Receba versos, divagações,
Teorias abstratas e baratas
Junto com belas palavras.
Adorarias escutar?
Queixo-me a você,
Pois você nunca iria contar.
Pérolas e fases
Que a lua transcorre
Dentro desse estrangeiro coração.
Não posso evitar
As tardes de verão
Com aquele clima gostoso de outono.
Ceda seu carinho!
Seda é sua pele
Quando ouso tocar.
Murmuro em pensamento
Verdades e defeitos
Que não posso falar.
Deixo a caneta
Sem tinta, sem pauta.
Para ela não delatar
Com minha própria letra,
A palavra que me trai



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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Show-Mício - por Leo Santos

Os tonéis vazios estavam cheios,
cheios de sons, que o vazio propicia;
E as víboras surdas encantadas,
co’o som d’uma flauta que não se ouvia.

Cumplicidade pública patológica,
edificando um castelo de cartas;
Barcos velozes, sedutoras iscas,
pescadores jubilosos, redes fartas.

Águas tremeluzindo no leito das ruas,
e o domador estalando o relho;
No podium do palanque embriagados,
Narcisos amando o reflexo do espelho;

Insano quebra-cabeças do poder,
montagem lenta, previsível desenlace;
Roleta viciada fingindo escolher,
incautos vibrando co’uma nova face.

Não veem, não cheiram nem há tato,
e a maledicência soa como prece;
Mimetismo perfeito, a cobra e o mato,
e cada parte recebe o que merece…



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As Nossas Palavras XX - por Lélia

Andei refletindo sobre o valor do dinheiro, por estes dias... Isso porque eu tinha perdido alguns reais, não sei como, e comecei a pensar se moedas e notas são realmente importantes. Lembrei que, por perda de valor muito menor, já vi gente até perdendo a saúde, ficando deprimida, perdida mesmo, como se não tivesse mais nada na vida. Estranho isso... principalmente porque falo de pessoas que não passam necessidade, têm tudo de que precisam... pessoas de bom caráter, educadas, normalmente tranquilas que, de repente, por causa de uma coisa que eu considero tola, mudaram da água pro vinho (rascante).
Então eu fiquei me perguntando (e me achando uma pessoa muito esquisita): será que o dinheiro vale tudo isso?
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O Vestido de 52 Botõezinhos - por Adir Vieira

Minha mãe sempre foi uma excelente costureira. Gabava-se de ter tido uma professora de corte e costura por demais exigente que a fazia, sem dó e piedade, refazer todo um extenso trabalho de bainha caso um dos minúsculos pontos estivesse fora do padrão.
Era meticulosa em tudo, portanto, não sei se posso atribuir essa característica de personalidade à formação dessa professora.
Tentava, nos seus ensinamentos a nós, suas filhas, repetir esse comportamento, mas nós, vivendo em outra época mais flexível, a driblávamos e íamos dando nosso verdadeiro toque pessoal nas tarefas que empreendíamos.
Mãe de cinco meninas, em tempos de poder escasso, encarregava-se de nos vestir com esmero, com seus dotes profissionais.
Lembro que nunca costurou para estranhos, mas a família de primas e tias usavam e abusavam dos seus serviços de modista, iniciado para compor as despesas da casa, num momento de desemprego do meu pai.
Vejo agora, diante dos meus olhos, pilhas de papel pardo e alfinetes com que cuidadosamente embrulhava as peças encomendadas, depois de passá-las e engomá-las a ferro. Lembro das pessoas batendo à porta para buscar as roupas e até do recebimento do dinheiro tão esperado.
Nossas roupas eram feitas, muitas das vezes, com fronhas coloridas, desmanchadas e transformadas em tecido maravilhoso para ela criar seus modelos. Tinha prazer nisso e vejo hoje que se realizava compondo modelos de revista para as filhas de diferentes idades.
Passeando com minha imaginação, lembro que eu e minha irmã mais nova que eu apenas nove meses, quando começamos a trabalhar fora, tínhamos o frenesi de a cada segunda-feira exibir um traje novo. Nessa época, já comprávamos os tecidos com seu assessoramento e cuidávamos da casa, para que a coitada, todos os finais de semana, preparasse um novo vestido.
Isso era bastante comum e só me dei conta de como éramos “perversas” nesse pedido a ela quando ela mesma inventou, para mim, um vestido de cor verde-alface, estilo reto, sem mangas, com uma golinha “de padre” que, na frente, abaixo do decote, tinha, em par, cinquenta e dois botões miúdos.
Lembro dela arfando às nove horas da noite de domingo, ainda pregando aqueles inúmeros botões, e de mim, passando a ferro a vestimenta para me exibir na segunda-feira.
Era assim minha mãe. Quanta vida, quanta experiência, quanta criatividade e, sobretudo, quanto esmero em tudo o que fazia!
Como já era de se esperar, até na rua, naquele dia, me pararam para apreciar o traje, talvez estranhando aquele arsenal de botões encapados com o próprio tecido do vestido.
Belas e doces lembranças...



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Viver de Luz: a fonte de alimento para o novo milênio, de Jasmuheen - por Alba Vieira


“Na verdade, a base da experiência da autora é a conscientização de que ela é um ser de luz numa vivência material, exatamente como cada um de nós. E, como consequência desse processo, é possível prescindir do alimento material como sustento para a vida.
Então, o livro vai muito além de apresentar e discutir o processo de vinte e um dias para passar a viver de luz. O foco não está em comer ou não comer, nem no que se come e sim trabalhar com o sistema de crenças, realizando um processo de iniciação espiritual, em que se passa a viver em outro nível de vibração energética.
Mostra como integrar os corpos físico, emocional, mental e espiritual para gozar saúde e como a saúde de cada um de nós depende daquilo em que acreditamos, exatamente uma derivação de como a nossa realidade é moldada por nossos pensamentos e nossas crenças.
Fala dos processos de cura, imortalidade, regeneração celular a partir da conexão com nossa divindade interior (o Eu presença) e esclarece que esta realidade de sermos seres ilimitados é a nossa perspectiva para breve. E que há, entre nós, cada vez um maior número de pioneiros que servirão de exemplo, os trabalhadores da luz.
Chama a atenção dos médicos ocidentais para que compreendam que a fonte de energia para o corpo não provém somente do alimento material, mas também da luz solar que alimenta nosso sistema galáctico e do prana que absorvemos na respiração e pela pele. E demonstra que, uma vez que estejamos sintonizados perfeitamente com nossa porção divina, o prana poderá ser nossa única fonte de energia.
Esclarece ainda que é um processo inteiramente pessoal, em que a escolha e a responsabilidade são unicamente daquele que se propõe a fazê-lo e que se sustenta no grau de conexão que estabelece com a sua luz interior, sendo possível, em determinado momento, para uns e não para outros. Também fala que a passagem para viver de luz deve ser progressiva, de acordo com a natureza de cada ser, deixando de comer carne, depois só consumindo alimentos crus, depois só líquidos, até chegar a viver só de prana. E tudo isso interligado com o desenvolvimento espiritual através de meditação e prévio fortalecimento do corpo físico com saúde, condição muscular perfeita e estabilização do peso corporal, além de estabilização emocional e correção de pensamentos (reprogramação mental e reformulação de imagens). Inclusive relata que muitas pessoas que passaram pelo processo dos vinte e um dias com sucesso, experimentando a conscientização de sua natureza espiritual, depois voltaram a ter uma alimentação normal (embora mais cuidadosa), muitas vezes por questões de ordem social.
Enfim, é um excelente livro que nos fala do poder ilimitado da conscientização de nossa natureza espiritual com todos os seus efeitos benéficos, principalmente de aflorar a clarividência, a clariaudiência, trazer leveza para o corpo e a necessidade de menos horas de sono. E sinaliza que, com esse processo, haja a possibilidade de resolver a fome mundial.”
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E você? Que livro gostaria de resenhar aqui?
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Momentos - por Duanny

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Sou uma menina, sim ainda uma menina, movida à base de momentos. Ainda assim sobrevivo dela, sabe porquê? Porque ainda a inocência me toma, a rebeldia me acalma e a irresponsabilidade me alimenta.
Os momentos calmos me entediam, na maioria das vezes eles chegam a ser patéticos, ou mesmo tranquilizantes, é bom um pouco de calma para se atingir os objetivos.
Os momentos felizes me possuem de uma forma contagiante, me fazem falar alto e querer mais e mais.
Os momentos tristes me destroem de forma constrangedora, eles tiram minha máscara e deixam as lágrimas rolarem de forma escancarada. Mas são dos únicos momentos que dou por mim mesma, e posso saber até onde minha mentalidade adolescente vai.
Os momentos intensos não sou eu, me torno meu próprio sonho de consumo, alguém que nunca vou ser.
Nos momentos desesperados sou aquela que grita, que chora, e depois ri, ri da vida, ri de mim mesma.
Nos momentos apaixonantes tiro a minha máscara, mas, sem deixar que lágrimas rolem, sou aquela mesma garota dos momentos calmos, felizes, tristes, intensos, desesperados, incontroláveis, alucinantes e até mesmo cínicos.
Mas, ainda assim, continuo sendo uma menina, uma menina movida a momentos.



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Mário Quintana, “Eu Queria Trazer-te Uns Versos Muito Lindos” - Citado por Penélope Charmosa

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!



In “Quintana de Bolso”.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mantras Anti-vodu - por Fatinha

Querido Brógui:

Hoje trago o meu manifesto contra a acomodação, contra o derrotismo, contra a desesperança, a dor de corno, o pessimismo, a covardia e todas essas coisas voduzentas que nos perseguem.
Viver nesse mundinho tá complicado, eu sei.
Tá brabo acordar todos os dias e tentar vestir uma blindagem que nos afaste de todas as coisas nefastas que existem, os horrores, os escândalos, a violência, a fome. Reunir forças para sobreviver, talvez viver com alguma dignidade, conseguir ter alguns momentos de prazer. Vencer as frustrações, os desencontros, os desenganos, não pedir penico, cair e levantar, tentar outro caminho. Mudar, encarar riscos, saber que sempre há a possibilidade de tudo dar errado e dar de ombros.

Ô coisa cansativa!

Para ajudar, tenho uns mantras que recito diariamente. Como sou pop e católica de formação, meus mantras incluem o Salmo 23, “Jorge da Capadócia” do Jorge Ben e “Tente Outra Vez” do Raulzito.
Não recito todos de uma vez, nem em sua integralidade, apenas repito uns pedaços nas horas de agonia.

Nada como mandar um: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará, ainda que eu caminhe por um vale escuro como a própria morte, não temerei, porque Deus está comigo.” Isso, recitado com fé, dentro do ônibus, enquanto olho pros lados pra ver se tem alguém com cara de que vai tomar meu celular a qualquer momento, é refrescante.

Na hora que tenho vontade de arremessar meus códigos do 7º andar da UERJ, depois de levar mais um pau em mais uma prova, cantarolo baixinho: “Vai, tente outra vez, não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida.” No mínimo evita que eu responda por homicídio culposo caso o código acerte o quengo de um transeunte.

Por fim, quando os derrubadores de plantão encostam-se à minha carcaça, recito: “Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem, para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem, para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam e nem mesmo em pensamento eles possam me fazer mal.” É batata, como diria Nelson Rodrigues. O encosto vai rapidinho procurar outra alma pra sugar.

Então Querido Brógui, eu confesso: estou apelando para o sobrenatural. Eu não acredito nisso, mas que existe, existe. Tenho outros mantras, mas vou guardar esse assunto para o dia em que eu não estiver inspirada para inventar novidades.



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Jorge Ben Jor, Raul Seixas

O Que Foi Não Volta - por Adir Vieira

Ontem revolvi lembranças em minha mente.
Estive mais uma vez diante de fatos passados, lembranças vívidas em meu coração. É sempre assim quando eu volto àquela casa. A casa onde passei, desde a infância, muitos e muitos anos. Ali, envolta pela família, aprendi, cresci, sofri e me alegrei. Sobretudo entendi o significado mais completo do amor. Amor pelos entes queridos, pelo cerco familiar, pela grande dependência que, desde então, saberíamos ter por toda a vida, uns com os outros.
Hoje, lá não mais existem objetos meus, mas olhando aquelas paredes agora, vazias, reponho em poucos segundos o meu quarto, meus pertences e vejo, como num passe de mágica, as pessoas, como se lá ainda estivessem. As conversas que ressurgem atropelam-se umas com as outras, como a me lembrar que já não estou lá.
Ao mesmo tempo em que a paz me aquieta, um aperto no coração sinaliza a angústia e aquela falta latente, não sei se dos familiares que já se foram ou se da própria vida em plenitude.
Estranho e tão sabido esse sentimento dilacerador de que a vida é isso. Um tempo que não depende de nós.
E haja coragem para reconhecer fielmente essa afirmação.



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Odre de Baco - por Kbçapoeta

Relaciono minha essência
Com sua existência,
Faz-se natural a leveza do tudo
Longe do alcance de minha
Compreensão,
Universo singular, estático,
Pseudo isso ou aquilo.
Difícil descrever
O alicerce da coluna
Que sustenta o liame
Do certo ou do errado.
Deveras crer
Ser a borboleta de Confúcio.
Delícias e delírios
Entorpecem nossa mente.
Meu ser é seu ser.
O coração assimétrico
Continua oblíquo,
O etéreo se fundiu.
Foi perfeito!
Presenciar a alquimia
Das almas.
Gênios que se tocam.
Sublime!
O corpo é mera manifestação
Que urge vital,
Prazerosa e dionisíaca.
Refaço minha busca
Imerso nessa cabernética loucura.



Visitem Kbçapoeta
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Augusto de Campos e sua “Ferida” - Citado por Penélope Charmosa

fer
ida
sem
ferida
tudo
começa
de novo
a cor
cora
a flor
o ir
vai
o rir
rói
o amor
mói
o céu
cai
a dor
dói
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Depoimento - por Marília Abduani

A curva do meu sonho
contorna a tua estrada
e estagna onde descansa a tua alma,
quieta.
Múltiplos são os meus olhos para enxergar
a tua serenidade
e o teu exílio em mim.
Eu sou a minha nuvem mais densa,
a mesma que derrama chuvas
sobre os teus desejos.
Sou o vento que sopra em teu rosto
um resto de infância,
de terra molhada,
capim novo
incendiando o dia.
Venço a angústia e o medo.
Espalho meu verso e, renovada,
circulo em torno da vida,
leve,
livre,
simples.
Filha do sol e da lua
nas rotações silenciosas do amor.
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........................Visitem Marília Abduani
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Alba Vieira

Destaco este belo poema por trazer a ideia de caixa de nossas memórias figurando junto aos pertences variados que podem ser encontrados nas caixinhas de costura que certamente fazem parte do universo de cada um de nós. Parabéns, Ana, pela belíssima contribuição.



CAIXINHA DE COSTURA
(ANA)

Agulhas, linhas, dedal,
fitas, botões, tesourinha,
cores, texturas, formatos,
cabem todos na caixinha.

Caixinha na qual não cabem
meus sonhos de criancinha
nem meus desejos de adulta
nem meus medos de velhinha.
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Três Anos de Saudade - por Adir Vieira

Três anos se passaram sem você.
Tanto tempo e parece que foi ontem. Não tenho mais seus olhos calmos e questionadores a me olhar com profundidade...
Não tenho mais suas mãos a segurarem as minhas, na tentativa de não se desprender daqui, de junto de nós...
Não tenho mais, sobretudo, sua fala firme, compondo minhas decisões e em cada palavra mostrando-me o sentido da vida...
Cadê você, minha mãe?
Por onde andará? O que será que tem feito? Será que de onde está ainda nos vê e acompanha?
Enfim, que na minha saudade, você sinta todo o meu amor e agradecimento...



Visitem Adir Vieira
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Bem Viva - por Alba Vieira

Voou bem alto perdendo-se no Todo,
Desapegou-se, enfim, da limitação material,
Diluiu-se em rósea atmosfera,
Iluminou-se envolta em amor incondicional
E para sempre integrou-se à eternidade.

Deixou-nos numa tarde que se fez cinzenta,
Embora lá fora o pôr-do-sol fosse belo,
Corações sangrando pela sua ausência,
Desnorteados, tristes, seguimos quebrado o elo
E até hoje a saudade em nós sobrevive.

Mas quem tanto amou nesta vida,
Decerto deve estar muito bem...
O tempo ajuda a cicatrizar as feridas
E abrir o coração deixando entrar luz outra vez.

Então seguimos guardando as lembranças
Cada vez mais vivas, liberadas da dor,
Agradecendo por tê-la na dança da vida
E dedicando a você infinito amor.



Visitem Alba Vieira
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Morte - por Aline

Hoje meu coração está vazio.
Minha alma vagueia alucinada sem rumo.
Meu corpo se arrasta e sem saber nem como eu mantenho a rota.
Ai de mim que não me reconheço nesta hora de tanta verdade.
Sou o espectro de mim mesma.
E já de tanto doer sou só chaga aberta.
E cheiro só a sangue.
Que horror de narrativa! Será que sou isso ou quero apenas vomitar minhas insanidades no papel neutro?

A MORTE É UM EXÍLIO.
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O Monte - por Leandro M. de Oliveira

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.Subi o monte com pensamentos de grandeza
Mas, lá só havia descampados e correntes de ar.
Os Deuses foram convertidos em estátuas enferrujadas
E os homens fizeram-se em rebanho de cabras.
Tomei meu café como quem foge ou esquece,
Passei aqui e ali, e tudo era igual,
Onde estou que não me vejo?
A rua existe como caminho pavimentado,
Como existe nódoa dentro dos homens,
Como existe um andarilho em assombro.
E eu sem dormir, me meto a escrever ou pensar.
Das estreitas possibilidades, a cidade está
Dispersa como lugar em que se habita.
Das minhas largas mazelas a cidade ficou,
Semelhante a um canceroso terminal.
Como o ar esta pesado aqui, urge reinventar.
Torno ao monte remoto, aos descampados e às correntes,
Pensei ter tido um lampejo de eternidade, isto me cismou,
Era só meu estômago bradando em petição de miséria.
A comida nunca satisfaz uma alma faminta,
Mas que sei de almas?
Eu que tomo café como quem foge ou esquece.
Já sei, vou deixar que a metafísica se esvaia
No fluxo incontinente de minha urina,
Há tanto milagre acontecendo na natureza
Quanto há em um banheiro público.
Voltei à casa antiga, por mor espanto,
As traças são implacáveis
Mesmo com as memórias mais ternas.
Vou viver pra sempre ou morrer um dia, tanto faz,
A matéria sempre alimentará outros parasitas.



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Lya Luft e o “Convite” - Citada por Penélope Charmosa

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.




In “Perdas & Ganhos”.
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