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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Leonard Wolf e o Ofício da Arte - Citado por Alba Vieira

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Não pinte abstrato antes de saber desenhar a figura. Você só poderá quebrar a forma com sucesso se a tiver dominado. A estrutura é a base, depois poderá brincar com ela ou afastar-se dela ao mesmo tempo. Tem de conhecer seu ofício: na pintura ou na escrita.
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J. R. R. Tolkien in “O Senhor dos Anéis” - Citado por Ana

Outra passagem do livro de Tolkien. Linda!



“De repente, começou a soar uma canção: um murmúrio frio que subia e descia de tom. A voz parecia distante e infinitamente lúgubre, algumas vezes num tom alto e agudo subindo pelo ar, outras como um gemido grave vindo do solo. Naquela cadeia disforme de sons tristes e horríveis, sequências de palavras tomavam forma uma vez ou outra: tristes, duras, frias palavras, impiedosas e desprezíveis. A noite blasfemava contra a manhã que lhe fora roubada, e o frio amaldiçoava o calor pelo qual ansiava.”
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E você? Que passagem de que livro você considera linda?
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sábado, 5 de janeiro de 2013

Bruna Lombardi: “Ela” - Citada por Penélope Charmosa

Ela tinha o teu fantasma
quando a conheci.
Ela ainda te carregava dentro.

Havia muito pouco dela
e quase tudo teu
e o caminho que tive que transpor
para chegar a ela
foi a distância impossível
que afasta as pessoas
de seus reflexos.

Havia gestos teus
na ponta dos dedos dela
quando a conheci.

Seu corpo, reminiscências
resíduos de amor suado
tinha teu cheiro ainda.
E febre tua.

Ela tinha o desespero calmo
dos que enlouqueceram
quando a conheci.

A carne contraída e aquela espécie
de sentimento que separa as pessoas
da realidade.

Ela trazia teu germe
lhe doendo nas entranhas
quando a vi pela primeira vez

atravessando o lado esquerdo da avenida
sem olhar em direção alguma.
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In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Friedrich Nietzsche, Absurdo, Liberdade e Projeto - Citado por Penélope Charmosa

Uma vez admitidos dois fatos: que o devir não tem fim e que não é dirigido por qualquer grande unidade na qual o indivíduo possa mergulhar totalmente como num elemento de valor supremo, resta só uma escapatória possível: condenar todo esse mundo do devir como ilusório e inventar um mundo situado no além, que seria o mundo verdadeiro. Mas, logo que o homem descobre que este mundo não é senão construído sobre as suas próprias necessidades psicológicas e que ele não é de nenhum modo obrigado a acreditar nele, vemos aparecer a última forma do niilismo, que implica a negação do mundo metafísico e que a si mesma se proíbe de crer num mundo verdadeiro. Alcançado este estado, reconhecemos que a realidade do devir é a única realidade e abstemo-nos de todos os caminhos afastados que conduziriam à crença em outros mundos e em falsos deuses - mas não suportamos este mundo que não temos já a vontade de negar.
(...) Que se passou portanto? Chegamos ao sentimento do não valor da existência quando compreendemos que ela não pode interpretar-se, no seu conjunto, nem com a ajuda do conceito de fim, nem com a do conceito de unidade, nem com a do conceito de verdade. Não chegamos a nada, não logramos coisa nenhuma dessa espécie; a unidade global não aparece na pluralidade do devir: o caráter da existência não é o de ser verdadeira, mas o de ser falsa (...) não há razão alguma para nos persuadirmos de que existe um mundo verdadeiro. (...) Em suma, as categorias de fim, de unidade, de ser, graças às quais demos um valor ao mundo, retiramo-lhas e o mundo parece ter perdido todo o valor.
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In “A Vontade de Poder”.
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Hibridismo.com - por InEx TrEe FaLLs


Consoante por consoante
Vogal por vogal
Edificam palavras
Traçam-lhe o sentido
Pontuando-lhes o fim


Mas há final

Quem as extendeu
No varal da lembrança
Em pleno temporal

Devem ter retornado
Cobrando silêncio
Ou um minuto

Até certo ponto
consagrado

 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Se eu fosse planta, gostaria de um meio propício que me ajudasse a crescer.
Mas, sou homem...
Prefiro, por isto, um meio adverso que me desafie a crescer.
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

O Universo é Maya. O Universo é tão diverso!
O diverso é a máscara do Uno, como o tempo é a do Eterno.
A forma é esconderijo concreto do Abstrato.
O finito é a aparência limitável do Infinito.
Tudo que conseguimos perceber é Maya, que é a vestimenta do Inefável.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Artur Azevedo e o Amor - Citado por Ana

 
O amor que se propala é apenas uma miserável história; o amor que se esconde foi um admirável poema.
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Bertrand Russell e o Medo do Aborrecimento - Citado por Penélope Charmosa

O gênero de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu gênero de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.



In “A Conquista da Felicidade”.
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Tua bebida - por Poty (Erótico)

Quero beber de teu chimarrão
Deliciá-lo juntinho de ti
Chupar com você!
Sentir teu amargo de fel
Teu calor no céu
Acariciar teu gosto de mel
O líquido
A bebida atrevida
Sai por cima
A bomba pronta
Poty – 14/04/2013

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Desconstruindo o Ritmo - por InEx TrEe FaLLs


Há no teto da tua riqueza
Um tatame para pisar
Força o vento sua natureza
Máquina por desligar

Calendas de maio
Cruz na parede
Porta aberta
CorPO tem sede

Há no ritmo uma identidade
Há no espaço os dançarinos
Desafiam autoridades
Evoé peregrinos

Projeções?
Passos por ensaiar?
Cada um no seu ritmo
Balançamos o que convém
No mais?
É melhor dançar

Desafiam os fios
No suor por inteiro
E o corPO sacode

O leve CAbelo

Se atire ao chão
Sangrando sentidos
Que a boa vibração
Esteja sempre contigo
 



 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Aquele ponto e Aquela Ponte

Muros erguidos, pontes, continentes, fronteiras... desconhecemos a transitoriedade da alma. Estamos expostos e ao mesmo tempo escondidos. Ou será que apenas um de nós se esconde?

Quero falar e não consigo encontrar o tempo exato, sinto que as palavras soam fragmentadas e divago assustada... a intensidade dos fatos  é a  medida que preenche  o diafragma. Respiro profundamente, como alguém que cava um poço. Por vezes me dói um simples suspiro. Evapora a tua voz na minha pele tingida pelos raios daquele sol acima de qualquer nuvem.

Sobrevivo ao deserto que ecoa a tua presença sob o pretexto da miragem. Há um oásis longe da civilização. É no deserto que habito. Tu és o estrangeiro que invade minha morada. Os camelos estão longe daqui de qualquer modo a batalha está travada.
 Ó estrangeiro, recordai da árvore que finca suas raízes no deserto. Ide com o vento, lançai os grãos para bem longe daqui. Mas se por acaso relutares, direi que tudo não passou de um delírio.
Apesar de toda clareza, vultos se amontoam. Ou a consciência me parece cega, ou nunca percebi o que está além da visão.
20/12/2012

INcertezas


Tens o manto da incerteza
O adorno da ilusão
O sopro de uma vida inteira
O dom da inspiração

 Há sempre uma imagem
Um reflexo no espelho
Uma ideia selvagem
Um segredo corriqueiro

 

SATURNINO DEZEMBRO DE 2012

- Boa noite, gostaria de agendar consultas para o mês de janeiro. Me foge o nome da psicóloga... sei que o sobrenome é dos Anjos.
- Boa noite, senhora, tem em mãos o código de cliente e guia autorizada?
- Sim.
Balbuciou desanimada: só falta a estrela
- Perdão, senhora, não ouvi a ultima frase.
- Que frase?
- A senhora falou que tinha a guia e faltava algo, não compreendi exatamente, mas escutei que faltava alguma coisa. É que a senhora falou de um modo que não deu para ouvir bem.
- Perdão, como se chamas?
- Saturnino senhora
- Saturnino?
Rui sem a menor preocupação diante da formalidade do atendimento que a entediava ainda mais. Estava cansada, passou o dia cuidando dos afazeres domésticos e sobretudo do filho de 4 anos que se recuperava de uma otite.
Era aproximadamente 23h quando sentou para agendar as consultas mensais. Em seguida daria continuidade a rotina de estudos planejado com certa expectativa. Estava tensa, cansada dos incansáveis telefonemas e agendamentos médicos. Cercada por pessoas que viviam suas vidinhas sem poesia, pessoas do outro lado da linha, do outro lado da tela, do outro lado na multidão. Pessoas que iam e viam ao encontro da menina dos olhos que se perdia na solidão.  Finalmente descontraiu, mais uma zombaria do destino... o nome do tal atendente tinha que remeter a um planeta? Logo ela que vivia no mundo da lua... Pelo visto a estrela era mesmo inalcançável...
- Desculpe senhor, Sat, não consigo conter o riso, mas qual é mesmo o seu sobrenome?
- Saturnino senhora.
- Ok e o primeiro nome
- Getúlio
- Getúlio? Um tanto quanto patriótico, Get. Seus pais são mais devotos da era Vargas ou da espacial? Desculpe a brincadeira tenho que descontrair tive um dia cansativo
- Não se preocupe senhora estou aqui para atendê-la, fico feliz que esteja de bom humor.
- Imagino que lidar com o publico exige muita psicologia, se surpreende que eu esteja de bom humor?
- Sim, a maioria das pessoas que entram em contato com a central de agendamentos são breves e em alguns casos estressadas .
- Sinto muito em saber que tens que lidar com tais situações, logo o senhor que é tão educado
- Não se preocupe senhora, na maioria das vezes finalizamos o dialogo com a sensação de termos feito mais um amigo
- Amigo? Consideras o nosso dialogo como sendo o inicio de uma amizade? Amizade descartável o senhor que dizer rsrs.
- Senhora Júlia, qual é mesmo o seu sobrenome?
- Serafim e não me venha com o trocadilho interrogativo, senhor Saturnino.  À propósito o sobrenome da psicóloga é dos anjos, e é tudo que lembro.
- Verificarei a agenda de janeiro, Julia Serafim. Desculpe perguntar há quanto tempo a senhora é paciente?  Só mais um momento, por favor. Ah, doutora Mara dos Anjos.
- Que diabos, como fui esquecer um nome assim... Mara? Ah, quer saber essa historia de nome e sobrenome me inspirou.  Devo escrever algo sobre a nossa conversa e o fato de não ter mencionado o esforço que faço para ouvir sua voz distante. Deve ser por causa do sistema.
- Sistema?
- Sim, o sistema solar rsrs. Desculpe, perco o amigo, mas não perco a piada.
- Senhora Júlia?
- Pode falar, por acaso o senhor não viu um cometa? Ah me desculpe, de repente me senti tão descontraída. Ok, vou me conter.
- Tudo bem, Júlia. Nesse horário são raros os agendamentos.
- É Saturnino, só os insones resolvem trabalhar ou agendar consultas. E olhe que tenho um plano de estudos para iniciar assim que desligar. Correria essa vida...
- Sei como é, tenho dois empregos.
- Suponho que a energia que lhe sobra é por que lhe falta a mulher da sua vida.
- Mulheres...
- Homens...
- A senhora é casada, tem namorado etc?
- Hahaha que vingativo. Ok, sou divorciada e pode me chamar de irmã. Meu marido agora é a disputa por um bom emprego (agente da polícia federal).
- Nada como um dia após o outro.
- Pois é e por falar nisso teria vaga para janeiro?
- De emprego ?  (em tom irreverente) brincadeira (risos). Pode ser em fevereiro?
- Ok pode agendar, quando é mesmo o carnaval? Por favor marque para depois, por favor.
- Posso agendar para o dia 8?
- Sim e é uma pena ter que desligar depois de finalmente marcarmos. Podemos manter contato? Quero te mostrar o que posteriormente escrever, afinal você me inspirou?
- Pode deixar que eu retorno.
- Ok, fico no aguardo, Batman. Beijos.
Após verificar o cadastro, uma súbitacuriosidade despertara. Tinham quase a mesma idade. Ela era de julho e ele de dezembro. Moravam em bairros distantes. Ambos eram divorciados. Perguntou a si mesmo o que levaria aquela mulher, que ria de tudo, a procurar um psicólogo. Teria sido por causa do divórcio ou será que sofria  algum tipo de distúrbio? Será que também se consultava com psiquiatras? Diante do dilema ético e profissional, a curiosidade foi maior e tocou do outro lado...
- Olá, esta me ouvindo melhor agora?
- Saturnino, você me ligou mesmo?
- Sim e também gosto de escrever. Escrevo reflexões. A ligação está melhor? Te ligo do celular.
O diálogo se deu com naturalidade e é sabido que havia um tom muito agradável entre eles. Quando já estavam prestes a se despedirem, Júlia perguntou:
- Ei, saturnino, mudando de assunto gostas de carnaval?
- Um pouco e você?
- Das fantasias, é uma pena que haja tanta m...lícia.
- Escutei uma interferência e não pude te ouvir bem. Você falou milícia?
- Milícia é o que mais falta, quis dizer malícia mesmo.
 É incrível como uma única vogal muda completamente o sentido da palavra.


 
 
 

Augusto Cury e os Erros - Citado por Ana

 
Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros.
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sábado, 29 de dezembro de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Temos errado em supor que eu sou um e tu és outro. Vale a pena escutar a inteligente advertência de um rio que assim falou a outro:
- Não somos dois rios nascidos de fontes diferentes, correndo em leitos diferentes, sem nada ter um com o outro. Se achamos que não somos um só é porque uma ilha fluvial nos separa e nos ilude. O nome desta ilha é Ignorância.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

Bill Watterson e Nossos Problemas - Citado por Ana

 
Não há nenhum problema tão terrível ao qual você não pode adicionar um pouco de culpa e fazer ele ficar pior.
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domingo, 16 de dezembro de 2012

Sonhar - por Alba Vieira



Sonhar tempera os dias e dá sentido às noites.
Prepara o palco para tantas fantasias
E faz o coração se fartar com mil amores.
É o que confere alegria à alma
Colorindo paisagens para viagens inesquecíveis
Mas tudo se desvanece quando chega  aurora.
Acordamos sem saber o quanto fomos felizes.


Tabagismo - por Cármino Caramello


o mar,
fiel adepto do tabagismo,
o faz com largos tragos infinitos,
permitidos apenas para o deleite solitário,
fumo áspero da observância,

de alguém que há eras espera
por doses matinais
de ventos frutíferos e saborosos,
carregados com aromas da estação;

de alguém que espera
pássaros de alma branca
da imensidão das águas
que chegam
com as primeiras notas
brancas de luz,
com penas graciosas
de veludo arbóreo,
sutil e duro

seres distintos, raros
como as árvores de plumagem aérea,
estabelecidas entre as nuvens,
porto e cais
dessas linhagens ancestrais,
estalagem de brisa e migração,
no qual se falam línguas sussurradas,
próprias a esses lugares mágicos
e seus seres cultos de simplicidade;

é a esperada boa nova esquecida
espera por palavras soltas,
livres, de alma limpa e branca,
dançarinas sob chuva divina
de prata, néctar e seiva

velho na varanda do mundo
de esperança calma e crente,
apego voluntário
ao vício do fogo antigo,
às damas de branco
e casamentos em jardins

apenas a vigília
de uma alma velha,
desgastada na umidade,
mais um vício louco,
um apego tosco,

devaneio nostálgico
de uma vida passada,
alucinação profética,
crença particular desacreditada

o esperar de uma
espécime rara,
desconhecida,
inútil,
cansada,
antiquada,
num mundo de pó
e palavras rápidas

apenas maré, hábito cotidiano,
diligência prazerosa

vício voluntário
de um viver,
tão velho quanto
o mundo