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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ex-Haiti - por Alba Vieira

A morte é oportunidade para quem vai e para aqueles que ficam e a presenciam. Com a morte, o físico se desintegra para que possa ser reorganizado no futuro. E a porção de luz segue como consciência, acrescida de mais aprendizado até que após um período de transição cósmica possa novamente habitar outro corpo físico e renovar as experiências na realidade material.
Aqueles que assistem ao desenrolar da morte - seja individual ou coletiva - e estão atentos às sutilezas que o cercam, igualmente poderão adquirir conhecimento e trazer transformação às suas vidas.
A experiência do que vem ocorrendo no Haiti todos os dias, há tanto tempo, acrescida pela catástrofe que aconteceu agora, pode ser enriquecedora para o observador interessado. O caos permite, pelo contraste, delinear ocorrências da mais elevada esfera, presentes lá e em todos os lugares onde o sofrimento físico pode ser transcendido pela força do espírito.
Até quando serão necessários as grandes hecatombes e o caos disperso no cotidiano, em tantos outros lugares pelo mundo, para que a humanidade se confronte com a realidade de que o sofrimento advém da ignorância de que fazemos parte da mesma unidade e que, portanto, o que afeta a um afeta a todos e podemos mudar a realidade redescobrindo nossa verdadeira natureza de espíritos?
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Visitem Alba Vieira
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Imortal - por Duanny

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“Eu sabia que nós dois corríamos um risco mortal, mesmo assim eu me sentia bem, me sentia inteira, consegui sentir o vento gélido e pálido em meu rosto, o coração batendo firme e o sangue correndo ainda em minhas veias.

Parecia que ele nunca tinha arrancado uma parte de mim, como se aquele buraco no meu peito não existisse mais, eu estava perfeita, não curada, mas inteira.

Todos, a essa altura já deveriam saber: não me arrependo de nada; mesmo com aquele desfalque em meu peito eu ainda me sentia viva, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele. Erro meu?

Pode até ser tolice minha, mas nunca me senti tão viva como estou me sentindo hoje, ou será que você foi mais uma das minhas alucinações? Besteira... talvez fosse a imortalidade me lembrando que de você eu não morro mais.”
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Visitem Duanny
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O Desfile - por Leila Dohoczki

Os olhos dos pequenos
Brilhavam ao ver a marcha
Dos soldados que iam à frente
Escoltando aquela banda.

Eram heróis em ritmada passada
Que com orgulho carregavam
A Bandeira e o hino cantavam.

E quando a banda por eles passou
O bumbo, a corneta e o clarim
Ficaram encantados.
Também quero tocar assim!

Alguns dias depois
A turminha reunida
Ali na praça ao ar livre
Surgiu a ideia:
Vamos fazer um desfile?

Que ideia genial!
Vamos fazer a convocação.
Colo o anúncio chamando todos,
Na escola e no portão.

No dia marcado,
Estava lá toda a criançada
Curiosa e animada
Querendo saber
Que instrumentos vão tocar.

Ah! Isso, cada um vai ter que inventar.
O desfile é amanhã à tarde
Ninguém pode faltar.

E o ensaio?
Não vai ter?

Pra quê? É só tocarem todos juntos
Que a música vai aparecer.

Então tá...

No outro dia à tardinha
Pouco antes do jantar
A vizinhança assustada
Foi toda para a rua ver

Que barulhada era aquela
Que não dava nem pra ouvir a tv.
Parados, em seus portões
Ficaram olhando a banda da rua passar.
Agora eles ficaram encantados
Com tamanha animação

Marchavam as crianças
Com tampas e panelas na mão
Baldes bumbos, reco-reco ralador,
Garrafas, feijão dentro, chocalhos coloridos
E as meninas graciosas
Bailavam em meio aos ruídos...

Aplausos e sorrisos
Magia de criança a desfilar
Passando o último instrumento
Gente grande a acompanhar

Passaram em frente ao quartel
Toda a vizinhança e as crianças a desfilar
Saíram os soldados e nem puderam acreditar
Em posição de sentido, prestaram continência
Àquele exército poderoso
Que portava as maiores armas do universo:

Alegria, esperança e sonho...
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.............................................Visitem Leila Dohoczki
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Dia de Machado! - por Ninguém Envolvente

Dia de festa!
Estreia hoje* na Rede Globo a minissérie: Capitu.
Obra baseada no livro de Machado de Assis: Dom Casmurro.
Infelizmente não poderei assistir (vai ao ar após o programa Casseta e Planeta - Muito Tarde!).

Li 4 vezes Dom Casmurro e recomendo.
(Não vou comentar o livro porque estraga a surpresa de quem ainda não leu.)


Escritos de Machado que li e recomendo:
Esaú e Jacó
Casa Velha
Memórias Póstumas de Brás Cubas
A mão e a Luva
A Carteira
O Alienista
O Espelho
A Cartomante
Missa do Galo
Crisálidas
Quincas Borba
Estou lendo RESSURREIÇÃO...
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*Postado, originalmente, em 09/12/2008.
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Memórias de um Seminarista (Parte XIX) - por Paulo Chinelate

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Concomitante às perturbações políticas da nação brasileira, nossa vida em seminário segue a rotina usual só quebrada pela saída abrupta do nosso convívio de colegas, muitas vezes amigos chegados. A cada separação repentina cabe a quem fica a administração da perda.
Dá-se o nome de “ir para a bica”, o fato das saídas súbitas. O significado do cognome dado a este evento, conforme reza a tradição local, é de um sujeito que vai à bica para saciar a sede, escorrega e cai.
Vê-se que o sentido de queda não é aleatório. Associa-se ao episódio como derrota, ruína, perda e prejuízo. Há um quê de cuidados para não permitir muitos comentários sobre os afastamentos. Censura explicada, talvez, pela maledicência que daí pode advir ou, a meu julgamento, para evitar que companheiros simpáticos ao que “embicara” possam, sem razões maiores, seguirem os seus passos.
O certo é que eu analiso as reações de toda comunidade, já me colocando como um dos próximos candidatos a resvalar no “limo da bica”.
Iniciado o ano escolar, como de costume, é dada a partida aos ensaios de nova peça teatral. Meu papel, coadjuvante e de menor importância, com poucas falas, tem, porém, significado no enredo de “JULIANO, O APÓSTATA”. Peça que traduzia a saga dos primeiros cristãos ao tempo das perseguições.
Os cuidados da trupe na construção dos figurinos eram desde cedo tomados. Cada qual laborava, com base em um projeto, na construção dos capacetes dos soldados romanos, da coroa do rei, dos mantos, arcos e flechas, lanças, panos de bastidores etc.
Duas a três dezenas de companheiros estão investidos na façanha que apresentaremos em meados do ano. O interessante é que o Irmão Constantino, sempre solicito e amável, é severo o bastante para nos exigir que mantenhamos em segredo não só o enredo da peça como até mesmo o seu título. Não me recordo de que em anos anteriores houvesse vazamentos.
Eu farei também parte de uma esquete, geralmente humorística, que entremeia os atos da peça teatral permitindo que os bastidores sejam reformulados às exigências do enredo.
No cenário político os acontecimentos precipitaram-se: os militares, sustentados pela Igreja Católica e outras organizações da sociedade que clamam por ordem na ameaça anárquica, tomam a frente e o General Aragão Filho lidera, com as forças vindas de Minas Gerais, abafando qualquer levante a favor do infeliz João Belchior Marques Goulart, presidente perdido em querer transferir ao solo brasileiro um regime socialista.

De resto, rotina, rotina, rotina.

Junho desponta como sempre com os esperados festejos de São João, as apresentações teatrais tão aguardadas e a novidade: férias do meio de ano em família, dantes nunca ocorridas.
A apresentação teatral foi muito competida pelos convidados, como em todos os anos. Os trabalhos, tanto por parte dos atores como sonoplastia e iluminação, impecáveis. Só um acontecimento arranhou minha participação: enquanto aguardava a apresentação do terceiro ato da peça principal, e após ter concluído a exposição da esquete, estando eu e mais três colegas nos alçapões do palco, acendemos e “apreciamos” um cigarro retirado de um maço adquirido pelo contra-regras e usado pelo ator humorístico. Não contávamos com a ingerência do nosso Reitor Irmão Zeno Ângelo Camata, que certamente já pressentindo alguma peripécia nossa, nos pegou em fragrante. Nada foi dito, nada se escutou. Bastou seu olhar de inquisidor sobre os óculos redondos, grossos de aro fino para sabermos que estava tudo muito, muito censurável.
O tempo passou, saímos de férias e nenhuma consequência da peraltice praticada, aparentemente, teve curso.
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Minhas Travessuras - por Poty

Eu, feito menino
Vou brincando
Com minhas artimanhas
Sem querer parar.

Sou menino rebelde.
Dou gargalhadas
De minhas travessuras.
Às vezes deixo pessoas horrorizadas.
Só faço coisas boas para alegrar os que estão carentes, tristes, necessitando de algo a mais...

Sou menino travesso
Que atravesso
E permaneço no mesmo lado...
Vou ao outro lado para cometer travessuras.

Não fico quieto,
Me inquieto diante tanta arte...
Contesto.

Sou o arquiteto
Que detesto
A pequenez,
Por isso sou a própria travessura.
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Visitem Poty
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Amigos - por S. Ribeiro

O que consterna foram todas aquelas partes que se foram com o Tempo, ou seja, não estão no passado sozinhas. Provavelmente o Tempo, sem perguntas, os sente e descobre enfim que tudo irá mudar. Assim, alguns seres humanos que encheram de alegria a vida, ficaram no passado, sem morte, o que é pior. Crescendo, ninguém me perguntava dos ossos, ou das palavras, que línguas e formas que enfim surgem quando você ressurge em si mesmo. Absolutamente, estavam lá, mas não pararam a meu lado. E um receio teimoso se descobre nesta manhã, se, talvez, quem agora me ouve e segura não passará de cortina ao vento numa casa antiga, testemunha de galhos secos.

Por que isto acontece? Em meus anseios de crisálida não obrigo ninguém a descobrir que a morfose nunca é estática (claro!); quem sente, fica, observa, acaricia, mas não me impede de ir. Como impedir alguém de ir? Obrigar a não ir? Não faz parte de nada a obrigação, de nada digo que, de nada que dá prazer, óbvio. Amizades passaram a se conservar por status ou afinidade ou oportunidade; talvez por existirmos num tempo de pouca empatia e consciência da mudança, tudo que canta fora do ritmo conhecido parece, digamos, ameaçador. Muitos não ligam se sou um cultor da alma, curioso das teorias, das peculiaridades e destrezas estrelares, comportamentais, estranhas; não, creio que ninguém vê isso. Não aceite, respeite. Não condene, compreenda. O mundo não é um só.

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Acima, parte de um post em comemoração de 1 ano de meu blog. Convido todos os talentos do Duelos (blog que me deu um apoiozão!) a marcarem presença em meu espaço e verem o post inteiro. Obrigado a todos!
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Visitem S. Ribeiro
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Desaguar - por Kbçapoeta

 
Quando vi o avião
Sabia que era a última vez.
Restaria imaginar o chão,
O mesmo que me faltou
Quando pude ver seus sapatos
Que solapavam meu coração
Em devaneios.
Nada mais trará a euforia
Que sentia quando podia te ver
A hora que me aprouvesse.
Seus sapatos não deixarão mais rastros
No caminho pedregoso de meu coração.
Posso ver o seu retrato
Ao acender a vela no porão,
No esquife do jazigo de meus guardados sentimentais.
Sentimental não sou mais.
Apenas rascunho de emoção
Onde escorre um filete de sensibilidade.
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Visitem Kbçapoeta
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Hermógenes e a Liberdade - Citado por Alba Vieira

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Tenho encontrado homens e mulheres que orgulhosamente proclamam a liberdade de serem escravos de seus vícios.
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Pernilongo - por Leila Dohoczki

Que zum zum zum é esse
Que passa e vai embora
Quando se está quase dormindo
Vem o zum zum zum de volta?

Bate com a mão, cobre a cabeça
Vira pra cá, vira pra lá
Vai pernilongo! Desapareça!

Fica de butuca esse mutuca
Esperando quem vai dormir
Vai lá, acorda o dorminhoco
Afasta-se e fica a sorrir.

Ninguém pode comigo!
Vangloria-se o piuim...

E é zum zum zum a noite toda
Onde pica, empipoca
Quem é que descansa
Com a muriçoca?

Quando amanhece o dia
O potó descarado some.
Vai dar uma descansadinha

Dá o que fazer
Pra pegar o malandro pórvinha.

Um dia desses pego um
Coloco num vidrinho
Passo a noite toda, acordadinho
Na boca do vidro fazendo zum zum zum!
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Augusto dos Anjos e “A Ilha de Cipango” - Citado por Penélope Charmosa

Estou sozinho! A estrada se desdobra
Como uma imensa e rutilante cobra
De epiderme finíssima de areia...
E por essa finíssima epiderme
Eis-me passeando como um grande verme
Que, ao sol, em plena podridão, passeia!

A agonia do sol vai ter começo!
Caio de joelhos, trêmulo... Ofereço
Preces a Deus de amor e de respeito
E o Ocaso que nas águas se retrata
Nitidamente reproduz, exata,
A saudade interior que há no meu peito...

Tenho alucinações de toda a sorte...
Impressionado sem cessar com a Morte
E sentindo o que um lázaro não sente,
Em negras nuanças lúgubres e aziagas
Vejo terribilíssimas adagas,
Atravessando os ares bruscamente.

Os olhos volvo para o céu divino
E observo-me pigmeu e pequenino
Através de minúsculos espelhos.
Assim, quem diante duma cordilheira,
Pára, entre assombros, pela vez primeira,
Sente vontade de cair de joelhos!

Soa o rumor fatídico dos ventos,
Anunciando desmoronamentos
De mil lajedos sobre mil lajedos...
E ao longe soam trágicos fracassos
De heróis, partindo e fraturando os braços
Nas pontas escarpadas dos rochedos!

Mas de repente, num enleio doce,
Qual se num sonho arrebatado fosse,
Na ilha encantada de Cipango tombo,
Da qual, no meio, em luz perpétua, brilha
A árvore da perpétua maravilha,
À cuja sombra descansou Colombo!

Foi nessa ilha encantada de Cipango,
Verde, afetando a forma de um losango,
Rica, ostentando amplo floral risonho,
Que Toscanelli viu seu sonho extinto
E como sucedeu a Afonso Quinto
Foi sobre essa ilha que extingui meu sonho!

Lembro-me bem. Nesse maldito dia
O gênio singular da Fantasia
Convidou-me a sorrir para um passeio...
Iríamos a um país de eternas pazes
Onde em cada deserto há mil oásis
E em cada rocha um cristalino veio.

Gozei numa hora séculos de afagos,
Banhei-me na água de risonhos lagos,
E finalmente me cobri de flores...
Mas veio o vento que a Desgraça espalha
E cobriu-me com o pano da mortalha,
Que estou cosendo para os meus amores!

Desde então para cá fiquei sombrio!
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E as grandes golpes arrancou as raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!

Invoco os Deuses salvadores do erro.
A tarde morre. Passa o seu enterro!...
A luz descreve ziguezagues tortos
Enviando à terra os derradeiros beijos.
Pela estrada feral dois realejos
Estão chorando meus amores mortos!

E a treva ocupa toda a estrada longa...
O Firmamento é uma caverna oblonga
Em cujo fundo a Via-láctea existe.
E como agora a lua cheia brilha!
Ilha maldita vinte vezes a ilha
Que para todo o sempre me fez triste!
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estudo de Caso - por Gio

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Lei de Murphy Aplicada a Trabalhos Acadêmicos.
.Depois de tentar fazer um trabalho durante mais de uma semana, e a coisa não andar muito, chega uma hora em que medidas drásticas têm que ser tomadas, e é necessário entrar de cabeça na situação – essa hora é a véspera da entrega. Se a coisa chega nesse ponto, é melhor preparar seu kit CQC (Café Quente e Computador) e se acomodar em uma cadeira bem confortável, pois a noite vai ser longa.

O trabalho começa às 16h. Quando bate 21h, o céu já está tão preto quanto a sua nota vai ficar se o trabalho não for entregue, e seu único avanço foi descobrir que o método que vem sendo usado há uma semana para tentar resolver o problema não vai funcionar de jeito nenhum. Chegou a hora! De mudar de tática? Não, hora da janta mesmo... E depois, pausa para o jogo. Os trabalhos recomeçam à meia-noite.

Atordoado – não se sabe se de sono, ou de ver seu time levar uma surra fora de casa –, você arruma suas coisas, pega um táxi, e se manda para a casa do amigo para continuar a loucura. Agora sim vem a mudança de tática (essa solução não pode falhar!), e o trabalho é recomeçado. A noite se passa assim: pesquisa, vamos tentar usar isso, reestruturação, essa droga não funciona, mais pesquisa, essa droga continua não funcionando, torradas, eu não aguento mais, prazo acabando, eu quero morrer.

Depois de 14h do início das atividades do dia, seu cérebro funciona tão bem quanto o Ronaldinho Gaúcho na Seleção, ou seja, é melhor parar porque não vai sair mais nada produtivo. Depois de dormir as mais ansiadas (duas) horas de sono da sua vida, chega a hora da verdade. No ônibus, você pensa em maneiras de explicar como tentou de tudo para fazer o trabalho funcionar, enquanto o seu amigo... ronca. Chega em aula, dorme durante a explicação da matéria, e descobre que não vai haver tempo de algumas duplas apresentarem o trabalho. Inclusive a sua.

Com o prazo estendido até a meia-noite para enviar o programa funcionando, uma luz de esperança se acende. Depois de almoçar às 15:30 da tarde, e recuperar as horas de sono que faltavam na semana, chega a hora do “tudo ou nada”. Você resolve começar do zero, tenta uma maneira completamente diferente de fazer as coisas, e em tempo recorde termina o trabalho. Tudo funcionando perfeitamente, sem nenhum bug, sem nada faltando. Mal dá para acreditar! Só falta enviar o trabalho, agora...

E não é que a porcaria da internet cai?
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.Visitem Gio
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Hermógenes e as Definições - Citado por Alba Vieira

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Em busca de boas definições, encontrei uma que acho exatíssima:
- Potentado é um tolo que vive pelo pó tentado.
Concorda?
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O Casamento da Lesma - por Leila Dohoczki

Lá vem a noiva, devagarzinho,
Acompanhada por seus padrinhos:
Crá-Crá e Cri-Cri, dois grilinhos.

Tudo estava bem bonitinho
Nas margens do ribeirinho
Tinha flores, muitas cores
E todos os convidados, bem arrumadinhos.

A joaninha, de bolinha
A taturana, mostrando as perninhas
Não passavam despercebidas
Que levadas essas meninas!

A cigarra, com sua guitarra
Tocava a marcha nupcial
Enquanto conduzia o coro
O habilidoso bicho-pau.

No altar, o noivo
Cansado de esperar
Já tinha passado dois dias
E nada da noiva chagar.

O louva-Deus
Que ia casar os dois
Achou melhor ir descansar
E voltar depois.

Coitadinho do noivo
Que estava ansioso
Começou a suar e melecar
Todo o terno novo.

A borboleta
Quando viu aquela cena
Pensou logo:
O que posso fazer?

Já sei! Disse ela
Deixa. Eu resolvo!
E chamou logo o besouro.

Numa folhinha colocou pólen
E pétalas de margarida bem picadinhas
Prendeu nas costas dele e disse:
Vá buscar a noivinha!

Ele foi sutilmente
Como se aquilo fosse parte da cerimônia
Pegou a lesminha cansada
E saiu voando, com muito charme...
Acabou a monotonia.

Enquanto voava
A folhinha se abria
Despejando nos convidados
A chuva coloridinha.

Foi bonito de se ver
Não teve quem não chorou
Vendo os olhos do noivo, brilhando
Quando finalmente a noiva chegou.

Meu amor, você está tão linda, ele disse
Chegou perto e a beijou.
Quando a Lua subiu ao céu,
o casamento enfim se realizou.

E essa é a história do casamento da Lesma,
Que nunca ninguém contou
Porque quase ninguém sabe
Que na vida dos bichinhos
Também tem história de amor.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Dúbio - por Leo Santos

Há uma criança
que insiste em ter esperança;
enfrentando um varão sisudo,
que teima em duvidar de tudo.

Um perverso que cobiça,
olhando a seara alheia;
e um santo que, no entanto,
a meta da virtude, anseia.

Um gladiador que chuta o balde,
forte, a tudo enfrenta;
e um timorato que estremece,
quando o tempo esquenta.

Um animal pelejando ávido,
na sina de predador;
e um anjo lutando,
pra fazer do espírito, vencedor.

Habitantes da mesma casa,
cujos aposentos, conhecem de cor;
um Arquiteto olhando interessado,
torcendo, que vença o melhor…
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Visitem Leo Santos
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Hermógenes e a Normalidade - Citado por Alba Vieira

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Aí está a normalidade que recuso ser.
Aí está a massificação que não aceito para poder ser aceito.
Aí está um mundo normal no qual prefiro, mesmo em troca de sofrimento, conservar-me anormal.
Aí estão as compensações, vitórias, seguranças que não busco... para, desse modo, poder continuar fora do rebanho.
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Toc, Toc... - (Anônimo)

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Se eu te der um toc, toc...
tua cuca faz t...“oca”,t... “oca”...
Vive a lamentar, como pode?
Sempre faz prancha e touca.
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O Camaleão Detetive - por Leila Dohoczki

O detetive da floresta
Recebeu um chamado intrigante
Quem foi que deu um nó
Na tromba do elefante?

Foi logo falar com Honório
Que falava meio esquisito
E mesmo com um nó na tromba
Ainda espantava os mosquitos.

- Ajude-me camaleão!
Descubra quem fez isso comigo!

- Não estou certo se consigo
É um caso muito difícil
Mas como se trata de um amigo...

O elefante agoniado
Com aquele nó apertado
Foi até a clareira
Procurar o doutor macaco.

Enquanto isso, na pedra do igarapé
O camaleão planejava
Como seria a investigação.
Muito esperto, como sempre
Logo encontrou a solução.
- Acho que vai dar pé!
Foi depressa se esconder
Bem antes do anoitecer
Lá na casa do elefante.

Ninguém o viu chegar
Ficou verde, ficou rajado
Ficou até todo listrado
Ele é mestre em se disfarçar.

Ficou lá, vigiando
O sono do elefante
Enquanto a floresta dormia
Sob a lua cheia brilhante.

Lá pelas tantas da madrugada
Ouviu-se um som assustador
Ninguém mais na floresta dormia
Somente o elefante roncador.

O camaleão ria
Daquela situação
Ele roncava tanto
Que tremia até o chão!

Foi então que apareceu
Esgueirando-se pelas árvores
O macaco Pepeu
Junto com algumas aves.

Pepeu pegou a tromba
E num instante fez um nó
Enquanto as aves vigiavam
Se eles estavam sós.

Saíram rápido
Nem olharam para trás
Tudo ficou em silêncio
Todos dormiram em paz.

Na manhã seguinte
O nó estava lá, na tromba do elefante
Que chorava e reclamava
Com o camaleão pedante.

- Você ronca demais Honório!
Roncador de primeira linha
Ninguém dorme na floresta
Nem mesmo uma formiguinha.

Tens que procurar um remédio
Um jeito, uma solução
Ou deixar o nó na tromba
Para acabar a roncação.

- Ah! Então é isso?
O nó era pra eu parar de roncar?
Disse o elefante conciso
E eles riram sem parar.

Daquele dia em diante
Não se ouviu mais o elefante roncar
Ele dormia com a tromba enrolada
Na hora de descansar.

Pepeu e os passarinhos
Foram se desculpar
Gostavam do elefante
E o tinham em alta estima
Assim a paz voltou a reinar.

E o camaleão altivo dizia
Trocando de cor a cada palavra
- Um viva para o camaleão detetive!
Todos gritaram:
- Viva! Viva! Viva!
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Se Mata - por Fatinha

Querido Brógui:

Outro dia, na seção de cartas do leitor do jornal, um cara auto-denominado de lacto-ovo-vegetariano, reclamava porque foi no Outback, pediu uma pasta com frango – sem o frango – e o prato veio com cheiro de frango.
Há várias perguntas que não querem calar. Nem vou começar a falar o quão chato é uma pessoa com restrições a determinados alimentos. Marise vai comer meu fígado. Não, não vai não. Ele não come nada que vem de bichinho morto, mesmo que o bichinho morto seja eu e ela o tenha matado com suas próprias mãos.
A primeira delas é: o que diabos um lacto-ovo-vegetariano foi fazer num restaurante que tem o nome de Outback STEAK HOUSE? No meu inglês macarrônico, entendo que uma steak house serve steak, ou seja: carne. A única resposta que me vem é que o cara não sabia inglês, e, nesse caso, estaria coberto de razão. Foi enganado por essa mania tupiniquim de colocar tudo em inglês, num país onde o povo mal sabe ler em português. Boa explicação? Não. Não convenci nem a mim mesma. Se o cara não sabia o que era uma steak house, no minuto em que pegou o cardápio, poderia ter descoberto o seu equívoco e se retirado do recinto com o rabinho entre as pernas, ou, no máximo, indignado porque o nome do restaurante era em inglês.
Bem, ele não percebeu seu equívoco, ou percebeu e ficou com vergonha de se levantar da mesa e sair, ou então encarnou um espírito de porco – ops! porco não pode, é bicho – e resolver tirar uma onda com o cozinheiro pedindo macarrão com frango sem o frango. Anta! O cara se dispôs a pagar os olhos da cara – ô comidinha cara, a desse lugar – por um prato cujo ingrediente principal ele mandou tirar. Devia ter ficado em casa e, em meros três minutos, cozinhado um miojo. Mais barato e bem menos constrangedor.
Daí, veio o macarrão do cara. Ele comeu aquela merda sem molho algum e, para provar que veio ao mundo para encher o saco dos outros, reclamou que sentiu cheiro de frango no final. Além de burro, espírito de alface, não tem olfato, pois comeu tudinho e só sentiu o cheiro quando já estava lambendo o prato. Será que o cozinheiro, só de maldade, montou o prato dele num que já estava sujinho com os restos do frango de outrem? Não creio. Talvez eu fizesse isso naqueles meus dias de Mae West, ou o cara do botequim em que eu almoço, mas não quem trabalha num estabelecimento desse porte. Acho que o Mala queria mesmo era se eximir do pagamento da refeição.
Então, vamos combinar assim: quer comer pizza? Pizzaria. Quer comer carne? Churrascaria. Quer comer peixe cru? Japa. Se não come nada de origem animal, vegetais só se forem orgânicos e água mineral só se ela vier direto da fonte, se mata.
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.Postado, originalmente, em 25/09/2008.
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.Visitem Fatinha
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Hermógenes, a Ignorância e a Sabedoria - Citado por Alba Vieira

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Dois ignorantes se encontram e não tardam em se agredir.
Dois sábios se encontram e logo se abraçam.
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