Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Se Mata - por Fatinha

Querido Brógui:

Outro dia, na seção de cartas do leitor do jornal, um cara auto-denominado de lacto-ovo-vegetariano, reclamava porque foi no Outback, pediu uma pasta com frango – sem o frango – e o prato veio com cheiro de frango.
Há várias perguntas que não querem calar. Nem vou começar a falar o quão chato é uma pessoa com restrições a determinados alimentos. Marise vai comer meu fígado. Não, não vai não. Ele não come nada que vem de bichinho morto, mesmo que o bichinho morto seja eu e ela o tenha matado com suas próprias mãos.
A primeira delas é: o que diabos um lacto-ovo-vegetariano foi fazer num restaurante que tem o nome de Outback STEAK HOUSE? No meu inglês macarrônico, entendo que uma steak house serve steak, ou seja: carne. A única resposta que me vem é que o cara não sabia inglês, e, nesse caso, estaria coberto de razão. Foi enganado por essa mania tupiniquim de colocar tudo em inglês, num país onde o povo mal sabe ler em português. Boa explicação? Não. Não convenci nem a mim mesma. Se o cara não sabia o que era uma steak house, no minuto em que pegou o cardápio, poderia ter descoberto o seu equívoco e se retirado do recinto com o rabinho entre as pernas, ou, no máximo, indignado porque o nome do restaurante era em inglês.
Bem, ele não percebeu seu equívoco, ou percebeu e ficou com vergonha de se levantar da mesa e sair, ou então encarnou um espírito de porco – ops! porco não pode, é bicho – e resolver tirar uma onda com o cozinheiro pedindo macarrão com frango sem o frango. Anta! O cara se dispôs a pagar os olhos da cara – ô comidinha cara, a desse lugar – por um prato cujo ingrediente principal ele mandou tirar. Devia ter ficado em casa e, em meros três minutos, cozinhado um miojo. Mais barato e bem menos constrangedor.
Daí, veio o macarrão do cara. Ele comeu aquela merda sem molho algum e, para provar que veio ao mundo para encher o saco dos outros, reclamou que sentiu cheiro de frango no final. Além de burro, espírito de alface, não tem olfato, pois comeu tudinho e só sentiu o cheiro quando já estava lambendo o prato. Será que o cozinheiro, só de maldade, montou o prato dele num que já estava sujinho com os restos do frango de outrem? Não creio. Talvez eu fizesse isso naqueles meus dias de Mae West, ou o cara do botequim em que eu almoço, mas não quem trabalha num estabelecimento desse porte. Acho que o Mala queria mesmo era se eximir do pagamento da refeição.
Então, vamos combinar assim: quer comer pizza? Pizzaria. Quer comer carne? Churrascaria. Quer comer peixe cru? Japa. Se não come nada de origem animal, vegetais só se forem orgânicos e água mineral só se ela vier direto da fonte, se mata.
.
.
.Postado, originalmente, em 25/09/2008.
.
.
.Visitem Fatinha
.
.

Hermógenes, a Ignorância e a Sabedoria - Citado por Alba Vieira

.
Dois ignorantes se encontram e não tardam em se agredir.
Dois sábios se encontram e logo se abraçam.
.
.

João Bosco e Aldir Blanc: “Agnus Sei” - por Ana

 
Faces sob o sol, os olhos na cruz.
Os heróis do bem prosseguem na brisa da manhã.
Vão levar ao reino dos minaretes
A paz na ponta dos arietes,
A conversão para os infiéis.

Para trás ficou a marca da cruz,
Na fumaça negra vinda na brisa da manhã.
Ah, como é difícil tornar-se herói.
Só quem tentou sabe como dói
Vencer Satã só com orações.

Anda, que Deus tudo vê.
Anda, que Deus tudo vê.
Anda, ora, manda, mata.
Responderei: Não!

Dominus, domínio, juros além.
Todos esses anos agnus sei que sou também,
Mas, ovelha negra, me desgarrei,
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão.

Meu profano amor eu prefiro assim:
A nudez sem véus diante da Santa Inquisição.
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de Shangri-lah...
O tempo vence toda a ilusão.
.
.
.
.

Casa de Passarinho - por Leila Dohoczki

Que coisa mais perfeita
É um ninho de passarinho
Aconchega pequenas vidinhas
Entre palha e pequenos gravetos.

Quanto carinho tem num ninho
Construído com tento esmero
Sem ter nele depositado
Nenhum sentimento efêmero.

É só abrigo
É só proteção
Não há disputa
Pela melhor construção

E quando saem dos ovos os passarinhos
Seja qual for a espécie
Têm lá uma casinha
Onde a mamãe os aquece.

O ninho de passarinho é perfeito
Porque são perfeitas as razões
Que conduziram à sua construção
Eles são feitos só para abrigar
Os pequenos desprotegidos
Enquanto não sabem voar.

O ninho do passarinho
É só uma porta para o mundo,
A imensidão do céu
É que é o seu lar!
.
.
.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Noite - por Marília Abduani

Flores altas
velam o luar
e as noites longas
como a vida.
Coados os sonhos,
restam os belos.
Os assassinados pelo desejo,
esses dormem
em noturna paciência.
A noite é veloz
e voraz.
Ficam as lembranças do que fomos
na construção do nosso dia.
Âncoras nos seguram,
bússolas
governam o nosso destino.
Lembranças são pombas voando
pelas campinas,
vão e vêm, vêm e vão.
Quando cessa a noite,
constelações se despedem,
nuvens se organizam,
claras e fluidas.
E a vida continua.
.
.
.

Hermógenes e os Condutores do Mundo - Citado por Alba Vieira

.
Os condutores de que o mundo precisa raramente aparecem. Surgem como estrelinhas faiscantes, mas em geral ficam anônimos, quando não perseguidos, anulados, esmagados pela mediocridade dominante.
Alguns desses raros seres nem sequer saem da humildade em que nasceram.
O mundo não os entende. E muito menos lhes atende.
O mundo prefere continuar seu viver sofrido, entre choques de doutrinas, nacionalismos adversários, facciosismos conflitantes, impérios que crescem esmagando e fazendo injustiça, instalando a exploração, despertando ódios, derramando sangue... E tudo em proveito de mentirosas e efêmeras hegemonias.
Os gênios que poderiam conduzir o mundo à Paz continuam estrelinhas anônimas, ignoradas, isoladas, inacessíveis.
São estrelinhas num rasgo de céu em noite tempestuosa pejada de negros nimbos da violência e da ignorância.
Quando teremos nós, os homens, um céu todo estrelado?
.
.

Sofístico (ou da Crise Criativa) - por Leandro M. de Oliveira

.
.
.
.
.
O que é escrever senão fingir? Dissimular o ego, pregar ideais por nós nunca acreditados, ou quem sabe, ser subversivo, criar mil teses anarquistas e ainda assim engraxar os sapatos de manhã e escovar os dentes à noite. Escrever é transfigurar-se, é ter na matéria ordinária a quintessência de todas as pedras filosofais. Ser abduzido pela alma do mundo, psicografá-la, como um amante sexualiza seu primeiro amor, se perder na acolhida, deixar-se consumir pela cal. Escrever é deveras fingir! Fingir copiosamente a dor quer nunca habitou, esquecer a razão entre lembranças, cabelos e dentes. É dar parte ao furacão fazendo sombra à paragem mais densa, é reclamar liberdade ansiando pelos mil grilhões que unem a teia de existir.

A vida é curta. A alegria cotidiana é pífia. E o “escrevedor” que disso nada entende, segue em peregrinação santa por rotas ordinárias. Onde está o Graal? Na minha cabeça ou no meio das pernas dela? Ademais que é cabeça ou perna, ou sangue ou sonho, tudo mitificado está, pela dicotomia do não-ser sendo. No redondo escuro da hora, carregar o fardo é papel daquele que hesita. Ainda que tenha hesitado da maneira mais meticulosa possível, ninguém engana a vida. Quero rasgar o chão com as mãos nuas, quero rasgar pescoços com meus dentes à amostra. Tudo é hipótese. Essa terra imunda não conserva mais diamantes.

Partir ficando, ficar partindo, a palavra cuida, acaricia, sodomiza, espanca. A palavra beija e cospe, na cara uma verdade antiga muda mentira nova. Escrever é perder a razão pra nunca mais, e por fim quando lá nada houver ser, restituído de tudo, e outra vez perder, e outra vez ganhar. Eternamente farto, eternamente miserável. O profeta maldito segue porque escrever é uma maldição que a auto-piedade transformou em bênção. Não sei porque os bebês têm refluxo, não sei porque o homem mata a si mesmo. Tudo lisérgico, suavemente insuportável. É o mundo... Ser abortado da consciência em nome do espírito coletivo, uma mentira que deu certo, ou não. Assim, aquele que cria meios na individualidade o faz para ser múltiplo, para repartir entre as bestas, membros, tronco, cabeça e coração. Escrever é deixar-se à cova dos leões. Hoje quis me doar, todavia acordei com a disposição ao martírio em baixa...
.
.
.

Bicho da Seda - por Leila Dohoczki

O bicho da seda
É muito esperto
Desde novinho
Aprende a fazer
Sua própria coberta.

Tece fios de seda
Macios e brilhantes
Envolvendo todo o casulo
Que fica fofinho
E muito aconchegante.

Ele está se preparando
Para sua aparição triunfante
Três semanas é o que precisa
Para ser borboleta
De asas brancas, radiantes.

O casulo
Obra do pequeno artesão
Vira fio, vira tecido
Nas mãos do tecelão.

É assim na natureza
Cada um tem uma função
Umas coisas nascemos sabendo
Outras, precisam de lição.
.
.
.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Tema do Mês de Janeiro: Fronteiras

.
.
Caríssimos amigos:
.
.
Hoje foram publicados os textos referentes ao tema do mês de janeiro: “Fronteiras”
(segundo colocado na enquete de novembro).
.
.
.
.
Participaram:
.
.
Aaron Caronte Badiz
.
.
.
Ana (2)
.
.
Dália Negra
.
DEP
.
.
.
.
Lélia
.
Nan
.
.
Soraya Rocha
.
.
.
.
.
.
Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
.
.
Um grande abraço!
.
.

Amor sem Fronteiras - por Aaron Caronte Badiz

Meu amor:
.
Hoje venho lhe dizer que por todo o tempo que convivemos eu me senti um com você. Somos um casal com nossas diferenças pessoais, com nossas formas individuais, tão distintos um do outro... Mas ao mesmo tempo somos um mundo à parte de todos, um mundo harmônico, das mesmas palavras, das mesmas ideias, do mesmo pensar.
Somos um, meu amor, somos um só. E nós, dentro destas fronteiras que nos separam do que há lá fora, não temos nenhuma fronteira entre nós. E por isso eu te agradeço hoje e sempre.
.
.....Com carinho,
..................Aaron
.
.

Fronteiras da Alma - por Adriana Nunes e Nan

.
.
Foto: R. Conther
.
.
.
Fronteiras... É difícil cruzar fronteiras?
Demorada, árdua e temível travessia?
Fronteiras íntimas... Fronteiras do autodescobrimento...
Prisões sem paredes... Escalas da alma... Ilha do Individualismo...
Essas, se não são as mais difíceis, são da mais gratificantes de serem alcançadas...
Buscar valores soterrados no seu íntimo. Encontrar-se com a vida. Agigantar-se e humanizar-se... Olhar o mundo não mais com lâminas baças de vidro que distorcem a realidade...
Todo ser humano precisa cessar a correria alucinada para lugar nenhum, minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor...
Identificar as necessidades da sua realidade emocional, das aspirações legítimas, as reações diante das ocorrências do meio...
A busca de si mesmo, para a liberação de conflitos, amadurecimento psicológico, afirmação da personalidade, resulta de uma consciente disposição para meditar...
Livre, que se domina e se conquista, esse sim é o ser que se ultrapassa...
O homem é pássaro cativo fadado a grandes vôos e só terá paz interior quando transpuser suas fronteiras íntimas, quando deslocar para o passado seu estado atual de vazio...
Ter ouvidos para ouvir os discursos da alma. Registrar a melodia dos próprios ritmos interiores...
Fronteiras... O amanhã será muito melhor... Usar a simplicidade do coração... Tudo o que acontece com nossos corações tem fundamentos, por isso olhe pra dentro de você e acredite que você pode e vai conseguir... Somos apenas um espaço que a vida ocupa... Responsabilidade com o meio...
Entre o certo e o errado existe o necessário...
Somos únicos e especiais, nunca tente entrar numa forma... Vai faltar ou sobrar espaço...
.
.
.
Visitem Adriana Nunes
.

Somos Todos Um - por Alba Vieira

Que fronteiras pode haver
Olhando do ponto de vista da emoção?
Quando o homem vai entender
Que fazemos parte da mesma amplidão?

O que separa é sem valor
Por que insistir na posse?
Criamos um mundo sem cor:
Viver só na matéria não traz sorte.


Se há caminhos, há espaços distintos
E, portanto, fronteiras existem
Mas se seguimos nossos instintos
Semeando amor, dissolvemos todos os limites.
.
.
.
............................Visitem Alba Vieira
.

Trilhas - por Ana

passeio a língua na tua boca
a boca na tua língua
eu te pinto de carmim
meu sangue nas tuas veias
exalo tua paixão
recolho tuas vontades
atendo os teus desejos
num mar de serenidade
eu abandono meu mundo
nas trilhas de tua pele
somos um só universo
sem fronteiras que o revelem
.

Fronteiras - por Cacá

“Eu já subi demais
Eu já desci demais
Eu já fiz coisas que um jipe não faz”
(Cantiga entoada em minha cidade na época de menino.
Autor desconhecido)
.
.
.
Quando menino eu precisava sempre subir um morro, seja para matar a curiosidade, seja para simplesmente atingir o outro lado das montanhas da minha cidade indo para a escola. Era a minha fronteira. As montanhas de Minas sempre foram as minhas fronteiras geográficas. Lá de cima é que a gente tomava conhecimento que o horizonte era um infinito de possibilidades.

Quando conheci o mar eu não gostava de voltar para casa. Ficava olhando lá naquele lugar onde criança achava que ele faz a curva e entorna. Acho que não é só do espaço que dá para perceber a forma arredondada da terra; no mar também, pois era nítida a minha sensação de que lá naquele local onde a vista alcançava o fim do horizonte, o mar entornava. Imaginava que ali ninguém podia chegar, sob o risco de cair num buraco que representava o fim do mundo físico. Eram estas tão somente as minhas fronteiras.

Depois a gente cresce e o significado de fronteiras passa a ser mais ameaçador do que montanhas e águas derramadas no redondo fim do mundo. Até porque, limites a gente passa a conhecer pouco a pouco. Durante a fase de crescimento, são os pais dizendo que isso pode e aquilo não pode; é a escola com seus ensinamentos de sociabilidade, por si mesmos repletos de limites. Para os que possuem alguma religião, é ela, talvez, a que impõe mais fronteiras, através da intimidação psicológica, o que limita mais a gente, se não conseguimos separar a fé no divino da subserviência cega a preceitos e cânones. Tem depois o patrão que, puxa vida, vai colocar limites assim, lá não sei onde... Mesmo para quem cria a possibilidade de não depender dele, enfrenta limites na concorrência como empreendedor ou autônomo.

Aprendemos a respeitar um tanto de coisas importantes outras nem tanto. Mas os limites aprendidos têm também a função de fornecer discernimento e ajudar nas escolhas futuras.

Certo é que não vejo possibilidade de vivermos a não ser cercados; numa liberdade que tem no seu próprio conceito social amarras com nós indestrutíveis e outros que são apenas laços que podemos afrouxar às vezes em busca de mais liberdade, sempre tentando minimizar o que nos é fronteiriço. E nisso entra o pensamento, a única liberdade da qual podemos gozar sem nenhuma fronteira.
.
.
.
Visitem Cacá
.

Véus - por Dália Negra

.

.
.
.
Invisível véu dos meus sonhos
.Que transforma o mundo em algo bom.
..Estranho véu, a minha vida,
...Que me foi dada como dom.
...Parco véu, a esperança,
..Que não me cobre o necessário.
..Véus que uso como fronteiras
.Neste mundo temerário.
.
.
.
.
.
.

Elástico Frouxo - (Anônimo)

Ter de volta minhas fronteiras
Com adjacentes que eu escolha
Tudo limpo, sem sujeiras
Um jardim, flores que eu colha...

Onde estão os meus limites?
Onde foi que se perderam?
Eu tenho alguns palpites
Foi crueldade, me prenderam...

É demais, é de alargar
essas invasões de espaço
Não vou mais me esforçar
desfaço de vez este laço.

Mas mando embora o encosto
Ainda me resta seu rebento
Que até aqui me deu desgosto
Desse encontro me arrependo.

Não quero mais hoje ser forte,
com desprezo vejo a esperança
quero algo que de uma vez corte
e não reste nem lembrança.

Com cheiro, gosto na boca
Que me lembra naftalina.
Coisa velha, seca e oca
Espanta qualquer menina.

É triste demais pra mim
pois não o deixa com opção
Será mesmo este meu fim?
Ter gastrite por seu bafão?

Talvez se pervertido não fosse,
e incesto socialmente admitido...
A solução o passado já trouxe:
Jocasta e Édipo, eles, casal travestido.

E eu reencontrava a fronteira
que esse trauma me tirou.
E enfim se esgota a bobeira
Que de surtar me livrou.
.

Fronteiras - por Esther Rogessi

.
.
.
.
Esse é um tema bastante abrangente. Podemos dar asas à imaginação... O sentido etimológico da palavra define-a por ponto determinante de um ‘limite’. É a pedra, o ponto, onde sabemos começar e/ou terminar uma área, quer seja em terra, mar ou ar. Objetiva os nossos direitos, trazendo para cada um de nós a conscientização de que não somos únicos e não estamos sós no planeta. Ele não gira exclusivamente e nem isoladamente para um ou alguns, porém para todos.
Ela é precisa, determinante! No entanto, é também... ponto de unificação. Temos que acatar a verdade concreta – demarcada por uma pedra, cerca, muralha etc., visível e silente, até o momento de sua ultrapassagem sem aviso prévio e a sua devida licença –, de que o nosso direito termina onde começa o do próximo...
Em se tratando, de forma pertinente, sobre ‘Literatura Virtual’..., façamos uma analogia sobre a temática em questão: ‘Fronteiras...!’ Verdade é que se fala muito sobre liberdade de expressão escrita e questionamentos outros, pertinentes ao já exposto. Poetas, escritores e aspirantes desejam a liberdade de se expressar sem que venham ser constrangidos pela imaturidade e até distúrbios psíquicos de tantos quantos se dizem escritores e poetas, mas não se dispõem a aceitarem idéias, ideologias e/ou posicionamentos, sobre temáticas múltiplas, contrárias às suas... crendo estar sendo ofendidos, ao identificarem-se com as tais. Em se tratando de escritos religiosos... É com pesar que observo e concluo o fato de que o Senhor Jesus continua sendo crucificado a cada dia. Mesmo após dois mil anos. Pois todas as religiões, todos os credos, ou falta deles, quando expressos literalmente, são respeitados e/ou pouco discutidos, questionados, enquanto que, quando se expõem verdades bíblicas – quer cristãs católicas ou evangélicas, o Deus é o mesmo –, surgem inquietações, discordâncias e até mesmo falta de respeito pelos escritos expostos – ultrapassagem de fronteiras, limites! –, o dever universal do reconhecimento da individualidade do ser humano, sobre suas ideologias e/ou fé. O macumbeiro se expressa e ninguém vai de encontro às suas crenças, o espírita, o budista, o satanista... idem! Porém, ao escrevermos sobre passagens bíblicas... Logo, alguém se pronuncia dizendo: “cada um tem o direito de exercer a sua fé!” O mais espantoso é que estes não se apercebem de que esta frase denota perseguição, opressão e discriminação por parte de quem se acha discriminado! Como se pode entender...?
Cristo continua e será sempre O CRISTO!
.
.
.

Fronteiras - por Kbçapoeta

.
.
Alguém verá acontecer.
Será o belo dia
Que não haverá propriedades,
Não existirão cercas ou arames farpados.
Todos poderão andar do sertão brasileiro
Até as geleiras internacionais,
Não encontrarão dentes cerrados nas fronteiras.
Não haverá fronteiras, cancelas ou portão.
Compreenderão que a terra é a mesma,
Somos todos irmãos.
Será abolido o interesse escuso
Que fabricou carimbos
E a estupidez,
Que nos separou em fronteiras.
.
.

.Visitem Kbçapoeta............
.
.
.

Fronteiras - por Leila Dohoczki

Frias e tênues linhas por sobre o mapa
Dividem o mundo em tantas partes diferentes
Marcando o espaço de todo ser vivente
Separam chãos, separam gente.
Que na busca incessante de liberdade
Prendem-se entre quatro paredes
Vivem até que seu tempo ultrapasse
Os limites da vida, a morte.

Ai, gente sem sorte!

Choram guerras e fome
A doença sem cura,
A vida tão dura
Que o próprio homem criou
Nas diferenças impostas
Por seu desejo de posse
Nada dividem que possa
Ser de todos, consorte
O saber guardado
A verdade fracionada
Que não cura, não responde, não salva,
A existência num barco à deriva,
Gente que teme o naufrágio e espera salvação.

Temem a morte, mas separam vidas
Querem a sorte, praticam o azar
Têm em todos os limites a origem
No triste limite em amar...

Pobres detentos!

Prisioneiros de si, nos limites do próprio pensamento
Que em ilusório sentimento de glória e de poder
Vivem assim, na mais limitada experiência do ser
Entre dores, falsos sorrisos e amores
Nas duras penas da luta em ter sem possuir...
Olham por entre as grades de momentos lúcidos
A vida sem fronteiras, um novo amanhecer, mas temem!
E continuam presos em si.

Incapazes de atravessar a fronteira entre o ser e o existir...
.
.
.................................................................Visitem Leila Dohoczki
.
.

As Fronteiras - por Lélia

.

Entre todas as pessoas há fronteiras. Às vezes elas são nítidas, às vezes não. Algumas pessoas deixam bem claro que não há como chegar até elas e que você deve manter distância, outras agem como se suas fronteiras não existissem. Mas não há forma melhor de ultrapassar as fronteiras humanas possíveis do que através de um caloroso e amigo abraço.
.
.