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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Esperança - por Marília Abduani

Um fiapo de luz
atravessa a cortina
e entra,
sorrateiramente,até onde eu estou.
Toca, toca, levemente,
ilumina todo o espaço.
E eu fico assim, cintilante,
até que rompa o instante
e eu a carregue em meus braços.


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Ave Maria no Útero - por Manassés Diego

................Nosso sonho custou.
Me fará conhecer teu asilo

Onde uma grande floresta de peitos foi derrubada
Onde
Encontrei nossos frêmitos

Deixe minha criança te pegar
Aquela criança fechada

A roda do tempo
E um delírio

não tenha pressa com a luz –

Utilize esses nomes
Esses desvarios

Onde uma grande criança...

Tenho o verdadeiro mundo de uma paisagem
tomado.
Inocentemente

Sais foram
Milagrados

Selvagens, eu também não posso aguentar
Isso por muito tempo

Que reza!

Que tortura seria

Mas eu prometo escapar
Não, não desastradamente

Mas: francamente

Como alguém que merece

Foi mesmo coincidência
Ter te amado

Teus pensamentos
Tragam momentos
preciosos
os meus,
os meus

Calidezes aparecerão

E não podes me oferecer escapada


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domingo, 22 de novembro de 2009

Consciência - por Alba Vieira

Estou só nesta masmorra.
Tudo é cinza, frio e sem vida.
Não encontro nada que me toque.
Minha emoção está congelada.
Espero o fluir das horas até a libertação.
Meu corpo cheio de vida reage e sofre.
Impossível negar a vida, unicamente porque assim deve ser.
Tento, desesperadamente, escapar dessa opressão.
Meus ouvidos tapam e zunem para não ouvir.
Meu corpo se arma e não permite a circulação de energia.
Preciso me proteger de mim mesma.
É necessário paralisar as reações.
Nesse momento, elas me são prejudiciais.
Devo boiar no lago como folha seca caída.
Levada pela brisa, eu vou certamente para um lugar melhor.
Prevejo as mudanças.
Nessa manhã, enquanto vinha para a prisão,
Soprava um vento de transformação.
Estou amparada pelos seres de luz.

Não posso me identificar com a escória.
Macieiras só podem oferecer maçãs...



Visitem Alba Vieira
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Amor Tímido - por Flavio Braga

Eu te amo baixinho como um sussurro
Mas um tanto assim que o mundo
Não seria suficiente para abrigar tanto amor.

Eu te amo guardado a chaves e cadeados
Quebrados; todos sabem que ando mais desligado
E distraído como de costume.

De cabeça baixa e pensativo te escrevo um poema
Imaginando um amor digno de cinema
Mas preso à triste realidade
- cinema americano faz mal à saúde!
(mas a vida é um azedume)

Quando procuro sua mão é uma batalha vencida
contra a timidez, maldita proteção que me fez
não fazer tanta coisa que devia
e fazer outras tantas que não podia

Eu te amo humilde e ruborizado
Mas nada que um coração tímido e apaixonado
Possa aguentar, e até esperar
Pelas reviravoltas nas voltas que o amor nos dá

Mas tudo bem na minha, sem confusão.



Visitem Flavio Braga
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sábado, 21 de novembro de 2009

Distância - por Poty

Que o sussurrar do vento te leve um beijo carinhoso e eterno e me deixe em seus pensamentos para que a distância não apague de ti minha existência.
Não deixarei apagar. Os ventos sopram no quadrante - entre o sul e o norte, de leste a oeste - e carregam-me até ti. A distância é física de corpo presente, mas a gente sente com a mente esvoaçante voando sem fim.



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Ele Manda e Você Obedece! (Parte 2) - por Yuri

Ele (destino) manda e você obedece!

Mas mesmo aquelas promessas todas sendo bem quentes, foi difícil. Está sendo difícil! E muito!
Mas eu tentei e fui eu mesmo e dei o melhor de mim... Está sendo longo...
Nesse mundo não há ninguém melhor em que eu possa acreditar e voar junto?
Eu via só você, mas sei que hoje é tudo muito diferente, eu estou decolando sem você.
Apenas eu. Apenas eu. Decolando sem você.
Hoje mesmo se você vier me querendo eu não o quero mais.
Não depende do seu toque e sim de que futuro irei ter.
Os grandes caminhões não aguentam por tanto tempo.
Eu não gosto do gosto amargo de rum e não quero ser reflexo do seu amor.
Sou como um vidro que pode se quebrar fácil e depois, mesmo o tempo unindo-o de novo, restarão as cicatrizes...
As rachaduras de cada amor ficaram, para sua lembrança que finjirá não se lembrar para não fixar a ideia novamente das rachaduras passadas. É... É bem complicado, eu sei.
Mas a ordem do destino é seguir. Mesmo que você termine só, você o obedeceu, você tentou, teve esperanças, porque a esperança pode ser aquela que te mostre a saída outra vez... E é melhor pensar assim. E não deixá-la morrer.
Não quero ganhar o troféu do que já foi mais importante pra você, pois eu não consegui cruzar a montanha e alcançar ao seu amor.
Nada mais me importa!
Eu tentei com muita fé e luz, mas o meu melhor não te tocou. E agora é tarde, já anoiteceu pra nós dois e eu já tenho que ir.
Eu sei que foi grande e bastante intenso, mas não me lembre do que você não quis continuar.
Quer que eu chore por você novamente? Pode apostar que eu tentarei não seguir sua vontade, porque o que vale é que você tanha tentado subir a montanha mesmo que não tenha alcançado o outro lado.
Pelo menos eu tomei bastante tempo de sua atenção, mas eu não posso sair do tênis alto, não posso me desvalorizar voltando a você.
Mas o que há? Não é disso que se trata. Eu não vou voltar, baby! É melhor se acostumar que nem tudo é mais como você quer…
Não sou mais magnésio e você meu imã. Não somos mais prometidos como amigos ou amantes.
Espero que esse encanto acabe rápido! Porque eu não aguento mais sofrer como fã do seu amor forçado a isso.
É você sabe que está tudo tentando se juntar, e você quer vir com suas flechas novamente?
Eu não queria ser obrigado a começar meu show novamente. Eu não quero te explicar tudo de novo, me fazendo de sexy pra você tentar me ouvir melhor ou ler apenas meus lábios; vou fazer o melhor da minha vida: não te seguir!
Mesmo que seja em coração, o freio já gastou o bastante e não quero comprar outro, está na hora de não frear, de não acelerar de não entrar mais em nada disso.
Não existem amigos de infância, amigos de banda de rock, não existe dia feliz.
Mas tentarei, com ajudas alheias, sorrir, me livrar desse luxo sereno que você levou de mim quando se foi, sem piedade, tornando minha vida não a das melhores.
Não tentarei ir à orquestra para tentar tornar meus ouvidos mais aliviados, não irei esquecer fácil, fácil. Mas eu não sou mais um idiota. Não cairei mais na tua.
Mas pode ter certeza que tentarei não ouvir a grande parte de meu coração que reclama de sua grande ausência (de sua grande falta).
Mas agora é hora de voar. E obedecer ao destino. Não! Não! Eu nunca disse que iria ser fácil, ok?!


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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Perecível - por Kbçapoeta

Nem tudo é para se dizer nesse mundo,
Existem coisas que devem permanecer ocultas.
Caminho adentrando vertigens de nostalgias
Como se percorresse
O caminho de minha morte anunciada.
Como se fosse entrar em um estado de
Absoluto esquecimento.
Não existe morte!
Existe esquecimento.
Que são os versos,
Se não passagens do esquecimento?
O vento passa e arrasta as lembranças
Como os rastros das estradas.
Procuro o não-lugar,
Longe do segredo que oculta
A graça da recordação.
Quando se morre,
Começa o esquecimento.
Esqueço de quem fui.
Esquecem o que fiz.
Esqueço de quem fez.
Comungo com os sais minerais
Em um nivarna microscópico,
Entornando o húmus
Que ira alimentar a vida
Dos que ficam.
Aqueles que não lembro mais.



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Sensatez - por Alba Vieira

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Sou sozinha, sou sensata.
Todos sabem: sou feliz.
É que estou apaixonada por mim mesma.
Do engodo do amor escapei por um triz.



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A Ostra e a Pérola - por Leandro M. de Oliveira

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Não se farte comendo outras pessoas, não as mutile pela necessidade de mutilar, esse é para o ser um crime sem perdão. Tal prática degrada a individualidade, nega tudo quanto há de augusto e belo na vida. Derrota o homem livre em sua expressão maiúscula. É preciso caminhar até ferir os pés, moldar a argila até que as mãos sangrem. O homem superior tem como seu Graal a senda do não querer, ele concede trégua à futilidade da vida média, da escravidão da vontade. Quer se desvenciliar dos fetiches primários, anseia ser livre para o que vem depois. Com efeito, a humanidade do futuro vai além, requer mais coragem e menos daquilo que nos deixou a todos ultrapassados. Porque assim caminhamos, perdidos no próprio tempo. A assim dita necessidade do outro, não é mais que um labirinto de clamores onde se perde o EU. Andei sobre a terra, vivi entre homens. Deles nada me foi mostrado além fraqueza e pensamento degenerado. No mundo exterior não a há espaço para mendicância emotiva, só uma lei prevalece, aquela que é a todos os animais irrevogável, a soberania do mais forte. Esses são tempos primitivos, selvagens nada sabem de cordialidade. É preciso treinar o corpo, aprender a resistir. Deixar a alma congelar ao sabor dos ventos, vê-la uivar com o fim dos ciclos. Rosnar é necessário, alto e forte até que todos os abutres e chacais tomem distância. Com o tempo as intempéries da natureza soarão como uma carícia ao longo da pele. E você será imune, outra vez gigante, outra vez Titã.

Compreender a beleza não é simples como dormir à noite ou copular em horas impróprias, se assim fosse os asnos seriam dramaturgos de renome e as gralhas, divas da ópera. Tem-se que se dar por inteiro, exaurir-se, afastar-se, submergir ao fundo do mar no ponto extremo onde só existe aquela ostra embrutecida e com ela obcecar-se. Perder as carnes dos dedos, dilacerar com os dentes, romper às cabeçadas, deve-se provocar a abertura custe o que custar. E quando estiver gasto, entregue e derrotado, do interior desse receptáculo hostil vai ver surgir a perfeição na redondilha sem verso de uma pérola virgem. Você é a ostra, agarre a pérola, ela esteve aí dentro o tempo todo. Mas antes de abrir a porta é preciso se livrar dos cadáveres, daqueles já frios vindos de um passado que pra sempre jaz imutável e dos outros, produtos da crença no impossível futuro, as crianças sem ovário, os bebês de alma anincéfala. Escravos dão a luz a outros escravos, liberte-se antes de acontecer. Você conseguiria por um minuto deixar de ser um animal de carga? Nada te impede de tentar. A esquizofrenia deve ser suplantada em nome de algo mais são, Chronos não se apieda de quem hesita, sua marcha é veloz.

O homem novo, o gigante gerado pelo anão, que se rebela e encontra na rebeldia um algo maior. Ele nada possui, vai serpenteando à casa celeste e lá chegando ultrapassa-a, mais alto que o céu, mais baixo que o inferno. E assim sendo é o todo e ao mesmo tempo o nada, eternamente vazio, pra se preencher do que vier, onipresente. O que for de urgência, as circunstâncias proverão, a vida cuidará pra que se realize. Por hora basta estar atento ao fluxo interior, não ao passo cambaleante das ovelhas ou de qualquer outra das miseráveis manadas. Vocês mataram Deus e agora querem que eu pague para que o mantenham vivo. Vocês transformaram o que havia de nobre, converteram em favores de pecúnia, vocês e suas malditas tabelas de preço. Sempre a pisotear o campo quando esta prestes a florir, sempre a urinar nas fontes quando a água ainda é límpida. Solte fogos no velório, chore nos bacanais da “moralidade”. Constatar que essa vida é uma causa perdida pode não ser o melhor juízo pra começar o dia mas, com alguma boa vontade pode ser a raiz pedagógica de aprender um algo inédito. A transformação não permite escudeiros, é uma busca singular. Dessa vez tente com as próprias pernas. Sem cadáveres nas costas, sem rédeas na boca, só o caminho importa. Se te parece belo, torpe, colorido, cinza ou vil. Tudo o que acrescer de ti é incidental, frívolo e dispensável. O caminho tem desígnios próprios, ele é a opção dos que já não buscam mais mentir a si mesmos.
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Ele Manda e Você Obedece! - por Yuri

Ele (destino) manda e você obedece!Quando você pensa que já está tudo bem, que tudo se resolveu, que não precisa mais de nenhuma palavra, nada a falar, que você só tem de atender o destino: seguindo...
É aí que tudo se complica. E é ai que você se engana.
Nada está salvo.
Ela chega e resgata o pisado passado amor.
É tudo tão incerto. Você já é hoje mais maduro, e todos sabem disso!
Ela chega com aquele jeitinho de sempre, encantador.
Olhar de fora tudo parece ser tão fácil!: Ah... se quebrar conserta! Se começar o incêndio joga água depois...
Mas acontece que é tão fácil falar do coração alheio se você nunca chegou perto de sentir aquilo.
Se você nunca chegou perto de tocar aquilo... de sentir o fôlego acabando em seus ouvidos... da pessoa que você mais ama.
De fora tudo parece ser tão fácil, mas eu sei, você sabe que não está tudo ok, que está tudo bem quebrado por aqui. E eu não acho isso legal! Pode apostar?!
Eu acreditei como nunca havia acreditado e você me tratou como seu garotinho, “sua cria”, como disse uma vez.
Mas os menores também chegam a ter sentimentos, e eles chegam a sonhar como um dia houve algo, e eles também se cortam por dentro.
Tentam ir com suas próprias asas, mas acontece que sempre há as mãos sujas para cortá-las no meio da decolagem...
E não há nenhuma massagem pra amenizar a dor e deixar tudo bem mais tranquilo por aqui, não há nenhuma maquiagem fixa que possa disfarçar o quanto tudo está quebrado por aqui.
Eu pensei que era tão fácil tentar ouvir, agarrar e conseguir seu coração.
Mas eu não me dei bem no verdadeiro jogo do amor.
Antes de você achar que tudo poderia acontecer, que você sentia falta do que nunca houve em sua vida... então é bem pior quando você já passou por aquilo, daí você sente a real falta, e pode apostar que essa dói bem mais.
E eu não quero passar por essa história 2.0, eu quero ficar longe, cair fora desta vez!
E eu antes pensando que era tudo tão fácil, como fui tolo! mas eu tentei.
Foi tão confuso! Complicado! Mas eu tentei. Eu amei. E os pedaços não se juntaram ainda...
A poeira do tempo ajuda bastante a uni-los de volta.
Quando sua cabeça tenta se ver livre, onde você não pode controlá-la ela sonha livre.
E eu pensando que era você que eu iria apresentar para toda aquela gente. Que iria ser como um filme, de melhores amigos que se tornaram grandes amantes...
Foi tudo tão feliz, vivendo-o, esperando, aquela expectativa, o friozinho na barriga, aquela arrepiada quando ela se aproxima. rs
Mas você sabe que não resta nenhuma amizade, nem um filme, nem melhores amigos, eu não consigo mentir quando estou ao seu lado.
E você sabe que não estamos felizes separados, estamos tentando, empurrando nossas vidas e deitando e pensando um no outro no mesmo instante como deveria ser, o filme, os melhores amigos que se transformam em grandes amantes e querem gritar que se amam, ficamos apenas imaginando como seriam nossos planos, um dia feitos e largados ao vendo que hoje parece ser tão pendente.
Você lembra bem como eu sou, meu jeito, meu nome, minha imagem, meu sorriso, meu olhar, o contorno de meus lábios e meus gostos...
E sei que você sente falta disso tudo! E eu também sinto dos seus e tento me enganar, mas eu não consigo mais mentir.
Quando ouço aquelas músicas fico tão conectado a você, na verdade sempre estás em meus pensamentos.
Mas eu sei que você sente minha falta e é tão ruim eu não poder cantar a vitória, porque ela simplesmente não existe, como vocês podem ver.
Olhe pra mim e me diga: o que vê de errado? O que ele tem que não tenho? - já me pergunto.
Olhe pra mim agora e se decida, e se você o preferir, quero que sejam felizes, mas que esqueça de mim.
E olhe pra mim novamente e veja o que estás perdendo.
Eu não quero voltar a sua casa para tentar consertar as coisas, deixarei que você me procure quando organizar suas ideias.Eu morro de vontade e sei que você também, mas a mistura do passado que você não deixa morrer dentro de você... isso nos desune.
Eu gravei sua face e você a minha, como as mais finas vistas um pelo outro. Eu sou seu anjo! Deixa-me te guardar em meus braços, em minha proteção, deixa-me ir contigo, te levar comigo, sem sua mistura passada! Ela já venceu. Pode apostar?! Mas isso só você tem de sentir. Eu não posso te fazer enxergar com meus olhos, até porque você seria o rei da selva!
Não quero me esquecer do luxo de seus braços, aquele cheiro tão doce. Você foi o primeiro no mundo a conseguir retirar minha alma de mim com um só olhar. E hoje você me obriga a voar. As pessoas sabem que tudo é confuso e que eu não o farei...
Mas você se obriga a ficar quando as portas estão trancadas com grandes cadeados fortes e você se obriga a sair quando te enxotam com a vassoura e a porta está arreganhada dizendo: venha!
E sou eu que tenho de voar agora.



Visitem Yuri
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

(Des)reforma - por Gio

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O povo brasileiro é criativo, tenho que admitir. E também adora dar seu jeitinho para certas coisas. Agora, combine os dois e temos a criatividade em nome da preguiça. E a última do brasileiro é inventar cláusulas novas para a Reforma Ortográfica (que, pra começar, não começa com “h”).

Tudo bem (1), eu sou pedante, chato até, quando se trata de Língua Portuguesa. Mas a gente percebe claramente quando a pessoa não sabe, e quando a pessoa não quer saber. E agora as pessoas esperam que esse acordo tenha tornado certo o que antes elas escreviam errado – ou ao menos querem convencer os outros disso.

Tudo bem (2), é o segundo texto a respeito da reforma que eu escrevo, sem contar o conto (“contar o conto”, gostei dessa). Mas esse é interessante, e sua intenção é justamente a oposta do outro: pessoas, estou aqui para informar solenemente o que não mudou na nossa amada Língua Portuguesa.

Em primeiro lugar, a crase não sumiu. Não, ela não é um acento diferencial. Acento diferencial é “pôr”, “pólo”, “pêra”, “péra”... E não, ela não é chata. A crase é que te poupa de escrever coisas bizarras como “Vou aa praia hoje”, já que o feminino de “ao” é a construção mais grotesca que um ser humano poderia fazer. Então, parem de complicar com o pobre do acento grave (sim, ele tem nome próprio, não se chama “crase”), já que ele nos poupa do ridículo.

Depois, a regra dos “r” e “s” dobrados são válidas só para palavras com prefixos, e não pra juntar palavras antigamente separadas. Não existe “derrepente”, e muito menos “dessopetão”. Ah, e certamente não existe “concerteza”. Também não vi nenhum caso de palavra se separar: “com tigo” e “por tanto” não existem, pelo menos até segunda ordem.

Não houve nenhuma alteração quanto ao uso do “x” e do “ch”. “Xingar” é com “x”, “chamar de veado*” é com “ch”. “Mexer” e “chave” ainda não dá tanto problema (exceto quando são usados na construção “mexer na chave do carro do seu pai”), já que a palavra do jeito errado não existe. Já pra “bicho” e “bixo”, a coisa complica... Ok, a intenção é essa mesma, só estou tentando ser politicamente correto!

Infelizmente, para os fãs da pressa, o internetês ainda não é dialeto oficial. Ainda não se pode usar “vc”, “tb” “vdd” e “bjs” na redação do vestibular – e muito menos “vtnc” pra reclamar disso. Emoticons continuam não sendo palavras, e também não deveriam constar nos finais de frase. Finalmente, o tiopês está mais longe ainda de ser válido: “comofas” não é junto, e muito menos com “s”; e construções como “dexcülpah” estão mais longe ainda da realidade, já que o trema – esse sim – foi abolido.

E é melhor eu parar por aqui, antes que eu acabe aprendendo a escrever errado – e pior, achando isso a coisa mais certa do mundo...

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*“Viado” com “i” é neologismo pra diferenciar do animal. Entretanto, ainda não foi dessa vez que entrou pro dicionário. Se bem que, depois que “almário” e “cu” entraram pro Aurélio, eu tô esperando qualquer coisa...
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Visitem Gio
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Perdidamente Apaixonada - por Alba Vieira

Vale das sombras,
Poço sem fundo,
Manto negro protetor.
Serão misérias, recortes de vida
Ou momentos plenos de terror?

Mas se olhados bem de perto,
Refletem simplesmente o tal do amor.



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Aedo Cibernético: De Frente pro Crime - por Cacá

.......O ônibus seguia naquela desembestada fúria que é habitual e os passageiros naquela indiferença habitual também. Ninguém mais liga a não ser em seu olhar perdido na falta de horizonte; a não ser os ouvidos no seu mp3, mp4, esses sonzinhos de espantar tédio que carregamos por aí em vez de um papo com alguém que encurte a viagem; a não ser também se houver uma batida. Aí lembram do motorista.
.......Pois foi passando exatamente em frente ao corpo de bombeiros que alguém avistou um corpo civil estendido no chão. Mais de uma voz ao mesmo tempo gritou: - Olha lá, tem um homem morto ali! O outro coro, nervoso, já vociferava com o habitual mau humor: - Essas brincadeiras de 1º de abril não pegam mais, não! Mas era de verdade. O corpo estava lá, para a habitual observação indiferente de quem passava. Tem uma ação coletiva e disputada, que não é de mentira. A de chamar o resgate. 192, 193 e está cumprida a nossa cidadania de pedra. Todos querem ser o primeiro. Mas o corpo continua lá, frio, no 1º de abril e nos outros dias da verdade dura. Com pressa, foi cada um pro seu lado.



DE FRENTE PRO CRIME
...........(João Bosco e Aldir Blanc)

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém...

O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso prá vereador...

Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana prá fazer pastel
E um bom churrasco de gato

Quatro horas da manhã baixou
O santo na porta bandeira
E a moçada resolveu parar,
E então...

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém...

Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou no time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime...

Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana prá fazer pastel
E um bom churrasco de gato

Quatro horas da manhã baixou
O santo na porta bandeira
E a moçada resolveu parar,
E então...

Tá lá o corpo estendido no chão...
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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média, que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Rosto na Água - por Leo Santos

Indisfarçável vazio,
sem máscara,
a nudez do coração;
que insiste num pulsar externo,
incapaz de evitar
tal exposição…

Um som nostálgico,
e o striptease;
peça por peça, a dor,
a solidão e a mágoa;
semblante fechado, aberto o coração,
em versos que são o rosto na água…

A ilusão faz enfermar,
e até a lascívia
suprime o amor;
por fim, a desilusão traz a cura,
perenes efeitos,
e amargo sabor…



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Lua - por Alba Vieira

Noite enluarada de amor infindo,
Casais rodopiam em olhares imantados,
Corações aflitos palpitam descompassados,
Pensamentos fugidios se esvaem de mentes sonhadoras.
Tudo se move em câmera lenta nessa atmosfera insana
Onde o sentimento domina e põe tudo a perder.



Visitem Alba Vieira
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Dúvida - por Passa-Tempo

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O que são as palavras ditas de uma boca sem ação?
Letras formando frases sem sentindo caindo num ouvido oco no chão?
Ou promessas de planos traçados em vão?
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E Nada nos Protege de uma Vida sem Sentido... - por Thiago de Sá

A discussão sobre a vida tem se tornado frequente em diversos grupos, com estilos completamente distantes uns dos outros. O fator em comum, fora a discussão sobre a vida, é a maneira de cada grupo olhar a vida. Talvez até os meus textos tenham um pouco disso ou muito, isso quem decide é você, amigo fiel que sempre passeia seu olhar em minhas palavras. Olhamos muito a vida em terceira pessoa e não em primeira. Isso provoca um profundo distanciamento entre prática e teoria, ou seja, dia após dia nos tornamos teóricos, e de teóricos o mundo já está cheio. Em todos os lugares que vamos existem pessoas preocupadas com a vida, o que de certa forma é bom, porém estão preocupadas com as vidas dos terceiros a sua volta, não estou querendo ser egoísta e que fique bem claro que também não me refiro ao desinteresse ao próximo. Quando desejamos mudar, a mudança só se torna possível se mudarmos o nosso mundo, o cotidiano nosso de cada dia. Contudo, essas minhas linhas ainda mostram uma sociedade de esforços surreais.

Caminhamos, muitas vezes, buscando o futuro do amanhã e acabamos por esquecer que o futuro se faz no segundo presente que passou. É interessante e ilusória a ideia de projeção distante e utópica que fazemos dia após dia. Inquieta-se no meu peito a preocupação com a maneira que cuidamos da humanidade. Mas não essa humanidade longínqua que se faz presente no todo do mundo. Falo da humanidade benevolente e compassiva que cabe a nós, e não essa violência aturdida que se aplica em nossas vidas. Parece-me que estamos mais próximos de uma besta interior do que os animais irracionais, que frequentemente a liberam no intuito de sobreviver. O que nos faz humanos é a forte capacidade de compreender as pessoas a nossa volta, e viver uma interação harmoniosa com o ambiente ao redor. Acho incrível como não fazemos bom uso da liberdade que temos. Somos livres e não sabemos viver com liberdade. A vida está posta em uma prateleira de um mercado de baixa categoria e ainda estamos em liquidação. Quanto mais do mundo e de nós será destruído para acordarmos? Olho em volta e me comovo com o quanto uns lutam e sangram pra serem o mais humanos possível. Contudo, sozinho não vou longe. O poeta nos ensina: “Não acomodar com o que incomoda!”.


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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Crise de Abstinência - por Fatinha

Querido Brógui:

Dez dias de abstinência. É muito tempo, muita privação.
No primeiro dia, o impulso de fazer uso. Coisa mecânica. Usa porque está lá, à mão e, já que está ali mesmo, dando sopa, porque não?
A partir do segundo dia, já caiu a ficha de que não vai ser possível contar com aquela companhia fiel, muleta total, fonte de prazer. Começa a dar saudades.
Depois, o inevitável: você percebe que rola uma relação de dependência. Você acreditava estar no controle da situação, mas não estava. Você é mero joguete nas mãos do hábito. Daí vem a sudorese, a insônia, os tremores nas mãos.
E aí, Querido Brógui? Ficou tenso? Tá nervoso achando que eu sou uma drogadita em fase de reabilitação e que você, logo você, nunca percebeu? Tá quase pegando o telefone pra me ligar e dar uma força? Já sei: vai mandar uma oração e uma receitinha infalível para aliviar o bode?
Relax, Brógui, relax. Eu estou me referindo aos dez dias em que meu computador ficou no estaleiro. Nada grave, a não ser a constatação de que tenho mais vícios (Ops! Agora o politicamente correto é falar “hábitos”) do que supunha. E você?



Postado, originalmente, em 02/08/2008.
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Visitem Fatinha
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Aconteceu - por Alba Vieira

Balanço vazio.
No parque, as pedras refletem o sol.
A tristeza espreita cada coração que por ali passa.
Entre a algazarra e o silêncio, a poça de sangue seca.



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Ana Carolina, Você Nem Liga Pra Mim - por Escrevinhadora

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Para minha comadre M.
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Você não sabe como eu vim!
Atravessei a marginal, errei a ponte Transamérica
fui parar quase em Socorro
seu eu não corro, perco o show
cheguei meio passando mal, sentei no lugar errado
e você nem me viu na plateia.

Você não sabe que pra mim
o preço do ingresso é salgado
paguei estacionamento, só bebi água – muito cara –
usei batom, pus salto alto e meu vestido mais bonito
mas fiquei muito longe do palco
só vi tua cara no telão
e você nem ouviu os meus gritos.

Você não sabe que no fim
a volta pra casa é uma viagem
uma hora e tanto de estrada
com fome, com sono, frustrada
você ganhou os aplausos, eu nem foto autografada
e você nem sabe que eu existo.

Você não sabe, mas é assim.
Ignorada, não desisto
na tua próxima temporada de novo escondida no escuro
gritando, aplaudindo, encantada
vou esquecer completamente
que você nem liga pra mim.
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