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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 1 de novembro de 2009

Hábitos de Leitura - por Alba Vieira

Encaro um livro como um mundo de possibilidades. É como se fosse um portal que me permitisse ter acesso a outros mundos, a realidades ainda não desvendadas. Há um mistério a ser descerrado ao abri-lo e ler suas páginas. É como se penetrássemos em universos paralelos. Sinto-me mesmo desdobrada se a leitura de um livro é cativante para mim. O universo retratado pelo autor se mistura à minha realidade e passo a carregar comigo, enquanto não terminar de lê-lo, aquele outro mundo. Então imagino os personagens, teço contextos, traço situações em que podem estar envolvidos, sinto a emoção que sentem e mergulho de cabeça nas suas histórias. Até que a leitura chegue ao fim.
Se o livro for muito bom, eu ainda gosto de demorar mais do que de costume, para que não acabe logo, como se fosse um doce maravilhoso que a gente fica com pena de comer até o fim e aí belisca e guarda para depois. Mas se ele for excepcional, mesmo que eu chegue ao final, ele não se desgarra, fica impregnado no meu ser, acho que embola nas minhas entranhas e passa a fazer parte de mim. Assim, desde que comecei a ler carrego comigo personagens que de tão vívidas são quase subpersonalidades hoje. E, em geral, não escolho os livros para ler, eles me elegem para conhecê-los e é interessante que já adquiri muitos livros que só fui ler anos mais tarde. E é incrível como eles se abrem para mim no momento mais propício, exatamente quando eu deveria ter aquela informação ou ser inspirada para ter determinado insight. É que os livros para mim são entidades, como os elfos e as fadas, têm uma comunicação direta, telepática com os humanos mais sensíveis e assim estabelecem esses contatos de outras esferas.
Penso que quem se apaixona por livros nunca está só, porque haverá este canal fascinante de comunicação. E é difícil entregar-se aos livros quando se está bem acompanhado, a não ser que sejam iguais neste aspecto. Eu tenho o hábito de ler e comentar o que é mais interessante com meu amor, embora quase sempre seja desnecessário, como se em outro plano a leitura fosse feita ao mesmo tempo.
Hoje, com a internet, podemos ler muitas coisas na tela e os blogs de literatura estão cada vez mais interessantes. Entretanto, o velho livro de papel, com capa dura, ricamente encadernado ou a brochura que o torna mais leve são insubstituíveis para mim. O contato direto com ele estreita os laços e fortalece a relação. Sou possessiva, só os empresto para raríssimos eleitos e gosto de dar outros exemplares dos que mais me marcam para quem amo. Também aprecio guardá-los arrumados nas estantes, numa ordem que só eu entendo, mas que faz todo sentido e tenho imenso prazer de poder olhar para eles sempre. Acho que são como os cristais que devem ficar expostos e não guardados em caixas ou em armários fechados.
Quando compro ou ganho um livro, sempre leio a capa, a contracapa, as orelhas e para alguns me dirijo logo às últimas páginas antes de começar a lê-lo. É como se quisesse consultar uma cigana ou cartomante para ler meu futuro, não sei. O fato é que livros, na minha opinião, são especiais e aqueles que o escrevem, quando verdadeiramente imbuídos do seu papel, são seres excepcionais e iluminados.



Visitem Alba Vieira
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Meus Eternos Amores - por Ana

Antes mesmo de me entender por gente eu já era apaixonada por livros.

Lembro que, aos 3 anos, folheava qualquer livro que me viesse às mãos e olhava tudo com extrema atenção, criando sentido e histórias para todas as gravuras.
Meu primeiro amor fixo foi o livro da casa que escolhi para andar comigo sempre, por ser o menorzinho: “Os Lusíadas”. E nele aprendi os números romanos.
Depois que aprendi a decifrar as letras, meu objetivo maior na vida passou a ser ler todos os livros do mundo, adquirir todos os conhecimentos que já tivessem sido impressos. Eu sonhava que vivia dentro de uma enorme biblioteca, forrada de imensas estantes e lia todos aqueles incontáveis livros, um a um, dedicada e amorosamente, a vida inteira.
Claro que, com o tempo, este meu objetivo mudou, por força de circunstâncias externas. Mas li todas as bibliotecas dos colégios em que estudei, até a faculdade.

Devo dizer que os livros de que mais gostei até hoje foram:
- “Cem Anos de Solidão” (imbatível!);
- “O Mar da Fertilidade”, quadrilogia de Yukio Mishima (espetacular!);
- “Moby Dick” (sensacional como o autor descreve a relação entre o capitão e a baleia!).

Em relação a manias de leitura, as únicas coisas que faço são ler prefácio, orelhas, citações, apresentação e tudo mais que houver antes de iniciar o corpo do livro, e ver por quantas páginas me deliciarei, pois quanto mais páginas, mais feliz eu fico. Tanto que, neste momento, ando felicíssima, pois estou lendo “O Senhor dos Anéis”, que possui mais de 1.000 páginas (ô alegria sem fim!).

Eles sempre estiveram, estão e estarão comigo, meus eternos e fiéis amores.
.Gabriel García Márquez, Herman Melville, J. R. R. Tolkien

Destino - por Cacá

Eu não acredito é no destino. Não esse propalado pelo senso comum de que não somos donos do porvir. Mas, se admitimos o conceito de certo e errado, há que se contar também com casualidades que podem ser nomeadas por sorte ou azar (infortúnio). É apenas uma opinião, não uma manifestação com pretensão de verdade.



Comentário em Sorte, de Mellon.
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Há... - por Poty

Há os que vivem
Há os que nascem
Há os que continuam vivendo
Há os que não querem nada com a vida
Há os que vivem numa boa
Há os que desistem de viver
Há os que não dão bola...
Há os que nem querem saber...
Há os sem destino/rumo
Há os que aproveitam
Há os que a tiram...
Há os que se jogam do precipício
Há os que somem
Há os que vão subitamente
Há os que nos deixam sem avisar
Há os que pelo menos dão recado
Há os que vão e não voltam mais
Há os que voltam e nem dão satisfação
Há os que permanecem
Há os que ficam para sempre
Há de tudo nesta vida



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sábado, 31 de outubro de 2009

Tema do Mês de Outubro: Sorte

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram publicados apenas os textos referentes ao Tema do Mês: “Sorte”.
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Participantes
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Aaron Caronte Badiz
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Ana (2)
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Anita Bastos (2)
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Clarice A.
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Dália Negra
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Lélia
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Passa-Tempo
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Vicenzo Raphaello
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ZzipperR
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Com Sorte - por Aaron Caronte Badiz

Poderia dizer que foi sorte ter-te encontrado
Nesta vida de duras penas da gente.
Poderia dizer que foi sorte ter esbarrado
Com você neste meu caminhar tão descontente.
Poderia dizer que foi sorte, mas estaria errado:
Porque, na realidade, foi dádiva infinita, milagroso presente.
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Maya - por Alba Vieira

Sorriso gratuito de todos
Olhares voltados em sua direção
Reino encantado, paraíso. Será logro?
Tudo acontece com perfeição...
Engana-se o bobo. Não vê que tudo é pura ilusão.



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Agonia e Insight - por Ana

Entre os cínicos impropérios do destino
Sigo buscando, agoniada, meu norte.
É difícil, com a bússola viciada
Que me deu de presente a vida, sua consorte.

Tramo formas de encontrar meu rumo...
Desbravo matas densas, escalo infindáveis sendas,
Rogo aos deuses, em choro, aos brados,
Faço promessas, deito oferendas.

Qual o sentido d’eu estar aqui?
Eu pergunto, inquieta, a toda hora,
Estudo estrelas, aprendo as ciências,
Mas é ela, a dúvida, minha eterna senhora.

Então desisto, não hei-de compreender:
Este véu espesso não há pensar que corte.
E assim, quieta, eis que me ocorre:
Caberá a mim definir a minha sorte.
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Sorte - por Ana Maria Guimarães Ferreira

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Ao falar da sorte, vem-me a mente todas as vezes que tive a sorte batendo a minha porta.
Assim quando meus filhos nasceram: sadios, lindos e amigos.
Depois quando o tempo foi passando em alguns momentos achei que ela me abandonara. Meu casamento se desfez, não ganhei na loteria...
Refletindo sobre isso vi que mais uma vez eu tive sorte. Se não tivesse me separado teria me mantido num casamento onde as ondas já tinham alcançado o tamanho de um tsunami e só eu não via... não queria acreditar e ao sair dele sai também do tsunami que eu ia entrar e com certeza a estas horas nem aqui estaria escrevendo sobre isso. Foi uma sorte eu ter avistado a onda e acreditado que ela ia crescer e que eu tinha que me afastar dela.
Se eu tivesse ganhado na loteria talvez não tivesse os amigos que tenho hoje: desinteressados, leais e sempre prontos a fornecer o ombro, a mão e o lenço...
Depois, mas depois mesmo, quando meus filhos casaram, eu queria tanto um neto para dar todo o amor que estava dentro do meu peito me sufocando e nada. Ninguém me dava um neto.
Meu filho estava casado há 7 anos e nada... Se tivesse tido um neto hoje ele teria pais separados e eu teria um neto longe e com certeza a nora nem ia deixar ele me visitar com tanta frequência...
Minha sorte veio depois: os dois filhos quase que ao mesmo tempo estavam esperando seus filhos... e um deles nasceu prematuro... Sorte? Sim, porque se ele nascesse no tempo certo eu teria que me desdobrar em duas: uma em Brasília e outra em Porto Alegre.
Assim tive Pedro, o afobadinho, que não quis esperar o tempo e terei Vinicius que esperará Pedro sair da UTI, esperará a avó ir lá e voltar para vê-lo nascer.
Quanta sorte eu tenho dois filhos maravilhosos, dois netos que certamente me darão muita alegria, uma mãe com 88 anos lúcida, amorosa e ativa, irmãos e irmãs que dão apoio e amigos que sempre têm braços me esperando quando preciso.
Realmente isso é ter sorte! Isso é ganhar na loteria...

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Sorte e Morte - por Anita Bastos

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Sempre almejada, ao contrário de sua amiga preterida.

Com todos os olhos voltados para si, não deixa que a outra seja percebida.

Apesar disso, ambas caminham de mãos dadas
e pela sorte ou pela morte todo mundo passará um dia.
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Sorte - por Cacá

Se me perguntarem como tudo começou eu não saberia explicar. Mas a gente costuma associar esse negócio de sorte, num primeiro estalo a dinheiro. Pode ser por causa da etimologia que a explica como sinônimo de fortuna; a associação ficou sendo direta. Mas a fortuna que é aquela contrária do infortúnio, que seria o azar. Se fico afirmando isso é porque não sei e desconfio de muita coisa tentando aprender. Vou questionando para ver se tenho a sorte de descobrir as coisas. Na ciência não é um pouco assim. De tanto a curiosidade ser posta à prova, o cara acaba encontrando algo. Pode ser até mesmo algo que ele não procurava. Mas se a coisa se transforma num achado, olha ele ficando famoso e ganhando um prêmio. E isso é sorte premiando pesquisa e determinação. O que eu não acredito é naquela história do cavalo arreado passar na porta da gente. Não para quem está lá dentro sentado. Aí, o cara nem vê e perde a garupa.

Quer ver? Eu conheci o Jean, ele tinha pouco mais de vinte e dois anos. Já tinha vivido, segundo ele mesmo, o equivalente a uns quarenta. Coisas que só muito dinheiro consegue fazer: multiplicar o tempo. Acelerar e desacelerar de acordo com a vontade do possuidor. Ir até onde quiser; voltar, parar, fazer andar novamente e nisso tudo não se passarem sequer dois anos de uma existência. Jean era garimpeiro lá pelas bandas do Norte de Minas, onde se bamburra* ou se vive da sieba**. O meio-termo é ir tentar outra sina em São Paulo. Umas minas pequenas, que mais parecem tocas de refúgio animal. Ele detonou uns quilos de explosivos e descobriu um veio de turmalinas azuis. Das que vi nas fotografias, tinha uma do tamanho de um gato grande e gordo. Da noite para o dia, virou uma espécie de imperador da região, reverenciado com uma veneração quase sagrada. Transformou-se num mito vivo, numa lenda materializada em riqueza de pedra. Se tivesse mais juízo financeiro teria construído um império particular. Súditos já tinha aos montes. Um séquito também. O poder que o dinheiro traz é o seu exercício, não o seu estado permanente. Eu quero dizer que quem o possui em muita quantidade o exerce automaticamente se quiser, mas não o detém eternamente. Vale enquanto durar. Portanto isso pode ser considerado como sorte. Já o saber proporciona um poder mais duradouro, pois só onde não há saberes, é que o saber é uma forma de poder. A tal da capilaridade social, política e cultural. Jean comprou carros, viajou pelo Brasil afora e foi até na Europa, fazendo-se senhor do tempo provisoriamente. Só não ouvi contar que conseguisse fazer chover no norte, sendo que o que mais quis, fez. E como em muitas histórias de garimpeiros, ele terminou com uma lojinha de pequenas jóias (o pouquinho que guardou) e andando de carona levando gente que precisava fazer trabalhos acadêmicos com garimpeiros. Para quem não sabe, não se entra em garimpos clandestinos impunemente, nem desacompanhado. E contando histórias num saudosismo que servia de ânimo aos que lá tentavam alguma sorte e aos siebanos lá de fora da mina.
Ele que buscou a glória eterna esquecendo a efemeridade que a acompanha na falta de juízo e saber, pode se dar por sortudo se essa crônica ficar muito conhecida. Estará eternizado.


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*Bamburrar: encontrar enorme quantidade de pedras preciosas numa garimpada.
**Sieba: restos de terra e minérios que são retirados e colocados de fora de uma mina (rejeito). Normalmente possuem pequenas quantidades de pedras preciosas desprezadas pelos garimpeiros que buscam a sorte grande.



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O Sobrevivente - por Clarice A.

Ano de 1945. O nazismo derrotado pelos aliados. Milhões de mortos. Cidades destruídas, fome, dor, a insanidade da guerra. Impossível descrever com palavras todo sofrimento, horror e crueldade que o homem impôs ao seu semelhante.
O Presidente dos Estados Unidos ordenou que o Japão fosse bombardeado com uma bomba que até então não havia sido utilizada em alvos civis ou militares, apenas em testes. Era a bomba atômica.
Dia 6 de agosto de 1945, Tsutomo Yamaguchi, um engenheiro de 29 anos, estava em Hiroshima numa viagem de negócios.
De uma base no Pacífico decolou em missão, um bombardeiro B-29 pilotado pelo coronel Paul Tibbets.
O coronel batizou o B-29 com o nome de Enola Gay em homenagem à sua mãe. Dois aviões o acompanhavam: The Great Artist e Necessary Evil como foram batizados por seus tripulantes. O primeiro transportava a bomba atômica, o segundo foi para gravar e vigiar a missão e o terceiro para fotografar e filmar a explosão. Às 8:45, Enola Gay abriu seu sinistro ventre metálico e deixou cair sobre Hiroshima Little Boy (apelido dado à bomba). Em segundos, milhares de pessoas morreram calcinadas, a área atingida pela bomba reduzida a pó. Destruição total num raio de 2,5km, construções, vegetação, tudo. O inferno na Terra. O calor da explosão com alcance bem maior, um calor intenso, provocou queimaduras horríveis nos que sobreviveram à explosão. Chuvas ácidas provocadas pela radioatividade, contaminação do solo e das águas, mulheres férteis gerando filhos afetados pela radiação por muitos anos. Efeito devastador, destruidor por muitos anos.
Tsutomo Yamaguchi contou que viu um brilho muito forte e a explosão subindo pelos ares, ficou cego por instantes e surdo de um dos ouvidos. Ferido e com queimaduras na parte superior do corpo medicou-se em Hiroshima, no que restou da cidade, e voltou para Nagasaki onde ouviam incrédulos os seus relatos.
Mas o horror ainda não havia acabado.
No dia 9 de agosto de 1945,o B-29 , batizado de Bockscar e pilotado pelo major Charles Sweeny, acompanhado por Great Artist dirige-se a outra cidade japonesa com a missão de levar mais morte e destruição, carrega a segunda bomba, mais potente. O alvo inicial era Kokura que estava coberta por nuvens. O major a sobrevoou algumas vezes mas como não melhoraram as condições de visibilidade rumou para o alvo secundário: Nagasaki. A cidade para onde retornara Yamaguchi. Às 11:02 o artilheiro do Bockstar fez contato visual com o alvo e Fat Man (apelido da segunda bomba) caiu sobre Nagasaki.
O holocausto japonês. Centenas de milhares de mortos, imolados nas duas explosões atômicas.
E Tsutomo Yamaguchi? Ele curou-se dos ferimentos, é um “hibakusha”, como são chamados os que sobrevivem à radiação. Foi reconhecido pelo governo de seu país como sobrevivente das duas bombas, estava dentro de um raio de 3 km dos locais onde elas caíram.
Tsutomo Yamaguchi, 93 anos em 2009. Sorte inacreditável? Foi uma obra de Deus, nas palavras do Sr. Yamaguchi. Para ele a causa de continuar vivo é para transmitir uma mensagem de paz. Bomba atômica nunca mais.
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Tsutomo Yamaguchi, o homem que sobreviveu a duas explosões atômicas.
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Reverso - por Dália Negra

Retiro do meu flanco pedaços
Para alimentar a flor da morte.
Postas vivas de uma agonia infinda
Porque, em meu cais, não há ilusão que aporte.
Dispo-me da vida, pouco a pouco,
Como um chamado desesperado à sorte.
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Crianças Infelizes/Felizes - por Dan

“A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.”
(Oscar Wilde)

“As lágrimas dos velhos são tão terríveis como as das crianças são naturais.”
(Honoré de Balzac)
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Caminhando pelas ruas da cidade de São Paulo, Pedro observa os grandes prédios, os monumentos, os cartazes, as propagandas nas lojas e sozinho sente a falta de amor. Carrega nas costas o peso do abandono. Sempre esteve sozinho e continua sozinho. Esmola, rouba, vê nas vitrines o doce que nunca comeu...
- Papai, me dá um nó na garganta ver essas crianças pedindo esmolas e fazendo malabarismo nos faróis.
- Ah, Dudu, não liga! Nós estamos bem e temos uma família.
- Para Matheus! Até pouco tempo eu estava que nem eles; sem ninguém, sem família.
- Matheus, quem é o seu melhor amigo?
- O Dudu, tia Selma.
- Você já imaginou que o Dudu podia estar neste farol, pedindo esmola?
- O quê?
- É, Matheus, você se esqueceu que eu sou adotado? Tive sorte de ir para o abrigo. Lá é um lugar triste, mas cuidaram de mim. Depois tive mais sorte de ser adotado pelos meus pais. E se não tivesse acontecido nada disso eu estaria na rua e, pior ainda, apanhando do homem enrugado.
- Dudu, nunca pensei nisso! Às vezes esqueço que você é adotado!
- Sabe, Matheus, o Pato, meu amigo, foi menino de rua. Ele ficava mendigando nos faróis e até roubou. No abrigo era o protetor das crianças menores. É uma alma boa, que não teve a mesma sorte que você.
- Puxa! Desculpe mesmo, Dudu! Sou um estabanado. Falo as coisas sem pensar!
- Está bom, Matheus, também não precisa se matar por causa disso. Só pense melhor nas coisas antes de dizê-las. Combinado?
- Combinado, tio Pedro. Posso ajudar essas crianças em alguma coisa?
- É, papai, como um ex-menor abandonado, também gostaria! Será que podíamos ajudá-los, mendigando junto com eles?
- Mendigar, Dudu, isso não é ajudar! É necessário estudar e achar alguma coisa para fazer.
- Ih, pai, é tão difícil!!!!!
- Nada na vida é fácil, meu filho.
- Dudu, vamos formar um esquadrão “Antimenor Abandonado”.
- Boa, Matheus, grande idéia!!!
- Calma lá, vocês dois. Primeiro estudem o problema e vejam como podem ajudar. Não façam nada sem pensar bem e sem falar comigo com a mamãe e com os pais do Matheus.
- Tá bom, papai!
(...)
- E seu irmão diz que você precisa estudar mais!
- Não é estudo, papai! Estou pesquisando sobre os menores de rua.
- Ora filho, não deixa de ser um estudo! Você ficou muito interessado.
- É, pai, aprendi muitas coisas. Só não achei uma forma de ajudar.
- Dudu, é assim mesmo! Primeiro a gente aprende. Depois descobre formas de ajudar.
- Mas me diga, o que você aprendeu?
- Pai, você não ia ver o jogo?
- O filho da gente é mais importante que o jogo! Vim te buscar para você assistir comigo. Mas já que está tão compenetrado no seu trabalho, vamos conversar sobre ele.
- Você é meu papai do coração. Nunca me deixa só!
- Me diz o que você aprendeu?
- Bom, primeiro as crianças de rua estão em situação de risco social e psicológico, quase todos foram vítimas de maus tratos ou de abandono. Por trás de um menor de rua sempre tem um adulto. Li sobre alguns casos de crianças que foram encontradas em companhias de homens ou mulheres que estavam bêbedos, diziam serem seus pais e os espancavam. Pensei no homem enrugado. Li também que em épocas de festas, como no Natal, as crianças que pedem em farol, apanham mais, pois seus pais ou responsáveis acham que devem ganhar mais dinheiro.
- É um absurdo, não?
- Todas as crianças querem a mesma coisa, uma família. Assim como eu queria.
- Essas coisas são muito tristes!
- Li também sobre a Chacina da Candelária, eu e o Matheus não acreditamos, achamos um falta de amor às crianças.
- É, Dudu, essas injustiças acontecem no mundo todo, mas existem pessoas que se propõe a ajudar, no Rio de Janeiro mesmo foi formado o Projeto URUÊ e existem outros projetos nas favelas, em São Paulo também e nós vamos achar uma forma de você e o Matheus ajudarem.
- Legal, pai, liguei para a Celinha e para a Elisa e elas também vão ajudar...
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(Extraído do novo livro do DUDU, ainda inacabado e sem nome... eu vou com calma.)
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“As crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas.”
(Joseph Joubert)

“Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças.”
(Fernando Pessoa)
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Visitem Dan
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O Que é Sorte? - por Ignoto Jardim

Muitos dizem que sorte é destino. Outros dizem que sorte é estar no lugar certo, no momento certo, com a pessoa certa. Outros ainda afirmam que sorte é um conjunto de coincidências felizes.
Eu fico com a primeira hipótese: sorte é destino.
Sorte não é para quem quer, mas para quem tem. Não adianta espernear. Uns têm, outros não.
Às vezes, muda tudo, e o que parecia ser a maior sorte do mundo acaba se mostrando uma grande fatalidade. Mas isso faz parte desse mundo cheio de mistérios insondáveis que habitamos.
Posso dar alguns exemplos que me vêm à lembrança. Mas vou citar apenas um caso.

Existia um homem chamado Sena. Não era apelido, era sobrenome de família. Esse homem ganhava a vida vendendo frutas, em saquinhos plásticos, na beira da estrada.
Devido a um diabete mal cuidado, ele acabou tendo as duas pernas amputadas... Ficava ali, na beira da estrada, vendendo suas frutinhas. Talvez por piedade, as pessoas compravam. Paravam seus automóveis e pagavam por algumas laranjas, algumas mangas... E ele ia vivendo.
Esse homem amava uma morena de belo corpo. Todo mundo sabia daquela paixão. Mas ela não lhe dava bola, pois quem ia olhar para um pobretão feio, sem as duas pernas, vendedor de limões à beira da estrada?
Então esse homem chamado Sena, fez um joguinho na Mega Sena e aquele era seu dia de “sorte”. Ele ganha tudo, sozinho, algo em torno de cinquenta e tantos milhões de reais. Ou seja, vinte e cinco milhões de dólares.
Ele se declara para a bela morena, casa-se com ela e muda-se para um prédio luxuoso. É maltratado pelos vizinhos milionários, então ele volta a morar na sua cidadezinha de origem. Lá, ele passa a residir em uma grande casa, que fica na fazenda que comprou. Mas também não é feliz preso na grande casa da fazenda. Volta a frequentar o barzinho de sempre, junto aos seus amigos do passado. E foi assim, em frente ao barzinho de um amigo dos velhos tempos, que ele foi assassinado: morreu cravejado de balas, e a polícia, mais tarde, descobriu que o senhor Sena havia sido morto pelos próprios seguranças que ele pagava, e que a morte havia sido encomendada pela esposa.
Neste triste caso, a sorte virou fatalidade. Pior do que ser pobre é ser traído, enganado, atraiçoado e morto pela pessoa que você mais amou na vida. Teria sido melhor para o “seu” Sena ele ter continuado pobre, vendendo limão na beira da estrada.

Eu não me acho sortuda. Jamais ganhei um concurso literário, e olha que eu participei de todos eles. Nunca cruzei na internet com um editor de livros, ninguém jamais gostou dos meus blogs, e o último concurso que prestei, eu estudei durante oito meses, todos os dias. Li uma média de quinze livros técnicos, e tirei uma nota bem alta na prova de múltipla escolha, justamente onde a maioria foi mal. No entanto, na hora da correção da prova dissertativa, eu tirei uma nota baixa. Tive a pouca sorte de cair nas mãos de alguém que provavelmente não estava preparada para corrigir uma prova dissertativa daquela envergadura.
No entanto, apesar de não ter sorte, eu sou muito abençoada. A minha vida é pautada por inúmeras bênçãos. São bênçãos que têm vindo ao encontro de minhas necessidades.
Entre a sorte e a bênção, fico com a bênção.
Uma coisa eu aprendi na vida: a sorte é puro destino, que às vezes, torna-se fatalidade. A sorte é algo que não se busca, ela vem até a pessoa. Quem tem sorte tem, quem não tem, não tem. Mas a bênção, essa sim, pode ser buscada, suplicada, pedida. Eu peço a Deus todos os dias que me cubra de bênçãos. E Ele sempre me ouve!


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Há Caso - por Kamala Aymara

Fruto da sorte ou cria do acaso…
Jogo de amor?
............Tesão!

Aposta todas as fichas?
Eu não!
Quem dá as cartas agora?

Há hora?

Brinca com a sorte,
roleta russa de probabilidades,
viciada!

Sinuca de bico,
tacada de mestre,
sai pela culatra.

Xeque-mate!

Uma mão boa e o jogo tá ganho.
Uma mão boba.
Sorte?

Quando os dois chegam juntos.


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Palavra da Sorte - por Kbçapoeta

Na porta do labirinto da sorte
Um pescador sem mar
Conheceu os magos do Universo
Que mostraram-lhe
A ânfora da vida.
Era uma linda harmonia
De escola de samba.
Perfeito equilíbrio
Como representado pelo signo da balança,
Refletia de seu líquido.
Um frisson cósmico corria
Artérias, tecidos, células e aura.
Ao adentrar o labirinto.
Um cifrão lhe pergunta:
Qual o seu caminho, pescador?
O labirinto.
Responde o pescador.
Depois de dar sete passos,
Ouve-se a voz do amor ao longe:
Aonde o labirinto vai levar-te?
Ao caminho dos poetas!
Errando por filosofias, filologias,
Antropofagias e vidas vazias.
À procura de meu mar ainda não navegado,
Muitos sacrifícios para justificar o prazer,
Muitas palavras e pouco saber.
Isso é o caminho dos poetas.
Sorte da arte.
Sorte da vida.
Palavra dada pela sorte no fio do bigode.



Visitem Kbçapoeta
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Sorte? - por Lélia

A minha sorte na vida foi não ter tido sorte. Não ser linda, não ser rica, não ter príncipe encantado, não ganhar na loteria, não ser escandalosamente feliz.
O porquê?
Porque prefiro viver medianamente a ter que ficar driblando olho gordo.
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Sorte - por madruga

quando penso na vida
agarrada está a morte
muitas vezes é sofrida
outras cheias de sorte

sorte que por vezes agrada
nos momentos de aventura
ver-te assim apaixonada
meu amor assim perdura

mas nem tudo é frescura
pois tambem sinto dores
mas em ti procuro a cura
nos momentos sofredores

de sofrer quero deixar
e alegrias quero eu ter
prefiro mil vezes amar
e ter a sorte de te ver



Visitem madruga
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Sorte - por Mellon

Não existe sorte. A vida é um lugar cheio de frustrações, erros e desencontros. E você não pode se livrar disso, assim como eu também não. Pessoas quebradas acreditam na sorte, pessoas que no fundo sabem que o destino não está nas nossas mãos e chamam isso de “sorte”. Eu costumava sugerir a essas pessoas que tentassem fazer as coisas certas, para que as coisas certas dessem certo para elas, até eu descobrir que isso não dá certo, não está nas nossas mãos. O errado da vida é que a sua vida depende de outra pessoa, independente do motivo e vai ser sempre assim e você não pode destruir o que você sente. E você não pode se livrar de si mesmo, você não pode ser quem alguém quer que você seja, e isso não depende de sorte, depende do que é real.



Visitem Mellon
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